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sexta-feira, 29 de setembro de 2023

Uma saudade imensa, uma lembrança boa.


Tenho me lembrando bastante de vc, aliás, você será sempre inesquecível. Ê mesmo uma lástima nos ter deixado tão cedo, a mim e
ntão , foi mesmo demasiado cedo. Tínhamos apenas um ano e meio de convivência quando te fostes de maneira tão repentina,deixando está imensa lacuna que dificilmente vai ser preenchida; lógico que não posso parar, tenho de continuar a vida, mas como gostaria que tu aqui estivesses

Como era bom me arrumar para sair com você; como era bom receber o seu olhar, até hoje inigualável. Ah o teu olhar! Ficava  ruborizada todas as vezes que os seus olhos negros se fixavam em mim e nos meus a transmitir toda a aprovação: me olhavam em todos os detalhes., eu sabia o que querias dizer-me com os teus olhos: ah como sabia! então tu sabias que estava prontinha para ti. Nua, embora vestida, eu já me percebia sendo amada por ti, amada  no sentido carnal, que se mostrava intenso, quando juntos tínhamos os nossos gozos sincronizados nas notas do amor. Tão bom meu querido, tão bom.

Tu me fizestes renascer, quando eu achava que nada mais despertaria a minha vontade de amar, de ter um companheiro, um Homem, tu me aparecestes com a tua tez morena, com O seu bigodão e com seus negros olhos, a mim me parecia que tihas saído da música cantada pela Amália e se materializado diante de mim. Realmente o homem dos meus encantos que me mentia, mas que eu amava tanto; não posso garantir que mentiste-me, mas, desde já,estás perdoado, pois não posso  deixar de perdoar o homem que me fez resgatar o meu melhor como mulher, um Homem que,  sem falar, me dizia do amor que tinha em gestos, em olhares em Toques, e que toques! Os melhores que tive até aquele momento em que te conheci. Como gostava de ouvir o som do motor do Mercedes, eu o identificava de longe e dizia para minha amiga : olhe ele chegou. Ela, duvidando ,ia até a varanda e lá estava o Mercedes bege.

 Descia toda feliz, saltitante, parecia uma adolescente apaixonada, era maravilhoso abrir a porta do carro e encontrar o teu sorriso, sorriso encoberto pelo bigodão, mas descoberto nos olhos. Era bom demais, e os beijos! ah os teus beijos que pareciam querer sugar minha alma pela boca! E o seu tesão tão demonstrado, nunca fizestes questão de esconde-lo, as vezes ele te traia em Lugares públicos, nada que aquele caso preto de couro não pudesse esconder, se não esconder ao menos disfarçar, o que se tornava muito difícil quando dançávamos: aí sim era uma zorra, tínhamos sempre de sair  do salão agarrados, você atrás de mim, bem junto ao meu corpo, com as mãos enlaçadas no meu pescoço, acho que todos notavam o que nós tentávamos esconder kkkkkk

Ficavas assim até  que pudesses afastar-te e andar ao meu lado de mãos dadas como sempre andávamos nesta amada Lisboa.

Sim!  e os nossos recantos de amor? tínhamos vários lembras? Setúbal, Sesimbra, Caparica, fonte da telha. Areeiro enfim, como Nos amávamos, um Amor tão puro, tão vivido, tão forte. Como era duro para ti quando eu tinha de vim ao Brasi! Ficavas arrasado, mas nunca pediste-me que não o fizesse, sabias que   tinha de fazê-lo.

E pronto:  foi numa destas minhas vindas que vi-te pela última vez, no aeroporto da Portela, onde com um breve aceno entrei na sala de embarque. Eu chorava, tu não sei, talvez de uma maneira qualquer, eu tinha a intuição de que aquela seria a última vez que via os teus olhos negros me mirarem, e com a tua maneira peculiar, a me dizerem:  amo-te, volta: estou à tua espera.

Entretanto, quem ficou à tua espera foi eu, porque partistes sem   dizer-me adeus, sem que eu pudesse, ao menos, usufruir mais uma vez de nossos momentos e de ver, nos teus olhos, a intensidade do teu amor.

