sexta-feira, 17 de maio de 2019

Garcia D'Ávila XXII -Um núncio nada amistoso


Chovera a noite toda. A Rua da Gloria estava, mais uma vez, alagada. Olhei do portão e a rua parecia um rio, peixinhos passavam pela água barrenta, a água já estava a meio palmo do portão. Da minha casa   A rampa da garagem já estava toda coberta de água. Uma lástima. A rua estava deserta, evidentemente que ninguém podia sair das suas casas. Pensei na pobre da Christiani, certamente a casa dela já tinha alagado, fica na parte mais baixa da rua e a menor chuva enche tudo.  De repente pareceu-me ver alguns cavalos entrando na rua, digo para mim mesmo,” que coisa estranha. A rua toda alagada e gente andando (nadando) a cavalo !” Deduzi que os cavalos poderiam passar pela água, então alguém estava vindo ajudar os que não podiam sair de casa.
Fecho o portão e entro em casa, que continua toda fechada. Os vidros embaçados, pois a junção da chuva e do salitre não é boa.  Fico deitada na sala e pego um livro para ler. Não podia fazer absolutamente nada, nem mesmo ficar na varanda, pois a chuva forte de açoite molhava tudo. Mal começo a minha leitura, o tratado sobre o Brasil de  Frei Vicente do Salvador ouço batidas fortes no portão. Pensei logo em Christiani, e sequer lembrei da chuva e sai correndo para abrir o portão. Surpresa!  Três  homens montados em cavalos  estavam à minha porta. Tomo um baita susto. Até porque eles eram muito estranhos, vestidos com roupas diferentes, chapéus diferentes, e não pareciam estar molhados.
- Quem são vocês?
Um deles, tirando o chapéu responde:
-Sou Manoel Pereira Gago,  procurador da Casa da Torre e amigo  de Garcia D`Ávila.
- Quem?
Não acreditei no que ouvia. Outro  morto para me sacanear. Assim eu não aguento, falei para mim mesma. Esta casa vai virar um anexo de Tatuapara, ou da Igreja da Sé, onde Garcia DÁvila foi enterrado.
Pensei em fechar o portão dar meia volta e entrar em casa outra vez. Mas de que adiantaria? O tal do Manoel Pereira Gago entraria de qualquer forma, ele, os outros dois homens, seus cavalos,  todos  eram espíritos e passariam pelo muro, portão, enfim, entrariam de qualquer maneira, ai resolvi rapidamente  enfrentar a situação.  A chuva, entretanto, continuava, eu me molhando toda, tinha que voltar para a varanda. Os homens continuavam como se aquele temporal não estivesse acontecendo. Por outro lado, era muito interessante não tratar mal o Senhor  Gago, afinal ele poderia ser uma grande fonte de informações, caso o senhor Garcia não aparecesse mais. O homem era procurador da Casa da Torre e foi o tutor do neto do Garcia D´ávila, além de tutor virou sogro, enfim, aquele senhor era um poço sem fundo de conhecimento sobre os Garcia D´Ávila.
- Sim, Senhor Manoel. O sr disse que é amigo do Senhor Garcia D´Ávila. Onde ele está? Faz tempo que não aparece.
- Exatamente por este motivo que aqui estou. O Garcia está muito doente, está lá no Hospital da Misericórdia e pediu-me par te vim buscar.
- Me buscar? Para que? Para levar-me onde?
- Ah minha jovem, ainda não tenho o dom da adivinhação. Apenas sou amigo dele, e lhe quero fazer o que pode ser a sua última vontade.
-Senti um calafrio no corpo. Puta merda. O senhor Garcia não podia fazer isto comigo. Será mesmo que ele deixaria de me fazer visitas? Será que iria aceitar a sua morte mesmo, e não mais viria conversar comigo? Quem então iria me falar de coisas da Bahia colonial, de acontecimentos histórico importantes?  De coisas pitorescas? Acho que fiquei tão atônita, que o homem perguntou-me:
-Estas pálida, Sentes-te bem? E de um salto desceu do cavalo e eu senti sua mão forte a pegar no meu braço, para evitar que eu caísse.
-Estou bem sim. Mas o que aconteceu com o Se Garcia?
- O Garcia  está muito fraco e  para não ficar aqui em Tatuapara aguentando, inclusive a pressão dos padres beneditinos, foi ter à Misericórdia e  pede que a menina vá lá ter. consigo
- Como vou sair desta, penso eu? O Senhor não está a ver como está a rua, não posso sair daqui agora.
- Que tem a rua?
-Não vês que a rua está alagada?
-Alagada? Estás a brincar?
Meu Deus! O que faço agora.  Como me sair desta?
- Infelizmente não vos posso acompanhar. Diga ao senhor Garcia que assim que a água baixar vou ter com ele, todavia, hoje é impossível.
O Senhor Manoel Pereira Gago, que de gago não tinha nada, quase vociferou;   achei que ia me bater, mas  montou no cavalo e partiu com os seus dois acompanhantes. Acho que o Senhor Garcia mandou que ele me tratasse bem
Voltei para dentro de casa, e de imediato fui procurar ver no computador  quem era este homem que se dizia amigo de Garcia D´Ávila, e na verdade, o que estava acontecendo mesmo com o Senhor Garcia.
Coloco no google o nome – MANOEL PEREIRZ GAGO, descubro uma série de coisas: uma delas, a mais importante: é que fora escolhido pelo Garcia D´Ávila como tutor do seu neto. Fiquei realmente desesperada. Então o senhor Garcia, quase como uma despedida, mandava me avisar da sua morte e do seu desejo de falar comigo, talvez pela última vez? Entretanto, como as coisas estavam eu não podia sair de casa. Este último pensamento me deixou incrédula. Estás doida mulher? Então ias fazer o que? Ir na Santa Casa de Misericórdia? Ias lá procurar por GARCIA D’ÁVILA ? As pessoas iam te levar diretamente para uma casa de “loucos”. O pior é que pensei mesmo nisto. O que eu poderia fazer? Nada, então decidi ficar na sala lendo mais coisas sobre o Pereira Gago e a sua amizade com o Garcia D´Ávila.
Evidentemente que eu sabia que o Pereira Gago fora  nomeado tutor de Francisco  Garcia D´Ávila, só não sabia o seu nome completo, e fui para os livros de testamento  do São Bento e tentar tirar mais informações; por outro lado, já ia pensando na perspectiva de que o senhor Garcia me deixasse e também falasse do seu neto, Francisco Dias D´Ávila, o filho de Isabel com um dos filhos do velho Caramuru, o que uniu as duas famílias das mais poderosas da Bahia..
Intrigada mesmo com a aparição de outro personagem histórico, queria logo saber por que o homem fora escolhido e a ligação entre os dois, Garcia e o Gago. Também me fazia espécie que tudo isto estava acontecendo no dia 20 de maio, segundo historiadores, o dia da morte do Garcia D`Ávila há quatrocentos e setenta anos atrás.
Dizia para mim mesma: A minha ligação com este homem é mesmo muito forte. Será que ele era meu parente mesmo, afinal ele tinha Garcia, meu pai tinha Garcia, toda a minha família galega tinha Garcia, eu e meus irmãos não o tínhamos por erro de cartório.
Achei o testamento[1] e recomeço a lê-lo com toda a atenção possível, já o lera antes, mas agora com o recado da morte próxima do Senhor da Torre e da visita do seu amigo e tutor do neto, tinha de fazê-lo criteriosamente. Certamente as entrelinhas do documento ia me mostrar alguma coisa, que não percebera antes. O que mais me intrigava mesmo, era o fato do de que o que fora escolhido tutor era das bandas de Porto Seguro. 
Não, o testamento não acrescentara muita coisa, mas relembrei o quanto o senhor Garcia estava aborrecido com os Padres do São Bento. Segundo ele os padres fizeram com que ele assinasse  uma doação de muitas terras para eles, mas, em disposição de última vontade ele anulou todas as doações feitas, fez  o seu neto seu maior herdeiro.
Fiquei mesmo preocupada, o fato do Senhor Garcia morrer não me incomodava muito, ele já estava morto mesmo, mas a perspectiva de não vê-lo mais, pois se acaso ele aceitasse a morte nesse momento, todos os meus planos iam para o beléleu, entretanto, nisto tudo havia uma esperança, a de que, caso o Sr da Torre não aparecesse mais, o Sr Pereira Gago podia, muito bem substituí-lo, e aí seria ótimo, porque o a lacuna deixada pelo Senhor da Torre seria preenchida, e não só, agora eu saberia do Francisco Dias D’Ávila, o neto, sobre o qual o Senhor Garcia sempre se recusou a falar.
Com esta esperança fico aguardando  nova visita, seja de um, seja de outro. fico aguardando um peguei no sono.






