quarta-feira, 10 de março de 2021

Surpresa !!! - O Supremo ataca outra vez

Ontem dia 09 de março de 2021, um dia escuro e obscuro que nunca será esquecido.  Já estava eu perplexa com o que aconteceu no dia anterior, quando o Ministro Fachin resolveu, após longos anos, acatar o pedido de Lula da Silva, a nossa maior vergonha nacional, e declarar a incompetência do Juiz Sergio Moro para julgar os processos em que ele, o ex presidente, comprovadamente criminoso, foi réu na Lava Jato. Não vou discutir a incompetência, até porque não tem cabimento, o Ser Fachin, que deveria ter se declarado suspeito para quaisquer desses processos por ser reconhecidamente um militante político petista, os vídeos estão aí para quem quiser ver e ouvir, não dá para esconder e nem desdizer o que foi dito, não deveria fazer qualquer julgamento. A Incompetência não existe porque todos os crimes praticados, comprovadamente praticados por Lula e todos seus quadrilheiros, estão fartamente comprovados, e eles estão intrerligados aos crimes que foram apurados e identificados pela Lava Jato em Curitiba não há volta em relação a isto. Todos viram, todos acompanharam, todos os brasileiros tiveram acesso aos depoimentos dos outros condenados que assumiram as suas faltas, porque diante do cabedal de provas não existia nenhum argumento passível de apagar as evidências. O único inocente na história, segundo ele próprio, foi o Lula, que até o momento não explica os bens que possui, a fortuna acumulada por seus filhos, a vida de “empréstimos de amigos”, aliás com as benesses que eles receberam acho até que fizeram pouco, só um sitiozinho, uma reforma em um apartamentinho, um terreninho para o instituto lula, muito pouco, pouco mesmo, para quem foi tão benevolente.  Bom, mas está feito e vamos ter de aguardar que o recurso seja julgado, aliás, espero mesmo que a Procuradoria da República recorra, para que a desmoralização da nossa Justiça não seja maior do que já está. O pior é que o recurso será julgado pelo mesmo Supremo Tribunal Federal, que tem não só esses de quem venho falando, como também: Barroso, Alexandre de Morais. Que Deus realmente nos guarde!

Pois então, após essa decisão do Sr Fachin, o Sr Gilmar Mendes, para não ficar atrás, decide, um dia após, julgar a suspeição do Juiz Sergio Moro, sim, aquele homem que teve a coragem de meter o dedo na maior quadrilha que o Brasil já teve, acho que nenhum outro momento da história do Brasil se viu tanta falcatrua, tanto desvio de dinheiro, tanta canalhice, roubalheira, enriquecimento sem causa, prevaricação. O maior toma lá da cá da história poderia terminar com a atuação honesta do Judiciário.  Parcialidade? Por que parcialidade? Por que o Juiz da causa falava com os procuradores que estavam no caso e participavam de todos os atos processuais, aliás, obrigatoriamente por dever de ofício? Por que deixou o Judiciário para participar do Governo do País, por que foi convidado pelo Presidente atual para ser Ministro da Justiça? Sabemos, hoje, que o Bolsonaro não fez a melhor escolha, realmente não fez, os fatos ocorridos falam por si só, mas daí a dizer que o Juiz à época agiu com parcialidade para prejudicar o “santo Lula”, vá a porra, é querer mesmo tampar o sol com a peneira.  Quem deveria estar sendo, no momento afastado desse julgamento estaparfúdio, porque o recurso devia ter morrido no nascedouro, eram os Senhores Gilmar Mendes e o Levandovisky, esse último que teve a “gloriosa” participação no impeachment de Dilma, quando  atropelando a Constituição Brasileira, criou norma  contrária a mesma, para  deixar a Dilma com os direitos políticos preservados depois de um processo de impeachment! Esse sim, também mais um parcial, aliás cumprindo devidamente o seu papel, pois afinal ele é ministro graças à intervenção da vizinha Dona Mariza, segundo às más línguas, que pediu a Lula para que ele fosse Ministro do Supremo Tribunal Federal, acreditem gente, é por aí. Como uma pessoa que tem uma intimidade dessa com uma família pode julgar processo em que um dos membros da família é parte.  Impossível, mas ele não esconde não, faz questão de declarar publicamente o seu agradecimento sem qualquer constrangimento. Quando um homem chega a dizer que Lula foi tratado pior que um animal quando foi preso, puta que pariu! Ainda bem que a televisão estava lá e mostrou a todos os brasileiros, petistas ou não, como o Senhor Lula da Silva àquela altura CONDENADO, usou politicamente a sua prisão, fez comício, ficou bêbado, fez a polícia federal de imbecil, lembrem-se que eles tiveram de aguardar horas para que, o bêbado, o condenado, quisesse “se entregar”. A palhaçada foi enorme. Eu chego a achar que eles (os ministros) estão com problemas mentais causados pela “velhice”, preciso acreditar nisso.  Pois é, os parciais não se deram por suspeitos e “descaradamente” na presença de milhões de brasileiros, querem desconstituir uma sentença processualmente, sim processualmente , porque os fatos já não podem voltar atrás, estão comprovados, e ainda que eles consigam o seus intentos, o que não acredito, pois deve haver alguma dignidade e imparcialidade aliada à moralidade e responsabilidade  ao Ministro Castro Nunes, não porque ele foi indicado pelo Bolsonaro,  e sim porque ele foi Juiz de Tribunal que já julgou alguns processos da lava jato, e sabe, perfeitamente, que o Superior Tribunal de Justiça , apesar de provocado pelo condenado Lula, afastou tanto a suspeição quanto a incompetência, aliás, ambas também  afastadas  no Supremo Tribunal Federal, esse mesmo que agora, por uma de suas turmas que se desdizer, se auto desmoralizar, colocar o nosso pais  no rank dos piores do mundo quando se trata de aplicação da justiça.  O Senhor Gilmar, para quem não sabe é dono de uma escola de direito: Como serão os advogados formados por essa escola?  O que serão eles capazes de fazer com tamanho exemplo de parcialidade, de canalhice, de amoralidade?  A OAB devia tomar uma providência, mas com ela não se pode contar, porque o seu presidente é, também, parcial quando se trata do Sr Lula da Silva; pois não é que o homem em todos os seus discursos, que deviam ser proibidos, não esconde a sua ideologia. Não precisamos disso nesse país, o presente da OAB tem de defender os interesses do país, dos advogados, dos direitos humanos.  Faz exatamente ao contrário.  Pois é, falei em direitos humanos e isso me faz lembrar exatamente que essas decisões dos ministros do supremo desrespeitam os direitos humanos, porque o que fizeram os participantes da quadrilha comandada pelo ex presidente senão atentar contra os nossos direitos humanos, nosso direito à educação, saúde, habitação, dignidade?  Com o dinheiro que eles surrupiaram do país, eu   eles desviaram para os seus próprios bolsos, quantas crianças estariam com a sua educação assegurada, quantas unidades de saúde poderiam ter sido feitas, quantas e quantas casas poderiam ter sido construídas?  Como justificar esse desvio e esse atentado contra as nossas vidas.  Chamam o   Bolsonaro de genocida, não sei bem qual a razão, porque nada que eles falam me levam a encontrar no presidente este qualificativo.  A Saúde está um caos porque esse país resolveu que era melhor fazer estádios de que escolas e hospitais, porque para imagem do Brasil no exterior era muito importante que o país sediasse os dois eventos: a copa do mundo e as olimpíadas, pois então: quem na verdade é genocida, quem está lutando para moralizar esse país, ou quem, para favorecer aos afilhados distribuiu as obras para esses dois eventos com as construtoras que pagaram as grandes propinas a quem os favoreceu com essas obras? Olhe! me façam uma garapa. Pois bem, o processo esteve com vistas com o Senhor Gilmar Mendes por dois anos.  Os votos de Fachin e da Ministra Carmem Lucia já estão no processo há dois anos, mas o senhor Gilmar Mendes vem agora, e coloca em pauta num momento em que se discute exatamente quem será o candidato do PT à presidência da República. Quer mais parcialidade de que essa?  O homem quer fazer Lula participar da corrida eleitoral novamente, nós, que já estávamos pensando que estávamos livres da maior quadrilha existente nesse país, nos vemos agora na eminência de ter de engolir o bêbado com a sua voz nojenta, com seu aspecto asqueroso, com sua cara de porco nas telas das tvs. Não merecemos isso, não merecemos ver esse homem fazer-se de vítima diante de uma sociedade que foi martirizada, espoliada, vilipendiada, desrespeitada por ele mesmo e sua quadrilha.  Não podemos permitir isso, temos literalmente de lutar pelos nossos direitos, e um deles é esse: ver afastado da vida nacional política os ladrões, os corruptos, os meliantes.  Estou atônita, incrédula, perplexa. Por que o Senhor Gilmar Mendes não colocou em pauta isso antes?  Medo?  Talvez, porque em dia normal, sem pandemia, ou melhor, sem lockdown preparado exatamente para que manifestações não ocorram, ele talvez tivesse de viver para sempre no seu gabinete. A multidão não ia deixá-lo sair, com certeza Esses dois homens estão afrontando a sociedade inteira, estão desmoralizando o país.

