segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Paraíso e o Bolero

E lá ia ela toda cheia de planos. Estava feliz, estava a caminho de realizar um sonho, um pequeno sonho, mas um sonho e prestes mesmo a materializar-se. A estrada  ia passando, para ela era como se fosse a estrada que se movesse, e não o carro onde ela ia feliz ao lado do parceiro que se propusera ajudá-la no “ come true” daquele devaneio.
Organizara tudo, vinha idealizando a coisa fazia tempo. Não poderia dar nada errado, não queria incomodar ninguém nem fazer ninguém sofrer, apenas queria dar asas a sua imaginação e fazer o que sempre tivera vontade, desde os tempos de menina, quando os sonhos daquele tipo eram proibidos, tão proibidos e pecaminosos, que nunca tivera coragem de revelá-los a quem quer que fosse.
Xitãozinho e Xororó cantavam bolero e ela ria, pois  aquela trilha sonora fazia parte de tudo que ainda estaria por vim naquele final de tarde inicio de noite em que tudo seria permitido e tudo poderia acontecer.
O verde  ainda predominava na paisagem, do carro, mesmo com a velocidade, ainda se avistava aqui e ali algumas  coisinhas brancas se mexendo,  vacas nelore pastando naquele imenso gramado, que se perdia de vista.
Tudo perfeito até então. Nenhuma detalhe  esquecido. |A garrafa de  Champagne, as taças, o queijo de cabra, fatias de jámon, um paté , torradinhas, água mineral com gás. Na dúvida, mais uma garrafa de champanhe por gelar, mas isto não seria problema, com certeza, onde ia, seria fácil gelar, mesmo que acabasse o gelo que estava na caixa térmica, onde tudo estava guardado. Mentalmente visualizou tudo que estava no carro: sim, não esquecera de nada, tudo perfeito. O CD com as músicas,  o  computador carregado,  tudo, tudo certo, aquela noite ia ser perfeita, nada ia estragá-la.
A estrada reta já dava os primeiros sinais da proximidade do destino final, saída a 30km. Menos de meia hora separavam aquele instante do momento ideal, correto, certo.  Mais verde, mais água, menos luminosidade; para  Paraíso, aguarde no acostamento e vire à esquerda.  A entrada era perigosa. Não tinha rótula, não tinha nada, apenas este  pequeno aviso, se alguém não estivesse atento passaria batido. 
Entram na estradinha minúscula que levava a Paraíso.  Seria mesmo um Paraíso? Quem já esteve no local garante que sim. O hotel reservado, não quisera correr risco, mas depois de andar bem uns trinta km naquela estradinha de pedrinhas que batiam no fundo do carro, começou a achar que não era necessário ter reservado o hotel, correra um risco desnecessário, era melhor chegar e pronto, mas preferiu correr o risco de que não ter onde ficar, ainda mais que o objetivo era ficar exatamente no hotel convento: E se chegasse ali, depois de toda aquela preparação e não tivesse um quarto?  Melhor assim.
A noite já tomara conta de tudo, mas havia uma lua que também parecia ter sido programada,  aliás, assim podia ser concebida, pois ela escolhera, propositadamente, aquela noite, exatamente porque sabia que a lua estaria cheia e iluminaria mais os seus sonhos.  Agora  percebia o acerto desta escolha, a iluminação da estrada, onde não passava  nem gente e nem outro carro, naquela paisagem só o carro em que eles estavam e o caminho, que parecia estreitar a cada avanço estava iluminado, graças a enorme lua que acompanhava o veículo...
De repente uma luz lá no alto e bem distante: “Será ali, onde está aquela luz”?
- Acho que não, ainda faltam uns vinte e cinco km.
- Tudo isto? E se esta estrada afinar mais? Não chegaremos em lugar algum e teremos de voltar.
- Não se preocupe. Se ela estreitar mais voltaremos.
- Só se for de ré.
- Kkkkkk, não se preocupe, daremos um jeito. Se anime porque estamos muito próximos.
Calada, pois não queria  que a sua voz  indicasse  a sua apreensão, olhava o riacho que acompanha a estrada. A lua permitia que  ele fosse visto, e não só: permitia que a sua beleza deixasse nela a vontade de pedir para parar o carro e entrar naquela água, que de cima da estrada parecia tão clara, límpida.
Perdeu-se neste pensamento e o tempo passou mais depressa. Percebeu que o radio do carro não mais tocava nada, ali, naquela imensidão do nada, ele não  funcionava
“Seráque o computador vai funcionar? Se não funcionar não posso colocar música e ela faz parte desta estória. Não, não queria pensar nisto, mas o pensamento não se desfazia, entretanto, lembrou do aparelhinho de CD e se tranquilizou, ouviria música sim.
A luz se aproximava vagarosa.- Faltam somente cinco KM.
-Só!, aquela luz não deveria estar mais perto?
-Não, aquela luz não é do hotel para onde vamos, ela não teria condição de aparecer, porque o hotel não fica em um alto.
-Não fica em um alto? Duvido. Então o hotel não é uma velha construção de padres? Não é um convento antigo?
-Sim,  lembre-se que  padres não são militares, e não precisavam de conventos em cimos de montanhas,  o hotel fica no centro da cidade de Paraiso.
-No centro da cidade? Em local muito movimentado?
- Paraíso! Local movimentado? Kkkkkkkkkk.
De repente ela vê uma placa  PARAISO, 2,5km
Mais um pouquinho: “Prepare-se: Você está há 1,km do PARAÍSO” 
“BEM VINDO AO PARAÍSO”.
Um muro de pedra começa a aparecer do lado direito da pista, uma mureta na verdade, mas pedras que deixavam que os visitantes lhe adivinhassem a idade, muito velhas mesmo, aquilo parecia um muro romano, se estivesse na Europa, certamente, estariam entrando em alguma ruina romana
Um arco feito com as  com as mesmas pedras aparece e eles passam por ele e entram, efetivamente,  em Paraíso. As ruas de pedras  faziam o carro balançar. As casinhas todas fechadas, nenhuma janela aberta, ninguém pela rua, parecia uma cidade fantasma, não fossem as luzas que se entrevia pelas frestas e vidraças das janelas fechadas, parecia que nelas não morava ninguém.  De repente uma praça enorme e, do seu lado direito, uma imponente construção: uma igreja com três torres, toda pintada de branco, cada torre com um sino imenso e, ao lado da Igreja, parecendo sair da sua lateral como um apêndice, uma constrição de dois andares que se perdia de vista, tão branca quanto a própria Igreja e com janelas e portas verdes.
