sexta-feira, 15 de abril de 2016

Pela Pátria Amada

Não há como ficar neutro, principalmente aqueles que, como eu, tem o mínimo de conhecimento do direito e com algum bom senso, mesmo correndo o risco das criticas negativas.
Fui estudante na Universidade Federal da Bahia, ´´a época de grandes nomes   da nata jurídica do país. Evidentemente  a Escola de Direito da UFBA, como a grande maioria  de todas do país, seguia  a corrente  positivista.. Ali aprendemos que o primado da lei, do direito positivado por ela, era palavra de ordem não se admitindo o afastamento da letra da lei e, consequentemente, do principio da legalidade.
Formei continuando, por muito tempo, com o positivismo  guiando, em tudo, a minha vida profissional..
Logicamente, como fonte de direito, também fiz uso da doutrina, da jurisprudência, atenta  ainda aos costumes, estes últimos capazes de influir positivamente, ou negativamente,  na interpretação da própria lei.
Todavia, o costume, por mais enraizado que ele esteja  em nós, na sociedade,  ~jamais ultrapassará a lei, ele pode ajudar na sua aplicação, na sua própria interpretação, pode até ser aplicado em lugar dela, quando  não exista  uma norma  que regularize uma determinado conduta, mas em ela existindo, nunca, será maior que ela, aliás, dentro do código civil está a graduação para a aplicação  do direito. Primeiro a lei, depois todo o resto.

domingo, 10 de abril de 2016

A Pestanejada do Pestana

Iaiá já estava casada há muito tempo; os filhos todos criados, uns casados, outros ainda não casados, mas homens feitos, enfim, tinha cumprido a sua obrigação para com eles.  Agora, dizia para si, é hora de curtir mais a vida com o meu Pestana, com quem estava casada há anos.
Conhecera o Pestana há muito, ainda era enfermeira. Era uma mulata bonita de fazer inveja a qualquer mulher e deixar homens boquiabertos. Sempre se arrumara bem, e não era a farda branca de enfermeira que lhe tirava a elegância, o charme, a graça, ao contrário: isto anunciava a sua beleza, pois a sua silhueta, por baixo do jaleco branco, atiçava o desejo dos homens, e por que não dizer: das mulheres também, que invejavam aquela colossal mulher desejada por todos.
Todavia o Pestana fora o vencedor daquela pescaria, e fisgou a Iaiá, com quem se casou e construíram uma bela família.
O tempo foi passando, e ambos, Pestana e Iaiá, envelhecendo; ela, entretanto, continuava uma bela mulher, mas Pestana começou a pestanejar, e Iaiá começou a perceber o desinteresse do marido, que cumpria com suas obrigações, mas não havia maior calor ou amor no relacionamento, embora continuassem juntos.

segunda-feira, 14 de março de 2016

O que espero do dia 13-03-2016

Estava assistindo  aos comentários sobre a repercussão das manifestações de ontem, dia 13 de março e, decididamente, fiquei com uma vergonha enorme.
O governo e o partido dos trabalhadores subestimando  esta concentração, esta força, esta energia dos cidadãos brasileiros, que  só estão querendo o respeito  às suas instituições,  à moralidade, uma volta da ética e, junto com tudo isto, uma politica econômica clara, que tire o país da crise em que o  governo nos colocou, por inabilidade, por falta de competência, por apenas estar preocupado em se manter, a qualquer custo, no poder.
Tive vergonha de ouvir todos os comentários.  Os petistas de carteirinha, tentando o impossível, vincular esta enorme cobrança popular, a um golpe articulado pela oposição, que por um acaso qualquer, embora isto não tenha sido uma tônica nas manifestações, foi vaiada, vide Aécio Neves e o Alkimim em São Paulo.
Golpe! Golpe é o que o PT está querendo nos dá. Então um homem que desrespeita o cidadão brasileiro, a justiça, procura deboche, gozação, ironia, subterfúgios, mentiras, sendo processado pela Justiça por força das tramoias que aprontou, que praticou enquanto no governo, vai, de novo, participar dele? Que Vergonha!  Estou completamente atônita e não consigo acreditar no que vejo e ouço.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Um passeio em Cascais

