sábado, 9 de maio de 2020

O Supremo defeituoso: manco e careca -


A Constituição elenca no seu art.102 a função primordial do Supremo Tribunal Federal “ A guarda da Constituição Federal”. Lendo o artigo e comparando com o que o Tribunal faz hoje, através dos seus ministros, dá uma vergonha danada. Tenho vontade de ir embora deste país e nunca mais voltar, porque a decepção  é tão grande que penso ser melhor me afastar daqui e não ter o dissabor de ver uma derrocada tão grande da democracia.
Cada um dos que compõem aquele corte, querendo ser melhor de que os seus pares e de que todos, se julgam os grandes juristas do Brasil, quando existem muitos outros melhores que eles. Não nego a qualidade de alguns, mas, a grande maioria deslumbrada com o poder, escolhidos devidos as suas filiações político partidárias, por favorecimentos políticos, pensam que podem continuar fazendo política dentro de uma corte que tem como prioridade a salvaguarda da constituição, dos direitos do cidadão.
A última decisão do Senhor Alexandre de Moraes, e do homem que eu respeitava e agora passo a não mais respeitar que é o Celso de Melo, arrepia todo o conhecimento jurídico deste país. Então um Presidente da República, eleito em pleito legal por mais de 52% da população, não pode nomear um Diretor da Polícia Federal?  Onde é que nós estamos? E quando foi ingerência na própria polícia federal a nomeação do Diretor Geral? Então todos os demais presidentes anteriores ao Bolsonaro, que tinham a obrigação legal de nomear este Diretor, porque esta função lhe pertence, faz parte de uma das suas obrigações e prerrogativas, queriam interferir na polícia federal? Que raciocínio é este.? Então o Presidente não pode  nomear um delegado federal, que passou por uma sabatina diante do congresso, para exercer o cargo na ABIN, portanto demonstrando toda a sua capacidade, qualificação e eficiência para ser Diretor Geral da PF não pode ser o Diretor Geral da Policia Federal, porque tem aproximação com o presidente da República, aproximação esta derivada exatamente  do exercício das suas funções?  Que quer o senhor Ministro? Ele está esquecido que foi indicado para o cargo foi feita por um Presidente que, segundo alguns,  não posso afirmar pois não tenho dados suficientes, informações fidedignas, porque neste país também não podemos s confiar na impressa, porque ela também é político partidária, não tem isenção alguma para a informação, recebeu  propina  o tempo inteiro, antes de ser presidente e  durante toda a sua vida política.  Mesmo como como Presidente da República também, vide o rumoroso caso dos homens das boiadas. Onde estava o senhor Ministro da Justiça, então cargo ocupado pelo Senhor Alexandre de Moraes, indicado exclusivamente através da política para Ministro do Supremo, disputando  em desigualdade de condição com um homem honesto, probo, de uma capacidade jurídica ímpar, aliás, geneticamente  adquirida e desenvolvida com toda a prodigalidade que aquele senhor demonstrou por toda a sua vida, mas que sucumbiu diante  da politicagem, que permitiu que este senhor, que se diz constitucionalista, escritor de livros que  dizem, plagiados, não sei porque não vou perder meu tempo lendo livros de Alexandre de Moraes, enquanto posso ler os grandes  autores deste país. Um homem que, para rechear o seu curriculum não  hesitou em se dizer doutor e pós doutor sem o ser! E é este mesmo homem que, Inacreditavelmente, impede a posse do Ramagem porque há indícios de que o Presidente vai interferir na Polícia Federal, dado a proximidade daquele com este.  Que argumento é este Ministro? Que fundamento jurídico é este? O senhor não está aí para isto, para vaticinar nada, o senhor está aí é para proteger os direitos constitucionais assegurados aos cidadãos brasileiros?  Então o senhor esquece de um dos grandes pilares da nossa da nossa República Federativa do Brasil, da harmonia entre os poderes, da proibição constitucional da interferência de um no outro, da harmonia que deve existir entre os três, mas com a preservação da independência de cada um? Art 2º da Constituição Federal? São poderes da União independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.   Então os senhores iam achar legal que o Chefe do Executivo interferisse em algum momento na escolha da chefia do Judiciário, processo aliás, que acho erradíssimo, bem como a composição da própria corte, que deveria ser formada por magistrados de carreira togados,  eleitos pelos seus próprios pares para comporem a Corte Excelsa, já não tão excelso assim,   Que é isto senhor   constitucionalista Alexandre?
E o decano tinha que encerrar a sua carreira com uma pérola desta:  Determinar a condução coercitiva dos ministros do Executivo e a apresentação do vídeo da reunião ministerial?  O Que é isto senhor Ministro, tudo isto por causa de uma pseudo acusação de outro decepcionante “juiz” que resolveu achar que   o presidente queria interferir na Polícia Federal, tão somente por que queria indicar o Diretor Geral? Onde nós estamos? O Presidente da República, e só ele, competência dele de acordo com a Constituição Federal Art. 84, pode nomear os Ministros de Estado, pode exonerá-los até, aliás, compete a ele nomear até os senhores Ministros dos Tribunais Superiores, não pode nomear um Diretor da Polícia Federal, porque isto significa interferência! Onde é que estamos Ministro! Onde é que estamos  Ministro? O senhor poderia sair desta Corte sem esta, sempre  achei que o senhor era um homem sensato, um  jurista, um homem de grande conhecimento, mas o senhor acaba de  perder o respeito não só meu, aliás o senhor está pouco interessado nisto eu bem sei, quem sou eu para que o senhor considere a minha opinião, mas não sou só o meu pensamento é de milhares de brasileiros(advogados incluídos) que não percebem  como isto pode ser possível.  E estas reuniões Ministeriais por que teriam de ser divulgadas? São reuniões que interessam  ao governo, faz parte dele, o que ali se discute pode, inclusive, salvaguardar a segurança nacional: porque deveria ser divulgado? Porque o Senhor que deixou o Ministério acha que na reunião ministerial há prova de que o Presidente queria interferir na Policia Federal indicando tal ou tal pessoa?
Oh Ministro tenha paciência! Espero que a vossa idade seja a responsável por isso. Só para lembrar, o cargo de diretor da Polícia é um cargo de confiança, portanto, de acordo com o Art. 37 V da Constituição da República Federativa do Brasil, o Presidente da República tem competência para nomear sim, escolher o nome. E olhe que ele escolheu uma pessoa com um belo curriculum e com apoio de seus pares dentro da própria polícia federal, onde o mesmo é Delegado de carreira, portanto concursado, e não indicado como a grande maioria dos senhores que estão ai no STF.  
  O que os senhores pretendem com isto?  Qual a tão grande insatisfação que o Senhor Presidente da República causou a todos vocês para que se fique procurando um motivo (imbecil e banal) para tirar o homem da Presidência. Acabou com a propina? Com os conchavos políticos para as indicações dos ministérios e dos cargos dos escalões mais altos? Colocou diretores eficientes que estão fazendo as empresas de economia mista, a exemplo da Petrobrás, sairem de um prejuízo enorme, para dar lucros? 
Então alguns roubam, outros querem nomear indiciados para tentar lhe dar foro privilegiado e, por estes motivos não são afastados, mas um homem que, até então, demonstra honestidade vai ser impitimado por querer nomear o Diretor Geral da Polícia Federal. E por querer indicar um superintendente desta mesma polícia?  Tenham vergonha senhores, tenham vergonha, não exponham assim nosso país, a nossa corte suprema não pode se dar ao luxo de desmoralizar um país inteiro, de dar motivos para que brasileiros, fora daqui, sejam debochados por este motivo. Envergonho-me, envergonho-me sim, mais ainda, de ver o atual presidente desta corte, outro indicado politicamente para ser Ministro do Supremo, um homem sem qualquer notoriedade, a não ser, ser “amigo do amigo de meu pai”, não fazer absolutamente nada,  porque ele poderia sim, mas está  inerte porque comprometido com mais dois outros  infelizes, para não dizer outras palavras e não ser alvo de inquérito e ser processada e chegar mesmo a sofrer pena e ir para a cadeia, porque dinheiro eu não tenho para pagar indenização, então, de alguma maneira o supremo  dando interpretação que quer a lei, poderia mandar me prender por ofender os senhores ministros, aliás, o que o senhor Alexandre de Moraes está pretendendo fazer  com aqueles que falam dele e de ouros ministros nas redes sociais,  calar os brasileiros, impedir a liberdade até de pensamento?
O Art. 5º da Constituição Federal no seu Inciso IV assegura  a livre manifestação do pensamento sendo vedado o anonimato, Vejam bem: o Sr Alexandre de Moraes quer proibir que se faça criticas aos senhores ministros, como se eles não errassem, como se eles fossem deuses e não devessem satisfação a  ninguém. Devem sim, devem satisfação ao povo brasileiro, pois a corte só existe porque nós, brasileiros, feliz ou infelizmente, através dos nossos representantes, assim o quisemos e assim o queremos: esquecem eles que, Art. 1º  Parágrafo Único da CF -todo o poder emana do povo, que o exerce por meio dos representantes eleitos ou diretamente  nos termos desta Constituição.
Triste, triste mesmo, e gostaria que todos que tivessem acesso, lessem o comentário do Dr. Yves Granda  a respeito de toda esta baboseira que vem sendo feita pelo Judiciário.
 Eu expresso sentimento e o mínimo de conhecimento jurídico, mas ele expressa saber, eu posso falar o que muitas pessoas gostariam, mas ele fala o que milhares de brasileiros deveriam falar e saber por que estão falando.
Infelizmente sei que vou receber inúmeras críticas, não importo, melhor ser criticada de que ficar omissa diante de tantos absurdos.       

