quinta-feira, 24 de março de 2011

Passional !

O blog existe, faço as postagens com textos, figuras, comentários, dou sugestões, enfim, escrevo sobre coisas, muitas delas, sentidas, doídas, vividas. Disseram-me que ele está muito passional e que não foi feito para isto. Como não ser, entretanto, passional se tenho de falar de sentimentos, de coisas que aconteceram, de momentos vividos?

Fico pensando, como escrever sem ser passional? O escritor há de, e obrigatoriamente tem de, ser passional, faz parte do “escrever” do dizer, do fazer o outro sentir. Se não há o sentimento no escritor, seja ele bom ou ruim, seja ele falando de coisas amenas, agradáveis, felizes, seja ele falando de catástrofes, misérias, desamor, desespero, o leitor não vai captar a mensagem.

Não há que se ter estilo ao escrever, o estilo foi coisa pensada pelos críticos para que os criadores da palavra, do sentimento, fossem classificados como se classificam bichos e plantas.

Escritor não tem estilo, escritor tem sentimento. Um analista não é um escritor, porque este sim, não cria nada, analisa o que existe, o que foi criado, aquilo que alguém, com sentimento, já disse. Ele é formador de opinião, que, inclusive, critica o trabalho do escritor, aquele que sente. O critico, dependendo da conveniência, pode até ser pago para dizer até mesmo uma inverdade, inverter fatos, pensamentos, sofismar.

A ficção não é assim tão abstraída da vida de cada um.Quando ela esta sendo criada o mundo do escritor, a sua vida, insiste em se mostrar, não há como separar a alma do criador da alma da criatura. Em cada personagem que se cria, em cada acontecimento que se descreve, em cada opinião que se declara, está um pouco do que o escritor vive ou viveu ou sonha viver, ou tem conhecimento porque alguém já viveu a estória. Não se pode desagregar um do outro, o autor da sua criação. O escritor pode agregar fatos a um determinado fato, aquele que o inspirou, exatamente para que a estória seja viva, cruze vidas, informações, sentimentos, envolva o seu leitor.

Se não houvesse sentimento, se não houvesse a paixão, o escritor seria um homem de uma obra só, faria uma coisa linear, e pronto, tudo acabado, esgotaria tudo em um só momento. Escrever, falar de, seja em uma linha, seja em duas, seja em mil, não interessa a quantidade, o que interessa é o “dito”, o que mexe com o sentimento próprio e os dos leitores.

Não sou literata, não quero estilos. As criticas não me atingem porque não tenho pretensões maiores com os meus escritos, não devo incomodar ninguém ao ponto de receber quaisquer críticas, sejam boas, ou más, com ou sem razão, por isso mesmo posso ser passional, dizer de mim e sobre mim e de minhas coisas.

Sei que quem me disse que os “posts” estavam muito passionais e que o blog não se propõe a isto, quer me preservar, sei do seu amor por mim, e sei que, por ter participado de minha vida, sabe perfeitamente que a grande maioria das coisas que ali se contém foram mesmo vividas, sentidas, choradas, sofridas, enfim, é a minha história e a de muitos que dela participaram. Sei e agradeço, mais uma vez, tanto amor por mim, tanto cuidado, tanto sentimento, tanta “paixão”.

Mas quando falo de mim e das minhas vivências tenho certeza que, o leitor, ainda que não saiba de mim e das minhas coisas, percebe que ali há verdade, que aquilo foi vivido, que aquilo é possível, que realmente que passei pela experiência, ou que teve alguém muito próximo que passou por ela. Não faço um diário, evidentemente, mas faço a minha vida ser vivida por quem se dispuser a ler os posts, até para que possa servir de exemplo para que as pessoas percebam que tem de se preservar para não passar pelo mesmo. Não tenho pretensão de fazer qualquer coisa parecida com auto-ajuda, mas as vezes a experiência de alguém pode evitar que outro erre, ou sofra por algo que pode ser evitado.

Um dia, alguém me disse que eu tinha uma capacidade enorme de colocar o leitor dentro do texto, achei um comentário interessante, pois foi o primeiro ou segundo texto que publiquei. Então, como eu consegueria colocar um leitor acompanhando os meus passos, indo comigo aos lugares, sentando ao meu lado para um “copo”, para uma “dança” se eu não tivesse escrito aquilo com paixão? Se eu não conseguisse demonstrar a possibilidade real do fato ser vivido e sentido? Impossivel.

Escrevo do que vivi e do que conheço. Não invento lugares, eles existem, estão lá aguardando que cada um também chegue lá e possa viver as suas próprias experiências. Se compartilho as minhas é exatamente porque sou passional, tenho sentimentos que, quando trazidos à tona, podem ajudar você, meu leitor, a não passar pelo mesmo, ou então viver a sua experiência, parecida ou não com a minha, sem se deixar magoar tanto.

Quero sim ser passional. Quero falar de tudo com a paixão que coloco em tudo que falo e que vivo. Quero ter ódio com ódio, quero ter amor com amor, quero ter raiva com raiva, quero viver intensamente tudo, dos meus escritos aos meus amores, quero dizer tudo sabendo que quem lê está acompanhando esta vida que trago acumulada dentro de mim e que se mostra através dos meus sentimentos.

Gostaria mesmo de poder dizer tudo, tudo mesmo, mas algumas coisas tem de ficar dentro de mim mesma, porque elas envolvem terceiros, que não são personagens, são paixões tão grandes que quero preservá-las só para mim, porque muitos não entenderiam, e aí sim, eu seria criticada por expor a vida dessas paixões, aquela que você não quer que ninguém saiba, aquela que, apesar da passionalidade, você não quer permitir intrusos. Assim, respeitando os meus próprios personagens, aqueles que me acompanharam e participaram do que hoje sou, não os exponho, exatamente porque sou “passional”, tenho sentimentos, tenho amor e os quero felizes sem sombras, sem receios, sem vergonhas. Quero-os por inteiro sem culpas, sem cobranças.

Sou passional sim, vou continuar sendo, livro aberto de um vida em que as páginas podem ser manuseadas sempre, seja para voltar atrás e entender o que se passou, seja para ir para frente, para o mundo dos sonhos, que podem, a qualquer momento, virar realidade.

Para você, um grande beijo, mas, mesmo falando em África e Direito, duas grandes paixões, vou ser PASSIONAL, a primeira porque ao se falar dela há que se ter sentimentos, não se pode falar de África sem lembrar de fome, de miséria, de pobreza, tudo o que machuca, e não se pode falar de Direito a não ser como instrumento de Justiça, de igualdade, de preocupação com o “Outro”, e tudo isto é, senão: paixão.