Acordei com uma imensa saudade de Portugal, por este motivo, resolvi levar todos para um passeio que adorava fazer, sem me importar com o tempo que estivesse fazendo, ou melhor: fosse verão ou inverno. Era apenas não estar chovendo e lá ia eu e, convido vocês a passearem comigo.
Se você está no Centro de Lisboa se encaminhe para o Cais do Sodré. Se estiver na Marques de Pombal, Duque D ´Ávila, Avenida da Liberdade, Saldanha, Parque Eduardo VII, apenas ande, desça a Liberdade toda vagarosamente olhando com o olhar de ver todos os detalhes. Se for preguiçoso pegue o metro linha azul até o Chiado e de lá passe para a linha verde sentido Cais Sodré: mas eu não aconselho, porque Lisboa é linda de se ver, se sentir, conhecer. Quando você chegar ao fim da Avenida da Liberdade, antes de chegar ao Rossio, olhe bem a estação ferroviária que fica no Restauradores. Imperdível! Tire uma foto, não perca isto de maneira alguma. Se for umas dez a onze horas da manhã, ou até antes, ou depois, fica a seu critério, entre no Beira Gare e coma uma bifana, ou um prego, ou qualquer coisa que lhe apetecer. Se tiver com muita sede eu recomendo que você tome logo uma imperial, é para ficar logo no clima. Se não quiser perder tempo, siga direito pela Rua da Prata, Rua Augusta ou Rua do Ouro; eu prefiro a
Rua Augusta por tudo que nela se contém: pela calçada linda, pelo movimento, pelas lojas da Zara, da H&M, Mango e tantas outras, pelos sapatos, pelas gravatas, enfim, gosto de andar por ali, mesmo quando chove e as pedras ficam brilhando, sensacional. Além do mais, você pode visualizar, desde o começo da Rua, o Arco, coisa bela da arquitetura.  Pois é, passou o Arco? Chegou á Praça do Comércio, viu o Tejo lá no fundo. Diga-me lá: Imperdível não é?  Mas não fique aí muito tempo, porque quero mesmo te levar é em outro sitio, você terá muito tempo de olhar o Tejo e conhecer as ruelas de Alfama, os becos de Lisboa, o Bairro Alto, mas hoje não: hoje o dia é diferente, é dia da “linha”.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O que aconteceu Maria Rosa?

Maria Rosa era a quinta filha de seu Alencar e Dona Virgínia. Os seus primeiros quatro irmãos eram homens, ela era a caçula e mulher, poderíamos dizer, o dengo da família. Enquanto pequenina, era ótimo estar cercada do amor e dos cuidados dos pais e de seus quatro irmãos, mas, quando fez doze anos, toda esta proteção começou a incomodá-la,  e muito.
Maria Rosa nunca saiu sozinha. Não tinha amigas, não ia á casa de ninguém. Festa na escola só se acompanhada de mãe e irmãos, se todos não podiam ir, um, com certeza, acharia tempo para acompanhá-la aonde quer que fosse.
Maria Rosa cresceu protegida. Sem opções, todos decidiam por ela, de pais a irmãos. Nunca teve direito de dizer o que efetivamente queria, tudo já lhe dado como certo e pronto. Roupas escolhidas pela mãe, escola escolhida pelos pais, festas só a que os irmãos frequentavam e quando se dispunham a levá-la.
Os irmãos não levavam os amigos em casa, foram proibidos pelos pais, pois Maria Rosa era linda e nada podia lhe acontecer, era melhor evitar: “o que os olhos não veem coração não sente”, era o que sempre dizia a sua mãe.
O único momento de mínima liberdade que a Maria Rosa tinha era a escola, e assim mesmo, quando não havia qualquer olheiro a espreita, o que sempre acontecia, pois a recomendação às freiras era para que ela nunca estivesse sozinha, o que era seguido à risca pelas irmãs, que não queriam, de maneira alguma, desagradar ao Sr. Alencar, em especial Dona Virginia, mantenedora da Igreja, membro da congregação, enfim

