quinta-feira, 29 de abril de 2021

Agora é o Censo; ou será falta de Senso?

Estou aqui em casa, o dia é chuvoso, estou na rede e olho as minhas plantas balançando os seus galhos a cada pingo de chuva que cai sobre elas. Gosto de olhar a chuva cair, gosto sim, mas, ao mesmo tempo que gosto disto, fico pensando em quantas pessoas devem estar a pedir que esta mesma chuva pare, porque ela pode lhes causar prejuízo, dores, até mesmo mortes. Fico entediada e penando como a vida é dicotômica. O que pode ser prazer para um, como é o meu caso, pode ser uma tormenta para outrem.

A chuva aumenta e o meu pensamento divaga; volto ao passado, à minha infância: lembro que, quando criança, lá na nossa casa em Camaçari, uma chuva desta era motivo de muita alegria; primeiro porque não precisaríamos encher os tonéis de água naquele dia e até, dependendo da quantidade de chuva, por um dia ou mais. A responsável por encher o tonel era minha. Eu tinha de carregar mais de 20 latas de água, daquelas quadradas de tinta, de uma fonte que havia no fundo do nosso quintal, a fonte não era nossa, era pública, todos dali da região utilizavam água daquele poço.  Essa fonte distava da minha casa uns 500m ou mais um pouco. Era uma boa caminhada para ser feita com uma lata de água na cabeça. Eu precisava fazer a caminhada por umas 20 vezes, no mínimo, não era uma coisa fácil, mas obrigação era obrigação, e esta era a minha, todos os dias, durante todos os dias do ano, sem direito a descanso semanal, feriados, etc.  Eu não reclamava, pois se assim o fizesse ainda podia ser castigada, e, ou apanhava, ou então seria de mim tirado algum mínimo prazer que tivesse, como por exemplo conversar, na boquinha da noite, com os meninos e meninas da minha idade até as sete da noite.

Bom, mas eu estava falando do dia de chuva.  O segundo motivo para a alegria com a chuva era a festa que fazíamos, ah, que maravilha a inocência! Ali alegres, só pensávamos em nos deixar molhar pela água da chuva, disputar a água mais grossa que descia da bica formando um grande chuveirão, ficávamos pulando embaixo da chuva, chutando a água empoçadas nas poças formadas pela água no chão. A água ficava escura e nós nos sujávamos todos de lama, lama que, em poucos minutos, desaparecia da roupa por força da própria chuva.  Passávamos horas embaixo da chuva, as vezes aproveitávamos para lavar a própria casa, aproveitando a água da chuva. Era fantástico, e sequer nos passava pela cabeça que, logo embaixo da nossa casa, uns três km mais abaixo, havia um riacho, que se transbordasse, atingiria todas as casas que ficavam alrrededor dele.

Com este pensamento volto ao aqui e agora: a chuva continua caindo, as palhas do coqueiro embalançam, penso como lúdico é tudo isto, e me vem à cabeça que esta poderia ser uma chuva cósmica com poderes de, com os seus pingos, limpar tudo, afastar este maldito vírus, que aqui no Brasil provoca tantas divergências, tantas barbaridades jurídicas, tantas questões políticas, tantas interferências na nossa liberdade.

O corona vírus aqui no Brasil serviu para, mais uma vez demonstrar, como são os oportunistas de plantão, que se aproveitam de uma catástrofe como está para se promoverem, para enriquecerem ilicitamente, para aparecerem politicamente a qualquer custo. Esses miseráveis criticam toda e qualquer ação governamental, sem, entretanto, apresentarem quaisquer soluções que possam ajudar a vencer este flagelo. Apontam erros em tudo, e, esquecem dos seus próprios erros, vide que alguns dos grandes críticos do governo, são, em menor escala, administradores de estados. Esses miseráveis demonstram toda a capacidade que tem de tomar medidas totalitárias, que visam a dominação da população que “pensam comandar”. Vemos, a cada dia, medidas de jaez ditatoriais proibindo a liberdade do cidadão, ferindo, sem qualquer pudor, o Art. 5 da Constituição Federal, o quanto pior, tudo isto com a “autorização” do STF, que sem nenhum escrúpulo, sem nenhum respeito ao povo, dão poderes a esses miseráveis governantes, afastando qualquer ingerência local ao Governo federal. O mais interessante é que, no que tange as medidas a serem tomadas, o governo federal está fora, proibido de qualquer atividade, mas quando se trata de dinheiro e de fornecimento de material, aí sim o governo federal é que é o obrigado.

É inacreditável o que vem acontecendo aqui no Brasil. Os senhores do supremo, os deuses do Olimpo brasileiro, se metem em tudo, obrigam os demais poderes a fazer o que determinam, infringindo descaradamente as atribuições dos demais poderes. Viraram os ditadores brasileiros, parecendo haver uma disputa interna na corte para ver quem consegue determinar a medida mais interventiva e ditatorial.

Agora, Marco Aurélio determinou que o governo   faça o censo de 2021, que havia sido suspenso por força da própria Covid, pois se precisamos de todo o dinheiro disponível para combatê-la, o gasto com o censo seria economizado em seu favor, mas o Ministro, sem observar nada disto, e fazendo política, atendendo, mais uma vez aos partidos que não tem qualquer força política no congresso, atende aos seus pedidos em detrimento de tudo.

O interessante é que, ao mesmo tempo que o STF  ratifica as atitudes dos  administradores locais no que tange às medidas de restrições, que chegam mesmo a decretar toque de recolher, restrições a liberdade de ir e vir, aplicação de multas, enfim, barbaridades contra o povo, é o mesmo STF que, contraditoriamente, determina que o censo seja realizado, o que significa expor os agentes, que vão trabalhar na pesquisa,  ao Covid, porque  esses agentes vão ter  de entrar  nas casas de todos os brasileiros para fazer as perguntas necessárias, expondo-se e expondo  as famílias. Observemos bem: se um dos agentes estiver contaminado e ele for responsável por vinte ou mais casas por dia, ele poderá transmitir o vírus a, no mínimo, 25 pessoas diferentes, esses, por sua vez, pode contaminar uma quantidade imensa de pessoas, desde a família, aos vizinhos, colegas de trabalho, enfim. Não percebo como um ministro do supremo pode saber mais que um especialista, e, como deuses que estão acima de tudo e todos, resolvem que tem solução para tudo, sem se importar com orçamentos, com planos do governo. Não se preocupam nem um pouco com as metas estabelecidas pelos demais poderes, metas essas que foram estudadas, trabalhadas, acordadas, planejadas. Tiram a autoridade do presidente para, logo depois, cobrarem dele atitudes que eles mesmo impediram, com as suas decisões, que ele tomasse.

