quinta-feira, 24 de setembro de 2020

ESCREVER É BOM


 Muitas, mas muitas mesmo,  pessoas me perguntam como tenho tanta facilidade para escrever. Alguns chegam a me dizer que tremem em frente a uma folha de papel em branco. Reconheço que tenho mesmo facilidade, mas esta facilidade qualquer pessoa pode ter. Li muito quando era jovem, afinal um dos meus piores trabalhos no internato era limpar a biblioteca da escola, esta atividade me deu a oportunidade de  manusear muitos livros, próprios da minha idade e também os impróprios, mas, li alguns. Logicamente que a leitura era escondida, até porque para ler tinha de parar de limpar. O fato é que isto me ajudou bastante. Durante algum tempo, quando tinha oportunidade de estar com a minha família, minha mãe nos obrigava, a mim e aos meus irmãos, a interpretar textos, tais textos estavam nas contra capas de alguns cadernos. Era um exercício interessante. Bom, mas o fato é que escrevo mais facilmente que alguns.

Por ser só no internato, escrevi muito sobre a minha vida e estória, bem como das colegas. Este também é um bom exercício, fazia uma espécie de diário, o que recomendo a todos. 

Veio a escolha da profissão e eu escolhi Direito; quer profissão para escrever mais de que esta? Claro que não: ela bate record, e olhe que quando advoguei não tinha computador e a facilidade de copiar passagens de textos anteriores para um novo, enfim, não tive esta facilidade, mas escrevi e pronto. Depois disto fui para o Judiciário, e puta que pariu!  Vá  escrever assim no inferno. Entretanto, a lateri da minha profissão, eu  continuava a escrever sobre a minha vida nos meus diários: casos da vida, passagens das audiências, enfim, escrevi. Gosto disto. E aí e que acho que está a diferença entre mim e os que me questionam: Eles não gostam de escrever e de ler; e isto dificulta imenso esta habilidade.

Bom, mas este bolodório  (peguei você) todo é para que eu peça vênia para dar algumas dicas para quem quer escrever algo. 

Se você está querendo escrever sobre uma matéria técnica, quando falo técnica estou falando de textos ligados a uma profissão, que vai ter de fazer: primeiramente você vai escolher o tema. Escolhido o tema, você vai procurar saber se alguém já escreveu sobre ele e quais os aspectos analisados, isto serve para que você conheça mais da matéria, saiba quais as posições que mais se coadunam com o seu pensamento, quais as que são contrárias e por que o  são.  Depois de analisar, se não todos, ao menos uma boa parte de autores que discutiram a matéria, você começa a dialogar  com estes autores, questionar o texto deles, perceber se você consegue responder as questões postas. Se você não conseguir responder as questões, não comece ainda a escrever, porque você não vai conseguir um bom texto.  Não pense em criticar A B ou C, discordar é uma coisa, criticar, tentar destruir o outro, é outra   A grandiosidade do autor está exatamente em colocar o seu ponto de vista sem sacanear ninguém. O mesmo trabalho que você teve ou está tendo para escrever seu artigo, seu ensaio, sua dissertação, eles também tiveram.  Lógico que algumas pessoas são brilhantes, outras medíocres, mas ainda assim, eles tiveram de ler, estudar, analisar, enfim, tiveram o trabalho da criação.

Arrume as ideais com muita clareza, veja a melodia da escrita. Quando falo em melodia da escrita, é porque a escrita é como uma ópera, uma valsa.  A coisa vai crescendo, o ritmo aumentando, em dado momento você está tão dentro da melodia, que você tem de chegar ao auge e parar, não se arrisque a escrever coisas infindáveis, tudo tem começo, meio e fim.

Você tem de fazer com que cada leitor entre na melodia também, dance com a sua música, queira chegar ao fim, ao êxtase. 

Nunca esqueça que você não é o único que escreve sobre determinado tema, alguém antes de você já fez, o isto,  e se não o fez, o seu tema te remete a um tempo anterior, então  há que se fazer esta ligação entre o passado e o presente, isto é essencial para uma boa escrita.

Este caminho entre o passado e o presente é o que, em metodologia, chamam de estado da arte. Eu, na verdade, não sabia deste nome, ou melhor desta expressão, mas quando se escreve uma tese de doutorado ou uma dissertação de mestrado você tem, por instinto, de fazer tal digressão.

Sim, mas textos mais simples, como fazê-los? Textos mais simples você escolhe o tema, o caso que vai contar, a estória.  Se você, por exemplo, quer falar de uma determinada história que aconteceu em 1920 em alguma cidade da Itália. Procure logo saber como estava a Europa nesta época, o que aconteceu na Itália naquele ano e qual o resultado específico dos acontecimentos no local que você escolheu, daí comece a trabalhar com os personagens dentro deste contexto. 

Os fatos históricos são encadeados, eles não aparecem soltos, uma causa remota dá consequências diversas em diversos lugares diferentes e é preciso fazer estes elos. Não é pormenorizar as coisas, mas há de se fazer um link (para ser mais moderno).  Quando Dom João VI veio para o Brasil com toda a família real, isto foi a consequência do que estava acontecendo na Europa, quando Napoleão iria invadir Portugal.  Ora, se você quer escrever sobre isto, você vai ter de falar um pouco das coisas que Napoleão fez e como estava a Europa naquele momento e, só depois disto, é que você vai trazer o Don João para cá. Não comece dizendo que Dom João veio embora para o Brasil e pronto.

Você quer falar da Inquisição Portuguesa no período colonial aqui no Brasil(Bahia). Você há de falar minimamente o que era a Inquisição, fazer a ligação da Igreja com os reinados, como eles agiam na Europa (Portugal e Espanha) para ser mais exato, e depois chegar ao Brasil em 1591. Você há de falar quem era o Rei da época, que eram os reis da Espanha, e outros detalhes até chegar aqui com o governador Francisco das Manhas. Kkkkkkkkk, é isto mesmo, o homem passou a ser conhecido como Francisco das Manhas mesmo.  Ele  veio ser  governador geral e trouxe, na sua caravela, os  membros da Inquisição. Enfim, você tem de fazer o elo para poder adentrar literalmente ao assunto.

Vai escrever um romance?  Comece pensando exatamente o tema deste romance:  Suspense!  Amor!  Espiritualidade, sei lá mais o que.  Depois do tema você  vai pensar nos seus personagens principais, porque no romance você vai fazer a trama entre muitas pessoas, muitos personagens, mas não se preocupe de início em criar todos os personagens, muitas vezes eles vão aparecendo no desenrolar da sua estória, vão se criando, ganhando força, podendo até modificar  a própria estória que você pensou, mas não deixe que um personagem secundário tome o lugar do seu protagonista. Não confunda o leitor.

Quando escrever, tente não rebuscar tanto a linguagem, o leitor não gosta de coisas difíceis e complicadas.  Não faça rodeios, seja claro e objetivo.