-Meus Deus, quem faria uma construção desta num lugar deste?
-Os beneditinos. Aquele era um convento beneditino, que fora ali construído no século XVII. Ela procurara saber de toda a história, que era mesmo fantástica, e por isso mesmo o desejo  de ali realizar aquele sonho que de há muito a acompanhava.
Param o carro e entram pela porta lateral semiaberta: Não há vivalma  ali. Uma companhia, daquelas que parece uma sineta. Batemos, não batemos? O que faremos então?  De repente,  veem, embaixo da sineta, um papel e uma chave:  Hóspedes Juliana e Joshua, chambre 10. Boas vindas e tenham uma boa noite.
-Será que só nós estamos aqui hoje?
Ao lado da portaria uma escadaria gigantesca. Toras de madeira trabalhadas imensas, seja na expessura seja na largura: a escada devia ser formada por madeira de 2 a 2,5 de largura.  E eles  pegaram as coisas no carro e subiram aquelas escadas, que ressoava apenas as suas próprias passadas. Um claustro imenso aparece quando  chegam ao último degrau, uma placa  e uma seta indicam  onde ficava o quarto que eles procuravam. O último do fim do corredor ao lado direito. Enquanto se encaminhavam para o quarto olhavam o pátio lá embaixo, muitas flores, um lago artificial, muitas e muitas  plantas e muitas, mas muitas mesmo, orquídeas, que  se amostravam  sob a luz do lar. Ela queria vê-las todas e de perto, mas àquela hora, pensa que tinha mais coisas a fazer de que ver orquídeas.
Chegaram ao quarto;  sim, ali havia sido, sem a menor dúvida, a cela de um beneditino. Embora a adaptação feita para acomodar hospedes tenha sido muito bem feita, não retirou a originalidade da construção e da sua finalidade.  Uma só janela que dava para um bosque.  A cama imensa, um antigo móvel fantástico do lado direito. O armário embutido atrás de uma madeira rústica, o frigobar que ali também estava instalado e uma passagem, que só de olhar  lhe fez tremer; era uma passagem mesmo, entre aquelas paredes de quase um metro de espessura, uma fenda que dava para um vasto banheiro, fantasticamente trabalhado, mas cujo piso ainda trazia  a marca  dos votos da pobreza feita pelos monges que habitaram aquele convento.
Ela estava radiante, aquele local era parte do seu sonho, ela sempre sonhara em dormir num quarto daqueles, depois que tomou conhecimento que os antigos conventos e castelos medievais  viraram pousadas, ela alimentou aquele desejo de dormir em um convento, mas num quarto que já pertencera aos padres, embora já tivesse dormindo, muitas vezes, nos dormitórios coletivos dos internatos dos conventos por onde passou, talvez por isso mesmo sempre tivera a curiosidade de saber como seria uma “cela” de um padre ou de uma freira, pois nunca lhe permitiram entrar.
Olhou tudo, viu as toalhas brancas, limpíssimas, as roupas de cama bem alvas, a coberta de fustão, enfim, tudo arrumadíssimo. Abriu a caixa térmica e olhou se tudo estava sob controle, tirou o queijo, o presunto, o patê  e colocou  em uma bandeja que estava  em cima do móvel.
Disse a Joshua que ia tomar um banho e lhe perguntou  se não seria melhor darem uma volta na cidade para ver o que encontravam. Ele  riu e nem disse sim e nem não, apenas aproximou-se mais dela e lhe deu um grande e caloroso beijo, que a deixou bem excitada e sem já sem muita vontade de repetir o convite.
Foi para o banheiro com a sua mala. Entrou naquela câmara e ficava tentando entender porque ali, ao invés de ser um local hiper quente, chegava mesmo a fazer um friozinho, quando tirou a roupa notou o endurecimento imediato dos mamilos, que, a bem da verdade, já estavam  bem calibrados após aquele beijo, prenuncio do que estava por vim.
Entrou no box e deliciou-se naquela água fantástica, o chuveiro era mesmo fabuloso, estava ali embaixo daquela cachoeira, deixando que a água quentinha molhasse todo o seu corpo,  que nem percebeu Joshua entrando  no banheiro e no box, só sentiu mesmo a sua presença quando ele já estava agarrando-a, puxando-a para si e lhe fazendo os mais diversos carinhos, aos quais ela não resistiu mesmo e, ali mesmo, se amaram e muito. 
Enrolados nas toalhas saíram daquela câmara do prazer falando exatamente  do que poderia ter acontecido naqueles quartos. Lembraram de Humberto Eco em O nome da Rosa e realmente  perceberam  que  em um lugar daqueles seria muito fácil mesmo viver uma vida dupla, entre a santidade e a safadeza. Ali as paredes não permitiriam que ninguém ouvisse o que se fazia dentro daquelas  celas, dificilmente alguém seria salvo até mesmo de um assassinato.
Vestiram a roupa e decidiram procurar um local para um jantar romântico regado  um bom vinho. Saíram caminhando do hotel e a Praça parecia dormir, nenhuma pessoa, nenhuma porta aberta,  só eram oito e trinta da noite. Deram a volta inteira na praça e decidiram retornar ao hotel, talvez o restaurante do estivesse funcionando, ao entrarem no hotel, mais uma vez, não havia qualquer pessoa na recepção. Bateram a sineta, mas ninguém apareceu, deram uma volta pelo pátio, olharam as orquídeas de perto, muitas e de diversas cores e formas, lindas, mas gente que era bom, nada.  Quando estavam desistindo, viram mesas e cadeiras do lado direito e deduziram que ali seria o restaurante, todavia, ao se aproximares constaram que as portas de acesso estavam fechadas, ou seja, iam para o quarto mesmo, não havia Esperança de encontrar nada aberto e nem qualquer pessoa para dar informações.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Quatro décadas depois

