quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Saudades de Lisboa

Estou com uma saudade imensa de Lisboa, e não só dela, de Portugal como um todo. O ano vai-se embora e, depois de dez anos, este é o primeiro em que não vou a Portugal, que já está muito diferente desde a última vez que lá estive, em outubro de 2013.
A revitalização do Cais do Sodré, ou melhor, daquela região, deve estar mesmo extraordinária. Vi ontem, entretanto, na SIC Internacional, uma reportagem mostrando exatamente as consequências desta revitalização, e lembrei-me de uma coisa interessantíssima: quando eu estava  em Lisboa e ia, fizesse sol ou chuva, aos Bailes da Ribeira, que não incomodava ninguém, pelo menos ao meu sentir,  estes bailes foram suspensos algumas vezes porque  um Juiz assim determinou atendendo pedidos de moradores.
Nunca entendi  a suspensão, nunca vi a liminar do juiz, e nem sei se isto existiu mesmo, sei é que, por um tempo, aquilo lá foi suspenso e a desculpa era esta.  Olhe que os bailes  começavam, nos dias de semana, às 16:00 terminando àss  19:00 e aos finais de semana, se bem me lembro, das 15:00 as 20:00. A música ao vivo  tinha a  altura suficiente para as pessoas dançarem, mas nada que ultrapassasse qualquer limite, mas havia queixa e pronto, decidiram fechar.
Cansei de sair daqueles bailes sozinha, andar por todo o quarteirão   onde ficava o mercado, passar pela rua onde hoje  está hoje a magnifica praia do Tejo, sem  ter qualquer  problema, nunca fui importunada,  a não ser por alguns que  queriam algum começo de prosa, como eles diziam, um  “engate”, que nunca funcionou, pois não ia aos bailes e nem andava pelas ruas para isto.
Pois é, ontem vi na SIC  a reportagem  sobre o novo Cais do Sodré. Agora, nas ruas de dentro onde funcionavam, não sei se ainda funcionam,  bares  de encontros(prostituição) há muitos novos estabelecimentos, muitos bares e restaurantes, embora a festa seja mesmo na rua, bem à maneira lisboeta de  diversão.
Os jovens  preferem a rua, bebem nas ruas,  brincam nas ruas, enfim, o Cais do Sodré virou um outro bairro alto, só que com uma diferença:  ali a noite se prolonga mesmo até pela manhã, segundo a reportagem, e aí é que  vem o problema.  Segundo o jornal,  os assaltos que estão acontecendo  neste horário, tendo, inclusive um representante da Câmara de Lisboa  dito, na entrevista, que  a Câmara vai pensar em uma maneira de evitar estes assaltos, pasmem com o que: não é com um aumento do policiamento no local, e sim com a diminuição no horário de funcionamento  dos bares, que vão ser obrigados a fechar, nos dias de semana, as 02.00 e nos finais de semana, as 03:00.  Eu não sei bem qual é a lógica, mas  vai ser assim. Certamente os assaltantes  não gostam de acordar tão cedo, isto é, se é que eles dormem e aguardam que dê 04.30  para começarem a aparecer  no Cais do Sodré, para o prazeiroso trabalho de tirar as coisas do alheio (assalto às vítimas) que, na sua grande maioria, já estão mais ou menos alcoolizadas e diminuem os seus reflexos, o que favorece aos assaltantes. Não percebo a idéia, mas se o representante da Câmara diz que isto pode resolver, vá lá.
Ao lado desta queixa, muitos moradores locais  deram entrevistas  reclamando da mudança que aconteceu naquele espaço com esta revalorização. Agora já não se tem sossego na área, já não se dorme direito. Teve um senhor que disse que  vai embora para a “terra”, que vai sair daquele inferno.
Um outro, bem mais jovem,  disse que está louco para  que chegue o inverno para que  ele possa ter a felicidade de dormir  tranquilo, chegando em casa na sexta feira após o trabalho e ficar  tranquilo.
Pois é, coisas acontecendo em Lisboa e eu aqui,  vendo noticias  pela televisão; mas uma coisa me consola, quando eu lá retornar, todas estas coisas estarão resolvidas.  Não sei se terminando as  03:00, 05:00, não interessa mesmo, o fato é que  estarei lá  no  Cais do Sodré, seja  para sentar em um dos bares, seja para  tomar um copo em cada um deles, seja para comer um chouriço um pouco mais fora da rota, seja para  pegar um barco e ir para a Cacilhas, seja para pegar o trem para ir a Cascais, seja para ir dançar no Privado, seja para, simplesmente, olhar o Tejo, Infelizmente  os bailes da Ribeira acabaram, mas espero que, em um desses novos estabelecimentos que apareceram  lá no Mercado da Ribeira e nas  antigas ruas  da prostituição, tenha espaço para uma dancinha, ainda que não seja um passo doble, mas que dobre o meu passo.