Em nenhum momento eles pensaram na sociedade brasileira,  o que eles tem obrigação de proteger, porque antes de qualquer satisfação a quem quer que seja, eles precisam respeitar o povo, eles só existem porque o povo existe, mas eles, por causa de uma porção de apaniguados  recíprocos, esquecem a sua verdadeira função, que é proteger o povo brasileiro  das ameaças e das ofensas aos seus direitos constitucionais, que só podem ser garantidos  quando cada poder cumpre a sua obrigação, um fiscalizando o outro, para que  a república  exista, continue sendo respeitada e o estado de direito  não seja lamentavelmente  ofendido, vilipendiado, como estamos vendo com todas as decisões  dos senhores ministros do STF, que se arvoram  a donos do Brasil fazendo  da nossa corte constitucional um palco de horrores e vaidades e um palanque político.

Pois é, os senhores ministros resolveram afastar a pecha de “acovardados”, com a qual foram contemplados pelo mesmo homem que julgam, agora, ter sido vítima da justiça praticada por um homem que não se acovardou diante de todas as pressões e constrangimentos que passou, enquanto dirigia a maior limpeza moral feita nesse país.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

O Supremo do Supremo

 Estou aqui em plena polemica envolvendo o deputado que “ofendeu” o Supremo Tribunal Federal. Estou atônita.  Deixei de advogar e de judicar há muito tempo, mas não o suficiente para esquecer os direitos do cidadão contidos na Constituição da República do Brasil, tampouco as prerrogativas da magistratura e as imunidades parlamentares.

Vi o que o homem falou: sim ele foi infeliz na maneira, mas, as suas críticas ao Supremo, têm toda a razão.  O Supremo Federal que devia estar fazendo o seu trabalho, que é guardar e impedir que a Constituição e os direitos constitucionais do cidadão sejam violados, agora virou o tribunal dos melindres, da politicagem, o extremo da vaidade.

Então aquele que não cumpre a sua obrigação, que está a todo  julgamento vilipendiando a Constituição Brasileira ao bel prazer de cada um dos seus ministros, não pode ouvir as críticas da população, dos representantes dela?  Quem são vocês ministros? Vocês são os guardiões do povo, porque a quem vocês têm primeiro de atender é ao povo deste país, que, inclusive, se vocês não lembram, pagam os seus salários e todas as mordomias que vocês criaram para si próprios.

Como vocês podem dormir tranquilos fazendo tantas bobagens, acabando com a o Estado de Direito que vocês teriam obrigação de proteger.  Como vocês podem explicar tamanha violência contra “a palavra”. Quer dizer que agora vamos ter que ouvir e ver as misérias todas que vocês estão fazendo e nada fazer?  Não podemos comentar nada?   Os jornalistas estão podados de exercer a profissão?  Que é isto ministros? Onde vocês pensam que estão ou o que pensam que são?

É triste, muito triste mesmo, ver essa fogueira das vaidades. O Careca, este então, confirmando o que a sua própria aparência sugere, está com alguma dificuldade mental, algum transtorno, porque com certeza pensa que é Deus e que todos tem de se curvar às suas vontades, além de auto contrariar-se, vide o que escreveu a respeito da imunidade parlamentar no seu livro , e o que fez agora..

O beiçola, outro que parece ter saído do Inferno de Dante, com aquela beiçola pendente: aqui tenho de abrir um parêntesis para concordar com o Delicado, o homem parece ter ódio da humanidade, mas deve ser o fato de acordar todo os dias e olhar para si próprio. Tem de estar sempre de mau humor mesmo. Dizem que ele tem de retribuir todos os favores recebidos na era petista, portanto, se explica que ele defenda (olhe o termo) defenda de todas as maneiras os delinquentes, criminosos, condenados, e ainda tenha a petulância de soltá-los.  Penso que o ex governador do Rio de Janeiro não lhe proporcionou nada, porque se o tivesse feito, apesar de tantas provas e de tantas condenações, já estaria fora da cadeia, como estão o ex presidente, o ex chefe da casa civil, dentre tantos outros que foram libertados, ao repúdio da sociedade brasileira, por este senhor muito mal humorado, que ainda teve a ousadia de dizer que a lava jato acabou com o país. Puta merda, este é um atestado de que ele está do lado dos corruptos, dos ladrões, dos criminosos. Que diabo é isto?  Então o país devia ficar como estava?  A corrupção comendo no centro, nosso dinheiro sendo desviado de todas as maneiras possíveis, a pobreza se alastrando cada vez mais, e este homem tem a coragem de dizer uma merda desta.

O parente de russo, que depois do arranjo “inconstitucional” para julgar um impeachment permitindo que o impitimado conservasse os seus direitos políticos, perdeu qualquer   pedaço mínimo de moral que algum dia teve. Ultimamente percebemos, com todas as informações que vieram à conhecimento público, a razão: era  vizinho da primeira-dama, coitadinho, tinha de ser ajudado de alguma maneira, e o foi virando, por vontade da vendedora de Avon, ministro do supremo tribunal federal.

O outro com cara de bebê chorão, que de bebê não tem nada, e que ainda não explicou aquela licença por ter tomado um escorregão em casa, penso eu que aquela queda foi whisky a mais para esquecer das merdas que fez durante todo o período em que militou, seja como advogado do PT, seja como Ministro do PT no Supremo.  

Apesar de não concordar, de maneira alguma, que a escolha do Ministro seja feita para que este vote a favor do governo, isto seria a negação suprema do supremo, inclusive acho que a imprensa deveria parar de fazer este tipo de ilação, porque apesar de estarmos vendo o que estamos, não podemos aceitar como verdadeiro e nem como normal esta história do presidente da república escolher pessoas que votarão a seu favor, ou a favor do governo em caso de necessidade.  O Judiciário não deveria se prestar a este papel, o Judiciário dá razão a quem tem, àquele que está acobertado pela lei. Não há interpretação diferente, é assim, foi criado para esta finalidade, e eles não podem esquecer disto jamais.  Tudo isto é para dizer que a cara quadrada de bobão, idiotamente, ou “inteligentemente”, também resolveu rasgar a Constituição Brasileira em um caso de uma clarividência colossal: o da reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado. Ah sim, um detalhe! Esse já foi escolhido pelo atual presidente e também votou a favor da prisão do deputado.

O Delicado, com tanto esmero na sua apresentação e no gestual, também resolveu, em nome de um “ativismo jurídico”, criar novas normas, normas essas feitas por si próprio, à pretexto de estar interpretando a constituição brasileira. Olhe que sou de acordo com a adequação das normas à época, entendo que a mudança dos costumes sugere que a aplicação da lei seja atenuada até flexibilizada, mas criar uma nova norma ao bel prazer da sua interpretação passa um pouco dos limites. Acorda Ministro, cai aí do seu pedestal, lembra que você foi advogado de marginal. Até hoje a Itália não perdoa.