[1] Livro II Tombo do Mosteiro de São Bento, p 284


domingo, 14 de abril de 2019

Como teria sido?


Acordei cedo e fui andar, claro que sonhei muito, este é o meu momento de sonhar, o sonho, entretanto, e quase sempre o mesmo, arrumar dinheiro para colocar todos da minha família bem, inclusive a mim, e mais algumas pessoas ao meu derredor. Gosto de sonhar isto, fico rica porque tiro na loteria, divido o dinheiro, enfim faço planos. Há dias que o sonho é mais modesto e fico pensando quando o TRT vai pagar as minhas diferenças e o que vai dar para fazer com ela.  Gosto mesmo destes momentos, mas tenho de voltar para casa e aí os sonhos acabam e eu vejo a minha realidade.
Estou lavando os banheiros da casa, porque, para variar, estavam aqui ontem algumas pessoas que usaram os dois banheiros e eu os tenho de lavar, caso contrário o xixi de cachaça impregna e aí é duro para tirar este odor horrível de xixi. Neste exato momento recordo-me dos meus quatorze quinze anos, cheios de revolta, mas também cheios de esperanças. Morava em uma baixada no Engenho Velho da Federação, não gostava daquele lugar, realmente não gostava, principalmente em dias de chuva e nos finais de semana. Nos dias de chuva porque era terrível descer a escadaria com a enxurrada, nos finais de semana porque tinha de ficar dentro de casa, não se tinha dinheiro para nada.  Ficávamos em casa procurando passar o tempo com nada, aguardando meu pai chegar bêbado junto com os seus amigos mais bêbados de que ele, quando não já estavam lá em casa desde muito cedo.
Porra! Por que diabos vou lembrar disto.  Não seria melhor lembrar de alguma coisa boa?  Namorados foi o que veio à mente.  Aí me perguntei: O que teria sido a minha vida se eu tivesse me casado com o meu primeiro namorado? Kkkkkkkkkkk. Meu Deus, o que seria minha vida? Certamente estaria lavando o banheiro único da casa mínima, com certeza no Engenho velho da federação ou adjacências. Será que teria me formado? Penso que sim, porque eu nunca gostei daquela vida. Todavia seria um horror mesmo. Graças a Deus a coisa acabou como começou, nem senti, nem vou falar em desgaste de relacionamento, nem deu tempo. Quando percebi, aos quatorze ou quinze, já nem me lembro, o quão obtuso era o rapaz, lento de raciocínio e outros defeitos imperdoáveis, acabou-se. Lembrar que o rapaz era bem bonitinho, um corpo sarado devido ao football, mas além do raciocínio lento, tinha um outro defeito, este mais aparente, tinha dente de ouro: kkkkkkkkkkkk, gente namorei um rapaz que tinha dente de ouro!  Tá doida mulher! Como teve coragem?  Fiquei pensando nisto, e ai lembrei que não era só ele que tinha um dente de ouro, a família dele inteira tinha, pai, mãe e irmã.  Seria isso um sinal de riqueza e eu não percebi?  Jejus é mais!. Sim, e ainda estaria ligada à contravenção. Vixe Maria!
Continuei limpando coisas: lavando panelas, pratos, copos, arrumando coisas, colocando outras nos seus devidos lugares, enfim, (domesticando) ou para que fique claro, fazendo os serviços domésticos. Limpando o fogão lembrei de um grande e, efetivamente, ´primeiro amor. Lindo, alto, bonito, disputado. Eu o conheci em uma festa de Sto. Antônio, nessas novenas que se rezam nas casas. Era a noite dos jovens e lá fui eu e minha irmã, Minha mãe nos deixou ir, porque todos do grupo jovem iam e era na casa de um pai de santokkkkkk, viu que sempre estive ligada.  Sim, lá conheci este belo exemplar de macho.Que sensações meu Deus, como é bom se saber poderosa, como é bom despertar o desejo do outro. Apesar de não termos feito sexo, afinal  havia respeito à algumas  normas àquela época, foi quem me despertou, literalmente para ele. Os amassos, os beijos calorosos, as pegadas dali e daqui. A excitação sentida em todos os poros e além deles! Ah como foi bom! Todavia, o safado além de lindo era muito descarado e mulherengo. Namoramos um bom tempo, aliás hoje diria eu que ficamos durante uns três ou quatro anos. Era o titular da área, como viajava muito e sem termos maiores compromissos, ele fazia a parte dele e eu a minha, mas quando ele chegava em salvador acabavam-se todos os namoros, afastados todos os pretendentes.  Sim, mas isto agora não vem ao caso e eu pergunto: Como teria sido a minha vida caso tivesse casado com este homem?  Resposta imediata: estaríamos separados, com certeza em um par de anos, eu não ia aguentar a safadeza do sem vergonha, ia ficar muito desengonçada com os chifres que iam nascer. Se se tivesse ficado, entretanto, hoje estaria viúva e recebendo uma pensão como esposa de um policial rodoviário. Puta merda, que lembrança.
Continuo na minha lida. Apesar da chuva tenho de molhar algumas plantas que ficam na área coberta. Vou adiante na minha volta ao passado e lembro de um cidadão que tinha 36,37 anos, enquanto eu só tinha 16 ou 17.  O homem ensandeceu por minha pessoa, eu não tinha grande afinidade, mas ia levando este namoro adiante, acho que por muita comodidade. Afinal este, à época, senhor, tinha carro, estudava no mesmo colégio que eu, e nos dava carona todas as noites em que ia par aula, sim porque como trabalhava de turno em Mataripe, não ia para a aula todos os dias. Ah Meu Deus! O que teria sido a minha vida com este senhor. Primeiro a diferença de idade ia ser um empecilho sempre. Eu cheia de sonhos, ele cheios de realizações já alcançadas e sem   querer muita coisa do futuro, a não ser ter uma esposa “linda”, que seria eu, filhos, uma casa (que já tinha) e vive aquela vidinha  até a aposentadoria. Olhe que este cidadão nem sequer bebia. Era um velho novo mesmo, muito responsável, muito amoroso, mas eu não ia suportar essa vidinha. Eu queria muito, queria ser doutora, trabalhar, viajar, viver. Certamente, seria mais um caso de separação rápida. Tão rápida que aconteceu antes mesmo do casamento, pois quando do  ele chamou meu pai e minha mãe para mostrar a casa que tinha comprado em um conjunto para funcionários da Petrobras em Stiep, casa com “suíte” e tudo, eu falei para mim mesmo, tá na hora de sair dessa história, e foi o que fiz. Acabei com o negócio todo.  Quem mais teria eu para lembrar?
 Ninguém, pois o que veio depois disto foi um casamento fracassado, e um outro que sempre anda na corda bamba. Realizei todos os meus sonhos, sem dúvida que os realizei todos. Os que ainda tenho   vou realiza-los, ah disto tenho certeza. Mas fico aqui lavando meus banheiros, fazendo minhas comidas (dos outros) minhas costuras, arrumando casa, escrevendo e     sonhando com muitas coisas. E aí percebo: fugi de tanta coisa, e hoje vejo que muito do que fugi está presente aqui na minha vida hoje.  Livrei-me dos bêbados de meu pai, hoje tenho os bêbados de Carlos.  Livrei-me do velho novo, tenho agora um novo velho ao meu pé.  Afastei os serviços domésticos durante muito tempo, agora é o que faço e o que me levou a escrever este texto kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Destino é destino filha, não se muda não, podemos até transformá-lo, mas, no fim dá no mesmo. Pois é, uma advogada, juíza aposentada, mestre e doutora em história, passa os seus dias entre as costuras, as atividades domésticas, e a cozinha.  Nadei, nadei e morri na praia.  