sábado, 2 de janeiro de 2016

Nas Águas do MARUJO

Como tantos outros primeiro do ano, eu não esperava nada de diferente:
ressaca, muita comida, arrumação da bagunça do dia anterior; entretanto, o primeiro dia do ano de 2016 me reservou uma baita surpresa, e esta surpresa merece divulgação.
Meu companheiro há uma semana me disse que fora convidado para um passeio de escuna no dia primeiro: gosto do mar, mas confesso que não fiquei radiante com a comunicação, cheguei mesmo a sugerir que ele fosse sozinho, mas não gostei da expressão que ele fez. Decidi que iria, muito mais pelo fato de que ele me disse qual era a finalidade do passeio de escuna: um oferecimento de um presente ao “MARUJO”.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Voce me cativa?

[...] eu não posso brincar contigo – disse a raposa. – Não me cativaram ainda.
-Ah! Desculpe – disse o principezinho.
Mas, após refletir, acrescentou:
- Que quer dizer “cativar”? [...]
[...]-É algo quase sempre esquecido – disse a raposa – Significa “criar laços”...
-Criar laços?
-Exatamente – disse a raposa, - Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Será para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo[...]
[...] Mas, se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fossem música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo....
[...]-A gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa. – Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
-Que é preciso fazer? – Perguntou o pequeno príncipe.
-É preciso ser paciente – respondeu a raposa[...] (SAINT-EXUPÉRY 2009)

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Transforme-se; mas não se esqueça

Talvez pela proximidade de mais uma grande transformação na minha vida eu esteja lembrando tanto de uma outra passagem, a do tempo em que vivia no Engenho Velho da Federação.
Comecei a morar ali logo após a saída do internato, ou seja, aos quatorze anos. Morei bastante tempo ali, tanto tempo que tive tempo de mudar de casa três vezes, sendo que a última foi a definitiva, pois meus pais, não sei bem como, conseguiram comprar um imóvel na Rua Apolinário Santana 51-E da 1ª. Travessa, depois denominada Travessa Fernanda, homenagem a uma moradora daquela descida terrível.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

O futucador de orifícios

Aquilo estava incomodando muito, tinha que tomar uma atitude, procurar um médico especializado para dar um jeito na estória, por fim aquele incomodo que há anos lhe tirava o humor.
Não havia mais como adiar e o jeito foi perguntar aos amigos se conheciam algum proctologista. Uma amiga conhecia um, afirmava que ele era o bom, talvez o melhor e tinha o nome de Sebastião.
Bom com este nome eu já pensei que ele deveria ser muito bom, tratar as pessoas com muito cuidado e paciência, afinal o santo que morreu todo espetado tinha este nome e não deixaria que um seu xará maltratasse ninguém.

domingo, 21 de junho de 2015

Clorofilando


É domingo, mais um deles, iguais na nomenclatura, diferente por todos os outros motivos. Cheguei da caminhada bem a tempo de não pegar uma chuva, que, sem qualquer aviso, cai forte. Resisto por um momento, mas a chuva cai tão forte ganhando mais força nos beirais por força da água que escorre do telhado, que eu venho deitar na rede. Gosto de ver a chuva cair, sempre tive um sonho de ter uma casa toda de vidro exatamente para ver a chuva cair. Em Portugal achava o máximo olhar o teto do Vasco da Gama e ver a água escorrendo por ele.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Uma feiticeira na Inquisição da Bahia -" Arde-lhe-o-Rabo"