terça-feira, 28 de abril de 2020

O tiro saiu pela culatra - Uma análise amadora

Eu nunca vi uma porra de uma estratégia  dar tão errado; Vejamos bem: A China, que sem qualquer escrúpulo permitiu que o  Corona vírus se espalhasse pelo mundo, porque deixou que os seus nacionais viajassem para todas as partes do mundo já  contaminados pelo vírus, fazendo com que ele se espalhasse, embora tenha tido o cuidado de fechar as portas, para os seus próprios nacionais, em algumas cidades chinesas, a exemplo de Pequim e Xangai, que, ao menos na mídia, não indicam  qualquer tipo de contaminação,  viu o seu tiro sair pela culatra.
Com a expansão da epidemia, que passou a pandemia, a China nos alertou que não podemos depender deles; nos indicaram que temos de procurar ser auto suficientes e não precisar de ninguém quando se trata de produtos hospitalares de primeira necessidade..Eles alertaram a todos que não adianta explorar a mão de obra barata deles, porque na hora do vamos ver, eles estão lenhando com todo o mundo, incluindo-se ai os americanos que abriram mão de fábricas dentro do seu território para se instalarem na China, para explorar esta mão de obra barata, o que lhe reduz u custo de produção em muitos milhares de dólares.  Aliás, neste particular da China está lenhando com todo mundo agora; eu acho ótimo, porque o mundo capitalista dos grandes empresários não vê nada além de lucro, o que passa por esta exploração de mão de obra, seja na China, seja na Indi, seja em outros países asiáticos ou não,a, embora com total conivência desses países.
Os chineses  abriram os olhos do mundo para este  momento em que o petróleo já não é mais, e nem será mais nunca daqui para frente, a maior fonte de riqueza dos países produtores, porque eles estão bem na frente de todos na geração de outras formas de energia, e olhe que eles já estão experimentando-as há muito tempo . Vamos ver, aliás, já estamos vendo, o preço do barril do petróleo caindo pelas tabelas, pipocando bolsas de todo o mundo, fazendo tremer os Emirados, acabando de uma vez com a Venezuela e prejudicando sensivelmente os Estados Unidos, e nós mesmos os brasileiros, que no momento perguntamos: Para que porra o pré- sal agora? O que vamos fazer com ele?
Eles nos mostraram a nossa fragilidade diante de tudo, entretanto, sem o querer e sem o saber, eles nos mostraram que, se nos voltarmos para nós mesmos,   seremos grandes e fortes; o Brasil, por exemplo, é um país imenso e o que temos dar para nos sustentarmos em termos de alimentação, e não só neste viés; Somos auto suficientes em muitas coisa, portanto o tiro do chinês saiu pela culatra, pois ninguém come produto eletrônico, roupas e produtos hospitalares, muito menos máscaras. Os de Pequim e Xangai, estranhamente e inexplicavelmente, não alcançados pelo vírus, terão o seu dia. Todos eles vão pagar bem caro, um preço altíssimo pelo erro estratégico.  Eles precisam comer, e se não lhe mandarmos comida eles vão morrer a fome. Estaremos, o mundo inteiro, talvez solidários, o que não acredito, porque quando esta pandemia passar, ou tiver nos seus últimos dias, esta onda de solidariedade  perceptível hoje, não funcionará mais, e vamos ter de  recomeçar, e cada um vai querer recuperar o tempo perdido não importando o que deverá ser feito, se em prejuízo do outro ou não, mas, em uma coisa estaremos juntos: vendo a derrocada  do país que pode ter tudo, mas, depende de comida para alimentar  suas bocas, que, com  fome podem, até mexo, fazer com os seus líderes caiam, vão descobrir o quanto são exploradas, enfim, vão ter motivos para  fazer uma grande revolução, todavia, ao custo de muitas e muitas vidas.     
Nós sobreviveremos descobrindo muitas coisas, melhorando em muitas, mas em muitas mesmo. Vamos, apesar de tudo, acreditar mais no ser humano e na sua capacidade de solidariedade e de sacrifícios, cresceremos todos porque isto é inevitável. Evidentemente que teremos muitas mudanças em termos de comercio e políticas internacionais e internas, e, apesar de tudo mesmo, teremos de agradecer à China a oportunidade que  nos deu de  reedescobrirmo-nos, de reenventarmo-nos de humanizarmo-nos mais um pouco. 