segunda-feira, 1 de abril de 2019

Garcia D´Ávila XXI - Os Antunes do Matoim


Desde ontem que venho chamando pelo Senhor Garcia, afinal de contas queria parabeniza-lo pelos 470 anos de Salvador da Bahia de Todos os Santos, sim, é assim que a Salvador planejada em Portugal por Luís Dias, projeto aprovado pelo Rei, era identificada. Afinal de contas o homem ajudou a fundar a cidade, povoá -la, fazê-la crescer. Naturalmente que não o fez por amor ao Rei, evidentemente que não,  o que o Garcia D´Ávila sempre quis, aliás, morreu com o mesmo pensamento, era enriquecer, empoderar-se mesmo, ficar cheio de dinheiro. Ser, como foi, o Senhor da Torre, fundando uma das casas mais antigas, poderosas e ricas da Bahia,  A CASA DA TORRE.


Chamei muito, mas o miserável não aparecia de maneira alguma. Comecei a pensar na morte do Senhor Garcia, afinal de contas da última vez que ele apareceu estava bem alquebrado, chegou mesmo a cair.  Fiquei me perguntando: O homem vai morrer em 1609, se bem me lembro, da última vez que ele esteve aqui,  no dia que disse-me que ia me contar uma novidade, para ele já estávamos(ele claro) em 1604, ou seja  daquele momento ele só teria mais 5 anos de vida, muito pouco tempo, E o que iria acontecer quando chegasse o momento da sua morte?  Sei que vocês podem estar dizendo que eu to ficando doida, talvez até esteja, pois não é muito normal alguém ficar dialogando com um espirito que apareceu do nada e me conta coisas da nossa Bahia colonial. As vezes fico na dúvida: Será eu é ele mesmo que me conta ou eu leio estas coisas?  Bom, mas o certo é que andava mesmo preocupada com o ano de 1609. E se ele desaparecesse de vez?  Eu, pessoalmente, achava que isto iria acontecer. E digo isto porque, depois de 1609 o que teria o Senhor Garcia para me contar? Nada. Ele faleceu e ia se recolher na sua alcova da morte para sempre. Sua missão para comigo estava cumprida, me dera muitas dicas e me contara coisas que os livros de história não contam,

Bom, como o Senhor Garcia não me ouviu até este momento, resolvia, sozinha  falar de Salvador e da sua fundação, bem verdade que já fiz isto, acho que no primeiro texto e também quando  falei de Caramuru, mas a história se renova sempre, uma descoberta de um documento novo, um marco que é encontrado, uma nova evidencia de algum acontecimento, uma ruína aqui, enfim.
Desta vez calhou que passaram um documentário sobre Salvador, e não é que neste documentário apareceu uma novidade, novidade mesmo sobre a história de Salvador.  Um fazendeiro encontrou um marco da cidade em suas terras. A fazenda dele fica em Candeias, e o marco que mostram na televisão tinha a inscrição do Tombo. Fiquei entusiasmada, que maravilha de descoberta para a nossa história, que bom que este fazendeiro chamou as pessoas certas para entregar esta preciosidade. No mais, para mim, nada do que o repórter trouxe de informação foi novidade, mas isto é para mim, porque eu tenho certeza que muitos dos que viram este documentário não sabiam de alguns dos fatos trazidos pela reportagem.

Só um historiador, e assim mesmo que se dedique à investigação, sabe que existe o Arquivo Histórico do Ultramar o AHU. Uma preciosidade, espero que o governo português procure preservar este arquivo. Nele temos, não interessa que a história oficial contada apenas por uma das partes envolvidas, uma fonte inesgotável de conhecimento da história do Brasil, em particular da Bahia, aqui onde tudo começou. Somo, a Bahia, o berço da civilização brasileira. Sim, porque somos uma civilização, não adianta ninguém querer tirar este nosso lugar no mundo.
 
E lá vou eu escrevendo e nada do Senhor da Torre aparecer.

O documentário continua, e, aliás outro fato que eu não sabia, que o Tome de Souza está enterrado (restos mortais) estão em uma igreja, igreja esta que fica em uma propriedade privada, em um sitio chamado Vila Franca de Xira, que fica pertinho de Lisboa. Se tivesse eu sabido antes já tinha dado um jeito de pedir autorização ao proprietário para ir neste espaço.  Achava que os restos mortais do Tomé de Sousa estavam em Rates, lugar do seu nascimento e também do nascimento do Garcia D´Ávila.

Aqui tenho de fazer um aparte.  A importância de Tomé de Souza para a nossa cidade e para o nosso país como um todo merecia que os seus restos mortais estivessem aqui – NO BRASIL, - especificamente na cidade do Salvador, mais especificamente, ou na Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, ou na Conceição da Praia ou na Catedral Basílica.  Seria o lógico, e não em uma Igreja caído aos pedaços, numa propriedade privada em Vila Franca de Xira, acho que vou escrever para o Ministro da Cultura a este respeito.

Enquanto escrevo sobre a informação que tive ontem, não percebi que o Senhor Garcia estava instalado no meu sofá. Ele olhava-me teclando as teclas da “madeira preta”, como ele denominava o meu computador e parecia intrigado com aquilo.

Levantei a vista e lá estava ele olhando-me e sua cara parecia mais um ponto de Interrogação

-Olá Senhor Garcia, não vi o senhor chegar.

