sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Ainda a visita ao analista

Como foi a visita ao analista? Gostou? Ela bem que já esperava a pergunta, mas, ainda assim, ficou para lá de irritada.  “Que merda, os “ins” acham que esta é mesmo uma solução para os problemas que eles vêem em mim. Acho que não vou responder nada”
-Diga lá mulher, como foi a sessão, vocês gostou?
-Quer que eu fale a verdade?
-Claro
-Uma merda, não sei como vocês conseguem achar que aquilo é bom. Fiquei lá com cara de tacho olhando uma pessoa que nunca vi antes a esperar que eu falasse do que não quero. Não entendo como vocês têm a capacidade de falar de si a um desconhecido frio, distante, até mesmo seco.
-O que você queria? Uma mãe que lhe colocasse no colo e alisasse seus cabelos e perdoasse os seus erros?

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Pós visita ao analista

Chegou a casa visivelmente mal humorada. Não conseguia entender por que se tinha permitido passar por uma cena daquelas; então pagara quase a metade de um salário mínimo para falar duas palavras com um híbrido e acabar o tempo sem que nada de, minimamente, esclarecedor, ou com alguma possibilidade de sê-lo, acontecesse.
Vinha no carro e, de vez em quando, como para se acreditar que aquilo ocorrera mesmo, se olhava pelo retrovisor e via a sua cara de tacho e de besta com toda aquela situação, perdera uma hora do seu dia, perdera dinheiro, ficara mal humorada, perdera inclusive o horário de chegar a casa, um tempo precioso para corrigir algumas provas, estas sim importantes, porque sua obrigação, que fora atrasada por aquele acontecimento que não se repetiria.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A primeira sessão de análise

Não gosto de falar sobre mim, às vezes, nem comigo mesma, mas foi inevitável. Todos os meus amigos, os mais íntimos claros, e até alguns que pensavam que eram amigos, me mandavam procurar uma ajuda. Eu não entendia bem porque e ficava me perguntando. Será que sou tão difícil assim? Será que tenho tantos problemas que não consigo entender nada? Será que os meus problemas se refletem nas minhas relações com as pessoas até ao ponto de ter que fazer algum tipo de terapia? Não, não achava isto, e também não achava que uma pessoa estranha pudesse me ajudar e o faria apenas ouvindo-me falar.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Resenha - Os Mazombos e o Pai Sumé do Peabiru

RESENHA
Os Mazombos e o Pai Sumé do Peabiru
Autor – Antonio Gusmão
Editora – Qualidade Editorial Ltda, 2013

Segundo FERREIRA DA CUNHA(2006) o escritor do romance histórico tem a preocupação de trabalhar com as fontes e, por isso mesmo, de acordo com este autor, este gênero literário encontra uma grande receptividade seja pelas massas de cultura média, seja por parte das elites acadêmicas. Para ele “ao aventuroso, romanesco, pitoresco ou exótico da sua dimensão lúdica se junta honesto estudo, que não raro se nos desvenda nos alicerces e andaimes”. Partindo desta assertiva  de Ferreira da Cunha, comecei  a ler este livro, achando, em principio que este romance podia ser classificado como tal;  não é, apesar dos inúmeros fatos reais e históricos que nele se contem, a exemplo  dos Bandeirantes, do Caminho de São Tomé, da invasão dos holandeses, e muitos outros acontecimentos que podem ser comprovados “cientificamente” porque história é uma ciência, e o que ela pode comprovar, portanto, é cientifico.

Era assim

O dia começa cedo; as tarefas distribuídas,  limpeza da casa  para as mulheres e os serviços outros, olhem só, o da cozinha para os homens. Era assim: os meninos tinham de ajudar a moer a carne ou qualquer outra coisa na velha máquina de “moer”, que a gente dizia ser de “passar carne”. A máquina era atarrachada em um dos lados da mesa, sendo que sempre que isto ocorria, alguém tinha de ficar sentado do outro lado da mesa, para que com o movimento e a força aplicada de quem estava no moedor, desse o equilibrio necessário para ela não virar.  A máquina era pequenina, mas poderosa, machucou, muitas vezes, os dedos da criançada, que para acelar o processo  enfiavam as mãos para empurrar o que estava sendo moido e o resultado era unha roxa, ponta do dedo machucada, enfim, mas ninguém morreu  por este motivo. Era o nosso processador manual.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O regulamento do trabalho indígena de 1899 e sua aplicação na Guiné no ano 1900-1901

1 – A CONFERÊNCIA DE BERLIM

            Com a Conferência de Berlim 1885 toda a política colonial foi remodelada. O principio dos direitos históricos, baseado na descoberta, na posse da terra e no reconhecimento por parte de outras nações, passa por uma completa reforma. Agora, as colônias precisavam ser efetivamente ocupadas e esta ocupação tinha que produzir resultados, resultados estes que teriam de revelar um desenvolvimento e integração dos nativos.
            Parece-nos evidente que a Conferência de Berlim, fez nascer um direito colonial internacional, surgindo, exatamente desta Conferência, uma medida de caráter internacional para a proibição do tráfico de escravos; todavia a sua origem, a sua força motriz, estava no estabelecimento de regras para o comércio na África. O interesse econômico era o mote, a base da reunião. A delimitação de fronteiras era essencial para as pretensões das potências colonizadoras. A liberdade de comércio era fundamental para os interesses econômicos das grandes nações colonizadoras.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Uma homenagem

Querido amigo,
Amanhã,  dia sete de novembro, será um dia bem importante para mim por diversos motivos: primeiro porque minha neta completa um ano de vida, a quem eu desejo muita felicidade junto a todos que a amam,  segundo porque o dia me faz lembrar de uma pessoa muito importante na minha vida, o meu ex sogro, Sr. Adauto Gomes a quem agradeço por todos os motivos que ele mesmo, onde estiver, sabe. O terceiro motivo, que me perdoem os dois primeiros: você. Você meu querido e inesquecível amigo. O dia será especial para nós dois; para nós dois, para sua esposa e para o seu rival, porque amanhã  estou lançando um livro em sua homenagem e, para homenageá-lo, logicamente,  não poderia esquecer, de maneira nenhuma, de  falar da sua esposa – Lisboa  e do seu, por mim e por ela, adorado rival: o Tejo.
Você sabe quantas vezes  escrevi sobre e de  você; sobre seus costumes, sua cultura, seus recantos e encantos. Quantas vezes falei da sua adorável esposa, e quantas  e quantas vezes me inspirei no Tejo para falar de você.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

MEU AMOR LUSO


Mais um sonho realizado!








Experiências vividas, observações, indicações de e sobre Portugal, Uma coletânea que lhe ajudará a descobrir, conhecer e amar este maravilhoso país que é Portugal e o seu grande companheiro, o Tejo. 
O livro é digital e pode ser  adquirido através do site da Cia do e-book, bem como das livrarias cultura, amazon e outras. 


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Igrejas pelo MUndo

Lençois-Bahia






Igreja em Itaberaba-Ba






Igreja em Itacaré-Bahia
Igreja Nossa Senhora da Soledade-Morro do Chapéu-Bahia

Resenha - Descaminho no Caminho Real

RESENHA   

Livro – Descaminho no Caminho Real – Fé e Sexo no Caminho de Santiago
Autora – Adla Zanit
Editora – Cia do E-book
Tenho lido muitos livros sobre o Caminho de Santiago, uns bons, outros regulares, uns mais reais, outros bem irreais. Os autores sempre falam das suas experiências durante a caminhada e como esta caminhada os ajudaram a encontrar soluções para muitos problemas pessoais, mudanças espirituais, enfim.
Em todos os livros que li, e o fiz porque, quem sabe um dia, se o corpo permitir, realize o sonho de fazer esta Caminhada, certamente não por força da fé, mas por força da curiosidade, porque gostava de entender o que leva as pessoas a realizar esta peregrinação, o que acontece durante ela, e porque eles se sentem tão diferentes quando completam a caminhada, o que mais me intrigava era a acomodação, a dormida nos alberques, Além desta curiosidade, queria conhecer todos os lugares pelos quais passam os peregrinos, uma maneira, acho eu, bem criativa de conhecer o interior da Espanha (uma parte da Navarra e a outra da Galícia.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Saudades de Lisboa

