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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Um resgate histórico cultural


Rua Augusta-Lisboa
Tejo-Lisboa
Mais uma vez ouço pessoas falarem de que vão a Europa, mas não vão passar por Portugal, porque aquele país não tem nada. Falam da França, enchem a boca para falar da Torre Eiffel, dos vinhos franceses, da Notre Dame, do Sena, etc., mas não encontram atrativos em Portugal.
Não entendo mesmo, primeiro porque acho que é quase uma obrigação de brasileiro que tem condição de ir até a Europa,  conhecer Portugal, afinal de contas, queiramos ou não, a nossa história está imbricada com a daquele país, e todos nós, brasileiros, precisamos saber da nossa própria história, talvez, se soubéssemos mesmo da nossa história, não abriríamos a boca para falar com desdém de Portugal.
Eu tive motivos diversos do de ser “brasileira” para conhecer Portugal, ou melhor, a Península Ibérica; meu pai era galego de Pontvedra, Galícia, Espanha, e, portanto, queria entrar na Europa pela Espanha, mas tive de entrar por Lisboa e daí partir para a Espanha, no entanto, no meu roteiro estava Portugal, porque é um país que participou da nossa história, aliás, nós fomos Portugal em determinado tempo, porque como colônia quer éramos, pertencíamos a Portugal, portanto, o nosso território, apesar do Atlântico separando, era território português e nós, portanto, portugueses. Se eles queriam ou não que nos considerássemos assim, não interessa, o fato é que o território português era o de Portugal e suas colônias.
Santa Catarina-Lisboa

Do Brasil já governamos Portugal, ou seja, por um período as coisas se inverteram, e nós sediamos o Reino Português, e todos precisam ter a exata noção do que isto significa.  Fomos a única colônia portuguesa que teve este privilégio. Aliás não foi a toa que  estivemos sempre na vanguarda  de todo as colônias, e não foi  sem causas que alcançamos a nossa independência tão cedo,  isto se lembrarmos que as demais colônias(africanas) só conseguiram as suas respectivas independências na década de 70 do século XX, a grande maioria em 1974.
Se a Corte Portuguesa não tivesse vindo para o Brasil e se aqui não se instalasse a  Monarquia Portuguesa,(1808)talvez a nossa independência também só tivesse acontecido contemporaneamente às demais colônias.
O Rei de Portugal veio com a sua corte para o Brasil, deixou Portugal entregue ao seu próprio destino, com  Napoleão invadindo Lisboa (1807). A decisão de transferir a Corte para o Brasil não derivou, essencialmente, da invasão napoleônica, a decisão fora tomada antes, tendo em vista “a posição central ocupada pelo Brasil no sistema comercial luso-brasileiro”(MAXWELL E NIZZA DA SILVA,1986:382). O rei Dom João VI veio para o Brasil, com toda a sua corte, trazendo consigo, artistas, letrados, doutores.  Segundo (FLEIUSS;1922:64), a comitiva do rei era composta de aproximadamente quinze mil pessoas. O Brasil, portanto, em 1808 perde a sua condição de colônia, para alcançar a de Reino, e em 1816 cria-se o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.
Viseu-Pt.
Chaves-Pt
 Evidentemente que Portugal não fez nada de graça,  eles vieram para o Brasil porque aqui  as coisas  estariam muito melhores para eles, mas não podemos esquecer de um detalhe: a vinda da família real e da corte portuguesa para o Brasil foi um “plus” para a própria economia, para a cultura, para o desenvolvimento, para a liberdade do país, começando com a providência real de decretar a abertura dos portos às nações amigas, sem dúvida alguma o primeiro passo à caminho da independência. Com a chegada da corte, apesar da injusta medida de desabrigar os brasileiros das suas casas para que a corte se instalasse nelas, criou-se o Banco do Brasil, a Biblioteca Nacional, com o acervo trazido pelo rei composto de 4301 obras em 5764 volumes (FLEIUSS; 1922:83), dentre tantas providências.
Lisboa
Lisboa
Assim, todos nós brasileiros devíamos conhecer  o país que nos deu tanto; se nos tirou muito, também nos deu muito. Os centros das nossas cidades mais antigas são pequenas Lisboas; não que Lisboa seja grande, é que nossas cidades cresceram muito e se desconfiguraram, enquanto Lisboa continua  única, com seus sobrados, com suas ruas estreitas, com os seus becos, com as suas escadinhas, com a sua identidade.   Quando chegamos a Alfama no centro de Lisboa, e caminhamos pelos seus becos e ruelas, em muitos trechos nos vemos em São Luiz do Maranhão, em Salvador,  na Lapa no Rio de Janeiro, em Outro Preto, Congonhas, Olinda, a influência de Portugal está em toda parte.
Os fortes: Ah os fortes! Maravilhas da construção portuguesa no nosso país, guardavam a terra contra outros invasores. As nossas igrejas, a exemplo da Igreja de São Francisco em Salvador – Bahia. Há obra mais perfeita  de arquitetura? Quem  idealizou isto e fez isto possível? Quem, de uma maneira ou de outra, usando os nossos índios ou não, utilizando ou não braços escravos, construiu aquedutos, fortes, fortalezas, cidades? Lembrem-se de Olinda, em Pernambuco, do forte de São Marcelo na Baía de Todos os Santos, do forte de Santa Maria, do Montserrat, das fortalezas em Recife, Itamaracá, Reis Magos em Rio Grande do Norte e tantos outros no nordeste brasileiro e em todo o país.
Bom não vou mais falar da influência portuguesa no Brasil, ela é visível e não adianta  ninguém querer apagar esta história, até porque ela é a nossa história; quero falar mesmo é de Portugal hoje. Pequeno!  Sim, é um país pequeno; mas se pensarmos  exatamente nesta pequenez e  lembrarmos o que ele conseguiu fazer em tantas partes do mundo, já conseguimos vislumbrar a sua grandeza. Não estou querendo fazer qualquer apologia de Portugal, mas temos de tirar o chapéu para um país que conseguiu chegar a tantos lugares, Ásia, África, América do Sul e deixar as marcas da sua passagem.
Rossio -Lisboa