-Claro que não, quando estas em frente a este pedaço de madeira preta, não vez ninguém, não falas com ninguém, parece que não existe mais nada além disto.

Sorri, mas, imediatamente, parei de teclar e olhei diretamente para o Senhor Garcia – Sabes que dia é hoje?

- Um dia como outro qualquer. Só não entendi até agora porque me chamavas tanto. Desde ontem que tenho a sensação que estás a me chamar.

-Chamei sim senhor Garcia, queria muito falar com o senhor e lhe dar parabéns.

-Parabéns! Por que Parabéns. Não é meu aniversário.

- Não é o do senhor, mas é aniversario da Cidade de Salvador da Bahia

- Que dia é hoje mesmo?

-Dia 29 de março

Me escusei de dizer o ano, se eu o fizesse as coisas começariam a desandar desde ali. O Senhor Garcia ia me chamar de louca, bruxa, qualquer coisa do gênero. Acho que desta vez ele me denunciava mesmo. Então eu ia dizer que estamos em 2019 a um homem que só viveu até 1609?

- E mesmo, há 60 anos chegamos nesta terra. Não tinha aqui absolutamente nada. Já fizemos tantas e tantas coisas, já temos hospitais, igrejas, mosteiros. Eu tenho lá minha Torre em Tatuapara, meus rebanhos, minhas terras. A terra produz açúcar, já temos o porto para escoar a produção de açúcar, há muitos ricos nesta cidade, homens de bem compõe a Câmara, conseguimos “civilizar” muitos indígenas.

Quando o senhor Garcia falou em “civilizar indígenas” não pude deixar de rir. O que seria para o Senhor da Torre “civilizar”?  Escravizar indígenas, fazer aldeamentos, obrigar os pobres coitados a seguir a fé católica, seria isto o sinônimo de civilizar do Senhor Garcia? Não questionei nada, somente ri e fiquei pensando no que ele estaria pensando.  Uma coisa é certa, se eu contestasse esta “civilização” ele por certo iria embora e eu ficaria sem informações e eu precisava saber a quem pertencia estas terras onde o tal marco fora encontrado. Por que em Candeias é que estava este marco?

Engenho Matoim - foto encontrada arquivo Iphan
- Senhor Garcia, a quem pertencia as terras do Recôncavo?

Terras do Recôncavo? Que terras, para que lado?

-Pros lados do Matoim

-Jorge Antunes. Tem um engenho muito bem montado por lá.  A propriedade “era composta de um engenho, casa grande e da Igreja de Nossa Senhora do Rosário;”[1]

É mesmo? Me fale mais deste senhor?

-Qual o seu interesse nele?

-Ora senhor Garcia, eu me interesso pela história da Bahia colonial, e se este homem foi  importante na  nossa história, quero saber de detalhes.

-Quem é importante nesta cidade é o Governador Geral, os Juízes, eu, os homens bons, os padres.

- Que é isto senhor Garcia, cada pessoa que contribuiu com a formação desta cidade é importante. Aliás, o Sr. Antunes é um senhor de engenho, é um homem respeitado, Vá lá e me fala deste Antunes.

- A família chegou nestas bandas com o governador Mem de Sá; aliás, vieram na mesma nau. O patriarca da família, HEITOR ANTUNES, era um cristão novo, que aproveitou a chance de se livrar da Inquisição, que e perseguia os judeus na Europa, para vim para o Brasil, ele era mercador e era casado com a Sra  Ana Rodrigues. Heitor Antunes morreu em 1576, mas já estava instalado no Engenho Matoim. O Engenho continuou sendo levado pelos sua esposa e filhos.

- Mas Matoim não fica perto de São Francisco do Conde?

- São Francisco do Conde! Não sei do que falas. Não estas a referir-se a Sergipe do Conde?

- Deve ser Senhor Garcia, deve ser.

- Se estas a falar  de Sergipe  do Conde, estas a falar do  Engenho de Mem de Sá- Bom quando chegamos  aqui tínhamos um plano para a fundação da cidade, que tinha limites pequenos, depois estes limites começaram a se expandir,  por ordem do Rei, expressa no regulamento trazido por nós, em que  Sua Majestade  mandava que o governador percorresse uma área de 6 léguas além da costa, a fim de encontrar um sitio para fundar a cidade. E isto foi realmente feito. O sitio escolhido era pequeno, mas como todo o percurso indicado foi feito, foram colocados marcos para indicar que a terra pertencia a Portugal. Um bem da coroa, mas não me consta que este marco tenha ficado em terras que depois pertenceria ao Mem de Sá.
- Mas não poderia ficar em Matoim: no Engenho dos Antunes?
- Não sei, nunca ouvi falar nada parecido.
Ao que parece o senhor Garcia não vai me contar qualquer coisa nova que mereça ser publicada, e não questionei mais nada, entretanto o Senhor Garcia parece não querer parar de falar dos Antunes e me disse:
- Sabes que o Heitor Antunes, mesmo morto foi denunciado à Inquisição?
-Não, não sabia.
- Admiras-me que não saiba, ficas a fuçar a vida de todos nesta madeira preta.
Pois é, Quando o Heitor Furtado foi para o Recôncavo em 1592 recebeu muitas denuncias a respeito das praticas judaicas pela família de Heitor Antunes, como ele estava morto, a sua família pagou o parto. A Ana, esposa  do Heitor fez a sua confissão em 1 de fevereiro de 1592, foi condenado por Heitor Furtado e mandada para Lisboa onde, apesar de “ condenada a ser  “relaxada ao braço secular” (morte na fogueira), após anos de cárcere morreu na prisão e foi queimada em efigie  por sentença de 09 de maio de 1604, a qual amaldiçoa  a sua memória e ordena que seus ossos sejam desenterrados e feitos em pó” ANTT, II. Proc. 11618[2].
- Pôxa Senhor Garcia esse Heitor Furtado era mesmo muito ruim
- Todavia não foi só a Sra Ana que foi condenada pela Inquisição. Também sua filha de nome Leonor, que também “foi enviada para Lisboa encarcerada e processada,  Sentenciada em 1603, a sair  no auto público, abjurar em forma e a cárcere e habito com fogos, perpetuamente, sem remissão. ANTT, II, proc.10716 “ [3] Além desta filha, também a outra de nome Beatriz que também, à semelhança de sua irmã, foi condenada a habito perpetuo desenhado com fogos sem remissão.[4]
- Quanta maldade deste homem! Dizimar uma família assim.
- Quem manda eles continuarem com a pratica judaizantes?  A função do visitador é realmente sta, condenar aqueles que não seguem a fé católica.
- Mas senhor Garcia, o marido e pai destas senhoras era um homem de respeito nesta cidade. Lembre-se que era tão importante que foi coletor do imposto do açúcar, o seu engenho foi objeto de muitas citações em diversos   livros sobre a Bahia, a exemplo do Tratado de Gabriel Soares,
O velho Garcia D´Ávila fechou a cara, eu bem sabia que ele ia se aborrecer, ele realmente não gostava que se desse  valor a quem merecia este valor, era prepotente mesmo e só ficava satisfeito se eu falasse exclusivamente dele, de suas posses, de sua importância. Como sempre, olhou-me com a cara feia e foi-se, sem, mais uma vez me contar a novidade que ele me disse, na outra visita, que tinha para me contar.   