Certamente isto vai mudar, precisa mudar: não suportamos mais que esses onze deuses nos imponham o que eles politicamente, acham corretos. Somos uma Nação, temos uma Constituição, que, apesar de ser todos os dias vilipendiada por esses falsos deuses (mais para diabos que deuses), vai prevalecer e, como a chuva que ainda cai neste momento, eliminará este vírus mais maléfico de que o vírus chinês.


domingo, 25 de abril de 2021

Será que estamos falando de Justiça?

 

             Depois de tantas e tantas decisões do STF, decisões quando pouco “esdrúxulas”, comecei a pensar na justiça e lembrei-me do trabalho que fiz sobre a Aplicação da Justiça aos indígenas na colônia de Moçambique, que foi o  tema da minha tese de doutoramento.   À época, tive que recorrer aos arquivos, principalmente o da Assembleia da República, pois tinha que entender os motivos que levaram à criação da lei,


“No
período da discussão das bases da Constituição Política da Monarquia Portuguesa, se pode notar o caos em que se encontrava o país como um todo, e em particular, a justiça. Nas cortes discutia-se a adoção do sistema “tripartite” e o princípio da igualdade de todos os cidadãos perante a lei com a consequente extinção dos privilégios pessoais de foro nas causas. O relatório apresentado por Fernandes Thomaz, na sessão da Cortes Constituintes dos dias 2 e 5 de fevereiro de 1821 solicitava que uma medida urgente fosse tomada em relação à administração da justiça, tendo em vista a situação de escândalo em que ela vivia:[1]

[...], Mas vós não ignorais, Senhores, que o meio de conservar o povo em socego He administrar rectamente a justiça. O poder da lei He o único poder respeitável porque delle vem toda a auctoridade do governo, a sua força e segurança.

Em Portugal o arbítrio dictava muitas vezes a decisão do Magistrado, porque elle o podia fazer sem responsabilidade. Nesta ordem há como nas outras grandes abusos, mas nenhuma precisa talvez de ser reformada, nem com mais promptidão, nem com mais cuidado. O escândalo He geral e geral deve ser em conseqüência a satisfação e a emenda [...] com tudo He preciso dar nova forma aos juisos e às instancias: He preciso facilitar por todos os meios e por todos os modos a prompta administração da justiça. Se Ella He indispensável na ordem social para fazer a felicidade do cidadão, porque há de elle vir tão longe buscar a decisão da sua demanda? Porque não há de o fraco achar em seu auxilio contra o despotismo do poderosos a auctoridadeda ley, no mesmo lugar em que Ella foi ofendida.[2]

 

Esta situação de escândalo, de acordo com o deputado Barreto Feio, que apelidava a justiça de “monstro”, residia, segundo ele, no fato dela “tender sempre para a arbitrariedade; e por mais que se procura contela, toma o freio nos dentes, investe contra os mais sagrados direitos do cidadão, roubando a uns a honra, a outros a vida, a outros a propriedade.” [3] 

Ainda na sessão de 03.02.1821 o Senhor Rebello se pronunciava em relação à tripartição dos poderes:

Nos, Senhores, fomos coloccados neste Augusto Congresso para mover o espaço e as balizas que separão o Poder Legislativo e Executivo, a confusão destes poderes foi talvez quem produziu essencialmente desgraças publicas, que fizerão necessária a reunião deste Augusto Congresso. As Cortes tem nomeado uma Regencia para exercer em nome de S. Majestade o Poder Executivo, tem reservado para si o Poder Legislativo e a Suprema Inspecção sobre o Poder Executivo. [4]

Também a Carta de 1826, não foi suficiente para que a estrutura do judiciário fosse modificada, seja na Metrópole, seja no Ultramar, tanto é assim em 1832 foi editada a lei que regulamentava a Justiça Portuguesa. Mouzinho da Silveira, na introdução do Decreto nº 24 de 16 de Maio de 1832 e de dois outros que o acompanhavam, Decretos de 18 de Maio – Reforma da Justiça dos Órfãos e o de 19 do mesmo mês, fixando a competência e o funcionamento do Supremo Tribunal de Justiça, dizia que a separação entre as funções de administrar e julgar foi a maior descoberta do século e, por isso mesmo, urgia a sua observação em Portugal.

E é assim que na introdução do Decreto nº 24 de 16 de Maio de 1832 e de dois outros que o acompanhavam, ele dizia:

Senhor! A mais bela e útil descoberta moral do Seculo passado foi, sem dúvida a differença de administrar, e julgar; […]. Sem tratar precisamente das questões de jurisdição contenciosa, posso dizer com verdade, que entre os Portuguezes nunca foi bem definido, e por isso nunca bem sabido, o que podia fazer um General, e um Juiz; um Eclesiástico, ou um Capitão Mór: attribuições diferentes eram dadas indiferentemente, e sobre o mesmo indivíduo eram acumuladas jurisdicções não só incompativeis, mas destruidoras umas das outras […].[5]

            Mouzinho[6] referia-se à separação de poderes do Estado: Judiciário, Executivo e Legislativo, (art. 30º da Constituição de 1822) [7], e com tal decreto confirmava-se independência do Judiciário português, que passou a ter a seguinte organização: na capital do reino, e com jurisdição em todo o território nacional e no Ultramar, funcionaria o Supremo Tribunal de Justiça dividido em duas secções (civil e criminal), com composição de um presidente e oito conselheiros; nos círculos judiciais (reino e ultramar) haveria um Tribunal de segunda instância formado por um presidente e seis juízes. Os círculos judiciais seriam divididos em comarcas em que funcionaria um Juiz de Direito e os competentes jurados. Cada Comarca compreenderia julgados em que funcionaria um Juiz ordinário, e se os julgados fossem divididos em freguesias, nestas, haveria um juiz de paz. Os membros do Supremo Tribunal, os Juízes da Relação e os de Direito seriam de nomeação governamental, os juízes ordinários e os de paz seriam eleitos. (art. 178º) [8].

Este decreto continha não só normas a respeito do Judiciário, bem como relativas ao Ministério Público, designando as suas competências específicas, e indicando como a sua autoridade máxima o Procurador Geral da Coroa, que funcionaria junto ao Supremo Tribunal de Justiça, seguindo-se-lhe os Procuradores Régios junto às Relações, os delegados do procurador régio junto aos juízes de direito de primeira instância e os subdelegados do procurador régio junto aos juízes ordinários, estabelecendo, ainda, que ao Ministério Público competia: a) representar a sociedade nas causas, principalmente as criminais; b) intervir nos pleitos das pessoas a que o Estado devia proteção; c) funcionar nas questões referentes à fazenda nacional. 