Se você quer escrever uma crônica ou um conto, observe bem a diferença entre um e outro. Sempre fico confusa, mas foque em uma coisa: cotidiano – o cotidiano é a vida do dia a dia, são as situações que ocorrem e da qual ou você participa ou toma conhecimento. Se você for escrever sobre um fato deste (seja um fato político, uma conversa que ouviu, uma cena que presenciou, você vai escrever uma crônica. Na crônica você  pode dar sua opinião, discutir o que alguém disse,  fazer comentários, enfim, você está livre   para  dizer  da sua impressão, mas preste atenção, se você vai escrever sobre um acontecimento real, você não pode  alterar a realidade deste fato, porque você se arrisca a fazer um fake News, e o Careca lá de cima  não vai te perdoar.

Um conto: um conto é uma pequena estória  que você cria do começo  ao fim, você não tem a obrigação de  se preocupar  com a verdade  real, você simplesmente escreve um conto: conta alguma coisa, arruma um tema, um personagem, ou mais de um, mas em número limitado e você faz um conto, assim, como não quer nada.

Não tenho pretensão de   ser aqui nenhuma técnica, tampouco ensinar ninguém a escrever, quero apenas ajudar a quem acha que não tem esta habilidade, por isto mesmo não vou aqui falar em artigo, ensaio, resenha etc. etc.  isto fica com os livros e mestres de metodologia. 

Espero que aproveitem alguma coisa deste texto e passem a escrever.  Estejam sempre atentos ao português, porque  escrever não combina muito bem com “ a gente vai” falar de tal assunto, há que se observar o mínimo das  regras gramaticais, ortografia, concordância, enfim, tem de saber o mínimo da sua língua, isto, entretanto, não significa que você tenha de modificar a fala do seu personagem, se for o caso, se ele não sabe falar corretamente o português, ou qualquer outra língua. Isto é permitido, afinal você está escrevendo para que o seu leitor entenda, perfeitamente, o que o seu personagem é, o que a sua escrita descreve.

Recordo-me que, em algum momento da minha vida, soube que em um vestibular o tema da redação foi “a vida vem em ondas como o  mar”.  Como você começaria a escrever sobre isto? Em primeiro lugar você deveria fechar os olhos e lembrar o mar em um belo dia de sol, ficar imaginando a união, lá no infinito, na linha do horizonte, dos azuis, o do céu e o domar, depois você teria de imaginar o movimento das ondas, o seu vai e vem, ali na beirada, na área, e por aí vai, até perceber que este movimento de vai e vem é exatamente o que tem a ligação com o tema da redação  que é exatamente a vida e o seu vai vem, os seus problemas, as suas alegrias e as suas tristezas, a superação, enfim.

Por outro lado, leia bastante. Quando ouvir algo que seja diferente, estranho aos seus ouvidos, dê uma paradinha e leia sobre o assunto.  Uma palavra nova deve ser entendida perfeitamente para ser bem aplicada. Não se acanhe de colocar uma “porra” em uma escrita. A porra pode significar   coisas muito boas:  Veja por exemplo: “aquele cara é um cara da porra”. O que significa isto? Que você conhece uma pessoa que é boa, interessante, amigo, inteligente: e tudo isto está exatamente definido no “da porra”. É só saber colocar a expressão na hora correta e no lugar correto. É fantástico!

Um grande exercício que vai te ajudar muito é escrever os seus sonhos. Aqueles sonhados mesmo quando você está dormindo; quando você os descreve você está exercitando a escrita, o pensamento, a concatenação dos fatos sonhados, você vai ter uma sequência, você vai estar criando um texto.

Um outro bom exercício é você, quando pensar em alguma coisa, colocar a ideia num papel e ir  colocando ali tudo o que você pensa sobe aquele assunto, não necessariamente ordenado, correto, apenas coloque  os seus pensamentos; é o tal do “brain storm”; kkkkkk, eu também sei falar disto. Aí, depois deste exercício, você vai rever tudo aquilo e tirar o storm do brain. A palavra storm significa tempestade em inglês: olhe só a modéstia e o brain é a mente, o cérebro. Uiuiui!

Bom, tudo isto foi para lhe ajudar, lhe dizer que todos nós somos capazes de escrever, que não se deve ter medo do papel em branco. Desculpem se fui m muito pretensiosa, mas o intuito era, e é, de ajudar.    

  