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[1] Informações que podem ser encontradas no site do Iphan. De acordo com o mesmo site o Engenho  foi destruído pelos holandeses e reconstruído pela família Rocha Pita no século XVIII . Em 1973 o Estado da Bahia desapropriou  a propriedade para fazer parte do Centro Industrial de Aratu.
[2] VAINFAS, Ronaldo  Santo Oficio da Inquisição de Lisboa – Confissões da Bahia,São Paulo. Cia das Letras, 1997, pg281-282
[3] Idem, p 288
[4] Ibdem p 275.

sexta-feira, 22 de março de 2019

Garcia D´Ávila XIX - A volta do "DAS MANHAS'


O Senhor Garcia desaparecer completamente, fazia alguns meses que ele não dava qualquer sinal de vida (morte) kkkk. Eu estava preocupada, não porque gostasse do senhor Garcia, sb ia perfeitamente que ele não fora nada que prestasse em vida, além do mais tinha aquele ar de superioridade colonial que me irritava muito, todavia, para os meus propósitos, ele era fundamental,
Gosto de história, tanto que, após alguns anos de formada em direito resolvi fazer história, acreditem se quiserem: sem matricula especial. Fiz um novo vestibular e fui aprovada na Universidade Católica do Salvador, onde fiz dois dos primeiros semestres, os demais fiz na UNEB no campus de Santo Antonio de Jesus, para on de fui transferida por força do trabalho, entretanto,  isto não vem ao caso agora, a não ser para dar a exata noção da minha paixão póla história.
Como nem todos tem o mesmo interesse  por História como eu, tendo ouvido muitas vezes algumas pessoas dizerem que “odeiam” a matéria história, é que pensei em escrever, ao menos história da Bahia colonial, de uma maneira  lúdica, engraçada, que prendesse a atenção dessas pessoas que dizem odiar a história sem saberem  o quanto ela é fantástica, o quanto do saber  de outras disciplinas a ela está ligado e quão  mais fácil fica, quando  aprendemos a contextualizar os fatos nos seus devidos momentos e lugares. Mas também não quero  falar da história como ciência aqui, o que quero, e tinha e tenho em mente, é exatamente levar  o leitor a aprender história, entretanto ele só irá perceber que  está lendo um texto de história quando acaba de o ler  e apreender as informações ali contidas. A ideia é despertar o interesse para que ele, o leitor, se aprofunde mais naquelas informações que ele acabou de perceber e apreender, durante a leitura do texto. Isto seria e será uma grande realização pessoal.
Foi assim que o Garcia D´Ávila entrou na minha vida, como ele se fixou e como agora me faz falta quando deixa de aparecer por tanto tempo. O Senhor Garcia se fazendo presente, me presenteava com as informações que ele presenciara, vivera. Eu tinha uma fonte de informação privilegiada, mas o danado é voluntarioso e só aparece quando quer.
Este desaparecimento estava realmente me preocupando, e eu começava a achar que algo de ruim tinha acontecido.  Será que ele faleceu?  Pergunta idiota: vocês podem estar dizendo isto a mim, mas ela tem toda lógica dentro do contexto meu e do Senhor Garcia. Olhem bem, o homem pensava que estava vivo, não me aparecia como alma penada que era, e que alma penada!  Conversava comigo como se vivo fosse, me dava informações do seu tempo e da sua hora. Me contava fatos, alguns muito pouco conhecidos, do momento histórico que viveu nestas plagas. Assim, para mim tinha toda lógica o pensamento de seu falecimento. Se ele morresse e aceitasse esta morte ele poderia não mais aparecer e conversar comigo: isto me dava uma ansiedade e uma tristeza danada.
Sem dúvida que para mim era uma perda irreparável.]
Bom, e foi com estes pensamentos que ouvi um barulho na sala. Parecia que alguém tinha levado um tombo. Larguei o computador em cima do sofá e sai correndo para o local de onde teria vindo o ruído. “Que cena hilária”!  E não pude deixar de rir: Ali estava o senhor Garcia ainda sentado no chão e, o cavalo dele dera uma empenada e o derrubara, se apressando para levantar, mas a idade já não permitia tanta agilidade, e eu o peguei ali, no chão.
Kkkkkkkkkkkk, o que houve Senhor Garcia?
- Não me encha os pacova, não estas a ver?
Contendo o riso perguntei-lhe – quereis ajuda para levantar-se.
- Esmeralda!  Não sei para que ainda venho aqui e converso consigo: És insuportável e pensas que podes comigo.  Não podes não, não sei como ousas pensar em ajudar um homem como eu a levantar.
- Desculpe senhor Garcia eu só queria ser educada, mais nada.
- Guarde a sua educação, eu a dispenso e já estou arrependido de vim aqui.
Aquela última frase me deu um friozinho na espinha. Desgraçado; bulira no meu ponto fraco, ah se ele realmente resolvesse não voltar! Como, sem ele, eu continuaria com o meu projeto? Amenizei, então, a coisa.
Desculpe Senhor Garcia, é que esqueço o quão forte o senhor é. Então o senhor ia lá precisar de uma mulher para levantar?  Jamais, jamais mesmo. Sou mesmo uma abestada como pensaria e verbalizaria uma coisa desta.
Claro que isto   para aquele velho prepotente, fazia toda a diferença. O Senhor Garcia estava envelhecendo, aquela queda era uma constatação. Por mais que ele não admitisse, ele estava ficando frágil.
