quarta-feira, 9 de abril de 2014

Querido amigo

Praça do Comércio-Lisboa
Já lá se vão quase seis meses que não nos vemos, estou para lá de saudosa, no entanto, já estou fazendo planos de te ver. Logo logo estarei aí com você, e espero que você tenha se guardado um pouco e possa deixar que eu te faça companhia em alguns passeios que quero fazer com você e junto a você. 
Restaurante Farol
Bom, em principio, para que você não fique muito cansado, e fique olhando o seu Tejo amado, que tal um almoço no Restaurante Farol, lá em Cacilhas? Lembra daquele prato de peixe que você tanto aprecia? Eu como o salmão, o polvo, a lula e você come o restante dos outros peixes. Se preferir, a gente come bacalhau a farol, não tem problema nenhum. Ah! Você não quer atravessar o Tejo? Quer ficar por este lado mesmo? Bem então vamos abrir um pouco mão do Tejo e vamos, ou no Seu David (Merendinha do Arco), no Zé da Mouraria, ou ainda, no Baleal, na Rua da Madalena, sei que você vai adorar, como sempre, é a sua vida, é a sua terra, é a sua comida, enfim, é você.
Sim, mas quando chegar, não quero somente sair de dia, quero andar pela noite, sentir frio, o arrepio na pele, mas quero estar junto com você, que é um notívago, eu já sei disto, quem não é, na verdade, sou eu, mas só para te ver junto à sua companheira, que vai estar radiante, toda linda e toda iluminada, ainda com os resquícios do natal, faço qualquer negócio. Podemos ir às Docas, tomar uns drinks no Irish, dançar em alguma discoteca, se preferir uma coisa mais calma, que tal irmos naquele bar-restaurante-boite que inauguraram ali pertinho do Tejo, antes de chegar a Santos?  Se você preferir podemos ir ao Pagode Chinês, ou ficar de bobeira em qualquer dos restaurantes da Porta de Santo Antão, a gente segura só o frio.
Olhe amigo, eu já tô ficando nervosa, contando os momentos, os dias, enfim.
Cascais
Baía de Cascais
Mas se prepare, quero uma maratona mesmo: No dia seguinte, vou poder lhe dispensar um pouco, caso você não queira me acompanhar na viagem de comboio, o que acho difícil, quando chego aí ficamos inseparáveis, porque vou a Cascais de qualquer maneira, mesmo você me dizendo que tá chovendo e fazendo frio. Não me importo: o que quero é ver a Baía de Cascais toda aberta para mim, tempo nublado ou não, posso ficar dentro de algum restaurante olhando a chuva cair através dos vidros, quem sabe vejo alguém, como já aconteceu, mais louco de que eu, nadando naquelas águas? O certo é que vou, passarei em todos os cantos onde costumo passar, até porque, com certeza, terei de ir ao Banco do Brasil tirar dinheiro, e aí aproveito para tomar um vinho se tiver muito frio, caso contrário, tomo um mojito ali sentadinha olhando tantos que, como eu, não se amedontram com o mau tempo.
Vou subir as escadinhas e vou olhar aquela arcada maravilhosa, as escadinhas limpas que levam até aquela praça da Igreja, vou subindo devagarzinho, olhando cada reentrância, porque nunca se pode perder a oportunidade de ver a Baía de Cascais em quadradinhos pequeninos, para depois juntá-los todos e ver tudo se transformar no infinito, que é como ela vai se apresentar quando chegarmos lá no topo e alcançarmos o forte.
Quero te dizer, que se não estiver chovendo muito, porque se tiver com pouca chuva, eu desço mesmo, vou descer aquela ladeira maravilhosa, aquela que tem as palmeiras na lateral e vou ver se desencanto aquele restaurante que fica em frente ao mar; parece brincadeira, tem 7 anos que programo esta visita, desta vez não passa, vou de qualquer maneira.