domingo, 23 de agosto de 2020

As cinzas de Dona Yvone




Ontem, dia 22.08, eu e meus irmãos e mais alguns da família, fomos espalhar as cinzas da nossa mãe.  Ela estava aqui em casa comigo desde o mês de fevereiro ou março, acho eu. Coloquei a urna no espaço onde costuro, talvez para receber os fluidos de Dona Yvone, porque ela sabia costurar. Minha mãe foi sempre um faz tudo, mas faz tudo mesmo: era uma super mulher. Educadora, parteira, cozinheira, doceira, catequista, costureira. Ela metia as caras e ia fazendo as coisas. Não sei como se tornou parteira, mas penso que foi quando morávamos em Camaçari, pois ela acompanhava a velha parteira da cidade em diversos partos. Aprendeu a manha mesmo, porque fez muitos. Eu não teria coragem, sinceramente, mas dou Graças a Deus por ela ser tirada e meter as caras, porque com esta coragem ela ajudou muitos a virem ao mundo.
Bom, o certo é que minha mãe ficou aqui em casa dentro da urna, na verdade não era para demorar tanto, mas a pandemia chegou e a gente não podia se reunir para fazer esta distribuição das cinzas.
Acontece que tive que tomar uma atitude, com pandemia ou não, porque ela me deu pressa para fazê-lo. Pois não é que a danada me apareceu em sonho e me disse que queria mudar de casa, que não estava gostando daquela casa onde estava. Logicamente no sonho tratava-se mesmo de uma casa, ela morava em uma casa que ela dizia ser feia e queria sair dali, e, como sempre, eu tinha de me virar para fazer as vontades dela.  Acordei sabendo o que devia ser feito, tinha mesmo é de jogar as suas cinzas em algum lugar onde ela se sentisse, como sempre foi e quis, livre.
Falei com os irmãos que tínhamos de organizar isto. Em princípio pensei em colocar as cinzas no mar, entretanto, meu irmão Luciano me alertou: “Dona Yvone gostava era de matas, rios, plantas, portanto deveríamos colocar suas cinzas num lugar de muitas arvores.”. Concordei de imediato: Minha mãe era uma pessoa bem espiritualizada; Ela recebia entidades, dentre elas caboclos a exemplo de “boiadeiro”. Também tinha muita ligação com São Lazaro, Nana, Cosme e Damião.
Era de distribuir “flores” como ela chamava as pipocas do velho. Se bem me lembro, na segunda feira era o dia de fazer isto. Acompanhei muitas vezes minha mãe para as sessões da umbanda que ela frequentava. Presenciei muitas e muitas vezes as manifestações das entidades. Ficava preocupada e meio descrente, mas deixava que ela passasse pipoca em todo o meu corpo, que era o que sempre fazia quando o “velho”, (São Lázaro) chegava. A preocupação era por conta do corpo de Mainha, é que ela tinha problema nas articulações e as entidades velhas se contorcem muito quando se manifestam. Felizmente ela não tinha nenhum caboclo que bebesse: se tivesse aí a merda estava feita, porque minha mãe não bebia álcool no dia a dia, aliás ela não bebia nem no dia a dia, nem noite a noite, talvez a noite, quando meu pai era vivo, ela se embriagasse por osmose, porque o velho bebia para cacete, por ele e por ela.
Bom, Luciano sugeriu a reserva Sapiranga. É um belo lugar, com riachos, vegetação densa, trilhas, enfim, uma pequena floresta. Um lugar ideal para a finalidade que tínhamos em mente. E lá fomos nós. A urna foi comigo, no meu colo. Mentalmente eu ia falando com minha mãe, e tenho certeza de que ela estava me ouvindo. Não deixei de sacanear com ela, pois achei que ela não queria ficar comigo, mas eu bem sabia da vontade dela sempre. Ela nunca quis ser enterrada em gavetas, sempre me pedia isto: que era para enterrá-la em cova cavada na terra, Não consegui atendê-la num primeiro momento, mas agora não teria  desculpa, eu tinha de fazer o que ela queria que era voltar a natureza, ser uma parte dela, então  fomos lá na Sapiranga e cada um lançou um punhado das cinzas(cremamos os ossos).
Eu fiquei com a maior parte. Distribui as cinzas em todas as direções, inclusive na água. Foi um momento muito bonito. Um dos meus irmãos conseguiu captar alguns flashes. As cinzas formaram nuvens e se espalharam por entre as árvores, parecia uma coisa de contos de fadas, uma claridade imensa, por entre as copas das árvores o sol adentrava e as        cinzas ali flutuando entre aqueles espaços, a luz do sol fazendo o mais fantástico efeito.
Cumprimos o desejo de Dona Yvone, ela agora está no seu meio, com os seus caboclos, com os seus meninos, com os seus adorados e respeitados espíritos. Com certeza está muito feliz e nós também estamos.
De lá da reserva voltamos para a casa de Tininho, onde comemoramos juntos o momento, aliás comemoramos duas coisas, a volta de minha mãe à natureza e a formatura de Mariana. Falamos muito dela e de tantas coisas que aconteceram na nossa família. Vimos as fotos que foram tiradas dos momentos em que lançávamos as cinzas no ar. Lindas fotos, grandes flashes. Em casa, analisando as fotos, pude ver em uma delas, paralisando um dos vídeos, o rosto de minha mãe, acreditem, identifiquei o rosto dela em paz, muito tranquila, com a expressão de felicidade. Não me importa se ninguém conseguir ver, ou que não acreditem que consigo ver. Sei é que ela se fez presente fisicamente para nos agradecer. Agora ela é ar, terra, água e estará sempre conosco, mais uma vez se dividindo para dar um pouco a tantos quantos dela precisem.
Beijos mãe.   








segunda-feira, 6 de julho de 2020

A wulombe ri nandziya ha roche - Ela tarda, mas não falta


“A wulombe ri nandziya ha roche “Este é um proverbio   changana – uma etnia africana – que significa: A verdade pode tardar, mas sempre chega.
Pois é, em 2010 eu escrevi um texto e o terminei com este provérbio. Hoje começo um novo texto com ele, para confirmar exatamente isto; A verdade tarda, mas não falta.
Após 32 anos a verdade veio à tona. Um recurso biotecnológico resolveu uma dúvida que amargurou a vida de, ao menos, três pessoas. Cada uma delas de uma maneira cruel e especial. Um pai, uma mãe e um filho.