Estou com uma saudade imensa de Lisboa, e não só dela, de Portugal como um todo. O ano vai-se embora e, depois de dez anos, este é o primeiro em que não vou a Portugal, que já está muito diferente desde a última vez que lá estive, em outubro de 2013.
A revitalização do Cais do Sodré, ou melhor, daquela região, deve estar mesmo extraordinária. Vi ontem, entretanto, na SIC Internacional, uma reportagem mostrando exatamente as consequências desta revitalização, e lembrei-me de uma coisa interessantíssima: quando eu estava  em Lisboa e ia, fizesse sol ou chuva, aos Bailes da Ribeira, que não incomodava ninguém, pelo menos ao meu sentir,  estes bailes foram suspensos algumas vezes porque  um Juiz assim determinou atendendo pedidos de moradores.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Lugares da minha terra - Bahia

Itacaré

Taipus de Fora

Taipus de Fora

Itacaré

Taipus de Fora

terça-feira, 7 de outubro de 2014

A depiladora sedutora

Lembrei-me dela; não sei por que hoje, mas o fato é que me lembrei dela, talvez por estar passando creme no corpo, pois ela tinha mania de cremes.
Era baixinha, feinha. Andava bem arrumada bem verdade, mas nada de especial, até porque o físico não ajudava, e, por outro lado, estava sempre com o jaleco branco por força d atividade que exercia.
Era depiladora. Tanto trabalhava, na época, com depilação à cera, como com pelo método eletrólise, que não recomendo a ninguém, miséria que dói. Fica tudo bem lisinho, mas dói e muito, e é um processo demorado.  Exatamente pela demora é que eu estive com ela, naquela minúscula sala de depilação, muitas vezes durante quase um ano.
Fiz a depilação numa área mais de que sensível, a dor era, algumas vezes, insuportável, mas eu agüentava firme, queria me livrar dos aparelhos de barbear que me deixavam bastante empolada.  O salão ficava num shopping Center de uma cidade do interior, e eu sempre marcava a depilação lá pelo final da tarde, por força do trabalho, aliás, minha depilação virou quase um assunto nacional, porque quando eu deixava a sala eu estava vermelha feito um pimentão, zangada, e doída.  O juiz que eu conhecia e que freqüentava o shopping com a família, mulher e filhos e era uma pessoa que eu bem gostava, já ficava me esperando, numa das mesas da praça de alimentação, porque assim que eu acabava a miserável da sessão de tortura eu ia tomar uma, para ver se a dor aliviava e a mulher dele e os filhos me perguntavam: Qual foi a banda hoje? Sim porque eu dividi a minha “virilha” em várias bandas, banda A, Banda B, banda C, esta última  é mesmo na zona  onde vocês estão a imaginar.
Vestir a calcinha depois desta “audiência” era mais uma etapa do processo de tortura. A pele ficava irritada, vermelha, cheia de "hipoglos". Vejam bem, como eu ficava cheirosa depois que cumpria a pena imposta pelo Santo Oficio, pois eu só fazia isto porque era quase que obrigada a estar sem pêlos pubianos, para agradar ao gosto do parceiro. Lógico que penso ser mais interessante, mais higiênico até, embora esteja cientificamente comprovado que tais pêlos, se estão ali colocados, tem a sua função, que é a própria proteção, mas os menos informados acham que é falta de higiene. Evidente que não deixaria que alguém fizesse tranças em tais pêlos, mas podia apenas rebaixá-los, mas arrancá-los pela raiz como estava fazendo era, efetivamente, uma autoflagelação.
Bom, mas a introdução foi para familiarizar vocês com a minha depiladora e para que vocês possam entender a estória como ela deve ser entendida.
Nestas sessões que duravam, aproximadamente, uma hora e meia falávamos de tudo; ela fazia tudo para me descontrair, para que a dor fosse aliviada, e  me contava muitas coisas suas e de pessoas que nunca vi nada vida, e que, com certeza, jamais conheceria, mas eram estórias engraçadas e eu ficava ali tentando me esquecer da dor.
Um dia ela me chega e me diz que tinha encontrado um namorado estrangeiro, ou melhor, tinha conhecido um gringo no Pelourinho, naquelas terças da benção, e que eles tinham marcado para se encontrar no sábado. Ela morava em um apartamento na Barroquinha, bem no centro da cidade, ainda se podia morar ali sem problemas há uns 20 a 23 anos atrás e me disse que ia dar um jeito de levar o diabo do homem para a casa dela depois da farra. A moça gostava, e bem, de sexo, ao menos era o que demonstrava ao falar no assunto. Quando ela falava sobre isto chegava a mudar a voz, a sua respiração ficava ofegante, eu até ficava com medo dela errar a mão e meter aquela droga daquela agulha fina que dá choque em lugar diferente das bandas já delimitadas.
O fato é que ela falava do gringo e do que faria com ele, se ele fosse dormir com ela, o que realmente aconteceu. É lógico que não me contou tudo, mas me deu uma aula de sedução e alguns poucos detalhes.
Na terça feira seguinte ao sábado em que ela ia tentar levar o “gringo” à sua casa, ela me contou o que tinha feito:
“Fui encontrar com ele lá pelas cinco da tarde. Fui para o Pelourinho, porque ele não conhece muito a cidade, embora preferisse que ele fosse logo lá a casa, mas não deu para explicar direito onde era. Fiquei no Pelourinho com ele até umas onze da noite. Aí ele queria ir para o hotel, mas eu disse a ele que queria que ele me levasse em casa, depois ele pegava um táxi e ele iria para o hotel(isto tudo meio na mímica, eu não sabia falar inglês e nem ele português).

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Como será o dia de uma camareira de hotel?

Deitada na rede na varanda do bangalô do hotel onde estava hospedada olhava as camareiras no vaivém diário, na lida cotidiana da limpeza dos quartos do hotel. De roupas de listrinhas, um avental por sobre o vestido, que nada tinha de bonito, um saco amarrado pela cintura, à touca da mesma cor da roupa, tênis e meia, elas empurravam os seus carros por entre as alamedas construídas para isto, e para as passagens dos hóspedes para os seus respectivos aposentos.
O hotel é lindo, não tão moderno, porque fundado pelos idos de 70, por um visionário, que reconhecendo a beleza natural daquela terra, construiu o seu sonho, e deu a oportunidade de que várias pessoas realizassem os seus, inclusive os nativos da própria cidade que, naquele empreendimento, viram nascer à esperança de dias melhores, numa região, que até então era muito pouco conhecida por todos, não que não tivesse história e potencial para sê-lo, mas a falta de recurso para a exploração do seu potencial turístico deixava a desejar.
O fato é que ela estava, mais uma vez, ali, fora antes, lá pelos idos de 80, mas ficou hospedada na casa de uma amiga, em Palmeiras, um Município próximo, foi quando conheceu todas as grutas, as cachoeiras que teve oportunidade, o Capão. Tudo evoluiu, e muito, as pessoas que passaram a freqüentar a região mudaram, o perfil dos visitantes mudou de místicos e “cultuadores de vida livre”, aí incluindo as drogas, passou a receber um outro tipo de público, um turismo ecológico,com mais um pouco de luxo, se é que assim se pode dizer.
Bom mas não é disso que quer falar.  Na sua rede ela olhava as camareiras e começou a imaginar o que aquelas mulheres, no exercício das suas atividades, presenciavam. De imediato lembrou-se do caso bombástico com o diretor do FMI. O Frances que, segundo a camareira, agarrou-a a força dentro do seu apartamento em um hotel em Nova York.  Será que foi mesmo verdade, pensa ela?  Então um homem com aquele status, com um nome a zelar, um representante de uns pais, um possível candidato a primeiro ministro, ia dar uma bobeira desta? Não, não podia crer.
Todavia o fato é que o miserável foi preso, com toda aquela parafernália que os americanos gostam, muito principalmente quando o fato pode ser uma mina de lucros para a imprensa, um escândalo sem proporções, um enlamear a vida de alguém.  Bem verdade que eles também fazem miséria com os seus, lembrem-se de Kennedy com a Marylin Monroe, do Clinton com a mulher do charuto, do Nixon com o Watergate e tantos outros episódios, mas não me lembro de ter visto, em nenhum destes casos, ninguém saindo algemado do hotel, ou de suas residências, aliás, nem me lembro de eles terem sido punidos, a não ser pela opinião pública, assim mesmo, nos dois primeiros casos, com uma ponta, até mesmo, de orgulho, afinal eram governados por homens que gostavam de mulheres, machos que podiam conquistar mais jovens, enfim.  Há que se dizer que, embora a traição fosse pública e notória, as duas mulheres destes dois presidentes americanos optaram por ficarem ao lado deles, heróicas mulheres, ou não queriam perder o status de primeiras damas?
O certo é que o homem foi preso, foi parar numa prisão com direito a holofotes, imprensa internacional, manchetes nos jornais.  A latina, de simples camareira virou noticia de jornal e queria uma indenização milionária, especulações demonstraram que ela era useira e vezeira nisto, além de ligada às drogas.  Mulher feia que nem justificava a tara do ilustre hóspede, que só poderia estar sob o efeito ou de “drogas” ou de muito álcool, a ponto de, com a visão turva, tentar pegar aquele e anti-tesão que era a camareira, que já devia agradecer a Deus ser comida por alguém.
O fato é que, provado ou não, o cara entrou pelo cano a baixo, é como se ele tivesse cagado ele mesmo e dado uma descarga e viesse rolando pela canalização abaixo até chegar ao esgoto geral. Perdeu o cargo, a moral, a dignidade, mas pasmem! A mulher dele continuou ao seu lado, pagou uma fortuna pela liberdade do seu “amado”. Será?
Eu, pessoalmente, penso que não aconteceu nada, mas vá lá saber das taras dos outros.
Lembrando deste fato ela deixou a imaginação fluir e pensava: como estas moças encaram entrar num quarto e encontrar um homem nú, um casal fazendo amor, um casal brigando, um homem enrabando outro, uma mulher tendo relação sexual com outra? O que elas fazem? Como reagiriam?
Vocês podem dizer: Elas são treinadas para isto, a reação seria normal, pediriam desculpas e sairiam dos apartamentos. Ha ha ha! Duvido, não tem treinamento certo para isto.  Primeiro o susto pela própria situação. Se não há qualquer aviso nos quartos de “Not disturb”, o que, aliás, se os hóspedes não souberem falar inglês, nunca vão saber que “Not disturb” é não perturbe, as camareiras podem entrar no quarto.
E se um hóspede se encantar com alguma camareira, tem algumas que são bonitas sim. O que acontece? Será que se a camareira se encantar ela vai dar um jeito de encontrar com o cara ou a cara fora do hotel? Ou será dentro do hotel mesmo?  Será que se a diretoria do hotel descobrir ela vai ser despedida?  