-  O que houve com o senhor? Pensei que tinha acontecido alguma coisa consigo? Desapareceu faz algum tempo.
- Tenho muitas coisas a fazer, além de estar vindo visitar-te., mas hoje, efetivamente fiquei com saudades tuas e vim aqui, além do mais tenho uma grande novidade para ti.
- Uma novidade? Chegou algum novo governador? Alguma coisa está para acontecer que eu não tenha conhecimento?  Ah como fiquei excitada com esta fala do Senhor Garcia.
-Calma!  Vou falar-te, mas antes quero uma coisa.
Uma esfriada; que diabos aquele homem ia querer? Sexo com ele, apesar de sabe-lo um espirito, seria impossível. Eu não gostava da aparência daquele velho, não gostava dele, não admitiria, nem mesmo a nível espiritual que aquele sacana me pegasse. O que seria?
- Quero que olhes na sua madeira preta uma coisa
- O que:  Quase tenho uma crise de riso: então o senhor Garcia queria que eu olhasse algo na minha madeira preta!  Ele realmente achava que eu era uma bruxa e que aquela madeira preta, como ele chamava meu computador, deveria ser uma bola de cristal.
- Sim, vai chegar mesmo um novo governador e eu quero saber como este homem ficará aqui, como ele vai se portar. Afinal o último governador deixou uma marca triste para nós, homens de bem que engrossamos tesouro real.
- Eu olho senhor Garcia, mas o senhor tem que me dizer algumas coisas?
- O que por exemplo?
-Em que ano estamos, ou quem foi o último governador que deixou tão grande nódoa. Enfim, alguma coisa que me permita encontrar o que que quer.
- Então não sabes, tu mesmo que me falaste das vergonhas e safadezas do Diogo Botelho.
-Ah, agora sim.  O Senhor quer saber quem virá agora? Vou olhar.
- Todavia gostaria muito de saber qual o motivo desta sua preocupação. O senhor é uma pessoa bem informada e sabe de tudo antes mesmo das coisas acontecerem.
- Agora é diferente, só quero mesmo confirmar uma coisa que estamos temendo. Há uma intenção da divisão do poder em dois governadores, um que terá sede no Rio de Janeiro e outro aqui na Bahia, e quero saber mesmo se El Rey vai fazer isto mesmo. Noutra ponta, tenho mais receio ainda de que o Francisco das M9nas volte.
- Senhor Garcia o senhor devia se afastar destas questões, devia é cuidar da sua saúde, dos seus bens, as mudanças administrativas   não vão interferir muito na vossa vida.
-Podes ver isto ou não?
- Claro que posso
Pequei o computador e coloquei no google – Quem foi o governador geral em 1908: Sem qualquer surpresa.  O Diogo Botelho seria substituído por um outro Diogo – o Diogo de Menezes Cerqueira, que ficaria na Bahia, e pelo Francisco das Manhas, o Francisco das Minas, como o senhor da torre havia falado.
- Maldição! Gritou o Senhor da Torre. Onde estes réis espanhóis estão com a cabeça. O Francisco só quer saber de encontrar minas de ouro, não irá governar nada, além do mais esta divisão de governo somente vai complicar as coisas.    Já não viram que não deu certo da primeira vez?
Fiquei intrigada com aquela reação do senhor Garcia, ele já estava para lá de Bagdá, e eu saia que ele não ia durar muito, então para que aquela reação? -  O que será que ele estava planejando ainda?
-Senhor Garcia, se eu soubesse que o senhor ia ficar tão zangado não lhe diria nada, Por que esta raiva. O Das Manhas fez alguma coisa contra o senhor? Ele não vai it referir no governo daqui, pois ele comandará o Sul, a partir do Rio de Janeiro, o senhor poderá, caso se interesse por minas de ouro, continuar com as suas buscas por aqui, pelo norte nordeste. ~-
- Não estou zangado não, estou mesmo é possesso. Então os reis não sabem que o das Manhas, quando estava à frente do governo geral, ao saber que fora encontrado outro em no “Jaraguá e em Voturana  decretou: “Hey por bem, e serviço de sua majestade, em nome de dito senhor, fazer mercê a Diogo Gonçalves Laço do cargo de Capitão das Minas de ouro e  prata e metais , que são descobertas cobrirem nesta vila de São Paulo”.[1]  Não contente com isto, ele “ foi pessoalmente  ver as minas com seus próprios olhos e colocar  uma parte do metal em seu próprio bolso”[2]  Francisco de Souza , o governador geral do Brasil era obcecado por ouro”.[3]
-Ora senhor Garcia, é óbvio que os reis espanhóis estão também atrás de ouro, e o Senhor das Manhas tinha informações preciosas a respeito do metal, portanto, não há o que se surpreender. A alcunha do Francisco (das Manhas) não lhe foi dada atoa.
- Ele não vai fazer nenhuma coisa pelo Brasil, pois estará simplesmente envolvido em encontrar ouro.
- Bom Senhor Garcia não há nada mais a ser feito, ele será o governador do Sul e pronto, simples assim.
Assim que eu disse isto, o Sr. Garcia ficou muito irritado e partiu para cima de mim, parecendo que iria me agredir, cheguei mesmo a sair do caminho, mas Graças a Deus ele simplesmente passou por mim e desapareceu como sempre. Deixando-me a me perguntar: Qual seria a novidade que ele queria me contar. Recorde-se que ele teria vindo para isto. Me contar uma novidade.


