Acordei com uma imensa saudade de
Portugal, por este motivo, resolvi levar todos para um passeio que adorava
fazer, sem me importar com o tempo que estivesse fazendo, ou melhor: fosse
verão ou inverno. Era apenas não estar chovendo e lá ia eu e, convido vocês a passearem
comigo.
Contar estórias e histórias; ficção e realidade se misturando para fazer rir, chorar, viver.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
Um passeio em Cascais
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
O que aconteceu Maria Rosa?
Maria Rosa era a quinta filha de
seu Alencar e Dona Virgínia. Os seus primeiros quatro irmãos eram homens, ela
era a caçula e mulher, poderíamos dizer, o dengo da família. Enquanto
pequenina, era ótimo estar cercada do amor e dos cuidados dos pais e de seus
quatro irmãos, mas, quando fez doze anos, toda esta proteção começou a
incomodá-la, e muito.
Maria Rosa nunca saiu sozinha.
Não tinha amigas, não ia á casa de ninguém. Festa na escola só se acompanhada
de mãe e irmãos, se todos não podiam ir, um, com certeza, acharia tempo para
acompanhá-la aonde quer que fosse.
Maria Rosa cresceu protegida. Sem opções, todos decidiam por ela, de pais a irmãos. Nunca teve direito de dizer o
que efetivamente queria, tudo já lhe dado como certo e pronto. Roupas escolhidas
pela mãe, escola escolhida pelos pais, festas só a que os irmãos frequentavam e
quando se dispunham a levá-la.
Os irmãos não levavam os amigos
em casa, foram proibidos pelos pais, pois Maria Rosa era linda e nada podia lhe
acontecer, era melhor evitar: “o que os olhos não veem coração não sente”, era
o que sempre dizia a sua mãe.
O único momento de mínima
liberdade que a Maria Rosa tinha era a escola, e assim mesmo, quando não havia
qualquer olheiro a espreita, o que sempre acontecia, pois a recomendação às
freiras era para que ela nunca estivesse sozinha, o que era seguido à risca
pelas irmãs, que não queriam, de maneira alguma, desagradar ao Sr. Alencar, em
especial Dona Virginia, mantenedora da Igreja, membro da congregação, enfim
sábado, 2 de janeiro de 2016
Nas Águas do MARUJO
ressaca, muita comida, arrumação da
bagunça do dia anterior; entretanto, o primeiro dia do ano de 2016 me reservou
uma baita surpresa, e esta surpresa merece divulgação.
Meu companheiro há uma semana me
disse que fora convidado para um passeio de escuna no dia primeiro: gosto do
mar, mas confesso que não fiquei radiante com a comunicação, cheguei mesmo a
sugerir que ele fosse sozinho, mas não gostei da expressão que ele fez. Decidi
que iria, muito mais pelo fato de que ele me disse qual era a finalidade do
passeio de escuna: um oferecimento de um presente ao “MARUJO”.
terça-feira, 10 de novembro de 2015
Voce me cativa?
[...] eu não posso brincar
contigo – disse a raposa. – Não me cativaram ainda.
-Ah! Desculpe – disse o
principezinho.
Mas, após refletir,
acrescentou:
- Que quer dizer
“cativar”? [...]
[...]-É algo quase sempre
esquecido – disse a raposa – Significa “criar laços”...
-Criar laços?
-Exatamente – disse a raposa,
- Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros
garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de
mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas,
se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Será para mim único no
mundo. E eu serei para ti única no mundo[...]
[...] Mas, se tu me
cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos
que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da
terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fossem música. E depois,
olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não
vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas
tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O
trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do
vento no trigo....
[...]-A gente só conhece
bem as coisas que cativou – disse a raposa. – Os homens não tem tempo de
conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem
lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo,
cativa-me!
-Que é preciso fazer? – Perguntou
o pequeno príncipe.
-É preciso ser paciente –
respondeu a raposa[...] (SAINT-EXUPÉRY 2009)
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Transforme-se; mas não se esqueça
Talvez pela proximidade de mais
uma grande transformação na minha vida eu esteja lembrando tanto de uma outra passagem,
a do tempo em que vivia no Engenho Velho da Federação.
