terça-feira, 1 de junho de 2010

Não se pode dizer tudo!

Se pudéssemos falar tudo que nos vem à alma seria tão bom. Seria mesmo? Acho que não, porque não temos só pensamentos bons e bonitos. Quem disser que só pensa em coisas boas e que só quer o bem das pessoas, mente descaradamente, afaste-se!

Somos normais, temos raiva, ódio, sentimentos mesquinhos. Quando nos decepcionamos com alguém, o que queremos mesmo é o mal da pessoa, queremos que ela morra, que ela sofra. Isto é muito normal, portanto, nada de piegas.

Ah! Queria mesmo poder dizer tudo, desde aqueles sentimentos mais mesquinhos em relação às pessoas, como os sentimentos maiores, aqueles que nos fazem mesmo crescer e demonstram o nosso amor pelos outros, embora todos saibamos que estes últimos sentimentos, muitas vezes, não necessitam palavras para serem expressados.

Mas seria muito bom mesmo dizer algumas coisas a algumas pessoas: Por exemplo: Dizer àquela mulher de um seu amigo, que se julga "a gostosona", que ela é "uma merda"; dizer a um juiz que ele é "incompetente" seria a glória; dizer a um "feio", que se acha "bonito", que ele é feio, glorioso; Dizer ao marido de uma amiga que queria "comer ele"; sensacional! Melhor ainda se ele aceitasse...

E que diriam vocês de poder dizer ao namorado (a), companheiro (a), marido (a) amante, este última palavra carrega uma coisa tão forte no seu significado que não tem feminino nem masculino, é comum de dois, ou seria, aos dois gêneros, lembram-se disto? Aliás, amante pode ser qualquer um mesmo, até um comum de dois gêneros, hoje em dia isto é vulgar. Sim, mas voltemos ao que seria bom dizer: Você é corno, foi corno, será corno! Já pensou? Naquela hora mais íntima você dá aquela risadinha bem safada e diz: "Tá pensando que é só você que come"?  Seria o máximo ver a cara do, ou da (corno). Na realidade penso que, em pensamento, muita gente já fez isto, podendo ter sido tanto sujeito ou objeto do pensamento.

Mas em relação a corno tenho que tirar o chapéu para aquele que sabe mesmo que é e continua como se nada tivesse acontecendo: é como bem diz um filósofo árabe que tive o prazer de conhecer: "Corno não é: corno se sente".  Como é coisa de filósofo, continuo sem entender o que ele quis dizer com "sente". Fico na dúvida se o sente é o de sentir que se é corno no plano do "eu", ou se é naquele plano em que você, figuradamente, passaria a mão pela cabeça e sentiria, literalmente, a testa crescer, ou ainda: não sentir nada com a revelação do fato de ser corno, porque se está num plano tão filosoficamente alto, tão evoluído, que não ha qualquer preocupação com o corno. Penso que é esta última hipótese a que condiz com o filósofo.  Bom o certo é que, mesmo este corno da filosofia fauazeana, deveria ter um prazer enorme em dizer para quem o, ou a, estivesse corneado: Tá pensando que sou otário (a), que não sei que sou corno? Mais corno é você, que nem percebe que é. Porra velho: Hilariante!  

Se falo de "corno" é porque como diz o ditado: "este é o último a saber", aliás, ditado mas correto, e na grande maioria dos casos de uma realidade cruel. Todo mundo sabe, mas o corneado (a) não. Quando chega a saber, já tomou tanto corno que não tem mais graça alguma a revelação e já não se pode nem mesmo ter uma vingança à altura. Porque vingar-se de um corno só se pagando na mesma moeda, e dependendo das moedas da relação, isto poderia ser um espetáculo, um show com bilheteria esgotada.  Aí seria em grande: O corneando e o corneado trocando de posição a cada dia. Todavia aqui há um particular: em princípio o primeiro corneando teria de ficar na absoluta ignorância de que estaria, ou está, sendo corneado; depois de algum tempo, quando esquecesse de que foi um corneando, quando estivesse pensando numa "remissão dos pecados", aí sim: o atual corneando começava a deixar transparecer o ato/fato. Uma falha aqui, uma indiscrição ali, colocava uma dúvida aqui outra acolá, deixando o corneando louco. Já não se preocupava muito com as línguas oficiais, afinal elas também seriam um instrumento para que a informação chegasse a quem de direito, até o dia em que, corajosamente, o corneando atual diria: Você é corno (a). Que maravilha! Acho que até a alma ia gozar: um gozo prolongado, quase etéreo, se não fosse tudo tão fugaz: o gozo e o corno.

Entretanto, não é só o dizer ao corno que ele é corno que dá prazer. Você pode experimentá-lo em muitas outras situações: já pensou em poder chegar para um político e dizer: Você é um bunda mole! Que coisa mais boa hein! Só correríamos um risco de andar por cima de muitas bundas, que de tão moles iriam formar um grande tapete, fedorento claro! Mas um enorme e multicolorido tapete.   

E para um seu colega de trabalho que você não gosta, mas é seu superior e pode pedir a sua demissão: Você é um embuste! É melhor arrumar outra palavra, para que a pessoa possa entender mesmo, porque não adianta falar coisas que não sejam captadas pelas pessoas, afinal a comunicação exige um emissor e um receptor. Na dúvida, arranje logo uma boa palavra, porque você seria despedido mesmo, então mande ver.

Pense em você chegar para a sua sogra (o) e dizer literalmente: Não gosto de você!

Dizer para um professor que se julga o mais retado do mundo e que se vangloria de ter dado muitos e muitos alunos para o mundo, de ter implantado um curso de mestrado em uma faculdade, que ele é uma "porcaria" como educador.

Olhe! Isto aqui são só alguns exemplos do que eu, e acredito que muita gente, gostaria de dizer. Mas as regras do social, da convivência, da "mentira" não nos permitem isto. Mas como Deus é onipresente, ele bem sabe o quanto a gente poderia dizer de tantos quantos passaram pela nossa vida, seja coisa boa, seja coisa ruim. Também ele, por esta qualidade imensa de bisbilhoteiro que tem, sabe o quanto já rimos, sozinhos, daqueles que não são nem "onipresentes", nem "onipotentes", nem "oniscientes"..., mas se acham!  

 

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