terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Balanço de 2010

Tive muitos momentos especiais na minha vida o ano passado. Bons e ruins, mas especiais, com certeza. Alguns, os ruins e especialíssimos, porque eu sempre digo que tem coisas que só comigo acontecem, quero esquecer, ou melhor, deixá-los encostados num canto bem escondido da casa de dentro, mas em lugar que eu lembre, para que eu possa, quando quiser, resgatá-los e ver se consigo entendê-los perfeitamente, mas vamos aos momentos bons.

Logo em abril voltei para Lisboa, embora quisesse ter voltado de navio, cheguei de avião, mas isto não importa, o que importa é que voltei para complementar as pesquisas do doutorado, mas já estava escrevendo no blog, o que realmente foi uma grande e agradável surpresa para mim, não sabia que teria tantos assuntos e que, um dia, seria lida por tantos.

Campo Pequeno-Lisboa
Primeiramente fui a uma tourada, nunca tinha ido a nenhuma, confesso que é excitante no começo, depois fica uma verdadeira chatice, uma repetição de movimentos de touros e toureiros. Demora em demasia, muita formalidade, há todo um vocabulário especial da tauromaquia, e não me encantou, embora quase eu tenha saído quebrada da Praça de Touros do Campo Pequeno em Lisboa, que por sinal é linda. É que todo o movimento que o toureiro fazia lá embaixo para se desviar do touro, eu também fazia cá em cima nas arquibancadas com o meu próprio corpo: pense ai! Deve ser mesmo a falta de costume. Eu tenho certeza que não vou mais a nenhuma, a não ser que seja na Espanha, porque apesar do encantamento dos primeiros momentos é muito cansativo.

Depois da tourada, em que todo o High society de Lisboa e adjacências, além dos turistas (touristas) enchem a praça, aliás, é muito “chic” ir às touradas, dá status, você(as mulheres) se mostra e arrisca-se até a arrumar um casamento, um caso, um flerte, quem sabe pode até ter a sorte de virar mulher de toureiro e lhe dar bem com os chifres, coisa que já tenho experiência e não quero repetir, portanto, até por este particular, o espetáculo não me atraiu muito, tive mais outros momentos, mas ainda tenho coisas para contar sobre ela. Após a tourada em si, com os toureiros tentando, de cavalo ou no solo aniquilar o touro, tem uma estória de uns caras loucos que são chamados de “forcados” derrubarem o touro no braço, acho que são uns oito ou nove, que tentam derrubar o animal, que já tá bem magoado com as “bandarilhas” que espetam no seu cachaço, coitado. Estes caras têm um prazer que não entendi até agora, pois eles se orgulham de pegar o touro de unha, mas muitos deles se arrebentam todo, saem sangrando, misturando o seu sangue com o sangue do animal. Mas vá lá, eles devem se julgar mais “machos” que os demais e pode até ser que, por isso mesmo, agradem as mulheres das suas cidades, aldeias, “terras” sei lá. Eu é que não queria uma zorra daquelas.

O melhor de tudo é ver os cavalos, esses sim, é que abrilhantam a festa que é a tourada para os fanáticos. Os cavalos são lindos e, além de lindos, fazem coisas que não dá para descrever; logicamente que há uma perfeita sincronia entre eles e os seus cavaleiros, mas eles são mesmo os donos da festa, pelo menos para mim. Desviando-se do boi, colocando-se no lugar certo, na hora certa, trotando, levantando a pata, ajoelhando para agradecer os aplausos, é realmente sensacional

Bom, mas não fiquei só na tourada, e como estava esperando receber uma grana boa, uns atrasados do meu trabalho e mais algum da venda do carro, tomei coragem e fiz uma viagem maravilhosa pelo Norte de Portugal, uma viagem "religiogastroalcóolica", pois comi e bebi muito, vinhos diversos, bagaceiras tantas, muito bacalhau e grelhados, além das comidas levemente pesadas de Portugal: mão de vaca, cozido a portuguesa, carne de porco alentejana, tripas à moda do Porto, e muitas outras coisas, mas, a par disto, entrei em tantas igrejas quanto pude entrar.

