Tive muitos momentos especiais na minha vida o ano passado. Bons e ruins, mas especiais, com certeza. Alguns, os ruins e especialíssimos, porque eu sempre digo que tem coisas que só comigo acontecem, quero esquecer, ou melhor, deixá-los encostados num canto bem escondido da casa de dentro, mas em lugar que eu lembre, para que eu possa, quando quiser, resgatá-los e ver se consigo entendê-los perfeitamente, mas vamos aos momentos bons.
Logo em abril voltei para Lisboa, embora quisesse ter voltado de navio, cheguei de avião, mas isto não importa, o que importa é que voltei para complementar as pesquisas do doutorado, mas já estava escrevendo no blog, o que realmente foi uma grande e agradável surpresa para mim, não sabia que teria tantos assuntos e que, um dia, seria lida por tantos.
| Campo Pequeno-Lisboa |
Primeiramente fui a uma tourada, nunca tinha ido a nenhuma, confesso que é excitante no começo, depois fica uma verdadeira chatice, uma repetição de movimentos de touros e toureiros. Demora em demasia, muita formalidade, há todo um vocabulário especial da tauromaquia, e não me encantou, embora quase eu tenha saído quebrada da Praça de Touros do Campo Pequeno em Lisboa, que por sinal é linda. É que todo o movimento que o toureiro fazia lá embaixo para se desviar do touro, eu também fazia cá em cima nas arquibancadas com o meu próprio corpo: pense ai! Deve ser mesmo a falta de costume. Eu tenho certeza que não vou mais a nenhuma, a não ser que seja na Espanha, porque apesar do encantamento dos primeiros momentos é muito cansativo.
Depois da tourada, em que todo o High society de Lisboa e adjacências, além dos turistas (touristas) enchem a praça, aliás, é muito “chic” ir às touradas, dá status, você(as mulheres) se mostra e arrisca-se até a arrumar um casamento, um caso, um flerte, quem sabe pode até ter a sorte de virar mulher de toureiro e lhe dar bem com os chifres, coisa que já tenho experiência e não quero repetir, portanto, até por este particular, o espetáculo não me atraiu muito, tive mais outros momentos, mas ainda tenho coisas para contar sobre ela. Após a tourada em si, com os toureiros tentando, de cavalo ou no solo aniquilar o touro, tem uma estória de uns caras loucos que são chamados de “forcados” derrubarem o touro no braço, acho que são uns oito ou nove, que tentam derrubar o animal, que já tá bem magoado com as “bandarilhas” que espetam no seu cachaço, coitado. Estes caras têm um prazer que não entendi até agora, pois eles se orgulham de pegar o touro de unha, mas muitos deles se arrebentam todo, saem sangrando, misturando o seu sangue com o sangue do animal. Mas vá lá, eles devem se julgar mais “machos” que os demais e pode até ser que, por isso mesmo, agradem as mulheres das suas cidades, aldeias, “terras” sei lá. Eu é que não queria uma zorra daquelas.
O melhor de tudo é ver os cavalos, esses sim, é que abrilhantam a festa que é a tourada para os fanáticos. Os cavalos são lindos e, além de lindos, fazem coisas que não dá para descrever; logicamente que há uma perfeita sincronia entre eles e os seus cavaleiros, mas eles são mesmo os donos da festa, pelo menos para mim. Desviando-se do boi, colocando-se no lugar certo, na hora certa, trotando, levantando a pata, ajoelhando para agradecer os aplausos, é realmente sensacional
Bom, mas não fiquei só na tourada, e como estava esperando receber uma grana boa, uns atrasados do meu trabalho e mais algum da venda do carro, tomei coragem e fiz uma viagem maravilhosa pelo Norte de Portugal, uma viagem "religiogastroalcóolica", pois comi e bebi muito, vinhos diversos, bagaceiras tantas, muito bacalhau e grelhados, além das comidas levemente pesadas de Portugal: mão de vaca, cozido a portuguesa, carne de porco alentejana, tripas à moda do Porto, e muitas outras coisas, mas, a par disto, entrei em tantas igrejas quanto pude entrar.
| Nossa Senhora do Sameiro |
Estive em diversos santuários, começando logo pelo mais conhecido que é o de Fátima, depois vi, quando a neblina e a chuva deixaram, muitos outros, tais como Nossa Senhora do Sameiro em Viana do Castelo, Bom Jesus em Braga e um monte, mas muitas outras igrejas mesmo, inclusive a de São Victor, que também fica em Braga. Dorival Cayme diz que a Bahia tem 365 Igrejas, mas Portugal, com certeza, tem muito mais que isto, só em Lisboa, no centro, posso indicar, pelo menos, umas 10 a 15, isto num espaço de uns 2 km. Tem Santo para tudo, Nossa senhora da Saúde, Nossa Senhora da Madalena, Igreja dos Italianos, Sé, Santo Antonio, (o do casamento), Santa Luzia (a das vistas) e muitas outras que agora não dá para falar, depois faço uma homenagem a estas senhoras
| Aveiro |
| Ponte de Lima |
Fiquei impressionada com muitos lugares que passei: Figueira da Foz e uma cidade maravilhosa, Aveiro outro monumento português, Ponte de Lima chega até a doer de tanta beleza, uma cidade medieval extraordinariamente linda. A impressão que tinha, andando nas suas ruas, olhando as construções, atravessando as pontes, era de que a história de mim estava envolvida na história daquela cidade. Ali experimentei uma comida portuguesa chamada “sarrabulho”, acho que escreve assim, parece com o nosso sarapatel, não gostei muito, mas para quem gosta, recomendo, porque quase todas as pessoas que estavam no restaurante estavam comendo este prato.
| Quiaios |
Mas não fiquei só em as grandes cidades, pois visitei muitas aldeias pequeninas, cidades praianas de pescadores: Quiaios, Mira, Buarcos, algumas feiras livres, onde encontrei um senhor de mais de 80 anos que, segundo ele, poderia me fazer muito feliz e me dar “casa, comida e roupa lavada”, ri muito, mas só deu mesmo para agradecer o elogio.