Comecei a morar ali logo após a
saída do internato, ou seja, aos quatorze anos. Morei bastante tempo ali, tanto
tempo que tive tempo de mudar de casa três vezes, sendo que a última foi a
definitiva, pois meus pais, não sei bem como, conseguiram comprar um imóvel na
Rua Apolinário Santana 51-E da 1ª. Travessa, depois denominada Travessa
Fernanda, homenagem a uma moradora daquela descida terrível.
terça-feira, 25 de agosto de 2015
O futucador de orifícios
Aquilo estava
incomodando muito, tinha que tomar uma atitude, procurar um médico
especializado para dar um jeito na estória, por fim aquele incomodo que há anos
lhe tirava o humor.
Não havia mais
como adiar e o jeito foi perguntar aos amigos se conheciam algum proctologista.
Uma amiga conhecia um, afirmava que ele era o bom, talvez o melhor e tinha o
nome de Sebastião.
Bom com este
nome eu já pensei que ele deveria ser muito bom, tratar as pessoas com muito
cuidado e paciência, afinal o santo que morreu todo espetado tinha este nome e
não deixaria que um seu xará maltratasse ninguém.
domingo, 21 de junho de 2015
Clorofilando
É domingo, mais
um deles, iguais na nomenclatura, diferente por todos os outros motivos.
Cheguei da caminhada bem a tempo de não pegar uma chuva, que, sem qualquer aviso, cai forte. Resisto por um momento, mas a chuva cai tão forte ganhando mais força
nos beirais por força da água que escorre do telhado, que eu venho deitar na
rede. Gosto de ver a chuva cair, sempre tive um sonho de ter uma casa toda de
vidro exatamente para ver a chuva cair. Em Portugal achava o máximo olhar o
teto do Vasco da Gama e ver a água escorrendo por ele.
terça-feira, 9 de junho de 2015
Uma feiticeira na Inquisição da Bahia -" Arde-lhe-o-Rabo"
Mais uma vez
estou andando por Salvador, estou em frente à Catedral Basílica do Salvador, a
Igreja está fechada, sento nas suas escadarias e fico olhando o movimento da
Praça do Terreiro, olho as baianas sofisticadas, com roupas lindas e muitas
contas, pintura exagerada, olho-as com os olhos de ver, e vejo o que virou a
nossa baianidade, uma forma de exploração, de ganhar dinheiro. Ao mesmo tempo
em que vejo isto, também me transporto e vejo as negras de ganho mercando os
seus produtos ainda no tempo colonial e da escravidão. Tiro o olhar destas baianas, que quase atacam
os turistas que passam por minha frente. Eles sem me vir e sem qualquer olhar
igual ao meu, são quase que atropelados pelas baianas: sorriem, tiram fotos,
pagam até para isto, são guiados para as casas de “gemas”. Eu, diferentemente
deles, fico realmente vendo, entendendo, procurando identificar os traços da
nossa Salvador colonial, ali naquele lugar de tamanha importância para a nossa
história. Mais uma vez sinto uma angustia imensa, apesar de ter alguma
conservação, o Terreiro de Jesus e o Pelourinho precisam de obras de
conservação. O casario precisa ser preservado, a história precisa apresentar-se
aos soteropolitanos, e assim poder ser visualizada, exatamente, através de
nosso patrimônio, que o Estado tem obrigação de conservar.
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sexta-feira, 29 de maio de 2015
Tem rima!
Estava eu na Junta de Conciliação
e Julgamento de Santo Amaro da Purificação. Sim, esta mesma, a cidade do clã
Veloso, do Lira, e tantos outros, e onde, segundo a história que eles fazem
questão de lembrar, o Imperador fez xixi e, logo por aí, se vê a importância que
esta cidade teve em períodos idos, pois o Imperador lá esteve efetivamente.