Quando vocês chegarem à Lisboa, certamente, todas estas  impressões errôneas cairão por terra,  Ninguém que for a Portugal vai esquecer  Lisboa, onde você pode partilhar cultura com tantos, a cidade é cosmopolita. Há  gente de todos os lugares naquela  capital, seja das antigas colônias, seja  da Europa atual. Cruzamos nas suas ruas com gente de todos os cantos do mundo, bem verdade que  os africanos, indianos, chineses, são mais facilmente identificáveis, os traços físicos os fazem inconfundíveis. Portugal teve colônias em Macau, Timor, Índia, África (Angola, Cabo Verde, São Thomé, Moçambique, Guiné) e seria impossível não encontramos  pessoas destes lugares  instaladas na cidade. Os chineses são  diferentes, porque eles estão em todos os lugares do mundo, parecem onipresentes, tudo igual, mesmo cabelo, mesma cara, mesmo olho puxado, enfim.
Nos transportes podemos ver pessoas falando diversos idiomas, ficamos  com cara de besta vendo tantos falarem tantas línguas diferentes.  Vamos ficar encantados quando um motorista de ônibus, um atendente que trabalha no guichê de passagens, um garçom, muitos outros profissionais, falarem francês, inglês, espanhol, alguns até mesmo alemão. É bem verdade que não são todos, mas você vai se surpreender mesmo com a quantidade.
Há preconceitos? Há sim, mas o que nós queremos? Afinal aquele país  nos perdeu, e ninguém pode ficar satisfeito perdendo  um país como o nosso, ficaram um tanto complexados, mas isto não  obscurece a grandeza de Portugal .
Badajoz-Es
Ruína romana-templo de Diana-Évora-Pt
Passear pelo interior de Portugal, encontrar ruínas romanas, ver a influência árabe, deambular pelas suas cidades, pelas suas praias, é sensacional. Temos muito que ver naquele país.As pessoas que  dizem que não tem interesse em conhecer Portugal que preferem a França, a Inglaterra,  vão mesmo ficar boquiabertos.
Ir até o Alentejo, visitar o templo romano dedicado a Diana em Évora, ver as Igrejas seculares,a Sé de Évora foi  iniciada em 1186, os castelos medievais, as muralhas, os grandes mosteiros,  andar pelas ruinhas e praças, ver  a Unversidade,(1559) dali ir a Elvas, atravessar para a Espanha, alcançar Badajoz é sensacional.  De todas as direções que tomar, saindo de Lisboa, você vai alcançar a Espanha, é a fronteira natural do país, só com ele é que Portugal tem fronteiras na Europa, por isso mesmo  os portugueses avançaram para o mar. Se seguir para o sul vai atravessar todo o Alentejo e ter várias opções de entrar na Espanha,  você  vai conhecer  o Algarve, vai ver a influência árabe em Portugal, vai alcançar  Vila de Santo Antonio e daí entrar na Espanha por Ayamonte, tudo  isto margeado pelo Guadiana, rio que  separa, em diversas localidades, a Espanha de Portugal, a exemplo de Elvas, que de um lado é  Portugal e do outro lado Espanha. Todavia, antes de chegar a este ponto, você já passou por Setubal, pela rota dos vinhos, Pela Prainha, e pode também ter acesso a belas praias do Alentejo,  a exemplo de  Lagoa de Melides,  Vila Nova de Milfontes, Zambujeira do Mar,  e muitas outras; você pode ainda no Alentejo alcançar o Algarve visitar Vila Moura, Portimão, Albufeira, Olhão, Tavira, Faro pode ir a Sagres, Lagos, e tantos outros lugares, tudo isto antes de adentrar à Espanha.
Praia de Nazaré-Pt.
Canais-Aveiro-Pt.
Se você prefer ir pelo norte vai ver  Nazaré, Fátima, Figueira da Foz, Coimbra, esta última  você não pode perder mesmo,  a influência  acadêmica de Coimbra no nosso país é reconhecida, principalmente  na área jurídica. Os nossos grandes estudaram lá.  Aveiro, Porto, Gaia, Vila do Conde, Póvoa do Varzim, Valença e vai alcançar a Galícia.
Se preferir outro roteiro, você vai para  Espinho,  Braga, Viana do Castelo, pode esticar mais um pouco e vai entrar em Trás os Montes e vai  conhecer Guimarães, antes porém vai passar em Vila Real,  e segue para alcançar Chaves, que fica  a poucos Km de Verin também na Galícia.
Ponte de Lima-Pt.
Igreja de Nossa Senhora do Sameiro Viana  do Castelo-Pt
Olhe o que estou lhe dizendo, você vai se surpreender a cada momento.  Em Ponte de Lima você vai se sentir no medievo, vai  a qualquer  momento achar que uma batalha entre  tropas  vai acontecer, de tão real que é aquela cidade.  Em Braga, quando chegar ao centro da cidade, na parte antiga, por um segundo você vai se sentir numa cidade medieval, grandes construções,  cidade cercada, inúmeras igrejas.    
Por tudo isto, por ser brasileiro, pela cultura, pela história, vá a Portugal, tenho certeza que não se arrependerá e ajudará a que ninguém mais diga que  aquele país não esta dentro do seu roteiro de viagem a  Europa, não repita mais isto e nem deixe que ninguém o faça, pois quando você fala que Portugal não presta,não oferece atrativos para o turismo, você está dando um grande atestado do seu desconhecimento, seja cultural, seja histórico. Vá lá com o espírito aberto, desfaça-se de qualquer preconceito e qualquer pré-conceito. Viva Portugal, conheça Portugal. Tenho certeza que você jamais esquecerá deste pequenino grande país.