Estive, ainda, e aqui uma nostalgia tomou conta de mim, porque já tinha estado nessas três cidades em três ocasiões diferentes: a primeira com meu companheiro à época, onde pela primeira vez comemos polvo a lagareira, uma novidade para os neófitos viajantes, a segunda com a Graça, a quem muito agradeço me ter permitido entrar na sua família onde fui tão bem recebida, sem dúvida que as laranjas deste pé serão sempre doces; por último, e agora, com a companhia que merecia: Vila do Conde, Póvoa do Varzim e Matosinhos. Por favor, quem puder fazer esta viagem não deixe a oportunidade passar. Se ainda existir a churrascaria Inglesa em Matosinhos não deixe de comer o polvo a lagareira, mas você pode comer, sem susto, em qualquer marisqueira. Desta vez não estive no Porto, só de passagem mesmo, mas, também, é uma cidade imperdível.
Fui,ainda, em Espinho, Braga, que é outro monumento português. Na volta, já não parando tanto quanto na ida, estive em Nazaré e vi a imagem da Nossa Senhora da Nazaré e a bela cidade que tem o mesmo nome e que me lembrou, um pouco, Salvador.
Bom, esta foi mesmo uma grande viagem e uma coisa extraordinária, mas nada conseguiu desbancar a emoção de ir ver o show de SANTANA – Carlos Alberto Santana. Rapaz! Que negócio. Nunca pensei que ia ficar tão emocionada com isto.
Já cheguei ao Pavilhão Atlântico, onde o show realizou-se no maior clima, estava numa expectativa da zorra. Sentei para esperar a hora de entrar, e já aí encontrei um louco, como tantos outros que passei a observar. A grande maioria das pessoas era da minha idade para mais, mas o entusiasmo de todos era de adolescentes, embora muitos jovens se fizessem presentes, aliás, bom gosto não tem idade, e é impossível que um jovem não goste de Santana.
O louco chegou junto de mim e me perguntou se eu ia ver o show. Respondi que sim, e ele me falou que viu o primeiro show que CARLOS ALBERTO SANTANA, e ele pronunciava o nome do homem assim mesmo, bem forte e completo, fez em Portugal, ele até me disse o ano, mas eu não gravei. Disse-me ele que eu ia ver o maior show do mundo, e falava e falava e falava. De repente me perguntou se eu queria um trago, eu disse não, e então é que percebi que ele estava com um saco de vinho, lá em Lisboa vendem umas caixas com vinho, e dentro das caixas o líquido está num saco que tem uma torneirinha, pois é, como o saco já tava mais para vazio de que para cheio, o cara enrolou a zorra no braço e me oferecia um pouco, isto já com a torneirinha quase na minha boca. Evidentemente que recusei terminantemente.
Levantei e me encaminhei para a entrada, eu tinha de ficar em pé, pois quando fui comprar o bilhete já não havia lugar sentado, aliás, o que foi uma sorte, porque não sei se veria o show como o fiz, participando, olhando as pessoas, vendo os movimentos, enfim, vendo e vivendo Santana, que também já demonstra o cansaço dos anos, tocando aquela maravilhosa guitarra sentado.
Lembrei de muitos amigos, quando ele tocou “Oye como Va” e quase choro, “Corazón Espinado”, “Black Magic Woman”, “Samba para ti” “Guarija” “Evil Ways” “Jingo” “Maria Maria” e tantas outras e quando ele começou “Africa Bamba” - ella baila la portugueza todo o pavilhão tremeu, afinal fala de “portugueza”, embora ache eu que ele queria falar de alguma dança brasileira, vejam bem a letra da música. Eu tava encantada, e nem mesmo ter ficado longe do palco, e com muita gente fumando e me fazendo os olhos lacrimejarem, tirou todo o encanto, quase um êxtase, de estar ali. Não estranhem as datas das fotos e nem as proprias fotos, não sou uma grande fotografae nem sei lidar com a tecnologia delas, nao mudo datas, não sei como diminuir a imagem, etc.etc.etc.Não me chamem de imbecil, pois vocês sabem que tenho outras habilidades.
| Maputo |
Mas o ano ainda estava no meio, e muitas outras coisas aconteceram, inclusive, a minha viagem á Moçambique para a pesquisa do doutorado. Passei 30 dias em Maputo, uma verdadeira maratona, mas valeu a pena, tenho certeza que faço uma grande trabalho com a documentação que consegui encontrar, não a que queria, mas a que foi possível.A foto é mesmo de Maputo tirada do barco vindo do Matembe, acho que é este o nome, qualquer semelhança com alguma cidade que conheça é uma mera coincidência.
O outro neto, o Victor, fez a primeira comunhão e sentiu gosto de sangue quando recebeu a hóstia, isto foi dito por ele mesmo, passou de ano e está muito feliz porque vai para a Europa em janeiro, que Deus o abençõe
Para fechar com chave de ouro o ano de 2010 fui a um casamento no dia 31.12. Alguns podem achar estranho um casamento nesta data, mas os noivos não se intimidaram com isto, e mostraram, a tantos quantos estiveram presentes, que estavam e vão ser, como estávamos nós, os seus convidados, naquele dia: FELIZES.
FELIZ 2011 para todos
Janeiro de 2011