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sábado, 6 de maio de 2023

ASÍ FUE - II - Continuação

Desliguei o computador, mas fiquei o dia todo com a estória do homem do Messenger da minha amiga na cabeça. Eu me fazia mil perguntas; será mesmo que este homem é sério, será que não é mais um sacana aproveitador que quer tirar algo de mulheres carentes? Carentes! Sim era isto que minha amiga era, uma mulher carente, sem amor, vivendo sozinha embora cercada de muitos. Suas dores, seus lamentos, sua falta de carinho, os seus choros eram compartilhados com ela mesmo, sua alma estava muito dolorida, ela precisava sair daquela vida que tinha.

Vive só num bom apartamento, conhece muita gente mesmo, mas a sua solidão interior já tinha passado do tempo, ela precisava ter um motivo para continuar tendo vontade de viver, de sentir de amar.

Amar, sim ela amava muita gente, mas ela queria o amor carnal, aquele amor de homem e mulher, o antigo macho e fêmea biológico, que faz muito bem ao corpo e alma.

A coitada estava com problemas de pele, a sua pele estava completamente ressecada, tinha os cabelos e unhas que se quebravam com muita facilidade, se bem que as unhas sempre foram muito curtas, lkkkkkk para não dizer roídas, se as deixou crescer foi exatamente por causa do homem que parecia apreciar mãos, pês e corpo muito bem tratados.

Bom o fato é que ela estava doida para chegar em casa e saber mais sobre aquele romance, que dava os seus primeiros passos já cheios de intensidade como sua amiga lhe transmitia.

Chegou, tomou banho, nem lembra se jantou mesmo, a ansiedade e curiosidade eram muitas

Chama no Messenger, a amiga estava on line, mas não a atendia de maneira alguma, imaginou que ela estivesse no bate papo com o cara e esperou mais de uma hora para tentar outra vez, mas a bolinha verde continuava indicado que ela estava on line. Tentou ver televisão, escrever alguma coisa, mas que nada não conseguia, o que só aumentava a sua ansiedade.

Finalmente, quase onze da noite, passado muito da sua hora de dormir, ela vê a mensagem de sua amiga.

-Olá, vc está aí?

-To sim mulher, diga, tem bem umas três horas que tento falar com você, mas só via o sinalzinho do on line.

-Estava mesmo, eu estou completamente apaixonada por aquele homem, nunca imaginei que aos sessenta e lascou-se, iria me entregar de corpo e alma assim a alguém, tampouco de maneira virtual.

Comecei a ficar preocupadíssima com a minha pobre amiga. Meus Deus, se esta porra não desse certo o que aconteceria? Teria ela forças suficientes para aguentar uma reviravolta nesta estória? Se este homem não fosse nada disto que ela estava pensando? Se este homem fosse algum sacana querendo tirar proveito de uma pobre alma sofrida e carente? Oh Meu Deus que isto não aconteça! Pensando nestas coisas continuava a falar com a amiga, que estava visivelmente emocionada.

-Sabe o que ele fez hoje?

-Nem imagino.

- Ele foi a feira da ladra e me mandou diversas fotos daquelas barraquinhas, mostrou aqueles livros antigos que o povo vende, aquelas pequeninas louças, os bisquis, etc. me deu uma saudade imensa, mas eu adorei, pois tinha pedido isto, que quando ele fosse na ladra tirasse fotos para mim.

 Tive de admitir que era mesmo uma maravilha isto, encontrar um homem que tivesse este tipo de cuidado, ir até um local e tirar fotos e mandar porque uma pessoa que ele conhecera pela internet, há apenas uns três dias, pedira... realmente; algo está diferente naquela estória.

-Mande as fotos para eu ver, para que eu possa matar as saudades tb.

-Sim, mas me conte mais coisas.

-Sabe onde ele mora em Alvalade?

Nem imagino

-Perto do tico tico

É mesmo, isto me dá muita saudade do Seu Virgílio, lembra quantas vezes fomos ali com ele?

-Sim, lembro e quando ele disse o local lembrei-me imediatamente de nós comendo bacalhau e ameijoas ali. Acho que também fica por perto daquele restaurante que servia dia de terça feira, salvo engano, a feijoada brasileira.

-Poxa, começo a achar que eu também ia gostar deste cidadão, apesar do receio continuar.

- Ah mas não é só isto! Ele tem uma voz fantástica, meio rouca e safadakkkkk

-Como é mulher? Como vc sabe? 

-Ah minha amiga, pois não é que eu tive a coragem de ligar para ele, fiz uma chamada de vídeo e o homem atendeu. Pense uma mulher ficar vermelha, sem saber direito o que dizer, o que fazer, até minhas pernas ficaram bambas, tremi segurando o celular. Pior, tentando parecer normal, quando aquilo não era nada normal:  pense uma adolescente boba...

- Não acredito, foi mesmo? E aí

Ai ouvi a voz do homem e a alegria contagiante dele, acredite o cara é alegre e conseguiu me transmitir isto no vídeo, ele parecia estar também muito emocionado, mas feliz, mas foi muito breve, parecia que estava também envergonhado, sei lá o que, sei que trocamos algumas palavras e ele deu tchau., continuamos a falar no Messenger, perguntei se ele estava surpreso e ele disse-me que sim, que não estava nada a espera.

- Engraçado não é, ele assimilou bem o português, porque esta expressão e bem usada por eles “não estar nada a espera”.

-Também achei disse-me ela, eu tenho certeza que você vai gostar dele,

-Será? E se eu gostar muito? brinquei. E ela disse-me

_ Você vai gostar muito sim, mas ele é meu e ponto final, além do mais você e minha amiga e jamais faria qualquer coisa que me  magoasse.

Ela tinha razão mesmo, eu não faria uma sacanagem desta, mas o jamais não preciso falar. A gente pode queimar a língua.

- Que mais aconteceu conta-me.

- Falamos algumas coisas mais intimas, que não vou te dizer, particularidades, mas foi muito bom, Ele disse-me que mora sozinho e me mostrou a foto de um bolo de laranja.

-Porra, o que tem de importante no bolo de laranja?

O importante, foi o que ele disse do bolo de laranja: “Acabei de fazer”.

-Mentira! Ele que fez o bolo?

-Sim, e não só o bolo, também tinha acabado de fazer uma galinha de cabidela.

- Como é que é? A homem cozinha?

-Sim minha amiga o homem cozinha, faz tudo, disse inclusive que ele é quem faz tudo na casa, falo de limpeza.

-Porra começo a ficar com inveja de vc, bom demais este senhor.

-Todavia não parou só por aí.

-Que mais mulher, que mais diabos você descobriu sobre este homem, ou melhor que mais ele lhe disse para te encantar, te envolver?

- Gosta de viajar, gosta do Alentejo, gosta de gin. Lembras do gin?

-Claro que lembro, enquanto eu bebia vinho ou meu whisky e até imperial, vc estava no gin.

-Pois amiga, cada coisa que tenho conhecimento me reporta a tantos momentos bons, fico achando que ele já está comigo há muito tempo, estamos apenas separados fisicamente agora, mas vivemos juntos há muito tempo, é esta a sensação.

Eu já não sabia o que dizer, a mulher falava emocionada mesmo, ela estava apaixonada sentia isto em cada palavra da mensagem, emoção ia fluindo à proporção que ela reportava toda a conversa.

Mas já eram duas da manhã, e eu precisava dormir, ia trabalhar no dia seguinte, tive de me despedir, aí ela me sai com esta:

Olhe o que este homem me disse hoje quando falei que não estava muito bem, pois tinha havido alguns problemas:

‘ oh amor, então? Não deixes envolver te assim ...SE alguma vantagem há na idade que vai passando, é justamente permitir no olhar com tranquilidade para os dias nas nossas vidas meu tesão maravilhoso”

Pense ai!