Só me resta lembrar-te e agradecer-te por me ter feito muito feliz.,


quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

JE SUIS MALADE

 Não queria acabar o mês de janeiro sem escrever algo, mas as coisas ficaram difíceis, passei 15 dias com uma gripe, até agora não identificada, porque estou ainda na dúvida se foi mesmo gripe ou a danada da covid. Se foi covid, o que não vou mesmo procurar saber, tenho que afirmar com todas as letras -  A PORRA DA VACINA NÃO FUNCIONA! Acreditem, no ano passado, acho que em março,  confirmaram que eu tive covid através de um exame de sangue, não tive absolutamente nada, não senti nada, e pronto, passou: me obrigaram a tomar  a vacina, tomei duas doses, depois me fizeram tomar mais uma, tomei; pra que mesmo? Se a zorra não imuniza ninguém! Bom, mas não quero falar dito, queria mesmo falar de coisas doces, bonitas, afinal é o primeiro texto do ano.

Vejamos se consigo algo:  algum de vocês que está lendo este texto conhece uma música francesa chamada   JE SUIS MALADE. Que não conhece procure ouvi-la. Não é uma música nova, é de 1999 e é cantada por   Lara Fabien, ouçam com ela, é uma interprete fantástica, sente a música e passa a mensagem que a canção traz como ninguém, acho que nem mesmo o autor conseguiria interpretá-la dessa maneira.  A música é de Serge Lama e Alice Dona  

Confesso que me arrepiei, fiquei emocionadíssima. O meu parco francês revigorou-se de imediato, ouvi atentamente tentando lembrar-me de todas as palavras, mas é difícil, embora a música seja tão forte que você não vai precisar  saber francês para se emocionar, bom o fato é que o que não entendi foi decodificado   numa busca ao youtub onde há o vídeo da Lara cantando e a letra logo abaixo.

Rapaz, como o ser humano é frágil quando se apaixona, isto não deveria acontecer. Um momento em que todos deveriam ficar felizes e alegres, saltitantes até, vira um momento tão triste quanto o que a música passa.  Como podemos nos entregar tanto a outro para sofrer dessa maneira. E olhe que eu queria falar de coisas boas, mas o amor é uma coisa boa, entretanto, não podemos é permitir que ele faça o que fez com o personagem da letra dessa música.

Olhem só o que a letra nos diz:

Je ne revê plus, je ne fume plus

Je nài meme plus d`histoire

Je  suis sale snas toi, je suis laid sans toi

Je suis comme um orphein dans um dortoir

Je nài plus envie de vivre m vie

M avie cesse quanbd tu pars

Je nài plus de vie et mem mon lit

Se transforme em quai de gare

Quand tu tèn vas

 

Je suis malade completment malade

Comme quando ma mèresortait le soir

Et quélle me laissait seul avec mon desespoir

Je suis parfaitment malade

Tàrrives on ne sait jamais  quando

Tu reparz on ne sait jamais ou.ôt

Et ça va faire bientto deux ans

Que tu tén fous

Comme à um rocher comme à un péché

Je suis accroché à toi.........

 

Achei perfeitas as comparações para demonstrar o que se está sentindo:

Observem quando a letra diz:

Que o personagem, quando está sem o seu amor, se sente como um órfão em um dormitório.  Puta que pariu! Um órfão em um dormitório é muito triste mesmo, é o vazio, a desesperança, o abandono, uma dor imensa mesmo, e a música passa isso

Que anulação de si próprio quando diz que não quer mais viver a vida(je n’ai pas plus envie de vivre ma vie)  Então você necessita para viver da vida de outrem alguém, que, pelo que parece, está pouco se importando com você, aliás a música tem essa passagem “ Que tu t’en fous”   

 Que tipo de amor é este, que deixa para trás o seu eu para viver do outro, implorando o reconhecimento do outro?.

Meu Deus, a música é efetivamente linda, gosto de ouvi-la, mas não gosto do sofrimento que ela transmite e no descrédito no amor que, depois de analisá-la você percebe.