Um teste de DNA que só foi feito porque a Justiça obrigou um dos envolvidos a fazê-lo, terminou com a dúvida de um dos participantes desta relação triangular: o pai. A este pai se atribuiu uma paternidade que foi assumida até quando o filho, maior, estudante de direito, resolveu solicitar alimentos. Diga-se de passagem, alimentos que foram pagos, mesmo com os pais separados, até aos 18 anos. Como ainda era universitário, a lei se fez cumprir, e o pai foi obrigado a pagar a pensão.  Mais uma vez, apesar de indignado, o pai que era taxado de tudo que não presta: miserável, egoísta, filho da puta, dentre outros predicados que agora não interessam,  pagou os alimentos, mas, em audiência, fez uma exigência ao Juízo, que o filho se submetesse a um exame de paternidade porque ele, ainda hoje, tinha dúvidas de que  aquele rebento era mesmo seu filho.
Observe-se bem, este homem, durante 24 anos de sua vida, com todas as dúvidas de que aquele menino era seu filho,  o ajudou na sua formação seja física ou intelectual, pagou, claro que resmungando muito, contrafeito da vida, a pensão que  levou o alimentado a ser um advogado e a saber das consequências  de todos os seus atos e os da sua  adorada mãe, tanto que, quando foi designado o exame, recusou-se a fazê-lo, só o fazendo quando realmente obrigado pela Justiça
O resultado saiu recentemente, e sabe qual foi; Negativo 100%, confirmando a impossibilidade daquela criatura ser filho daquele que lhe atribuíram como pai.
E agora?  O que vai ser deste rapaz, que nutria um ódio mortal pelo que lhe diziam ser seu pai? Ódio este alimentado pela ira de sua mãe, que não conseguira ficar com o agora, pseudo pai, sacaneando-lhe a vida em todos os sentidos.  No dia em que descobriu uma nova namorada do homem, mandou-lhe um presente:  Uma caixa com um coração de algum bicho atravessado por uma flecha, ou sei lá o que. 
Cheia de exigências ganhou “de graça” um apartamento de cobertura num bom bairro de Salvador além da tão significativa e sustentadora pensão que recebia em nome do filho, enquanto este era menor.
O que esta senhora tem a dizer agora? Como vai justificar ao filho que a esta altura, deve ter sido feito por obra e graça do espírito santo, quem é o seu verdadeiro pai e qual a necessidade de uma mentira que durou 32 anos?  Como justificar o ódio mortal a quem, por pior que tenha sido para ela, sustentou a sua mentira por tantos anos, mesmo sem o saber, apenas com a dúvida de que algo errado  existia, pois, sabidamente,  nunca poderia ter filhos, aliás, não os fez em nenhuma das mulheres que teve, apenas esta  senhora bicuda e chata conseguira esta proeza, em apenas alguns dias  de  relacionamento.
Evidente que o  pseudo pai ficou feliz, afinal sempre quisera um filho e este estava lhe sendo dado de bandeja, ele jamais poderia perder esta chance de fazer um herdeiro, mas não custava nada ter feito o DNA logo logo no nascimento, mas naquele momento deveria estar tão feliz, e talvez apaixonado pela bicuda que não lhe passou pela cabeça isto.
O tempo foi passando, o menino quanto mais crescido, mas demonstrava características que nada tinham a ver com o pseudo pai, seja fisicamente, seja mentalmente.  Não havia nenhuma semelhança.  Isto foi se refletindo no tratamento que o pai lhe dava, a criança crescera desconfiada sempre, não olhava de frente para ninguém.  Chamava o pseudo pai pelo nome, talvez prenunciando o que estaria por vim.
Bom o fato é que, depois da separação dos pais a distancia aumentou entre o pseudo pai e o  pseudo filho, que cresceu com o ódio e a raiva daquele que lhe sustentou indevidamente, porque nunca o gerara, e, portanto não tinha obrigação alguma de fazê-lo, alimentado pela raiva e ódio  da mãe, que possivelmente nunca amou aquele homem, apenas se aproveitou dele para a tirar de uma situação crítica, pois segundo ela, quando a mãe descobriu que ela estava gravida a expulsou de casa, o que hoje se dúvida também.
Não sei se a senhora mãe ainda está viva, mas gostaria de ver qual seria a sua reação ao saber do resultado deste teste. O que ela iria fazer, ela que desprezava o pseudo pai, lhe achinava, lhe chamava de moleque, dentre tantas coisas que tivemos conhecimento no decorrer da relação daqueles dois, que jamais deveriam ter se unido?
O que está passando agora pela cabeça desse rapaz, que teve a vida completamente destruída por uma mãe irresponsável, uma m mulher mentirosa, aproveitadora, que enganou a tantos, esquecendo-se que um dia a verdade viria`` a tona.
O que vai fazer esta mulher mãe agora, vendo o seu filho arrasado, é o que acho que ele ficou e ficará durante muito tempo ao descobrir, descobrir não, confirmar, que verdadeiramente aquele pseudo pai não era mesmo o seu genitor?
Deus os ajude, sinceramente, Deus os ajude. E continue ajudando aquele que, sem qualquer obrigação, ao menos durante 25 anos sustentou alguém que nada tinha a ver consigo, alguém que o odiou sempre, mas isto não impediu que assegurasse a subsitência  dessa pessoa.mpo.
Não queria ser n nenhum dos três.  A primeira por ser mentirosa e agora vai pagar caro pelo erro que cometeu.   O rapaz porque, se tinha problemas psíquicos, certamente os terá aumentados com esta descoberta – confirmação do óbvio, por ser a sua mãe uma mentirosa,  e o pseudo pai pela revolta de ter sido explorado durante tanto tempo.
Dos três, o único que apesar de ser considerado o pior da estória, é que evidentemente será o mais facilmente perdoado, pois com certeza terá a grandeza e a generosidade de nada exigir, o que passou, passou.  Pedir tudo que gastou de volta nunca vai apagar o fato de ter sido enganado tão descaradamente por uma mulher que talvez um dia tenha amado, mas que não teve qualquer princípio, seja ético ou moral.
Que Deus os ajude.   