Baía de Cascais-Pt.

Bibliografia
MAXWELL, Kenneth, NIZZA DA SILVA, Maria Beatriz,  “A Política”.  Nova História da Expansão Portuguesa, O Império Luso-Brasileiro, 1750-1822, (direc). Joel Serrão e A.H. Oliveira, Marques, Vol. VIII, (coord). de Maria Beatriz Nizza da Silva, Lisboa, Editorial Estampa, 1986.     

FLEIUSS, Max. Historia Administrativa do Brasil, 2ª.ed. São Paulo, Cia Melhoramentos de São Paulo, 1922.










         

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Um bom programa para o Carnaval



Alcântara no domingo
Lisboa está fria. É inverno, mas nada que impeça você de andar pelas suas ruas, entrar nos seus restaurantes, ir até o Tejo, atravessar até Cacilhas.  O frio é menor que em todos os outros lugares da Europa, não se impressione, pois, com as noticias da televisão e venha sem medo até Lisboa, não ha qualquer problema.  Verá uma Lisboa diferente, mais sisuda, mas encantadoramente bonita, com muitos carrinhos de “castanha” largando o seu fumacê pelas calçadas, fazendo você ter a ilusão que vai se esquentar um pouquinho mais Prove a castanha assada, você pode gostar, eu não gosto.
A roupa: a roupa a usar é aquela que você poderia usar em um dia frio em qualquer capital do sul do Brasil: É verdade.  Mesmo quem é muito friorento anda bem aqui com a temperatura a 10 graus.  A semana passada encaramos uns 6 graus, mas ainda assim, você sai na rua. O que não é bom é a chuva, mas não esta chovendo neste inverno.
Parque das Nações
Umas luvas, um cachecol não vão fazer falta e ainda lhe dá um toque elegante, chique mesmo.
Bom agora vamos a ela: você já ta todo quentinho, portanto lá vamos nós. Ah sim! Há uma novidade, carnaval aqui não é mais feriado. O Governo da austeridade ficou mesmo muito austero e os pobres portugueses vão trabalhar no carnaval.
Se você chegar aqui agora você vai pegar uma boa leva de “saldos”, liquidação para nós. Olhe que é bom mesmo, a gente fica boba de ver como as coisas diminuem de preço, é mesmo uma “liquidação” unas “rebajas” como se diria em Espanha.  Bom se veio com a intenção de gastar dinheiro  em roupas, sapatos etc., vá fundo, até mesmo nas lojas caras, aquelas  das grandes grifes: Gucci(novíssima aqui em Lisboa) fica na Liberdade para variar, lá que é  a rua das grandes marcas, Armani, Loui Vuitton, Tous, Ermenegildo Zenga,  Dolce Gabana, tantas e tantas outras, também fazem  liquidação, claro que  a liquidação aqui é para gente  “grande”, mas  dá para encarar uma “carteirinha”, quem sabe, uma gravata, uma  blusa. Fico doida é pelas bolsas, mas hoje mesmo passei na Gucci e lá havia uma que custava, apenas, (não estava em saldos)  quatro mil e poucos euros. Já viu que não dá para mim não é?Todavia olhei, vi, gostei, pronto. Entretanto, ha coisa mais acessíveis, que, diga-se de passagem, não compro, pois se não dá para a Lui Vuitton também não compro nada. Não acredite nisto! É só um desabafo idiota. Ah, você também pode ir ao El Corte Ingles, logo ali em São Sebastião, é so pegar o metrô linha azul e você chega lá.
Bom se você não gosta das compras, suba a Liberdade mesmo assim, é bom, faz bem à saúde e aos olhos.