As interrogações são muitas, Que tal escrever um romance sobre isto?. Que acham vocês?

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Um agradecimento

Ela o conheceu num período para lá de triste e amargurado.  Fora forçada a deixar sua casa, seu canto, sua família, seu país. Não agüentaria ficar na sua cidade depois de tudo que lhe aconteceu. Efetivamente não foi a primeira, e nem seria a última, a sofrer uma grande desilusão, que abalou todos os seus alicerces. Seguiu magoada, triste, se agarrou a uma única, para ela, chance, de esquecer, de perdoar, de perdoar-se por tantos equívocos, tantas mentiras.  Queria se perdoar por ser tão imbecil, ela que adorava dizer que os outros é que o eram, entretanto ela sentiu na pele o que é ser imbecil, o que é acreditar num outro tão próximo, o que é deixar-se enganar com tudo acontecendo na sua cara, à sua frente.  Como bem diz o ditado: “corno é o último a saber”.
Sim, precisava ficar longe. Não se preocupou com todos lhe dizendo que devia ficar e enfrentar tudo de frente. É engraçado como as pessoas acham que podem resolver a vida do outro, parecem que  conhecem você  mais de que você mesmo, mas ela tinha, no momento, uma única certeza: devia se afastar, se ficasse ela não suportaria, a sua dor ia multiplicar-se. E lá se foi com as suas dores .
Bendita viagem, bendita cidade, bendito rio,bendito país, bendita faculdade de letras e bendita biblioteca da faculdade de direito, mais bendita ainda, a Sociedade de Geografia, o Arquivo Histórico do Ultramar, a Biblioteca Nacional, com eles dividiu dias e noites, uma solidão partilhada com estantes, livros, documentos e  muitos loucos, que iguais a ela, não pelo mesmo motivo, fizeram a opção do conhecimento.
É solitário, é sim, mas há dias de folgas desta solidão, há momentos de solidão partilhadas em outras plagas, ela partilhou muitos com o rio, o rio que a viu chorar tantas e tantas vezes, mas que lhe consolava de uma maneira incrível, lhe apaziguava a alma, e foi ali, diante dele, que ela viu nascer, pela primeira vez, depois de tantos anos, a esperança de esquecer o seu passado, como se isto fosse possível, de encontrar um novo motivo para ser feliz.
Ela, até então, não concebia felicidade sozinha, ela gostava de ter alguém ao seu lado, para partilhar, para criar metas, para alcançar objetivos, para criar os filhos e ver as suas vitórias, tudo aliado ao seu trabalho e à sua vontade de conhecer, de saber, todavia tudo isto lhe foi tirado, em questão de cinco minutos sua vida se transformou inteira, chegou mesmo a perder o respeito por si própria. Não fora capaz, sequer, de lutar, ficara sem forças, despedaçada, mas o rio lhe trouxe um alento. Um alento moreno, bigodudo, bonito, galanteador.
A partir daí sua vida realmente transformou-se, não que fosse uma meta encontrar alguém ou estar com alguém, mas estar com aquela pessoa era bom demais. Começou a despertar outra vez; como disse uma vez um seu amigo, ela começou a, novamente, “ficar viçosa”.  Adorava se arrumar para ouvir a pessoa lhe dizer que ela estava linda; gostava de andar de mãos dadas no calçadão a beira do rio, gostava de ver o orgulho do bigodudo ao andar com ela pela rua, a apresentá-la aos amigos como “minha namorada”, gostava de sentir o olhar voraz daquele homem quando ela estava chegando aos locais dos encontros marcados. Ah como era bom a expectativa do encontro; virou uma adolescente, tinha dúvidas iguais aos 15 anos, quando saia para encontrar algum novo namorado, na incerteza se ele estaria ou não no local.  Adorava ouvir dos amigos dele: “Fulano teve muita sorte”.
Sim, gostava de comer peixe em lugares recônditos, que somente eles, os da terra, conheciam; nada de lugares turísticos, nada de luxo, apenas lugares maravilhosos, de gente simples e de comida mais de que caseira. Ele lhe ensinou mesmo a comer peixe grelhado, cozido a portuguesa, carne de porco alentejana, açorda, mão de vaca, bacalhau a lagareiro com batatas ao murro, chanfrana,  frango no churrasco e tantas outras coisas.
A cada encontro uma novidade,um novo restaurante de bairro, a exemplo do Panças, um novo espaço para dançar; sim dançar, ela adorava e achara o parceiro ideal para isto, ele não só gostava de dançar como de vê-la dançar. Ficava extasiado quando tocava “La Luna e El Toro” e ela dançava sua dança “espanhola”, que nunca aprendeu, mas enganava bem; a dança espanhola, nela, era atávica. Aprendeu kizumba, alguns poucos passitos, mas não envergonhava ninguém e dançava com ele muito e eram felizes. Quando chegavam em algum baile  as pessoas diziam: Pronto chegou o casal mais bonito da festa”.
Sim, assim ela viveu durante dois anos.  Teve algumas rusgas, sim teve, ele era ciumento, mas até isto ela gostava; se desacostumara de ser querida, gostada, desejada, e aquela demonstração de ciúme lhe deixava tremendamente orgulhosa. Era uma mulher desejada, querida, gostada. Aquele homem fazia questão de estar com ela e se dar para ela. Era uma conjugação perfeita dos verbos do amor, que sempre eram conjugados no presente e na primeira pessoa do plural, nós queremos, nós gostamos, nós vivemos, nós amamos.
Todavia, ela não podia estar todo o tempo fora do seu país, e numa destas idas para lá, numa época de São João, aconteceu o que para ela era quase impossível: ele se foi, sem aviso, sem choro e nem vela, foi-se: foi-se da mesma maneira que apareceu, nenhum rastro deixou, sequer lhe deu a chance de dizer o quanto ele foi importante na sua vida, o quanto ele modificou o seu querer, a sua forma de pensar, os seus sonhos. Diz-lhe agora, após sete anos da sua partida.
Obrigada Sr. bigodudo, por tudo.  Saiba que você foi mesmo muito, mas muito importante mesmo na vida desta mulher. Ela vai seguir lembrando de você com carinho, e, todas as vezes que ouvir um fado, vai lembrar do moreno da boca pequena, do bigode preto, e dos olhos mais negros e penetrantes que já viu.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Poemas do meu filho - Fabio Martinez Barbosa

DISSABORES
Sofri pelas dores dos ex amores
Por não ouvir conselhos tenores
Por agir por impulsos saltadores
Por não tentar por excesso de rubores
Por não atender os, as vezes, irremediáveis caminhos tentadores                  
Sofri, mas, o tempo curou!
Curou porque   extraordinário e sabidamente sábio ´tempo
Não por acaso rima com lento
Com tento, talento.
Faz um segundo parecer uma vida, faz a vida passar num só momento
Faz a dor do amor parecer mais que ferida
Faz novo amor  ser infinito, claro e bento.
É o tempo!
Borracha das dores
Pintor da vida em cores
Palestrante das verdades com, ou sem, dissabores!

