segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Estou envergonhada!!!!

Um dia, aqui neste mesmo espaço,  por força da copa do mundo, e pelos fatos narrados naquele texto, disse que “era brasileira com muito orgulho e muito amor”. Passados alguns anos, já não diria, em momento algum esta mesma frase, porque o que tenho agora é mesmo muita vergonha de ser cidadã brasileira, e lhes digo  o motivo desta revolta:
Vi o ex-presidente da Câmara dos Deputados, em alto e bom som e para o Brasil, pois dava entrevista às emissoras de televisão, que não cumpriria a decisão do Superior Tribunal Federal, que condenou ex-deputados, ex-ministros, deputados em exercício, suplentes próximo de assumir o mandato, em relação à perda do mandato como consequência das suas respectivas condenações pelos crimes praticados durante o exercício do mandato, Art. 15, IV da Constituição Federal, combinado com o 55, IV e VI, observado-se, ainda, o Art. 92 do Código Penal. Fiquei atônita, pasma com o pronunciamento e com a arrogância do Senhor Marcos Maia e com a sua justificativa para tal atitude, é que, segundo ele, o Supremo invadia a competência privativa da Câmara, porquanto somente esta é que, em processo interno, é que podia decidir sobre a perda do mandato de algum de seus membros.
Certamente o Senhor Presidente da Câmara deixou que as emoções obilubilassem a sua racionalidade, pois se ao menos tivesse raciocinado um pouco não teria dado tão insensato depoimento. O Senhor Presidente ao pronunciar as palavras, em um segundo, demonstrou: prepotência, ignorância jurídica, falta de cidadania, desconhecimento das leis do país, que, por acaso, deveria conhecer muito bem, porque elas são feitas exatamente na câmara legislativa que ele comandou até janeiro de 2012.
Aliás, a respeito deste processo, Ação Penal 470 – Mensalão, Já tinha estado envergonhada quando, ao assistir a última sessão do julgamento dita Ação Penal, pela TV Justiça e presenciei a atitude de um dos senhores ministros reagindo à fala do Presidente do Supremo Tribunal Federal e relator do Processo, que agradecia publicamente a ajuda dos seus assessores ao longo do tempo em que o processo esteve sob a sua responsabilidade.  Fiquei estupefata! Diante da reação do tal Ministro, que demonstrou toda a sua falta de humildade, de educação da sua empáfia não condizente com o exercício de tão valoroso cargo.  O homem pediu para se retirar do plenário e assim o fez, dizendo, em alto e bom som, que aquilo nunca tinha acontecido antes e que ele não participaria daquilo, que se o Presidente quisesse agradecer aos seus assessores o fizesse em particular e não numa sessão do plenário. Sem dúvida alguma, o inusitado gesto do Presidente pode nunca ter acontecido mesmo, porque nem todos tem a coragem de admitir que são ajudados por assessores em todos os processos em que funcionam. E ai deles se não fosse assim!  Não duvido, em momento algum, da sabedoria, do conhecimento, da capacidade intelectual de cada um dos membros dos membros do colegiado, mas eles sozinhos não podem dar conta de tantos e tantos processos. Eles precisam ser auxiliados nas pesquisas da doutrina, da jurisprudência, do próprio andamento do processo, das peças mais importantes, enfim, eles precisam de um apoio, e isto não vai denegrir nem diminuir a capacidade de nenhum deles perante o provo brasileiro, nem  mesmo daquela parte da população que tem formação jurídica e que tem conhecimento de como as coisas realmente funcionam .
Ao presenciar a prepotência do Senhor Ministro ao retirando da sessão voltei no tempo e lembrei-me de quando ele próprio tomou posse como Presidente do Tribunal declarou que, em relação à questão dos subsídios da magistratura, isto era somente uma questão de “canetada”. O tempo passou e os juízes até hoje estão esperando pela canetada que não veio, talvez por força de falta de tinta na caneta presidencial.
É mais a questão do Ministro, embora me tenha envergonhado, está muito aquém de que estaria por vim nos dias seguintes. A eleição dos presidentes do Senado e da Câmara Federal.