sábado, 7 de março de 2020

Um engôdo endossado pela CEF


Comprei um apartamento em 2011. Um apartamento pequeno, com dois quartos, sala cozinha, enfim, um imóvel habitável. O imóvel  está situada em Buraquinho, Lauro de Freitas, muito próximo à Vilas do Atlântico, onde, todos sabem, há uma infraestrutura, existindo clínicas de todas as especialidades,  lojas, restaurantes, shoppings, bairro com completa vida própria, e esta foi a razão maior de escolher tal lugar, pois não queria estar  em Salvador, mas também não queria ficar longe de algum centro urbano  que me de segurança, pois  estou chegando a uma idade em que vou precisar, e muito, de todas as facilidades bem próximas a mim, sem ter que me deslocar a grandes distâncias.
Pois bem, o imóvel era para ser entregue em dezembro daquele ano, 2011, o que não ocorreu, passou a data de entrega para junho de 012, o que também não ocorreu. Obedecendo à cláusula contratual, no    mês de junho de 2012 deveria  o  comprador    pagar a totalidade do imóvel, seja diretamente ao construtor, seja através de financiamento, o que fiz, escolhendo como  financeira a Caixa Econômica Federa, não só porque  sou correntista, o que já facilitaria as coisas, mas, como também, porque a Caixa era a financiadora da própria obra, pois estava na placa do empreendimento, - OBRA FINANCIADA PELA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL., e ainda porque  a própria construtora recomendava que, preferencialmente,  o financiamento deveria  ser solicitado à Caixa. 
Financiamento solicitado, tudo aprovado, começo eu a pagar o tal financiamento, mesmo sem a entrega do imóvel, que a esta altura estava prometido para dezembro de 2012.
Findou-se 2012 e o imóvel não foi entregue, nem o foi em 2013, 2014, 2015, enfim, até hoje, março de 2020, há exatos oito da data prevista para a entrega.
Em 2014, escaldada da espera, ajuizei uma ação contra a Construtora e contra a financiadora do imóvel, que apresentaram defesas que, de início, deveriam ser rechaçadas pelo judiciário, uma vez que a construtora alega que o atraso se justifica  por causas  independentes dela, por força de causas naturais(chuvas) e de  greves ocorridas  no período (construção civil), enquanto a Caixa, além de  alegar que a Requerente,  no caso eu, estava inadimplente (não pagando as prestações), não poderia ser responsabilizada, pois,    o contrato de financiamento do imóvel nada tem a ver com a construção do imóvel, dentre outras argumentações inargumentáveis.
O Juízo negou o pedido de liminar  contido na inicial, que era o de suspensão do pagamento das prestações do financiamento até a entrega da obra e ao final, julgou a ação procedente em parte, condenando a caixa e a construtora em danos morais e materiais, entretanto, condicionou o pagamento  das condenações, ao transito em julgado da decisão, isto porque houve condenação em pagamento de um aluguer no valor correspondente a  0,5%  do valor do imóvel, a partir de 2013, ano em  que, ainda não entendido,  considerou que  a data de entrega do imóvel  passou a ser 2013, sob o argumento de que, quando feito o financiamento, automaticamente, a mutuária (eu) concordou tacitamente com uma nova data de entrega do imóvel.
Recurso apresentado, evidentemente, com as contra razões das requeridas ratificando as suas defesas. Os autos foram distribuídos e até o momento, cinco anos depois, continua sem qualquer andamento, conclusos que estão para o relator, aliás, para não mentir, os autos foram enviados para processamento digital.
Até 2017,  continuava pagando o financiamento à Caixa Econômica, e todo o valor devido diretamente à Construtora foi devidamente pago nas épocas devidas.
Em fevereiro de 2017, cansada, esgotada, desacreditada, enviei um e-mail para a Ouvidoria da Caixa Econômica, solicitando informações a respeito deste empreendimento, perguntando o que a Caixa pretendia fazer, uma vez que ela é responsável pelo termino desta obra, pois cobra um seguro, exatamente, que garante a entrega do imóvel, pois se a construtora inicial não cumprir as suas obrigações, uma outra deverá ser contratada para  terminar a obra e os imóveis serem entregues aos seus proprietários.
Ah! É necessário que se diga que, desde outubro do ano 2016, a caixa deixou de debitar em conta corrente, como era feito, o valor da prestação do financiamento. Assustada, comecei a pagar através de boleto, boleto este fornecido pela própria caixa, que pode ser acessado pelo site.
Uma tarde desta, estando em casa, recebo uma ligação da Caixa Econômica Federal. Quase não acredito, uma vez que era um funcionário da Caixa que queria falar sobre a minha ocorrência de tal dia. Fiquei ao mesmo tempo, surpresa e apreensiva! O que estaria por vim?  Aí vem a surpresa: o cidadão me informa que a partir  de janeiro eu não pagaria mais qualquer prestação até a entrega do imóvel: que  a caixa está negociando com outra construtora o termino da obra, dizendo, inclusive o nome da empresa que estaria sendo sondada, e que a caixa vai garantir mesmo a entrega da obra. Disse-me mais, que eu receberia uma comunicação da caixa informando sobre tudo isto.
Estou aguardando a comunicação, que até o momento não chegou, março de 2020 vou aguardar mais alguns dias, pois passou o carnaval e a lentidão normalmente se notabiliza nesses períodos.
Acreditem, isto está ocorrendo e ninguém faz absolutamente nada. A Justiça na sua morosidade, permite que a Construtora esteja impune até esta data. A Caixa por sua vez, não define o que vai fazer, enquanto isto, os sonhos, as esperanças, desejos, ilusões dos adquirentes do empreendimento vão água abaixo. Alguns deles que continuam, pasmem, a pagar o financiamento, e a caixa omissa, nada faz. Como se não bastasse nada dito, tive o desprazer de ver negada uma operação que pretendia fazer com a caixa econômica, sob o argumento de que, como tenho processo contra a instituição, não posso fazer operações com ela. Dá para crer. Sou vítima duas vezes, e eles ainda acham que tem razão.
Uma lástima, não dá para acreditar no que ocorre neste país. A quem recorrer? Ao Judiciário? Para que?  Eu o fiz, e estou esperando há seis anos uma solução.
A construtora continua fazendo obras para o Estado, como se nada tivesse acontecido, como se não tivesse lesado umas duzentas famílias. Até quando isto vai acontecer? Até quando, nós, pobres mortais, seremos humilhados, roubados, vilipendiados sem que ninguém faça absolutamente nada?
É uma tristeza, que cidadania é esta? Que respeito este país tem aos seus cidadãos? Que justiça é esta que nós sustentamos para nos servir e que nada faz, a não ser conivente com tantos erros? Se ela efetivamente funcionasse, tenho certeza de que nenhum empresário neste país faria uma miséria desta, porque se recebesse, de logo, a punição cabível, jamais faria outra vez, ao menos pensaria duas vezes.
Ah, tem um detalhe: no início do ano passado recebi uma comunicação do SPC, comunicando-me que a Caixa Econômica, esta mesma que mandou que parasse de pagar as prestações até a entrega do imóvel, tinha autorizado a inclusão do meu nome no cadastro de inadimplentes. Bem verdade que isto não ocorreu, isto porque entrei de imediato em contato com a agência responsável pelo meu contrato habitacional, no entanto, ao tirar o extrato para o imposto de renda, as duas prestações continuam em aberto, ou seja, a qualquer momento ainda posso ser negativada. Pasmem vocês!   
Continuo no prejuízo, eu e os inúmeros adquirentes  do MORADA DAS ÁGUAS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS, somos vitimas da MFP CONSTRUTORA LTDA  e da CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, e todos os três contam com a morosidade do Judiciário brasileiro, que termina  por ser conivente com tanta ilegalidade.
Ah! mais um detalhe mentiroso: Os maiores de sessenta anos não tem a prioridade alardeada pelas instituições: vide  que tenho 66 anos. Só rindo! .    