[1] CALDEIRA, Jorge. Padre Guilherme Pompeu de Almeida. O Banqueiro do Sertão, Vol. II, São Paulo, Mameluco, 2006.pg. 86
[2] Idem, pág. 87.
[3] Idem pág. 87.


quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

NOSTALGIA FUTUROLÓGICA


Acordei nostálgica, tive um sonho esquisito em que era traída na tampa, via a cena à minha frente.  O engraçado é que eu, apesar do susto, via o amor entre aquelas duas pessoas e simplesmente me afastava, era o melhor, nisto tudo havia uma coisa mais estranha ainda; tudo começara por causa de uma discussão sobre um santo: kkkkk acreditem! São Gregório.  Acordei, e, de imediato, fui ver que Santo era este e qual o seu dia: 03.09. Bom, ao menos o homem é do meu mês de nascimento. Confesso que fui olhar para saber exatamente esta data, porque penso que pode ser um sinal para jogar na mega – sena. Do jeito que ando com as finanças é melhor acreditar em qualquer coisa., e ainda mais quando ele está associado a uma traição tão intensa quanto esta. É duro saber que até em sonho sou traída, humilhada, enfim.
Mas havia mais motivos para esta nostalgia, sim havia. Recebi algumas imagens da Bahia antiga, já as tinha visto em outra oportunidade, mas, talvez, pelo momento e circunstâncias atuais, elas me fizeram mesmo voltar a um tempo em que a vida era linda, sem quaisquer problemas, somente esperanças e sonhos.
Uma das imagens me traz momentos vividos na Rua Chile há tantos e tantos anos. A Rua Chile era a Rua, pense em uma coisa chic. Ali estavam: O Adamastor, bem embaixo do que hoje é o hote, por sinal maravilhoso, onde a rua se divide para dar lugar à Rua da Ajuda e Rua Chile.  Quantas vezes gazeei aula na Medalha Milagrosa para ir à Rua Chile. Algumas vezes com a passagem de ônibus paga pela Meluzinha, com o único fim de passar pela Casa da Música e, sob algum pretexto idiota, afinal nenhuma de nós tocávamos e nem pensávamos em tocar qualquer instrumento, entravamos na loja e olhavamos aquele belo homem que ali trabalhava. Não sei se era dono, filho do dono, ou apenas um empregado, sei que o diabo era lindo. Êxtase total se ele apenas cumprimentasse uma de nós.  Fico pensando na pureza daquela idiotice, ficávamos apaixonas por alguém apenas por olhar para a pessoa, contentávamos-nos em ouvir a voz dizendo bom dia, oh então como vai, e mais nada, amávamos à distância e sem quaisquer certezas ou esperanças. Lembro do nome do pobre coitado; hoje ia ganhar um dinheiro da porra com assédio: Fernando Fllemon ou Tilemon, não lembro bem. Espero que tenha sido muito feliz e que ainda esteja vivo, mas, certamente não o quero ver mais nunca, para não perder aquela imagem que guardo até hoje: olhos claros (penso que verdes) numa pele morena e cabelos lisos, meu Deus, era bonito mesmo!
Outra foto me traz a mulher de roxo, apesar da foto em branco e preto, sei que a roupa era roxa. Quantas e quantas vezes vi aquela mulher vagando pela Rua Chile, a qualquer dia e a qualquer hora que fosse à Rua Chile ela estava lá, ficava mais em frente à Slopper.  Que loja fantástica! Hoje, quando chego em determinadas lojas de Lisboa, ainda posso ver a Slopper. Tem uma parte do Corte inglês, a que expõe as carteiras e lenços (marroqueria), que é igualzinha  ao nicho que expunha estas coisas na loja daqui de Salvador, que tanto sucesso fez, entre  o high Society da terra, e até entre aqueles que lá nem chegavam perto, a exemplo de mim e da minha família.  Adorava entrar naquela loja, e ir até ao fundo do prédio, não queria ver nada, e sim apreciar a Baía de Todos os Santos, qualquer pretexto para entrar ali valia a pena. Que coisa mais linda. Ali deveria ser um puto dum hotel.
Cansei de me perguntar o que aquela mulher fazia ali; de onde veio? Quem era? Por que chegou a este estágio?  Será alguma desilusão amorosa? Será que perdera um grande amor?  O fato é que ela com seu olhar vago, vagava pela rua, onde, algum dia, penso eu, desfilou como uma rainha. Os panos da roupa eram bons e ela andava mais ou menos limpa, sinal de que era cuidada de alguma maneira.
Em outra foto o abrigo da Praça Castro Alves, onde, e, quantas vezes meu Deus! Esperei o ônibus para ir para casa, seja com minha mãe, com meu pai, sozinha. Ah quantas lembranças de uma Praça em que vi pela primeira vez um desfile de “bichas”, e nem venham para cá dizer que eu sou homofóbica, é que quando eu tinha dezessete anos, e não havia qualquer  homofobia, pelo menos aparente e nem ninguém dava todo este valor “clamor” à palavra gênero, as bichas desfilavam nas escadarias do prédio do lado esquerdo da Praça. Não lembro que era aquilo, um prédio cinza. Ri tanto naqueles desfiles. Ia com minhas tias, irmã e tios. Nunca tive nenhum problema, e até conhecia algumas das que desfilavam.
Outras fotos trazem mais e mais recordações, edifício sul América! Como era bem ter uma sala naquele edifício, só poderosos tinham escritórios ali, e no carnaval, que maravilha! O trio elétrico fazendo a volta para retornar pela Carlos Gomes. Que apertadinho mais gostoso, e a gente ainda achava que era uma bagunça. Hoje sim que é uma merda,    
  .  Ver o encontro de trios, ver Dodô e Osmar, Trio elétrico saborosa, apaches, filhos de Gandhi. Os rapazes dos Internacionais e dos Corujas, os Barões do Barão, e o melhor deles, o JACU: que saudades!
Outras fotos, outros momentos, outras recordações, mas logo após estas fotos também recebo uma outra mensagem, que vem encaminhando um texto do Nizan Guanaes. Que maravilha de texto; embora ele possa nos remeter ao futuro, é como se tudo fosse uma volta ao passado ao qual agora me referi. Nizan sonha, e eu embarquei no sonho com ele. Diga-se de passagem; sonho realizável, lógico que não no curto prazo que ele colocou no texto, talvez pela vontade de fazer retornar o orgulho bahiano de ser bahiano e valorizar a nossa terra, tão cheia de história e beleza, todavia num prazo mais longo, quem sabe! Me transporto e vou acompanhando o texto e passando pelos lugares de outrora no futuro programado para 2029. Dou risada ao subir a ladeira da montanha de bonde. Que maravilha! A Ladeira já não tem mais qualquer “puteiro”, as casas foram reconstruídas à maneira antiga, umas coladinhas nas outras, janelinhas umas ao lado das outras, é quase um presépio, Chego ao sopé da ladeira e desço do bondinho, agora vou subindo em direção à Rua Chile. passo pela frente no antigo Cine Guarani, que voltou a ter este nome. De lá viro-me para a Ladeira de São Bento e vejo o velho Edif. Sul América todo remodelado; agora é mais um hotel 5 estrelas no Centro da Cidade. Vou subindo e me deparo com o Hotel Fasano, no antigo prédio da Tarde. Tomo coragem e entro, peço para ir ao terraço.  – Perco o fôlego.  A Baía de Todos os Santos aos meus pés, não há nada entre mim e ela, olhando daquele terraço.  Quase desfaleço de emoção. Peço um drink, mas o garçom nega e me diz que o serviço ali naquela área é só para hóspedes. Xingo inconscientemente os pobres coitados tive vontade de mandá-lo à porra, só não o fiz para não quebrar o encanto daquele momento divino. Desço, sigo andando pela Rua Chile: Espanto! Uma loja da Lui Vuiton em plena salvador. Será mesmo? Mais adiante: uma ‘PRADA”, e mais outra ERMENEGILDO ZENGA”, RALPH LAUREN,DOLCE GABANA,  ARMANI e outra e outra. Nem acredito, mas está tudo ali, acho que viramos o metro quadrado mais caro do mundo. Continuo andando, chego na rua do Pau da Bandeira, ali onde ficava o antigo VARANDÁ, hoje está um restaurante francês. Não resisto e desço a ladeira. A entrada é pelas escadinhas, que foram apenas recuperadas, para dar um pouco mais de originalidade ao local, no entanto, o restaurante é mesmo fantástico, e pasmem a Baia de novo se entrega à minha contemplação. Fico extasiada! Só me recupero quando ouço alguém dizer que o restaurante está fechado até as 19:00 quando abre para o jantar. Nem ligo, sei que vou entrar ali um dia e vou comer, ou melhor, vou ficar mastigando devagarinho para demorar bem no local, tomarei muitas garrafas de vinho, corro o risco de sair carregada, mas fico ali o tempo que me der na telha vendo a beleza desta maravilhosa terra.
É mais tenho de sair mesmo e subo novamente a ladeira. Em frente ao Palácio Rio Branco o casario foi recuperado, a fachada a mesma, mas o interior virou um shopping center de primeira, muitas lojas de grife e muitas pessoas. É a Rua Chile recuperando o seu glamour.
Como viram, a nostalgia deu lugar `euforia, mas isto durou muito pouco, porque quando saio do torpor e do encantamento que foi trazido pelo texto do Nizan, caio na real, e de real só vejo mesmo o Fasano e o Hotel Palace, o resto está tudo igual, quanto pior: ainda tenho receio de andar pela Rua Chile, principalmente à noite. Todavia, como Nizan, reconheço o potencial da área e o potencial da nossa terra, e, embora sabendo que isto vai demorar muito, penso que aquele centro de salvador vai ser recuperado e nós, talvez meus netos, comemoraremos a beleza e o glamour da nossa RUA CHILE, da nossa Salvador, da nossa Bahia. 