Eh com esta dei boa noite e fui dormir achando que estas palavras deveriam ser dirigidas a mimkkkkkkkk  

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Uma Pré-saudade


Ando pelas tuas calçadas. Cada passo uma descoberta, um encanto. Uma pré-saudade. Sim, uma pré-saudade, porque sei que vou tê-la. A percepção de que breve tenho de ir-me me dá a nostalgia da saudade. Consigo me vir sentada em casa, na minha rede tão nordestina, a recordar cada passo desta caminhada que hoje faço. Saudade, palavra boa e ruim. Sentimento dicotômico. Bom: porque se temos saudade, é porque vivenciamos alguma coisa muito boa; ruim: porque não estamos vivenciando o momento, ele passou, e só ficou a lembrança dele.
O tempo avança, não nos deixa quietos e parados na mesma estação, ele passa e nos deixa as marcas, sejam elas de alegrias, sejam de tristezas; ambas não se apagam.: as primeiras viram saudades, as segundas amarguras, lembranças dolorosas que apesar de querermos esquecer, elas se incrustaram no nosso eu e não deixa que as esqueçamos.
Por um lado isto é bom, porque se as esquecemos, n os precavemos para os novos acontecimentos, encontros, e não vamos nos deixar machucar tanto, mas tem o lado ruim, que é o de reviver a dor: entretanto não podemos, simplesmente, apaga-las  da memória, porque apagando-as, também apagaremos os resultados bons das nossas vivências.
Tudo o que passamos de bom e de ruim nos moldam. Se bom, nos faz crescer.  Cada dia um novo aprendizado e a certeza de que a vida é luta: vitória ou derrota. Nem sempre uma e nem sempre a outra. A dicotomia em nossas vidas é constante. As derrotas nos fazem crescer até mais que as vitórias, porque com as derrotas  temos de nos levantar e lutar outra vez para que uma nova vitória chegue, e, quando ela chega, e chega muitas vezes, a gente é que não se dá conta disto, ela traz alegria, felicidade, realização. Efêmeras elas até podem ser, mas que vão deixar saudades, como esta que agora experimento: uma pré saudade que sei, terá lugar para o resto da minha vida, como vem sendo até agora.
Gente, parece que viro poeta, filosofa, escritora, viro de tudo um pouco quando falo do meu querido Portugal e das minhas extraordinárias ruas de Lisboa, estas que me dão tanta pré´saudade quando caminho por elas.
Não procuro por nada em Lisboa, apenas ando pelas suas calçadas portuguesas, com suas pedras brilhante. Sempre acho que vou escorregar pois brilham tanto que parece que tem muita cera nelas. Não é necessário procurar lugar nenhum em Lisboa, porque sempre, para que direção você vá você vai encontrar algo que vai admirar, lhe encantar, lhe encher os olhos.
É um encanto a cidade, uma luz fantástica no verão. Um sol morno no inverno.  Não me importo com o frio, parece que com ele gosto até mais de Portugal, pois adoro andar de botas e cheia de casaco de frio. Kkkkk acho-me linda e elegante com essas roupas. Nada me impede de passear em Lisboa e em Portugal no geral, nem mesmo a chuva aborrecida,  em alguns períodos, me tira da rua e dos meus passeios pela cidade. E olhe que não gosto de guarda chuva, carinhosamente chamado de “chapéu de chuva” pelos portugueses.
Se chove demais, entro em alguma tasca e já e um bom motivo para tomar um vinho. Se o restaurante ou a tasca fica em alguma posição estratégica em Lisboa e dar para ver o Tejo, aí um copo vira vários, uma garrafa, duas: você é quem faz o limite.
Tão bom sentar em algum restaurante,seja em Alcântara, seja em Belém, até mesmo no cais do Sodré e, através dos vidros, ainda que embaçados, ver a Ponte Vinte e cinco de abril, o Cristo redentor do outro lado do Tejo, os navios que passam em direção ao porto ou dele saindo. É realmente para se ter saudade.
Vou ficando por aqui, com a minha pré saudade. Acabo de chegar ao Cais Sodré, onde vou pegar o barco para ir almoçar lá no Restaurante o Farol, de onde posso ver Lisboa inteirinha à minha frente. Sei que vou chorar, mas as lagrimas voltarão ao meu corpo, porque certamente estarei comendo uma ameijoa à bulhão pato, e elas caíram no caldo e eu vou fazer com que elas voltem para mim como alimento, para que eu as guarde e possa chorar de saudades quando retornar ao Brasil  

terça-feira, 4 de novembro de 2014

MEU AMOR LUSO


Mais um sonho realizado!








Experiências vividas, observações, indicações de e sobre Portugal, Uma coletânea que lhe ajudará a descobrir, conhecer e amar este maravilhoso país que é Portugal e o seu grande companheiro, o Tejo. 
O livro é digital e pode ser  adquirido através do site da Cia do e-book, bem como das livrarias cultura, amazon e outras. 