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Uma Pré-saudade


Ando pelas tuas calçadas. Cada passo uma descoberta, um encanto. Uma pré-saudade. Sim, uma pré-saudade, porque sei que vou tê-la. A percepção de que breve tenho de ir-me me dá a nostalgia da saudade. Consigo me vir sentada em casa, na minha rede tão nordestina, a recordar cada passo desta caminhada que hoje faço. Saudade, palavra boa e ruim. Sentimento dicotômico. Bom: porque se temos saudade, é porque vivenciamos alguma coisa muito boa; ruim: porque não estamos vivenciando o momento, ele passou, e só ficou a lembrança dele.
O tempo avança, não nos deixa quietos e parados na mesma estação, ele passa e nos deixa as marcas, sejam elas de alegrias, sejam de tristezas; ambas não se apagam.: as primeiras viram saudades, as segundas amarguras, lembranças dolorosas que apesar de querermos esquecer, elas se incrustaram no nosso eu e não deixa que as esqueçamos.
Por um lado isto é bom, porque se as esquecemos, n os precavemos para os novos acontecimentos, encontros, e não vamos nos deixar machucar tanto, mas tem o lado ruim, que é o de reviver a dor: entretanto não podemos, simplesmente, apaga-las  da memória, porque apagando-as, também apagaremos os resultados bons das nossas vivências.
Tudo o que passamos de bom e de ruim nos moldam. Se bom, nos faz crescer.  Cada dia um novo aprendizado e a certeza de que a vida é luta: vitória ou derrota. Nem sempre uma e nem sempre a outra. A dicotomia em nossas vidas é constante. As derrotas nos fazem crescer até mais que as vitórias, porque com as derrotas  temos de nos levantar e lutar outra vez para que uma nova vitória chegue, e, quando ela chega, e chega muitas vezes, a gente é que não se dá conta disto, ela traz alegria, felicidade, realização. Efêmeras elas até podem ser, mas que vão deixar saudades, como esta que agora experimento: uma pré saudade que sei, terá lugar para o resto da minha vida, como vem sendo até agora.
Gente, parece que viro poeta, filosofa, escritora, viro de tudo um pouco quando falo do meu querido Portugal e das minhas extraordinárias ruas de Lisboa, estas que me dão tanta pré´saudade quando caminho por elas.
Não procuro por nada em Lisboa, apenas ando pelas suas calçadas portuguesas, com suas pedras brilhante. Sempre acho que vou escorregar pois brilham tanto que parece que tem muita cera nelas. Não é necessário procurar lugar nenhum em Lisboa, porque sempre, para que direção você vá você vai encontrar algo que vai admirar, lhe encantar, lhe encher os olhos.
É um encanto a cidade, uma luz fantástica no verão. Um sol morno no inverno.  Não me importo com o frio, parece que com ele gosto até mais de Portugal, pois adoro andar de botas e cheia de casaco de frio. Kkkkk acho-me linda e elegante com essas roupas. Nada me impede de passear em Lisboa e em Portugal no geral, nem mesmo a chuva aborrecida,  em alguns períodos, me tira da rua e dos meus passeios pela cidade. E olhe que não gosto de guarda chuva, carinhosamente chamado de “chapéu de chuva” pelos portugueses.
Se chove demais, entro em alguma tasca e já e um bom motivo para tomar um vinho. Se o restaurante ou a tasca fica em alguma posição estratégica em Lisboa e dar para ver o Tejo, aí um copo vira vários, uma garrafa, duas: você é quem faz o limite.
Tão bom sentar em algum restaurante,seja em Alcântara, seja em Belém, até mesmo no cais do Sodré e, através dos vidros, ainda que embaçados, ver a Ponte Vinte e cinco de abril, o Cristo redentor do outro lado do Tejo, os navios que passam em direção ao porto ou dele saindo. É realmente para se ter saudade.
Vou ficando por aqui, com a minha pré saudade. Acabo de chegar ao Cais Sodré, onde vou pegar o barco para ir almoçar lá no Restaurante o Farol, de onde posso ver Lisboa inteirinha à minha frente. Sei que vou chorar, mas as lagrimas voltarão ao meu corpo, porque certamente estarei comendo uma ameijoa à bulhão pato, e elas caíram no caldo e eu vou fazer com que elas voltem para mim como alimento, para que eu as guarde e possa chorar de saudades quando retornar ao Brasil  