E o do Paraná. Sabe que até acreditei que este homem seria um contra peso dentro desse tribunal!  Quando lhe foi presenteada a Lava Jato, que tanto fez por este país, achei que era a mão certa para a causa certa. O que ele fez: ajudou mesmo a colocar a operação no buraco. Tanto fez e tanto fizeram que acabaram por acabar a operação. Sei que a Polícia Federal não vai se intimidar, mas o que foi feito pelo Supremo e pela PGR não tem cabimento.  Podemos aqui observar claramente que, quando os interesses envolvidos se misturam com os interesses pessoais, os pessoais acabam por triunfar sobre os interesses legítimos da população brasileira, que quer se ver livre de tanta corrupção, de tantos desmandos.

As mulheres, ah as mulheres desse Superior Tribunal Federal! Como gostaria de defende—las, mas é impossível ,quando me vejo diante do corporativismo imbecil que referendou a prisão do deputado.  Me incomoda a Irmã do vampiro, que sei ser uma pessoa de um saber sem medidas, concordar com uma agressão desta, tampouco gosto da sua posição política declaradamente contra a presidência da república. (ainda que pessoalmente ela seja contra, não pode confundir  a sua ideologia para  fazer declarações  notadamente contrarias aos atos do governo, quanto pior, enquanto Ministra do Supremo). Juiz tem de falar é nos autos do processo. A outra perfumada gosta da coletividade, não se cansa de dizer isto, e, talvez para não melindrar os seus pares, cai também na bobagem de ratificar uma decisão de um doente da cabeça, que se diz professor de direito constitucional, possivelmente da Venezuela, aliás, da ditadura de direita, cacete, como eles são bons em criar conceitos.  Porra se é ditadura, é ditadura, nem de esquerda e nem de direita, é uma ditadura e ponto final. É um regime onde todas as liberdades são caçadas, onde o povo não tem voz em momento algum, e quem ousa ir contra ao que está  estabelecido ou morre, ou vai preso.

Falta quem agora? O pimpão. O pimpão preocupadíssimo com sua aparência, nunca vi um cabelo tão bem penteado, impecável como diria minha amiga Vera. O homem até que tem um grande cabedal de saber, mas, sucumbe diante de tantos outros medíocres como fez ontem. Se ele, tivesse mais um pouco de coragem, teria chamado o feito a ordem, ou seja: teria lembrado a todos os ministros anteriores que votaram, que eles estavam ali e estão ali para cuidar que a constituição seja cumprida,  para que ela não seja violada, entretanto, referendou uma ilegalidade.

Sinceramente, acho mesmo que o deputado extrapolou na palavra, mas isto não dá o direito ao Senhor Careca de mandar prendê-lo. Aliás o homem gosta de mandar prender.  Gosta tanto que até expede “mandado de prisão em flagrante”, O flagrante é tão flagrante que não dá tempo de se expedir mandado ministro, ou é flagrante (no momento ou nos casos estabelecidos na lei) ou não é. Não se forja um flagrante para mandar prender um membro do parlamento.

É muito triste mesmo. Lembrem senhores Ministros, vocês têm obrigação de defender o povo, o povo aceitou a criação de um Supremo Tribunal federal exatamente para ver os seus direitos sendo defendidos quando violados, não para que o Supremo vire um tribunal de exceção, julgando politicamente o que acha conveniente e em favor de interesses outros que não o do POVO.

Gente, tive de voltar ao texto para fazer justiça ao ministro que esqueci, o agora mais velho na casa, aquele que tem um ovo quente na boca. Pois, não é que o homem, que disse que o inquérito do fim do mundo, aquele que inclusive indicia o próprio, salvo engano, deputado ora preso ilegalmente,  se contradiz todo ao ratificar  a prisão do deputado, sem qualquer ressalva. Não ouvi, mas,  algumas reportagens estão informando, que ele, esse ministro  cujo ovo quente anda sempre na boca, o protótipo da prepotência , disse que tudo foi armado  para que todos confirmassem a decisão  do doente, do tipo lombrosiano, que decretou, de oficio, a prisão. Vá entender uma porra dessa!    

Não adianta dizer que estou errada, não estou não:  quando vocês em menos de um ano  disseram que  quem deveria  tratar da "covid" nos municípios e nos estados eram os prefeitos e governadores, tirando toda e qualquer  competência do governo federal, certamente  não sabiam mesmo o que estavam julgando, o que vocês queriam era tirar poder do Presidente, coloca-lo a margem da gestão do país, pois bem, agora  é este mesmo supremo que tirou os a competência do governo  federal que está  cobrando do Ministro da Saúde(governo federal)  a responsabilidade de tudo o que está acontecendo no Amazonas. Ora faça-me o favor ministros, o que é isto? Sei que vocês querem chegar ao Presidente, mas tenham o mínimo de vergonha e bom senso e um pouco de memória.

Durmam com está senhores ministros (a letra minúscula e proposital). O povo está clamando por justiça, por direitos, por ver as suas garantias constitucionais defendidas e a sua Constituição cumprida.

 

domingo, 7 de fevereiro de 2021

O pozinho dourado - LINDLEY V

Vocês não vão acreditar no que aconteceu com o Lindley!  Passando pelo que estava passando na cadeia em razão de uma acusação de contrabando de pau brasil, que, efetivamente, não existiu, agora acharam que ele também tinha comprado, ilegalmente ouro a situação ficara mesmo complicada, imagine se isto fosse mesmo verdade, aí o inglês jamais sairia do Brasil.

Mas vejamos como começou esta estória do ouro

Por ocasião do apresamento o do navio, a Comissão encontrou um embrulho em cima da minha mesa de trabalho, contendo pequena quantidade de ouro em granetes, de mistura com areia côr de ouro, que fora trazido por um morador de Pôrto Seguro. Isso despertou-lhes forte curiosidade, e eu fui interrogado cerradamente a respeito do assunto. Não fiz segredo algum da fonte de onde obtivera a amostra, mas declarei ignorar o nome e a residência do indivíduo de quem a recebera, embora acreditasse que fosse de uma povoação distante. A Comissão declarou-se disposta a descobrir o homem insistiu em que eu empreendesse com ela uma viagem nesse propósito. Não levantei qualquer objeção (sabendo que seria inútil), mas certo de que nada lhes adiantaria se acaso encontrássemos o pobre diabo, o que, afortunadamente, não aconteceu. Era noite, o intérprete veio informar-me de que eu teria de acompanhar o desembargador e as demais pessoas, na manhã seguinte, devendo estar pronto antes das cinco horas. (LINDLEY: 39).[1]

Vejam bem o que o homem diz: “fui interrogado cerradamente a respeito do assunto”, o que se compreende mesmo. Os portugueses não podiam ouvir falar em ouro, pedras preciosas, qualquer coisa que tivesse muito valor, que eles ficavam doidinhos, e não iria ser diferente com este achado no navio do inglês.  Eles ficavam tão doidos que pareciam obnubilados. Imagine sair atrás de alguém que ninguém sabia quem era, nem onde morava ou podia ser localizado para que a pessoa dissesse onde tinha encontrado aquele “ouro”.

Bom o fato é que, obnubilados ou não, foram eles juntamente com o inglês, que como ele mesmo disse, não teve qualquer opção, pois de nada adiantaria se recusar a acompanhá-los para procurar o dito homem.

A ânsia era tanto que marcaram para cinco horas do amanhã. Observe-se a comitiva que ia nessa empreitada: “o desembargador” fazia parte dela. Explique-me o motivo do desembargador deixar as suas funções para ir atrás de um homem desconhecido que ofereceu   ouro em pó ao inglês. 

O estrangeiro, com certeza, sabia do insucesso dessa busca, mas ele não decidia nada, só tinha de obedecer, e assim, á hora marcada lá se vai LINDLEY juntamente com a comitiva.