sábado, 9 de maio de 2020

O Supremo defeituoso: manco e careca -


A Constituição elenca no seu art.102 a função primordial do Supremo Tribunal Federal “ A guarda da Constituição Federal”. Lendo o artigo e comparando com o que o Tribunal faz hoje, através dos seus ministros, dá uma vergonha danada. Tenho vontade de ir embora deste país e nunca mais voltar, porque a decepção  é tão grande que penso ser melhor me afastar daqui e não ter o dissabor de ver uma derrocada tão grande da democracia.
Cada um dos que compõem aquele corte, querendo ser melhor de que os seus pares e de que todos, se julgam os grandes juristas do Brasil, quando existem muitos outros melhores que eles. Não nego a qualidade de alguns, mas, a grande maioria deslumbrada com o poder, escolhidos devidos as suas filiações político partidárias, por favorecimentos políticos, pensam que podem continuar fazendo política dentro de uma corte que tem como prioridade a salvaguarda da constituição, dos direitos do cidadão.
A última decisão do Senhor Alexandre de Moraes, e do homem que eu respeitava e agora passo a não mais respeitar que é o Celso de Melo, arrepia todo o conhecimento jurídico deste país. Então um Presidente da República, eleito em pleito legal por mais de 52% da população, não pode nomear um Diretor da Polícia Federal?  Onde é que nós estamos? E quando foi ingerência na própria polícia federal a nomeação do Diretor Geral? Então todos os demais presidentes anteriores ao Bolsonaro, que tinham a obrigação legal de nomear este Diretor, porque esta função lhe pertence, faz parte de uma das suas obrigações e prerrogativas, queriam interferir na polícia federal? Que raciocínio é este.? Então o Presidente não pode  nomear um delegado federal, que passou por uma sabatina diante do congresso, para exercer o cargo na ABIN, portanto demonstrando toda a sua capacidade, qualificação e eficiência para ser Diretor Geral da PF não pode ser o Diretor Geral da Policia Federal, porque tem aproximação com o presidente da República, aproximação esta derivada exatamente  do exercício das suas funções?  Que quer o senhor Ministro? Ele está esquecido que foi indicado para o cargo foi feita por um Presidente que, segundo alguns,  não posso afirmar pois não tenho dados suficientes, informações fidedignas, porque neste país também não podemos s confiar na impressa, porque ela também é político partidária, não tem isenção alguma para a informação, recebeu  propina  o tempo inteiro, antes de ser presidente e  durante toda a sua vida política.  Mesmo como como Presidente da República também, vide o rumoroso caso dos homens das boiadas. Onde estava o senhor Ministro da Justiça, então cargo ocupado pelo Senhor Alexandre de Moraes, indicado exclusivamente através da política para Ministro do Supremo, disputando  em desigualdade de condição com um homem honesto, probo, de uma capacidade jurídica ímpar, aliás, geneticamente  adquirida e desenvolvida com toda a prodigalidade que aquele senhor demonstrou por toda a sua vida, mas que sucumbiu diante  da politicagem, que permitiu que este senhor, que se diz constitucionalista, escritor de livros que  dizem, plagiados, não sei porque não vou perder meu tempo lendo livros de Alexandre de Moraes, enquanto posso ler os grandes  autores deste país. Um homem que, para rechear o seu curriculum não  hesitou em se dizer doutor e pós doutor sem o ser! E é este mesmo homem que, Inacreditavelmente, impede a posse do Ramagem porque há indícios de que o Presidente vai interferir na Polícia Federal, dado a proximidade daquele com este.  Que argumento é este Ministro? Que fundamento jurídico é este? O senhor não está aí para isto, para vaticinar nada, o senhor está aí é para proteger os direitos constitucionais assegurados aos cidadãos brasileiros?  Então o senhor esquece de um dos grandes pilares da nossa da nossa República Federativa do Brasil, da harmonia entre os poderes, da proibição constitucional da interferência de um no outro, da harmonia que deve existir entre os três, mas com a preservação da independência de cada um? Art 2º da Constituição Federal? São poderes da União independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.   Então os senhores iam achar legal que o Chefe do Executivo interferisse em algum momento na escolha da chefia do Judiciário, processo aliás, que acho erradíssimo, bem como a composição da própria corte, que deveria ser formada por magistrados de carreira togados,  eleitos pelos seus próprios pares para comporem a Corte Excelsa, já não tão excelso assim,   Que é isto senhor   constitucionalista Alexandre?
E o decano tinha que encerrar a sua carreira com uma pérola desta:  Determinar a condução coercitiva dos ministros do Executivo e a apresentação do vídeo da reunião ministerial?  O Que é isto senhor Ministro, tudo isto por causa de uma pseudo acusação de outro decepcionante “juiz” que resolveu achar que   o presidente queria interferir na Polícia Federal, tão somente por que queria indicar o Diretor Geral? Onde nós estamos? O Presidente da República, e só ele, competência dele de acordo com a Constituição Federal Art. 84, pode nomear os Ministros de Estado, pode exonerá-los até, aliás, compete a ele nomear até os senhores Ministros dos Tribunais Superiores, não pode nomear um Diretor da Polícia Federal, porque isto significa interferência! Onde é que estamos Ministro! Onde é que estamos  Ministro? O senhor poderia sair desta Corte sem esta, sempre  achei que o senhor era um homem sensato, um  jurista, um homem de grande conhecimento, mas o senhor acaba de  perder o respeito não só meu, aliás o senhor está pouco interessado nisto eu bem sei, quem sou eu para que o senhor considere a minha opinião, mas não sou só o meu pensamento é de milhares de brasileiros(advogados incluídos) que não percebem  como isto pode ser possível.  E estas reuniões Ministeriais por que teriam de ser divulgadas? São reuniões que interessam  ao governo, faz parte dele, o que ali se discute pode, inclusive, salvaguardar a segurança nacional: porque deveria ser divulgado? Porque o Senhor que deixou o Ministério acha que na reunião ministerial há prova de que o Presidente queria interferir na Policia Federal indicando tal ou tal pessoa?
Oh Ministro tenha paciência! Espero que a vossa idade seja a responsável por isso. Só para lembrar, o cargo de diretor da Polícia é um cargo de confiança, portanto, de acordo com o Art. 37 V da Constituição da República Federativa do Brasil, o Presidente da República tem competência para nomear sim, escolher o nome. E olhe que ele escolheu uma pessoa com um belo curriculum e com apoio de seus pares dentro da própria polícia federal, onde o mesmo é Delegado de carreira, portanto concursado, e não indicado como a grande maioria dos senhores que estão ai no STF.  
  O que os senhores pretendem com isto?  Qual a tão grande insatisfação que o Senhor Presidente da República causou a todos vocês para que se fique procurando um motivo (imbecil e banal) para tirar o homem da Presidência. Acabou com a propina? Com os conchavos políticos para as indicações dos ministérios e dos cargos dos escalões mais altos? Colocou diretores eficientes que estão fazendo as empresas de economia mista, a exemplo da Petrobrás, sairem de um prejuízo enorme, para dar lucros? 
Então alguns roubam, outros querem nomear indiciados para tentar lhe dar foro privilegiado e, por estes motivos não são afastados, mas um homem que, até então, demonstra honestidade vai ser impitimado por querer nomear o Diretor Geral da Polícia Federal. E por querer indicar um superintendente desta mesma polícia?  Tenham vergonha senhores, tenham vergonha, não exponham assim nosso país, a nossa corte suprema não pode se dar ao luxo de desmoralizar um país inteiro, de dar motivos para que brasileiros, fora daqui, sejam debochados por este motivo. Envergonho-me, envergonho-me sim, mais ainda, de ver o atual presidente desta corte, outro indicado politicamente para ser Ministro do Supremo, um homem sem qualquer notoriedade, a não ser, ser “amigo do amigo de meu pai”, não fazer absolutamente nada,  porque ele poderia sim, mas está  inerte porque comprometido com mais dois outros  infelizes, para não dizer outras palavras e não ser alvo de inquérito e ser processada e chegar mesmo a sofrer pena e ir para a cadeia, porque dinheiro eu não tenho para pagar indenização, então, de alguma maneira o supremo  dando interpretação que quer a lei, poderia mandar me prender por ofender os senhores ministros, aliás, o que o senhor Alexandre de Moraes está pretendendo fazer  com aqueles que falam dele e de ouros ministros nas redes sociais,  calar os brasileiros, impedir a liberdade até de pensamento?
O Art. 5º da Constituição Federal no seu Inciso IV assegura  a livre manifestação do pensamento sendo vedado o anonimato, Vejam bem: o Sr Alexandre de Moraes quer proibir que se faça criticas aos senhores ministros, como se eles não errassem, como se eles fossem deuses e não devessem satisfação a  ninguém. Devem sim, devem satisfação ao povo brasileiro, pois a corte só existe porque nós, brasileiros, feliz ou infelizmente, através dos nossos representantes, assim o quisemos e assim o queremos: esquecem eles que, Art. 1º  Parágrafo Único da CF -todo o poder emana do povo, que o exerce por meio dos representantes eleitos ou diretamente  nos termos desta Constituição.
Triste, triste mesmo, e gostaria que todos que tivessem acesso, lessem o comentário do Dr. Yves Granda  a respeito de toda esta baboseira que vem sendo feita pelo Judiciário.
 Eu expresso sentimento e o mínimo de conhecimento jurídico, mas ele expressa saber, eu posso falar o que muitas pessoas gostariam, mas ele fala o que milhares de brasileiros deveriam falar e saber por que estão falando.
Infelizmente sei que vou receber inúmeras críticas, não importo, melhor ser criticada de que ficar omissa diante de tantos absurdos.       

