sexta-feira, 23 de abril de 2010

Ca-tu-ama

Sei que a maioria das pessoas não conhece Catuama, também não poderiam, não devem ter amigos como tive há algum tempo atrás, que me obsequiaram com a graça de conhecer um pouco do paraíso.
Sempre que ia naquele lugar eu dizia para eles: “Gostava de trazer aqui todas as pessoas que amo, nominava-os até, em cada lembrança”. E é isso mesmo, ainda quero que, mesmo os amigos que já não o são, tivessem a mesma oportunidade que tive.
Bom, mas primeiramente, antes de conhecer Catuama, você tem de conhecer o Imperador – O Grande – sim, porque ele é que lhe vai proporcionar a entrada no paraíso. Se você for sozinho a Catuama, talvez não reconheça o Éden que está diante de você.
Assim, conhecendo o Imperador – O Grande – você, inevitavelmente, vai conhecer a sua família, aliás, tenho de tirar o chapéu para o sentido de família que aquele homem tem. Todas as mulheres do mundo deveriam ter um Grande, na sua vida, seja como “pai”, como “filho”, como “marido”, como “irmão”, talvez até como “amante”. Nada posso afirmar sobre esta última condição, mas quanto as primeiras eu garanto: ele é o grande mesmo, com os defeitos normais do ser humano, mas um homem grande e um grande homem.
Mas não quero falar do Grande e sim de Catuama. Para chegar lá, você tem opções: Pode ir de ônibus, de carro particular, de barco, alguns chegam de helicóptero, como o do “Nassau”, aliás, chegada triunfal, o Príncipe e todo o seu séquito chegando.
Eu, patrocinada pelo Grande, já cheguei tanto de carro quanto de barco, quero dizer “lancha”.De lancha é inesquecível. Primeiro que você já pega a lancha na marina e já vai entrando no clima de êxtase. Você começa a navegar por um rio, passa por um canal em Marinha Farinha, que não nego não velho:, é extraordinário! Pense você ter uma casa com um deck para o rio que é só seu. Você tá em casa e pode pegar o seu barco no quintal da casa, sei lá se quintal, se frente da casa, não interessa, o que interessa é que Deus deve ter lhe privilegiado para você ter esta benção. Sempre pelo rio, você vai cada vez se aproximando do paraíso, tudo isto regado a um bom whisky e com a prazerosa companhia do “Grande”, e não só a dele.
Você passa por mangazeais, muitos lugarejos, dos quais não lembro o nome agora, e Catuama começa a se descortinar para você, mas ainda é muito pouco.
Quando você chega pelo mar, você vê casas nas encostas, mas as das encostas não interessam, interessantes são as que ficam na praia, como é o caso da do meu, um dia, Grande amigo. Do barco você olha para a casa e pensa que é um clube, embora a casa principal conserve a sua arquitetura antiga de uma simples casa de beira-mar. A lancha para quase em frente a casa, e você tem de sair com água, se a maré tiver enchido, até, ao menos, na cintura. Não dá para incomodar, porque a excitação é mais forte. Logo de cara você também vai ver algumas lanchas ancoradas, alguns jets espalhados e uma casa grande e moderna cheia de homens em pontos estratégicos: São as seguranças da realeza, afinal, príncipe, ainda que holandês, tem de ter segurança mesmo. Fixe esta imagem, você vai ouvir muitas histórias sobre os donos e vai, mesmo sem conhecê-los, participar da vida deles enquanto estiver hospedado na casa do “Grande”.
Você alcança a praia, passa pelos sargaços, que em nada tiram a beleza do local, e entra na casa do seu hospedeiro. A Rainha, que pode ou não ter vindo com você na lancha, já vai ter ordenado tudo. O drink de boas vindas está pronto, os tira- gostos, os quartos já especificados. Fique na varanda e olhe o mar, olhe bem, pois ele tem várias tonalidades, você certamente nunca viu nada igual, porque, simplesmente, aquele espaço ali é único.
Fique inebriado e agradeça e peça a Deus por aqueles que te proporcionam isto. Se integre no momento, não se envolva com mais nada, apenas seja você e o lugar, Sinta-o, absorva-o se integre e se entregue. Não seja, entretanto, mal educado, porque as pessoas estarão ali e você tem de lhes dar atenção.
