quinta-feira, 8 de abril de 2010

Passarela na praia

Vocês já viram a maquete do que estão pretendendo fazer em Arembepe. Louvável iniciativa, mas algumas considerações têm de ser feitas.
Passarelas! Elas são muito importantes, quando necessárias, como é o caso da que existe na entrada de Arembepe, que liga os dois lados da estrada e que serve para que o pessoal do Corre Nu, embora não correndo nu, atravessem de um lado para outro, evitando acidentes e preservando a integridade física deles. Pronto! Esta passarela diz a que veio, tem a sua utilidade. Agora, como justificar a edificação de uma passarela na praia? Para que uma passarela na praia? Qual a intenção de quem a idealizou?
Será que quem fez o projeto não gosta de Arembepe? Pois só mesmo um ser que odeia tudo, o universo inclusive, teria uma idéia desta. Passarela na frente da praia, no local onde se pode sentar, comer, beber, viver Arembepe. Quem idealizou isto não conhece, sequer, Arembepe; Se conheceu, nunca esteve no Mar Aberto, em Coló, Isqueiro, Tubarão, Vú, Neuza. Aliás, deve ser um mal humorado, detesta as coisas maravilhosas que Deus e a natureza proporcionam. Pense aí! você que conhece qualquer destes restaurantes que citei, estar sentado numa das mesas , aquelas disputadas e que ficam em frente, literalmente, do mundo, ter uma passarela á sua frente, lhe empatando de sonhar, de ver o mundo pela porta aberta de Arembepe. Só um desalmado, idealizaria este projeto, porque só uma pessoa com a “aura” negra, não é capaz de ver que o universo está à sua frente; que, estando em qualquer destes lugares, você está no mundo, você descortina o universo e a vida que deve e pode ser vivida nele.
Quem vem a praia de Arembepe, certamente, não quer que uma passarela impeça a sua visão do horizonte, que lhe retire o sol que vai acariciar e bronzear a sua pele, que faça sombra na praia, que sirva de banheiro público para os mal educados, de local de reunião para praticas escusas, covil para toxicômanos e marginais.Não se deve dar incentivo tamanho ao que não presta.
Não acredito que este projeto tenha futuro, mas as utopias são realizáveis, e, por isso mesmo, uma atitude deve ser tomada, alguém tem de demonstrar a insatisfação, diante da temeridade desta esdrúxula passarela, que impede sonhos, que estratifica a vida, que apaga o universo que se mostra em maiúsculas à Arembepe, que se descortina na janela do Mar Aberto, nas vidraças da Coló, nas varandas do Tubarão, na lateral despretensiosa da Igreja, da vista de Vú e do Bar da Neuza.
Tenho certeza que tudo isto não passa de sonho, pesadelo para nós, utopia para os administradores de “caserna”, espero que nunca realizável. Por que não se preocupam em fazer uma rede de esgoto que impeça as fossas de transbordarem e escoarem para o meio da rua, como acontece com a rua da Gloria e em tantas outras do vilarejo? Por que não se preocupar em colocar um posto do Banco do Brasil que serve a tantos, mas que não existe em Arembepe? Por que não inaugurar mais escolas? Por que não melhorar o serviço de fornecimento de água? Por que não criar uma lavanderia pública? Por que não criar postos de empregos para os jovens de Arembepe? Enfim, por que não se preocupar mais com o social e deixar a praia em paz, aliás, o único lugar em que o social não tem fronteiras, porque ela é de todos. Tenho certeza de quem vem a Arembepe, quem é de Arembepe, quem está em Arembepe, quer andar na praia, sentir o calor da areia sem ter de vencer quaisquer obstáculos.
Loucos de todos os gêneros uni-vos. Não deixem que Arembepe perca o que mais chama atenção dos que aqui vem. Não deixem que coloquem cortinas na nossa janela e nos impeçam de ver a vida, os sonhos, o universo, que não pode ser ofuscado, seja por gente, seja por passarelas. Não precisamos delas na praia, passarelas de praia não dizem a que vieram, são passarelas que ligam nada a lugar nenhum e impedem que um tudo, que leva a tudo, deixe de ser visto, amado, e faça as pessoas se amarem mais, acreditarem que tudo é possível, que Deus existe, porque só um ser superior poderia ter criado AREMBEPE.