Mais uma vez estou andando por Salvador, estou em frente à Catedral Basílica do Salvador, a Igreja está fechada, sento nas suas escadarias e fico olhando o movimento da Praça do Terreiro, olho as baianas sofisticadas, com roupas lindas e muitas contas, pintura exagerada, olho-as com os olhos de ver, e vejo o que virou a nossa baianidade, uma forma de exploração, de ganhar dinheiro. Ao mesmo tempo em que vejo isto, também me transporto e vejo as negras de ganho mercando os seus produtos ainda no tempo colonial e da escravidão.  Tiro o olhar destas baianas, que quase atacam os turistas que passam por minha frente. Eles sem me vir e sem qualquer olhar igual ao meu, são quase que atropelados pelas baianas: sorriem, tiram fotos, pagam até para isto, são guiados para as casas de “gemas”. Eu, diferentemente deles, fico realmente vendo, entendendo, procurando identificar os traços da nossa Salvador colonial, ali naquele lugar de tamanha importância para a nossa história. Mais uma vez sinto uma angustia imensa, apesar de ter alguma conservação, o Terreiro de Jesus e o Pelourinho precisam de obras de conservação. O casario precisa ser preservado, a história precisa apresentar-se aos soteropolitanos, e assim poder ser visualizada, exatamente, através de nosso patrimônio, que o Estado tem obrigação de conservar.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Tem rima!

Estava eu na Junta de Conciliação e Julgamento de Santo Amaro da Purificação. Sim, esta mesma, a cidade do clã Veloso, do Lira, e tantos outros, e onde, segundo a história que eles fazem questão de lembrar, o Imperador fez xixi e, logo por aí, se vê a importância que esta cidade teve em períodos idos, pois o Imperador lá esteve efetivamente.
Santo Amaro é uma cidade com um belo passado colonial, muito cheia de engenhos naquele período, fontes históricas indicam a existência de 120 engenhos(1878), sendo um dos mais importantes o Acupe, ratificando assim a sua participação efetiva na economia da Bahia.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Vaticinando

Já faz muito tempo, mas pelo pitoresco da história, não consigo esquecer. Passei por muitas cidades do interior enquanto exercia a magistratura, cada uma com o seu folclore, com as suas figuras e personagens. Gente boa, gente ruim, educados, mal-educadas, prepotentes, enfim, consegui, na minha caminhada, ter contato com todo o tipo de pessoa. Certamente, para eles, também, fui prepotente, orgulhosa, pedante, enfim, tudo que se podia dizer de uma pessoa sozinha, que ocoupava um cargo importante, uma autoridade que tinha de se impor e com muitas responsabilidades. Minha aparência, segundo alguns, já era um grande problema, pois sempre usei "jeans" e meu cabelo  era encaracolado, muito pouco recomendável para uma Excelência.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

"Amores Nefandos" - Confissões e Delações na Primeira Visitação do Santo Oficio da Inquisição na Bahia - 1591

Continuo andando em Salvador com os olhos de ver, olhos que jamais pretendo que deixem de ver, já falei antes,  que os meus olhos agora não só enxergam e olham, eles vêm, sentem, recriam, estão a serviço da memória, do conhecimento, da reconstrução. Quanto tempo perdi sem usar os meus olhos de ver, e com eles é que estou na Cidade Alta ali pelas bandas da Paço Municipal; à minha frente está a Câmara, do lado esquerdo, estando eu de costas para o prédio da Câmara, está o Palácio do governo do outro lado a Rua da Misericórdia que vai dar na Sé, e após no Terreiro de Jesus.  Estou, efetivamente no centro da cidade.  Descendo a rua vou parar um pouco antes da porta de Santa Luzia, (São Bento) que limita a cidade pelo Norte, se sigo pela direita, alcanço o Terreiro de Jesus, Pelourinho e a porta Sul da cidade, a porta de Santa Catarina (Carmo).