Na verdade, acho que esta canção deveria ser uma ópera, porque ela realmente uma estória trágica de um amor, que começa e não termina nunca, vai num crescente de dor que termina pelo desejo de morte do desamado.

Olhe que tristeza infinita quando o autor revela toda a sua angústia

Je bois toutes les nuits mais touts les whiskies pour moir ont le meme gout et tous les bateaux portent ton drapeau je ne sais plus ou aller tu es partout

Bebe todas as noites, mas o whisky tem o mesmo gosto, e todos os barcos levam a tua bandeira, não sei mais para onde ir, porque estais em todos os lugares.

Meu Deus que aflição, que angustia, que coisa mais doída. Não adianta beber pois acho que até potencializa a angustia, pois aí  aumenta a procura percebendo-se que, apesar de não estar fisicamente presente, a pessoa está em todos os lugares, que coisa angustiante mesmo, não há como fugir.

Outra dor insuportável que o autor compara com a que sente naquele momento é a dor de ficar sozinho quando sua mãe saia à noite e o deixava sozinho. Gente, a comparação é realmente perfeita, é muito ruim, uma mistura de raiva, medo, desespero, dor.

Quanto pior, quando se percebe que a coisa é realmente vivida, não passou, pois isso é o que nos reporta a canção quando fala que “ não sabe quando a pessoa chega, não sabe quando a pessoa vai, e que tem de fingir para os outros, de aparentar felicidade.

E mais, o desgaste é tamanho que a pessoa fica sem motivação qualquer, seja para criar as canções, poemas, para viver, sonhar, até mesmo fumar

O final é por demais doloroso:

“Esse amor me mata, se continuar assim vou morrer sozinha comigo, perto do meu radio, como um garoto idiota, ouvindo a minha própria voz que cantará:  MALADE, JE SUIS MALADE”

Olhe gente, quero amar, mas esse amor doente que nos faz ficar doente, cantado nesta canção tão maravilhosa, eu não quero não.  Não queria nem mesmo para poder fazer esta bela canção, porque é mesmo bela, fantasticamente bela quando interpretada pela cantora que citei antes.

Talvez tenha feito este texto para alertar os corações que vivem um amor desse tipo, que não é amor na verdade,  que,como diz a canção: é DOENÇA.

        

     

quinta-feira, 24 de março de 2011

Passional !

O blog existe, faço as postagens com textos, figuras, comentários, dou sugestões, enfim, escrevo sobre coisas, muitas delas, sentidas, doídas, vividas. Disseram-me que ele está muito passional e que não foi feito para isto. Como não ser, entretanto, passional se tenho de falar de sentimentos, de coisas que aconteceram, de momentos vividos?

Fico pensando, como escrever sem ser passional? O escritor há de, e obrigatoriamente tem de, ser passional, faz parte do “escrever” do dizer, do fazer o outro sentir. Se não há o sentimento no escritor, seja ele bom ou ruim, seja ele falando de coisas amenas, agradáveis, felizes, seja ele falando de catástrofes, misérias, desamor, desespero, o leitor não vai captar a mensagem.

Não há que se ter estilo ao escrever, o estilo foi coisa pensada pelos críticos para que os criadores da palavra, do sentimento, fossem classificados como se classificam bichos e plantas.

Escritor não tem estilo, escritor tem sentimento. Um analista não é um escritor, porque este sim, não cria nada, analisa o que existe, o que foi criado, aquilo que alguém, com sentimento, já disse. Ele é formador de opinião, que, inclusive, critica o trabalho do escritor, aquele que sente. O critico, dependendo da conveniência, pode até ser pago para dizer até mesmo uma inverdade, inverter fatos, pensamentos, sofismar.