terça-feira, 28 de abril de 2020

O tiro saiu pela culatra - Uma análise amadora

Eu nunca vi uma porra de uma estratégia  dar tão errado; Vejamos bem: A China, que sem qualquer escrúpulo permitiu que o  Corona vírus se espalhasse pelo mundo, porque deixou que os seus nacionais viajassem para todas as partes do mundo já  contaminados pelo vírus, fazendo com que ele se espalhasse, embora tenha tido o cuidado de fechar as portas, para os seus próprios nacionais, em algumas cidades chinesas, a exemplo de Pequim e Xangai, que, ao menos na mídia, não indicam  qualquer tipo de contaminação,  viu o seu tiro sair pela culatra.
Com a expansão da epidemia, que passou a pandemia, a China nos alertou que não podemos depender deles; nos indicaram que temos de procurar ser auto suficientes e não precisar de ninguém quando se trata de produtos hospitalares de primeira necessidade..Eles alertaram a todos que não adianta explorar a mão de obra barata deles, porque na hora do vamos ver, eles estão lenhando com todo o mundo, incluindo-se ai os americanos que abriram mão de fábricas dentro do seu território para se instalarem na China, para explorar esta mão de obra barata, o que lhe reduz u custo de produção em muitos milhares de dólares.  Aliás, neste particular da China está lenhando com todo mundo agora; eu acho ótimo, porque o mundo capitalista dos grandes empresários não vê nada além de lucro, o que passa por esta exploração de mão de obra, seja na China, seja na Indi, seja em outros países asiáticos ou não,a, embora com total conivência desses países.
Os chineses  abriram os olhos do mundo para este  momento em que o petróleo já não é mais, e nem será mais nunca daqui para frente, a maior fonte de riqueza dos países produtores, porque eles estão bem na frente de todos na geração de outras formas de energia, e olhe que eles já estão experimentando-as há muito tempo . Vamos ver, aliás, já estamos vendo, o preço do barril do petróleo caindo pelas tabelas, pipocando bolsas de todo o mundo, fazendo tremer os Emirados, acabando de uma vez com a Venezuela e prejudicando sensivelmente os Estados Unidos, e nós mesmos os brasileiros, que no momento perguntamos: Para que porra o pré- sal agora? O que vamos fazer com ele?
Eles nos mostraram a nossa fragilidade diante de tudo, entretanto, sem o querer e sem o saber, eles nos mostraram que, se nos voltarmos para nós mesmos,   seremos grandes e fortes; o Brasil, por exemplo, é um país imenso e o que temos dar para nos sustentarmos em termos de alimentação, e não só neste viés; Somos auto suficientes em muitas coisa, portanto o tiro do chinês saiu pela culatra, pois ninguém come produto eletrônico, roupas e produtos hospitalares, muito menos máscaras. Os de Pequim e Xangai, estranhamente e inexplicavelmente, não alcançados pelo vírus, terão o seu dia. Todos eles vão pagar bem caro, um preço altíssimo pelo erro estratégico.  Eles precisam comer, e se não lhe mandarmos comida eles vão morrer a fome. Estaremos, o mundo inteiro, talvez solidários, o que não acredito, porque quando esta pandemia passar, ou tiver nos seus últimos dias, esta onda de solidariedade  perceptível hoje, não funcionará mais, e vamos ter de  recomeçar, e cada um vai querer recuperar o tempo perdido não importando o que deverá ser feito, se em prejuízo do outro ou não, mas, em uma coisa estaremos juntos: vendo a derrocada  do país que pode ter tudo, mas, depende de comida para alimentar  suas bocas, que, com  fome podem, até mexo, fazer com os seus líderes caiam, vão descobrir o quanto são exploradas, enfim, vão ter motivos para  fazer uma grande revolução, todavia, ao custo de muitas e muitas vidas.     
Nós sobreviveremos descobrindo muitas coisas, melhorando em muitas, mas em muitas mesmo. Vamos, apesar de tudo, acreditar mais no ser humano e na sua capacidade de solidariedade e de sacrifícios, cresceremos todos porque isto é inevitável. Evidentemente que teremos muitas mudanças em termos de comercio e políticas internacionais e internas, e, apesar de tudo mesmo, teremos de agradecer à China a oportunidade que  nos deu de  reedescobrirmo-nos, de reenventarmo-nos de humanizarmo-nos mais um pouco. 

sábado, 7 de março de 2020

Um engôdo endossado pela CEF


Comprei um apartamento em 2011. Um apartamento pequeno, com dois quartos, sala cozinha, enfim, um imóvel habitável. O imóvel  está situada em Buraquinho, Lauro de Freitas, muito próximo à Vilas do Atlântico, onde, todos sabem, há uma infraestrutura, existindo clínicas de todas as especialidades,  lojas, restaurantes, shoppings, bairro com completa vida própria, e esta foi a razão maior de escolher tal lugar, pois não queria estar  em Salvador, mas também não queria ficar longe de algum centro urbano  que me de segurança, pois  estou chegando a uma idade em que vou precisar, e muito, de todas as facilidades bem próximas a mim, sem ter que me deslocar a grandes distâncias.
Pois bem, o imóvel era para ser entregue em dezembro daquele ano, 2011, o que não ocorreu, passou a data de entrega para junho de 012, o que também não ocorreu. Obedecendo à cláusula contratual, no    mês de junho de 2012 deveria  o  comprador    pagar a totalidade do imóvel, seja diretamente ao construtor, seja através de financiamento, o que fiz, escolhendo como  financeira a Caixa Econômica Federa, não só porque  sou correntista, o que já facilitaria as coisas, mas, como também, porque a Caixa era a financiadora da própria obra, pois estava na placa do empreendimento, - OBRA FINANCIADA PELA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL., e ainda porque  a própria construtora recomendava que, preferencialmente,  o financiamento deveria  ser solicitado à Caixa. 
Financiamento solicitado, tudo aprovado, começo eu a pagar o tal financiamento, mesmo sem a entrega do imóvel, que a esta altura estava prometido para dezembro de 2012.
Findou-se 2012 e o imóvel não foi entregue, nem o foi em 2013, 2014, 2015, enfim, até hoje, março de 2020, há exatos oito da data prevista para a entrega.
Em 2014, escaldada da espera, ajuizei uma ação contra a Construtora e contra a financiadora do imóvel, que apresentaram defesas que, de início, deveriam ser rechaçadas pelo judiciário, uma vez que a construtora alega que o atraso se justifica  por causas  independentes dela, por força de causas naturais(chuvas) e de  greves ocorridas  no período (construção civil), enquanto a Caixa, além de  alegar que a Requerente,  no caso eu, estava inadimplente (não pagando as prestações), não poderia ser responsabilizada, pois,    o contrato de financiamento do imóvel nada tem a ver com a construção do imóvel, dentre outras argumentações inargumentáveis.
O Juízo negou o pedido de liminar  contido na inicial, que era o de suspensão do pagamento das prestações do financiamento até a entrega da obra e ao final, julgou a ação procedente em parte, condenando a caixa e a construtora em danos morais e materiais, entretanto, condicionou o pagamento  das condenações, ao transito em julgado da decisão, isto porque houve condenação em pagamento de um aluguer no valor correspondente a  0,5%  do valor do imóvel, a partir de 2013, ano em  que, ainda não entendido,  considerou que  a data de entrega do imóvel  passou a ser 2013, sob o argumento de que, quando feito o financiamento, automaticamente, a mutuária (eu) concordou tacitamente com uma nova data de entrega do imóvel.
Recurso apresentado, evidentemente, com as contra razões das requeridas ratificando as suas defesas. Os autos foram distribuídos e até o momento, cinco anos depois, continua sem qualquer andamento, conclusos que estão para o relator, aliás, para não mentir, os autos foram enviados para processamento digital.
Até 2017,  continuava pagando o financiamento à Caixa Econômica, e todo o valor devido diretamente à Construtora foi devidamente pago nas épocas devidas.
Em fevereiro de 2017, cansada, esgotada, desacreditada, enviei um e-mail para a Ouvidoria da Caixa Econômica, solicitando informações a respeito deste empreendimento, perguntando o que a Caixa pretendia fazer, uma vez que ela é responsável pelo termino desta obra, pois cobra um seguro, exatamente, que garante a entrega do imóvel, pois se a construtora inicial não cumprir as suas obrigações, uma outra deverá ser contratada para  terminar a obra e os imóveis serem entregues aos seus proprietários.
Ah! É necessário que se diga que, desde outubro do ano 2016, a caixa deixou de debitar em conta corrente, como era feito, o valor da prestação do financiamento. Assustada, comecei a pagar através de boleto, boleto este fornecido pela própria caixa, que pode ser acessado pelo site.
Uma tarde desta, estando em casa, recebo uma ligação da Caixa Econômica Federal. Quase não acredito, uma vez que era um funcionário da Caixa que queria falar sobre a minha ocorrência de tal dia. Fiquei ao mesmo tempo, surpresa e apreensiva! O que estaria por vim?  Aí vem a surpresa: o cidadão me informa que a partir  de janeiro eu não pagaria mais qualquer prestação até a entrega do imóvel: que  a caixa está negociando com outra construtora o termino da obra, dizendo, inclusive o nome da empresa que estaria sendo sondada, e que a caixa vai garantir mesmo a entrega da obra. Disse-me mais, que eu receberia uma comunicação da caixa informando sobre tudo isto.
Estou aguardando a comunicação, que até o momento não chegou, março de 2020 vou aguardar mais alguns dias, pois passou o carnaval e a lentidão normalmente se notabiliza nesses períodos.
Acreditem, isto está ocorrendo e ninguém faz absolutamente nada. A Justiça na sua morosidade, permite que a Construtora esteja impune até esta data. A Caixa por sua vez, não define o que vai fazer, enquanto isto, os sonhos, as esperanças, desejos, ilusões dos adquirentes do empreendimento vão água abaixo. Alguns deles que continuam, pasmem, a pagar o financiamento, e a caixa omissa, nada faz. Como se não bastasse nada dito, tive o desprazer de ver negada uma operação que pretendia fazer com a caixa econômica, sob o argumento de que, como tenho processo contra a instituição, não posso fazer operações com ela. Dá para crer. Sou vítima duas vezes, e eles ainda acham que tem razão.
Uma lástima, não dá para acreditar no que ocorre neste país. A quem recorrer? Ao Judiciário? Para que?  Eu o fiz, e estou esperando há seis anos uma solução.
A construtora continua fazendo obras para o Estado, como se nada tivesse acontecido, como se não tivesse lesado umas duzentas famílias. Até quando isto vai acontecer? Até quando, nós, pobres mortais, seremos humilhados, roubados, vilipendiados sem que ninguém faça absolutamente nada?
É uma tristeza, que cidadania é esta? Que respeito este país tem aos seus cidadãos? Que justiça é esta que nós sustentamos para nos servir e que nada faz, a não ser conivente com tantos erros? Se ela efetivamente funcionasse, tenho certeza de que nenhum empresário neste país faria uma miséria desta, porque se recebesse, de logo, a punição cabível, jamais faria outra vez, ao menos pensaria duas vezes.
Ah, tem um detalhe: no início do ano passado recebi uma comunicação do SPC, comunicando-me que a Caixa Econômica, esta mesma que mandou que parasse de pagar as prestações até a entrega do imóvel, tinha autorizado a inclusão do meu nome no cadastro de inadimplentes. Bem verdade que isto não ocorreu, isto porque entrei de imediato em contato com a agência responsável pelo meu contrato habitacional, no entanto, ao tirar o extrato para o imposto de renda, as duas prestações continuam em aberto, ou seja, a qualquer momento ainda posso ser negativada. Pasmem vocês!   
Continuo no prejuízo, eu e os inúmeros adquirentes  do MORADA DAS ÁGUAS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS, somos vitimas da MFP CONSTRUTORA LTDA  e da CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, e todos os três contam com a morosidade do Judiciário brasileiro, que termina  por ser conivente com tanta ilegalidade.
Ah! mais um detalhe mentiroso: Os maiores de sessenta anos não tem a prioridade alardeada pelas instituições: vide  que tenho 66 anos. Só rindo! .    