Se você tem pouco tempo para passar em Lisboa, ao invés de ir para a Liberdade vá ao Chiado, aquilo lá é bonito de inverno à verão, no inverno há o chiquê dos cafés e "chávenas" de chá. Acredite que eles falam assim mesmo. Gosto de ver “as modas” por ali, a gente vê de tudo, de pessoas impecáveis, como diria a minha amiga Vera, a jovens desarrumados com as cuecas aparecendo, com roupas sobrepostas e que, no final, não resolvem ou não aquecem nada, mas eles se acham e vão desfilando a sua coragem de enfrentar o frio chamando atenção da pior maneira possível. 
De umas voltas por ali, tome um porto na “Brasileira” e depois um café ai mesmo, é bom, não vai se arrepender.
Se pretende viajar por Portugal te digo que há mais frio no interior, mas também, fora a Serra da Estrela, dá para encarar, falo da Serra da Estrela porque neva mesmo, o que ocorre em outros locais de Portugal, mas lá é o mais comentado.
Capelinha em Fátima
Bom mas se vai viajar para o Norte tenho algumas recomendações a fazer.  Se for muito fervoroso, católico praticante ou finge ser, ou quer ser, ou ta precisando de força, acho que Portugal é o lugar correto.  Nunca vi pais com tanta Igreja,  eu tenho quase certeza que existe mais igrejas aqui de que no Brasil, há lugares que só numa mesma praça tem três, uma de frente para a outra, deve ser para fazer concorrência,  lembrem-se que havia várias ordens (dominicanos, jesuítas,vicentinos e outros bichos mais). Saia de Lisboa e vá direito para Fátima, o Santuário mais importante e conhecido de Portugal, pelo menos é o que parece: é aquele da aparição da Virgem aos três pastores. Tão lembrados nê? Vá lá, apesar da exploração de todos os lados, vale a pena até para a constatação de que a religião e o dinheiro ainda não se desvincularam, o poder da Igreja já diminuiu muito, mas ainda demora muito para que  as finanças deixem de fazer parte  de suas metas. Comece, como eu, pelo ridículo da compra das velas a para queimá-las em seguida. Já viu coisa mais idiota? Mas faça, custa dinheiro, mas vale à pena, faça pela sua fé,se é que você é crédulo. Eu faço acreditando ou não, pois sou uma crente de araque, dias to pedindo tudo aos santos e acreditando neles, dias até os mando para aquele lugar, pois meus pedidos devem logo ser atendidos. Isto é o que eu acho. Se eles demoram mando todos para a porra. Eles já me conhecem e até aceitam, pois não é que os “danados” às vezes tiram a cera do ouvido e me atendem!!!  Bom, o certo é que já fui várias vezes a Fátima e há um pedido pendente, que eu renovo a cada vez que vou lá e queimo as porras das velas: quanto maior mais cara é lógico. Além das velas você pode comprar qualquer coisa em Fátima, tudo com o motivo da aparição, tudo mesmo.  Não vi por lá nenhuma casa de venda de coisas eróticas, mas não duvido que tenha e que se arrume algum objeto mostrando alguma coisa relacionada com aparição, sei lá o que, uma calcinha com os dizeres – lembrança de Fátima - ou “estive aqui com uma seta – para e em Fátima”, ou ainda uma vela bem grande com alguma frase, sabe-se lá; o povo tem imaginação!  Eu falo assim porque tenho isenção, Nossa Senhora de Fátima me permite que eu diga estas coisas sem que isto seja qualquer ofensa à sua dignidade, sua santidade, seu poder.  Não falo dele e sim da Igreja e da exploração da Virgem, nada mais.