A preocupação de Mouzinho da Silveira em relação às autoridades que administravam a justiça era pelo fato de que essas, muitas vezes, estavam comprometidas com muitas outras situações dentro da província, o que lhes retirava, até mesmo, a própria idoneidade moral para realizar os julgamentos:

 “Era um absurdo que as Camaras dependessem dos Generaes, que os Juizes fossem fornecedores, e que os Eclesiasticos fossem administradores e às vezes Soldados; era absurdo que a lei exigisse dos Magistrados conhecimentos locaes, e ao mesmo tempo os retirasse, quando começavam a adquiri-los; e era absurdo que os Militares chamassem os Julgadores, e os reprehendessem por maus fornecedores; e era absurda tanta cousa, e tanta, que a sua enumeração formaria um livro, e não um Relatório.” [9]”

Vê-se, pois, que a inquietação de Mouzinho tinha razão de ser e a atualidade dessas reocupações continua nos inquietando, aqui, no nosso Brasil.

Pois é,  as citações acima  parecem  atuais, parece que elas estão em discussão, hoje, no nosso Congresso, para que efetivamente  seja cumprido o que determina a Constituição Brasileira, no  que se refere à separação dos poderes. O que vemos acontecendo aqui neste país: o poder Judiciário que deveria ser exatamente o poder do equilíbrio, da completa moralidade, da imparcialidade, vem se amesquinhando a cada dia, cada dia mais político, mais vulnerável aos interesses dos seus componentes, que sequer se acanham em determinar que chefes de outros poderes “lhe obedeçam”. Dão ordens como se estivessem em uma sala de aula tratando com meninos aprendizes.  Onde isto vai chegar não sei, mas há que se tomar uma posição, não dá para continuar assim.

Esta semana que passou, algumas decisões estarreceram a todos:

a)      Determinar que o Presidente da República explique o motivo de tantas ações contra jornalistas:

b)      Ordem para que o Presidente da Câmara informe o motivo pelo qual não dá andamento aos pedidos de impeachment:

c)      Determinando a criação da CPI da Covid no Senado Federal:

d)      Prazos para autoridades aprovarem vacinas:

e)      Anulação de trechos do decreto do Governo em relação s armas:

f)       48 horas para o governo explicar ausência de custeio de leitos de UTI em SP; dentre outras.

 

                Estou desconfiada que os Ministros do Supremo não tem mesmo que fazer, porque se tivessem não estavam, como vem sendo, manipulados pela mídia e por partidos  políticos sem representatividade  no Congresso,  para alcançarem objetivos que jamais conseguiriam  nas devidas casas a que pertencem.

            Quanto pior, assistimos inertes o Supremo dar foro de ilegalidade a atos praticados na maior operação que este país já teve contra a corrupção, livrando o bandido de estimação deles, e mais que isto, oferecendo um espetáculo de parcialidade aos quatro cantos do mundo, pois o julgamento pode ser visto por tantos quantos sintonizassem no canal da TV !, com a mesma desculpa da incompetência.

               Onde estamos? Onde estamos. O Alexandre, querendo tirar leite de pedras, mais uma vez prorroga o Inquérito do Fim do Mundo, atenta contra a moralidade desse país, faz o que quer, virou um DEUS-XERIFE, e nada acontece.

             Acordem senhores senadores, não temais nada, é necessário que a corte volte a ser a Corte Constitucional do País, que ela volte a cumprir a sua finalidade, que é ,através da constituição e do seu cumprimento, salvaguardar os direitos dos brasileiros, manter intacta as suas liberdades, que lhes é assegurada constitucionalmente.

              A Corte tem de voltar a ver o Art. 5 da Constituição Federal e todos os seus Incisos, não pode, ao bel prazer de um Ministro, criar tipos  penais inexistentes no nosso código penal, criar figuras processuais também inexistentes do ordenamento jurídico.  Chega, não aguentamos mais.

            Sim, precisamos da Justiça, como disse o deputado português, é ela que nos assossega, e ela que nos dá a certeza de que o nosso direito será respeitado, se confrontado.  Não podemos viver essa insegurança jurídica que leva à total descrença no judiciário. O que os senhores pensam ministros?  Acham que essas bizarras decisões que estão tomando ajudam a melhorar o pais? Claro que não podem achar isto, vocês estão afastando investimentos, suas decisões estapafúrdias  deixam os nossos investidores de orelha em pé: ninguém em sã consciência  vai  colocar dinheiro neste pais, que tem uma corte que aprova a impunidade, luta em favor dos bandidos, prende jornalistas e deputados, quer amordaçar a mídia que  lhe critica,  apenas e tão somente por isso.  Uma Corte que tem dois pesos e duas medidas, dependendo de quem figure como parte no processo.

            Então o  Ministro Alexandre de  Moraes juntamente com o Ser Toffoli podem abrir “um inquérito”, eles próprios, sem  queixa, sem denúncia do ministério público, enfim, sem a justiça ter sido acionada, mas o presidente da República não pode  acionar os seus detratores, os que lhe ofendendo religiosamente em todas as oportunidades, lhe pecham de “genocida”  de assassino, de irresponsável”, pedindo inclusive explicação sobre o “direito de ação” que é assegurado a todo cidadão, quanto  melhor, ao presidente da República ofendido no exercício das suas  funções.

            Acordem Ministros, que ingerência é essa na nossa Nação! Vocês não estão aí para isto.  Mirem-se no espelho do Deputado Português e entendam para que serve a Justiça, para que aceitamos a divisão tripartite de poderes. Façam a sua parte, parem de incentivar tanta maldade contra um Presidente que, até aqui, não praticou nenhum ato de corrupção, um homem que constantemente lembra que a constituição brasileira é a sua guia, que fala em liberdade, igualdade, que enaltece os princípios morais, a família, a liberdade, a Deus, e tantos outros valores que  são visíveis em cada  um dos seus gestos ou pronunciamentos.

               Se ele dá palavrões, qual o problema? E os erros de português de Lula, a presença em atos solenes visivelmente embriagado, chegando mesmo a aparecer “mijado” em lugares públicos, Que dizer da Dilma “Anta”, nos seus discursos sem pé e sem cabeça.?

                Como aceitar que vocês não permitiram, até o momento, quebrar o sigilo dos telefones do homem que tentou matar o Bolsonaro? Que tipo de brincadeira é esta?  Então o Ministro Alexandre de Moraes, o Xerife, pode mandar entrar na casa de deputado federal após as oito da noite, prender o cidadão, tomar-lhe os celulares e não pode mandar quebrar o sigilo do tal do Adelio? O que ´isto?  Que tipo de proteção com este homem é este? Estão com medo de que? 

               Vocês que aceitam gravações Haqueadas (acho que deve ser assim que escreve”, usando-as para tirar da prisão bandidos, comprovadamente bandidos, criminosos, e estão com desculpas  para  abrir este sigilo.