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Uma Pré-saudade


Ando pelas tuas calçadas. Cada passo uma descoberta, um encanto. Uma pré-saudade. Sim, uma pré-saudade, porque sei que vou tê-la. A percepção de que breve tenho de ir-me me dá a nostalgia da saudade. Consigo me vir sentada em casa, na minha rede tão nordestina, a recordar cada passo desta caminhada que hoje faço. Saudade, palavra boa e ruim. Sentimento dicotômico. Bom: porque se temos saudade, é porque vivenciamos alguma coisa muito boa; ruim: porque não estamos vivenciando o momento, ele passou, e só ficou a lembrança dele.
O tempo avança, não nos deixa quietos e parados na mesma estação, ele passa e nos deixa as marcas, sejam elas de alegrias, sejam de tristezas; ambas não se apagam.: as primeiras viram saudades, as segundas amarguras, lembranças dolorosas que apesar de querermos esquecer, elas se incrustaram no nosso eu e não deixa que as esqueçamos.
Por um lado isto é bom, porque se as esquecemos, n os precavemos para os novos acontecimentos, encontros, e não vamos nos deixar machucar tanto, mas tem o lado ruim, que é o de reviver a dor: entretanto não podemos, simplesmente, apaga-las  da memória, porque apagando-as, também apagaremos os resultados bons das nossas vivências.
Tudo o que passamos de bom e de ruim nos moldam. Se bom, nos faz crescer.  Cada dia um novo aprendizado e a certeza de que a vida é luta: vitória ou derrota. Nem sempre uma e nem sempre a outra. A dicotomia em nossas vidas é constante. As derrotas nos fazem crescer até mais que as vitórias, porque com as derrotas  temos de nos levantar e lutar outra vez para que uma nova vitória chegue, e, quando ela chega, e chega muitas vezes, a gente é que não se dá conta disto, ela traz alegria, felicidade, realização. Efêmeras elas até podem ser, mas que vão deixar saudades, como esta que agora experimento: uma pré saudade que sei, terá lugar para o resto da minha vida, como vem sendo até agora.
Gente, parece que viro poeta, filosofa, escritora, viro de tudo um pouco quando falo do meu querido Portugal e das minhas extraordinárias ruas de Lisboa, estas que me dão tanta pré´saudade quando caminho por elas.
Não procuro por nada em Lisboa, apenas ando pelas suas calçadas portuguesas, com suas pedras brilhante. Sempre acho que vou escorregar pois brilham tanto que parece que tem muita cera nelas. Não é necessário procurar lugar nenhum em Lisboa, porque sempre, para que direção você vá você vai encontrar algo que vai admirar, lhe encantar, lhe encher os olhos.
É um encanto a cidade, uma luz fantástica no verão. Um sol morno no inverno.  Não me importo com o frio, parece que com ele gosto até mais de Portugal, pois adoro andar de botas e cheia de casaco de frio. Kkkkk acho-me linda e elegante com essas roupas. Nada me impede de passear em Lisboa e em Portugal no geral, nem mesmo a chuva aborrecida,  em alguns períodos, me tira da rua e dos meus passeios pela cidade. E olhe que não gosto de guarda chuva, carinhosamente chamado de “chapéu de chuva” pelos portugueses.
Se chove demais, entro em alguma tasca e já e um bom motivo para tomar um vinho. Se o restaurante ou a tasca fica em alguma posição estratégica em Lisboa e dar para ver o Tejo, aí um copo vira vários, uma garrafa, duas: você é quem faz o limite.
Tão bom sentar em algum restaurante,seja em Alcântara, seja em Belém, até mesmo no cais do Sodré e, através dos vidros, ainda que embaçados, ver a Ponte Vinte e cinco de abril, o Cristo redentor do outro lado do Tejo, os navios que passam em direção ao porto ou dele saindo. É realmente para se ter saudade.
Vou ficando por aqui, com a minha pré saudade. Acabo de chegar ao Cais Sodré, onde vou pegar o barco para ir almoçar lá no Restaurante o Farol, de onde posso ver Lisboa inteirinha à minha frente. Sei que vou chorar, mas as lagrimas voltarão ao meu corpo, porque certamente estarei comendo uma ameijoa à bulhão pato, e elas caíram no caldo e eu vou fazer com que elas voltem para mim como alimento, para que eu as guarde e possa chorar de saudades quando retornar ao Brasil  