Bom, veja Fátima, não se demore muito porque a pobre coitada tem de ouvir muita gente, mesmo que o Santuário esteja vazio. Você pode não acreditar, aquilo enche mesmo, tanto a parte visível, aquela que você possivelmente tá vendo agora onde fica a capela, como no subterrâneo, tão grande quanto esta parte; a escadaria que leva até estas capelas subterrâneas fica lá no fundo, há  três ou quatro capelas, uma delas somente  para confissão, você não vai acreditar no tamanho daquilo tudo. Não se esqueça de, convenientemente, colocar uma moedinha nos cofres espalhados pelo santuário, faz parte. Afinal, como poderia tudo aquilo ser mantido não fosse à caridade dos fiéis?
Leiria
Bom chega de Fátima: saia dai e vá para Leiria, Se surpreenda: vou ser breve porque não quero me alongar muito em Leiria, eu fiquei surpresa mesmo. Se der para almoçar aí vá até a Adega do Caçador e coma “dobrada", se for o dia, se não for coma qualquer coisa, vai ser bom da mesma maneira. Veja as pessoas que trabalham no local e reze para que você chegue à idade delas  fazendo o que elas fazem. Não deixe de tomar o “caldo verde”, o melhor, até agora, que tomei em Portugal. Eu adoro caldo verde, acho que é a melhor sopa que aqui servem, mas gosto não se discute, e você pode não aprovar, mas recomendo.
Mosteiro da Batalha - Lateral
Se você estiver de carro e não for alongar a viagem, volte por outro caminho e não esqueça, to te pedindo, não deixe de ir, pelo amor de Deus,s em Batalha. É imperdível, não pela cidade em si, mas pelo que lá se contém. O Mosteiro de Nossa Senhora da Vitória, que ficou conhecido como Mosteiro de Batalha.  Não perca um detalhe. Ele foi considerado uma das sete maravilhas de Portugal, e mesmo que assim não fosse, ninguém que chegue tão próximo pode deixar de chegar, ao menos, até a porta deste Mosteiro.  Chegue à porta principal e fique olhando os detalhes, não chegue muito tarde, tem de chegar com a luz do dia ainda. Eu sei que você jamais se arrependerá de ter parado. O Mosteiro foi mandado construir em honra a Santa Vitoria por Dom João I, tendo em vista a vitoria na batalha de Aljubarrota, sei que isto talvez não interesse, mas é bom saber. O Mosteiro passou por três séculos para ser construído, de acordo com as informações dos livros, o inicio das obras se deu em 1386 e alcançou 1517, passou por vários reinados.  Se encante, não se esqueça de olhar os detalhes, desde os muros que cercam o mosteiro até as suas colunas, não perca nada, você não vai ver isto em muitos outros lugares. Segundo os entendidos é estilo gótico tardio que também ficou conhecido como “manuelino” o mesmo que pode ser observado nos Jerônimos, aquele mosteiro que fica em Belém.
Porta Principal
Interior do Mosteiro
Olhe tudo mesmo com muita atenção e depois siga em frente, ou voltando para Lisboa, ou indo,   novamente para Leiria, e daí ganhar o mundo através  do norte de Portugal. Todavia, isto fica para uma próxima viagem. Tenho que guardar coisas para um  novo encontro para despertar em em você, que me atura, o desejo de conhecer este lindo país com tanta história, que é ligada à nossa, que é PORTUGAL.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Sonhos muito loucos!