Santo Amaro é uma cidade com um
belo passado colonial, muito cheia de engenhos naquele período, fontes
históricas indicam a existência de 120 engenhos(1878), sendo um dos mais importantes
o Acupe, ratificando assim a sua participação efetiva na economia da Bahia.
sexta-feira, 22 de maio de 2015
Vaticinando
Já faz muito
tempo, mas pelo pitoresco da história, não consigo esquecer. Passei por muitas
cidades do interior enquanto exercia a magistratura, cada uma com o seu
folclore, com as suas figuras e personagens. Gente boa, gente ruim, educados, mal-educadas,
prepotentes, enfim, consegui, na minha caminhada, ter contato com todo o tipo
de pessoa. Certamente, para eles, também, fui prepotente, orgulhosa, pedante,
enfim, tudo que se podia dizer de uma pessoa sozinha, que ocoupava um cargo importante, uma autoridade que tinha de se impor e com muitas responsabilidades. Minha aparência, segundo alguns, já era um grande problema, pois sempre usei "jeans" e meu cabelo era encaracolado, muito pouco recomendável para uma Excelência.
quinta-feira, 21 de maio de 2015
"Amores Nefandos" - Confissões e Delações na Primeira Visitação do Santo Oficio da Inquisição na Bahia - 1591
Continuo andando
em Salvador com os olhos de ver, olhos que jamais pretendo que deixem de ver,
já falei antes, que os meus olhos agora não só enxergam e olham, eles vêm,
sentem, recriam, estão a serviço da memória, do conhecimento, da reconstrução.
Quanto tempo perdi sem usar os meus olhos de ver, e com eles é que estou na
Cidade Alta ali pelas bandas da Paço Municipal; à minha frente está a Câmara,
do lado esquerdo, estando eu de costas para o prédio da Câmara, está o Palácio
do governo do outro lado a Rua da Misericórdia que vai dar na Sé, e após no
Terreiro de Jesus. Estou, efetivamente
no centro da cidade. Descendo a rua vou
parar um pouco antes da porta de Santa Luzia, (São Bento) que limita a cidade
pelo Norte, se sigo pela direita, alcanço o Terreiro de Jesus, Pelourinho e a porta
Sul da cidade, a porta de Santa Catarina (Carmo).
quarta-feira, 13 de maio de 2015
O olhar de ver - recriando o tempo e o espaço
sábado, 9 de maio de 2015
Vendo
Os meus olhos de
ver hoje estão imensamente tristes. Estão vendo coisas que eles não gostariam. Não é apenas um olhar, é o ver, que faz com que todos os nossos sentidos fiquem
aguçados, e com eles toda a nossa história de vida e da daqueles que a nós estão
ligados. Queria apenas olhar, não ver como estou a ver agora. Ver a vida de
entes que conviveram conosco por uma boa parte de nossas vidas, indo embora,
assim, como se nada fosse Não gosto efetivamente do que vejo, mas nem mesmo o
olhar posso desviar, seria talvez uma grande irresponsabilidade de minha parte
apenas olhar sem ver.
quinta-feira, 16 de abril de 2015
Uma noite das mil e uma noites
Está em casa, há convidados, não
era bem uma festa, mas havia pessoas em sua casa. Um jantar? Não, aquilo não
parecia um jantar, apenas uma reunião de amigos com canapés, drinks e uma boa
conversa. Todos pareciam felizes. A
conversa se desenrolava sobre muitos assuntos, inclusive o preferido de muitos
deles, a critica aos discursos pronunciados no Congresso Nacional (Câmara dos
Deputados e Senado). Gostavam de criticar e sorrir das bobagens,
sábado, 28 de março de 2015
Será possível?
O dia não amanheceu nem melhor,
nem pior, que os outros. Não posso sair para andar, estou proibida de tomar sol,
e, mesmo com o protetor solar, não vou arriscar.
O que faço para compensar este
intervalo de uma hora da minha caminhada matinal, que ocorre, sempre, entre 06h15min/06h30min
e 07h15min/07h30min? Ler ou escrever: sempre estas opções são as primeiras que
aparecem. Tenho de fazer isto para não pensar muito, não rememorar os
problemas, eles não se afastam, se impõem de uma maneira tal, que parece que já
estão mesmo incrustados no meu ser.
