Talvez tenha recebido um presente pelo dia da
mulher, só podia ser isto., ou quem sabe um coelho da páscoa antecipado. Todavia, não podia desembrulhar o presente,
muito menos usá-lo, gozá-lo então, impossível. Mas, o presente estava ali, todo
embrulhadinho, num belo papel em que predominava o azul. O presente era vivo,
vivinho, se movia diante de si, procurava lhe envolver, parecia ter braços
pernas, um corpo inteiro. Tinha uma boca, e que boca, tudo isto ali, mas ela
não podia, ao menos não devia, deixar que o presente se desembrulhasse. Era
melhor ficar dentro do pacote. O que seria aquilo? Parecia gente, mas uma
pessoa não poderia vim embrulhada, sufocaria de certeza. Custou a crer que tinha recebido mesmo um
presente. Quem se lembrara dela assim no dia da mulher ao ponto de lhe mandar
um tão lindo pacote?