A ficção não é assim tão abstraída da vida de cada um.Quando ela esta sendo criada o mundo do escritor, a sua vida, insiste em se mostrar, não há como separar a alma do criador da alma da criatura. Em cada personagem que se cria, em cada acontecimento que se descreve, em cada opinião que se declara, está um pouco do que o escritor vive ou viveu ou sonha viver, ou tem conhecimento porque alguém já viveu a estória. Não se pode desagregar um do outro, o autor da sua criação. O escritor pode agregar fatos a um determinado fato, aquele que o inspirou, exatamente para que a estória seja viva, cruze vidas, informações, sentimentos, envolva o seu leitor.

Se não houvesse sentimento, se não houvesse a paixão, o escritor seria um homem de uma obra só, faria uma coisa linear, e pronto, tudo acabado, esgotaria tudo em um só momento. Escrever, falar de, seja em uma linha, seja em duas, seja em mil, não interessa a quantidade, o que interessa é o “dito”, o que mexe com o sentimento próprio e os dos leitores.

Não sou literata, não quero estilos. As criticas não me atingem porque não tenho pretensões maiores com os meus escritos, não devo incomodar ninguém ao ponto de receber quaisquer críticas, sejam boas, ou más, com ou sem razão, por isso mesmo posso ser passional, dizer de mim e sobre mim e de minhas coisas.

Sei que quem me disse que os “posts” estavam muito passionais e que o blog não se propõe a isto, quer me preservar, sei do seu amor por mim, e sei que, por ter participado de minha vida, sabe perfeitamente que a grande maioria das coisas que ali se contém foram mesmo vividas, sentidas, choradas, sofridas, enfim, é a minha história e a de muitos que dela participaram. Sei e agradeço, mais uma vez, tanto amor por mim, tanto cuidado, tanto sentimento, tanta “paixão”.

Mas quando falo de mim e das minhas vivências tenho certeza que, o leitor, ainda que não saiba de mim e das minhas coisas, percebe que ali há verdade, que aquilo foi vivido, que aquilo é possível, que realmente que passei pela experiência, ou que teve alguém muito próximo que passou por ela. Não faço um diário, evidentemente, mas faço a minha vida ser vivida por quem se dispuser a ler os posts, até para que possa servir de exemplo para que as pessoas percebam que tem de se preservar para não passar pelo mesmo. Não tenho pretensão de fazer qualquer coisa parecida com auto-ajuda, mas as vezes a experiência de alguém pode evitar que outro erre, ou sofra por algo que pode ser evitado.

Um dia, alguém me disse que eu tinha uma capacidade enorme de colocar o leitor dentro do texto, achei um comentário interessante, pois foi o primeiro ou segundo texto que publiquei. Então, como eu consegueria colocar um leitor acompanhando os meus passos, indo comigo aos lugares, sentando ao meu lado para um “copo”, para uma “dança” se eu não tivesse escrito aquilo com paixão? Se eu não conseguisse demonstrar a possibilidade real do fato ser vivido e sentido? Impossivel.

Escrevo do que vivi e do que conheço. Não invento lugares, eles existem, estão lá aguardando que cada um também chegue lá e possa viver as suas próprias experiências. Se compartilho as minhas é exatamente porque sou passional, tenho sentimentos que, quando trazidos à tona, podem ajudar você, meu leitor, a não passar pelo mesmo, ou então viver a sua experiência, parecida ou não com a minha, sem se deixar magoar tanto.

Quero sim ser passional. Quero falar de tudo com a paixão que coloco em tudo que falo e que vivo. Quero ter ódio com ódio, quero ter amor com amor, quero ter raiva com raiva, quero viver intensamente tudo, dos meus escritos aos meus amores, quero dizer tudo sabendo que quem lê está acompanhando esta vida que trago acumulada dentro de mim e que se mostra através dos meus sentimentos.

Gostaria mesmo de poder dizer tudo, tudo mesmo, mas algumas coisas tem de ficar dentro de mim mesma, porque elas envolvem terceiros, que não são personagens, são paixões tão grandes que quero preservá-las só para mim, porque muitos não entenderiam, e aí sim, eu seria criticada por expor a vida dessas paixões, aquela que você não quer que ninguém saiba, aquela que, apesar da passionalidade, você não quer permitir intrusos. Assim, respeitando os meus próprios personagens, aqueles que me acompanharam e participaram do que hoje sou, não os exponho, exatamente porque sou “passional”, tenho sentimentos, tenho amor e os quero felizes sem sombras, sem receios, sem vergonhas. Quero-os por inteiro sem culpas, sem cobranças.