quinta-feira, 26 de março de 2015
A Privataria Tucana- Amaury Ribeiro Jr
Recomendação de leitura
Livro - A Privataria Tucana
Amaury Ribeiro Jr
SP ,Geração Editorial, 2011, Coleção História
Agora
Parece que este país vive sob o signo da
corrupção. É esta a constatação que fazemos com a leitura oportuna da obra de
Amaury, porque por ela e, através dela, constatamos, exatamente, que a corrupção, o ganho fácil, a lesão ao
patrimônio público, o financiamento de campanhas eleitorais com dinheiro sujo, lavados em paraísos fiscais, é
uma constante no país
quinta-feira, 19 de março de 2015
Resenha livro BOCA DO INFERNO - Ana Miranda
Resenha -Boca do Inferno
Ana Miranda
São Paulo -Cia das Letras, 3a.ed, 1989
Acabo de ler o romance histórico
de Ana Miranda – Boca do Inferno. A referência ao Boca do Inferno é realmente à
Gregório de Matos, o nosso poeta do período colonial, que com os seus versos satirizava
a sociedade baiana.
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romance histórico
segunda-feira, 9 de março de 2015
Um presente vivo
Talvez tenha recebido um presente pelo dia da
mulher, só podia ser isto., ou quem sabe um coelho da páscoa antecipado. Todavia, não podia desembrulhar o presente,
muito menos usá-lo, gozá-lo então, impossível. Mas, o presente estava ali, todo
embrulhadinho, num belo papel em que predominava o azul. O presente era vivo,
vivinho, se movia diante de si, procurava lhe envolver, parecia ter braços
pernas, um corpo inteiro. Tinha uma boca, e que boca, tudo isto ali, mas ela
não podia, ao menos não devia, deixar que o presente se desembrulhasse. Era
melhor ficar dentro do pacote. O que seria aquilo? Parecia gente, mas uma
pessoa não poderia vim embrulhada, sufocaria de certeza. Custou a crer que tinha recebido mesmo um
presente. Quem se lembrara dela assim no dia da mulher ao ponto de lhe mandar
um tão lindo pacote?
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
DESENCONTRO MARCADO II
Acordara cedo, mas o frio intenso
fez com que ela permanecesse na cama, leu mais umas páginas de Saramago em O Memorial
do Convento, entretanto não queria sair de casa tão tarde, tinha um compromisso
e, antes dele, teria que ir à Faculdade pegar os quatro exemplares da
dissertação e tese para levar ao Arquivo Histórico do Ultramar e à Sociedade de
Geografia, o problema é que o Arquivo Histórico só abre uma hora da tarde e ela
queria entregar os exemplares exatamente neste horário, porque pretendia estar
na Merendinha do Arco às 13h30min, afinal o encontro estava marcado e não seria
ela a falhar.
Tomou coragem e as dez estava
completamente pronta, decidiu que iria pegar um taxi, assim adiantaria mais as
coisas. Chegou à faculdade e, felizmente, os exemplares estavam prontos. Colocou tudo em uma sacola e dirigiu-se ao
metro, preferindo ir até o Campo Grande e lá pegar a linha verde. Olhou o relógio:
sim, chegaria a tempo na Sociedade de Geografia e depois, logo ali na Praça da
Figueira tomaria o quinze e iria até o Arquivo Histórico e depois voltaria para
o Rossio para o encontro marcado.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Poder e posse
O dia está lindo, há sol, o céu
azul, o verde das árvores. Sentada na cama observa tudo isto pela janela do
quarto “da Gatucha” é assim que a amiga trata este cômodo da casa. É engraçado
como personaliza-se algo: seja um espaço, seja uma coisa, seja até mesmo uma
pessoa, pois quando personaliza-se também dá-se, ou toma-se posse, seja atribuindo-a
a si próprio seja a outrem, por exemplo: o quarto da Gatucha; o quarto é dela,
não é de Maria e nem de João, é dela e ela é que tem a posse dele, no caso do
quarto em questão, ela tem apenas uma posse temporária, completamente justa, exerce-a de vez em quando,
mas tem uma posse.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Uma nova tentativa - Continuação da análise
Já acordou de “calundu”; então insistia
naquela história de analista, mesmo tendo a certeza que não daria certo, insistia;
devia ser o desejo de participar do mundo dos “ins”. Agora, ao menos, tinha a
consciência que seria analisada por uma mulher, pois até mesmo o sobrenome já
era sugestivo do sexo. LARANJEIRA. Um laranjeiro, certamente, não daria frutos,
seria uma árvore estéril. Bom, o certo é que tinha consulta marcada às 15h00min
com a Doutora Laranjeira.