Pois é, mas vai ficar tarde, e tenho de voltar, mas o dia seguinte é domingo e aí eu vou fazer o que gosto que é andar pelo parque das nações: primeiro vou ao shopping Vasco da Gama, claro que me aborrecerei um pouco, porque vou ver coisas lindas e não vou poder comprar, mas não deixarei de passar por dentro do shopping de maneira alguma. Irei cedo, isto é, lá pelas 12:00 que é para dar tempo de, antes de almoçar no Sr Peixe, dar umas voltas por ali. Tomara que o Cuba Libre tenha reaberto, se isto tiver acontecido tudo vai estar perfeito, do contrário, darei um jeito; lugar para tomar mojito é que não falta.
Depois disso, claro, tenho de voltar à vida normal, o que é muito difícil para mim, porque ter a sua companhia nunca é uma normalidade, é sempre uma coisa excepcional, pois você tem muitas surpresas, a cada hora que você decide se mostrar para mim eu fico mais e mais encantada. Bem, mas dentro da normalidade tenho de ir à faculdade. Quanta saudade! Você pode não acreditar, mas o que sinto falta daquela biblioteca da Faculdade de Direito, você não crê? Agora então, que decidi que vou bisbilhotar Angola e a Justiça ali aplicada, vou ter que passar muito tempo lá, o que adoro. Depois, vou me perder em alguns dos corredores da Faculdade de Letras, outro dia fiquei com uma neura danada achando que não ia conseguir  achar o caminho da saída, já nem sei se volto àquele mesmo lugar, onde tinha o centro de estudos africanos, esconderam tanto o bichinho que quase ninguém o encontrava e se o encontrasse, também não achava o caminho de volta, só cheguei lá porque fui com uma funcionaria.
Depois, quando me cansar, o que não é muito provável, vou aportar na Sociedade de Geografia, para muitos mergulhos na Angola colonial, ah se vou! Este negócio de ser doutora é muito interessante, a gente nunca se satisfaz com o que já fez, quer sempre mais.
Mesmo na normalidade, não vou deixar de descer o parque Eduardo VI, ou VII, não sei bem, também não interessa, nem tampouco a Avenida da Liberdade, sem me cansar de apreciar a nossa bela estação do Rossio, onde vou tomar o trem para Sintra, pois, estou também com saudades daquele lugar.
Marina de Figueira da Foz
Se o dinheiro aparecer, ou melhor, se sobrar algum, juro a você que vou a Guimarães, Bragança e Chaves, deveria ter feito isto quando fui até Viana, mas nunca é tarde. Se não puder, eu vou, mesmo com o tempo feio, retornar à Figueira da Foz, Aveiro porque quero ir até Ilhavo, de preferência no festival do bacalhau, Espinho, e tantos outros lugares, quem sabe, se ficar aí até a Páscoa possa repetir o passeio pelo D`ouro, e desta vez possa  arrumar um “parceiro” daqueles, espero, entretanto, não provar tanto vinho para não correr o risco de  cantar, outra vez, com algum casal de espanhol mais louco de que eu, La luna Y el Toro dentro do comboio, machucando os ouvidos da aristocracia portuguesa.
Lisboa - Tejo
É meu amigo, quanta coisa tenho para contar de você e eu, quanta cumplicidade, quanto companheirismo. Sei que você esta cheio de dificuldades, atolado em dívidas, tratando mal os seus para tentar sair do buraco que este negócio da “união” lhe colocou, bem como outros  parceiros que dela fazem parte, (os mais pobres claro), mas nada disto me faz deixar de gostar de você, de acreditar que você vai sair desta da melhor maneira possível, e vai se mostrar, como sempre foi, lindo e formoso para tantos quantos possam chegar até você, para você se amostrar, começando por  mostrar  a sua querida e enamorada esposa, aquela que realmente abre os braços para quem vem do outro lado do Atlântico, e da qual você tem um grande ciúme, mas não se preocupe que ninguém vai  fazer mal à tão linda criatura, a gente só quer admirá-la, amá-la, ver o seu rival, o Tejo, este sim, poderoso, mas você que também  o acolhe, é maior de que este sentimento mesquinho de rivalidade, de ciúme, porque você é grande e sempre vai sê-lo, ainda que muitos digam o contrário.
Até breve.