Engraçado, hoje não sonhei, quero dizer, não lembro de ter sonhado, o que é raro, porque tenho sonhos quase todos os dias. Lembro de alguns, esqueço passagens de outros, mas o certo é que lembro e, logo que acordo, quando tenho tempo, escrevo para não os esquecer.

Minha capacidade de sonhar é imensa, penso que tenho uma maneira de criar enredos de sonhos propria. Misturo vidas, personagens. Dou qualidade a quem não tem, retiro de quem as tem, bagunço tudo e, de vez em quando, tenho passasgens hilariantes:

Uma vez sonhei com minha mãe, o que não é uma grande novidade, porque como sempre estou preocupada com ela, acho que isto faz com que ela apareça nos sonhos, alguns, quase pesadelos.

Minha mãe gosta de falar difícil, não sei porque motivo aprendeu isto, e gostava de se exibir mostrando estes “dotes” : por exemplo, lá em casa quando alguém falava alguma coisa mais complexa ela dizia – “Parem com estas frases perisfaticas” Até hoje não consegui saber o que esta palavra significa, não acho em dicionário, se algum de vocês souber, por favor, não se acanhem.

Mas vamos ao sonho: Estava eu em Portugal, especificamente em Setubal, que é um lugar onde o pescado é abundante, recomendo quem lá um dia estiver a comer, em qualquer dos restaurantes, “aneis de lulas à milaneza”, divino, ou, ainda, peixe grelhado, escolhido na hora na montra. Bom, mas vamos lá. Minha mãe esta lá, isto é; no sonho, e estava muito compenetrada, ela era uma daquelas senhoras que ficam emproadas, muito bem vestidas e mandando em todos, monopolizando as atenções. Eu não sei porque cargas d`agua, eu estava abrindo a geladeira para pegar algo, e de repente, um peixe enorme, vermelhão, lindo, cai no chão, e ela, muito chateada e com a voz postada me diz: Tenha cuidado com este peixe, pois ele é das águas profundas do Atlântico”. Acordei rindo, porque realmente a cena era hilária. Minha mãe sentada à minha frente e com a voz colocada a me dizer isto.