Para ele, na verdade, aquilo funcionaria como um passeio, uma oportunidade de sair da cela onde ficava com a sua esposa, essa coitada, é que ficava mesmo dentro do quarto arranjado para o casal, depois que eles saíram da podridão dos porões da masmorra. Imaginem bem o padecimento dessa senhora, uma inglesa, que teve dinheiro suficiente para ela e o marido terem uma nau, na qual tinham os seus aposentos compatíveis com o status que tinham, possuindo empregados etc., etc., se vir agora dentro de quatro paredes, sem poder sair, com uma ventilação péssima, cercada de pessoas desconhecidas: não, essa não era uma boa vida para aquela senhora, que pasmem, até o momento não sei o nome, porque nunca vi nos escritos do inglês.

Lá se vão aqueles homens, que seguiram pela praia em direção ao sul, e Lindley relata: depois “de uma hora de marcha, voltamo-nos abruptamente parra o Oeste terra adentro, e subindo por uma íngreme encosta, em breve chegamos à capela de Nossa Senhora da Ajuda, que fica no alto” (IBDEM;39-40)

Tenho de concordar com o que Lindley diz sobre o que estava vendo dali daquele alto, penso que todos os visitantes que chegam até a Igreja de Nossa Senhora da Ajuda em Porto Seguro, ainda hoje tem o mesmo deslumbramento. “A paisagem que daí se descortina é de fato grandiosa, abrangendo não só a região em torno, como também o oceano adjacente, ao qual os muros brancos da capela formam excelente balisa. “(IBDEM, IDEM;40)

Segue ele descrevendo aquele encantador lugar, que, como disse, ainda hoje impressiona qualquer dos visitantes, e fala especialmente da Santa que ele diz ser “especialmente invocada pelos navios e barcos pesqueiros das costas vizinhas em caso de perigo ou de ventos contrários. Sua fama estende-se até mesmo à cura de vários padecimentos, desde que invocada com a devida fé. O interior do edifício é decorado com desenhos grotescos de navios em apuros, quartos de enfermos etc., havendo legendas debaixo de cada um, relativas aos diferentes episódios que pretendem comemorar (IDEM).

Seguindo viagem, após, segundo ele, comerem biscoitos e beber a água do vigário da Igreja, eles passaram por diversas lavouras e engenhos, e até arrumaram um guia em um deles.  Me pergunto, um guia índio? Para que um guia? Se você não sabia mesmo o que estava procurando.

Observe-se bem o que Lindley fala, estamos no ano de 1802 e na região havia lavouras e engenhos, a terra parecia ao inglês muito boa, banhada por rios e se bem cultivado, segundo ele, ali daria espaço para grandes pradarias.

Entretanto passados esses espaços, eles seguiram por uma mata, que segundo o inglês só dava para a passagem de um cavalo por vez (IDEM pág. 40) assim mesmo cada cavalheiro tinha de se livrar das ramagens. Fizeram-nos esta marcha por quase duas horas, e depois desse tempo deram, outra vez com uma paisagem aberta, vislumbrando-se lavouras de mandioca, cana de açúcar e outras pequenas culturas.

A viagem continua entre morros altos e baixos, a comitiva segue sem grande sucesso, até encontrarem o engenho[2] e fazenda do Sr.  João Furtado, que era um senhor de 70 anos, solteiro que vivia com uma irmã solteirona.  Procurando saber da vida desse senhor, Lindley soube que ele era nascido ali mesmo na região, que teve uma vida de trabalho intensa, e que ele mesmo, com suas próprias mãos é que fez os móveis da casa. Também o senhor demonstrou muito conhecimento a respeito da fauna da região e o inglês, se estivesse em outra condição, teria ficado mais tempo naquele espaço, para aprender mais detalhes da terra.

Lindley descreve o funcionamento do engenho, conforme se observa na nota anterior, e faz comparações mentais com os engenhos dos quais ele tinha conhecimento nas Índias Ocidentais, para caracterizá-lo como primitivo.

Bom o fato é que ali apearam, ali dormiram, mas, apesar de ser bem tratado e dizer que ficou surpreso com as acomodações, não deixou de dizer que tiveram de comer no chão, onde colocou-se algumas esteiras, forradas com uma toalha. Havia louças suficientes para todos como também facas e garfos.

Lindely diz que dormiu bem em acomodações limas e em camas confortáveis, e que ao amanhecer viu muitos pássaros, ficando impressionado com o ““mutum” que disse ser vistoso, de um azul profundo, que se aproxima do negro, tendo a cabeça e os olhos de notável beleza IDEM pg.42)

Seguiram até Villa Verde, onde existia apenas uma aldeia de missionários, mas nada foi encontrado, e tiveram de regressar, como se diria “com a cara mexendo e os olhos rodando” kkkkk, Empreitada inútil. O tal dono do ouro jamais foi encontrado, somente a ambição, a ganância dos portugueses justificava aquela busca sem destino certo.

Todavia, a história de Lindley no cativeiro continua, e depois conto mais, após voltar no tempo e tomar um “caldo de cana” daqueles feitos naquelas geringonças primitivas espalhadas pelas ruas do nosso Nordeste, no meu caso, especificamente em Salvador da Bahia, ou, melhor ainda, tomar uma genuína cachaça brasileira com caju e sal. Que tal?



[1] LINDLEY, Thomas. Narrativa de uma Viagem ao Brasil, Londres 1805, tradução de Thomas Newland Neto, 1969, SP, Brasiliana, Vol. 143

[2] A palavra engenho é o termo português que caracteriza as terras que possuíam fábrica de açúcar. O que vemos aqui é muito simples, consistindo em três cilindros de pesada madeira, de dois pés de diâmetro por três de comprido, os quais giram horizontalmente, numa armação. A parte superior do cilindro central articula-se com uma viga que sobe pelo ar sendo nela fixadas peças transversais suficientemente baixas para nelas serem atrelados dois cavalos, que fazem mover o conjunto. Os cilindros laterais trabalham por meio de uma engrenagem que os liga ao central. Debaixo dessa máquina existe um cocho comprido inclinado, pronto a receber o caldo da cana comprimida pelos cilindros. Esse caldo é transportado para um caldeirão raso de seis pés de diâmetro, onde são escumadas todas as impurezas. Depois de esfriar noutra vasilha, adiciona-se-lhe um álcool de cinzas de madeira, deixa-se que a mistura assente por alguns dias e decanta-se o líquido puro levado então para uma caldeira para evaporar-se até formar o açúcar. O sedimento é destilado, produzindo forte aguardente. LINDLEY,1805:41)  

 

 

sábado, 5 de dezembro de 2020

A ESPERA DO INTERROGATÓRIO - LINDLEY IV

 Estou aqui assistindo a livre do Presidente da República, em todas as quintas feiras isto acontece. Nessa oportunidade nós podemos saber, sem grandes complicações, quais as medidas que estão sendo tomadas pelos governos em todas as áreas do país. Hoje, especialmente hoje, estamos com o Ministro da Justiça e O Superintendente da Polícia Federal e ao mote da “live” é, exatamente, o contrabando de nossas madeiras.

Gente do céu, automaticamente me lembrei e LINDLEY e do pau Brasil! É impressionante, parece que estamos no mesmo há 520 anos, nada mudou, a diferença é a tecnologia e os meios como se desvia a madeira do Brasil para outros países. E engraçado, a gente não pensa em muitas coisas, até que alguém ou algo nos faz raciocinar sobre determinado aspecto: Por exemplo:  nessa “ live” fiquei sabendo que o maior comerciante de café do mundo é a Alemanha, pasmem os senhores! A Alemanha que não produz café algum e a maior comerciante dessas comodities.   Também, nessa mesma “live”, soube que na Alemanha existe om grande número de ararinhas azuis: puta que pariu! Raciocinei: porra como é que a Alemanha pode ter tantas ararinhas azuis se tal pássaro não é original de lá. Como essas ararinhas foram parar na Alemanha?  O que aconteceu?  Será que elas migraram sozinhas, saíram   daqui do Brasil, cruzaram o Oceano, entraram no continente Europeu e conseguiram alcançar a Alemanha?  Que diabos é isso!