Nossa Senhora do Sameiro
Estive em diversos santuários, começando logo pelo mais conhecido que é o de Fátima, depois vi, quando a neblina e a chuva deixaram, muitos outros, tais como Nossa Senhora do Sameiro em Viana do Castelo, Bom Jesus em Braga e um monte, mas muitas outras igrejas mesmo, inclusive a de São Victor, que também fica em Braga. Dorival Cayme diz que a Bahia tem 365 Igrejas, mas Portugal, com certeza, tem muito mais que isto, só em Lisboa, no centro, posso indicar, pelo menos, umas 10 a 15, isto num espaço de uns 2 km. Tem Santo para tudo, Nossa senhora da Saúde, Nossa Senhora da Madalena, Igreja dos Italianos, Sé, Santo Antonio, (o do casamento), Santa Luzia (a das vistas) e muitas outras que agora não dá para falar, depois faço uma homenagem a estas senhoras

Aveiro
Ponte de Lima
Fiquei impressionada com muitos lugares que passei: Figueira da Foz e uma cidade maravilhosa, Aveiro outro monumento português, Ponte de Lima chega até a doer de tanta beleza, uma cidade medieval extraordinariamente linda. A impressão que tinha, andando nas suas ruas, olhando as construções, atravessando as pontes, era de que a história de mim estava envolvida na história daquela cidade. Ali experimentei uma comida portuguesa chamada “sarrabulho”, acho que escreve assim, parece com o nosso sarapatel, não gostei muito, mas para quem gosta, recomendo, porque quase todas as pessoas que estavam no restaurante estavam comendo este prato.

Quiaios
Mas não fiquei só em as grandes cidades, pois visitei muitas aldeias pequeninas, cidades praianas de pescadores: Quiaios, Mira, Buarcos, algumas feiras livres, onde encontrei um senhor de mais de 80 anos que, segundo ele, poderia me fazer muito feliz e me dar “casa, comida e roupa lavada”, ri muito, mas só deu mesmo para agradecer o elogio.

Estive, ainda, e aqui uma nostalgia tomou conta de mim, porque já tinha estado nessas três cidades em três ocasiões diferentes: a primeira com meu companheiro à época, onde pela primeira vez comemos polvo a lagareira, uma novidade para os neófitos viajantes, a segunda com a Graça, a quem muito agradeço me ter permitido entrar na sua família onde fui tão bem recebida, sem dúvida que as laranjas deste pé serão sempre doces; por último, e agora, com a companhia que merecia: Vila do Conde, Póvoa do Varzim e Matosinhos. Por favor, quem puder fazer esta viagem não deixe a oportunidade passar. Se ainda existir a churrascaria Inglesa em Matosinhos não deixe de comer o polvo a lagareira, mas você pode comer, sem susto, em qualquer marisqueira. Desta vez não estive no Porto, só de passagem mesmo, mas, também, é uma cidade imperdível.

Fui,ainda, em Espinho, Braga, que é outro monumento português. Na volta, já não parando tanto quanto na ida, estive em Nazaré e vi a imagem da Nossa Senhora da Nazaré e a bela cidade que tem o mesmo nome e que me lembrou, um pouco, Salvador.

Bom, esta foi mesmo uma grande viagem e uma coisa extraordinária, mas nada conseguiu desbancar a emoção de ir ver o show de SANTANA – Carlos Alberto Santana. Rapaz! Que negócio. Nunca pensei que ia ficar tão emocionada com isto.

Já cheguei ao Pavilhão Atlântico, onde o show realizou-se no maior clima, estava numa expectativa da zorra. Sentei para esperar a hora de entrar, e já aí encontrei um louco, como tantos outros que passei a observar. A grande maioria das pessoas era da minha idade para mais, mas o entusiasmo de todos era de adolescentes, embora muitos jovens se fizessem presentes, aliás, bom gosto não tem idade, e é impossível que um jovem não goste de Santana.

