sábado, 8 de setembro de 2012

Enganados! Será?


Acho interessante ver as pessoas acharem que estão enganando as outras; penso que elas pensam que são inteligentes e que todas as demais, pobres mortais, são burras.
Quando as pessoas enganam as outras, lógico que estou falando daquelas pessoas que conhecemos razoavelmente bem, chega mesmo a ser engraçado, hilário até, porque a gente percebe mesmo que está sendo enganado e deixa que o idiota, que nos esta enganando, pense que esta conseguindo este grande feito.
A pessoa tem “tiques ou tics” não sei bem, que denunciam tanto as suas inseguranças em relação ao que está falando, ou à mentira deslavada que esta sendo contada, só que elas não se apercebem disto.
Por exemplo, conheço uma pessoa que tem um “tic”: quando está mentindo, contando algo que não foi real: começa a falar e a boquinha horrorosa tende para o lado esquerdo, resultado:  um espectro! A pessoa já é feia por natureza e ainda arruma um “tic” deste que lhe torna muito mais feia;  feia  em vários sentidos: exterior por não ser mesmo privilegiada pela natureza, e  interior pelo fato da mentira deslavada, cínica, imbecil, sem a menor necessidade, que está contando.  É bom que aqui fique claro que não sou das pessoas que dizem que “quem ama ao feio, bonito lhe parece” e nem “que a beleza é interior”. Não sou não: para mim feio é feio e pronto.  Se você olha para alguém e a pessoa é feia, não tem belos traços, tem boca torta, nariz enorme, olhos enviesados, infelizmente, a pessoa é feia mesmo. Acho, como Vinícius, que “beleza é fundamental”.
Falando em “tics” conheci uma outra que adorava falar de Freud, Jung, enfim, de psicologia. Achava engraçadíssimo quando ela começava a “descrever”, “narrar”, “falar sobre”, nunca soube entender muito bem o que se passava ali, e os dois dedos, o polegar e o vizinho do mindinho alcançavam os dois pontos entre os olhos e eram ali esfregados: algum tipo de massagem para ativar os neurônios, quem vai saber! Eu só achava engraçado e interessante, era como se fosse um sinal de que, naquele momento, o “saber” ia ser compartilhado; que éramos privilegiados por isto. Para mim, apenas uma demonstração da total insegurança daquele que sabe que o seu saber não é o saber, mas vai se fazer o que?
Pois é, penso que vivo uma legião de mentirosos.  Uma das grandes e esfarrapadas desculpas que ouço é quando alguém diz que não atendeu ao telefone porque estava no banheiro, puta que pariu! Pensam que eu sou idiota ou o que? Façam como eu, passo todo o tempo com o telefone no silencioso, tive de me acostumar a isto, primeiro por causa do trabalho; segundo por causa das aulas; terceiro por causa das pesquisas em arquivos e bibliotecas, em que não podia ser incomodada e nem incomodar os meus pares. Me acostumei tanto que esqueço, literalmente, de tirar o silencioso, resultado: não ouço nenhuma chamada, é bem melhor de que mentir. Aliás, quem me conhece mesmo sabe que odeio celular, que não gosto de falar ao telefone, enfim, muitos nem ligam porque já sabem que não vou atender por todos os motivos já expostos; agora inventar desculpas para justificar o não atendimento é uma merda. Não justifique nada, simplesmente não atenda e não diga por que não atendeu, é melhor.
Pior que tudo isto é você estar com alguém e ouvir o telefone da pessoa tocar e ela não atender. Bem verdade que, às vezes, faço isto, porque tem momentos de uma total inconveniência, mas ver a pessoa não atender ao telefone porque realmente não quer é um pouco demais. Pergunto-me: para que dar o número se já sabe que não vai atender. Melhor não dar.  Outro dia alguém me pediu o meu telefone, eu disse que não sabia o número.  A pessoa me olhou com uma cara incrédula: então eu não sabia o número do meu telefone!  O diabo é que eu não sabia mesmo, aliás, continuo sem saber, tanto que coloquei na lista dos contatos o telefone de “eu”, mas, na verdade, no caso a que me refiro, ainda que eu soubesse, não o diria a quem mo pediu; pois imaginem só: foi um garçom brasileiro num restaurante de Lisboa. Tudo bem que a gente tem de tratar bem a todos, mas isto não significa que viva dando o seu número de telefone a qualquer um.