Vi ainda, nessa mesma “live”, a tecnologia que só agora foi implementada no Brasil para identificar a origem do produto, seja madeira, seja do reino animal, mineral enfim, essa tecnologia já existe há muito tempo na Europa, e lá há muito que eles já podiam identificar 

Tudo isso estou comentando, porque eu vou continuar falando de Lindley, que era inglês, esteve aqui e tentou contrabandear   pau brasil.

A onda da vez é o nosso ipê

Acho muito engraçado que países que recebem essa nossa madeira, muitas vezes extraídas ilegalmente, se deem ao luxo de criticar e exigir do nosso governo proteções ambientais, que eles mesmo ajudam a minar. É muito interessante mesmo, eles quererem impedir que a nossa floresta seja desmatada, alegam que estamos destruindo o meio ambiente, entretanto, permitem que os seus nacionais comprem madeira extraída da própria Amazônia, muitas vezes, ilegalmente. Compram abaixo do preço real, mas isto nem sequer é levado em conta, e esses sete países (Unocracia) querem? Se unir mais e destruir os demais? Nos fazer de escravos, retornar a uma colonização em que eu colonizo e mando e vocês obedecem para me favorecer. Que é isso? Então vocês mesmo pregaram   tantas doutrinas de liberdade e agora querem este retorno medíocre.

Bom, mas vamos ao Lindley, Ele estava desesperado com a situação em que se encontrava, preso em um local insalubre, vendo a sua esposa passando vexames por estar presa junto com muitos homens, num ambiente nocivo, sofrendo “de modo diverso do meu, queixando-se de dores violentas e de inchações por todas as partes do corpo” (LINDLEY 1805;38)

Ao inglês foi tirado tudo, nem lhe deixaram levar lápis e papel, e ele precisava escrever para pedir explicações, para pedir auxílio, segundo ele:

Tinham sido baixadas ordens terminantes para que não me fornecessem pena e tinta: mas consegui frustrá-las ocultando um lápis e parte de um caderno de papel que achei meios de comprar. O primeiro uso eu fiz deles foi solicitar uma pequena caixa de medicamentos que tinha a bordo: houve humanidade bastante para atender-me, mas até mesmo com esta ajuda sinto-me bem doente dia a dia mais fraco(...) LINDLEY 1805; 37-38).

Lindley procurou escrever ao Desembargador Claudio, o que presidia a tal comissão que foi enviada a Porto Seguro para averiguar o contrabando de madeira, solicitou uma audiência, mas, segundo ele, o Desembargador, grosseiramente, mandou dizer-lhe que quando ele precisasse ser ouvido seria chamado.

Os dias foram passando e o inglês permanecia preso no subterrâneo da Casa da Câmara e Cadeia, cada dia mais fraco. Comia a comida que conseguisse comprar através de algum carcereiro, isto porque “o alimento era passado pelo mesmo orifício, mas obtê-lo ficava aos meus próprios cuidados e expensas”, e bebia água de um “jarro grande colocado do lado de fora da janela, e por uma abertura nela existente nós o tomávamos para dele nos servimos” LINDLEY 1805;37)   

Não é brinquedo não, dias terríveis o inglês passou na cadeia.  Dá para imaginar mesmo o mau cheiro que devia reinar no ambiente. Não bastasse mesmo o estado lastimável do local, não se vê o inglês, nos seus comentários, falar em banho, higiene pessoal, enfim.

Entretanto, após o inglês tomar conhecimento que os seus homens estavam sendo levados para inquirição, animou-se um pouco, pois sabia que logo deveria ser ele, e foi o que sucedeu “no dia 24 “tive a satisfação de ver a escada mais uma vez arriada. Intimado a subir e fui conduzido, sob escolta, à sede da Comissão. (LINDLEY:1895;38)

Foi o inglês, mais uma vez inquerido  sobre o contrabando do pau brasil, isto durou  5 horas, mas voltou ao lúgubre lugar, onde encontrou a esposa aflita em função da demora, entretanto  diz ele que  o ar puro lhe fizera bem e ele sentia-se um pouco revigorado o que lhe ajudou a pacientemente esperar até o dia 27, quando novamente foi interrogado, oportunidade em que “ fiz ver em termos vigorosos, qual a nossa horrível situação, o obtive a promessa  de sermos transferidos de masmorra” (LINDLEY 1805: 38).

A transferência ocorreu no mesmo dia, e o inglês e a sua esposa foram transferidos para “cima, a um pequeno aposento   com tabiques de madeira, sendo-nos concedida a liberdade de passarmos a outro maior, contíguo. Cada qual possuía uma janela, sem grades, havendo livre circulação, dessa inestimável benção, o ar puro. Uma sentinela armada foi posta diante de nós.” LINDELY 1805;38).

Mas as expectativas de melhoras do inglês demoraram pouco, pois ali, apesar de menos nocivo à saúde, tendo o ar circulando, o vento os deixava (ele a  mulher) desconfortáveis, além do local ser uma morada de morcegos, que ficavam sobrevoando os aposentados. Também o inglês se queixava da grande zoada que os guardas faziam, porque eles costumavam jogar à noite. Além de tudo isto, ficava muito chateado com as visitas inoportunas do Capitão -Mor, residia nos aposentos acima do seu, e adentrava aos dele a hora que lhe conviesse. LINDLEY 1805;38-39)

Enfim, o inglês continuava a sua saga, o que poderia ser uma melhora, e apesar das queixas dele, para ele não funcionava, pois ele andava injuriado com tanta falta de privacidade, com tanta sujeira, com o mal estar da sua esposa.

Entretanto, ele continuava sendo solicitado a tratar doentes, até mesmo o Capitão lhe pedia favores. A Comissão continuava trabalhando na investigação e Lindley preocupado com a demora nas decisões, mal sabendo ele que aquilo era só o começo.

terça-feira, 17 de novembro de 2020

MÉDICO E PRISIONEIRO - LINDLEY NA PRISÃO

 

Realmente, sigo acompanhando as eleições dos Estados Unidos, pois fiquei muito surpresa com declaração do Sr. Biden, e até agora não percebo aonde ele quer chegar. Não posso deixar de concordar com o Presidente Bolsonaro no que diz respeito à Amazônia.  O que é isso, será que nos estamos aqui a mercê de um estadista americano, que nem se sabe se realmente será o Presidente  do pais mais poderoso do mundo, que acha que está em plena era colonial para querer intervir no território de outro país? Que diabo é isto? Em que tempos estamos?  Qual o interesse maior do Sr Biden na Amazônia?  Nossas riquezas ali? O nióbio? Enfim, qual o interesse Sr. Biden? Vai cuidar da sua terra, se você conseguir tomar posse, vá cuidar do seu país racista, vá tratar de humanizar a sua polícia, vá cuidar das grandes desigualdades sociais que existem nos Estados Unidos.

Pois, mas eu não queria falar de  zorra de eleição americana, quero mesmo é falar de LINDELY, o nosso contrabandista inglês, o contrabandista que não  fez qualquer contrabando, mas não posso deixar de fazer uma ligação entre  o inglês e  o que hoje está acontecendo  com a Amazônia:  o inglês veio  atrás de riquezas brasileiras, tanto que topou trocar as suas mercadorias pelo pau brasil, bem como  aceitou a amostra de “ouro” que lhe chegou às mãos através e um morador de Porto Seguro, o que não é muito diferente da atualidade, onde muitos estrangeiros se estabelecem na nossa floresta, negociam com indígenas, se  fantasiam de ONGS  com intuito de defender o verde, a natureza, os índios e a humanidade enfim, porque fazem questão de dizer que a floresta Amazônica é o pulmão do mundo, entretanto, o que eles na verdade querem é a riqueza que esta floresta  pode oferecer, seja com a sua flora seja com os seus minerais, todos sabem que existe  no solo daquela parte do pais  o nióbio, uma preciosidade para  os interesses  das grandes potencias controladoras da tecnologia .  Li que o nióbio  “é usado em ligas de aço para a produção de tubos condutores de fluidos, ele deixa o aço ainda mais resistente” e não só para isto, falam que até o acelerador de partículas  utiliza o nióbio em algum  dos seus componentes, não sei explicar isto, mas por este particular  vocês já podem  sentir a importância  deste elemento, que também é usado em turbinas de avião, carros, dutos de óleo e gás[1] . As maiores reservas de nióbio estão aqui no Brasil, segundo dados 98,4% e pode ser encontrado em Minas Gerais, Goiás, Amazonas.  Esta invasão de ONGS estrangeiras na Amazônia, bem como as interferências de outros governos, nos parece uma invasão da nossa soberania, o que efetivamente, não pode ser permitido.