                 Tomem vergonha, eu se fosse qualquer um de vocês estaria com vergonha de me olhar até no espelho, aliás, vocês próprios se se olhassem mesmo tomariam sustos, porque iriam se vir como realmente vocês são, além de feios na sua grande maioria, poderiam ver as suas áureas negras, querendo, até elas, afastarem-se de vocês.

                 Que vergonha meu Deus! Que vergonha:  e pensar que defendi com unhas e dentes o Judiciário, brigando com tanta gente que duvidava da moralidade, da ética, da correição dos membros do Judiciário, o que fica  muito difícil, senão impossível, quando  um Ministro do Supremo, em alto e bom som, condenando  a operação lava jato, afirma:

“que há avaliações diferentes com relação a esta operação lava jato, há por exemplo um estudo  da Professora Rosa Maria Marques da Pontifícia Universidade de São Paulo (...) que monstra que a Operação provocou um desmantelamento de importantes setores da economia nacional, principalmente a indústria petrolífera (...) (...) este estudo mostra também  que se estima que a Lava Jato retirou cerca de cento e quarenta e dois bilhões da economia  brasileira, ou seja a operação  produziu três vezes mais  prejuízo econômicos do que aquele que ela avalia ter sido desviado com a corrupção, isto fora os milhões de desempregados que esta operação causou (...) (...)ouça as mensagens, o que nos dizem a mensagem, que os procuradores de Curitiba estavam acertando, clandestinamente, negociações com autoridades estrangeiras(..).  podem ser ilícitas Mas enfim foram amplamente veiculadas, e não foram adequadamente contestadas(...)” (grifo nosso)[10]

            Depois de uma declaração dessa que mostra, sem sombra de dúvida de que lado o Julgador parcial está, tão parcial que sugere que era melhor o pais ter ficado, como sempre esteve, no mundo da amoralidade, da ilegalidade, da corrupção, de que se ter descoberto toda a falcatrua em desfavor da economia do país.  Olhe, a única expressão que cabe aqui é: PUTA QUE PARIU!

 

 



[1] MARTINEZ, Esmeralda S.  Uma Justiça Especial para os Indígenas – Aplicação da Justiça em Moçambique (1894-1930), Ed Dialética, Belo Horizonte, Setembro/2020

[2] Diário das Cortes Geraes e Extraordinárias, nº 07 de 05.02.1821, pág. .39

[3] Idem, nº 13, de 12.02.1821, p. 81

[4] Ibidem, nº 05 de 03.02.1821

[5]Collecção de Decretos e Regulamentos publicados durante o Governo da Regência do Reino estabelecida na Ilha Terceira, 1836, p.59

[6]Mouzinho da Silveira. Ministro e Secretário dos Negócios da Fazenda e Interino dos Negócios Eclesisasticos e da Justiça, condição em que editou as portarias acima identificadas que introduizram modificações relevantes no sistema Judiciário Português.

[7] MIRANDA. J. (1976)

[8] Collecção de Decretos e Regulamentos publicados durante o Governo da Regência do Reino estabelecida na Ilha Terceira, 1836, p.59.

[9] Idem.

[10] Parte da fala do Ministro Levandovisky, na sessão Plenária dia 22 de abril de 2021, quando do Julgamento da Suspeição do  Juiz Sergio Mouro.

quarta-feira, 10 de março de 2021

Surpresa !!! - O Supremo ataca outra vez

Ontem dia 09 de março de 2021, um dia escuro e obscuro que nunca será esquecido.  Já estava eu perplexa com o que aconteceu no dia anterior, quando o Ministro Fachin resolveu, após longos anos, acatar o pedido de Lula da Silva, a nossa maior vergonha nacional, e declarar a incompetência do Juiz Sergio Moro para julgar os processos em que ele, o ex presidente, comprovadamente criminoso, foi réu na Lava Jato. Não vou discutir a incompetência, até porque não tem cabimento, o Ser Fachin, que deveria ter se declarado suspeito para quaisquer desses processos por ser reconhecidamente um militante político petista, os vídeos estão aí para quem quiser ver e ouvir, não dá para esconder e nem desdizer o que foi dito, não deveria fazer qualquer julgamento. A Incompetência não existe porque todos os crimes praticados, comprovadamente praticados por Lula e todos seus quadrilheiros, estão fartamente comprovados, e eles estão intrerligados aos crimes que foram apurados e identificados pela Lava Jato em Curitiba não há volta em relação a isto. Todos viram, todos acompanharam, todos os brasileiros tiveram acesso aos depoimentos dos outros condenados que assumiram as suas faltas, porque diante do cabedal de provas não existia nenhum argumento passível de apagar as evidências. O único inocente na história, segundo ele próprio, foi o Lula, que até o momento não explica os bens que possui, a fortuna acumulada por seus filhos, a vida de “empréstimos de amigos”, aliás com as benesses que eles receberam acho até que fizeram pouco, só um sitiozinho, uma reforma em um apartamentinho, um terreninho para o instituto lula, muito pouco, pouco mesmo, para quem foi tão benevolente.  Bom, mas está feito e vamos ter de aguardar que o recurso seja julgado, aliás, espero mesmo que a Procuradoria da República recorra, para que a desmoralização da nossa Justiça não seja maior do que já está. O pior é que o recurso será julgado pelo mesmo Supremo Tribunal Federal, que tem não só esses de quem venho falando, como também: Barroso, Alexandre de Morais. Que Deus realmente nos guarde!