ESPERANÇA

Queria, permanentemente, voar no céu do meu pensar
Flutuar nas nuvens do meu doce delirar
Sem jamais ter que parar para observar
As tristezas da realidade que teimam  em me rodear

Queria só mãe, mar, sol, praia e luar
Só parar pra pensar quando o cd de Bob  acabar
E fazer amor sem me preocupar
Com as consequências de dar amor, para quem só sabe tirar

Queria não me preocupar com aquela conta para pagar
Ter dinheiro, não para ser rico, mas, apenas pra não me estressar
Viver com humilde conforto para não afrontar
Pois o certo mesmo é dividir para somar

O que penso não sei se  é sonho
Prefiro dizer que é meta
Sonho pode ser apenas aquele filme noturno
Meta pode ter conquistada

Portanto, eu não queria; eu quero, faço e espero tudo um dia acontecer

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

FOGUEIRA DAS VAIDADES

Há alguns anos atrás, não me lembro bem quando, minha mãe me deu um livro - A FOGUEIRA DAS VAIDADES, Tom Wolf. Ela lia muito, e, como sabia que eu tinha herdado esta sua qualidade de grande leitora, sempre me obsequiou com livros. Não me lembro bem da história, mas sei que a personagem principal, um homem de negócios, muito bem sucedido, se vê envolvido em um acidente em alguma Rua do Bronx e daí para frente sua vida muda completamente, é preso em uma cela, e enquanto aguarda uma possível soltura, afinal ele era milionário, em que ele está sentado no chão frio, penso que molhado,  ele  sente a pressão dos gases e queria que eles lhe deixassem em paz, mas não o fazia por vergonha, humilhação, enfim, uma situação triste para quem sempre fora o sinônimo do poder, da vaidade, da riqueza.A partir disto a história retrata a vida deste cidadão e toda a trajetória da sua  queda e todos os conflitos disto resultantes

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

SONHOS! Eles se realizam

Era uma vez uma menina de olhos cor de mel, cabelos castanhos claros que também terminavam na cor mel, nariz fino, com profundas olheiras, que chamavam atenção. Suas olheiras fundas contrastavam com a doce pureza do seu olhar, um olhar penetrante, que sempre soube expressar o que lhe vinha na alma.
Teve uma infância, até os sete anos, normal. Bonita que era, sempre foi paparicada, reverenciada até, protegida por muitos que lhe admiravam a beleza, a vivacidade, a pureza misturada com uma rebeldia, que em si, realmente, era nata.
A menina bonita cresceu, passou algumas dificuldades, nada que não fosse transpassado, seja por força da própria vida, seja pela intervenção de outrem, seja pelo seu próprio destino, o fato é que a menina ultrapassou as adversidades, aliás, continua a ultrapassá-las, bem ou mal,  e segue adiante.
Mas a menina não poupou os seus sonhos, nos seus piores momentos, nunca, mas nunca mesmo deixou de sonhar.
Numa determinada época da vida  sonhou em ser aeromoça, mas, quando foi candidatar-se ao cargo, não
  pode inscrever-se, porque era menor, e  a companhia à época, a VARIG, não permitiu; somente o faria se os pais autorizassem. Ela tinha a consciência plena de que os pais não o fariam, e, portanto, nem  cogitou esta possibilidade: a de pedir aos pais esta autorização, embora lha deram para casar. Coisas  da vida que o ser humano faz e que não condiz com atos outros. Todavia, esta primeira derrota não a desanimou, ela queria conhecer o mundo, queria viajar. Sempre gostou de história e achava que se fosse em lugares que apareciam nos seus livros, centros  d poder do passado, ela viveria  a história de uma maneira diferente. Seguiu sempre com este pensamento, fez direito, mas o sonho das viagens continuou, embora interrompido pelas responsabilidades que assumiu com a maternidade.
Viajou pelo Brasil em algumas oportunidades, mas ela queria sempre mais. Os seus sonhos foram crescendo à medida que o seu poder aquisitivo melhorava. Nunca sonhou com o impossível, talvez por isso mesmo, um a um, os sonhos foram se tornando realidade.
Entretanto, um dos seus grandes sonhos estava se afastando dela. Sonhou com ele aos trinta, aos quarenta, aos cinquenta, e, acreditem vocês, somente o realizou aos sessenta, mas nunca é tarde, e por isso mesmo, ele foi realizando de uma maneira intensa.
Pois é, a menina  esteve em Veneza e na Grécia,  dois destinos, dois sonhos acalentados durante muito tempo, e o que parecia quase impossível, na companhia de quem queria estar. Realizaria o sonho de qualquer maneira, sozinha ou não, mas tinha a certeza que o faria, e fez, em grande estilo, ao menos para ela.
Viajou de navio, embora não aconselhe a ninguém tal meio, mas foi assim que foi. Chegou a Veneza sozinha puxando a sua mala pelos becos e pontes, alcançou o hotel e, de imediato, voltou para viver a sua primeira história. Sim, ela chorou a, meio sem direção, alcançar a Praça  São Marcos e ver o seus livros de história ali reproduzidos  ao vivo e a cores. Chorou, as lágrimas escorriam  sem que ela pudesse controlá-las. As páginas dos livros pareciam  passar pela sua frente, as letrinhas  pareciam setas a lhe mostrar os caminhos que devia seguir. Sim Veneza estava à sua frente, de imediato pos-se a andar  diretamente para o grande canal, queria olhar aquilo tudo  da direção contrária, e foi o que fez. Extasiada viu as gôndolas  nos seus devidos estacionamentos, tudo lhe parecia realmente um sonho. Queria molhar o pé naquela água, queria sentir aquilo tudo de perto, não teve coragem, o cheiro da água lhe impediu de molhar qualquer parte do corpo, mas nem este cheiro lhe tirou o encantamento.
A Praça estava completamente cheia de gente, o que impedia que tudo ali fosse visto como deveria ser, não conseguia, sequer, tirar boas foto, as cabeças e a quantidade de máquinas   competindo  não lhe faziam bem. Resolveu entrar no Palácio.  Parava diante de tudo, das pinturas, das esculturas, dos tapetes, dos mármores. Em momentos ficava imaginando como seria a vida dentro daquele local.

A Ponte dos Suspiros ali  e ela passando, e junto com ela toda uma história de dor e sofrimento, porque os presos ali sofreram muito, mas ela seguiu em frente e conseguiu tirar bela fotos através das frestas.
Saiu dali, andou a não mais poder por Veneza, um sonho, caro, mas um sonho realizado, e com a perspectiva de mais um, este aconteceria nos próximos dias.
Sim, ela teve um belo aniversário. Os seus sessenta anos, afinal, foram comemorados na Grécia.

Depois de tantas tentativas frustradas, aos trinta, aos quarenta e aos cinquenta, agora, como sexagenária, ele deixou de ser sonho, para ser uma realidade; portanto, não deixem de sonhar, pode ser que demore um pouco, mas se o seu sonho for possível, com certeza, ele será realizado.



sexta-feira, 8 de agosto de 2014

SERÁ QUE PEQUEI?