Era uma segunda feira como outra qualquer. Fôra para a faculdade como era normal, teria aula de Introdução ao Estudo de Direito, ou Teoria Geral do Direito, com Machado Neto, que, mais uma vez, e com certeza, iria falar de Cossio. Ela não entendia zorra nenhuma, mas ficava atenta e isto lhe dava um imenso cansaço mental. Depois das primeiras duas horas teria aula de Constitucional com o professor Modesto, e não se lembra mais quer aula teria após esta. 
Acabada a jornada da manhã iria para o Terreiro, para a faculdade de medicina, onde, estranhamente, teria aula de Filosofia com o professor Fernando, depois voltaria para casa no seu busu, toda amassada e pronto, estudar um pouco se fosse possível, pois não é nada fácil estudar filosofia e direito em uma casa onde vivem umas dez pessoas. Não há concentração certa, mas tinha de ser assim.
O Universo, entretanto, resolveu meter o dedo na rotina daquela menina, e após as três primeiras horas de aula ela foi à cantina da escola, fora comer um pãozinho delicia, que ela chamava de “pão cebeludo”, por causa dos fiapos de queijo que ficavam em cima deles.
Como sempre, o dominó estava comendo no centro, os jogadores, quase sempre os mesmos, em uma outra mesa o carteado, era assim que os universitários passavam o tempo entre uma aula e outra, ou substituíam as aulas pela brincadeira.
De repente ela ouve alguém dizer que iam fazer um sambão e que o pessoal do samba estava se reunindo. Ela não era desta turma, mas essa segunda feira mudou tudo.  
Já não voltou para a aula, dali mesmo, junto a alguns colegas, que não eram da sua turma, todas eram de turmas anteriores, entretanto ela conhecia a todos por força de   ser amiga de uma outra colega delas, a quem conhecia há muito tempo, antes de ter passado no vestibular.. 
Confusão danada. Quantos carros tem? Quantas pessoas? Cadê os instrumentos?  Quanto se tem de dinheiro?  Uma vaquinha começa, pouco dinheiro, mas suficiente para algumas batidas, e ainda tinha o dinheiro do pobre do “Percutino”, dinheiro de cliente que ele teria de devolver, mas que fora descoberto pelos colegas que não perdoaram. Ela calhou de ir no fusca verde, ela e mais umas seis a sete pessoas, todos encolhidos, mas felizes, jovens vivendo os seus momentos. Acomodou-se exatamente na direção do retrovisor de onde podia ser vista pelo motorista e foi exatamente o que aconteceu. Os olhares se encontraram algumas vezes, em princípio por puro acaso, depois o acaso deu lugar à intenção.. A cada olhada algo ia crescendo, não sabia mesmo o que, mas sentia vontade de fixar aquele olhar, era como um ima, mas era impossível, afinal o olhador era o motorista que não podia se desviar   tanto a sua atenção.
O carro parou em um boteco em Brotas, ali se vendia uma batida, e ficaram ali durante algum tempo. Brotas!, por ironia do destino, começava ali uma, estória de amor. A ironia estava no fato de que, por muito tempo na sua infância, frequentara aquele bairro, onde a sua família, pelo lado paterno, morava, aliás, Brotas devia se chamar Brotalicia (mistura de Brotas com Galícia), pois ali morava uma grande parte da colônia espanhola.(galegos)
Sim, tudo começou ali, olhares, cuidados especiais, gentilezas, mas não parou por aí, e todos embarcaram novamente nos carros. Ela foi convidada a ir na frente, mas declinou, era melhor que uma pessoa mais gorda fosse à frente, ela iria atrás, pois assim mais pessoas entrariam no carro. E assim foi feito. Ela olhava o retrovisor e via olhos que procuravam os seus. Durante todo o percurso foi assim, olhos e sorrisos, enfim, o jogo da sedução continuava e ela estava realmente gostando disso.
Pararam em Itapuã e muito samba num bar que hoje já não existe mais, aliás como o bar, tanta coisa se foi, parece até que nunca existiram.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Viva a Santo Antonio

