quinta-feira, 14 de agosto de 2014

SONHOS! Eles se realizam

Era uma vez uma menina de olhos cor de mel, cabelos castanhos claros que também terminavam na cor mel, nariz fino, com profundas olheiras, que chamavam atenção. Suas olheiras fundas contrastavam com a doce pureza do seu olhar, um olhar penetrante, que sempre soube expressar o que lhe vinha na alma.
Teve uma infância, até os sete anos, normal. Bonita que era, sempre foi paparicada, reverenciada até, protegida por muitos que lhe admiravam a beleza, a vivacidade, a pureza misturada com uma rebeldia, que em si, realmente, era nata.
A menina bonita cresceu, passou algumas dificuldades, nada que não fosse transpassado, seja por força da própria vida, seja pela intervenção de outrem, seja pelo seu próprio destino, o fato é que a menina ultrapassou as adversidades, aliás, continua a ultrapassá-las, bem ou mal,  e segue adiante.
Mas a menina não poupou os seus sonhos, nos seus piores momentos, nunca, mas nunca mesmo deixou de sonhar.
Numa determinada época da vida  sonhou em ser aeromoça, mas, quando foi candidatar-se ao cargo, não
  pode inscrever-se, porque era menor, e  a companhia à época, a VARIG, não permitiu; somente o faria se os pais autorizassem. Ela tinha a consciência plena de que os pais não o fariam, e, portanto, nem  cogitou esta possibilidade: a de pedir aos pais esta autorização, embora lha deram para casar. Coisas  da vida que o ser humano faz e que não condiz com atos outros. Todavia, esta primeira derrota não a desanimou, ela queria conhecer o mundo, queria viajar. Sempre gostou de história e achava que se fosse em lugares que apareciam nos seus livros, centros  d poder do passado, ela viveria  a história de uma maneira diferente. Seguiu sempre com este pensamento, fez direito, mas o sonho das viagens continuou, embora interrompido pelas responsabilidades que assumiu com a maternidade.
Viajou pelo Brasil em algumas oportunidades, mas ela queria sempre mais. Os seus sonhos foram crescendo à medida que o seu poder aquisitivo melhorava. Nunca sonhou com o impossível, talvez por isso mesmo, um a um, os sonhos foram se tornando realidade.
Entretanto, um dos seus grandes sonhos estava se afastando dela. Sonhou com ele aos trinta, aos quarenta, aos cinquenta, e, acreditem vocês, somente o realizou aos sessenta, mas nunca é tarde, e por isso mesmo, ele foi realizando de uma maneira intensa.
Pois é, a menina  esteve em Veneza e na Grécia,  dois destinos, dois sonhos acalentados durante muito tempo, e o que parecia quase impossível, na companhia de quem queria estar. Realizaria o sonho de qualquer maneira, sozinha ou não, mas tinha a certeza que o faria, e fez, em grande estilo, ao menos para ela.
Viajou de navio, embora não aconselhe a ninguém tal meio, mas foi assim que foi. Chegou a Veneza sozinha puxando a sua mala pelos becos e pontes, alcançou o hotel e, de imediato, voltou para viver a sua primeira história. Sim, ela chorou a, meio sem direção, alcançar a Praça  São Marcos e ver o seus livros de história ali reproduzidos  ao vivo e a cores. Chorou, as lágrimas escorriam  sem que ela pudesse controlá-las. As páginas dos livros pareciam  passar pela sua frente, as letrinhas  pareciam setas a lhe mostrar os caminhos que devia seguir. Sim Veneza estava à sua frente, de imediato pos-se a andar  diretamente para o grande canal, queria olhar aquilo tudo  da direção contrária, e foi o que fez. Extasiada viu as gôndolas  nos seus devidos estacionamentos, tudo lhe parecia realmente um sonho. Queria molhar o pé naquela água, queria sentir aquilo tudo de perto, não teve coragem, o cheiro da água lhe impediu de molhar qualquer parte do corpo, mas nem este cheiro lhe tirou o encantamento.
A Praça estava completamente cheia de gente, o que impedia que tudo ali fosse visto como deveria ser, não conseguia, sequer, tirar boas foto, as cabeças e a quantidade de máquinas   competindo  não lhe faziam bem. Resolveu entrar no Palácio.  Parava diante de tudo, das pinturas, das esculturas, dos tapetes, dos mármores. Em momentos ficava imaginando como seria a vida dentro daquele local.

A Ponte dos Suspiros ali  e ela passando, e junto com ela toda uma história de dor e sofrimento, porque os presos ali sofreram muito, mas ela seguiu em frente e conseguiu tirar bela fotos através das frestas.
Saiu dali, andou a não mais poder por Veneza, um sonho, caro, mas um sonho realizado, e com a perspectiva de mais um, este aconteceria nos próximos dias.
Sim, ela teve um belo aniversário. Os seus sessenta anos, afinal, foram comemorados na Grécia.

Depois de tantas tentativas frustradas, aos trinta, aos quarenta e aos cinquenta, agora, como sexagenária, ele deixou de ser sonho, para ser uma realidade; portanto, não deixem de sonhar, pode ser que demore um pouco, mas se o seu sonho for possível, com certeza, ele será realizado.