Voltemos, entretanto, ao nosso inglês e à sua estória enquanto esteve aqui no Brasil, especificamente na Bahia, entre Salvador e Porto Seguro.

Um fato muito curioso em relação ao inglês é que ele, apesar de ser acusado de contrabandista, em muitas ocasiões, entretanto, ele era chamado para exercer a medicina, mesmo não sendo médico.

Segundo ele, isto aconteceu porque:

Quando o meu brigue aportou pela primeira vez em Pôrto Seguro, fui visitado pela quase totalidade dos moradores do local, ignorantes que pareciam macacos a espiar tudo. E mal deram com minha caixa de remédios, indagaram de quem era e julgaram, certa ou erradamente, que eu deveria ser médico, e sendo estrangeiro, sem dúvida médico famoso.” (LINDLEY 1805:44)[2]

Inglês sacana, olhe o desprezo com que ele fala da população: “macacos ignorantes” e quão se achava superior a todos, ao julgar que por ser estrangeiro, o médico tinha de ser famoso, mas deixemos para lá estes pormenores, para nos focar mesmo nessa missão que, querendo ou não, foi quase que imposta ao inglês, que continua descrevendo a sua então mais nova aptidão:

Antes de cair a noite, várias canoas encostaram no navio transportando doentes, estropiados, cegos, todos sofredores e pobres (segundo diziam), alguns suplicando pelo amor de Deus, outros implorando em nome de Maria, Nossa Senhora. Como logo estabeleci o sistema de gratuidade, eles jamais me permitiram acabar com aquilo, até que, visitando um pobre homem atacado de febre maligna, caí doente, e, por felicidade, perdi toda a clientela. (LINDLEY;1805;44)

Na verdade, o inglês teve razão em declarar a sua felicidade por deixar de “clinicar”. Imagine o desespero, gastar todo o seu material farmacêutico, trazido para as eventualidades da viagem, com pobres miseráveis que não tinham condição de pagar-lhe.

Todavia a trégua em relação a essa habilidade do Lindley foi mínima, porquanto já preso, encarcerado, vivendo o pão que o diabo amassou, como vocês verão nos próximos textos, ele era chamado para atender doentes:

Agora são os clientes de nôvo, numerosos como nunca, não obstante estar eu proibido de falar com qualquer pessoa. Cada sentinela sofre de algum mal, ou traz-me parente, vizinho, amigo enfermo, além de outras criaturas que tem permissão do comandante para este fim. Em resumo: multiplicaram-se tão rapidamente as consultas reduzindo o conteúdo da minha pobre caixa, que o Senhor Tomás**(nome que me dão), gostaria de nunca ter-se atribuído  o oficio de curar, ou pelo menos, havê-lo exercido de modo mais profissional, sendo bem pago pelos seus remédios(LINDLEY : 1805;44-45)

Efetivamente o homem tinha razão, ele que estava ali jogado às traças, sem dinheiro, preso, numa situação vexatória, ele com a sua mulher, poderia, ao menos, ganhar alguns trocados com esta habilidade que lhe fora atribuída pelos da terra.

Agora veja bem o contra senso. O homem era um criminoso, entretanto, era chamado para curar pessoas, o que não lhe deu qualquer regalia em relação ao lugar em que esteve aprisionado, seja em Porto Seguro, seja em Salvador, era convocado até mesmo pelas autoridades maiores:

O comandante pediu-me que fosse ver um doente, num vilarejo além da cidade. Lá segui eu, acompanhado de um soldado, e o paciente era o Sr. Rodrigues da Fonte, de quem eu já ouvira falar. Tinha ele na véspera sofrido um ataque de apoplexia; percebi que estava muito mal, com a respiração ofegante e difícil, o pulso fraco e irregular, por vezes parando de bater. A medicação tópica e interna que ousei aplicar não produziu o menor efeito, havendo a natureza perdido toda a sua força e energia (LINDLEY:1805 p. 45).

Não foram somente esses casos, muitos outros se sucederam e falaremos dele no decorrer das crônicas, entretanto, nesse caso específico, o cidadão faleceu, e Lindley fala das condições insalubres em que o paciente se encontrava, o que contribuía para a sua piora.

Estava o pobre homem num quarto fechado onde não penetrava o ar puro e a luz; apenas uma vela era mantida sobre sua cabeça, enquanto ele jazia imóvel numa grande cama, que ocupava um canto do aposento, a cabeceira e um lado encostados na parede. Entre esta e o doente havia um certo espaço onde sua mulher e outras criaturas do sexo feminino se acocoravam, passando por cima do corpo do homem, quando era preciso. Na parte superior da cama estavam colocadas diversas pequenas imagens, uma perna, um pé, um espadim e outras relíquias. Uma coroa de madeira trançada era sempre mantida suspensa sobre o pobre homem, e o conjunto formava a mais curiosa mistura de moléstia, estupidez e superstição. O aposento, cheio de parentes, visitas e criados, estava muitíssimo quente e abafado; senti-me feliz ao deixá-lo, pois, nas condições atuais do desgraçado, minha permanência ali não poderia ser de qualquer utilidade LINDELY:1805;45).

Deixemos, no entanto, de lado, temporariamente, esta habilidade imposta ao nosso inglês, e vamos ao local da prisão.

Lindley e sua esposa foram jogados no cárcere da Casa da Câmara e Prisão de Porto Seguro[3], nos subterrâneos da casa, segundo o seu relato, um lugar nojento, cheio de lixo, insalubre, e ali ele teve de ficar, até que que as autoridades resolvessem a sua situação.

Olhe bem como ele descreve o lugar que o deixaram juntamente com a sua esposa:

“...determinaram que embarcássemos, conduzindo-nos ao longo da praia e, depois, morro acima, até a prisão comum. Levaram-nos a um quarto no pavimento superior da cadeia, em cujo assoalho abriram um pequeno alçapão, arriaram uma escada e nos mandaram descer até certa profundidade (cerca de quarenta pés), o que fizemos, penetrando numa masmorra abaixo do nível do solo, da qual se exalava um fétido miserável. Estava inteiramente às escuras. Deus sabe quais os nossos sentimentos. (LINDLEY; 1805:36)

Agora pensem  como o inglês e a sua esposa se sentiram ali jogados, quanto pior, acusados de um crime que não cometeram, sem ter ainda qualquer oportunidade de defesa, sem julgamento  de qualquer juiz, por ordem apenas da Comissão que fora enviada da Bahia( Salvador) para a apuração do crime.

Imaginem o desespero da mulher do inglês, que continua descrevendo a vexatória situação em que se encontravam:

O guarda da prisão favoreceu-nos com uma luz, vimos então a nossa terrível situação! Em três cantos do aposento acumulavam-se montes de sujeira, lixo, cascas de laranja e legumes etc. tudo em estado de putrefação. O ouro canto tornara-se de uma repugnância horrível por causa dos vários e míseros ocupantes que a masmorra encerrara. E tôda ela parecia jamais ter sido limpa desde a sua construção. Quatro dos meus marinheiros haviam ai sido confinados durante os oito dias anteriores, e acabavam de ser removidos para o cárcere ao lado, para que fossemos admitidos. Um banco isolado e duas tábuas formavam uma cama e isso construía o único mobiliário da peça. (LINDLEY 1805;36-37)

Vejam bem a humilhação a que o Lindley e sua mulher foram submetidos.  Foram recolhidos a prisão comum, onde todo e qualquer marginal à época eram recolhidos, sem qualquer regalia, sem qualquer privilégio, sem quaisquer cuidados, seja com a própria condição humana, seja em relação a uma mulher está no meio de prisioneiros outros, sem qualquer privacidade.