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

DAMIANA - Uma lembrança


Conheci Damiana quando eu era ainda criança. Criança mesmo, acho que não tinha quatro anos de idade. Damiana era uma negra imensa, devia ter um metro e oitenta, sua pele não era negra, era mais para o pardo. Ela tinha aquelas manchas marrons na pele, que dava para ser notadas.
Damiana tinha o cabelo enorme, mas somente uma vez o vi solto, isto porque nas artes de criança, desavisadamente, entrei no seu quarto. O cabelo era cheio e enorme.  Isto aconteceu quando eu já tinha bem uns oito anos.
Quando Damiana entrou na minha vida eu era uma criança mesmo e ela já me parecia ser uma velha, não que fosse mesmo, possivelmente era teria uns trinta e cinco anos, acho eu, pois sequer posso avaliar a idade dela,
Ela sempre estava limpíssima e de avental, os cabelos presos em dois cocós um de cada lado. O cabelo era repartido no meio em uma precisão sem igual, a gente conseguia seguir aquela linha divisória entre um lado e outro, da testa até a nuca, parecia mais uma cicatriz.
Não me lembro de ver Damiana sorrir, sei que ela usava dentadura, mas não me recordo mesmo de vê-la sorrindo. Via a sua vida costumeira. Limpar casa, lavar roupa (na mão), encerar o chão, limpar cozinha, banheiros, etc.  Ela vivia na casa de umas tias minhas ali no Canela. Se bem me lembro ela dormia na parte do subsolo da casa, para o quintal, onde existia e frutas, que ela, Damiana, cuidava.
Nunca vi ninguém procurando Damiana, ninguém da sua família. Nunca soube de onde veio, quem eram seus pais, enfim, nunca soube nada dela, a não ser que ela fazia parte da casa, quase que como um objeto móvel e que obedecia ordens e sabia cumprir as suas obrigações, sem nunca reclamar, sem falar, quase sem ouvir.
Sei que ela gostava de minha mãe, talvez porque tinham uma coisa em comum, eram pobres e conversavam quando se viam. Aliás minha mãe fazia questão de ir vê-la no seu quarto se ela não estivesse decorando algum lugar da casa esperando a ordem de alguém.
Da última vez que a vi ela já estava com cabelos brancos, mas continuava na labuta, depois não tive mais notícias, a não ser que ela tinha morrido.
Hoje me pergunto: Quem era aquela mulher? De onde veio? Quais os seus anseios? Quais os seus sonhos? Será que teve, algum dia, um namorado? Será que queria ter filhos? Enfim, fico a me perguntar se Damiana um dia foi feliz, ou se para ela a felicidade era aquela vida.
Queria saber da sua história, mas hoje, infelizmente, não há ninguém para contá-la. Meus tios, a quem ela servia, todos eles, já faleceram.  
Será que um dia Damiana mostrou o seu corpo a alguém.  Eu achava que ela não tinha peito, porque sempre a vi de vestido de um tipo que cobria tudo, aliás não sei como ela conseguia trabalhar com aquela roupa, sempre vestido cinturados, de mangas, algumas vezes com o detalhe de um rolo na gola. O comprimento do vestido fazia a gente pensar que ela não tinha coxa, sempre no meio da perna.
Será que Damiana conheceu o mar? Algum dia ela foi à praia?  Será que saia de casa aos domingos pela tarde? Será que tinha folgas? Como poder conceber alguém que não conheça o mar? Todavia, acho que ela não o conheceu
Realmente hoje, e só hoje, é que vi a inutilidade da vida de uma pessoa, que apenas serviu a outrem durante toda a sua vida. Quando digo inutilidade de vida, falo da vida pessoal, do seu querer, dos seus sonhos. Talvez por não os ter, ou por não poder realizá-los, é que Damiana era taciturna, quieta, de fala mansa.
Espero Damiana, que hoje, onde você estiver, esteja feliz e que a sua v ida seja bem diferente daquela que conheci.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Se pudesses ouvir-me


Ah se pudesses ouvir-me!
Ouvir os meus choros e meus lamentos.
Ah se soubesses da minha dor.
Certamente não acreditarias que sou eu,
Tu, que só me vistes feliz ao teu lado.
Tu, que tantas vezes destes-me teu peito amigo para que afogasse as minhas dores
Tu que, calado, ouvias os meus soluços.
Tu, que não soubestes avaliar o quanto eras importante para mim.
Tu, que nada fizestes para não deixar-me ir
Não te esforçastes, minimamente, para ter-me ao teu lado
Deixastes-me ir com a dor de perder-te, sem  ao menos ter tentado.
Um trem, uma estação, um longe que machuca
A dor de saber-te acariciando outro corpo
Consolando outra pessoa que não eu, amando outro alguém
E, talvez, dizendo a mesma frase que disseste-me um dia:
“Vou amar-te para sempre, até depois da minha morte”
Sim, apropriei-me dessa tua frase,
Porque ela em mim é verdadeira,
Porque meu amor é infinito e atemporal,
Não tem tempo definido, e assim
Não acaba nem com a morte,
Que até pode terminar um ciclo, o terreno,
Mas, o espírito transcende ao tempo 
E eu sei que o meu infinito é você.
Não, não penses que quero-te junto a mim,
Não, não quero, não vale a pena depois do me fizestes
Não lutastes, aceitastes, muito facilmente, o afastamento de nós
Aliás, como dirias tu, já estavas engatado,
Apareci apenas para atrapalhar, ou melhor retardar o engate,
Adiando o que já era fato consumado.
Enganastes-me com frases prontas e medíocres,
Mas que embevecem corações apaixonados.
Sim, vou amar-te eternamente,
Não posso negar nem a mim própria,
Pois, mentiria descaradamente para mim mesma.
Seguirei sim, seguirei, mas hás de passar por esta dor e,
Arrepender-te-ás, mas, aí será muito tarde
Porque fizestes-me  incrédula  de ti.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Mito ou Realidade? As minas de Gabriel Soares