Estou completamente emocionada, vou caminhando vagarosamente subindo a ladeira que vai me levar até a Sé de Lisboa. Hoje é um dia especial. Lisboa está em festa, aliás, em festas, por onde ando vejo as pessoas sorrindo, felizes. Velhos, pobres, adultos, crianças, homens, mulheres, jovens todos unidos em um só desejo, participar da grande festa da cidade.

As velhotas e velhotes são os mais alegres, parecem que esperam o mês de junho para colocar para fora toda a vontade de viver, mesmo com todos os problemas. Todos saem de suas casas: arraias vão pipocar aqui e ali, em uma praça perto, ou uma praça distante, não interessa, o arraial vai acontecer.
Há uma multidão se encaminhando para a Sé. A rua já está fechada para carros e os passeios já estão cercados; passam poucos carros, somente os carros autorizados, agora é só esperar. Consigo chegar na Sé, depois de ter passado pela Igreja de Santo Antônio de Lisboa, aliás, o responsável por tudo isto que está prestes a acontecer.

Me posiciono o lado da Igreja da Sé, dali vejo quase tudo e ainda tenho a possibilidade de comprar uma imperial. A Igreja está fechada ao público. Os canais de televisão já estão posicionados, há entrevistas e gente querendo aparecer de qualquer maneira. Eu estou no meu espaço, de onde posso ver, sem ser vista, pois não gosto desta exposição, não consigo perceber como o povo faz questão de ficar em frente à câmera.

De repente mais e mais pessoas chegam e ao longe ouço as sirenes dos carros e motos da polícia, que vem abrindo caminho para um cortejo que desconheço. Estou ansiosa, falam tanto deste evento que acontece todos os anos e agora eu tenho a oportunidade de estar aqui e participar dele, que estou mesmo curiosa e ansiosa. As pessoas vibram, Ônibus chegam, muitos deles, de onde descem pessoas vestidas a rigor, mulheres de longos, cabelos arrumados, homens de terno, crianças, enfim, todos estão arrumados para uma grande solenidade. Alguém junto de mim explica que são os convidados. Eles saem dos ônibus e adentram à catedral da Sé, somente eles podem entrar. O público tem de ficar do lado de fora, a Igreja não comportaria a multidão que se aglomera para ver tudo.
De repente um buzinaço, olho para a ladeira e vejo  um carro lindo se aproximando, visualizo um Rolls Royce, Que maravilha! A seguir mais um carro antigo, depois mais outro, e outro, e outro, todos trazendo as noivas.
Eles vão parar em frente a catedral e deles saem noivas felizes, radiantes, cada uma com o sorriso mais largo que a outra, afinal elas foram escolhidas em meio há muitas que se candidataram a este casamento que é feito todos os anos e patrocinado pela Prefeitura de Lisboa. Este ano foram dezesseis, n ão sei se o número é fixo.

O público delira, é mesmo fantástico poder participar disto e ver tudo tão de perto.

As noivas entram, a televisão filma, entrevistas, etc. Todos participam e estão mesmo muito felizes, a gente pode sentir que aquilo não é ´falso.

As noivas estão lá dentro. A rua continua fechada e o povo ali esperando a saída delas. A cerimônia demora. O sol está forte, mas ninguém arreda o pé. Já estou na quarta ou quinta cerveja. O xixi já começa com as suas ameaças. Tenho de procurar um local para desaguar. Olho em volta. Não vejo nada que possa parecer com uma casa de banho. Tenho de arrumar um lugar, senão vou fazer feio. Tenho de perder o meu lugar. Desço a ladeira até a Igreja de Santo Antônio, ali tem um restaurante que tem um dos melhores, se não o melhor, pastel de bacalhau de Lisboa. Vou ter que comer alguns (eles são pequeninos) e aproveitar e ir até o sanitário, apesar da vergonha que tenho de fazer isto, mas não dá para aguentar.  É o que faço. Tomo, apesar da vontade intensa de ir ao banheiro, outra imperial, tinha de justificar o “mijador”, após a segunda imperial tomo coragem e vou ao sanitário. 

Um alivio total e pronta para mais dez imperiais e para ver a saída das noivas, que agora começam a aparecer à porta da igreja.

Elas saem mais felizes do que entraram, cada uma com o seu séquito parentes, que ordeiramente se dirigem aos seus ônibus já posicionados.

A esta altura a coisa fica monótona e eu resolvo voltar ao restaurante dos pasteis de bacalhau. 

