terça-feira, 15 de março de 2011

Declaração de Amor

Já não sei viver tanto tempo longe de você. Já lá se vão quatro meses de afastamento, meses que estão a me fazer mal, porque não posso lhe ver, lhe sentir.

Quero ver o seu companheiro correndo no seu incansável caminho para alcançar o horizonte, não sem antes dar uma olhada boa em seus recantos preferidos,( Praça da República, Cais Sodré, Docas de Alcântara, Os Gerônimos, Torre de Belém),  quero andar pelas suas ruas, descer as suas ladeiras, subir as suas escadarias, entrar nas suas tascas, sentir os seus diversos cheiros. Fazer o que mais gosto quando estou junto de você, que é pegar o comboio e seguir o seu companheiro e ficar extasiada com tanta beleza. No caminho de ida do meu lado esquerdo, na volta do meu lado direito. Ficar esperando que chegue o lugar em que há o marco divisório que demonstra onde ele, não sem um pouco de revolta, se funde com águas mais independentes e que o levam de um lado para outro do mundo.

Pouco me importa se chove, se faz frio, se é verão, se é outono, Não interessa; o que quero é exatamente estar aí, juntinho de você. Arrepiando-me se a temperatura baixa, embora isto não seja o maior motivo de arrepios em mim, e sim a sua beleza. A cada dia que ando pelos seus becos, pelas suas ruas, pelas suas escadarias, descubro um recanto lindo, uma casa antiga, um monumento diferente, uma história de sua gente. Você me fascina e me emociono, choro de emoção e felicidade.

Só quem conhece você é que pode falar assim, com tanto amor e tanto respeito, embora não possa somente lhe elogiar, porque se assim fosse eu não seria digna de lhe querer tanto.

Se amo você é exatamente porque fiz uma escolha, esta, a de lhe amar, acima de tudo, dos seus defeitos e virtudes.

As pessoas podem não entender quando falo de você e das coisas que acontecem aí, em relação ao seu povo e o de outros que aí se encontram, mas isto também não me importa, porque quando falo, quando critico, é porque lhe quero tanto bem que quero que você melhore em relação aos seus e aos que aí são “Os Outros”. Não gosto quando você faz esta discriminação, porque parece que você não evoluiu, parou no tempo e no espaço, num tempo remoto que não volta mais. Não adianta você, através dos seus, falar, reafirmar, tentar: o passado não volta, a não ser pelos historiadores, que podem fazê-lo belo aos olhos dos seus, como podem fazer com que o passado fique feio para você e o seu povo, coisa que sei que vocês não gostam, mas você, melhor de que ninguém, sabe que contra “factos” não há argumentos.

O “facto” inargumentável é você e a sua beleza, você e as suas ruas, você e a sua música, você e a sua comida, você e o seu vinho, você e as suas igrejas, você e os seus monumentos.

Ah! Minha querida amiga, realmente estou morrendo de saudades. Sentar num fim de tarde defronte do seu parceiro, aquele que lhe põe mais bela; é sensacional. Só quem o fez, ou faz, é que esta abalizado para dizer o que sente.

Coisa mais boa é andar pelos seus imensos jardins,olhar as suas fontes, as suas praças. Pegar o metro e sair dele na sua rotunda mais famosa, dali subir o seu glorioso parque e, de lá de cima, olhar você toda linda, verde, branca, azul, às vezes cinza.

Depois desta grande visão, melhor é descer tudo devagarinho, saboreando cada momento, cada passada, cada canto, seja lado esquerdo, seja lado direito. Ver os seus duques, os seus marqueses, ver os seus filhos, sempre apressados; estão sempre a correr, como sempre estivessem atrasados para tudo.

Descer a Liberdade com toda a liberdade é o maior presente que a liberdade me poderia ter dado, ela me deu asas para aí chegar, aí ficar, e de daí ter saudades.

Em você me sinto outra, livre, livre como jamais imaginei ser na vida. Satisfação só dou a você, porque você me embriaga tanto, que falo com você de tudo, das minhas dores, dos meus sonhos, dos meus anseios, das minhas mágoas. Você e seu companheiro, este mais ainda de que você, deve ser porque ele não se entedia porque nunca é o mesmo, me escuta e parece que me aconselha com o seu brilho, quando a luz do sol insiste em querer entrar no seu íntimo, e ele para impedir esta intimidade, se protege com uma capa imensa de muita luz e brilho prateado.

Sim minha querida, está na hora de voltar, é o que vou fazer em breve, enquanto isto vá se preparando, vá se esquentando mais, ficando mais bela, mais feliz, porque é assim que você fica quando o verão começa a bater à sua porta.

Diga ao companheiro que eu tô chegando, para que também ele se prepare e abra o seu grande sorriso prateado para me saudar.

Pois é estimada amiga, não seja egoísta como a música que a Amália cantava, você não é só portuguesa, você não tem nacionalidade, você é para todos, você é uma universalidade, pertence a todos aqueles que, com sentimento, lhe admira, lhe respeita e lhe ama.


                                                       Tô voltando: me aguarde!