Pois então, após essa decisão do Sr Fachin, o Sr Gilmar Mendes, para não ficar atrás, decide, um dia após, julgar a suspeição do Juiz Sergio Moro, sim, aquele homem que teve a coragem de meter o dedo na maior quadrilha que o Brasil já teve, acho que nenhum outro momento da história do Brasil se viu tanta falcatrua, tanto desvio de dinheiro, tanta canalhice, roubalheira, enriquecimento sem causa, prevaricação. O maior toma lá da cá da história poderia terminar com a atuação honesta do Judiciário.  Parcialidade? Por que parcialidade? Por que o Juiz da causa falava com os procuradores que estavam no caso e participavam de todos os atos processuais, aliás, obrigatoriamente por dever de ofício? Por que deixou o Judiciário para participar do Governo do País, por que foi convidado pelo Presidente atual para ser Ministro da Justiça? Sabemos, hoje, que o Bolsonaro não fez a melhor escolha, realmente não fez, os fatos ocorridos falam por si só, mas daí a dizer que o Juiz à época agiu com parcialidade para prejudicar o “santo Lula”, vá a porra, é querer mesmo tampar o sol com a peneira.  Quem deveria estar sendo, no momento afastado desse julgamento estaparfúdio, porque o recurso devia ter morrido no nascedouro, eram os Senhores Gilmar Mendes e o Levandovisky, esse último que teve a “gloriosa” participação no impeachment de Dilma, quando  atropelando a Constituição Brasileira, criou norma  contrária a mesma, para  deixar a Dilma com os direitos políticos preservados depois de um processo de impeachment! Esse sim, também mais um parcial, aliás cumprindo devidamente o seu papel, pois afinal ele é ministro graças à intervenção da vizinha Dona Mariza, segundo às más línguas, que pediu a Lula para que ele fosse Ministro do Supremo Tribunal Federal, acreditem gente, é por aí. Como uma pessoa que tem uma intimidade dessa com uma família pode julgar processo em que um dos membros da família é parte.  Impossível, mas ele não esconde não, faz questão de declarar publicamente o seu agradecimento sem qualquer constrangimento. Quando um homem chega a dizer que Lula foi tratado pior que um animal quando foi preso, puta que pariu! Ainda bem que a televisão estava lá e mostrou a todos os brasileiros, petistas ou não, como o Senhor Lula da Silva àquela altura CONDENADO, usou politicamente a sua prisão, fez comício, ficou bêbado, fez a polícia federal de imbecil, lembrem-se que eles tiveram de aguardar horas para que, o bêbado, o condenado, quisesse “se entregar”. A palhaçada foi enorme. Eu chego a achar que eles (os ministros) estão com problemas mentais causados pela “velhice”, preciso acreditar nisso.  Pois é, os parciais não se deram por suspeitos e “descaradamente” na presença de milhões de brasileiros, querem desconstituir uma sentença processualmente, sim processualmente , porque os fatos já não podem voltar atrás, estão comprovados, e ainda que eles consigam o seus intentos, o que não acredito, pois deve haver alguma dignidade e imparcialidade aliada à moralidade e responsabilidade  ao Ministro Castro Nunes, não porque ele foi indicado pelo Bolsonaro,  e sim porque ele foi Juiz de Tribunal que já julgou alguns processos da lava jato, e sabe, perfeitamente, que o Superior Tribunal de Justiça , apesar de provocado pelo condenado Lula, afastou tanto a suspeição quanto a incompetência, aliás, ambas também  afastadas  no Supremo Tribunal Federal, esse mesmo que agora, por uma de suas turmas que se desdizer, se auto desmoralizar, colocar o nosso pais  no rank dos piores do mundo quando se trata de aplicação da justiça.  O Senhor Gilmar, para quem não sabe é dono de uma escola de direito: Como serão os advogados formados por essa escola?  O que serão eles capazes de fazer com tamanho exemplo de parcialidade, de canalhice, de amoralidade?  A OAB devia tomar uma providência, mas com ela não se pode contar, porque o seu presidente é, também, parcial quando se trata do Sr Lula da Silva; pois não é que o homem em todos os seus discursos, que deviam ser proibidos, não esconde a sua ideologia. Não precisamos disso nesse país, o presente da OAB tem de defender os interesses do país, dos advogados, dos direitos humanos.  Faz exatamente ao contrário.  Pois é, falei em direitos humanos e isso me faz lembrar exatamente que essas decisões dos ministros do supremo desrespeitam os direitos humanos, porque o que fizeram os participantes da quadrilha comandada pelo ex presidente senão atentar contra os nossos direitos humanos, nosso direito à educação, saúde, habitação, dignidade?  Com o dinheiro que eles surrupiaram do país, eu   eles desviaram para os seus próprios bolsos, quantas crianças estariam com a sua educação assegurada, quantas unidades de saúde poderiam ter sido feitas, quantas e quantas casas poderiam ter sido construídas?  Como justificar esse desvio e esse atentado contra as nossas vidas.  Chamam o   Bolsonaro de genocida, não sei bem qual a razão, porque nada que eles falam me levam a encontrar no presidente este qualificativo.  A Saúde está um caos porque esse país resolveu que era melhor fazer estádios de que escolas e hospitais, porque para imagem do Brasil no exterior era muito importante que o país sediasse os dois eventos: a copa do mundo e as olimpíadas, pois então: quem na verdade é genocida, quem está lutando para moralizar esse país, ou quem, para favorecer aos afilhados distribuiu as obras para esses dois eventos com as construtoras que pagaram as grandes propinas a quem os favoreceu com essas obras? Olhe! me façam uma garapa. Pois bem, o processo esteve com vistas com o Senhor Gilmar Mendes por dois anos.  Os votos de Fachin e da Ministra Carmem Lucia já estão no processo há dois anos, mas o senhor Gilmar Mendes vem agora, e coloca em pauta num momento em que se discute exatamente quem será o candidato do PT à presidência da República. Quer mais parcialidade de que essa?  O homem quer fazer Lula participar da corrida eleitoral novamente, nós, que já estávamos pensando que estávamos livres da maior quadrilha existente nesse país, nos vemos agora na eminência de ter de engolir o bêbado com a sua voz nojenta, com seu aspecto asqueroso, com sua cara de porco nas telas das tvs. Não merecemos isso, não merecemos ver esse homem fazer-se de vítima diante de uma sociedade que foi martirizada, espoliada, vilipendiada, desrespeitada por ele mesmo e sua quadrilha.  Não podemos permitir isso, temos literalmente de lutar pelos nossos direitos, e um deles é esse: ver afastado da vida nacional política os ladrões, os corruptos, os meliantes.  Estou atônita, incrédula, perplexa. Por que o Senhor Gilmar Mendes não colocou em pauta isso antes?  Medo?  Talvez, porque em dia normal, sem pandemia, ou melhor, sem lockdown preparado exatamente para que manifestações não ocorram, ele talvez tivesse de viver para sempre no seu gabinete. A multidão não ia deixá-lo sair, com certeza Esses dois homens estão afrontando a sociedade inteira, estão desmoralizando o país.

Em nenhum momento eles pensaram na sociedade brasileira,  o que eles tem obrigação de proteger, porque antes de qualquer satisfação a quem quer que seja, eles precisam respeitar o povo, eles só existem porque o povo existe, mas eles, por causa de uma porção de apaniguados  recíprocos, esquecem a sua verdadeira função, que é proteger o povo brasileiro  das ameaças e das ofensas aos seus direitos constitucionais, que só podem ser garantidos  quando cada poder cumpre a sua obrigação, um fiscalizando o outro, para que  a república  exista, continue sendo respeitada e o estado de direito  não seja lamentavelmente  ofendido, vilipendiado, como estamos vendo com todas as decisões  dos senhores ministros do STF, que se arvoram  a donos do Brasil fazendo  da nossa corte constitucional um palco de horrores e vaidades e um palanque político.