Descubro que tem moela e peço uma, sento à mesa, a única que sobrava, só tem dois lugares, um deles divido com um estranho, fazer o que? Tomo mais umas duas imperiais e saio descendo a ladeira para alcançar a rua Augusta, já são quase três horas da tarde. Lisboa faz um calor imenso.  Caminho pela augusta e chego ao Rossio. A cidade vibra, v ou para os lados da praça da figueira de lá vou entrar pela mouraria a dentro, vi umas barracas armadas em um larguinho eu fica após entrada do restaurante do Zé da Mouraria.

Bingo, já tem movimento. Aquilo ali vai pegar fogo mais tarde, a sardinhada  vai comer no centro, vai ter dança e tudo mais. Vejo, defronte onde sentei, uma mesa enorme em frente a uma casinha com duas janelas e uma portinha, e de cara associei à casa da Mariquinhas da qual a Amália Rodrigues fala na música. Há na casa cortininhas de renda, lindas por sinal. Há flores na jardineira que fica na janela e há, ao lado da mesa grande uma churrasqueira que começa a trepidar.  À mesa há senhoras,senhores e crianças: Ouço um sotaque conhecido,  e vejo que naquela mesa estão uns seis ou sete brasileiros, integrados à comunidade eles curtem  como os portugueses  a festa de Santo Antônio.

Fico ali, bebo, como chouriço assado, converso com os patrícios. Sei que vou ter saudades deste dia. 
Logo mais vou para a Avenida da Liberdade ver o desfile das marchas.  Marcha da Mouraria, Marcha de Alfama e muitas outras. Penso que Alfama ganha. Vamos ver, o importante e participar, sorrir, ver a alegria e é assim que oi dia 13 vai chegar..


Viva a Santo Antônio!

sexta-feira, 19 de maio de 2017

O coração no pé

Os dias passavam e todos já notavam que algo ia errado. Já lá se iam vinte e tantos anos de casamento, cumplicidade, razoável felicidade. Três filhos, todos homens e já criados, mas ainda dependentes, notavam que as coisas não iam bem.
Dormiam no mesmo quarto, mas isto não significava muita coisa, pouquíssimas vezes procuravam um ao outro, aliás, isto virara uma raridade, qualquer dia eles nem mais teriam coragem de se despirem em frente ao outro., entretanto  não se definiam, e aquilo ia se arrastando.

domingo, 26 de março de 2017

Atenção ao Protocolo

Estou assistindo a solenidade de posse do mais novo Ministro do Supremo Tribunal Federal. Fico admirada com a pompa completamente injustificável e despicienda. Para que aquela guarda fantasiada na entrada  do Supremo?  Gostaria de uma justificativa para tudo isto. Sinceramente não entendo, não gosto  e não concordo . Pior, entretanto que a pompa, é a presença de pessoas que não deviam, sequer, passar da porta de entrada, quanto pior, participar de uma solenidade em que está sendo empossado um novo Ministro  que vai julgar “n” destas pessoas que ali se fazem presentes: estão ali Edson Lobão , Jose Sarney,  Rodrigo Maia, Eunicio Oliveira e tantos outros que  serão  julgados quando e com certeza, estiverem na condição de réus. Não sei como o Lula não apareceu.

terça-feira, 21 de março de 2017

Commodities! O que será?

Vejo televisão, fico assistindo os jornais, nacionais ou não. Há um especifico, o da Bloomberg, em que aparece uma coluna do lado direito da tela, que mostra algumas manchetes, normalmente coisas ligadas à economia. Um dia destes, acho que na semana passada, estou eu a assistir o noticiário e aparece  na manchete lateral: " As commodities  ajudarão o pais a sair da recessão", se não foi isto foi uma coisa bem parecida. Fiquei olhando aquilo e me perguntando: o que seriam “commodities”. Confesso minha ignorância, e tive de procurar me informar sobre  o assunto, dado que, também, na semana passada, a comentarista  de um dos programas da Globo News, falava de commodities, dizendo que alguns países da América do Sul, por um período, estiveram bem, porque tinham muitas commodities para exportar

quarta-feira, 15 de março de 2017

Comecem logo

Tenho observado mais quem está ao meu lado, acho que os trinta e tantos anos não foram suficientes para conhece-lo bem.  Fui, voltei; fui outra vez, retornei, e estamos juntos novamente, e eu me surpreendo com as descobertas, algumas não muito boas, outras boas, e algumas excelentes.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Sabatinagem ou Sabotinagem

Hoje o dia está propicio a reflexão. Penso em ficar recolhida meditando, escrevendo ou apenas, pensando na minha própria vida e história, no entanto olho o meu cabelo e ele está  com toda a raiz branco e resolvo então que o melhor é pintar o cabelo.
Pego o carro e vou efetivamente pintar o cabelo, no caminho vou refletindo exatamente no fato de ter decidido, ao invés de fazer a minha introspecção,  ir esconder o passar do tempo, que já se apresenta, muito bem apresentável, em mim.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A não se repetir

Está tentando fazer um balanço de 2016, entretanto, não consegue colocar no papel as emoções tantas, sofridas e vividas nesse ano que passou.
Está sozinha, o que não é uma grande novidade, mas o fato é que está e fica sozinha, parece que estar mesmo condenada a viver só no meio de tantos, tantos que passaram pela sua vida no ano findo, inúmeros,  nunca tantos estiveram tão próximo de si, mas nada aliviou a sua solidão, que  não é sequer percebida. Todos pensam que ela está bem, que ela gosta  da vida que leva: Que engano! Eles não sabem de suas angústias, de suas dores, de suas aflições.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

O que dizer?