Acordou no meio da noite, ou melhor, no meio da madrugada. Já acorda irritada, porque sabe que, nos próximos cinco dias, irá acordar neste horário até que o organismo volte a se acostumar a acordar em outro horário, é sempre assim.
Mas aí ela se pergunta: “por que diabos acordei 1.30 da manhã?" Está preocupada com o que? Não teve nenhum pesadelo; não está com vontade de fazer xixi; não se lembra de ter feito nada errado durante o dia; não machucou ninguém, então por que isto? Liga a televisão e vê uma reportagem sobre o Rio Tietê e a sua nascente. Acreditem se quiserem: o Tiete nasce limpo, como é óbvio. Onde ele nasce, num interior de São Paulo, a água pode ser bebida sem qualquer problema, aliás, é o que faz o repórter, que continuou fazendo a reportagem sem ter qualquer reação.  Há uma comparação entre o Rio Tietê e o Rio Reno que nasce na Suíça, que segue limpo por todo o seu curso, e que, de acordo com a reportagem, é que abastece o país, e os suíços bebem cozinham, enfim utilizam a água do Reno sem qualquer problema.   Ela imagina se alguém cai no Rio Tietê, e bebe, sem querer, um pouco daquela água, bem ali naquele lugar onde os guindastes estavam tirando sujeira. Ela pensa: “Eu morreria só de pavor de cair ali”, odeia águas sujas.
Muda de canal, o guindaste tirando sujeira do Tietê não lhe agrada nem um pouco; para no Jô Soares e vê um ator falando da sua vida, informando que ele foi interno num colégio em Minas. Só pode ser isto!  Internato, religião, Deus, mandamentos.  A associação só pode ser esta, todavia a ficha cai e ela lembra que, pela tarde, ao chegar ao Aeroporto de Guarulhos para uma conexão para sua terra, passou uma mulher com um homem do lado e ela se viu cobiçando o cidadão.
Sim, o homem era lindo, um dos espécimes que jamais será esquecido. Aquilo era uma visão extraordinária, mas além deste sentido, muitas outras coisas foram despertadas.  O sexo era uma delas, e ela ficou imaginando como seria aquele cara na cama. Será que ele era delicado? Será que ele era safado? Será que ele era bom de cama mesmo? Será que ele fazia sexo oral? De que será que ele gostava em relação a sexo? Pense aí, alguém acorda no meio da madrugada e fica se questionando se foi certo ou errado pensar no homem do próximo na sua mais íntima “intimidade”. Deve tá louca. Não, não tá louca nada, o homem era lindo, gostosão, como diriam todas as mulheres que o olhassem, aliás, que o olharam naquele momento, e em todos os outros momentos em que ele aparecia e podia ser apreciado tanto por homens quanto por mulheres. Aquele belo espécime era de tirar fôlego, causar invejas, cobiça, desejos, pensamentos libidinosos.
Sim cobiça, e aí ela faz a ligação com a entrevista do ator. Não tem certeza que o colégio interno do rapaz era um colégio religioso, comandado por padres, possivelmente era, e aí é que ela se lembra dos mandamentos da lei de Deus, hoje quase em completo desuso, porque logo o primeiro deles já vem sendo desrespeitado há muito tempo: AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS.  Muitos poucos amam Deus sobre todas as coisas, hoje, o que vemos é a prioridade do material, muito poucos estão preocupados em amar a Deus, pode ser que o papa Francisco consiga reavivar este mandamento, mas não acredita, Já não lembra qual o segundo, nem terceiro, enfim, não sabe nem todos e nem a ordem deles, mas sabe que existe um que diz: NÃO COBIÇAR AS COISAS ALHEIAS e nem a mulher do próximo. Cai na risada. Por que não cobiçar só a mulher do próximo?  Então se pode cobiçar o homem do próximo ou da próxima? "Kkkkkkkkkkkk discriminação da zorra." Não consegue parar de rir, pois nunca tinha pensado nisto até o momento.  Então ela não pecou, porque estava cobiçando o homem da próxima, quer dizer, em principio homem, porque aquele Deus do Olímpio poderia ser gay, e aí, a sua cobiça não teria qualquer motivo, porque pensa que cobiça tem que ter um mínimo de possibilidade de ser possível, ou seja, o alvo dela deve ser alcançado. Então você vai querer uma coisa que jamais alcançará: o seu pensamento, início de qualquer ação, mesmo aquelas que a gente diz que fez sem pensar (esta é uma das maiores mentiras do mundo), porque você pensa; você não pondera este pensamento, mas você pensa e age, sem qualquer intervalo entre pensamento e ação, mas pensar, pensa sim: é o primeiro ato de tudo.  Então você começa uma idealização que nunca passará disto? Ou seja, se o homem não fosse homem, de que adiantaria a sua cobiça? Ele jamais olharia para ela, aliás, como não o fez. Bom mais ela poderia provocar que ela fosse notada por ele: podia jogar sua mala discretamente na hora que ele estivesse passando; podia levantar e se esbarrar nele e pedir desculpa cretinamente; podia seguir o casal e ver qual a possibilidade de ser vista por aquele cidadão, enfim, podia forçar uma situação; mas se fosse ele gay, no máximo receberia um olhar de reprovação e de desprezo que só “gay” sabe dar para uma mulher, ou para qualquer outro ser humano digno da sua reprovação.     
Bom, mas se ela não estava pecando porque não estava cobiçando a mulher do próximo, o que não tinha nenhuma intenção ou tendência sexual para tanto, por que estava preocupada em ter cobiçado o homem da próxima? Isto não estava na lei de Deus, que certamente não enquadrou o ser humano no “NÃO COBIÇAR AS COISAS ALHEIAS, afinal o ser humano não pode ser tomado como coisa, a não ser que aquele rapaz seja um escravo, pois os escravos eram considerados coisas, faziam mesmo parte do patrimônio do seu dono, eram vendidos em praça publica, eram leiloados, mudavam de dono, enfim, eram mercadorias. Bom, aparentemente aquele cidadão maravilhoso não era nenhum escravo, mas vá lá saber. E se ele fosse uma espécie de escravo por ser um aproveitador, um gigolô, vivendo à custa da mulher que não era nenhuma menina, era uma loura bem interessante, muito bem vestida, muito perua, mas nada que merecesse aquele Deus do Olímpio como companheiro.
Pensa consigo mesma: “puta merda, olhe quantas vezes você, em pensamento, já infringiu a lei de Deus e agora você está julgando o próximo, ou a próxima, sem saber quem é a pessoa. Não sabe dos seus costumes, dos seus problemas. E se aquela mulher fosse a mãe daquele rapaz? Se ela fosse a irmã? Se ela fosse apenas a sua agente?” Sim, porque aquele belo espécime poderia ser um modelo.
Nesse momento lembra que o mandamento correto é   “NÃO DESEJAR A MULHER DO PRÓXIMO”; ri outra vez e diz: “Realmente não pequei, pois eu não desejei porcaria de mulher do próximo nenhuma, aliás, não tem qualquer vocação ou tendência para isto, o que desejei e ainda desejo, é o HOMEM da próxima”.  Ri muito, e pensa “Pois não é que eu sigo, ainda que sem querer, os mandamentos da lei de Deus”.
Lembra, então de mais um mandamento: "AMAR O PRÓXIMO COMO A TI MESMO", e traduz: “Bom, continuo a não infringir qualquer mandamento, pois Deus, ou melhor, quem elaborou a Tábua dos Dez Mandamentos, só colocou tudo no masculino, e se é assim, ela entende que ela devia amar aquele próximo, o rapaz, como se ela fosse”. Não gosta desta interpretação, pois o amor por si devia ser maior do que o amor por qualquer outro, pois sempre achou que se não se amasse muito não poderia amar ninguém, então, em primeiro lugar ela, depois “o próximo” poderia ser muito amado, mas não tanto assim; kkkkkkkkkkk se pega gargalhando, pois vê o ridículo da sua situação:” Então porra, alguém acorda no meio da madrugada para ficar fazendo elucubrações a respeito das leis de Deus, tá mesmo maluca. Isto não pode ser coisa de alguém normal; talvez, até seja mesmo uma coisa para gente normal, para gente que pensa, que deseja, que aprecia o belo e que tem a coragem de admiti-lo”. Será que existe mesmo este mandamento?
E então não há como não voltar aos Mandamentos, que ela vai lembrando aos poucos, afinal estudou em colégio interno e tem formação, ao menos por este particular, católica, embora sem o seguimento peculiar; pois não é nem apostólica e nem romana, NÃO MENTIR. Sim, ao admitir todas estas cobiças, todas estas invejas, todos estes desejos, todos estes pensamentos ela não mente nem para si e nem para o próximo, portanto ela é uma pessoa transparente, real, com todos os defeitos e virtudes inerentes ao ser humano que sabe apreciar o belo e, por isso mesmo, querê-lo para si, aliás, as 03h27min, no friozinho que está fazendo, o que ela queria mesmo era o homem da próxima. Assim, com certeza, estas horas que passou acordada e escrevendo podiam ter sido muito bem aproveitadas, e quem sabe ela pecaria, mais uma vez, ao chamar o santo nome de Deus, não em vão, embora para alguns isto seja mesmo um grande pecado, mas, para ela, seria sim o auge do agradecimento ao dizer, num grande momento de emoção e prazer: AH MEU DEUS!  

04:11, Arembepe 08.08.2014. 