Fiquei pasma diante do resultado, que, diga-se de passagem, é alcançado mediante votação secreta nas duas casas. Pois não é que os senhores deputados e senadores elegeram para presidir as suas respectivas casas, dois homens com ações judiciais.  O Sr. Renan Calheiros para o Senado, o mesmo que teve de, anos atrás, renunciar ao mandato e a própria presidência da casa, porque restou comprovado o seu envolvimento com favorecimentos ilegais, recebimento de “presentes” da construtora Gautama, que pagava até mesmo contas de sua “amante”, emissão de notas frias, estando o Sr. Henrique Eduardo Alves, homem que fez questão no discurso de posse de demonstrar o seu conhecimento pratico do que pode acontecer com pessoas que entram na vida pública com intuitos diversos do que aquele de servir ao povo que o elegeu e que espera  pela sua ação, também denunciado em ação por improbidade administrativa. O homem tem mais de 30 anos   que está  na Câmara dos Deputados e os nordestinos, que por acaso os dois representam,, Rio Grande do Norte e Alagoas, de onde vieram os dois políticos em questão, continuam morrendo à fome, sofrendo com a seca, com a falta de estruturas, morando em  locais insalubres, e  fazendo crescer a população pobre  e sem oportunidades, fomentada  pelos diversos  programas  do Governo, que incentiva o “amor procriador”, a preguiça, o desemprego, pois  quando se recebe vantagem sem trabalhar, evidentemente que não se procura trabalho, quanto pior quando um elimina o outro.
Bem, antes disto tudo, outro fato  também me deixou  descrente e envergonhadíssima.  O Caso da Operação Monte Carlo, acho que é este o nome,  que  teve o Sr. Carlos Cachoeira como principal acusado e que terminou pela cassação do mandato do Senador Demóstenes  Torres, lá do Goiás. Este então me deixou completamente arrepiada e de cabelos em pé. Pois não é que o homem pertencia ao Ministério Público, um guardião da lei e dos interesses  da sociedade, ele que, pela formação jurídica  sabia de todos as consequências dos seus atos, dos resultados dos seus envolvimentos escusos, da maneira  fácil de “arrecadar dinheiro”.  Olhe, isto parece mesmo brincadeira! Até gostaria que fosse, sinceramente.
Mais não ficou por aí não, tem a Rose, então a senhora que era a responsável pelo escritório da presidência da república em São Paulo, (até hoje não entendi o motivo da existência deste anexo presidencial), e que, segundo as más línguas, uma “segunda dama intramuros e aviões” está envolvida em situações para lá de escusas, inclusive de “lavagem de dinheiro”, que, aliás, não se sabe de onde veio. Os jornais  informaram que dita senhora  levou perto de  quinhentos mil dólares, ou quantia equivalente, para a Europa onde está depositado valendo-se, inclusive, de um passaporte diplomático, veja lá se pode uma coisa destas. Valei-me Deus,  que pais é este!
Bom, mas não se fica só nisto, pois estou tentando entender até hoje como o ex-presidente da República, tão pobre e nordestino como eu na sua origem, pode aparecer em listas de “milionários” em revistas no exterior.  Acho que estudei muito para nada, talvez tivesse sido melhor ser metalúrgico e perder o dedo e parar de trabalhar para sempre e virar representante  do povo: pobres e oprimidos que enganados com as falsas promessas e com os programas cala a boca do governo continuam acreditando nos que ora governam este país.
Pois é, não faço parte do governo, não sou político de carreira, apenas sou uma brasileira que estudou em colégio público(os três últimos anos do ensino fundamental), passou num vestibular sem sistema de quotas, sem Enem, sem qualquer programa de nada; conseguiu, a duras penas,  formar em Direito,  que penou durante longos anos  como advogada, e que foi  aprovada em  concursos públicos, optando por um deles e cumprindo, por força disto, orgulhosa e responsavelmente o seu mister, distribuindo justiça e tentando, através desta distribuição, igualar os desiguais, e se vê agora  com salário congelado, vendo o desrespeito ao judiciário,  ao funcionalismo público  e às instituições deste país, resultando em uma  denúncia, pasmem vocês,  na ONU contra o Brasil. Realmente, estou arrasada.
Estou sim, envergonhada mesmo, mas não tenho muito a fazer, a não ser demonstrar, para muito poucos, a minha insatisfação e ficar esperando que o “metrô” de Salvador, que  já sugou muito dos impostos pagos pelos brasileiros, sai da toca, venha mesmo para a superfície, que é onde deveria estar há quase dez anos atrás.