O dia vai terminando! Estou aqui na minha varanda; acabei de ouvir uma faixa do CD de Seu Jorge onde ele fala de uma moça, suponho, que vai ao salão, vai às compras, ginástica, etc. para concluir que ela é uma burguesinha.
Acho engraçado: todos nós lutamos muito para conseguir melhorar a vida, e aí vamos incluir a nossa cultura, o nosso modus vivendi e tantas outras coisas, como por exemplo, cuidar da estética, seja porque se é feio mesmo, seja porque se é vaidoso, seja porque se quer melhorar algum detalhe do corpo, do rosto, enfim, todas as pessoas têm sonhos e alguns dependem de dinheiro para que se materializem.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Qualquer coincidência não será apenas uma semelhança

Zafira acordara tensa, não sabia bem o motivo, mas  estava ansiosa. Não tinha passado bem a noite, não que estivesse sentindo alguma coisa, mas  sonhara muito, sonhos estranhos envolvendo muita gente de um passado, que se não queria esquecer, também não queria lembrar. Sonhou com o ex sogro e, em consequência, com a velha casa da Fazenda Jaboatão, onde fora recebida, ou melhor, onde teve a sua presença imposta por motivos  imperiosos.
O que estaria acontecendo?  Perguntava-se ao levantar da cama.  Ao seu lado a presença de sempre, que apesar da ausência  do ser, se fazia presente no estar.
Levantou-se e foi vestir a roupa da caminhada: se deu conta de que sempre vestia a mesma roupa, deu risada  e imaginou o pensamento daqueles que sempre a cumprimentavam pela manhã  nas suas andanças pela orla. “Será que esta mulher só tem esta roupa?”  Sorriu, era assim  mesmo, agora ela também se perguntava: `Porra você só tem esta roupa? Era capaz de lavar a blusa e usar exatamente a mesma no outro dia.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A caminhonete 403 - Cascais - Sintra