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Compensando o desencontro marcado

gaivotas no Tejo
Depois daquela informação, de que era ela a senhora que estava na mesma mesa com ele, parece que ficam petrificados, ambos calados na frente da tela, onde só o branco do silêncio de ambos se fazia presente. Nenhum dos dois conseguia escrever nada, ao que parece aquele desencontro foi mesmo terrível para ambos. Não desconectavam, mas não diziam nada, e esta espera estava sendo angustiante para ela, que, sem qualquer aviso, desligou o computador e foi dormir.
Deitada, quase chorando, se perguntava: Por que isto aconteceu?  Então aquele homem que, da tela fez-se real, de uma maneira que ela quase idealizou, escapuliu assim das suas mãos!
Ela custava a crer que tudo isto tivesse acontecido. E agora, pensava ela. O que vai acontecer? Será que ele não vai mais dizer nada? Por que ficou tão calado?  Será que ele não gostou do que viu?  Será que esperava mais ação da minha parte?  Será que não agradei em nada?  Agora ele já sabia como ela era, portanto, podia dizer algo, comentar alguma coisa. E ele resolvia adotar o silêncio.
Custou mesmo a dormir, mas foi vencida pelo sono e pelo cansaço.
Dia seguinte e nada, chamou por ele diversas vezes, mas ele não apareceu. Dois, três, quatro, cinco seis dias, um mês e nada. Ela não sabia o telefone, o endereço, nada, apenas um apelido, e mais nada. Que bobeira, pensava ela: por que, depois de tanto tempo, eles nem sabiam o próprio nome e nem um telefone? E se tivesse acontecido alguma coisa, como ela ia saber?  Bom, mas não há nada que o tempo não cure, e ela já estava aceitando o fato de que não mais se encontrariam, seja virtual ou realmente, mas aí, um dia, sem qualquer esperança, só ela mesmo que assim pensava, ele apareceu no local de sempre. Ela quase teve um troço, suas pernas tremiam, as mãos trêmulas quase não conseguem responder  ao cumprimento.
Maputo
-Olá, peço desculpas, mas estive fora durante todo o mês, fui fazer um trabalho na África, na Ilha de Moçambique, e fiquei  quase todo o tempo sem acesso à net. Cheguei hoje pela manhã e aguardava ansioso que  aparecesses.
Ela quase desconecta, pois não acreditava naquilo, mas diz Oi e começa a falar como se nada tivesse acontecido, inclusive aquele interregno.
- Olá, então fostes a Moçambique?  Eu já estive lá, mas só fui a Maputo, gostava muito de ter conhecido a Ilha de Moçambique, mas não tive tempo.
- Tu fostes  a Moçambique?
- Sim fui, fui fazer a pesquisa do doutorado.
- Doutorado.
- Sim, doutorado.   Fiz o doutorado em História, na especialidade História da África.
- Não acredito! É mesmo verdade?
- Sim, tão real quanto a tua viagem à Ilha de Moçambique.
- Podíamos ter ido à mesma época, ao menos arriscaríamos a nos encontrar no avião ou até mesmo em Maputo, pois passei uns cinco dias por lá, antes de voltar para Lisboa.
- Fostes à Feira Popular e ao Mercado do Peixe?
Igreja de Sto Antonio-Maputo
-Claro que fui; então eu ia a Maputo e ia deixar de ir nesses sítios. Lá ia eu perder aqueles camarões daquele tamanho.  Claro que não. Fui ao outro lado também e comi uns camarões num restaurante na praia que agora me fugiu   o nome, sei que era de um cidadão que esteve algum tempo em Lisboa, embora fosse indiano de Goa
- É mesmo, eu também fui lá, e sem gostar muito de camarão, comi também.
Apesar dele já ter dado a chance da conversa sobre o desencontro de quase dois meses atrás, ela não se arriscava a falar nada, perguntar nada, e continuava naquela conversa de Maputo, de comida, da cerveja Laurentina, da pobreza da cidade, enfim.
Mas aí o inevitável acontece.- Tu és uma mulher interessantíssima! Fiquei encantado ao saber que aquela mulher com quem partilhei uma mesa, ao menos por dez minutos, eras tu. Não sabes quanto me maldisse naquele dia. Fiquei tão aborrecido com a minha idiotice, pois eu deveria ter perguntado se eras tu, que não tive coragem de conversar contigo naquela noite, quanto pior, quando decidi já estava na hora de pegar o vôo para Moçambique.  Naquele dia eu ia falar-te  sobre tudo isto, da minha viagem, do meu trabalho, do tempo, enfim, ia dizer-te  tudo que estava acontecendo. Marquei naquele dia exatamente por este motivo, pois não queria ir embora sem ver –te, conhecer-te pessoalmente,  saber como eras,  e deu naquilo e eu não conseguia me perdoar. Passei todo o tempo pensando como deixei-te escapar de mim..
-  Ela sorriu, afinal  ambos tiveram o mesmo pensamento e disse: pois é, quando aquele homem pediu para sentar na minha mesa, fiquei torcendo para que fosses tu, acredite, era bem assim que eu te idealizava.  Quis tanto perguntar, mas tu estavas tão sério, tão preocupado, que eu desisti, até porque pensei: se fosse ele, ele diria alguma coisa, daria alguma pista, enfim.
- Ficamos esperando um pelo outro não foi?
- Sim, foi.  Mas depois da tua ausência, de tanto ver a tela branca quando te chamava, achei mesmo que tua decepção tinha sido grande e que tu não querias mesmo mais falar comigo.
-Tás doida ou o que? Então achas que eu desistiria assim tão facilmente. Eu fiquei piurso comigo mesmo e com a viagem, com o avião, com o computador, com tudo que me impediu de dizer -te que eu não ia desistir de nós.
 Ela já estava ficando emocionada, “Não ia desistir de nós”. Isto lhe pareceu uma coisa de querer bem, de vontade de estar com outro, mas ela não disse nada, tinha receio de demonstrar sua emoção, e a sua vontade de dizer: que tal amanhã, ou ainda hoje mesmo? afinal só eram 10h30min da noite, e a noite em Lisboa mal começara, podiam marcar algo e ir dançar, tomar um drink, sabe-se lá mais o que.
- Tenho que entregar o relatório de viagem amanhã pela manha, lá pelas dez, e depois tenho várias reuniões durante todo o dia, caso contrário ia chamar-te para uns copos agora, se  concordasses claro.
Ela já estava explodindo! Queria mesmo ver aquele homem, queria olhar mais para ele, ver direito a cor dos seus olhos, as suas mãos, a sua boca, ela tinha ficado muito impressionada, e tinha aquela droga daquele relatório. Fazer o que? Guardar a ansiedade e foi o que fez e já estava quase dando boa noite e tchau quando ele:
Ei,  ainda estás ai?
-Claro que estou.
- Amanhã, lá pelas sete, estás livre? Podemos nos ver?
- Claro que sim, não perderia isto por nada.
Rua de Lisboa
-Então fica marcado, amanhã as sete e um quarto, lá mesmo naquele bar no Caes do Sodré.
- Tens certeza que queres lá mesmo? Aquilo já não nos deu muita sorte uma vez.
-Sim lá, porque quero apagar este mês que passou, vamos fazer de conta que nada aconteceu e que, este vai ser o nosso primeiro encontro marcado.
- Ok, estarei lá, até amanhã. 

Foi deitar-se, não antes de pensar na sua imbecilidade. Por que não pedi um telefone? Por que não perguntei seu nome real? E se acontecer algo amanhã, como farei, vou ter que esperar as 10:30 da noite. Bom mais amanhã será outro dia, ou  melhor  O DIA