De outra feita dei o número errado; simplesmente troquei o último número, felizmente que o “cara” não ligou na hora, senão o caso tava perdido e eu passava por sacana. Entretanto, o melhor mesmo é não mentir, mas naquele momento foi o melhor que pude fazer para não magoar o rapaz que estava tão interessado na minha pessoa e que eu não queria, de maneira alguma, demonstrar qualquer descaso, foi outro garçom. Penso que ando a agradar a classe!  Não confundam, entretanto, mentira com omissão. A omissão em alguns momentos é louvável, evita-se muitas coisas, mas a mentira, como diria minha mãe, tem pernas curtas, e a gente um dia descobre que um companheiro de longa data, destes que acorda e dorme com você, que as pessoas até os confundem como marido e mulher, que até tem momentos de prazer (sexo) e dividem contas, tem um caso e um filho com outra pessoa. Olhe que eles passaram muito tempo juntos, pensando um deles que era companheiro mesmo do outro. Já notaram que não eram não é?  Esta omissão não valeu a pena, porque isto não é omissão: é, e foi, uma grande e enorme traição!!!!!
Pois é, outra coisa que detesto é a curiosidade das pessoas em relação à vida do alheio. Lá quero eu saber onde as pessoas foram, estão ou vão. Não me interessa; pior ainda, quanto gastaram:  pouco me importa, a não ser quando alguém esta gastando o que é meu; aí sim, fico “piursa”  deve ser assim que se escreve, uma mistura de raiva com ursa, porque se a porra é minha, quem tem de gastar sou eu sem dar satisfação às outras pessoas. Aquelas que gastam o dinheiro que não é seu é que tem obrigação de prestar contas. Ultimamente, quanto pior, na minha velhice, quando pensava que, até por força da própria idade, da maturidade, da “sapiência”; não se esqueçam de que velhice, para alguns, é quase um sinônimo de “saber”, penso que é “experiência”, mas cada um dá o nome que quer ao passar dos anos e ao acumulo dos cabelos brancos que, infelizmente, se aboletam em todas as partes do corpo, o que é horrível; percebam que se olhar no espelho e ver os grisalhos revoltados, porque eles são revoltados mesmo, são mais grossos, inconvenientes, teimosos, se colocam em espaços indevidos, me deixa para lá de irritada, mas fazer o que não é? Eles estão aí e pronto, mas, voltando ao assunto e  a minha velhice, conheço pessoas que tem curiosidade mórbida a respeito da minha vida: gente que quer saber onde fui; com quem fui até mesmo o que comi. Se compro uma coisa, tem a desfaçatez de me perguntar quanto foi. Não gosto disto, mas a vida me proporcionou isto na velhice, e eu, por força de circunstâncias outras, que no momento não vêm ao caso, estou me sujeitando. Bem verdade que tenho uma válvula de escape: a mudez. Fico muda simplesmente. Acreditem que não respondo nada e fico somente olhando para a cara do “questionador”. É como se eu quisesse, com o silêncio, demonstrar toda a minha insatisfação com tanta curiosidade.   
E aquelas pessoas que além de questionarem querem dar palpites! Ah estas, são mesmo o fim da picada, ainda tem algumas que se fazem acompanhar de outras, que nem sabem quem você é direito, e se julgam no direito de, também, dar palpites, comentar; e a gente descobre que a droga desta pessoa, que você nunca viu, não sabe de onde veio, sabe muito da nossa vida, logicamente, porque alguém, que não é só curioso, é também fofoqueiro e gosta de falar da vida do alheio, lhe contou. Um comentário: tem gente que sabe mais da nossa vida de que nós mesmos, porque quem fala dela o faz de uma maneira que, de repente, o fato é outro, as pessoas são outras, os resultados são outros e a gente se descobre outra pessoa, outro momento, numa outra vida. Tem  momentos  que ficamos na dúvida se estão falando de nós mesmos ou se, no meu caso, por força da velhice, me esqueci daquilo.
É, mas vou ficar por aqui, só de recordar estas passagens já estou ficando irritada, porque, efetivamente, não há nada que irrite mais uma pessoa de que a mentira e esta mania que as pessoas têm de, sem ser convidadas, entrar no espaço dos outros. Se você tiver alguém na sua vida que seja assim, mentiroso e ou curioso, se afaste: é o melhor que você faz.