Estou em casa sozinha preparando, mais uma vez a ceia do final do ano.
 Lembro-me que, no ano passado, o senhor Garcia me apareceu sem mais nem aquela exatamente nessa mesma situação. Pensei comigo mesmo: Seria tão bom se aquele velho chato me aparecesse com alguma novidade da Bahia quinhentista! Sabia, entretanto, que isto seria quase impossível, até porque, da última vez que o senhor Garcia apareceu, foi quando me disse que ia reformar o seu testamento para me colocar nele como beneficiária. Lembram que ia me dar Arembepe? Penso que ele ficou muito aborrecido com a minha reação, ou então, ele se deu por morto mesmo, e se foi para o seu lugar no infinito e aceitou a sua morte e deixou o seu espírito descansar.
Continuei nos meus afazeres, mas, de repente, um calafrio imenso, os pelos eriçados e sentindo a presença de alguém ou alguma coisa estranha na casa.
- Bons dias! 
De imediato reconheci a voz do Senhor da Torre. Fiquei excitada e ao mesmo tempo apreensiva. Certamente o senhor Garcia não tinha qualquer problema em aparecer onde quer que fosse, bastava querer, mas fiquei inclinada a perguntar-lhe como me achou.
Eu tinha me mudado de casa e já estava mesmo achando que este era um dos motivos do desparecimento do Senhor Garcia. Olhe que tem horas que me acho louca mesmo, tenho de concordar com as pessoas que me acham assim e sem qualquer vergonha verbalizam este pensamento, e é bem assim eu me sinto em relação a esta estória com o Senhor da Torre.
=Bom dia Senhor Garcia, quanto tempo?
-Diga-me lá: por que não avisaste que mudaste de direção? Estivemos em tua casa em Arembepe algumas vezes e demos com os burros n´àgua.
Sorri com a expressão, e disse: Oh senhor Garcia eu não sei como encontrá-lo, aliás, da última vez que o senhor esteve comigo, disseste-me que estava no hospital da Misericórdia. Passei lá outro dia, no dia 04 de dezembro e até fiquei inclinada a entrar.
Pelourinho
Igreja da Misericórdia
Fiquei atônita, incrédula com o que acabei de falar, então eu iria entrar na Misericórdia para ver o senhor Garcia em pleno dia de Santa Bárbara e em pleno ano de 2019? Endoidei de vez, este homem conseguia me tirar do prumo mesmo.
- E ainda estou, disse-me ele, mas, como vês, vivo.
- Felizmente , felizmente. O que tem de novo para me contar? Antes, porém, esclareça-me em que ano estamos.
-Como em que ano estamos? Estas de borla comigo?
-Claro que não, mas preciso saber para tentar me localizar, inclusive no pedaço da madeira preta.
-Estamos em 1609. 
- 1609, quem é o governador?
Extas mesmo de borla comigo, então não sabes quem é o governador?
- Diogo Siqueira
E Francisco de Souza.?
- Também, é que mais uma vez o Rei dividiu o governo do Brasil, ficando aqui na Bahia o Diogo e, no Rio de Janeiro, o Francisco de Sousa
- Francisco de Sousa? Aquele que era um aficionado por minas?
Pelourinho
-Sim, ele mesmo, sabes que ele   tanto chafurdou na Corte, que terminou por ser nomeado para Governador do Sul, governo com sede no Rio e janeiro e ainda conseguiu a promessa de receber o título de nobreza ligado às Minas.
- No Rio de Janeiro?
-Sim, por que o espanto?
Ora, se ele tinha interesse em encontrar as minas que foram identificadas por João Coelho de Sousa, irmão de Gabriel Soares de Sousa deveria ficar perto do Nordeste, especificamente aqui em Salvador da Baia, ou em Sergipe, nunca no Rio de Janeiro.
- O importante para ele era estar aqui, não importa qual o lugar, até porque, também em São Paulo há perspectiva da existência de metais, não só lá como alderredor.
Sim, e ele em encontrou tais Minas?
Neste momento o Senhor Garcia deu uma larga risada. – Não ele não encontrou.
Agora quem ria era eu, mas ria por dentro, até porque o senhor Garcia não poderia saber se o Francisco tinha ou não encontrado tais minas, afinal ele falecera em maio de 1609. Francisco havia retornado ao Brasil em janeiro daquele ano e ido para o Rio de Janeiro, e pouco era o contato de ambos, bem como as notícias. Possivelmente, o Senhor da Torre não saberia do que acontecera entre janeiro e maio de 1609 com relação às minas.
- Mas diga-me lá Senhor da Torre, quem era mesmo João Coelho de Sousa
- Já disse-lhe: era irmão de Gabriel Soares de Sousa, este eu conheci muito bem, porque era um rico dono de engenho aqui mesmo na Bahia
“Gabriel Soares de Sousa, nascido em Portugal cerca de 1540 emigrara para a Bahia no fim da década de 1560. Durante uma permanência de dezoito anos na Bahia tornara-se um bem-sucedido plantador de cana e participou do conselho municipal em 1580. Seu irmão João Coelho de Sousa, descobriu depósitos minerais no interior da capitania, morreu antes de poder explorar essa mina, mas deixou a Gabriel um mapa que lhe indicava a localização. Em 1584 Gabriel foi à Corte com uma petição para a concessão dessa e quaisquer novas descobertas. Recebeu-a em 1590, ganhando a patente de Governador e Capitão-mor da Conquista e Minas do Rio São Francisco. Regressou à Bahia com 360 homens, comandou uma expedição ao vale superior do Rio Salitre na cabeceira do São Francisco. Morreu na viagem de regresso e foi enterrado no mosteiro beneditino da Bahia sob uma lápide com a inscrição “aqui jaz um pecador” (...) (RUSSEL WOOD 1939: 55-56).[1]
Como sempre, notei que o homem não estava gostando da conversa, que girava em torno de uma obra que não era dele. Ele adorava falar de si e das suas proezas. Gostava de endeusar-se, de falar da sua Tatuapara e da defesa que esta representava para a cidade do Salvador.  Falar de uma figura importante como era o Gabriel Soares[2] era muito para ele, acontece que não dava para mudar o assunto, e quando insisti mais um pouco, ele, como sempre, deu as costas e foi-se, sem saber o que eu tinha de falar para ele sobre estas minas e  da importância que teria o seu neto Francisco Dias D´Ávila para encontra-las.  Foi bom até, porque ele não iria acreditar mesmo que Francisco chegaria a tanto, todavia ele vai saber, porque eu tenho certeza que o Senhor Garcia, morrendo ou não efetivamente em maio de 1609, não deixará de aparecer para mim e eu terei a oportunidade de contar-lhe tudo o que o seu neto representou para a nossa Bahia, perenizando o nome dos GARCIA D´ÁVILA.[3]. 