Sou passional sim, vou continuar sendo, livro aberto de um vida em que as páginas podem ser manuseadas sempre, seja para voltar atrás e entender o que se passou, seja para ir para frente, para o mundo dos sonhos, que podem, a qualquer momento, virar realidade.

Para você, um grande beijo, mas, mesmo falando em África e Direito, duas grandes paixões, vou ser PASSIONAL, a primeira porque ao se falar dela há que se ter sentimentos, não se pode falar de África sem lembrar de fome, de miséria, de pobreza, tudo o que machuca, e não se pode falar de Direito a não ser como instrumento de Justiça, de igualdade, de preocupação com o “Outro”, e tudo isto é, senão: paixão.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Procurando Letras

Teve muitos namorados, dos 14 aos 19 anos namorou muito. Bom, mas não pensem que era namoro avançado não, a maioria era apenas aquele namoro de longe, quase platônico, ficava mesmo só na vontade, quando muito, no caso de uma aproximação, um rubor nas faces indicava que ali havia alguma coisa. Mas teve um primeiro namorado mesmo. Filho de um bicheiro que morava na sua rua, bicheiro mesmo, aquele homem que tem banca de jogo de bicho. O desgraçado do rapaz, que apesar de baixinho era bonitinho, tinha os olhos cor de mel, era moreno e filho do bicheiro, aliás, esta era a sua maior qualidade, porque assim agradava a ela e à sua família, porque ser filho de bicheiro significava ter um pouco mais de dinheiro e, portanto, uma possível vida melhor. Além disto, porque o bicheiro era amigo do seu pai, as coisas eram facilitadas. Mas este namoro, não deu em nada, porque o “linho” não era bom, nunca chegaria à diagonal, além de usar dente de ouro.

Depois namorou um marinheiro, bonito, alto, com um riso safado e realmente um homem. Ela tinha catorze e ele já tinha vinte e dois anos. O conheceu numa festa de “Santo Antonio”, no dia da novena dedicado aos jovens. O homem chegou e a mulherada toda endoidou. O miserável era bonito mesmo. Ela, que era uma mulher aos catorze anos, era de chamar atenção mesmo, sempre o foi, mas ainda não tinha as manhas da conquista, não saberia disputar, e ganhar, um homem. Não precisou de nada disto, ele veio a si. Resultado: entre idas, vindas, “cornos”, namoraram por uns 4 anos. Ele, já vivido, pois com este negócio de marinha já tinha morado até no Rio de Janeiro, à época, o símbolo do avanço, seja na cultura, seja na sacanagem e devassidão. Ela ainda usava calcinhas feitas de algodãozinho branco confeccionadas pela mãe e conga azul, aquela que tinha uma parte branca na ponta. Parece, entretanto, que ele gostava dela mesmo, não era só o desejo, este, antigamente, podia ser saciado com outras pessoas, era assim que funcionava. O namoro prolongou-se e a cada dia ficava mais quente. Agora ela já beijava na boca, já deixava que os seus peitos fossem tocados, já se sentia desfalecer quando os lábios dele lhe tocavam os mamilos, tudo muito furtivamente, claro, tinha só catorze anos e namorava, como se dizia, “na porta”, muitas vezes empatados pelos pigarros dos pais e pela irmã mais nova  que insistia em brincar com o rapaz.