Outro vez sonhei que estava em uma casa com Gloria e José Marcos, meus tios amados. Uma casa grande com vários cômodos, que diga-se de passagem, não reconheci como qualquer das muitas que eles tiveram. Estávamos todos lá. Marcos dormia em quarto separado na parte baixa da casa, lá no fundo, um quarto que quase ninguém percebia que existia. Parecia que era um tipo de pensão em que se alugava quartos para muitos. Havia um chinês, que trabalhava, ele e outros, como carregador. O homem era chinês, magro, musculado, tinha uma boa estatuta, e a cara não era de chinês, embora todo mundo que o olhasse soubesse da sua decendência. Falava só ingles e chinês(mandarim) e era difícil a comunicação, mas nós nos olhavamos muito e eu o achava interessante, o que é pior, tava numa tesão danada pelo homem. Ele também demonstrava uma atração incrível por mim. Não podiamos nunca estar sozinhos. A nossa aproximação era mesmo uma coisa estranha, tanto eu quanto o homem tinhamos de nos controlar na frente das pessoas para não nos agarramos mesmo, embora isto não tivesse acontecido nunca quando estavamos sozinhos, parecia que nos queríamos cultivar aquilo tudo para um só momento. Um dia vi o chinês tomando banho, me aproximei dele e já vi a sua reação, que não podia ser escondida, trocamos uns dois beijos prolongados, ficamos doidos, mas estávamos no meio da rua quase, e tivemos de nos controlar, mas a partir daí as coisas começaram a andar, embora só ficassemos nos beijos e abraços furtivos, nao sei bem porque. Um dia de domingo o chinês entrou no quarto onde estávamos eu e Gloria, vinha acompanhado de um outro homem, alto, forte, grande mesmo, e o homem pediu licença, mas queria falar com Gloria. E então o chinês vira para ele e diz alguma coisa, que ele traduz, informando a Gloria o que o cara quer, era ele uma espécie de intérprete, parecia que o chinês não queria errar nas palavras e arrumou quem fizesse a intermediação. Ele convidava Gloria para ir a um culto com ele, uma coisa da sua religião. Gloria diz que não. O chinês fica chateado e fala  novamente com o homem; eu olho para Gloria e pergunto com os olhos se deveria ir eu,  ela balança a cabeça que não; o chinês insiste, e eu digo que vou com ele. Ele gosta da idéia, mas não se conforma que Gloria não vá. Depois de muito tempo eu percebo que não era eu que deveria ir, pois quem tinha de fazer isto era a pessoa com quem ele deveria falar a meu respeito, a pessoa, que ele sabia, que poderia ser responsável por mim. Certamente o chinês queria dizer a Gloria que queria estar comigo, me levar, mas nós não entendemos. Bom o certo é que fui ao templo com ele, e o templo era mesmo um daqueles que a gente vê em filmes,com aquela casa que tem os telhados em curva, com coisas penduradas nas laterais, com escadaria na entrada, com aquelas portas enormes e lindas, enfim, um espaço lindo.(um pagode).

Este sonho teve muitas passagens, em uma delas eu tinha de tomar banho em um banheiro feio e cheio de limo, que me fez lembrar os banheiros do internato do São Raimundo. Num deses banhos eu encontro o chinês em um corredor, onde eu andava nua, o homem para e me olha com um olhar que ja vi antes nos homens  que me amaram em algum momento da minha vida.

O chines me dava carinho, muito mesmo, mas apesar da tesão não avançava mesmo o sinal.

Já estou outra vez no quarto de Glória, que era enorme mas estava sujo, eu tentava organizar as coisas, como sempre. Tinha uma uma coisinha lá que eu achei muito interessante: era uma rodinha em forma de flor, que tinha um pino, em que você colocava bolachas de chocolate. A bolacha tinha um furo que era encaixado no pino, eu pensava que aquilo nao era real, mas tinha mesmo bolachas de chocolates.

O que acharam deste sonho? Tô ou não ficando doida, será que é falta do que vocês estão pensando mesmo. Tesão por chinês, eu hein!