Arrumou-se toda, parecia que ia a
uma festa. Por que isto? Perguntou para si mesma, então você vai ao analista,
que é uma mulher, e se emperiquita toda desta maneira?
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
ENCONTRO NÃO MARCADO
Estava, mais uma vez, em Lisboa
e, portanto, não lhe custava nada tentar um contato com o Madeira. Já vinha
pensando nisto no avião e, assim que colocara os pés no solo português, ainda
dentro do aeroporto da Portela, decidiu que tentaria contatá-lo.
- Será mesmo que ele ainda lembra-se
de mim? Tanto tempo se passara desde o último contacto, quando ela decidira que
seria mesmo o último. No seu consciente, no seu racional, sabia que era melhor
não tentar nada, mas o diabinho interior, com os seus tridentes futucando ali e
aqui já decidira por si. Sim, ela ia entrar em contato, só não o fazia naquele
momento porque estava sem rede no tele móvel e ansiosa pelas malas que não
apareciam na esteira. Já se passara quase quarenta minutos do desembarque ela não
via as malas.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
Ainda a visita ao analista
Como foi a visita ao analista?
Gostou? Ela bem que já esperava a pergunta, mas, ainda assim, ficou para lá de
irritada. “Que merda, os “ins” acham que
esta é mesmo uma solução para os problemas que eles vêem em mim. Acho que não
vou responder nada”
-Diga lá mulher, como foi a
sessão, vocês gostou?
-Quer que eu fale a verdade?
-Claro
-Uma merda, não sei como vocês
conseguem achar que aquilo é bom. Fiquei lá com cara de tacho olhando uma
pessoa que nunca vi antes a esperar que eu falasse do que não quero. Não
entendo como vocês têm a capacidade de falar de si a um desconhecido frio,
distante, até mesmo seco.
-O que você queria? Uma mãe que
lhe colocasse no colo e alisasse seus cabelos e perdoasse os seus erros?
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
Pós visita ao analista
Chegou a casa visivelmente mal
humorada. Não conseguia entender por que se tinha permitido passar por uma cena
daquelas; então pagara quase a metade de um salário mínimo para falar duas
palavras com um híbrido e acabar o tempo sem que nada de, minimamente,
esclarecedor, ou com alguma possibilidade de sê-lo, acontecesse.
Vinha no carro e, de vez em
quando, como para se acreditar que aquilo ocorrera mesmo, se olhava pelo
retrovisor e via a sua cara de tacho e de besta com toda aquela situação,
perdera uma hora do seu dia, perdera dinheiro, ficara mal humorada, perdera
inclusive o horário de chegar a casa, um tempo precioso para corrigir algumas
provas, estas sim importantes, porque sua obrigação, que fora atrasada por
aquele acontecimento que não se repetiria.
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
A primeira sessão de análise
Não gosto de falar sobre mim, às
vezes, nem comigo mesma, mas foi inevitável. Todos os meus amigos, os mais íntimos
claros, e até alguns que pensavam que eram amigos, me mandavam procurar uma
ajuda. Eu não entendia bem porque e ficava me perguntando. Será que sou tão difícil
assim? Será que tenho tantos problemas que não consigo entender nada? Será que
os meus problemas se refletem nas minhas relações com as pessoas até ao ponto de
ter que fazer algum tipo de terapia? Não, não achava isto, e também não achava
que uma pessoa estranha pudesse me ajudar e o faria apenas ouvindo-me falar.
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Resenha - Os Mazombos e o Pai Sumé do Peabiru
RESENHA
Os Mazombos e o Pai Sumé do Peabiru
Autor – Antonio Gusmão
Editora – Qualidade Editorial Ltda, 2013
Segundo FERREIRA DA CUNHA(2006) o
escritor do romance histórico tem a preocupação de trabalhar com as fontes e,
por isso mesmo, de acordo com este autor, este gênero literário encontra uma
grande receptividade seja pelas massas de cultura média, seja por parte das
elites acadêmicas. Para ele “ao
aventuroso, romanesco, pitoresco ou exótico da sua dimensão lúdica se junta
honesto estudo, que não raro se nos desvenda nos alicerces e andaimes”.