Pois é, os senhores ministros resolveram afastar a pecha de “acovardados”, com a qual foram contemplados pelo mesmo homem que julgam, agora, ter sido vítima da justiça praticada por um homem que não se acovardou diante de todas as pressões e constrangimentos que passou, enquanto dirigia a maior limpeza moral feita nesse país.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

O Supremo do Supremo

 Estou aqui em plena polemica envolvendo o deputado que “ofendeu” o Supremo Tribunal Federal. Estou atônita.  Deixei de advogar e de judicar há muito tempo, mas não o suficiente para esquecer os direitos do cidadão contidos na Constituição da República do Brasil, tampouco as prerrogativas da magistratura e as imunidades parlamentares.

Vi o que o homem falou: sim ele foi infeliz na maneira, mas, as suas críticas ao Supremo, têm toda a razão.  O Supremo Federal que devia estar fazendo o seu trabalho, que é guardar e impedir que a Constituição e os direitos constitucionais do cidadão sejam violados, agora virou o tribunal dos melindres, da politicagem, o extremo da vaidade.

Então aquele que não cumpre a sua obrigação, que está a todo  julgamento vilipendiando a Constituição Brasileira ao bel prazer de cada um dos seus ministros, não pode ouvir as críticas da população, dos representantes dela?  Quem são vocês ministros? Vocês são os guardiões do povo, porque a quem vocês têm primeiro de atender é ao povo deste país, que, inclusive, se vocês não lembram, pagam os seus salários e todas as mordomias que vocês criaram para si próprios.

Como vocês podem dormir tranquilos fazendo tantas bobagens, acabando com a o Estado de Direito que vocês teriam obrigação de proteger.  Como vocês podem explicar tamanha violência contra “a palavra”. Quer dizer que agora vamos ter que ouvir e ver as misérias todas que vocês estão fazendo e nada fazer?  Não podemos comentar nada?   Os jornalistas estão podados de exercer a profissão?  Que é isto ministros? Onde vocês pensam que estão ou o que pensam que são?

É triste, muito triste mesmo, ver essa fogueira das vaidades. O Careca, este então, confirmando o que a sua própria aparência sugere, está com alguma dificuldade mental, algum transtorno, porque com certeza pensa que é Deus e que todos tem de se curvar às suas vontades, além de auto contrariar-se, vide o que escreveu a respeito da imunidade parlamentar no seu livro , e o que fez agora..

O beiçola, outro que parece ter saído do Inferno de Dante, com aquela beiçola pendente: aqui tenho de abrir um parêntesis para concordar com o Delicado, o homem parece ter ódio da humanidade, mas deve ser o fato de acordar todo os dias e olhar para si próprio. Tem de estar sempre de mau humor mesmo. Dizem que ele tem de retribuir todos os favores recebidos na era petista, portanto, se explica que ele defenda (olhe o termo) defenda de todas as maneiras os delinquentes, criminosos, condenados, e ainda tenha a petulância de soltá-los.  Penso que o ex governador do Rio de Janeiro não lhe proporcionou nada, porque se o tivesse feito, apesar de tantas provas e de tantas condenações, já estaria fora da cadeia, como estão o ex presidente, o ex chefe da casa civil, dentre tantos outros que foram libertados, ao repúdio da sociedade brasileira, por este senhor muito mal humorado, que ainda teve a ousadia de dizer que a lava jato acabou com o país. Puta merda, este é um atestado de que ele está do lado dos corruptos, dos ladrões, dos criminosos. Que diabo é isto?  Então o país devia ficar como estava?  A corrupção comendo no centro, nosso dinheiro sendo desviado de todas as maneiras possíveis, a pobreza se alastrando cada vez mais, e este homem tem a coragem de dizer uma merda desta.

O parente de russo, que depois do arranjo “inconstitucional” para julgar um impeachment permitindo que o impitimado conservasse os seus direitos políticos, perdeu qualquer   pedaço mínimo de moral que algum dia teve. Ultimamente percebemos, com todas as informações que vieram à conhecimento público, a razão: era  vizinho da primeira-dama, coitadinho, tinha de ser ajudado de alguma maneira, e o foi virando, por vontade da vendedora de Avon, ministro do supremo tribunal federal.

O outro com cara de bebê chorão, que de bebê não tem nada, e que ainda não explicou aquela licença por ter tomado um escorregão em casa, penso eu que aquela queda foi whisky a mais para esquecer das merdas que fez durante todo o período em que militou, seja como advogado do PT, seja como Ministro do PT no Supremo.  

Apesar de não concordar, de maneira alguma, que a escolha do Ministro seja feita para que este vote a favor do governo, isto seria a negação suprema do supremo, inclusive acho que a imprensa deveria parar de fazer este tipo de ilação, porque apesar de estarmos vendo o que estamos, não podemos aceitar como verdadeiro e nem como normal esta história do presidente da república escolher pessoas que votarão a seu favor, ou a favor do governo em caso de necessidade.  O Judiciário não deveria se prestar a este papel, o Judiciário dá razão a quem tem, àquele que está acobertado pela lei. Não há interpretação diferente, é assim, foi criado para esta finalidade, e eles não podem esquecer disto jamais.  Tudo isto é para dizer que a cara quadrada de bobão, idiotamente, ou “inteligentemente”, também resolveu rasgar a Constituição Brasileira em um caso de uma clarividência colossal: o da reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado. Ah sim, um detalhe! Esse já foi escolhido pelo atual presidente e também votou a favor da prisão do deputado.

O Delicado, com tanto esmero na sua apresentação e no gestual, também resolveu, em nome de um “ativismo jurídico”, criar novas normas, normas essas feitas por si próprio, à pretexto de estar interpretando a constituição brasileira. Olhe que sou de acordo com a adequação das normas à época, entendo que a mudança dos costumes sugere que a aplicação da lei seja atenuada até flexibilizada, mas criar uma nova norma ao bel prazer da sua interpretação passa um pouco dos limites. Acorda Ministro, cai aí do seu pedestal, lembra que você foi advogado de marginal. Até hoje a Itália não perdoa.

E o do Paraná. Sabe que até acreditei que este homem seria um contra peso dentro desse tribunal!  Quando lhe foi presenteada a Lava Jato, que tanto fez por este país, achei que era a mão certa para a causa certa. O que ele fez: ajudou mesmo a colocar a operação no buraco. Tanto fez e tanto fizeram que acabaram por acabar a operação. Sei que a Polícia Federal não vai se intimidar, mas o que foi feito pelo Supremo e pela PGR não tem cabimento.  Podemos aqui observar claramente que, quando os interesses envolvidos se misturam com os interesses pessoais, os pessoais acabam por triunfar sobre os interesses legítimos da população brasileira, que quer se ver livre de tanta corrupção, de tantos desmandos.

