quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Tenho muitas saudades!

A primeira vez que viajei com você, se bem me lembro, foi para Nova York. Não estávamos sozinhas, éramos em cinco, eu, você, duas colegas e Carlos, você lembra? Tínhamos uma guia brasileira que não falava inglês, quero dizer, tinha um inglês very very poor, mas se arvorava a levar grupos para os Estados Unidos. Ficamos em um hotel perto da 5ª Avenida. Salvo engano, era época da semana santa.

Estávamos deslumbradas com Nova York. Carlos, naturalmente, como todo bom consumidor que se preza, empolgado com tantas formas de gastar dinheiro. Eu gastando com presentes para toda a minha família, idiota de sempre. Procurava um relógio que estava na moda para o Fabio, já não lembro o nome,um Acqua qualquer coisa, porque lá se vão anos.

Entramos no Hard Rock Café e no Planeta Hollywood que estavam bem na moda. Compramos camisas várias, eu para os meus filhos, você para alguém que já não me lembro. Sabe que ainda tenho lá em casa, tanto estas quanto as da coca-cola, lembra?

Fomos assistir Miss Saigon, encontramos colegas na entrada, e olhe, estávamos em Nova York e encontramos colegas, mundinho pequenino este!

Estivemos em New Jersey, não sei bem porque, nos levaram a lojas que vendiam roupas em quantidade, acho que nos confundiram com sacoleiras, aquilo não tinha qualquer sentido, mas fomos e nos divertimos muito.

Tiramos fotos em frente a estatua da liberdade, quero dizer, de um lugar onde se via a estatua da liberdade e dava para a gente tirar fotos da mesma sem ter que chegar até ela. Estivemos nas torres gêmeas, “Twin Towers”, elas ainda existiam. Gostava de ver o guia, que era de lá, falar com o sotaque inglês “Torres gemelas”.

Nova York nos acordava cedo, o barulho ensudercedor das sirenes dos carros de policia nos tirava da cama. Aquela cidade parece só ter carros de polícia, de bombeiros, ambulâncias, enfim, é um som típico de Nova York, a gente vê e ouve isto nos filmes, aliás, era como eu me sentia ali.

Estivemos no bairro chinês, onde alguns compraram falsificações de relógios de marcas. Eu me contentei a comprar pratos chineses e alguns jogos, gosto do que é verdadeiro, aliás, não sei enganar ninguém, se usasse um relógio de uma marca retada que fosse falsificado, certamente, todos perceberiam, mas tem gente que sabe disfarçar bem e, por isso mesmo, as compras foram promissoras naquela “China Town”.

Depois, acho que dia seguinte, estivemos no Bairro Italiano. Tenho fotos, lembra que tirei a foto do garçom? Ele era lindo. Ficamos ali sentadas, tomando, pasmem! Café! Que falta de gosto, mas estávamos cansadas, as fotos demonstram isto. Numa delas, você, como sempre moleca, aproveitou que uma de nossas colegas sentou no chão, e estendeu-lhe a mão com uma moeda, não antes sem avisar-me para que eu captasse o momento, o que foi feito.

Fomos ao Queens, ao Brooklyn, atravessamos de barco não me lembro de onde para onde, fomos ao correio onde, com o meu quase nenhum inglês, enviei, para a França, pacotes de cigarro para a sua irmã.

Um dia, fomos almoçar em um restaurante próximo ao Hotel. O promoter, acho que é este o nome, já tinha vindo ao Brasil e entabulou uma conversa comigo levada na raça mesmo, ele falava de um amigo que morou no Rio de Janeiro, que trabalhou na marinha. O homem era “bicha” e falava, falava, falava, eu entendia 60% do que ele dizia, mas ele se empolgou ao falar do amigo, resultado: tivemos uma grande assistência no restaurante. Mas você e Carlos aprontaram comigo. Lembra que um garfo caiu no chão? Você lembra onde ele foi parar por obra sua e do outro sacana? Na minha bolsa. Só descobri depois que sai do restaurante, e quase tenho um filho colorido, só de pensar que se eles tivessem percebido estaria eu, quem sabe até hoje, com um processo nos Estados Unidos e sem direito a ali retornar, talvez até com direito a manchete no jornal, enegrecendo a mim e ao judiciário brasileiro, mas vocês sequer pensaram nisto e me botaram nesta merda. O garfo ainda tá La em casa. Como o restaurante era bom e caro, o garfo continua bom, quem sabe ainda faço um leilão dele.

Ta lembrada da emoção ao chegarmos ao Central Park?

