domingo, 23 de outubro de 2011

Uma cópula batraquiana

Quando Deus decidiu pelo dilúvio, para que a humanidade perversa desaparecesse, é o que nos traz a Bíblia no livro do Gênese, ordenou a Noé que fizesse uma arca e colocasse nela um casal de cada espécie animal, o que, também segundo a história, foi cumprido; razão porque as espécies foram salvas e capazes de multiplicarem-se e voltarem a povoar a terra. (Gênese,6-9) .Se, obrigatoriamente, a procriação não dependesse de um casal, Deus não se importaria  em mandar Noé, o homem justo que existia na terra, e por isso mesmo escolhido, para  repovoar a terra depois do dilúvio que durou 40 dias: “ Sai da arca com tua mulher e teus filhos e as mulheres de teus filhos; faze sair também o  seres vivos de todas as espécies que estão contigo: aves, quadrúpedes e répteis que rastejam sobre o solo, que se espalhem sobre a terra, sejam fecundos e se multipliquem sobre ela” (Genese, 8)
Bom, vocês podem não estar a entender nada desta introdução, mas daqui para frente saberão porque tive de recorrer a isto para fazer uma  observação a respeito de um acontecimento, que  passaria  totalmente desapercebido e sem importância, se tanta importância não se lhe tivessem dado.
Estava eu em uma reunião em um centro espirita; ouvia uma palestra  cujo tema era: “ Eu não vim trazer a paz, vim para dividir”. A oradora foi explicando o motivo de Jesus ter dito isto, ele que era o homem a quem se poderia atribuir  a esperança, a paz, a harmonia,diz uma frase desta!  Realmente, só  mesmo as pessoas capazes, e eu não sou, poderão entender o significado real desta frase, e porque ela foi dita. A senhora palestrante tentou explicar, confesso que não entendi,  mas como há tanta guerra, tanta infelicidade, tanta disputa entre povos,  cristãos e mulçumanos,  acho até que dá para começar a pensar sobre a frase com um pouco mais de coerência.
Bom, mas não comecei isto para falar, seja de Noé, seja de cristãos, seja de  judeus, seja de Cristo e de sua mensagem, de suas metáforas, de suas parábolas; aliás, eu acho que Jesus Cristo quis mesmo tripudiar de nós: para que porra que ele vem falando em parábolas? Só pode ser para confundir, ou então, achou ele que os seus filhos, por quem ele morreu na cruz, a história também diz isto, seriam todos inteligentes e capazes de entender o que ele, através das alegorias, das metáforas, das parábolas quis dizer. Para que dar trabalho para dizer o que deve ser dito de forma clara, será que ele queria mesmo é que uma classe de intelectos  entendesse a sua fala e a transmitisse da maneira que quizesse, que entendesse, inclusive podendo dizer mentiras em seu nome? Pois é isto que acontece; pois quando  ouvimos as  explicações da palavra de Cristo, chega mesmo a dar medo.  Quando a Igreja, que em principio é a sua maior divulgadora, claro que com interesses monetários, é uma das instituições mais ricas do planeta e não faz a caridade que foi determinada no evangelho: Quando a Igreja, há algum tempo atrás, não muito  longínquo, torturou pessoas, cobrou impostos de pobres, tomou terras de camponeses, enfim, contrariou em todos os momentos o  evangelho, estaria interpretando corretamente as palavras de Deus, o que não acredito, temos que ficar apreensivos.
Odeio ver os gritos dos pastores evangélicos. Isto deveria ser proibido. Deus deve andar surdo, porque  para o pessoal gritar daquela maneira  para ser ouvido, só pode ser este o motivo de tantos gritos 
E o islamismo? Por que  Maomé  exige que todos ainda botem o rabo pra cima  e, de quatro, fiquem em direção à Meca em todos os dias e  em determinados horários? Será que para respeitar o Alcorão, as leis  do profeta, isto é necessário? Como entender que, nos países  em que Maomé é mentor espiritual, ainda se obrigue que as mulheres usem burkas, que não possam dirigir, que não possam votar, dentre tantas outras proibições? Que interpretação é que  estes homens que divulgam a palavra do profeta  dão a estas palavras, que  fazem isto com um ser humano.
Bom, mas não queria mesmo discutir nada disto. É somente um desabafo e para demonstrar que  há muita coisa de falso  nas pessoas que divulgam a palavra de Cristo, que crêem nesta palavra e que se julgam em estado de graça porque estão com Cristo, por Cristo e no Cristo.
Pois é;  ontem eu pensava que estava no Cristo, pois estava atenta ao que a senhora que  fazia a palestra dizia; estava muito  interessada, até porque  ela estava falando de coisas  até bem palpáveis, a exemplo da energia que  Arembepe tem. Segunda ela,  as suas pedras  transmitem uma energia positiva, e eu tenho certeza que isto é real, não necessariamente porque a mulher disse, e sim porque, em muitos  momentos da minha vida, caminhando por esta praia, tomando banho entre os arrecifes, olhando as poças dágua límpida, vendo o colorido dos peixes,  fiquei  com a alma mais confortada, afastei dores, problemas, conversei com Iemanjá, com Deus, deixei que o sol penetrasse  em minha alma, ali, andando, rezando, sentindo os raios entrarem pelos poros e alcançarem a minha alma, despejando toda a energia positiva, que me tirou de muitas situações. Ai de mim se  não fosse assim! Sempre procurei conforto nas coisas da natureza, afinal, é a presença  real de Deus à nossa frente.  Bom,  mas no meio de tudo isto, isto é, da palestra da senhora, do lado da parede  direita de onde eu estava apareceu  uma sombra, que me pareceu um pequeno rato. Tenho pavor a ratos, e já comecei a suspender as minhas pernas, porque caso ele viesse para o meu lado,  eu já não faria o escândalo; que possivelmente faria; se estivesse com os pés no chão e ele passasse por cima deles.