Partindo desta assertiva de Ferreira da
Cunha, comecei a ler este livro, achando, em principio que
este romance podia ser classificado como tal; não é, apesar dos inúmeros fatos reais e
históricos que nele se contem, a exemplo dos Bandeirantes, do Caminho de São Tomé, da invasão
dos holandeses, e muitos outros acontecimentos que podem ser comprovados “cientificamente”
porque história é uma ciência, e o que ela pode comprovar, portanto, é cientifico.
Era assim
O dia começa cedo; as tarefas distribuídas, limpeza da casa para as mulheres e os serviços outros, olhem só, o da cozinha para os homens. Era assim: os meninos tinham de ajudar a moer a carne ou qualquer outra coisa na velha máquina de “moer”, que a gente dizia ser de “passar carne”. A máquina era atarrachada em um dos lados da mesa, sendo que sempre que isto ocorria, alguém tinha de ficar sentado do outro lado da mesa, para que com o movimento e a força aplicada de quem estava no moedor, desse o equilibrio necessário para ela não virar. A máquina era pequenina, mas poderosa, machucou, muitas vezes, os dedos da criançada, que para acelar o processo enfiavam as mãos para empurrar o que estava sendo moido e o resultado era unha roxa, ponta do dedo machucada, enfim, mas ninguém morreu por este motivo. Era o nosso processador manual.
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
O regulamento do trabalho indígena de 1899 e sua aplicação na Guiné no ano 1900-1901
1 – A
CONFERÊNCIA DE BERLIM
Com a Conferência de Berlim 1885 toda a política colonial
foi remodelada. O principio dos direitos históricos, baseado na descoberta, na posse
da terra e no reconhecimento por parte de outras nações, passa por uma completa
reforma. Agora, as colônias precisavam ser efetivamente ocupadas e esta
ocupação tinha que produzir resultados, resultados estes que teriam de revelar
um desenvolvimento e integração dos nativos.
Parece-nos evidente que a Conferência de Berlim, fez
nascer um direito colonial internacional, surgindo, exatamente desta
Conferência, uma medida de caráter internacional para a proibição do tráfico de
escravos; todavia a sua origem, a sua força motriz, estava no estabelecimento
de regras para o comércio na África. O interesse econômico era o mote, a base
da reunião. A delimitação de fronteiras era essencial para as pretensões das
potências colonizadoras. A liberdade de comércio era fundamental para os
interesses econômicos das grandes nações colonizadoras.
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trabalho forçado
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Uma homenagem
Querido amigo,
Amanhã, dia sete de novembro, será
um dia bem importante para mim por diversos motivos: primeiro porque minha neta
completa um ano de vida, a quem eu desejo muita felicidade junto a todos que a
amam, segundo porque o dia me faz
lembrar de uma pessoa muito importante na minha vida, o meu ex sogro, Sr.
Adauto Gomes a quem agradeço por todos os motivos que ele mesmo, onde estiver, sabe.
O terceiro motivo, que me perdoem os dois primeiros: você. Você meu querido e
inesquecível amigo. O dia será especial para nós dois; para nós dois, para sua
esposa e para o seu rival, porque amanhã
estou lançando um livro em sua homenagem e, para homenageá-lo,
logicamente, não poderia esquecer, de
maneira nenhuma, de falar da sua esposa
– Lisboa e do seu, por mim e por ela, adorado rival: o Tejo.
Você sabe quantas vezes escrevi
sobre e de você; sobre seus costumes,
sua cultura, seus recantos e encantos. Quantas vezes falei da sua adorável
esposa, e quantas e quantas vezes me
inspirei no Tejo para falar de você.
terça-feira, 4 de novembro de 2014
MEU AMOR LUSO
Mais um sonho realizado!
Experiências vividas, observações, indicações de e sobre Portugal, Uma coletânea que lhe ajudará a descobrir, conhecer e amar este maravilhoso país que é Portugal e o seu grande companheiro, o Tejo.
O livro é digital e pode ser adquirido através do site da Cia do e-book, bem como das livrarias cultura, amazon e outras.
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