O louco chegou junto de mim e me perguntou se eu ia ver o show. Respondi que sim, e ele me falou que viu o primeiro show que CARLOS ALBERTO SANTANA, e ele pronunciava o nome do homem assim mesmo, bem forte e completo, fez em Portugal, ele até me disse o ano, mas eu não gravei. Disse-me ele que eu ia ver o maior show do mundo, e falava e falava e falava. De repente me perguntou se eu queria um trago, eu disse não, e então é que percebi que ele estava com um saco de vinho, lá em Lisboa vendem umas caixas com vinho, e dentro das caixas o líquido está num saco que tem uma torneirinha, pois é, como o saco já tava mais para vazio de que para cheio, o cara enrolou a zorra no braço e me oferecia um pouco, isto já com a torneirinha quase na minha boca. Evidentemente que recusei terminantemente.

Levantei e me encaminhei para a entrada, eu tinha de ficar em pé, pois quando fui comprar o bilhete já não havia lugar sentado, aliás, o que foi uma sorte, porque não sei se veria o show como o fiz, participando, olhando as pessoas, vendo os movimentos, enfim, vendo e vivendo Santana, que também já demonstra o cansaço dos anos, tocando aquela maravilhosa guitarra sentado.

Lembrei de muitos amigos, quando ele tocou “Oye como Va” e quase choro, “Corazón Espinado”, “Black Magic Woman”, “Samba para ti” “Guarija” “Evil Ways” “Jingo” “Maria Maria” e tantas outras e quando ele começou “Africa Bamba” - ella baila la portugueza todo o pavilhão tremeu, afinal fala de “portugueza”, embora ache eu que ele queria falar de alguma dança brasileira, vejam bem a letra da música. Eu tava encantada, e nem mesmo ter ficado longe do palco, e com muita gente fumando e me fazendo os olhos lacrimejarem, tirou todo o encanto, quase um êxtase, de estar ali. Não estranhem as datas das fotos e nem as proprias fotos, não sou uma grande fotografae nem sei lidar com a tecnologia delas, nao mudo datas, não sei como diminuir a imagem, etc.etc.etc.Não me chamem de imbecil, pois vocês sabem que tenho outras habilidades.
Maputo
Mas o ano ainda estava no meio, e muitas outras coisas aconteceram, inclusive, a minha viagem á Moçambique para a pesquisa do doutorado. Passei 30 dias em Maputo, uma verdadeira maratona, mas valeu a pena, tenho certeza que faço uma grande trabalho com a documentação que consegui encontrar, não a que queria, mas a que foi possível.A foto é mesmo de Maputo tirada do barco vindo do Matembe, acho que é este o nome, qualquer semelhança com alguma cidade que conheça é uma mera coincidência. 

Depois voltei para Lisboa complementando algumas coisas do próprio curso, recebendo, após mais de dois anos da conclusão do mestrado, o diploma comprobatório do grau de Mestre,vejam que ele é em latim. Em novembro vim para o Brasil, onde me aborreci muito por problemas que são criados pelos outros para mim, imagine que tive a grata surpresa de ver que, na frente, literalmente, da minha casa foi inaugurada uma “casa de show”, pense um lugar como Arembepe com uma casa de show com bilheteria e tudo, realmente, só pode ser para me sacanear, mas vou resolver isto com certeza.

Também tive desagradáveis notícias sobre acontecimentos familiares, mas que não conseguiram me tirar a satisfação de ver os meus “netos” já andando e “conversando” numa língua que não entendo, mas que com certeza é de amor, solidariedade, cumplicidade, afinal eles são gêmeos.

O outro neto, o Victor,  fez a primeira comunhão e sentiu gosto de sangue quando recebeu a hóstia, isto foi dito por ele mesmo, passou de ano e está muito feliz porque vai para a Europa em janeiro, que Deus o abençõe

Para fechar com chave de ouro o ano de 2010 fui a um casamento no dia 31.12. Alguns podem achar estranho um casamento nesta data, mas os noivos não se intimidaram com isto, e mostraram, a tantos quantos estiveram presentes, que estavam e vão ser, como estávamos nós, os seus convidados, naquele dia: FELIZES.

FELIZ 2011 para todos

Janeiro de 2011