As mulheres, ah as mulheres desse Superior Tribunal Federal! Como gostaria de defende—las, mas é impossível ,quando me vejo diante do corporativismo imbecil que referendou a prisão do deputado.  Me incomoda a Irmã do vampiro, que sei ser uma pessoa de um saber sem medidas, concordar com uma agressão desta, tampouco gosto da sua posição política declaradamente contra a presidência da república. (ainda que pessoalmente ela seja contra, não pode confundir  a sua ideologia para  fazer declarações  notadamente contrarias aos atos do governo, quanto pior, enquanto Ministra do Supremo). Juiz tem de falar é nos autos do processo. A outra perfumada gosta da coletividade, não se cansa de dizer isto, e, talvez para não melindrar os seus pares, cai também na bobagem de ratificar uma decisão de um doente da cabeça, que se diz professor de direito constitucional, possivelmente da Venezuela, aliás, da ditadura de direita, cacete, como eles são bons em criar conceitos.  Porra se é ditadura, é ditadura, nem de esquerda e nem de direita, é uma ditadura e ponto final. É um regime onde todas as liberdades são caçadas, onde o povo não tem voz em momento algum, e quem ousa ir contra ao que está  estabelecido ou morre, ou vai preso.

Falta quem agora? O pimpão. O pimpão preocupadíssimo com sua aparência, nunca vi um cabelo tão bem penteado, impecável como diria minha amiga Vera. O homem até que tem um grande cabedal de saber, mas, sucumbe diante de tantos outros medíocres como fez ontem. Se ele, tivesse mais um pouco de coragem, teria chamado o feito a ordem, ou seja: teria lembrado a todos os ministros anteriores que votaram, que eles estavam ali e estão ali para cuidar que a constituição seja cumprida,  para que ela não seja violada, entretanto, referendou uma ilegalidade.

Sinceramente, acho mesmo que o deputado extrapolou na palavra, mas isto não dá o direito ao Senhor Careca de mandar prendê-lo. Aliás o homem gosta de mandar prender.  Gosta tanto que até expede “mandado de prisão em flagrante”, O flagrante é tão flagrante que não dá tempo de se expedir mandado ministro, ou é flagrante (no momento ou nos casos estabelecidos na lei) ou não é. Não se forja um flagrante para mandar prender um membro do parlamento.

É muito triste mesmo. Lembrem senhores Ministros, vocês têm obrigação de defender o povo, o povo aceitou a criação de um Supremo Tribunal federal exatamente para ver os seus direitos sendo defendidos quando violados, não para que o Supremo vire um tribunal de exceção, julgando politicamente o que acha conveniente e em favor de interesses outros que não o do POVO.

Gente, tive de voltar ao texto para fazer justiça ao ministro que esqueci, o agora mais velho na casa, aquele que tem um ovo quente na boca. Pois, não é que o homem, que disse que o inquérito do fim do mundo, aquele que inclusive indicia o próprio, salvo engano, deputado ora preso ilegalmente,  se contradiz todo ao ratificar  a prisão do deputado, sem qualquer ressalva. Não ouvi, mas,  algumas reportagens estão informando, que ele, esse ministro  cujo ovo quente anda sempre na boca, o protótipo da prepotência , disse que tudo foi armado  para que todos confirmassem a decisão  do doente, do tipo lombrosiano, que decretou, de oficio, a prisão. Vá entender uma porra dessa!    

Não adianta dizer que estou errada, não estou não:  quando vocês em menos de um ano  disseram que  quem deveria  tratar da "covid" nos municípios e nos estados eram os prefeitos e governadores, tirando toda e qualquer  competência do governo federal, certamente  não sabiam mesmo o que estavam julgando, o que vocês queriam era tirar poder do Presidente, coloca-lo a margem da gestão do país, pois bem, agora  é este mesmo supremo que tirou os a competência do governo  federal que está  cobrando do Ministro da Saúde(governo federal)  a responsabilidade de tudo o que está acontecendo no Amazonas. Ora faça-me o favor ministros, o que é isto? Sei que vocês querem chegar ao Presidente, mas tenham o mínimo de vergonha e bom senso e um pouco de memória.

Durmam com está senhores ministros (a letra minúscula e proposital). O povo está clamando por justiça, por direitos, por ver as suas garantias constitucionais defendidas e a sua Constituição cumprida.

 

domingo, 7 de fevereiro de 2021

O pozinho dourado - LINDLEY V

Vocês não vão acreditar no que aconteceu com o Lindley!  Passando pelo que estava passando na cadeia em razão de uma acusação de contrabando de pau brasil, que, efetivamente, não existiu, agora acharam que ele também tinha comprado, ilegalmente ouro a situação ficara mesmo complicada, imagine se isto fosse mesmo verdade, aí o inglês jamais sairia do Brasil.

Mas vejamos como começou esta estória do ouro

Por ocasião do apresamento o do navio, a Comissão encontrou um embrulho em cima da minha mesa de trabalho, contendo pequena quantidade de ouro em granetes, de mistura com areia côr de ouro, que fora trazido por um morador de Pôrto Seguro. Isso despertou-lhes forte curiosidade, e eu fui interrogado cerradamente a respeito do assunto. Não fiz segredo algum da fonte de onde obtivera a amostra, mas declarei ignorar o nome e a residência do indivíduo de quem a recebera, embora acreditasse que fosse de uma povoação distante. A Comissão declarou-se disposta a descobrir o homem insistiu em que eu empreendesse com ela uma viagem nesse propósito. Não levantei qualquer objeção (sabendo que seria inútil), mas certo de que nada lhes adiantaria se acaso encontrássemos o pobre diabo, o que, afortunadamente, não aconteceu. Era noite, o intérprete veio informar-me de que eu teria de acompanhar o desembargador e as demais pessoas, na manhã seguinte, devendo estar pronto antes das cinco horas. (LINDLEY: 39).[1]

Vejam bem o que o homem diz: “fui interrogado cerradamente a respeito do assunto”, o que se compreende mesmo. Os portugueses não podiam ouvir falar em ouro, pedras preciosas, qualquer coisa que tivesse muito valor, que eles ficavam doidinhos, e não iria ser diferente com este achado no navio do inglês.  Eles ficavam tão doidos que pareciam obnubilados. Imagine sair atrás de alguém que ninguém sabia quem era, nem onde morava ou podia ser localizado para que a pessoa dissesse onde tinha encontrado aquele “ouro”.

Bom o fato é que, obnubilados ou não, foram eles juntamente com o inglês, que como ele mesmo disse, não teve qualquer opção, pois de nada adiantaria se recusar a acompanhá-los para procurar o dito homem.

A ânsia era tanto que marcaram para cinco horas do amanhã. Observe-se a comitiva que ia nessa empreitada: “o desembargador” fazia parte dela. Explique-me o motivo do desembargador deixar as suas funções para ir atrás de um homem desconhecido que ofereceu   ouro em pó ao inglês. 