quarta-feira, 9 de abril de 2014

Querido amigo

Praça do Comércio-Lisboa
Já lá se vão quase seis meses que não nos vemos, estou para lá de saudosa, no entanto, já estou fazendo planos de te ver. Logo logo estarei aí com você, e espero que você tenha se guardado um pouco e possa deixar que eu te faça companhia em alguns passeios que quero fazer com você e junto a você. 
Restaurante Farol
Bom, em principio, para que você não fique muito cansado, e fique olhando o seu Tejo amado, que tal um almoço no Restaurante Farol, lá em Cacilhas? Lembra daquele prato de peixe que você tanto aprecia? Eu como o salmão, o polvo, a lula e você come o restante dos outros peixes. Se preferir, a gente come bacalhau a farol, não tem problema nenhum. Ah! Você não quer atravessar o Tejo? Quer ficar por este lado mesmo? Bem então vamos abrir um pouco mão do Tejo e vamos, ou no Seu David (Merendinha do Arco), no Zé da Mouraria, ou ainda, no Baleal, na Rua da Madalena, sei que você vai adorar, como sempre, é a sua vida, é a sua terra, é a sua comida, enfim, é você.
Sim, mas quando chegar, não quero somente sair de dia, quero andar pela noite, sentir frio, o arrepio na pele, mas quero estar junto com você, que é um notívago, eu já sei disto, quem não é, na verdade, sou eu, mas só para te ver junto à sua companheira, que vai estar radiante, toda linda e toda iluminada, ainda com os resquícios do natal, faço qualquer negócio. Podemos ir às Docas, tomar uns drinks no Irish, dançar em alguma discoteca, se preferir uma coisa mais calma, que tal irmos naquele bar-restaurante-boite que inauguraram ali pertinho do Tejo, antes de chegar a Santos?  Se você preferir podemos ir ao Pagode Chinês, ou ficar de bobeira em qualquer dos restaurantes da Porta de Santo Antão, a gente segura só o frio.
Olhe amigo, eu já tô ficando nervosa, contando os momentos, os dias, enfim.
Cascais
Baía de Cascais
Mas se prepare, quero uma maratona mesmo: No dia seguinte, vou poder lhe dispensar um pouco, caso você não queira me acompanhar na viagem de comboio, o que acho difícil, quando chego aí ficamos inseparáveis, porque vou a Cascais de qualquer maneira, mesmo você me dizendo que tá chovendo e fazendo frio. Não me importo: o que quero é ver a Baía de Cascais toda aberta para mim, tempo nublado ou não, posso ficar dentro de algum restaurante olhando a chuva cair através dos vidros, quem sabe vejo alguém, como já aconteceu, mais louco de que eu, nadando naquelas águas? O certo é que vou, passarei em todos os cantos onde costumo passar, até porque, com certeza, terei de ir ao Banco do Brasil tirar dinheiro, e aí aproveito para tomar um vinho se tiver muito frio, caso contrário, tomo um mojito ali sentadinha olhando tantos que, como eu, não se amedontram com o mau tempo.
Vou subir as escadinhas e vou olhar aquela arcada maravilhosa, as escadinhas limpas que levam até aquela praça da Igreja, vou subindo devagarzinho, olhando cada reentrância, porque nunca se pode perder a oportunidade de ver a Baía de Cascais em quadradinhos pequeninos, para depois juntá-los todos e ver tudo se transformar no infinito, que é como ela vai se apresentar quando chegarmos lá no topo e alcançarmos o forte.
Quero te dizer, que se não estiver chovendo muito, porque se tiver com pouca chuva, eu desço mesmo, vou descer aquela ladeira maravilhosa, aquela que tem as palmeiras na lateral e vou ver se desencanto aquele restaurante que fica em frente ao mar; parece brincadeira, tem 7 anos que programo esta visita, desta vez não passa, vou de qualquer maneira.
Pois é, mas vai ficar tarde, e tenho de voltar, mas o dia seguinte é domingo e aí eu vou fazer o que gosto que é andar pelo parque das nações: primeiro vou ao shopping Vasco da Gama, claro que me aborrecerei um pouco, porque vou ver coisas lindas e não vou poder comprar, mas não deixarei de passar por dentro do shopping de maneira alguma. Irei cedo, isto é, lá pelas 12:00 que é para dar tempo de, antes de almoçar no Sr Peixe, dar umas voltas por ali. Tomara que o Cuba Libre tenha reaberto, se isto tiver acontecido tudo vai estar perfeito, do contrário, darei um jeito; lugar para tomar mojito é que não falta.
Depois disso, claro, tenho de voltar à vida normal, o que é muito difícil para mim, porque ter a sua companhia nunca é uma normalidade, é sempre uma coisa excepcional, pois você tem muitas surpresas, a cada hora que você decide se mostrar para mim eu fico mais e mais encantada. Bem, mas dentro da normalidade tenho de ir à faculdade. Quanta saudade! Você pode não acreditar, mas o que sinto falta daquela biblioteca da Faculdade de Direito, você não crê? Agora então, que decidi que vou bisbilhotar Angola e a Justiça ali aplicada, vou ter que passar muito tempo lá, o que adoro. Depois, vou me perder em alguns dos corredores da Faculdade de Letras, outro dia fiquei com uma neura danada achando que não ia conseguir  achar o caminho da saída, já nem sei se volto àquele mesmo lugar, onde tinha o centro de estudos africanos, esconderam tanto o bichinho que quase ninguém o encontrava e se o encontrasse, também não achava o caminho de volta, só cheguei lá porque fui com uma funcionaria.
Depois, quando me cansar, o que não é muito provável, vou aportar na Sociedade de Geografia, para muitos mergulhos na Angola colonial, ah se vou! Este negócio de ser doutora é muito interessante, a gente nunca se satisfaz com o que já fez, quer sempre mais.
Mesmo na normalidade, não vou deixar de descer o parque Eduardo VI, ou VII, não sei bem, também não interessa, nem tampouco a Avenida da Liberdade, sem me cansar de apreciar a nossa bela estação do Rossio, onde vou tomar o trem para Sintra, pois, estou também com saudades daquele lugar.
Marina de Figueira da Foz
Se o dinheiro aparecer, ou melhor, se sobrar algum, juro a você que vou a Guimarães, Bragança e Chaves, deveria ter feito isto quando fui até Viana, mas nunca é tarde. Se não puder, eu vou, mesmo com o tempo feio, retornar à Figueira da Foz, Aveiro porque quero ir até Ilhavo, de preferência no festival do bacalhau, Espinho, e tantos outros lugares, quem sabe, se ficar aí até a Páscoa possa repetir o passeio pelo D`ouro, e desta vez possa  arrumar um “parceiro” daqueles, espero, entretanto, não provar tanto vinho para não correr o risco de  cantar, outra vez, com algum casal de espanhol mais louco de que eu, La luna Y el Toro dentro do comboio, machucando os ouvidos da aristocracia portuguesa.
Lisboa - Tejo
É meu amigo, quanta coisa tenho para contar de você e eu, quanta cumplicidade, quanto companheirismo. Sei que você esta cheio de dificuldades, atolado em dívidas, tratando mal os seus para tentar sair do buraco que este negócio da “união” lhe colocou, bem como outros  parceiros que dela fazem parte, (os mais pobres claro), mas nada disto me faz deixar de gostar de você, de acreditar que você vai sair desta da melhor maneira possível, e vai se mostrar, como sempre foi, lindo e formoso para tantos quantos possam chegar até você, para você se amostrar, começando por  mostrar  a sua querida e enamorada esposa, aquela que realmente abre os braços para quem vem do outro lado do Atlântico, e da qual você tem um grande ciúme, mas não se preocupe que ninguém vai  fazer mal à tão linda criatura, a gente só quer admirá-la, amá-la, ver o seu rival, o Tejo, este sim, poderoso, mas você que também  o acolhe, é maior de que este sentimento mesquinho de rivalidade, de ciúme, porque você é grande e sempre vai sê-lo, ainda que muitos digam o contrário.
Até breve.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Uma dolorosa despedida