quarta-feira, 13 de maio de 2015

O olhar de ver - recriando o tempo e o espaço

Tive que ir ao Banco do Brasil, que fica no Comércio. Deixei o carro no Shopping Bela Vista e peguei o metrô, a ideia era sair na estação da Lapa e descer andando para o comércio, mas, pelo adiantado da hora, resolvi pegar um ônibus para a Praça da Sé, e de lá descer o elevador, e foi o que fiz. Saio do elevador e ando pelo comércio, pois não consigo chamar diferente àquela parte da cidade, mas, ando ali agora com os olhos de ver. Não quero mais olhar somente, quero olhar mesmo com os olhos de ver. Primeiramente ver o inevitável e o inegável, que é a Beleza da cidade

sábado, 9 de maio de 2015

Vendo

Os meus olhos de ver hoje estão imensamente tristes. Estão vendo coisas que eles não gostariam. Não é apenas um olhar, é o ver, que faz com que todos os nossos sentidos fiquem aguçados, e com eles toda a nossa história de vida e da daqueles que a nós estão ligados. Queria apenas olhar, não ver como estou a ver agora. Ver a vida de entes que conviveram conosco por uma boa parte de nossas vidas, indo embora, assim, como se nada fosse Não gosto efetivamente do que vejo, mas nem mesmo o olhar posso desviar, seria talvez uma grande irresponsabilidade de minha parte apenas olhar sem ver.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Uma noite das mil e uma noites

Está em casa, há convidados, não era bem uma festa, mas havia pessoas em sua casa. Um jantar? Não, aquilo não parecia um jantar, apenas uma reunião de amigos com canapés, drinks e uma boa conversa. Todos pareciam felizes.  A conversa se desenrolava sobre muitos assuntos, inclusive o preferido de muitos deles, a critica aos discursos pronunciados no Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado). Gostavam de criticar e sorrir das bobagens,

sábado, 28 de março de 2015

Será possível?

O dia não amanheceu nem melhor, nem pior, que os outros. Não posso sair para andar, estou proibida de tomar sol, e, mesmo com o protetor solar, não vou arriscar.
O que faço para compensar este intervalo de uma hora da minha caminhada matinal, que ocorre, sempre, entre 06h15min/06h30min e 07h15min/07h30min? Ler ou escrever: sempre estas opções são as primeiras que aparecem. Tenho de fazer isto para não pensar muito, não rememorar os problemas, eles não se afastam, se impõem de uma maneira tal, que parece que já estão mesmo incrustados no meu ser.

quinta-feira, 26 de março de 2015

A Privataria Tucana- Amaury Ribeiro Jr

Recomendação de leitura
Livro - A Privataria  Tucana
Amaury Ribeiro Jr
SP ,Geração Editorial, 2011, Coleção História Agora

Parece que este país vive sob o signo da corrupção. É esta a constatação que fazemos com a leitura oportuna da obra de Amaury, porque por ela e, através dela, constatamos, exatamente, que  a corrupção, o ganho fácil, a lesão ao patrimônio público, o financiamento de campanhas eleitorais com  dinheiro sujo, lavados em paraísos fiscais, é uma constante no país

quinta-feira, 19 de março de 2015

Resenha livro BOCA DO INFERNO - Ana Miranda

Resenha   -Boca do Inferno
Ana Miranda
São Paulo -Cia das Letras, 3a.ed,  1989

Acabo de ler o romance histórico de Ana Miranda – Boca do Inferno. A referência ao Boca do Inferno é realmente à Gregório de Matos, o nosso poeta do período colonial, que com os seus versos satirizava a sociedade baiana.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Um presente vivo

Talvez tenha recebido um presente pelo dia da mulher, só podia ser isto., ou quem sabe um coelho da páscoa antecipado.  Todavia, não podia desembrulhar o presente, muito menos usá-lo, gozá-lo então, impossível. Mas, o presente estava ali, todo embrulhadinho, num belo papel em que predominava o azul. O presente era vivo, vivinho, se movia diante de si, procurava lhe envolver, parecia ter braços pernas, um corpo inteiro. Tinha uma boca, e que boca, tudo isto ali, mas ela não podia, ao menos não devia, deixar que o presente se desembrulhasse. Era melhor ficar dentro do pacote. O que seria aquilo? Parecia gente, mas uma pessoa não poderia vim embrulhada, sufocaria de certeza.  Custou a crer que tinha recebido mesmo um presente. Quem se lembrara dela assim no dia da mulher ao ponto de lhe mandar um tão lindo pacote?