Não era um camundongo: olhando bem, vi que era uma rã, sapo, sei lá o que, um batráquio com certeza. Estava encostado na parede e dava pulinhos pequenos para se locomover. Fiquei olhando, porque também não ia querer que aquele bicho frio e pegajosos  pulasse nas minhas pernas, por isso mesmo, notei que pouco atrás vinha outro batráquio, um pouco menor e seguindo o maior. Fiquei olhando  o que ia acontecer, para que direção eles iam. Aí aconteceu uma coisa interessantissima:  o  pequeno batráquio que vinha atrás, pulou nas costas do que vinha na frente, e ali ficou. Olhei sem entender nada, mas a insistência do que estava em cima me fez entender que ali havia um casal de rãs, e que eles estavam, literalmente, copulando, e que aquilo não tinha nada de espiritual, tudo era bem material. Achei engraçado, e pensei comigo, “trepada batraquiana abençoada”, tudo certo,  o casal de rãs, sapos  sei lá o que, eram espiritualistas, e queriam que  “relação” fosse literalmente abençoada.
Olhei por muito tempo: olhe que eles são resistentes! Imaginem que, grudados, conseguiram subir até um degrau, o cara não se desgrudava da fêmea de maneira alguma. Pena que fui sem óculos, pois de óculos veria melhor aquela cena numa casa de Deus.  Os sacanas  passaram, aproximadamente, uns 10 a 15 minutos nesta sacanagem, até que sumiram, não sei se até agora estão copulando ou não, mas sumiram do meu raio de visão. Ah! para informação, podem passar horas copulando.
Acabada a palestra,  me dirijo a porta para ir embora: como estava chovendo, fiquei à porta esperando que a chuva melhorasse, e perguntei a uma senhora  amiga, que estava junto de mim e com quem tenho muita intimidade:
“ Você viu o casal de sapos trepando”?
Porra, foi um Deus nos acuda: Uma senhora outra que estava junto de nós, e ouviu o comentário, vira-se para minha pessoa e diz:
- Você está num centro!
Eu não entendi nada, e perguntei:  -  Qual o problema? Você não viu que tinha um casal de rãs ou sapos trepando mesmo? Todo mundo viu, ninguém é doido.
- Vi, mas não se pode falar esta expressão  no centro.
Fiquei pasma! Mas me recuperei  rapidamente e questionei:
- Ah, quer dizer que eu tinha de falar que os sapos estavam fazendo amor? E, sacanamente, complementei: eles fazem amor e o ser humano trepa, que coisa engraçada.
Deu para notar que ninguém gostou muito do comentário, mas tive de fazê-lo:  Primeiro porque não vejo onde está o erro de dizer que os sapos estavam trepando; porque realmente estavam; se escolheram a casa do senhor, um centro de oração, certamente queriam ter a relação abençoada, procriar em em nome do senhor e com a sua bênção; segundo, estavam eles fazendo a coisa mais natural do mundo, eu só comentei porque achei inusitado o espaço que escolheram, apenas isto, nada além disto; não vi nada de sujo, porco, temerário naquela situação, para mim apenas engraçada, pelo visto constrangedora para alguns; terceiro, fiquei puta dentro das calças, porque a mulher que não tinha nada com a estória, porque não falei com ela, e sim com a minha velha amiga, se meteu no assunto para me dizer que não se fala “trepar”, no centro.
Resumo:  O que falei de tão violento? O que estava errado naquela cópula inocente?  O erro foi meu ou das pessoas que não sabem encarar com nenhuma naturalidade um ato tão natural que é o da propagação da espécie, aquele que  Deus abençoou no momento em que determinou que Noé  fizesse uma arca e colocasse nela um casal de cada espécie existente na terra.
Fico pensando: que falsa moralidade, e olhe que estas pessoas são espíritas:  dizem, não sei, eu não tenho, talvez não queira nunca ter, que têem contato com espíritos. Dizem, também, que fazem o bem através da caridade, da compaixão, do amor.  Não sei como assim se dizem, quando recriminam, apenas uma palavra que, vulgarmente, indica o ato mais natural do mundo – uma cópula entre um casal de animais-  que somente  escolheram um espaço errado, longe do seu habitat. Coisas espirituais, porque não há outra qualquer explicação, para o ato em quatro paredes, presenciado por muitos. Aquilo deve ter sido uma mensagem que não foi captada. Com certeza não foi, porque se fosse, quando muito a mulher sorriria, e mais nada. Bom o  que eu sei, porque vi , é que os dois sapos, espero que um casal mesmo, - uma fêmea e um macho –  estavam trepando; acasalando, copulando, qualquer palavra que indique a relação que  estavam tendo. Ah isto eu vi sim! Tenho dito.