São os últimos dias que estará com Portugal e com a sua querida esposa: tem estado triste a percorrer as ruelas e escadas de Lisboa. Continua, depois de oito anos, a descobrir tanta coisa nova, coisas que Portugal esconde muito bem aos olhos famintos dos turistas que procuram conhecê-lo,o que ele quer guardar para si e para os seus. É como se quisesse guardar algumas coisas só para ele, para, juntamente com a sua bela consorte, deleitar-se sem testemunhas.
Está mesmo com a alma doente, ela não se quer ir, mas tem de ir, não tem opções, tudo o que tinha de fazer aqui já está feito, não pode mais prolongar a sua estada. Portugal lhe deu os títulos que ela tanto almejou, mas lhe retirou muita coisa, a exemplo da alegria de retornar a casa. Ela não quer isto, quer ficar aqui, mas  não pode mesmo, não tem quaisquer condições, seja financeira, seja emocional, precisa voltar, ela bem sabe, até porque quer tentar outra vez uma nova vida ao lado de quem pode, ao menos, tentar lhe fazer feliz. 
Tem de retomar a sua vida sem a presença deste amigo. Mas como? Pergunta. Como vai fazer sozinha naquela vastidão que é a sua terra? Com quem vai partilhar as suas emoções?  Com quem se emocionará tanto?  O que irá fazer aos sábados pela manhã, aos domingos à tarde? E na semana? Em que biblioteca, em que centro de saber irá se esconder para crescer? Não, ela não terá mais oportunidades de ir até Cascais ver o mar, ir ao Estoril olhar as pessoas a tomar sol, aproveitando até o último raio possível; enquanto há luz, estão ali estirados ao sol, como se quisessem estocá-lo dentro de si.
Se antes sempre havia uma esperança de retorno, agora, infelizmente, um retorno poderá acontecer, mas jamais ela poderá quedar-se assim, tão perto e por tanto tempo junto do seu grande amigo.
Chora, olha o Rossio, a bela estação se apresenta aos seus olhos, tira foto, não quer nunca se esquecer desta maravilha arquitetônica, olha a Avenida da Liberdade e vê que a sua própria liberdade está fugindo do seu controle, já não pode decidir sozinha a sua vida, tem de esperar pelos outros, não tem mais de onde tirar o vil metal que a faria ficar aqui, vivendo condignamente, morando bem e procurando o saber.
Pensa nisto e olha a “montra” do restaurante “ Beira Gare”; olha as bifanas, os empanados, os”pastéis de bacalhau” os risoles, e tantas outras coisas. Vê as pessoas passarem, turistas, muitos mesmos. Segue o caminho, quer andar em tudo, olhar tudo, ver os detalhes, para não se esquecer de nada. Passa pelo Rossio; o teatro continua ali, imponente. Segue até o Largo de São Domingos, tira foto da Rua das Portas de Santo Antão, lembra: quantas e quantas vezes passou por ali para ir até à Sociedade de Geografia.  Sente uma dorzinha no peito, sabe que dificilmente voltará ali para passar manhãs e tardes procurando nos Boletins Oficiais das Colônias as informações para o seu trabalho. Sente lágrimas escorrendo pela face, quer esconder, mas não consegue, o sentimento é maior que o seu racional.
Olha em volta, o Largo de São Domingos, multicultural como é, está como sempre: bêbados falam sozinhos, discutem consigo próprio o esporte e concluem: "O melhor time do momento é mesmo o Barcelona”, este comentário lhe refaz um pouco, ela sorri e tira mais fotos, muitos negros estão ali; alguns demonstram a sua religião; são muçulmanos. As mulheres estão com as suas vestes típicas. O estampado é realmente bem escolhido, os modelos originalíssimos. Nas cabeças adornadas, mais panos brilhantes e coloridos. É uma festa. Ela tenta se concentrar nestas cores e na alegria que elas transmitem, mas é por pouco tempo, porque a nostalgia, de novo, lhe invade, exatamente pelo fato de que lembra que não mais verá isto.
Resolve andar mais um pouco, entra na rua onde se vende “ouro”, hoje não percebeu ciganos comprando ouro, há muitos negros e indianos, mas não vê ciganos. Pessoas mal cheirosas passam por si, ela hoje nem liga para isto, já não vai mesmo sentir mais estes cheiros, mas há um cheiro mais forte que ela sabe que não vai esquecer, embora saiba que dificilmente sentirá este aroma no Brasil, é o do “carril”, tem indianos que exalam carril do próprio corpo, deve ser de comer tanto com este condimento.
Chega à Praça Martim Moniz. A Praça ganhou beleza, e perdeu os seus habituais visitantes, agora, a praça esta valorizada, e as pessoas  de bem podem frequentá-la.  Acha louvável, mas a tipicidade da praça deixou de existir. Agora a tradicional família portuguesa pode visitá-la sem sustos. Não se sabe o que fizeram com os antigos “habitues” dali: drogados, prostitutas, bêbados.  
Há muitos quiosques na Praça, você pode escolher; petiscos e comidas: africana, brasileira, chinesa, indiana. Há artesanato na Praça,  sempre há música. Na sexta feira, dia 05 de outubro, a Mariza cantou na Praça terminando o show com “Gente da minha terra”, que só ela, mais ninguém, sabe cantar, foi efetivamente lindo.
Isto lhe faz recordar, exatamente, o show na semana anterior em que viu, “grátis
”, Ney Matogrosso em concerto ao ar livre em plena Praça do Comércio em Lisboa.  O cenário não poderia ser mais perfeito: a Praça fica em frente, completamente em frente, ao Tejo, que se fez calado para ouvir o cantor e se preparou para, no dia seguinte, domingo, ouvir e ver a sua encantadora compatriota, a Carminho, e depois Martinho da Vila, dentre outros que por ali passaram também. E ai, pensa ela: onde e como eu farei isto em Salvador da Bahia? De novo sente as lágrimas escorrerem pela sua face, disfarça e tenta enxugá-las por baixo dos óculos escuros com o qual tenta, sem qualquer sucesso, esconder o que lhe vai mesmo ao peito.
O dia seguinte esta lindo, parece que Lisboa não quer que ela vá embora mais triste e não recebe o outono, prolonga a estada do verão de qualquer maneira, está com temperatura de 30 graus e ela decide ir à feira da ladra, é sábado, e, portanto uma bela programação.   Vai ver coisas extraordinárias, adora ir ali. Se tivesse dinheiro e morasse em Portugal, certamente, muitas coisas da sua casa sairiam dali, daquela feira onde se encontra de tudo, do melhor ao pior, do novo ao velho, do antigo a velharias mesmo, do original ao falsificado, enfim.
Passa pela feira, vê relógios, pratarias, pratos que ela particularmente adora, panos indianos, máscaras africanas, fotos, livros, postais, muitas e muitas coisas lindas. Desta vez comprou apenas um elefante pequenino e dois panos indianos, que o homem lhe explica ser um “sári”, ela diz que compra não para usar como roupa, e sim como colcha de cama ou toalha de mesa; os panos são lindos e ela tem de sair apressada da barraca do indiano porque não tem dinheiro e nem espaço para levar estas coisas para o Brasil.
Sai da feira da ladra e entra por ruas nunca antes, por ela, percorridas. E uma nova Lisboa se apresenta nova por ser nunca antes visitada por ela: ruas, ruelas, escadinhas se apresentam, muitas novas Igrejas aparecem em muitos becos em que ela entra e pensa que não conseguirá sair, mas isto é impossível, há sempre uma alternativa.  Anda muito, anda muito mesmo pela Alfama, por seu becos e escadarias; não se perde porque sabe que, em descendo, vai dar sempre no Tejo, o seu guia, o seu companheiro de sempre, que não lhe falta nas horas tristes e de aflição, portanto não se preocupa mesmo, não quer, sequer, saber onde está, sabe que ele vai tá lá embaixo e que algum beco, alguma escadaria, alguma ladeira, vai fazê-la chegar á ele.

Desce tudo, sai em Santa Apolônia, decide que vai a Cascais, anda até o Cais Sodré, quando lá chega lembra que o comboio está em greve, hora de arrumar outra coisa a fazer, recorda, então, de Santa Catarina, e vai até o elevador da Bica. Sobe e pensa em comer um chouriço assado, e é o que faz, toma alguns chopes. Fica ali até mais tarde e resolve voltar, desce em direção ao Chiado, passa pela porta do Consulado Brasileiro na Praça Camões, e continua descendo em direção ao Rossio. É sempre um deleite quando chega à Praça. A vida está ali, a multiculturalidade, tudo enfim, e a sua vida também, só que ali vai ficar um pouco dela, que não retornará junto consigo para a sua terra.

No domingo, como sempre que tem oportunidade faz, vai a "feira do relógio", ela gosta,gosta de tudo, de ver tantas e tantas etnias juntas,  a multiculturalidade resplandece: brasileiros, russos, portugueses, africanos, ciganos, ucranianos,  ali ninguém é estrangeiro, todos comungam um mesmo sentimento e um mesmo objetivo, diversão e comprar  alimentos  mais baratos; roupas, sapatos, perfumes, bolsas de marca, o mundo da falsificação em uma realidade que reina absoluta mostrando a verdade nua e crua. Todos querem ter acesso a uma Lui Vuiton, Prada, Dolce Gabanna, Gucci, etc. Ela não compra, adora ver as "brasileiras" comprando. Vão levar para o Brasil e vão tentar enganar os trouxas, embora ela mesma já tenha  tido  uma encomenda de uma carteira Lui Vuiton, não comprou claro, tem vergonha, sempre achou que se não pode ter a original, certamente, não se falsificará usando uma "falsa".
Novamente ela  volta ao Rossio, é o seu ponto de referência, dali ela vai poder ir para onde quiser sempre, mas não pode ficar o tempo todo na rua e ela tem de voltar à casa.
É inevitável, a emoção toma conta de si e ela caminha lentamente em direção ao táxi, que a levará até Carnaxide, e no táxi, mais uma vez, ela lembra que terá muitas saudades, saudades mesmo, pois em muitos deles ouviu galanteios, não levados a sério mesmo, afinal. . Mas é sempre bom ouvir, embora de maneira não muito elegante, “que você ainda dá umas curvas” e coisas do tipo.
Chega a casa, fica pedindo que a dona da casa não esteja, não é por nada, é porque está mesmo soluçando, e não quer que ela participe desta tristeza.  Chega ao seu quarto e abre à janela, o Tejo está lá, quieto, hoje parece estar triste, não tem ondas, está calmo, fica de lá tentando lhe dar coragem e lhe confortar. Ela agradece, fecha a janela, deita, tenta dormir, afinal, amanhã é outro dia e, quem sabe o seu amigo e a sua esposa lhe façam outra surpresa!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Um resgate histórico cultural


Rua Augusta-Lisboa
Tejo-Lisboa
Mais uma vez ouço pessoas falarem de que vão a Europa, mas não vão passar por Portugal, porque aquele país não tem nada. Falam da França, enchem a boca para falar da Torre Eiffel, dos vinhos franceses, da Notre Dame, do Sena, etc., mas não encontram atrativos em Portugal.
Não entendo mesmo, primeiro porque acho que é quase uma obrigação de brasileiro que tem condição de ir até a Europa,  conhecer Portugal, afinal de contas, queiramos ou não, a nossa história está imbricada com a daquele país, e todos nós, brasileiros, precisamos saber da nossa própria história, talvez, se soubéssemos mesmo da nossa história, não abriríamos a boca para falar com desdém de Portugal.
Eu tive motivos diversos do de ser “brasileira” para conhecer Portugal, ou melhor, a Península Ibérica; meu pai era galego de Pontvedra, Galícia, Espanha, e, portanto, queria entrar na Europa pela Espanha, mas tive de entrar por Lisboa e daí partir para a Espanha, no entanto, no meu roteiro estava Portugal, porque é um país que participou da nossa história, aliás, nós fomos Portugal em determinado tempo, porque como colônia quer éramos, pertencíamos a Portugal, portanto, o nosso território, apesar do Atlântico separando, era território português e nós, portanto, portugueses. Se eles queriam ou não que nos considerássemos assim, não interessa, o fato é que o território português era o de Portugal e suas colônias.
Santa Catarina-Lisboa