Depois deste namorado, e enquanto ele, teve muitos, mas muitos mesmo, pensava em fazer um alfabeto completo deles. Não conseguiu é claro, mas bem que tentou. O seu grande problema foi a insistente repetição de “AA”,” JJ”, “FF”, mas conseguiu até um namorado que tinha o nome começado com a letra “B”. Este também foi contemporâneo do marinheiro, que passava, às vezes, 6 meses sem dar as caras, no mar, isto é o que ele dizia. Ela, terrena, e sem estar morta, fazia a sua parte, embora, quando o homem estava em terra, era ele o dono do pedaço. Com o “B”, a família fazia muito gosto, porque o cidadão era petroleiro. A esta altura, ela já tinha dezessete anos e estudava à noite no Colégio da Bahia. Ele também estudava ali, mas olhem bem a diferença: o cara era petroleiro, tinha uns 35 anos, tinha carro, e uma casa em um conjunto de petroleiros, no Stiep. O bicho tava doido pela mulher. Chegou a levar os pais para conhecerem a casa. Esses ficaram entusiasmados. A casa tinha até “suíte”. A filha ia ficar rica. A visita foi conversa de uma semana, ao menos, todos falavam do grande partido que a menina arrumara: petroleiro!... Pensem ai! Mas o petroleiro pisou na bola, quando disse à menina, que sempre sonhou em ser doutora, que assim que eles casassem ela ia deixar de estudar e não iria trabalhar mais. Pronto, o “B” foi para as cucuias, só serviu mesmo para que ela afastasse o sonho de completar o alfabeto.

Bom, Ari, Bernardo, Carlos e suas variações (Carlos José, Carlos Alberto, Carlos Augusto), Evandro, Fernado I, II, III, (Fernando com sobrenome árabe, lindo); Fernando de Conquista outro homem lindo e disputado; Fernando irmão de Auxiliadora, e por aí vai. Hélio, Ilmar,José( este variou muito pelo composto do nome) Jose Carlos, José Alberto, José Milton, José Luis, Joaquim, este último era seminarista, claro que deixou de sê-lo. Com este se envolveu um pouco, mas com razão, o rapaz era bonito, trabalhava na “Radio City” e ainda cantava, muitas vezes, nas reuniões do grupo de jovens do bairro, o ouvia músicas cujas letras diziam respeito a situações provocadas por ela, pelas suas escapadelas, a exemplo de “você deixou alguém a lhe esperar, você deixou mais um na solidão, quem me dera meu bem eu pudesse outra vez te abraçar...”; isto fazendo alusão a um encontro que marcaram para um cinema e ela não aparecera. Em outra oportunidade ouviu “Eu não sei mais quanto tempo eu, tenho ainda de esperar, a distância não vai impedir, meu amor de te encontrar”, quando foi fazer uma viagem com uma tia para o Rio de Janeiro, em muitas outras passagens, ele declarava o seu amor através das músicas.

Com a letra “I” também teve o primeiro homem da sua vida, aquele que, dentro de um fusca verde, lhe fez madura aos dezoito anos. O Homem tinha 39 anos e era pai de um filho de 11 e queria mesmo casar com ela, que não suportava esta idéia mesmo, pois todos que assim pensaram a queriam, tão somente, para dona de casa, este, com uma agravante, tomar conta do filho também. Resultado: dançou com todo o doce que podia proporcionar, pois era, à época, representante da Embaré, uma indústria de “guloseimas”. i

Linaldo, taí um caso de completo amor platônico da parte dele. Era um contador que era amigo das amigas da mãe dela, por aí vocês já podem sentir a diferença de idade. Se ela tinha dezesseis ou dezessete, ele já deviria ter uns 30-32 ou até mais. Este frequentava a sua casa e ela até que tentou dar-lhe uns beijinhos, mas não lhe enchia as vistas, além do fato de que tinha um medo danado de homens ciumento, o que este bem era.

No Colégio Central conheceu Oyama, olhe o nome. Tinha a proteção enquanto esperava o ônibus à noite para ir para casa, ali no ponto da Carlos Gomes. O bichão era faixa preta de tudo o quanto fosse ligado a artes marciais.

Pulou muitas letras, mas teve o P em profusão, Paulo, Pedro, passou uma fase em que estes nomes pareciam ser os únicos que eram colocados nos rapazes, mas nenhum namoro deste vingou e também eram aqueles romances de um, dois ou três dias, hoje seria um “ficar”-

Arranjava namorado na missa, no ônibus, na rua, no colégio. Com namorados diversos assistiu “Dio Come Te Amo” umas dezesseis vezes, embora nunca tenha se cansado de ver o filme, aprendeu todas as músicas cantadas por Gigliola Cinquetti.