O numero é 403. Não esqueçam este número de maneira alguma.
Estava eu em casa da minha amiga Vera e queria saber como, de Cascais chegaria a  Sintra e vice-versa, tudo isto porque algumas pessoas iriam chegar do Brasil e eu tinha que, no domingo, levá-los à Sintra e depois retornar à Oeiras onde almoçaríamos na casa da minha amiga.
Já fui por diversas vezes à Sintra, de ônibus, de comboio, de carro, mas sempre sai de Lisboa, ou de Carnaxide, mas agora a Vera mora em Oeiras e eu não queria sair de Oeiras para ir pegar trem em Lisboa para ir à Sintra. Comecei a pensar como é que Cascais, tão pertinho de Sintra, não tinha algum transporte público ligando os dois sítios. Fui pesquisar na internet e encontrei duas opções, ambas saindo do terminal rodoviário de Cascais, as camionetes de números 403 e 417.
A principio pensei: vou pegar qualquer delas, se a finalidade é chegar em Sintra e retornar para Cascais, qualquer uma das duas serve.
Não, não é assim.
Primeiro tive que procurar  a paragem, dentro da próprio terminal, da  caminhonete de no 3. A indicação não é visível. Olhe que até perguntei a algumas pessoas, que também não souberam informar, mas, finalmente, um motorista me disse. Por incrível que pareça é a primeira paragem da pista que fica no interior da estação, no sentido dos ônibus que estão chegando. A de nº 417 é a primeira ou segunda  do lado externo  do terminal no sentindo contrário. Bom, o certo é que esperei um pouco e a caminhonete chegou, ela sai de quarenta em quarenta minutos, tanto de um terminal quanto de outro – Cascais ou Sintra.
Confesso que peguei o ônibus sem grandes pretensões, mas,  que grande  surpresa: primeiro ele percorre vários  bairros de Cascais. Conheço a vila, entretanto  fico sempre por ali por perto da estação de comboios, já fiz alguns incursões, mas nada que me afastasse tanto da estação que não pudesse voltar andando. Aliás, tenho um passeio predileto que recomendo a todos que um dia visitem Cascais: vão até o Jardim que fica na parte alta, é só você  subir aquela ladeira maravilhosa,  de   onde, a cada passo, você vai  descobrindo a baía de Cascais,  não há como errar, a subida margeia o mar e você chega ao forte, dali é só você passar em frente a ele, atravessar a rua,  dobrar para a esquerda e você vai encontrar a grade do jardim acompanhe a grade até a entrada principal e aí entre, atravesse este jardim todo se tiver folego,  que você perderá quando alcançar o  outro lado  e encontrar o castelo e à frente deste,  o farol e o lugar, talvez o mais bonito recanto de Cascais.  Ali, por favor, não se esqueça  de entrar no restaurante do lado esquerdo, você vai ver as escadinhas, é imperdível.  Bom, todavia eu não estou falando de Cascais, e sim  do caminho para Sintra.
É mesmo uma grande  e prazerosa  viagem. Você vai passar pela Guia, Alcabideche, Belora, Rana sei lá mas o que e vai se afastando do centro, e aí meu amigo, é como uma mágica: de repente você começa a ver, deslumbrar o mar à sua esquerda se você estiver indo em direção à Sintra. Aí você se distrai olhando o mar, lá embaixo, porque estamos em uma serra, e, de repente, quando  este desaparece entre  as casas, você retorna a estrada e pense: agora estamos em estradinhas tão estreitas que se dois ônibus  tiverem de passar em direções opostas, um tem que parar, se encostar bem de um dos lados da estrada para que o outro possa passar.  Casinhas  pequenas ladeiam a estradinha. Plantações de couve, alface,  folhas verdes em geral aparecem aqui e ali nos terrenos mínimos mas bem aproveitados.  Uma laranjeira com frutas amarelinhas, um limão siciliano, uma limas(limões tipo Haiti no brasil). Flores, muitas flores,  um colorido imenso. A vilazinha acaba e o mar imponente, agora bem distante, se impõe. E a caminhonete segue, mar e mar, penhascos se descortinam e ele lá, o Atlântico poderoso e azul se mostra. Choro, fico a imaginar o motivo de  não ter descoberto esta caminhonete antes. Se assim tivesse acontecido, pelo menos uma vez a cada mês, chovendo ou não, faria esta viagem de Cascais a Sintra.
O ônibus sai da estradinha e entra em mais uma vilazinha, as pequenas casinhas brancas contrastam com o azul da imensidão do mar ao fundo. É uma paisagem de tirar o folego. |A estrada estreita ainda mais, a impressão que temos é que o ônibus vai bater em algum muro, alguma parede de pedra, vai entrar casa a dentro, mas ele segue tranquilamente, tirando fino aqui e ali.
Vislumbro um forte lá ao fundo, bem no alto. Sei que já estive aqui, mas a sensação não é a mesma. O motorista anuncia, Cabo da Roca,  após ele só o mar imenso, nada mais. O ponto mais ocidental  da Europa, dali fica-se mais perto do Brasil. Dou risada.  O mais perto que ainda é tão longe.
Neste momento lembro-me de Alberto, espero que ele esteja bem. O Cabo da Roca fica em Colares, que pertence à Sintra, aliás, onde também fica a Azenhas do Mar, a praia da maça, e muitos outros lugares dignos de serem visitados. O ônibus faz a volta e a viagem continua, o mar agora está atrás  de mim, mas ele voltará a ficar ao meu lado.
Começo a ver, do meu lado direito, o Castelo de Sintra lá no alto, o ônibus faz zig zag na estrada, as curvas são inúmeras, e o castelo se desloca para meu lado esquerdo, é interessante esta sensação, mais algumas vilazinhas vão passando,  o mundo, em alguns pedaços da estrada, parece ter parado.  
Sintra se aproxima, ao lado da estrada uma linha férrea,  que passa por passeios, ruas, etc. acho interessante e lembro-me que há um trenzinho que circula no verão, que leva às praias, penso que este será o caminho que percorre.
Chego à Sintra, o ônibus  atravessa um bom pedaço da cidade e para na estação de comboios, é o terminal do 403, onde também peguei de volta o 417, que faz um caminho bem diferente, mais rápido inclusive, mas sem a beleza do 403.

Quando for em Portugal e  quiser passear em Cascais e Sintra, não esqueça. 403. Delicie-se, prepare o seu coração.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Fabricando, artificialmente, uma identidade

Em 1875 através do Decreto datado de 29 de abril  declara-se, em Portugal,  a extinção da condição servil  e, em consequência livres, um ano após a publicação dessa lei, nas províncias ultramarinas portuguesas,[1] todos aqueles que detinham esta condição, que fora  estabelecida  pela lei de 25 de Fevereiro de 1869, a qual aboliu a escravidão em Portugal. No entanto, os indivíduos alcançados pela lei não adquiriam, de logo, a condição de livres, uma vez que, esta mesma lei, declarava a obrigação dos libertos de trabalharem para os seus patrões até o ano de 1878.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

E que Deus nos ajude!

Atônita ouço a noticia de que o Guido Mantega, o Ministro da Fazenda de Lula e Dilma foi preso na 34ª fase da operação Lava Jato!  Estarrecida tomo conhecimento dos motivos da prisão temporária decretada.
Segundo o noticiário,  o dito Ministro, enquanto tal, era o mediador entre o partido e os empresários que prestavam algum tipo de serviço ao governo, no sentido de angariar fundos para  o pagamento das campanhas e das dívidas de campanhas do PT e o fazia, exatamente, na condição de Ministro, usando o poder que tinha como tal, constrangendo os empresários a fim de que estes fizessem as doações, para que tivessem liberadas as suas faturas.

sábado, 17 de setembro de 2016

DELICIOSA E SUCULENTA

É manhã, ainda por volta das 06h15min-06h20min, vou andando pela orla, não tanto para fazer exercício, muito mais pela confusão mental que tantos e tantos problemas, com soluções cada vez mais distantes, causam.
Venho absorta, penso nas soluções, chego a visualiza-las, mas elas não dependem de mim, dependem de terceiros, quanto pior, do Governo (Executivo e Legislativo e ainda o Judiciário).