Do Brasil já governamos Portugal, ou seja, por um período as coisas se inverteram, e nós sediamos o Reino Português, e todos precisam ter a exata noção do que isto significa.  Fomos a única colônia portuguesa que teve este privilégio. Aliás não foi a toa que  estivemos sempre na vanguarda  de todo as colônias, e não foi  sem causas que alcançamos a nossa independência tão cedo,  isto se lembrarmos que as demais colônias(africanas) só conseguiram as suas respectivas independências na década de 70 do século XX, a grande maioria em 1974.
Se a Corte Portuguesa não tivesse vindo para o Brasil e se aqui não se instalasse a  Monarquia Portuguesa,(1808)talvez a nossa independência também só tivesse acontecido contemporaneamente às demais colônias.
O Rei de Portugal veio com a sua corte para o Brasil, deixou Portugal entregue ao seu próprio destino, com  Napoleão invadindo Lisboa (1807). A decisão de transferir a Corte para o Brasil não derivou, essencialmente, da invasão napoleônica, a decisão fora tomada antes, tendo em vista “a posição central ocupada pelo Brasil no sistema comercial luso-brasileiro”(MAXWELL E NIZZA DA SILVA,1986:382). O rei Dom João VI veio para o Brasil, com toda a sua corte, trazendo consigo, artistas, letrados, doutores.  Segundo (FLEIUSS;1922:64), a comitiva do rei era composta de aproximadamente quinze mil pessoas. O Brasil, portanto, em 1808 perde a sua condição de colônia, para alcançar a de Reino, e em 1816 cria-se o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.
Viseu-Pt.
Chaves-Pt
 Evidentemente que Portugal não fez nada de graça,  eles vieram para o Brasil porque aqui  as coisas  estariam muito melhores para eles, mas não podemos esquecer de um detalhe: a vinda da família real e da corte portuguesa para o Brasil foi um “plus” para a própria economia, para a cultura, para o desenvolvimento, para a liberdade do país, começando com a providência real de decretar a abertura dos portos às nações amigas, sem dúvida alguma o primeiro passo à caminho da independência. Com a chegada da corte, apesar da injusta medida de desabrigar os brasileiros das suas casas para que a corte se instalasse nelas, criou-se o Banco do Brasil, a Biblioteca Nacional, com o acervo trazido pelo rei composto de 4301 obras em 5764 volumes (FLEIUSS; 1922:83), dentre tantas providências.
Lisboa
Lisboa
Assim, todos nós brasileiros devíamos conhecer  o país que nos deu tanto; se nos tirou muito, também nos deu muito. Os centros das nossas cidades mais antigas são pequenas Lisboas; não que Lisboa seja grande, é que nossas cidades cresceram muito e se desconfiguraram, enquanto Lisboa continua  única, com seus sobrados, com suas ruas estreitas, com os seus becos, com as suas escadinhas, com a sua identidade.   Quando chegamos a Alfama no centro de Lisboa, e caminhamos pelos seus becos e ruelas, em muitos trechos nos vemos em São Luiz do Maranhão, em Salvador,  na Lapa no Rio de Janeiro, em Outro Preto, Congonhas, Olinda, a influência de Portugal está em toda parte.
Os fortes: Ah os fortes! Maravilhas da construção portuguesa no nosso país, guardavam a terra contra outros invasores. As nossas igrejas, a exemplo da Igreja de São Francisco em Salvador – Bahia. Há obra mais perfeita  de arquitetura? Quem  idealizou isto e fez isto possível? Quem, de uma maneira ou de outra, usando os nossos índios ou não, utilizando ou não braços escravos, construiu aquedutos, fortes, fortalezas, cidades? Lembrem-se de Olinda, em Pernambuco, do forte de São Marcelo na Baía de Todos os Santos, do forte de Santa Maria, do Montserrat, das fortalezas em Recife, Itamaracá, Reis Magos em Rio Grande do Norte e tantos outros no nordeste brasileiro e em todo o país.
Bom não vou mais falar da influência portuguesa no Brasil, ela é visível e não adianta  ninguém querer apagar esta história, até porque ela é a nossa história; quero falar mesmo é de Portugal hoje. Pequeno!  Sim, é um país pequeno; mas se pensarmos  exatamente nesta pequenez e  lembrarmos o que ele conseguiu fazer em tantas partes do mundo, já conseguimos vislumbrar a sua grandeza. Não estou querendo fazer qualquer apologia de Portugal, mas temos de tirar o chapéu para um país que conseguiu chegar a tantos lugares, Ásia, África, América do Sul e deixar as marcas da sua passagem.
Rossio -Lisboa

Quando vocês chegarem à Lisboa, certamente, todas estas  impressões errôneas cairão por terra,  Ninguém que for a Portugal vai esquecer  Lisboa, onde você pode partilhar cultura com tantos, a cidade é cosmopolita. Há  gente de todos os lugares naquela  capital, seja das antigas colônias, seja  da Europa atual. Cruzamos nas suas ruas com gente de todos os cantos do mundo, bem verdade que  os africanos, indianos, chineses, são mais facilmente identificáveis, os traços físicos os fazem inconfundíveis. Portugal teve colônias em Macau, Timor, Índia, África (Angola, Cabo Verde, São Thomé, Moçambique, Guiné) e seria impossível não encontramos  pessoas destes lugares  instaladas na cidade. Os chineses são  diferentes, porque eles estão em todos os lugares do mundo, parecem onipresentes, tudo igual, mesmo cabelo, mesma cara, mesmo olho puxado, enfim.
Nos transportes podemos ver pessoas falando diversos idiomas, ficamos  com cara de besta vendo tantos falarem tantas línguas diferentes.  Vamos ficar encantados quando um motorista de ônibus, um atendente que trabalha no guichê de passagens, um garçom, muitos outros profissionais, falarem francês, inglês, espanhol, alguns até mesmo alemão. É bem verdade que não são todos, mas você vai se surpreender mesmo com a quantidade.
Há preconceitos? Há sim, mas o que nós queremos? Afinal aquele país  nos perdeu, e ninguém pode ficar satisfeito perdendo  um país como o nosso, ficaram um tanto complexados, mas isto não  obscurece a grandeza de Portugal .
Badajoz-Es
Ruína romana-templo de Diana-Évora-Pt
Passear pelo interior de Portugal, encontrar ruínas romanas, ver a influência árabe, deambular pelas suas cidades, pelas suas praias, é sensacional. Temos muito que ver naquele país.As pessoas que  dizem que não tem interesse em conhecer Portugal que preferem a França, a Inglaterra,  vão mesmo ficar boquiabertos.
Ir até o Alentejo, visitar o templo romano dedicado a Diana em Évora, ver as Igrejas seculares,a Sé de Évora foi  iniciada em 1186, os castelos medievais, as muralhas, os grandes mosteiros,  andar pelas ruinhas e praças, ver  a Unversidade,(1559) dali ir a Elvas, atravessar para a Espanha, alcançar Badajoz é sensacional.  De todas as direções que tomar, saindo de Lisboa, você vai alcançar a Espanha, é a fronteira natural do país, só com ele é que Portugal tem fronteiras na Europa, por isso mesmo  os portugueses avançaram para o mar. Se seguir para o sul vai atravessar todo o Alentejo e ter várias opções de entrar na Espanha,  você  vai conhecer  o Algarve, vai ver a influência árabe em Portugal, vai alcançar  Vila de Santo Antonio e daí entrar na Espanha por Ayamonte, tudo  isto margeado pelo Guadiana, rio que  separa, em diversas localidades, a Espanha de Portugal, a exemplo de Elvas, que de um lado é  Portugal e do outro lado Espanha. Todavia, antes de chegar a este ponto, você já passou por Setubal, pela rota dos vinhos, Pela Prainha, e pode também ter acesso a belas praias do Alentejo,  a exemplo de  Lagoa de Melides,  Vila Nova de Milfontes, Zambujeira do Mar,  e muitas outras; você pode ainda no Alentejo alcançar o Algarve visitar Vila Moura, Portimão, Albufeira, Olhão, Tavira, Faro pode ir a Sagres, Lagos, e tantos outros lugares, tudo isto antes de adentrar à Espanha.
Praia de Nazaré-Pt.
Canais-Aveiro-Pt.
Se você prefer ir pelo norte vai ver  Nazaré, Fátima, Figueira da Foz, Coimbra, esta última  você não pode perder mesmo,  a influência  acadêmica de Coimbra no nosso país é reconhecida, principalmente  na área jurídica. Os nossos grandes estudaram lá.  Aveiro, Porto, Gaia, Vila do Conde, Póvoa do Varzim, Valença e vai alcançar a Galícia.
Se preferir outro roteiro, você vai para  Espinho,  Braga, Viana do Castelo, pode esticar mais um pouco e vai entrar em Trás os Montes e vai  conhecer Guimarães, antes porém vai passar em Vila Real,  e segue para alcançar Chaves, que fica  a poucos Km de Verin também na Galícia.
Ponte de Lima-Pt.
Igreja de Nossa Senhora do Sameiro Viana  do Castelo-Pt
Olhe o que estou lhe dizendo, você vai se surpreender a cada momento.  Em Ponte de Lima você vai se sentir no medievo, vai  a qualquer  momento achar que uma batalha entre  tropas  vai acontecer, de tão real que é aquela cidade.  Em Braga, quando chegar ao centro da cidade, na parte antiga, por um segundo você vai se sentir numa cidade medieval, grandes construções,  cidade cercada, inúmeras igrejas.    
Por tudo isto, por ser brasileiro, pela cultura, pela história, vá a Portugal, tenho certeza que não se arrependerá e ajudará a que ninguém mais diga que  aquele país não esta dentro do seu roteiro de viagem a  Europa, não repita mais isto e nem deixe que ninguém o faça, pois quando você fala que Portugal não presta,não oferece atrativos para o turismo, você está dando um grande atestado do seu desconhecimento, seja cultural, seja histórico. Vá lá com o espírito aberto, desfaça-se de qualquer preconceito e qualquer pré-conceito. Viva Portugal, conheça Portugal. Tenho certeza que você jamais esquecerá deste pequenino grande país.