terça-feira, 5 de agosto de 2014

RABUGENTO

Quando ele está na porta da casa, assim que abrimos o portão, ele entra correndo para os fundos, parece que vai procurar algo ou alguém; me disseram que ele não gosta de gatos, e, portanto, assim que entra vai verificar se tem algum no quintal.
Feito isso, ele sobe correndo as escadas onde a aula vai começar.  Ele é bem educado, embora tenha dias que esteja sem pachorra alguma para mostrar esta boa educação. Nesses dias deve acordar irritado e, não tem nenhuma vergonha de demonstrar o seu mau humor, seja para nós, seja para os seus pares.
Quando está bem, faz questão absoluta de cumprimentar a todos. Sempre estica a mãozinha e espera que a pessoa pegue nela, ou o cumprimente de outra maneira, mas ele faz questão de demonstrar que gosta, e muito de carinho, embora na rua não se comporte bem assim.
Na rua ele é um pouco diferente, diríamos até que ele é agressivo. Não de todo do mal, mas ele é daqueles que não leva desaforo para casa. Anda pelo centro da cidade todo, todos o conhecem. Ele está sempre limpo, os cabelos negros brilhando. Tem um apelido engraçadíssimo, e só depois de muito tempo é que vim entender o motivo- RABUGENTO, embora os mais íntimos o chamem de Rabu.
Todos conhecem o Rabu e sabem onde é sua casa. Ele vive no meio de atletas, e, por isso mesmo, faz IOGA. Ele é perfeito no alongamento, aliás, penso que é a hora que ele mais gosta da aula, ele se estica primeiro para frente, coloca as mãos para frente e joga todo o corpo para trás, fica perfeito, todo alongado, penso que nunca terá problemas de coluna.  A mesma coisa ele faz com as pernas, fica de quatro e estica todas as duas pernas bem para trás, e o corpo fica quase numa paralela ao chão. È muito interessante vê-lo se esticar todo.
Passa todo o tempo da aula bem junto a mestre, que é italiana e fala com ele em italiano. Quando ele tá muito inconveniente, querendo incomodar a todos na aula, ela ralha com ele em italiano, às vezes ele para, mas, outras vezes, penso que ele não quer que ela ralhe com ele em italiano, e insiste em fazer as mesmas baboseiras, vai mexe com um, deita-se nos pés de outro, impedindo que a pessoa possa fazer corretamente o exercício, no que parece que ele se diverte; quando isto acontece, a mestre tem de levantar e puxar ele para o seu lugar, que é, quase sempre, no canto da sala.
Ele não se concentra; se ouve algum som diferente, seja na rua, seja na própria casa, ele sai disparado para saber o que é: não interessa que altura da aula esteja, ele parece querer proteger a casa e a sua mestra.  Penso que ele acha que é uma espécie de segurança.
Dizem que ele é muito conquistador, não participo da sua intimidade para afirmá-lo, mas comenta-se que tem muitos filhos espalhados pela cidade. Eu pessoalmente acho que ele é um “vagabundo”, “moleque”, e que não sabe escolher direito as suas parceiras e faz filho em quase todas elas, resultado: qualquer hora vai substituir os “santos” em matéria de paternidade.
Pois é! Eu e Rabu temos encontro marcado dois dias na semana. Bem verdade que eu não sou muito amante da sua companhia, suporto-o, mas não tenho grande afinidade, mas ele parece não perceber isto e, muitas vezes não só fica me esperando na porta, como vem ficar ao meu lado quando sento no meu tapetinho para me preparar para a aula. Para me livrar dele logo, cumprimento-o, pego a sua mão, ou, como ele é baixinho, aliso a sua cabeça, mas ele é insistente, e a mestre tem que chamá-lo para que ele se afaste, aí ele vai futucar outro, ou o Tristão, ou os outros alunos.
Quando a aula começa, depois que ele se alonga, fica por ali, relaxando sempre, não faz toda a aula, deita-se e fica ali relaxando, até que resolve, outra vez, cumprimentar a todos, porque percebe que está finalizando a aula.

Pois é, eu penso que sou uma das únicas pessoas privilegiadas que tem um cachorro como colega de IOGA, pois o Rabugento é um vira lata brasileiro, baiano, arembepeiro, de pelo completamente negro,que foi adotado pela professora de IOGA e que, pasmem! É poliglota, e como tal, qualquer dia destes, vou ouvi-lo latir em alemão, ou italiano. Quem faz  alongamento na IOGA e atende à  sua dona em italiano, penso que pode fazer tudo, até latir em outro idioma. Será?

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Poemas

Ah se tu  Soubesses

Ah se tu soubesses!
Se tu soubesses da minha agonia,
Das  minhas noites mal dormidas,
Das minhas horas de angústia,
Do sabor salgado das minhas lágrimas.
Ah Se tu soubesse!
Dos acordares sobressaltados
No meio das madrugadas frias,
Com pesadelos em que me deixas para sempre,
Ah! se tu soubesses!
Das inúmeras vezes que acordo na noite
Procurando-te a meu lado,
Ah se tu soubesses!
O que é andar na rua procurando te encontrar,
Entrando em restaurantes para te achar,
Indo a shopping para olhar vitrines  de lojas masculinas,
Na ilusaão de que a qualquer momento apareces.
Mas tu não sabes de nada,
Não notas nada
Egoisticamente,  não me deixas partir, criar asas e ir-me
Para procurar só a mim mesmo, e, quando me encontrar,
Nunca mais procurar-te, em lugar algum
Não queres isto, queres-me assim,
Insegura, doente, infeliz,
Não sabes amar o belo, sabes  fazê-lo feio,
Mas sobreviverei a tudo isto
E, como já disseram-me uma vez,
Ressurgirei nas mais belas e esplendorosas formas,
Porque aprenderei a amar-me
E serei eu vinte quatro horas do dia, se preciso, aumentarei as horas dele
Para ser sempre: eu, eu e eu.


 O que Perdestes

Pensas que  vou definhar,
Sucumbir, desaparecer?
Estás  muito enganado.
Ressurgirei das cinzas onde me lançastes
Aparecerei  explendorosa  em lugares inimagináveis
Alguém dar-se-á ao trabalho de dizer-te que me viu,
E dir-te-á da minha felicidade!
Da minha alegria, da minha exuberância.
Não acreditarás, em princíoio, é verdade,
Procurarás ver com os teus póprios olhos,
Chorarás, sim, chorarás!
Constatarás que perdestes uma grande mulher,
Uma grande amiga, uma grande companheira,
Que agora tem o seu olhar dirigido para outro
Que, talvez como tu, ainda não reconheça o que tem a seu lado
Mas eu saberei como fazer
Para não voltar a perder  o brilho do meu olhar, a sedução do meu corpo,
A minha entrega à felicidade, a minha procura pelo melhor de mim.
Chorarás sim, mas será tarde. Porque eu jamos voltarei a abdicar de mim 


Súplica


Sabes o que queria agora?
Sorrir, gargalhar até,
Sabes por que não estou fazendo isto?
Porque tu não me permites,
Incomodando da maneira que incomodas,
Sem um segundo sequer sair do meu pensamento.
Afastes-te de mim
Deixa-me seguir o meu caminho.
Não rondes a minha vida,
Não impeças a minha felicidade,
Ela não é contigo,
Com certeza,
Não queres me ver feliz,
Nunca o quisestes,
Fizestes  da minha vida um inferno,
Tirastes de mim o que de mais belo tinha
Que era o meu sorriso, a minha esperança, a minha alegria de viver.
Vai-te, deixe-me em paz,
Sobreviverei, tenho certeza,
Sou forte, meu sorriso voltará,
Mas tu,  nunca mais será o motivo dele,
Não te odeio, nunca  vou conseguir isto,
Até porque vou tirar-te definitivamente da minha vida
Vou ser eu, eu e eu, e sorrir outra vez, até  das minhas  dores,
Porque elas apenas serão lembradas como tal, sem qualquer identificação,
Vai-te, deixe-me, quero viver para  que vejas que não és mais nada para mim
Que sem ti minha vida é alegre, feliz, liberta, promissora, vivida.

 Arembepe, Julho de 2014

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Educação Virtuosa!