domingo, 6 de janeiro de 2019

Uma saudade de matar


Domingo, meio da tarde, a casa cheia,mas,  por incrível que pareça, eu to sozinha e com a saudade entrando por todos os caminhos possíveis. Pela televisão, pelo computador, pelo meu celular. Engraçado é que, em um único momento, consegui  que a minha juventude, representada pela minha amiga Diná aparecesse aqui em casa, assim como se nada se  tivesse passado há muito tempo. Lembrei de tantas coisas que ocorreram naquele Colégio da Bahia, o Central, e das grandes e inocentes aventuras que vivi. Ah minha amiga, como eram doces os nossos momentos. Uma saidinha aqui, outra ali, e nós vivendo a nossa juventude. Admiradas por muitos, odiadas por tantos outros. O nosso colégio, era assim que ainda chamávamos o central, onde fizemos, eu e você, o nosso clássico, que virou cientifico no último ano e  quase acabava o nosso sonho de uma UFBA., mas não foi o suficiente, porque  passamos, se faz presente.. Lembro de tanta coisa., Dina trabalhando com os Gatos, eu trabalhando com os Gatos, mas na água, ela na engenharia. Coisa engraçada:  áreas diferentes, mas o assédio igual, hoje estaríamos ricas. A vida passou minha amiga. Minha querida e eterna amiga, nem o tempo e nem pessoas tirarão isto de nós, virou uma grande mãe de família. Eu continuei a minha vida, não tinha vocação para grande mãe de família, sempre tive vocação para ser família, mas não construir, eu, sozinha, uma, e deu no que deu: mas Deus recuperou e, de uma maneira ou de outra, continuo tendo uma família, a minha e a que criei – FABIO.
Continuo lembrando do  Central: dos Carlos, dos Bergsons, dos Josias, dos Christovinhos,, dos Lucios, e de tantos outros, especialmente, dos Charles e dos Oyamas, os dois últimos  na minha privacidade. Ah! e como foi bom o amor inocente de dezoitanos apaixonados, querendo viver, em um só momento, uma vida inteira de repressão e dificuldades. Ainda hoje lembro da Carlos Gomes,, quando ainda podíamos transitar nela às onze da noite, esperando o último ônibus passar para casa, depois deste horário o problema estava formado.   
Vou recordando, o tempo passa rápido no virtual e nas recordações: somos capazes de, em poucos minutos, fazer  sessenta e cinco anos virar minutos, quase segundos. Os flashes continuam: e agora eu vejo o quintal do Zeca (cd) trazendo o  bahiano, Nelson Rufino, a cantar – “Descobri que te amo demais, descobri em você minha paz, descobri em você a vida, verdade, ”. Rapaz o coração dói, sai pululante do peito: aí eu lembro de  você a me dizer isto: (descobri que te amo demais) na frente de todos e encoberto pela musica que todos ouvem. Na frente  de todos, sem que ninguém notasse, esta bela declaração de amor, era transmitida e entendida, o receptor atento conseguia receber a mensagem. Queria mesmo que fosse no privado, mas você era assim, preferia dizer através de  outrem o que você sentia, até porque não poderia literalmente dizer abertamente isto. Que choque! Que saudades Meu Deus! Que saudade intensa, chega até dói na alma. Lembranças boas, mas que doem  porque se foram, não estão e nem estarão  mais aqui, e ninguém mais repete, ,ainda que por versos alheios, o amor que você  conseguiu me dizer que sentia, aliás, aliado a tantos gestos e ações, não sei se notadas por outrem. Mas,  que importa agora? Só importa mesmo a mim, porque verbalizei, com as minhas próprias palavras e gestos, sem o intermédio de quem quer que seja, o meu grande amor, talvez tenha tido  mais coragem que você. Sobrevivi, continuo, como já disse, ouvindo  a mesma música, mas os seus olhos já não encontram mais os meus, para, brilhando, dizer que descobriu o quanto me amava

Praia da Costa- Aveiro -foto de Idalina 
Por do sol em Nazaré - foto de Idalina
Como se tudo isto não bastasse, vem a Dadá a me trazer, pelo face, o meu amado Portugal. Primeiro Aveiro, depois Fátima,  agora Nazaré: Ai meu Deus! Nunca pensei em amar tanto. Todos os amores ficaram para trás, quando percebo a intensidade do meu amor por um lugar – PORTUGAL. Gente, é uma saudade, uma dor misturada à satisfação de sabe-lo amado por outrem. Cada foto, cada palavra faz aumentar a minha saudade, o amor ninguém mais consegue aumentar, porque ele está incrustado em mim,o que me faz sentir Portugal com o se lá estivesse em meio a esta distância taõ imensa:  O ar impregnado de odores: em junho de sardinhas, e,  nos demais meses, de tantos e tantos outros odores: odores cheirosos, odores fétidos, mas odores de uma terra viva e amada. Ah! Como era bom e é bom, porque eu volto, a sentir o odor daquela   Largo São Domingos impregnado de suor, da gente que na pele traz a sua identidade e o seu cheiro. Como é bom subir as escadinhas que levam aos becos outros de Alfama e sentir o cheiro  das casas que só se abrem  se alguém entrar ou sair: nada além disto, mas, ainda assim, se der a sorte de sentir o cheiro nesta abertura de porta, vai sentir  o cheiro da idade de Lisboa, dos seus casarios, da sua tradição. Alguns dirão que é mofo; claro que é mofo: então  a idade não cheira a mofo.! Saudade  da Ribeira, dos bailes da tarde em tantos lugares: saudades, de sentir o mofo nas roupas dos  velhinhos que esperavam estes dias, sábados e domingos, para  mostrarem os seus dons (dançarinos)


Saudades  de andar  pelas ruas internas  do Cais do Sodré; de ver, há algum tempo atrás, as (putas) de Lisboa, na decadência da vida, entretanto, dando vida àquele espaço, à época, sombrio: hoje retiraram-nas para dar espaço  a bares fantásticos. A juventude acabando com a tradição, mas, ainda assim ,bom.  Realmente,  continuo impregnada de amor por Lisboa e por Portugal, não sei como isto vai acabar, porque se eu não voltar para lá, vai acabar comigo esta dor, este amor. É como se fosse uma paixão sem resolução, quando um não quer corresponder. Mas, eu sei que não é assim, porque Lisboa e o meu Tejo me querem, eu sei, eles me amam na mesma intensidade que eu os amo. O Tejo, talvez mais volúvel, entretanto mais poderoso, pode chegar até a mim através do Atlântico. Fico esperando que ele esteja nas águas em que entro aqui em Patamares. Talvez uma corrente mais fria seja ele me avisando que está ali. Que bom! Só assim consigo, ao menos, por um minuto, ter o seu amor quase dentro de mim, entrando por todos os orifícios possíveis. Ah Meu Deus, termino ficando doida de tanto amor.
Sei que é comprometedor amar tanto e esta declaração pública de amor, mas com você, meu querido e amado Portugal, é diferente: tenho a ousadia de dizer publicamente do meu amor, queria mesmo é que você me amasse numa correspondência tão intensa quanto a do meu.
Pois é, em uma tarde de domingo, hoje dia 06 de janeiro em que se comemora o dia dos Reis, em que na Espanha se troca presentes, espero que seja merecedora de um. – Voltar a Portugal, Ver Lisboa, molhar os pés no Tejo, agradecer à Nossa Senhora de Fátima, caminhar pela calçada de Figueira da Foz, andar pelas ruelas de Alfama, ir no miradouro (qualquer um deles) passar pela ponte do Minho, do Douro, ir à Chaves, Bragança, Guimarães, Braga, Viana do Castelo, Ponte de Lima, |Ah Meu Deus quanta saudade!
Ir o Alentejo :andar sozinha pelas praias de Melides, Lagoa de Santo Andres, sentar naquele restaurante em Vila Nova de Mil Fontes,  comer em Zambujeira do Mar, ir ao Algarve, ver Portimão, Olhão, Tavira, Albufeira, Vila Moura e tantos outros lugares, não interessa onde, mas lá, na terrinha, escrevendo num final de tarde de domingo  lá, em Cascais, olhando o por do sol naquele farol que sempre conseguiu me dar rumo em todos os momentos, de preferência, na companhia do meu querido Alentejano, que soube, como ninguém, me dar amor e me mostrar o melhor de Portugal.
Que saudade!