O inglês realmente comeu o pão que o diabo amassou, e a sua saga continuará ao longo de muitos meses, e eu vos contarei em pequenos capítulos para que vocês não fiquem massacrados com a leitura.

 

 



[1] Revista Galileu, edição 330, janeiro /2019

[2] LINDLEY, Thomas. Narrativa de uma viagem ao Brasil, Londres, 1805. Brasiliana, Vol. 343, Direção de Américo Jacobina Lacombe, trad. Thomaz Newlands Neto, São Paulo, Cia Editora Nacional 1969

[3] “As casas do Conselho (Câmara Municipal) e cadeia são de pedra e cal e muito suficientes. A Vila era cabeça de Comarca, nela havendo um Ouvidor, um juiz ordinário (presidente da Câmara), três vereadores e um procurador do Conselho, um capitão-mor de Ordenanças e um Vigário da Vara, Mas contava com poucos moradores. “o comum é serem pobres”. Luís dos Santos Vilhena, Recopilação de notícias metropolitanas e brasílicas, contidas em vinte cartas, edição anotada por H. Brás do Amaral, Salvador, 1922, Vol. II, p.547

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

PRISÃO DO INGLÊS -THOMAS LINDLEY - Capitulo II

 

Agora, em plena eleição “democrática”, tão democrática que temos a chance de ver “espíritos a votar”, volto ao Thomas Lindley e ao ano de 1802.

O Governador geral, naquela altura   Vice Rey, era o Fernando José de Portugal e Castro o Marquês de Aguiar – Vice rei e Capitao general de mar e terra do Brasil.

Lindley em Porto Seguro entra em contato direto com o Capitão Mor – Governador da Província, assim que ele chama, embora na verdade o homem fosse Ouvidor, Jose Dantas Coelho e com os seus filhos, aceita a proposta que lhe foi feita por Gaspar para trocar as suas mercadorias  por pau brasil. Ele aceita esclarecendo:

“à proposta pareceu-me tão vantajosa que não hesitei, exceto quanto à incerteza da permissão para exportar-se aquele produto. Mas como a oferta partia do próprio governador, considerei meramente nominal qualquer proibição que pudesse existir: assim, dissipadas todas as dúvidas concordei com a troca” LINDLEY 1805: 26)

Tudo acertado, artigos do brigue selecionados pelo filho do  Ouvidor em valor equivalente à carga de pau brasil que seria entregue ao nosso inglês, era só esperar o momento de seguir para pegar a mercadoria no Rio Grande.  Acontece que, uma semana após este acerto, é comunicado que o acordo não poderia ser cumprido porque Gaspar, talvez  por ter caído a ficha  declarou que :  “eles, os guardiões do  comércio, iriam  emprenhar-se em negócio ilícito”. LINDLEY  1805;26), caso o negocio fosse realizado.

Bom, mas o jeitinho brasileiro funcionou, àquela altura, o jeitinho português, e o Ouvidor e seu filho disseram ao inglês, que ele poderia arrumar esta mercadoria por outros meios,” e que não haveria qualquer embaraço ou posição da parte deles”, LINDLEY: 1805:26.

Vejam bem queridos leitores, olhe bem o que as autoridades, responsáveis pelo cumprimento da lei, disseram ao inglês: Não lhe vou criar qualquer embaraço.”   Ora, esta afirmação veio a calhar para as pretensões do inglês, que, na verdade, queria mesmo era obter lucro  e não hesitou em entrar de cabeça na empreitada, mesmo sabendo  da ilicitude do negócio.

Assim, o ainda comerciante inglês, já fez um negócio  ali mesmo em Porto Seguro, uma pequena quantidade a ser entregue em dez dias. Com o que ele não contava era com uma doença que lho infectou, pois “foi acometido de uma grave febre, que quase me vitimou” (LINDLEY;1805:26)

A doença do inglês não impediu que uma parte da madeira  estivesse pronta para ser entregue, e ele  deu esta informação ao Gaspar, o filho do Ouvidor, este, mais uma vez, sabendo  na merda que estaria se metendo,  falou com Lindley para que não recebesse tal mercadoria pois ele tinha” motivos secretos e  da mais imperiosa natureza para dar os seus conselhos”,( LINDLEY  18055:27.)

Este conselho fez LINDLEY desistir definitivamente do negócio, e fazer com que ele decidisse partir, assim  que o leme  da embarcação estivesse pronto, o que foi feito, embora, segundo ele, outros defeitos se apresentassem no brigue, o que levou a  deitar ferros[1] no Rio Caravelas logo  depois da sua partida, que ocorreu em  25 de junho  logo alcançado o Rio Caravela, porque  descobriu que a avaria era muito mais delicada do que ele  tinha pensando, e ali procurou  quem lhe  reparasse completamente a popa.

Grande azar o de Lindley, quando o brigue já estava quase reparado,  ele foi surpreendido, no dia 02 de julho, “com a visita de um oficial, acompanhado de alguns soldados que subiu a bordo munido de uma ordem de apreensão  do brigue, o qual deveria conduzir a Pôrto Seguro, sendo a tripulação enviada por terra ao mesmo lugar” (LINDLEY 1805:27.)

Não houve resistência por parte do inglês, e assim que o brigue ficou completamente pronto foi levado para Porto Seguro, onde  chegou a 11 de julho, onde já estava uma Comissão, que fora enviada pelo Governador da Bahia, para realizar a prisão do inglês, bem como de todas as pessoas com ele relacionadas.

De acordo com LINDLEY, foi a partir deste dia que ele resolveu fazer o diário.

Por que o inglês foi preso, se ele desistiu do negócio?

Diria eu: o inglês foi preso por força da inveja, do desejo de vingança, por querelas entre um particular e as autoridades locais:   O  Ouvidor , que parece ter sido um mal pagador, devia  a algum comerciante  em Porto Seguro, e  este  credor  foi  até a capital da província, ou seja, em Salvador

Deveu-se minha prisão a informações prestadas por um morador de Pôrto Seguro, que fora à Bahia com este propósito, vingando-se da falta de pagamento de uma dívida do governador civil, a quem acusava de comerciar  em pau-brasil, declarando, ainda, que o brigue estava carregado desse artigo. Acusou também os dois filhos do governador bem como o capitão mor, de haverem realizado uma expedição que subira o Rio Grande, acompanhados de empregados, índios e outros homens, a fim de explorarem certa mina de diamantes que existia às suas margens, e terem regressado  com  apreciável quantidade de pedras preciosas. E, finalmente, acusou o governador de extorsão e de ser opressor de todas as pessoas a ele imediatamente subordinadas”( LINDLEY 1805;28)

Com esta denúncia Lindley e sua pobre mulher foram jogados às enxovias[2], juntamente com a sua tripulação, sendo encarcerados, também, os dois filhos do ouvidor (Gaspar José e Antônio Luís Dantas Coelho, o Capitão- Mor Mariano Conceição, Antônio José Maranhão dono de um armazém e funcionários subalternos.

Imaginem em que merda o inglês se meteu, levando junto a sua mulher, pobre coitada!

UM ano depois dessas prisões, também o Ouvidor Jose Dantas Coelho foi preso juntamente com outros envolvidos no caso que o Príncipe Regente, Dom João VI denominou “escandaloso contrabando praticado em Porto Seguro” ( Carta Régia enviada ao Governador da Bahia  em 1803.[3]

Bom foi assim que o LIndley e a sua esposa foram parar na cadeia, e vocês não queiram saber que tipo de cadeia era a da época.

A saga do inglês e da sua família, prosseguirá num próximo capítulo, lembrando que o inglês não comprou a madeira, não havia nenhum pau brasil na embarcação, mas, ainda assim foi preso e jogado na prisão juntamente com a sua esposa e sua tripulação.



[1] Deitar ferros – ancorar, jogar a âncora  

[2] Enxovias – parte subterrânea das prisões. Geralmente úmida e escura, que, outrora abrigava os presos por crimes graves ou de alta periculosidade.

[3] Carta Règia – documento com o qíliaal  o rei dirigia-se aos administradores contendo determinações gerais e permanentes. A correspondência é diretamente do rei aos administradores.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Thomas Lindley - Um contrabandista na Bahia

 

Conheci o Lindley em plena pandemia.