[1] RUSSELL-WOOD, A.J.R. Fidalgos e Filantropos. A Santa Casa de Misericórdia da Bahia, 1550-1755(trad. De Sergio Duarte, Brasília, Editora Universidade de Brasília, 1981, Coleção Temas Brasileiros, 20.
[2] Gabriel Soares de Sousa escreveu o Tratado Descriptivo do Brasil, (1587) uma das grandes fontes para o conhecimento da Bahia Colonial, pode ser encontrado na Biblioteca Digital do Senado Federal.
[3]  Ver.  O feudo: a Casa da Torre de Garcia d'Ávila: da conquista dos sertões à independência do Brasil. Bandeira, Luiz Alberto Moniz. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira 2000: 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

E" Espanha" sacaneando até em sonho


Hoje, dia 20 de dezembro, talvez pela proximidade do aniversário dele, sonhei com meu pai; um sonho estranho, diferente, para as bandas do esquisito.
 Estava eu em um lugar diferente dos que conheço ou costumo estar, com certeza um centro comunitário, um salão de um clube, uma sala de reuniões: não sei mesmo o que era: móveis antigos decoravam o local, que tinha uma mesa bem grande. O ambiente era escuro, havia alguma tonalidade de vermelho naquele ambiente, mas não consigo identificar o motivo, talvez as cortinas de um veludo muito pesado e escuro, fazia com que o ambiente ganhasse aquela tonalidade.
 Bom, estávamos eu, um senhor que identifiquei como sendo o José Russo e uma senhora, mais para jovem de que para senhora mesmo. A moça estava com uma espécie de agenda preta na mão. Ela abre a agenda e me pareceu que havia na capa daquela agenda preta, na aba lateral da direta, um auto falante, aquele negócio que parece uma tela cheia de furinhos por onde sai o som. O tamanho deste aparelhinho que era colado na aba lateral da agenda era o mesmo da própria agenda.  A senhora liga o dispositivo e entra a voz de uma mulher, que falava espanhol com o mesmo sotaque do meu pai(galego) acentuando os “x” e os “se”. Era como se fosse uma rádio comunitária, na qual se dava in formações de uma comunidade específica.
Em dado momento a voz fala: Lamentamos informar o falecimento de um galego que trabalhava na padaria Nova Paris, ali, pelos lados do Taboão e Pelourinho. De imediato identifiquei que estavam falando de meu pai. Comecei a me emocionar muito, porque a voz continuava falando dele, e, de repente alguém diz: ele vai falar, e ouço em alto e bom som a voz de meu pai, agradecendo, pasmem!  Àqueles que foram ao enterro dele. Choro muito, me emocionei bastante, e ouço Jose Carlos dizer-me: “Eu não queria que lhe mostrassem isto, sabia como ias ficar”.  Sim me emociono muito e senhora desliga o que   chamo de rádio, e vai para uma outra ala da sala, era como se fosse uma janela grande separando a sala de um outro espaço. Ela começa a passar roupa, acho eu, e eu me dirijo até ela e pergunto: O que significa tudo isto? O que vocês estão querendo? O que está acontecendo?  E ela sem parar o que estava fazendo, diz que ela tem dois irmãos, o Dartanhazinho e o Amazoninhas. Acho estranhos os dois nomes, mas deixo ela continuar, até porque não conseguia entender muito bem o motivo de tudo aquilo. Bem eles são filhos de uma negra, minha mãe e por isso mesmo ficamos todos calados até agora, mas não posso continuar com este silêncio. Os dois são filhos do Espanha, um tem 25 anos e o outro 20. Fico atônita.
Quando meu pai faleceu, salvo engano, o meu filho tinha seis anos, hoje ele tem 45, assim estas pessoas não poderiam ser meus irmãos de maneira alguma, a não ser que o Espanha fez filho no plano espiritual
A mulher olha para mim com uma cara de bicho, eu dou as costas e saio com o Senhor José Carlos me acompanhando.
De repente ´estou em outro ambiente, embora no mesmo prédio, onde há duas moças que estão sentadas no chão, em cima de um tapete e trabalham com alguma coisa. Vou em direção a elas e vejo que elas trabalham com coisas bem pequeninas.
Pergunto que tipo de coisa era aquela: vejo panelinhas pequeninas, frigideiras, etc., etc., tudo em um material que me parecia de alumínio. Viro-me para uma delas e pergunto o que ela faz, ela diz que é doutora em manquitaria. Mquiteria! O que é isto? É esta arte, a de trabalhar com este material e produzir miniaturas.
Enquanto falo com uma das moças, a outra levanta e volta trazendo uma caixinha retangular cheia de forminhas que ficavam arrumadíssimas dentro da caixa. Ela me diz que faz todas aquelas miniaturas a partir daquelas forminhas e do material que está em outra caixa.
Fico fascinada por aquilo e pergunto se elas dão curso daquilo, aliás digo-lhes que sempre quis fazer aquele tipo de trabalho.
Uma delas, que primeiro me mostrou as pecinhas me diz que ela pode dar o curso, mas que é muito difícil e demorado.
Digo-lhe que não há problema e que quero e vou fazê-lo.
Acordo, fico     querendo decifrar este sonho, que começa com meu pai e termina com uma possibilidade de adquirir mais um conhecimento, ou para alguns, uma habilidade a desenvolver.
Como sempre, meu pai pregando mais uma peça, como era de seu costume, adorava sacanear os outros, e, quase, mesmo em sonho, conseguiu em relação a mim, pois imagine, a esta altura do campeonato, saber que meu pai teve ou tinha mais dois filhos. Eh Espanha, não precisava me pregar esta peça para me lembrar, do que não esqueço, que o seu aniversario  hoje, dia em que escrevo este texto, que não e o mesmo do dia do sonho, e também para me dizer que você sabe de tudo o que está acontecendo por aqui, o meu acompanhante  na jornada do sonho prova isto. Por outro lado, também entendi a mensagem, o seu agradecimento, e pedi a sua filha Letícia que encomende uma missa na Igreja em que o senhor casou -se com Dona Yvone, que deve estar aí ao seu lado, rindo da peça que você tentou me pregar. Sejam felizes e saibam que lembramos de vocês, sempre. Aqui todos bem, na medida do possível, família crescendo Um beijão.  