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

DESENCONTRO MARCADO II

Acordara cedo, mas o frio intenso fez com que ela permanecesse na cama, leu mais umas páginas de Saramago em O Memorial do Convento, entretanto não queria sair de casa tão tarde, tinha um compromisso e, antes dele, teria que ir à Faculdade pegar os quatro exemplares da dissertação e tese para levar ao Arquivo Histórico do Ultramar e à Sociedade de Geografia, o problema é que o Arquivo Histórico só abre uma hora da tarde e ela queria entregar os exemplares exatamente neste horário, porque pretendia estar na Merendinha do Arco às 13h30min, afinal o encontro estava marcado e não seria ela a falhar.
Tomou coragem e as dez estava completamente pronta, decidiu que iria pegar um taxi, assim adiantaria mais as coisas. Chegou à faculdade e, felizmente, os exemplares estavam prontos.  Colocou tudo em uma sacola e dirigiu-se ao metro, preferindo ir até o Campo Grande e lá pegar a linha verde. Olhou o relógio: sim, chegaria a tempo na Sociedade de Geografia e depois, logo ali na Praça da Figueira tomaria o quinze e iria até o Arquivo Histórico e depois voltaria para o Rossio para o encontro marcado.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Poder e posse

O dia está lindo, há sol, o céu azul, o verde das árvores. Sentada na cama observa tudo isto pela janela do quarto “da Gatucha” é assim que a amiga trata este cômodo da casa. É engraçado como personaliza-se algo: seja um espaço, seja uma coisa, seja até mesmo uma pessoa, pois quando personaliza-se também dá-se, ou toma-se posse, seja atribuindo-a a si próprio seja a outrem, por exemplo: o quarto da Gatucha; o quarto é dela, não é de Maria e nem de João, é dela e ela é que tem a posse dele, no caso do quarto em questão, ela tem apenas uma posse temporária, completamente justa, exerce-a de vez em quando, mas tem uma posse.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Uma nova tentativa - Continuação da análise

Já acordou de “calundu”; então insistia naquela história de analista, mesmo tendo a certeza que não daria certo, insistia; devia ser o desejo de participar do mundo dos “ins”. Agora, ao menos, tinha a consciência que seria analisada por uma mulher, pois até mesmo o sobrenome já era sugestivo do sexo. LARANJEIRA. Um laranjeiro, certamente, não daria frutos, seria uma árvore estéril. Bom, o certo é que tinha consulta marcada às 15h00min com a Doutora Laranjeira.
Arrumou-se toda, parecia que ia a uma festa. Por que isto? Perguntou para si mesma, então você vai ao analista, que é uma mulher, e se emperiquita toda desta maneira?

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

ENCONTRO NÃO MARCADO

Estava, mais uma vez, em Lisboa e, portanto, não lhe custava nada tentar um contato com o Madeira. Já vinha pensando nisto no avião e, assim que colocara os pés no solo português, ainda dentro do aeroporto da Portela, decidiu que tentaria contatá-lo.
- Será mesmo que ele ainda lembra-se de mim? Tanto tempo se passara desde o último contacto, quando ela decidira que seria mesmo o último. No seu consciente, no seu racional, sabia que era melhor não tentar nada, mas o diabinho interior, com os seus tridentes futucando ali e aqui já decidira por si. Sim, ela ia entrar em contato, só não o fazia naquele momento porque estava sem rede no tele móvel e ansiosa pelas malas que não apareciam na esteira. Já se passara quase quarenta minutos do desembarque ela não via as malas.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Ainda a visita ao analista

Como foi a visita ao analista? Gostou? Ela bem que já esperava a pergunta, mas, ainda assim, ficou para lá de irritada.  “Que merda, os “ins” acham que esta é mesmo uma solução para os problemas que eles vêem em mim. Acho que não vou responder nada”
-Diga lá mulher, como foi a sessão, vocês gostou?
-Quer que eu fale a verdade?
-Claro
-Uma merda, não sei como vocês conseguem achar que aquilo é bom. Fiquei lá com cara de tacho olhando uma pessoa que nunca vi antes a esperar que eu falasse do que não quero. Não entendo como vocês têm a capacidade de falar de si a um desconhecido frio, distante, até mesmo seco.
-O que você queria? Uma mãe que lhe colocasse no colo e alisasse seus cabelos e perdoasse os seus erros?