Baía de Cascais-Pt.

Bibliografia
MAXWELL, Kenneth, NIZZA DA SILVA, Maria Beatriz,  “A Política”.  Nova História da Expansão Portuguesa, O Império Luso-Brasileiro, 1750-1822, (direc). Joel Serrão e A.H. Oliveira, Marques, Vol. VIII, (coord). de Maria Beatriz Nizza da Silva, Lisboa, Editorial Estampa, 1986.     

FLEIUSS, Max. Historia Administrativa do Brasil, 2ª.ed. São Paulo, Cia Melhoramentos de São Paulo, 1922.










         

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Vá a Lisboa


Vá a Lisboa! Chegue á noite e de navio, entre pela porta da frente, pelo Tejo, verá que é inesquecível, mas se não puder ir de navio, não se preocupe, chegue de avião, mas vá. De avião já terá uma noção do que vai encontrar em termos de recursos humanos em Portugal, as gentis hospedeiras! (assim são chamadas as aerovelhas da TAP),mas o quadro, felizmente, está em renovação.
Se chegar de navio, veja, do Tejo, Lisboa inteira, sorridente, com as suas luzes. Identifique os lugares, os monumentos. Convença-se que é rio, não é mar as aguas onde, no momento, navega. Veja de perto a ponte 25 de Abril, você vai passar por baixo dela, da pequena réplica da Golden Gate, isso mesmo, aquela lá de São Francisco, Califórnia. Olhe para o lado direito, e veja, mais uma réplica, bem menor, do Cristo Redentor, o nosso do Rio de Janeiro. Continue olhando e, se for baiano, perceba a semelhança com a nossa Salvador, pois verá uma cidade alta e uma baixa. Lisboa é cheia de ladeiras, altos e baixos, sabendo de logo que as semelhanças não param por aí, isto no aspecto físico da cidade.
Olhe mais! Se encante. Veja as docas com os seus bares e movimento noturno, espero que chegue mesmo a noite. O Cais do Sodré, o Terminal de comboios, o Terminal de Barcos, O Mercado da Ribeira, tudo muito bem iluminado. Deixe o olhar alcançar o que quiser, pois tudo será maravilhoso, não há nada feio em Lisboa quando ela é vista do Tejo.
Se, mesmo à noite, o seu navio chegar cedo e você puder sair, caminhe pelas docas, veja a variedade de estilos dos bares e dos restaurantes. Lisboa agrada a todos os gostos. Entre no Havana ou no Hawai, dance, dance muita salsa, música espanhola é o que não falta, sem esquecer da nossa música, que é tocada em todos os lugares.
Não se assuste se ouvir Bruno e Marrone e nem por ouvir o nosso sotaque em todos os momentos: Lisboa está infestada de brasileiros; turistas ou não, você vai se surpreender a todo momento, seja em bares, seja na rua, seja em restaurantes, etc. etc. Há brasileiros e brasileiras para todos os gostos, até para o dos portugueses, os mais velhos adoram ter uma companhia brasileira: as senhoras para não viverem sozinhas nos seus últimos dias, os senhores para que tenham uma empregada de cama e mesa em troca de um abrigo e comida e, em alguns casos, da cidadania português, e mais ainda, alguns são capazes de ostentar a virilidade, pense aí!
Espere para o dia seguinte, há muito mais coisa. Acorde e veja, outra vez, Lisboa do Tejo, agora em pleno dia, que espero esteja radiante. 
Deixe o navio ou o hotel, lógico que depois de tomar o pequeno almoço, é assim que eles chamam o café da manhã: Se possível, vá a pé até a Praça do Comércio. Chegue lá, fique de costas para o Tejo, não por muito tempo, ele não vai gostar, porque, narciso como é, não vai entender este desprezo, mas é necessário, para que você veja toda esta praça com os seus arcos e com o maior deles, o que dá acesso à Rua Augusta. Atravesse-o, ande pela rua, absorva-a, alcance o Rossio. Veja o Teatro Dona Maria e observe o movimento. Chegue até o teatro, esqueça a sujeira, não veja estas coisas, não olhe os mendigos, que ainda podem estar dormindo na esplanada do teatro, vire à direita, beba uma ginja, uma bebida alicorada típica de Portugal. Tome esta bebida, custa apenas 1 euro, e quando o empregado perguntar com ou sem, diga com, porque assim você pode ver e sentir o fruto dentro do copo. Beba vagarosamente olhando o movimento deste largo, que se chama São Domingos. Preste atenção, veja a África presente em Lisboa. Se surpreenda com os negros e negras vestidos a rigor, com as suas roupas coloridas e típicas. Se por perto estiver algum português poderá sentir o desprezo que eles têm por estes negros, aos quais, desdenhosamente, chamam de “os pretos”. Se tiver sorte ouvirá uma velha portuguesa dizer que “esses pretos” tem mais direitos de que os portugueses, dão-lhes casa, dão-lhes comida, emprego, não se lhes podem maltratar, enfim, todo o ódio e rancor da ainda “raça” ariana, que não admite a perda das colónias, incluindo aí o nosso querido Brasil, que hoje exporta para Portugal, prostitutas, marginais, desocupados, amantes que se apossam dos “maridos” portugueses, o que é tema de reportagem televisiva e de queixa policial, e olhe só, aos cuidados da policia judiciária, uma das divisões da força publica em Portugal, que parece ter mais policia de que gente, GNR, Guarda metropolitana, forças armadas em geral, etc., além de outras autoridades que agem como se policia fossem, os senhores fiscais dos transportes. Se tiver num dia feliz pode encontrar, numa mesma viagem, três ou quatro patrulhas a lhe pedir o bilhete, cuidado! Eles são autoridades mesmo, andam em gang, nunca entra um sozinho, só de três em diante, e ficam muitos felizes de aplicarem coimas (multas). Todos tem a mesma resposta, isto é proibido por lei, vá reclamar no local adequado.