terça-feira, 26 de novembro de 2019

O TEMPO NÃO PARA



Acabo de perder o começo do texto que estava escrevendo, certamente não será reproduzido, não vou lembrar dele todo como estava, mas o fato é que estava falando que acordei muito cedo e que, ao desligar o ar condicionado, ouvia o barulho de água caindo, ao puxar  a cortina  da janela via a chuva caindo forte mesmo, o que me impedia de dar a minha caminhada matinal, foi onde parei e agora tentar continuar com o que comecei.
Não sei se estou alegre ou triste. Se, por um lado, tenho a alegria de olhar através da janela e ver a rede, as minhas plantas, a minha pequena pimenteira, que mais parece uma árvore de natal em miniatura, porque ela está salpicada de frutinhas vermelhas e verdes, tão pequenina e já produzindo tanto. Gosto efetivamente disto, de olhar pela janela a vida acontecendo, por outro lado, entretanto, fico triste, porque, ao contrário do que dizem da velhice, que ela traz muita paz e muita compreensão, resignação, sei lá mais o que, eu não  consigo alcançar este nirvana, aliás, penso que tudo isto é muito falso. Agora tenho mais pressa de que antes, quero fazer muita coisa que ainda estão por fazer, e que tenho receio de que o tempo seja muito curto para executar os meus planos.    
O tempo passa depressa, ele só não acaba com a minhas dívidas kkkkk, que parecem se reproduzir com o passar do tempo, até por causa disto tenho pressa, se nada acontecer daqui para frente não sei bem o que fazer. A chuva engrossa lá fora, a pimenteirazinha balança, a chuva forte faz com que as folhas e os frutos balancem. O balançar dos frutos faz um reflexo que efetivamente me lembra as bolas natalinas nas árvores de natal.
Volto ao meu raciocínio, entretanto, não quero me dispersar. ‘Quero acabar a série de Garcia D´Ávila, quero publicar ao menos um livro desta série. Acho que vou escrever história conversando com o Senhor da Torre até o dia da minha morte, e enquanto a artrose não tomar conta dos meus dedos. Vejo que, apesar de estar muito próxima do desfecho do senhor Garcia, pois estava fazendo um texto que se reportava a 1609, ano da morte dele, ele jamais irá desaparecer, porque ele agora é eterno. Espíritos são imortais, daí posso   falar com ele até a minha morte física, porque ainda tenho a possibilidade de, na eternidade encontra-lo e, quem sabe, reencarnada em alguma escritora-historiadora, eternize a mim e a ele. Pretensão da porra! Entretanto, a tenho.
Sim, tenho pressa: quero aprender a usar a overlock, presente de Carlos, possivelmente para me deixar ocupada 24 horas,e fazer inúmeras roupas, mesmo que seja para não usá-las, porque não terei tempo, mas posso doa-las a alguém  além de me exibir,kkkkkkkkkkk, pois recebo muitos elogios, acho que gosto disto, embora 50 por cento do sucesso seja de Dora, a minha pró e dos estampados das roupas.   
Acreditem se quiserem, queria muito, ou melhor quero, fazer com que as pessoas gostem de história e adorem o conhecimento. Como é fantástico conhecer, saber! Apesar de saber que nada sei, como disse Sócrates, o conhecer nunca é demais, e, ainda que  alguns achem que é bobagem o que faço  com relação a História da Bahia, vou continuar  escrevendo e tentando que as pessoas  saibam  do que  possivelmente aconteceu na nossa Bahia colonial, tão esquecida pelos livros de história(os da escola- didáticos)  É uma história que não se aprende na escola, nem mesmo quem, como eu, fez a licenciatura em história toma conhecimento de alguns fatos, personagens relevantes para o conhecimento e entendimento do nosso passado.  Não dá tempo, no curso, aprender tantos detalhes que passam desapercebidos.
Preciso, pois de tempo, e ele passa rápido. Quero ajudar, fazer o bem.  Sou bem materialista e sempre  a estar dando alguma coisa a alguém(dinheiro) bens materiais, mas já descobri que não é só isto, aliás, descobri não: sei, entretanto, para poder fazer este tipo de bem, o espiritual,  tenho de me preparar mais, tenho de me conhecer mais para poder conhecer o outro. Por enquanto fico  triste, porque vejo a necessidade material do outro e nada posso fazer, já fiz tanto que entrei numa barafunda financeira da porra, mas continuo  me afundando mais, porque as vezes uma casa pode cair, uma pessoa pode morrer de fome, outra pode ter um infarto, por falta de bem material que eu, podendo ou não, tenho mais condições de arrumar, ainda que me endividando; e, quando penso nisto, aí é que vejo que preciso de correr mais, de arrumar alguma maneira  de aumentar a minha renda. Se é para dividir mais, não tem problema, o que não quero é deixar nada para ninguém pagar. (Fábio),kkkkkk, se eu deixar sei que ele vai ficar muito puto.
A chuva continua, não posso fazer a minha caminhada matinal. A falta desta caminhada, com certeza, vai me fazer mal, o meu corpo está tão acostumado que ele passará todo o dia me cobrando este exercício. Penso: hoje não vou ver as minhas amigas domésticas: ah como é bom dar um bom dia para elas e vê-las sorrir. Sim, é muito bom. Será que isto é ajudar alguém?  Deve ser, porque elas realmente abrem um belo sorriso ao responder o bom dia. Acreditem, passei alguns dias viajando e uma delas, a que mais demonstra o prazer de falar comigo, me   disse: “estava sentindo a sua falta, o que aconteceu?   Descobri que faço falta, que aquele meu bom dia é importante para elas.
Há também o lixeiro, acho ele muito preguiçoso, pois sempre está sentado com a picaretinha na mão, certamente sempre avaliando o trabalho que vai ter durante todo o dia. Olho para ele todos os dias da mesma  maneira, mas não posso deixar de pensar na preguiça, que eu também teria para executar aquela tarefa, pois quando vejo a quantidade de folhas no chão, a quantidade de mato que enraíza pelos paralelepípedos da rua e que tem de ser retirados, ah sim: teria mesmo preguiça!
A chuva aumenta mais, a pimenteirinha continua a balançar, mas ela é forte e não vai acontecer nada, quando a chuva passar ela vai estar mais bonita, mais viçosa, o que adoraria que acontecesse comigo, mas o tempo é impiedoso, se ele serve para permitir as nossas realizações, também serve para cobrar  um pedágio alto pela sua passagem e como parece que não paguei em dia  tal pedágio, impiedosamente ele se mostra, nos olhos, nos dentes, nas juntas, mas eu sigo tentando  aprender a fazer o bem, a dividir conhecimento, a tentar ajudar as pessoas, conservando sempre a minha autenticidade e ouvindo Cazuza para perceber e aceitar que o TEMPO NÃO PARA.