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Pós visita ao analista

Chegou a casa visivelmente mal humorada. Não conseguia entender por que se tinha permitido passar por uma cena daquelas; então pagara quase a metade de um salário mínimo para falar duas palavras com um híbrido e acabar o tempo sem que nada de, minimamente, esclarecedor, ou com alguma possibilidade de sê-lo, acontecesse.
Vinha no carro e, de vez em quando, como para se acreditar que aquilo ocorrera mesmo, se olhava pelo retrovisor e via a sua cara de tacho e de besta com toda aquela situação, perdera uma hora do seu dia, perdera dinheiro, ficara mal humorada, perdera inclusive o horário de chegar a casa, um tempo precioso para corrigir algumas provas, estas sim importantes, porque sua obrigação, que fora atrasada por aquele acontecimento que não se repetiria.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A primeira sessão de análise

Não gosto de falar sobre mim, às vezes, nem comigo mesma, mas foi inevitável. Todos os meus amigos, os mais íntimos claros, e até alguns que pensavam que eram amigos, me mandavam procurar uma ajuda. Eu não entendia bem porque e ficava me perguntando. Será que sou tão difícil assim? Será que tenho tantos problemas que não consigo entender nada? Será que os meus problemas se refletem nas minhas relações com as pessoas até ao ponto de ter que fazer algum tipo de terapia? Não, não achava isto, e também não achava que uma pessoa estranha pudesse me ajudar e o faria apenas ouvindo-me falar.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Resenha - Os Mazombos e o Pai Sumé do Peabiru

RESENHA
Os Mazombos e o Pai Sumé do Peabiru
Autor – Antonio Gusmão
Editora – Qualidade Editorial Ltda, 2013

Segundo FERREIRA DA CUNHA(2006) o escritor do romance histórico tem a preocupação de trabalhar com as fontes e, por isso mesmo, de acordo com este autor, este gênero literário encontra uma grande receptividade seja pelas massas de cultura média, seja por parte das elites acadêmicas. Para ele “ao aventuroso, romanesco, pitoresco ou exótico da sua dimensão lúdica se junta honesto estudo, que não raro se nos desvenda nos alicerces e andaimes”. Partindo desta assertiva  de Ferreira da Cunha, comecei  a ler este livro, achando, em principio que este romance podia ser classificado como tal;  não é, apesar dos inúmeros fatos reais e históricos que nele se contem, a exemplo  dos Bandeirantes, do Caminho de São Tomé, da invasão dos holandeses, e muitos outros acontecimentos que podem ser comprovados “cientificamente” porque história é uma ciência, e o que ela pode comprovar, portanto, é cientifico.

Era assim

O dia começa cedo; as tarefas distribuídas,  limpeza da casa  para as mulheres e os serviços outros, olhem só, o da cozinha para os homens. Era assim: os meninos tinham de ajudar a moer a carne ou qualquer outra coisa na velha máquina de “moer”, que a gente dizia ser de “passar carne”. A máquina era atarrachada em um dos lados da mesa, sendo que sempre que isto ocorria, alguém tinha de ficar sentado do outro lado da mesa, para que com o movimento e a força aplicada de quem estava no moedor, desse o equilibrio necessário para ela não virar.  A máquina era pequenina, mas poderosa, machucou, muitas vezes, os dedos da criançada, que para acelar o processo  enfiavam as mãos para empurrar o que estava sendo moido e o resultado era unha roxa, ponta do dedo machucada, enfim, mas ninguém morreu  por este motivo. Era o nosso processador manual.