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

DAMIANA - Uma lembrança


Conheci Damiana quando eu era ainda criança. Criança mesmo, acho que não tinha quatro anos de idade. Damiana era uma negra imensa, devia ter um metro e oitenta, sua pele não era negra, era mais para o pardo. Ela tinha aquelas manchas marrons na pele, que dava para ser notadas.
Damiana tinha o cabelo enorme, mas somente uma vez o vi solto, isto porque nas artes de criança, desavisadamente, entrei no seu quarto. O cabelo era cheio e enorme.  Isto aconteceu quando eu já tinha bem uns oito anos.
Quando Damiana entrou na minha vida eu era uma criança mesmo e ela já me parecia ser uma velha, não que fosse mesmo, possivelmente era teria uns trinta e cinco anos, acho eu, pois sequer posso avaliar a idade dela,
Ela sempre estava limpíssima e de avental, os cabelos presos em dois cocós um de cada lado. O cabelo era repartido no meio em uma precisão sem igual, a gente conseguia seguir aquela linha divisória entre um lado e outro, da testa até a nuca, parecia mais uma cicatriz.
Não me lembro de ver Damiana sorrir, sei que ela usava dentadura, mas não me recordo mesmo de vê-la sorrindo. Via a sua vida costumeira. Limpar casa, lavar roupa (na mão), encerar o chão, limpar cozinha, banheiros, etc.  Ela vivia na casa de umas tias minhas ali no Canela. Se bem me lembro ela dormia na parte do subsolo da casa, para o quintal, onde existia e frutas, que ela, Damiana, cuidava.
Nunca vi ninguém procurando Damiana, ninguém da sua família. Nunca soube de onde veio, quem eram seus pais, enfim, nunca soube nada dela, a não ser que ela fazia parte da casa, quase que como um objeto móvel e que obedecia ordens e sabia cumprir as suas obrigações, sem nunca reclamar, sem falar, quase sem ouvir.
Sei que ela gostava de minha mãe, talvez porque tinham uma coisa em comum, eram pobres e conversavam quando se viam. Aliás minha mãe fazia questão de ir vê-la no seu quarto se ela não estivesse decorando algum lugar da casa esperando a ordem de alguém.
Da última vez que a vi ela já estava com cabelos brancos, mas continuava na labuta, depois não tive mais notícias, a não ser que ela tinha morrido.
Hoje me pergunto: Quem era aquela mulher? De onde veio? Quais os seus anseios? Quais os seus sonhos? Será que teve, algum dia, um namorado? Será que queria ter filhos? Enfim, fico a me perguntar se Damiana um dia foi feliz, ou se para ela a felicidade era aquela vida.
Queria saber da sua história, mas hoje, infelizmente, não há ninguém para contá-la. Meus tios, a quem ela servia, todos eles, já faleceram.  
Será que um dia Damiana mostrou o seu corpo a alguém.  Eu achava que ela não tinha peito, porque sempre a vi de vestido de um tipo que cobria tudo, aliás não sei como ela conseguia trabalhar com aquela roupa, sempre vestido cinturados, de mangas, algumas vezes com o detalhe de um rolo na gola. O comprimento do vestido fazia a gente pensar que ela não tinha coxa, sempre no meio da perna.
Será que Damiana conheceu o mar? Algum dia ela foi à praia?  Será que saia de casa aos domingos pela tarde? Será que tinha folgas? Como poder conceber alguém que não conheça o mar? Todavia, acho que ela não o conheceu
Realmente hoje, e só hoje, é que vi a inutilidade da vida de uma pessoa, que apenas serviu a outrem durante toda a sua vida. Quando digo inutilidade de vida, falo da vida pessoal, do seu querer, dos seus sonhos. Talvez por não os ter, ou por não poder realizá-los, é que Damiana era taciturna, quieta, de fala mansa.
Espero Damiana, que hoje, onde você estiver, esteja feliz e que a sua v ida seja bem diferente daquela que conheci.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Se pudesses ouvir-me


Ah se pudesses ouvir-me!
Ouvir os meus choros e meus lamentos.
Ah se soubesses da minha dor.
Certamente não acreditarias que sou eu,
Tu, que só me vistes feliz ao teu lado.
Tu, que tantas vezes destes-me teu peito amigo para que afogasse as minhas dores
Tu que, calado, ouvias os meus soluços.
Tu, que não soubestes avaliar o quanto eras importante para mim.
Tu, que nada fizestes para não deixar-me ir
Não te esforçastes, minimamente, para ter-me ao teu lado
Deixastes-me ir com a dor de perder-te, sem  ao menos ter tentado.
Um trem, uma estação, um longe que machuca
A dor de saber-te acariciando outro corpo
Consolando outra pessoa que não eu, amando outro alguém
E, talvez, dizendo a mesma frase que disseste-me um dia:
“Vou amar-te para sempre, até depois da minha morte”
Sim, apropriei-me dessa tua frase,
Porque ela em mim é verdadeira,
Porque meu amor é infinito e atemporal,
Não tem tempo definido, e assim
Não acaba nem com a morte,
Que até pode terminar um ciclo, o terreno,
Mas, o espírito transcende ao tempo 
E eu sei que o meu infinito é você.
Não, não penses que quero-te junto a mim,
Não, não quero, não vale a pena depois do me fizestes
Não lutastes, aceitastes, muito facilmente, o afastamento de nós
Aliás, como dirias tu, já estavas engatado,
Apareci apenas para atrapalhar, ou melhor retardar o engate,
Adiando o que já era fato consumado.
Enganastes-me com frases prontas e medíocres,
Mas que embevecem corações apaixonados.
Sim, vou amar-te eternamente,
Não posso negar nem a mim própria,
Pois, mentiria descaradamente para mim mesma.
Seguirei sim, seguirei, mas hás de passar por esta dor e,
Arrepender-te-ás, mas, aí será muito tarde
Porque fizestes-me  incrédula  de ti.