Teve uma fase de Roberto, aliás, começada com um que era apelidado de “Berro Grosso”, pois tinha uns olhos azuis lindos e uma voz de barítono da porra, chegou mesmo a cantar no madrigal da Universidade, onde fazia medicina. O de sobrenome Farias, também estudante de medicina, e muitos outros Robertos, ainda surgiram, uns mais importantes que outros, mas que também não foram adiante.

Com o “U” teve, não um namorado, mas uma paixão, não por parte dela, e sim da do homem, que era o gerente da empresa em que começou a trabalhar aos dezessete anos. O homem endoidou e fez com que ela passasse alguns vexames. Tinha ele um "simca", já era um homem de uns 40 anos, casado, com uma filha linda e com um a mulher muito interessante lá das bandas do Santo Antonio além do Carmo. Teve problemas, porque a mulher, esperta e do tipo baixo astral, fez alguns escândalos na porta do trabalho, chegou a questionar até mesmo o cigarro que a moça fumava, dizendo que o marido mudou a marca do dele somente para dar cigarro aquela “vagabunda”, pense ai! Mas o caso não ficou só nisso, nesta fase ela estava linda, linda mesmo, tanto que no próprio balcão da empresa conseguiu um namorado, que não resistiu ao vê-la de costa arrumando o arquivo. Resultado, namoro a vista. Namorou com ele, que era um filho do dono de uma empresa transportadora que tinha sede no Largo dos Mares, o seu nome era com “G”.O cara era um "patricinho" da época, já morara nos Estados Unidos e vinha cheio de arte para “comer” o que ainda não houvera sido degustado. Também, nesta mesma época, o sócio da empresa, um Cavalo Branco qualquer, queria lhe papar e ela era presenteada com roupas, relógios, cervejas, pois o homem era diretor de uma fabrica de cerveja, que se instalara em Camaçari, inclusive chegou mesmo a ir a sua casa falar com os seus pais, a fim de que eles permitissem que ela fosse a representante da marca na Miss Bahia. Os pais não permitiram.

Se isto era bom por um lado, era ruim por outro, e o ciúme do gerente fez com que este triângulo, que nunca foi amoroso, acabasse, com uma demissão anotada em caneta vermelha na carteira de trabalho, e ela teve de voltar a andar de ônibus, coisa que não fez durante, pelo menos, uns 9 meses, pois só ia trabalhar de carro, pois que os dois, o gerente e o diretor, disputavam este privilégio de levá-la para o trabalho pela manhã. Quem chegasse primeiro, era o motorista do dia.

Teve um “homem muito apaixonado que apesar de ter o nome começado com “J”, era bem conhecido pelo sobrenome, também uma pessoa bem mais velha que ela, que se apaixonou loucamente, Ela ainda não tinha noção do que era efetivamente uma grande paixão, e achava até engraçado alguém querer tanto outro assim. Mas chegou a uma das últimas letras do alfabeto, Aos dezenove anos caiu de rastos por um “V”. Apaixonou-se, amou, amou como se pode amar alguém na vida. Foi amada também, embora um amor efêmero, como efêmera é a felicidade. E por causa deste “V”, quase, pois fim ao sonho de completar um alfabeto de namorados. Antes disto teve um W, que não era inicio de nome de jogador de football, Wesley, Wedson, não! Não era assim; foi um médico, também bem mais velho que ela, que à época tinha dezoito anos enquanto ele tinha uns 30. Alagoinhas presenciou uma boa parte deste amor, que chegou mesmo a ser um caso bonito.

Vai continuar tentando, mas agora as coisas já são mais difíceis, as exigências são enormes e, portanto, tudo mais complicado, também depois do CJ, as esperanças de encontrar um grande amor no alfabeto fica complicado, deve ser problema com nomes compostos, mas não se enganem; ela ainda tem fôlego, “as letras que a aguardem”.