Estivemos no Cais nº 5 ou 50, talvez, 52. Você lembra? Lembra que eu me escondia porque tinha visto uma advogada, que fora minha colega no ginásio, e eu não queria falar com ela?Pois, isto aconteceu. Rimos tanto naquele lugar...

Pois é minha amiga, foi uma grande viagem, tenho fotos de você na porta do edifício do Donald Trump, acho que é este o nome, onde o Carlos comprou uma gravata de para lá de 150 dólares, e olhe que estava em promoção, uma camisa de mais de duzentos. Isto já tem mais de 18 anos.

Depois desta viagem fizemos muitas outras, em território nacional ou não, nos divertimos a bessa com tudo, até da alegação da minha gravidez, que você e Carlos diagnosticaram para o homem do restaurante, a fim de que ele lhes dessem, quero dizer, a nós, o frasco de pimenta, que era sensacional. Nessa viagem, tipicamente nordestina, estávamos em quatro, eu você, Carlos e o nosso outro parceiro, tanto seu quanto meu, eu o adorava, aliás, continuo adorando, não é a distância que faria acabar o meu amor por vocês dois. Afinal não é todo dia que alguém escolhe o vestido com o qual você vai ao casamento de um filho, e nem compra sandálias para lhe oferecer, apenas e tão somente, porque vê nela o seu pé e acha que vai ficar mais de que bem. Usei muito a sandália, embora o vestido, usado em dois casamentos, não deu muita sorte aos nubentes, ambos os consórcios já acabaram. Para dar mais originalidade a esta passagem do nordeste: Tu lembras do amigo do nosso parceiro que nos ofereceu um jantar, acho que na Paraíba? Tu lembras que o “straga o bofe de camarão” quase estragou os nossos dentes? Tu lembras o motivo do bicho ter ficado tão duro? É que fora feito, ou esquentado, no micro ondas. Pois, comemos aquilo não sem muita troca de olhares e muitos risos, ficamos com muita pena da aflição da esposa do ex colega de trabalho do nosso parceiro.

Tu lembras da feira de Caruaru? Lembra que fomos a um restaurante e pedimos galinha a cabidela, e você, sem que o prato tivesse vindo para a mesa, disse que não ia prestar, porque estavam fritando a galinha antes, diante da grande admiração do nosso parceiro, que dizia “esta mulher tem um nariz!” Visse?

Tu lembras da minha boca toda pipocada de tanto chupar pitanga no hotel em Garanhuns, a Suíça brasileira, segundo vocês. O pior é que era frio mesmo.

Tu lembras em Maceió, nas Alagoas, que você e Carlos resolveram que deveriam circundar a piscina de cascos de cerveja, bebidas por vocês dois. Evidente que não conseguiram, acho que estavam bêbados até hoje. Lembra da “maioria gosta” da galinha de molho pardo em Ilhéus Fiz uma crônica sobre isto. Lembra das nossas idas ao Morro de São Paulo, Boipeba, Guaimbim? Que maravilha e quanta saudade!

Você sabe que tenho muito mais coisas para contar de nossas andanças pela Bahia, pelo Brasil e pelo mundo, além das viagens do coração e da emoção.

Pois é minha amiga. Tenho uma saudade imensa de tudo isto, do nosso companheirismo, das nossas crises, dos nossos encontros e desencontros, das nossas críticas, dos nossos problemas, muitas vezes resolvidos calados sem que uma dissesse a outra, mas ambas com a certeza de que não estávamos bem.

Não sei o que diga. Espero, apenas, que um dia, que os nossos corações agüentem, o seu eu sei que é forte, ele já teve interferências exteriores para se agüentar firme; o meu é fraco, ainda é originalíssimo, fraquejando ultimamente, pela dor de perder muitas coisas boas que saíram da minha vida sem me pedir autorização para tal, possamos reatar a nossa amizade, ela me faz uma falta imensa. Queria muito que você conhecesse e, sei que isto aconteceria, admirasse, o seu afilhado, ele é maravilhoso, critico, gozador, inteligente. Você vai ficar encantada. Certamente não faremos mais viagens juntos, eu você Carlos e o nosso parceiro. Já não tenho mais o Carlos, mas eu to aqui, se você precisar de uma “amiga”, “companheira”, “parceira”, “cúmplice”. Estou no aguardo de um sinal, que possa, de novo, abrir a portas dos nossos corações, para que possamos, se não fazermos grandes viagens, sentirmos emoções de recordá-las na companhia uma da outra, e de um nosso velho e bom aliado: Um vinho tinto!

Saudades!!!!!!!!!!!