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Um passeio noturno pelo centro de Lisboa

Lisboa está deserta, Praça do Comércio, Rua Augusta, Rossio, Restauradores, Avenida da Liberdade. Era madrugada. Gatos pingados procuravam suas portas para adentrarem as suas casas, mas eu estava ali, andando sozinha pelas calçadas molhadas e vendo as fachadas iluminadas dos velhos prédios. Ah como era boa esta sensação! Lisboa era só minha, as portas fechadas me davam a segurança de que estava só, que àquela hora dificilmente alguém sairia delas para me amedrontarem ou respirar o ar que, naquele momento, eu me apossara, era todo meu.
Não sentia outro cheiro que não a da rua molhada, das pedras brilhantes encharcadas da chuva. Tudo sombrio, mas se consegue, senão todos, eu vejo, ver beleza nestas noites frias, molhadas e com uma iluminação meio opaca, mas que embelezavam, mais ainda, as grandes fachadas.
A estação do Rossio, já com as suas portas fechadas mostrava todo o seu esplendor, como é linda! Tudo meu agora, tinha um sentimento de posse, naquele momento eu era a dona de tudo, não tinha de dividir nada com ninguém.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Simples assim

Do outro lado da linha: Mera, você já sabe que Diorgénes se separou de Marineide.
- Não, e qual o problema?
-Pôxa  Mera! Aquela mulher era um anjo para aquele homem.
- Sim, mas eram casados, apenas isto, e podiam se separar a qualquer momento.
- Porra Mera! Que frieza, parece que  você não tem sentimento ou que não gosta da Marineide.
- Nada disto, eu até gosto bem dos dois, mas para que esta comoção a partir de uma coisa tão normal.
-Ela tá lenhada, diz que não sabe o que houve.
-Sabe sim, ela viveu por vinte e oito anos com ele e sabe bem, perfeitamente o que aconteceu.
- Mera, como você pode ser assim!
-Rapaz, é simplesmente você ter o pé no chão, observar, entender, perceber. Parece que vocês vivem num mundo a parte, onde uma coisa  normal desta, que é a separação de um casal, parece ser um bicho de sete cabeças

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Feliz Aniversário Mãe

Cachoeira - Bahia  onde ela nasceu
-“Mera você vai fazer meu aniversário?
-Não sei mãe, vamos ver?
-Mas este vai ser o último.
-Porra minha mãe, todo ano esta história de último, e eu acredito e no ano seguinte, oi de novo a mesma estória.”
Era assim durante muitos anos, o mês de junho começava e lá vinha a ladainha. O aniversário, festa, muita bebida, muita comida, muita música, tudo porque aquele era o último.
Sabe que eu até, de um determinado tempo em diante, fazia o aniversário mesmo porque achava que era o último e nesta brincadeira, passei uns doze ou mais anos fazendo aniversário de minha mãe.
Sempre uma feijoada, uma feijoada imensa. Ela já não podendo ajudar em nada, de sua cadeira de roda observava tudo e esperava a hora dos amigos chegarem, esses que sempre lhe foram fiéis.
A casa enchia, havia música mesmo. As últimas festas foram em Arembepe, mas a casa ficava cheia do mesmo jeito.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Um Corregedor "ficha suja" - Brasil Colônia

Manoel falava-me de muitas coisas, umas eu gostava, outras, nem por isso. Pois eu não tinha qualquer interesse nelas, ouvia a lutar com o sono, a tentar ficar com os olhos abertos, pois não queria de nenhuma maneira, aborrecê-lo ou deixar que ele pensasse que eu estava a fazer pouco caso da sua cultura.
Pois de que me valia saber que, no ano de 1549, quando o primeiro governador geral do Brasil cá chegou, trouxe, entre os homens que o acompanharam, um senhor de nome Pero Borges, que viria a ocupar o cargo de Ouvidor Geral.
Ouvidor Geral!  O que seria isto? O que este homem faria?

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Entre idas e vindas; o processo continua

Venho acompanhando, desde a Câmara, o processo de instauração do impeachment da Presidente Dilma Rousseff. Já tive ocasião de falar sobre o a vergonha do que vem acontecendo em todas as fases, quanto pior, quando se trata da defesa da Senhora Presidente da República, que como já disse, não é o Estado, mas, mesmo assim, vem sendo defendida pela Advocacia Geral da União, o que, mais uma vez depõe contra ela própria, por estar, mais uma vez utilizando a máquina estatal para defesa de interesse pessoal, como é o caso.
E muito duro ver as tentativas da defesa de afastar a conduta ilegal da Senhora Presidente, que não se concentram em analisar a adequação, ou não, da conduta da Senhora Presidente com a hipótese prevista na lei, seja genericamente ou não. Estamos diante de um ilícito administrativo-fiscal, de crimes orçamentários, mas o que a defesa sempre tenta fazer é afastar os fatos tipificadores, associar a recepção da denúncia a uma querela pessoal existente entre o Sr. Eduardo Cunha e a Presidente, que por vingança fez prosseguir o processo, e isto configuraria um golpe da oposição contra o governo instalado através do voto. É verdadeiramente uma sequência de impropérios, inverdades, ofensas, até mesmo demagogia.