Com as bagagens acomodadas, com tudo organizado e no lugar, você vem e vai ficar no bar da piscina, onde você poderá escolher o que vai beber comer, etc. A família estará sempre pronta para satisfazer os seus desejos, você não sentirá falta de absolutamente nada. O Rossi vai estar no ambiente e você, mesmo que não goste, o que não é o meu caso, vai adorar ouvi-lo ali naquele espaço abençoado por Deus. O Rossi é apenas um dos muitos que vai ouvir :Adilson Ramos, Roberto Carlos, Charles Aznavour, este último sempre problemático para a anfitriã, que entretanto, discreta, não vai deixar de ouvir.
Já está anoitecendo, mas você esta ali firme e forte, o mar ganha outra tonalidade, a linha do horizonte já não se distingue. A noite chega e você ver os pontos bordados que os barcos ancorados desenham no mar, que está calmo, como sempre, dificilmente ele se altera, aliás, não há motivos para tal, ele simplesmente, como bom anfitrião que é, quer te agradar.
Em determinado momento você vai jantar, na lateral da casa, em uma grande varanda, com uma mesa enorme, daquelas de fazenda, você vai saborear os quitutes da casa. Você come mesmo que não tenha vontade, a beleza da mesa é convidativa, a comida cheira, o ambiente te agrada. Enfim coma e participe da festa que é estar na casa do “Grande”, ele está feliz, você vê no seu olhar, nos gestos, na grandeza. A Rainha, à sua maneira também está, mas ela é discreta e guarda os seus sentimentos para si, é um enigma. Você precisa se acostumar muito com o jeito dela para poder descobrir o que lhe passa pela alma. Gosto dela ainda assim, aprendi a respeitá-la e admirá-la. Um gigante quando a conversa é o “Grande” seus filhos e agora “os netos”, quando me afastei, por conta da própria família, só existia um.
Após o jantar tome café e “licores”, os melhores claro, não há poupanças para o “Grande” não ha mesquinhez na sua grandeza. Fique ali, ele, se tiver em “águas”, vai dormir e vai deixar a sua casa e a sua família entregue aos amigos, cuide bem de todos, não seja “filha da puta” com quem te abre as portas da casa e do coração.
Quando não agüentar mais vá dormir. No dia seguinte, prepara-se, o seu coração pode não agüentar. Veja o dia amanhecendo em Catuama, veja as nuances da água, se quiser, vá andar um pouco pela praia, você pode seguir em duas direções: Fonte da Pedra, ou o outro lado, aconselho a primeira, é menos acidentada. Passe pela casa do “Príncipe Nassau”, veja os preparativos para um dia no mar. Siga, de preferência com o seu anfitrião, ele anda cedo. Passe pela casa dos amigos dele. O mar bate a porta de todas, é qualquer coisa de fantástico. Nesta hora você não terá contato com eles, mas tenha a certeza que, até o final do dia, já estará entrosado com todos.
Vá e volte. Na volta, você já vai tomar o seu primeiro e efetivo banho de mar. Dependendo da maré, você já vai sentir outro clima na casa. Chegue e a mesa do café já esta preparada ou em preparação. Não é hotel, tenha certeza.
Se a maré tiver baixa, aí minha senhora, você vai ter de se apressar, pois o melhor esta mesmo por vir. Tome o café e arrume-se para ir ao mar. Não se preocupe com nada que não diga respeito ao seu próprio corpo e ao seu eu, tudo será organizado. O “atento que estiver na hora” ou seja, o marinheiro do barco se responsabilizará por tudo. Você só vai entrar. Enquanto isto, olhe para o lado esquerdo: também na casa do príncipe as coisas estão se organizando. Uns 5 jets já estão alinhados. Os três ou mais barcos já estão ancorados mais próximos.
Esta na hora, vocês irão para o barco agora e o Grande vai lhes proporcionar mesmo um dia no paraíso. As “croas” (bancos de areia) já começam a aparecer, vocês têm de se apressar. Todos a bordo e o barco começa a se movimentar. Para a direita para uma visão geral do espaço. Esqueça um pouco da vista panorâmica, que é linda mesmo, mas olhe para a água. Do barco você vai ver o fundo do mar, ali não é fundo, é raso o suficiente para isto acontecer, não se engane, entretanto, pois a limpidez da água pode lhe surpreender.
As nuances do verde vão se sucedendo, eu choro, sou chorona mesmo, você faça o mesmo se tiver vontade. Agradeça, mais uma vez a Deus, a oportunidade que ele tá te dando, e peça também a ele para proteger aquela família, já fiz isto muitas vezes, mas nunca é demais.