O estrangeiro, com certeza, sabia do insucesso dessa busca, mas ele não decidia nada, só tinha de obedecer, e assim, á hora marcada lá se vai LINDLEY juntamente com a comitiva.

Para ele, na verdade, aquilo funcionaria como um passeio, uma oportunidade de sair da cela onde ficava com a sua esposa, essa coitada, é que ficava mesmo dentro do quarto arranjado para o casal, depois que eles saíram da podridão dos porões da masmorra. Imaginem bem o padecimento dessa senhora, uma inglesa, que teve dinheiro suficiente para ela e o marido terem uma nau, na qual tinham os seus aposentos compatíveis com o status que tinham, possuindo empregados etc., etc., se vir agora dentro de quatro paredes, sem poder sair, com uma ventilação péssima, cercada de pessoas desconhecidas: não, essa não era uma boa vida para aquela senhora, que pasmem, até o momento não sei o nome, porque nunca vi nos escritos do inglês.

Lá se vão aqueles homens, que seguiram pela praia em direção ao sul, e Lindley relata: depois “de uma hora de marcha, voltamo-nos abruptamente parra o Oeste terra adentro, e subindo por uma íngreme encosta, em breve chegamos à capela de Nossa Senhora da Ajuda, que fica no alto” (IBDEM;39-40)

Tenho de concordar com o que Lindley diz sobre o que estava vendo dali daquele alto, penso que todos os visitantes que chegam até a Igreja de Nossa Senhora da Ajuda em Porto Seguro, ainda hoje tem o mesmo deslumbramento. “A paisagem que daí se descortina é de fato grandiosa, abrangendo não só a região em torno, como também o oceano adjacente, ao qual os muros brancos da capela formam excelente balisa. “(IBDEM, IDEM;40)

Segue ele descrevendo aquele encantador lugar, que, como disse, ainda hoje impressiona qualquer dos visitantes, e fala especialmente da Santa que ele diz ser “especialmente invocada pelos navios e barcos pesqueiros das costas vizinhas em caso de perigo ou de ventos contrários. Sua fama estende-se até mesmo à cura de vários padecimentos, desde que invocada com a devida fé. O interior do edifício é decorado com desenhos grotescos de navios em apuros, quartos de enfermos etc., havendo legendas debaixo de cada um, relativas aos diferentes episódios que pretendem comemorar (IDEM).

Seguindo viagem, após, segundo ele, comerem biscoitos e beber a água do vigário da Igreja, eles passaram por diversas lavouras e engenhos, e até arrumaram um guia em um deles.  Me pergunto, um guia índio? Para que um guia? Se você não sabia mesmo o que estava procurando.

Observe-se bem o que Lindley fala, estamos no ano de 1802 e na região havia lavouras e engenhos, a terra parecia ao inglês muito boa, banhada por rios e se bem cultivado, segundo ele, ali daria espaço para grandes pradarias.

Entretanto passados esses espaços, eles seguiram por uma mata, que segundo o inglês só dava para a passagem de um cavalo por vez (IDEM pág. 40) assim mesmo cada cavalheiro tinha de se livrar das ramagens. Fizeram-nos esta marcha por quase duas horas, e depois desse tempo deram, outra vez com uma paisagem aberta, vislumbrando-se lavouras de mandioca, cana de açúcar e outras pequenas culturas.

A viagem continua entre morros altos e baixos, a comitiva segue sem grande sucesso, até encontrarem o engenho[2] e fazenda do Sr.  João Furtado, que era um senhor de 70 anos, solteiro que vivia com uma irmã solteirona.  Procurando saber da vida desse senhor, Lindley soube que ele era nascido ali mesmo na região, que teve uma vida de trabalho intensa, e que ele mesmo, com suas próprias mãos é que fez os móveis da casa. Também o senhor demonstrou muito conhecimento a respeito da fauna da região e o inglês, se estivesse em outra condição, teria ficado mais tempo naquele espaço, para aprender mais detalhes da terra.

Lindley descreve o funcionamento do engenho, conforme se observa na nota anterior, e faz comparações mentais com os engenhos dos quais ele tinha conhecimento nas Índias Ocidentais, para caracterizá-lo como primitivo.

Bom o fato é que ali apearam, ali dormiram, mas, apesar de ser bem tratado e dizer que ficou surpreso com as acomodações, não deixou de dizer que tiveram de comer no chão, onde colocou-se algumas esteiras, forradas com uma toalha. Havia louças suficientes para todos como também facas e garfos.

Lindely diz que dormiu bem em acomodações limas e em camas confortáveis, e que ao amanhecer viu muitos pássaros, ficando impressionado com o ““mutum” que disse ser vistoso, de um azul profundo, que se aproxima do negro, tendo a cabeça e os olhos de notável beleza IDEM pg.42)

Seguiram até Villa Verde, onde existia apenas uma aldeia de missionários, mas nada foi encontrado, e tiveram de regressar, como se diria “com a cara mexendo e os olhos rodando” kkkkk, Empreitada inútil. O tal dono do ouro jamais foi encontrado, somente a ambição, a ganância dos portugueses justificava aquela busca sem destino certo.

Todavia, a história de Lindley no cativeiro continua, e depois conto mais, após voltar no tempo e tomar um “caldo de cana” daqueles feitos naquelas geringonças primitivas espalhadas pelas ruas do nosso Nordeste, no meu caso, especificamente em Salvador da Bahia, ou, melhor ainda, tomar uma genuína cachaça brasileira com caju e sal. Que tal?



[1] LINDLEY, Thomas. Narrativa de uma Viagem ao Brasil, Londres 1805, tradução de Thomas Newland Neto, 1969, SP, Brasiliana, Vol. 143

[2] A palavra engenho é o termo português que caracteriza as terras que possuíam fábrica de açúcar. O que vemos aqui é muito simples, consistindo em três cilindros de pesada madeira, de dois pés de diâmetro por três de comprido, os quais giram horizontalmente, numa armação. A parte superior do cilindro central articula-se com uma viga que sobe pelo ar sendo nela fixadas peças transversais suficientemente baixas para nelas serem atrelados dois cavalos, que fazem mover o conjunto. Os cilindros laterais trabalham por meio de uma engrenagem que os liga ao central. Debaixo dessa máquina existe um cocho comprido inclinado, pronto a receber o caldo da cana comprimida pelos cilindros. Esse caldo é transportado para um caldeirão raso de seis pés de diâmetro, onde são escumadas todas as impurezas. Depois de esfriar noutra vasilha, adiciona-se-lhe um álcool de cinzas de madeira, deixa-se que a mistura assente por alguns dias e decanta-se o líquido puro levado então para uma caldeira para evaporar-se até formar o açúcar. O sedimento é destilado, produzindo forte aguardente. LINDLEY,1805:41)