Estou lendo a tese de doutorado de minha professora de História na UNEB, Doutora Nancy Rita Sento Sé de Assis: Baianos do Honrado Império do Brasil: Honra, Virtude e Poder no Recôncavo 1808-1889[1].
Como o próprio título sugere, a doutora trabalha a honra, a moral, a virtuosidade e o poder no Recôncavo da Bahia, entre 1808-1889. No período analisado, o Brasil passou de colônia, a Reino, e de Reino a Império. A professora demonstra, no decorrer do trabalho, o que era considerado virtude e honra e como elas defendidas nas diversas esferas sociais. Em um momento discute a virtude feminina, como era trabalhada e como a honra era protegida e no caso de  sua ofensa,que crimes eram  praticados em nome da sua defesa, trazendo exemplos ocorridos nos período, todos eles comprovados através de documentos encontrados nos diversos arquivos da Bahia, mui principalmente o Arquivo Público do Estado. Todavia não é só a honra da mulher que deveria ser preservada e, se ofendida, vingada. Muitas outras situações ofensivas à honra seja  dos poderosos, seja de escravos e pobres são analisadas e no contexto jurídico, os crimes contra ela praticados(calúnia e difamação)  são estudados através de processos crimes, demonstrando como os crimes eram punidos. Por outro lado, a autora imbrica a educação como um elemento que  pode  modificar, ao longo do tempo, a sociedade e, com ela,  as próprias situações  que poderiam ser consideradas como ofensa à honra como a mesma educação influencia  comportamentos, mudanças de atitudes,enfim, os próprios conceitos trabalhados: virtude, honra, poder.  
O texto é mesmo muito interessante, no entanto, deixei-me levar em direção a um dos  pontos tratados, a honra e a educação das mulheres, e o fiz quando  deparei-me com este trecho:
“Trancá-las num convento para que se conservassem castas, ou quando não mais o fossem, ainda seria um expediente utilizado, mas... (Educá-las para a sociedade)parece ter sido a solução encontrada. Aquelas mudanças já eram então admitidas entre os que conduziam os projetos de uma educação feminina, mas naquelas propostas e modelos de mulheres, conservar-se-á o mais antigo, correspondendo àquele de virtuosa mãe [que] teve a rara felicidade de encontrar na sua pessoa os tesouros de Débora, as energias de Ruth e a ternura de Rachel (...), tipo de verdadeira mulher bíblica, filha extremada, mãe exemplar, mulher forte” (pg.48)
Voltei no tempo, e me surpreendi: Voltei aos anos 60, quando eu, com sete ou oito anos fui interna, já falei disto, mas com a leitura desta tese, tenho obrigação de retornar ao assunto, para demonstrar os resquícios de uma época colonial em que o que era perfeito era o que realmente vinha da província, no caso Portugal, que ditava tudo, as normas da educação, da etiqueta, do machismo, da inferioridade do gênero feminino. No decorrer do texto podemos observar que, no que se refere à moralidade, a honradez, as coisas não mudaram muito, desde àquela época, até a bem pouco tempo atrás, menos de 50 anos atrás, os mesmos casos pela autora apontados como de ofensa a honra das famílias, das mulheres, continuavam sendo tratados da mesma maneira.
Por que falo de resquícios? Porque me lembro perfeitamente como éramos educadas no colégio interno. Evidentemente que tivemos alguma evolução, já se formava professoras à época, já existia muitas professoras ensinando em diversos colégios, penso que também já tínhamos passado a barreira do gênero nas faculdades, mas ainda persistia a educação para o lar. Éramos educadas para sermos mães de família, para obedecer aos pais e, depois aos maridos. Aprendíamos, aliás, matéria do currículo normal, de prendas domésticas. (já nem sei se não eram prendas do lar) Pense aí, prendas domésticas.  Eu consegui sair do internato sem saber fazer porra nenhuma neste particular, aliás, o que aprendi a fazer foi limpeza, pois era obrigada a limpar dormitório, refeitório, banheiros, igreja, e tudo que fosse necessário, era assim que pagava a minha educação. Não a tive de graça.
Lembro-me que um dos meus trabalhos, porque tinham de me manter ocupada sempre, pois caso contrário eu sempre estava aprontando alguma, era limpar a biblioteca, arrumar os livros que eram retirados da estante dentre outros afazeres. Assim, aos onze ou doze anos, dei de cara com livros proibidos, que todas as maiores tinham curiosidade de ler, mas que as freiras não deixavam, querendo, com esta atitude, preservar as mulheres de conhecer qualquer coisa sobre sexo, política, poder. Sexo era mesmo um tabu, só se falava nisto em aula de ciência, e assim mesmo, para que soubéssemos a diferença entre uma mulher e um homem.  A única freira que nos falou de sexo um pouco mais profundamente, que nos falou prazer feminino no sexo, não para nos instruir mesmo, muito mais para evitar as masturbações que tinham lugar há todos os dias quando, algumas de nós despertávamos para o sexo e sentíamos a necessidade física de exercitar os músculos vaginais, pedido ardoroso do próprio corpo e impossível de ser controlado. A freira explicava que o prazer tinha de ser de dois, que o prazer de um só, decorrente da masturbação, na verdade, era pecado. Que nós devíamos nos livrar destes pensamentos, porque continuar com eles era pecar, e que não seríamos perdoadas por Deus. Puta merda, imaginem só. Por causa de uma esfregadinha ali ou aqui iríamos queimar no fogo dos infernos, que miséria.
“Naquele contexto, em que se convalida a idéia de valorização da infância, a virgindade casta é considerada como atributo de moças educadas para a inocência. Inocência que personificava a tutela da família, mães, pais, irmãos e maridos, aos quais competia vigiar o que as mulheres viam, ouviam e liam, os seus momentos de lazer e aprendizado” (pg. 59)
A virgindade tinha de ser preservada até o casamento, e olhe que eu já estava com 17 anos, fora do colégio interno, estudando no Colégio da Bahia – Central, no período da noite. Já trabalhava, mas a estória era a mesma, a virgindade tinha de ser preservada de qualquer maneira, falaram tanto que me dava um medo da porra ter relacionamento com homens. Meus namorados, dessa época, não podiam avançar qualquer sinal. Como me arrependo meu Deus. Perdi tanta oportunidade de estar e ser de alguém a quem muito quis: um homem que eu desejei tanto, que não tive e não posso ter, pois ele já foi chamado.
Pois é, tudo isto me veio numa realidade incrível, lendo os trechos transcritos e muitos outros da tese que todos deveriam ler, é um grande estudo sobre o que significava a honra àquela época, e quais as conseqüências da sua ofensa.
Através da leitura fiquei sabendo que as Irmãs de Caridade chegaram à Bahia em 1853, portanto cem anos antes do meu nascimento, (pg. 53) e elas eram responsáveis, não só elas, pela educação das jovens, responsáveis pela educação religiosa, moral, doméstica. Deviam ensinar as moças a falar francês, vigiar a sua virgindade e castidade, inclusive, como os pais, vigiar o que liam, o que escutavam. As moças deveriam sair dos conventos prontas para assumir a vida familiar, ou seja: ser mãe, esposa, dona de casa, obedecer e agradar aos maridos, e o mais importante, virtuosas, guardando para o leito marital a sua maior riqueza, a virgindade. [...] Ambas, obediência e castidade, porém antes garantidas através da reclusão e do medo, no contexto das transformações oitocentistas, não seriam introjetadas pelas mulheres, senão por meio de uma educação ancorada no princípio da auto-repressão sexual em favor da moral e da virtude. Essa educação pretendia que toda moça de “boa família” conhecesse e estivesse convencida do alto valor social da sua virgindade. (pg.52).
Torno a me lembrar do convento, onde li os livros proibidos: Eça de Queiroz não era acessível, só depois de muito tempo é que vim entender a proibição; então era possível ler um livro que falava de amor carnal entre irmãos, entre um padre e uma paroquiana, entre uma mãe e um filho?  Jamais: mas eu li os Maias, não como deveria, pois tinha que ser aos poucos e pulando páginas, sobressaltada.  Muito tempo depois li calmamente, não só os Maias, como o Crime do Padre Amaro, a Rua das Flores, dentre outros de Eça de Queiroz que tanto mostrou, e bem, a farsa da sociedade portuguesa de oitocentos.
Mesmo depois de ter deixado o convento, quantas pessoas vi repudiar uma jovem porque, como eles diziam na época, “se perdeu”. A criatura virava uma “vagabunda”. Os pais ficavam decepcionados, com a honra ofendida, os outros pais proibiam as suas filhas de andar com a “perdida”, e Isto eu já tinha para lá de 18 anos. Aliás, aos dezenove só não desonrei total minha família, porque tive a sorte, ou o azar, de ser pedida em casamento.
Bom, pelo parágrafo acima vocês já notaram que eu não levei muito a sério os ensinamentos das freiras: fiz faculdade, formei em Direito, casei, descasei, pari. Não posso afirmar que fui uma boa esposa, acho que não, perdi já dois maridos, portanto não aprendi como ser obediente, calada, passiva para ficar com alguém em nome da preservação da família. Não sei se fui, ou sou, boa mãe, nem boa avó agora, já com três netos. O que sei é que, a exemplo de antigamente, a minha honra e a da minha família foi salva com um casamento às pressas, que nem bem começou, com a mesma urgência acabou. Não sei se falaram ou deixaram de falar sobre este meu casamento relâmpago, mas soube de um comentário vindo do outro lado do Atlântico: “coitadinha da esmeraldinha, tão jovem e já assim, sozinha e com um filho para criar”. Não sei se o comentário foi mesmo de pena pela situação, ou se foi uma critica, mas deixa para lá. 




[1] Assis, Nancy Rita Sento Sé de. Baianos do Honrado Império do Brasil: Honra, Virtude e Poder no Recôncavo 1808-1889. Tese apresentada ao Curso de História da Universidade Federal Fluminense como requisito para obtenção do grau de Doutor. Área de Concentração: História Moderna e Contemporânea, 2006.