Primeira “croa”, lá quase em frente a casa de “tidinho”. Saia do barco tome um belo banho, fique ali meio na água, meio na areia, sem nada fazer, apenas goze as delicias do momento. Deixe a água te acariciar. Você vai passar uma hora ou mais aí. Ainda é cedo para beber, mas se quiser,não faça cerimônia, a lancha está bem equipada. Uma hora ou mais, já estamos lá pelas 11 ou 12, entre no barco e vamos para outra “croa”, esta, bem maior. Saia do barco, não tenha medo, pode pular, deixa água te acariciar.Fique ali sem fazer nada mesmo, nem pense em você, não é preciso, alguém já o fez por si. Deus e o “Grande”. Não relaxe tanto igual a uma amiga minha que, ao ver tanta grandeza e beleza teve um “input” que foi expressado em alto e bom som: “Por favor me tragam o Richard Gere”, realmente, o local merecia, mas ela tava querendo demais, quanto pior que o “marido” estava presente”. Brincadeiras a parte, realmente um Richard Gere seria o supra sumo, embora eu prefira o “Deep”, até pela própria profundidade do momento, mas acho que o Gere não aguentaria o tranco, budista como é, está em outra dimensão, e a que eu, no caso, ou a minha amiga, queríamos, seria a terrena, bem terrena, talvez enterrando.
Você vai ficar muitas horas aí.Vai beber, vai comer, vai brincar, vai andar, vai saber da vida de alguns que não sabe quem são, vai falar de problemas; Pense aí! É tão bom que você se esquece que nem todos que ali estão fazem parte do seu cotidiano e da sua estória, mas você vai se sentir tão a vontade que fará confidências, dará opinião na vida dos outros, enfim, fará uma terapia grupal. Você, em algum momento, olhe os olhos das pessoas que lhe circundam, você saberá que elas, tanto quanto você, estão felizes, felizes mesmo, um pouco incrédulas talvez, ou invejosas, algumas, não todos, porque não se pode ter inveja de alguém que te proporciona tanto bem.
Bêbados e felizes, sem querer sair dali, observe que a maré está subindo, é hora de retirada. A volta é um pouco mágica dado o estado etílico de todos. Mais uma vez olhe a casa do “Grande”, se deslumbre mais uma vez, perceba porque pensam que a casa é um clube.
Você vai almoçar, na mesma varanda onde tomou o café da manhã, a comida pode variar, mas você vai ficar na varanda em frente a piscina esperando o almoço, agora sim é que é coisa: mais Rossi, mais Julio Iglesias, mas álcool. Dance, se divirta, faça o que quiser, você vai estar entre amigos.
Após o almoço você vai ficar sonolento, também já estará anoitecendo, descanse um pouco na varanda e nas redes. O “Grande” já vai tá mesmo escornado, não ligue, ele confia em vocês, portanto, não se preocupe e deixe ele dormir em paz.
No outro dia, a maré deve ter mudado e você vai ter tempo de, antes mesmo do café da manhã, logo após a andada na praia, voltar para casa e, depois de tomar um banho, entrar em um dos carros que também vai estar a sua disposição. Vire à esquerda e siga em frente subindo a ladeira, você não vai acreditar, vai dar numa pracinha que tem uma igreja e um bar, onde você vai comer uma bela de uma fritada. De um lado desta praça você vê o mar, do outro lado, você vê o rio. Deslumbre-se! Isto realmente existe. Olhe para o “Grande” se ele estiver por perto, e agradeça a ele e peça a Deus que continue lhe dando muito para que ele possa, outra vez, te proporcionar tudo isto, dividir com você.
Tem muito mais, mas vou deixar para outra oportunidade, por enquanto saiba que a única inveja que tenho de tudo é: Queria eu ter um barco com o meu nome, não precisa o I,II e III, apenas um já era suficiente, também não precisa ser igual àquele onde esta escrito cá tu amas, um menor serviria, apenas queria que uma frase fosse colocada “ aqui tu amas”, para quebrar a distância sugerida pelo cá. Aqui tu amas estaria mais próximo, do amor em si,de Catuama e, com certeza, de Deus.
Obrigada “Grande”. Obrigada “Rainha” Vocês devem dizer no dia da despedida. Sejam felizes e iluminados, cada dia mais, por Deus.
Em 22 de março de 2010.