Você continua em Lisboa, mas por um momento esquecerá disto, caso não tenha portugueses por perto, porque os negros das mais diversas etnias, estão falando uma língua que não entende, nem poderia. Os dialetos são variados, como variadas são as origens: Cabo Verde, Guiné, Angola, Moçambique, São Tomé, a tudo isto acrescente os “chinocas”, estão por todos os lados de Lisboa, e não só, mas em quase todo Portugal. Tem mais ainda: Os ciganos, você os reconhecerá, não se assuste, eles não fazem mal até o momento em que você não faça nada que eles não gostem, nem caia na bobagem de ofender um membro do clã: o clã inteiro vai lhe pegar, se sair vivo, o que se dúvida, poderá contar a estória. Fique atento e veja se entra numa das diversas lojinhas que vendem ouro, usado ou não. Observe se não há algum casal de cigano dentro dela: não é vendendo, é comprando mesmo. Eles andam com dinheiro vivo na mão e, se tiver sorte, poderá ver a negociação entre o vendedor e o cigano pagador. Possivelmente a mulher terá escolhido um bracelete, bem largo e bem pesado, o maior brilho possível, custa a bagatela de 5.000,00 euros, que serão pagos à vista, talvez, com a negociação, possa sair por 4.000,00 euros. O preço na verdade não é o importante, o importante é que será pago em dinheiro vivo, transportado no bolso do cigano. Inacreditável, mas é assim mesmo.
Saia da loja, siga em frente e alcance a Praça da Figueira, tome o eléctrico, para nós, um bondinho. É todo amarelo, alguns são vermelhos. Entre nele, é o de nº 12, e vá até o castelo de São Jorge.
Chegou! Acabe de subir a pé para o Castelo. Perto das muralhas, ainda fora do castelo, veja que primor de banheiro público para homens, fica num cantinho do lado direito, com o sugestivo nome de “urinol”. Se tiver coragem e vontade, e se for homem, mije mesmo, só terá esta oportunidade. Acabou! Continue a subir e entre no Castelo, é pago, mas não deixe de entrar. Agora olhe o Tejo e Lisboa lá de cima, fique surpreso com tanta beleza. O Tejo vai te olhar também, ele sempre olha para quem o admira. De soslaio, para que ele não perceba e não fique chateado, olhe Lisboa de cima: nunca mais esquecerá esta visão.
Olhe tudo, fixe-se em cada detalhe, nos telhados, nas escadarias, nas ruelas. Nos nomes das ruas e becos. Depois de olhar bem, desça vagarosamente pelos becos, pare nas tascas (pequenos bares) tome uma imperial e aproveite para comer um pastel de bacalhau, que não é pastel, é o nosso conhecido bolinho de bacalhau. Se tiver com muita fome, coma um prego, mas se a fome poder esperar, deixe para comer este prego no Rossio. Se não gostar de prego, pão com carne de vaca, coma uma bifana, pão com carne de porco; coma mesmo, é bom. Olhe a estação, admire o monumento, entre nela, veja o que eles conseguiram fazer.
Se tiver com dinheiro suba a avenida da Liberdade, escolha o lado direito de quem sobe, vai encontrar as marcas Dolce Gabana, Luis Vouiton, Trussard, Armani, Tous, dentre muitas outras, pois em Lisboa também tem tudo isto. Antes porém, olhe para a Rua depois do Correio, veja o Ateneu, olhe o prédio que fica do lado esquerdo desta rua, olhe a fachada. Aqui tem Hard Rock e tá na moda, é incrível não é?
Suba a rua toda e dê de cara com o Marques de Pombal. Olhe o monumento, veja o que ele sugere. É isso mesmo, é para demonstrar o poder desse homem, que continua guardando a sua preciosa cidade, mas não lhe de muita atenção e siga em frente, cuidado com a rotunda! Eles são loucos dirigindo, atravesse no sinal e vá até o parque. Respire fundo e suba tudo. Agora vire-se e olhe para a sua frente: Viu? Uma maravilha, mais Tejo e mais Lisboa.
Não pare por aí, se estiver cansado demais desça, vagarosamente, o parque. Lá em baixo pegue o metro, linha azul e saia na estação do Chiado, ali você pode ver o Fernando Pessoa te esperando para um café, na espalanda da “Brasileira”.
Se ainda tiver pique vá subindo, passe pela frente do Consulado Brasileiro e siga em frente, vai chegar em um lugar chamado Santa Catarina, entre nas ruas, olhe bem as ruas e os eléctricos que transitam por ali. Grave o nº 28, você vai precisar tomar este bondinho se estiver em Lisboa no sábado e quiser ir à feira da ladra. Quando encontrar o Alto de Santa Catarina, pare: deslumbre-se! Veja o seu navio ancorado lá do alto, aviste o outro lado do Tejo.
Ainda é cedo, mas se gostar de dançar música de salão e for uma terça, quinta ou sexta-feira, desça a rua e vá para o Mercado da Ribeira. Você vai se divertir. Aí vai encontrar o que os portugueses chamam de baile. Bom mesmo é aos sábados e domingos, mas como você, possivelmente, não estará aí nestes dias, aproveite e entre logo: mulheres pagam 2.00 euros e homens 3,00. Não tome susto, é assim mesmo, a meia e a terceira idade também se divertem e o fazem pela tarde, os bailes começam as 3 ou 4 e acabam as 7.00 ou 8.00. Se não quiser dançar, apenas sente-se e divirta-se. Olhe os tipos, olhe as roupas, olhe as louras, aqui como em todo o lugar do mundo, penso eu, depois dos 35 todas as mulheres são louras. Aprenda a viver, pois ai está uma lição de vida, embora a “society” portuguesa não recomende a ninguém tais bailes.
Não olhe para os homens directamente, eles vão te chamar para dançar, embora, cortesmente, aceitem um não, mas não é bom. Não dê muita colher de chá aos portugueses, eles sempre pensam que as mulheres sozinhas que vão a estes bailes estão caçando, o que não é uma grande mentira, mas tudo comporta exceção. Preste atenção nas senhoras portuguesas, olhe bem as bijouterias, ou até mesmo as jóias, elas ainda tentam mostrar as posses ostentando as suas preciosidades, muitas, visivelmente, falsas. Se for homem, cuidado! As senhoras atacam com o olhar sem qualquer pudor, algumas, mais afoitas, vão mesmo no vamos ver.
Por hoje volte ao barco e descanse, amanhã terá um dia agitado e corrido, afinal só terá três dias em Lisboa e deve, nesse dia, conhecer muita coisa. Se não estiver esgotado, saia do navio ou do hotel à noite, vá ao Jardim da Estrela e entre no Pavilhão Chinês, que de chinês não tem nada. Não deixe de ir. O Bar é mesmo sensacional. Pena que tudo agora no Bairro Alto encerre às 2.00 da madrugada, mas aí, se quiser esticar mesmo, você desce até as docas e dança, querendo, até de manha. Pode escolher a vontade.
Se tiver coragem, e só mesmo para conhecer, entre em algum bar das ruas interiores do Cais Sodré, lembrará das nossas boites dos anos 70, mas não permaneça muito tempo, o suficiente para conhecer, ouvir duas ou três músicas, que também remontam aos anos 70/80, tome duas imperiais, caríssimas por sinal nestes lugares, e saia, caso contrário, se for mulher, alguém vai te perguntar qual o preço: É melhor, pois, não abusar. Se for homem alguém te pedirá para pagar um copo e, de copo em copo, pode até copular. Não é recomendável, entretanto. Se for mesmo retado (a), vá ver um show de streap, vai se divertir a valer: normalmente, uma brasileira, feia, gorda, com as ancas celuliticas, vai tirar a roupa e vai se esfregar naquela vara, que toda a streap que se presa tem como auxiliar para as poses sensuais. É hilariante! Bata palmas e não deixe que a “artista” perceba que esta a rir dela.
Cansou, vá dormir. Amanhã é outro dia, dia de comer e de ir ao outro lado, em Cacilhas, almoçar lá. Se gosta de marisco e peixe, vai adorar. Pense em comer bem e olhar Lisboa, mais uma vez, do outro lado do Tejo. Simplesmente deslumbrante!