 Tenho aqui em casa um livro cujo título é “Na Bahia de Dom João VI. [1] e ., tardiamente, pois já o tenho aqui há algum tempo e o fui deixando-o de lado por força da obrigação de outras leituras, comecei a lê-lo. Bom, todavia, o fato é que peguei o livro achando que  ele seria uma descrição da Bahia  no  tempo de Dom João VI.

Só para lembrar, Dom João VI[2] é aquele rei que todos aqui conhecem de uma maneira caricata, por ser muito porco, lembrem do seriado da Rede Globo, lembrem de Dona Carlota Joaquina e, do mais importante, Dom Pedro I.    Eu prefiro lembrar de Dom João VI como o Rei de Portugal que, fugindo de Napoleão Bonaparte, veio com a sua corte para o Brasil em 1808,  estabelecendo-se no Rio de Janeiro,  promovendo um desenvolvimento nunca  antes visto;  logo de inicio abriu os portos às nações amigas, lembram disto nas aulas de história no primário?  Isto não nos esqueceram de dizer!  autorizou a instalação de manufaturas no pais, autorizou a construção de faculdades de medicina, bibliotecas, museus, tipografias  e o banco do Brasil, dentre outras coisas.  

Bom, mas não estou aqui para falar de Dom João VI, até gostaria muito, porque um Rei que fez tanta coisa pelo Brasil e ainda conseguiu enganar o Napoleão Bonaparte, que é o que dizem os seus historiadores, tem mesmo muto ainda que dar em termos  de conhecimento da nossa história e da história mais imbricada à nossa, que é a Portuguesa, [3]  então vamos ao nosso personagem: LINDLEY

Era um “comerciante com idade de 30 anos, casado, homem de boas letras e suas tinturas de sciencias e medicina” TAUNAY;1926:5) Seu nome completo era Thomas LIndley

Mas por que diabos este senhor veio parar no Brasil? Segundo TAUNAY:   No ano de 1795 a Inglaterra tomou o Ceilão e a Colônia do Cabo à Holanda, que passava por dificuldades decorrentes da revolução francesa. Para o Cabo então, segundo o mesmo autor, afluíram muitos comerciantes britânicos, dentre eles estava o nosso personagem, entretanto, em 1801 começaram os boatos de que haveria paz entre a França e a Inglaterra, o que levaria à devolução da praça aos antigos donos, ou seja, à Holanda. O medo tomou conta dos comerciantes e eles passaram a procurar por novos mercados, e foi aí então que começa a nossa aventura com o nosso Lindley.

Lindley escreveu em seu diário: “

Em consequência disto procuraram-se outros mercados sendo logo despachados navios para as Ilhas Mauricias, bem como para o Rio da prata e várias outras praças, em todos os quadrantes

Foi por esse tempo que participei, entre os amantes da aventura, do financiamento de um brigue[4] com destino a Santa Helena e outro mercado e assumi o encargo de dirigir pessoalmente a viagem. Velejamos do Cabo no dia 25 de fevereiro de 1802, aportando em Santa Helena em princípios de março. Nossa estada foi aí de três semanas, aproximadamente, alguns dias após a partida, enfrentamos forte vendaval, que avariou consideravelmente o brigue, obrigando-nos a arribar no porto mais próximo do Brasil. Chegamos à Bahia (ou São Salvador) pelos meados de abril. [5]

 

Pronto, eis como o Lindley veio parar aqui, vejam só, coincidentemente, como Cabral, por culpa de tormentas marítimas.

Segundo ele, nenhum navio estrangeiro podia comerciar neste porto, e é verdade, lembrem-se que só com a chegada de Dom João VI ao Brasil é que os portos foram abertos às nações amigas, o que não impedia  o forte contrabando, mesmo com todo o rigor da fiscalização que só permitia a entrada no porto de embarcações estrangeiras que tivessem avarias, observando-se todo o aparato que ele mesmo descreve no seu diário. Apesar de toda a fiscalização ele diz:

Não obstante todo este rigor aparente, era costume haver apreciável contrabando frequentemente praticado pelo próprio tenente e pelos demais funcionários nomeados para impedi-lo, ou por indivíduos com eles acumpliciados. Agora, porém, dá-se o contrário, as leis que só existiam, até então, pró-forma tem sido rigorosamente aplicadas, foram infligidas severas punições.... (. LINDLEY, 1805:24)

Terminado o serviço no brique, isto após 1 mês   de estada, Lindley saiu do Porto  da Baía de Todos os Santos, isto já em maio, pretendendo rumar para o Rio de Janeiro, onde ele iria vender as suas mercadorias, entretanto, e mais uma vez, o vento trabalhou contra ele,  o que aconteceu durante 5 dias, quando foi avistado um barco de pescador e Lindely descobriu que estava  em Porto Seguro,  e guiado pelo mestre do pesqueiro resolveu que iria  parar e esperar o tempo melhorar, todavia o que não estava nos planos aconteceu:” na entrada do porto o brique foi  de encontro  a uns recifes que lhe arrancaram o leme.”( LINDELY, 1805: 25)

Segundo o então ainda comerciante, ele e a sua tripulação tiveram uma boa acolhida: O “Governador da Província, ou Juiz  e o capitão -mor, ou capitão militar, receberam-nos aparentemente  com a maior hospitalidade, dando-me permissão para comerciar, encomendando para mim  um novo leme e dispensando-me todo o conforto que o lugar podia oferecer” LINDLEY, 1808;25

Assim quedou-se Lindley em Porto Seguro, vindo a conhecer a família Dantas Coelho, família à recém chegada de Lisboa, ou seja, o Juiz estava em Porto Seguro há dois anos. “Um dos filhos desse senhor, Sr. Gaspar despachava os negócios oficiais imediatos do pai, ao passo que outro, Antônio tinha  sido enviado ao Rio Grande, lugar situado nos confins da Capitania, a fim de superintender a arrecadação proveniente do corte de madeira nas proximidades do rio. (LINDLEY; 1808:26)

Conta-nos Lindley que, logo no dia seguinte à sua chegada que em conversa com o Sr Dantas Coelho e o seu filho Gaspar sobre os produtos da terra, foi informado da grande quantidade de madeira – pau brasil – existente e do alto valor desta mercadoria na Europa e do interesse demonstrado pelo Senhor Gaspar, notem bem, o filho do Juiz, em trocar uma partida dessa madeira  com as minhas mercadorias.  Lindley, de cara aceitou, embora não tivesse a certeza de que era permitida esta negociação, mas, segundo ele, como a proposta partiu do filho do governador na presença do próprio, aceitou[6].

A partir daí o inglês começou uma saga, que certamente não estava nos seus planos, mas todas as consequências desta relação com o Governador, seus filhos, o pau brasil, virá numa próxima publicação, para que os senhores leitores não se enfadonhem, porque a história é longa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



[1] TAUNAY, Afonso de E.  Na Bahia de Dom João VI, Imprensa Oficial do Estado da Bahia, Bahia, 1928, Edição fac- smile2012

[2] O nome de Dom João VI era João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís Antônio Domingos Rafael de Bragança. (penso que a Vera é descendente dele, pois não é que a danada também tem o apelido Rafael, penso que herdou o gosto pelo frango no churrasco.

[3] Ler Ronaldo Vainfas, Jorge Pedreira, Oliveira Lima, Laurentino Gomes, Pedro Calmon, Evaldo Cabral de Melo Neto dentre tantos outros.

[4] Brigue – tipo de embarcação à vela, com dois mastros com velas quadradas transversais, embarcação de menor porte, por essa razão, mais veloz (Wikipedia)

[5] LINDLEY, Thomas. Narrativa de uma viagem ao Brasil, Londres, 1805. Brasiliana, Vol. 343, Direção de Américo Jacobina Lacombe, trad. Thomaz Newlands Neto, São Paulo, Cia Editora Nacional 1969 pág. 24

[6] LINDLEY, Thomas, ob cit, pg.25