Outro sonho para lá de esquisito. Este foi em 8.7.2010. Não sei onde começou, mas sei que estávamos todos indo para uma festa. Só que esta festa era em algum lugar que não conhecia e era longe, também não sei qual o motivo desta festa. Era longe e por isso tinha um ônibus para nos levar. Todos vestidos de festa. O ônibus era imenso e tinha bancos de três lugares. Eu entrava no ônibus e ficava preocupada porque minha mãe não entrava, todo mundo se acomodando e ela não chegava, tinha muitas pessoas de cor, algumas conhecidas e outras não. Sissi estava lá toda de roupa rosa, estava bonita, tinha muitas crianças que brincavam com balões brancos amarrados em três. Quando o ônibus já estava completamente cheio e só havia um lugar para sentar, chega minha mãe correndo e senta-se junto de uma amiga dela, que não conheço: uma senhora grande e escura, com uma peruca, toda de azul forte brilhoso, parecia a Cesária Évora e começam a falar muito. O ônibus prossegue e nós vamos a um lugar que não sei mesmo onde era e nem se chegamos. Sei é que depois já me encontro na casa de Glória, que ficava perto do lugar onde acontecera uma cerimônia, que penso ter sido em uma igreja. Todo mundo queria fazer xixi e Elisa, minha irmã, vai e bate na porta da casa. Volta puta da vida dizendo que Marcos disse a Glória para não abrir a porta, nem mesmo quando ela disse quem era.

Eu disse que não acreditava e que ia ver o que estava acontecendo. Quando chego a casa, que ficava em um pátio grande e toda ela com os cômodos para este pátio, ou seja: a casa tinha os vãos independentes, você não passava por nenhum deles por dentro para se dirigir ao outro, como sempre as coisas de Maria da Gloria, um moquifo! No pátio, que era mesmo grande, havia uma lavanderia de pedra, daquelas antigas e uma outra pia. Logo quando eu chegava encontrava Ticiano, que estava para lá de magro, logo atrás dele uma moça muito queimada do sol, mas muito menina e muito da feia, ele se apressa em me dizer que aquela não era a namorada. Me dá muitos abraços. Logo vi Maria da Glória junto à lavanderia conversando com minha outra tia, e eu vou ao encontro delas e pergunto o que está havendo, Gloria me diz que são as cosias de Marcos, que ele disse que estava descansando e não queria ninguém lá, pois queria ficar na cama até mais tarde, e que ela estava morrendo de vergonha. Bom eu tento ir ao banheiro. A esta altura já tem uma porrada de gente na casa, inclusive uma outra tia minha que estava vestida de anjo e também queria fazer xixi, se vocês conhecessem a minha tia, saberiam o quão de hilário, era vê-la vestida de anjo. Para ela entrar no banheiro foi preciso quebrar a porta, e ela entrou com as asas de anjo e eu disse a Natércia, que quando ela saísse era melhor voltar ao normal, tirando as asas e colocando os chifres vermelhos, fazendo o gesto com as mãos para demonstrar. Minha tia fica retada com o meu comentário, mas não me diz nada. Depois todos se acomodam como podem no espaço e eu, sacanamente, resolvo fazer um teatro que era para sacanear Marcos e proponho uma apresentação da casa para venda. Todos me olham e eu começo: A casa é composta de três quartos. O primeiro, este que os senhores vêem fechado com uma cortina, só da para uma cama de solteiro e mais nada. O segundo, e este era onde o Marcos estava, ele não deixava abrir a porta  aos berros dizendo impropérios, tem uma cama de casal, um guarda roupa: pêra aí que eu mostro. Ao ouvir isto Marcos sai do quarto visivelmente bêbado. Cabelos desgrenhados, um short azul e ele colocou o pinto para fora pela extremidade do short e ficava mostrando-o a toda a gente. Tico, meu primo, quase chorava e dizia que não entendia porque ele estava fazendo isto. Marcos volta para o quarto e pega um prato de feijão, o grão do feijão era marron e enorme e o caldo caia do prato para cima da cama, ele pegava as carnes com o garfo e dizia que quem tinha feito a feijoada, que fora um amigo dele, não sabia usar as panelas, porque deixou a lingüiça queimar. Tico tentava acalmá-lo sem muito êxito.

Todos estavam constrangidos e queriam ir embora. Maria da Gloria estava lívida, mas nada fazia.

Saímos e andamos pela rua, tinha havido uma grande festa, pois a rua estava suja e ainda decorada, a esta altura eu já estava com a Vera e eu dizia a ela: tem um som ali, vamos atrás dele, porque se não arranjamos nada, e eu estava falando de homem, hoje, nunca mais teremos chances.

Alguém que sonha um negócio desse pode estar no seu estado normal? Claro que não!

Mas estes são só uma amostra dos muitos loucos sonhos que já tive. Outro dia conto mais.