Almoce bem e volte. Agora pegue o metro no Cais Sodré, onde o barco vai te deixar. A linha é a verde sentido Telheiras. Saia na Alameda, faça a conexão com a linha vermelha, siga até a estação oriente, não se preocupe, não vai se perder, é a estação terminal. Você vai sair no terminal e entrará, querendo, diretamente no shopping Vasco da Gama. Digo-lhe que é melhor subir as escadas e sair na rua onde poderá ver a maravilha da arquitetura, seja do shopping, do terminal misto (comboio, metro, ônibus) e ficará mesmo extasiado.
Entre no shopping Vasco da Gama e sinta-se no navio, a ideia é esta. Olhe os detalhes, saia pela porta afora para não gastar dinheiro e ter tempo de ver mais. Veja tudo no detalhe, não deixe nada passar desapercebido. Não vá ao aquário, seu tempo é curto, mas se for imprescindível, jamais esquecerá do local.
Siga em frente e, de novo, dê de cara com o Tejo, olhe para o lado direito e veja todo o colosso que é a Ponte Vasco da Gama. Passeie pelo Parque, admire a arquitetura. Tome, se lhe apetecer, o teleférico, caso contrário, ande margeando o Tejo e passe pela ponte de madeira, encontre o Cuba Libre. Descanse um pouco, e se o Zé estiver lá, o Zé é inconfundível, é um cabo verdiano que está sempre de boné, não há outro ali, peça um Mojito (limão, hortelã, rum e agua mineral), dizem que era a bebida preferida de Heminghway em Cuba. Curta a bebida e o visual, vale a pena.
Já sei que você não quer sair daí, mas é preciso, afinal está em Lisboa e precisa ver o fado. Hoje a noite é um dia bom para tal, mas não vá em casas de espetáculos, vá onde os portugueses vão escutar fado e onde as pessoas podem cantá-lo em momentos permitidos. Mas escute a dor do fado, os portugueses sabem cantar muito bem a dor. Vá ao Jardim do Poço do Bispo, ou em tascas em Alfama.
Ainda é cedo, não vá nem para o hotel e nem para o navio agora. Vá para as docas de novo, aconselho, o bar dos ingleses, (Irish) tome um drink, fique a vontade, e, mais uma vez, observe. Vai ver uma galinhagem mais estilosa, mas galinhagem do mesmo jeito. Inglesas, francesas, gaulesas, enfim as nacionalidades fazendo uma bonita estoria de união, enfim, todas se oferecendo, muitas já bem bêbadas. Sem problemas, em Portugal podemos beber livremente.
Deixo você descansar agora, porque amanhã é dia de comer bacalhau e tomar vinho, deixe para o último dia isto que é para ir embora com os sabores, deliciando-se. É melhor que faça isto no almoço. Se ficar no centro de Lisboa, não tenha medo, em qualquer tasca pode pedir este bacalhau. Se preferir sair do centro, vá de novo ao Parque das Nações e na passarela dos restaurantes escolha o que tem o nome Sabores do Atlântico: peça uma couvada de bacalhau, você nunca mais vai esquecer, não vou nem dizer como é; tira a surpresa e antecipa-se a degustação e eu jamais faria isto com você. Se tiver ainda com dinheiro para gastar peça um bom vinho alentejano, tem de ser alentejano. O preço realmente faz a diferença, portanto não dá para recomendar os baratos. Fique atento ás letras no rotulo VQPRD (vinho de qualidade produzido em região demarcada. Se tiver com pouco dinheiro, não tema, tome o Monte Velho, ou então o EA, pode arriscar o Periquita, vá em frente, não se acanhe. Se o dinheiro tiver sobrando experimente um Cartuxa, quanto mais velho melhor ou ainda um 100Reys. Agradeça a Deus estar aí e sinta-se um felizardo. Muito poucos fazem o que você fez até agora.
Poucos sentirão Lisboa como você acabou de fazê-lo, porque agora, depois da couvada, e depois de um digestivo, tome mesmo, a comida é pesada. Ah! Ia esquecendo, se estiver em companhia de mais 2 pessoas, peça somente uma couvada, você vai ver que dá e, talvez, até sobre, talvez mesmo.
Fique uma meia hora sentado olhando o Tejo, veja a paz e pergunte-se porque o português é tão mal humorado, não deveria, pois quem tem o Tejo tinha de ser feliz vinte e quatro horas. O Tejo, tal qual o mar da nossa Salvador, traz paz, escuta-nos, consola-nos.
Se não tem medo de perder dinheiro, ainda que pouco, não deixe de ir ao Casino de Lisboa, abre as três da tarde, mas não fique muito tempo, aquilo é uma tentação. Vá as máquinas do diamante, se tiver sorte, vai tirar os diamantes da cor rosa, 1500 euros, dá para uma boa farra. Não tente muito, constate que as máquinas são cruéis e vão te dando esperança até tirar o seu último vintém, mas vale a pena, se tudo for a titulo de brincadeira.
Pronto! Agora escolha o que quiser fazer, qualquer coisa lhe fará bem. Tome um táxi e volte ao centro, cuidado com o taxista, ele vai lhe perguntar de onde é, se tá a passear, o que faz, vai falar de Pedro Alvares Cabral, das conquistas portuguesas, do tempo que passou na guerra da África, eles são ufanistas, embora taxistas, pedreiros, encanadores, etc. São curiosos como todo bom português. Saia no Rossio e, se quiser aproveitar porque está em Lisboa, entre numa livraria, vá a um sebo, a uma loja de antiguidades.
Tem muito mais coisas, mas não dá para quem só vai passar três dias. Se ficasse mais tempo, você ainda poderia ir à feira de Carcavelos, onde a ciganada vende tudo, Luis Vouiton, Tous, Dolce Gabana, Lacoste, etc, etc. É a festa da luso cultura, aí encontramos: africanos, brasileiros e portugueses, porque eles vão mesmo. As senhoras portuguesas, que embora não admitam frequentam estas feiras e compram as falsificações como todo e qualquer vivente. No sábado, pela manhã, outra feira, a da ladra, olhe bem o nome. Se vende de tudo, de tampa de vaso sanitário quebrada até relógios finos de parede, antiguidade mesmo, livros, discos, pratos, tudo exposto no chão, ao ar livre. No domingo, outro encontro com a lusofonia, você poderia ir à feira das Galinheiras, ou então à feira do relógio: mais falsificações, mais africanos, mais ciganos, mais brasileiros, mais ucranianos, russos, etc., etc.
Também poderia ir a um jogo de footbal, com sorte, poderia ver Sporting do Paulo Bento e o Benfica, mas cuidado! Fique neutro, eles realmente são adeptos dos seus respectivos clubes, não discuta com eles, ouça-os apenas. Deixem eles falarem de Cristiano Ronaldo, o melhor, embora todos nos saibamos quem sempre foi e quem sempre será o melhor jogador do mundo, mas eles só tiveram isto uma vez, agora, portanto… Se tivesse mais tempo aconselharia a tomar uma aula de jornalismo na televisão portuguesa, recomendaria assistir uma entrevista de algum entrevistador português com algum especialista em qualquer área: a pessoa é convidada e não tem chance de falar, porque o jornalista sabe mais de que ele e termina todas as suas explicações, isto é, quando lhe dá alguma oportunidade de se expressar. Um tiro no saco! Eles pensam que estão a fazer um grande jornalismo.
Seria bom, também, ver um pouco e aprender, como é ser politico e fazer política em Portugal, assistir um debate no parlamento é ter munição para muitos programas do Feio, é este mesmo o nome do humorista, e dos gatos fedorentos. Ver o Sócrates sofismar é maravilhoso. Assistir um ministro mostrar chifres para os deputados, é hilariante. Ver o séquito da Manuela Ferreira Leite é fenomenal; Aqui os políticos andam de turma, nunca se está só, mas isto parece ser universal. É bom saber, porque um deputado diz literalmente, que o parlamento não é, embora pareça, “o cabaré das coxas”!
Enfim, venha a Lisboa e viva Lisboa, lembrando que Portugal não é só Lisboa e que em muitos dos recantos portugueses há um rio, que pode não ser tão lindo e importante com o Tejo, mas como disse Fernando Pessoa, “[…] mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia”.