terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Sabatinagem ou Sabotinagem

Hoje o dia está propicio a reflexão. Penso em ficar recolhida meditando, escrevendo ou apenas, pensando na minha própria vida e história, no entanto olho o meu cabelo e ele está  com toda a raiz branco e resolvo então que o melhor é pintar o cabelo.
Pego o carro e vou efetivamente pintar o cabelo, no caminho vou refletindo exatamente no fato de ter decidido, ao invés de fazer a minha introspecção,  ir esconder o passar do tempo, que já se apresenta, muito bem apresentável, em mim.

Já pensei em deixar o cabelo grisalhar por inteiro, no entanto, para que isto seja possível vou ter cortá-lo, o que não vou fazer, entretanto, não vou deixar a impressão de que sou desleixada, pois,  quando a raiz começa a crescer e os fios brancos aparecem, a pessoa fica com cara de suja, pelo menos é assim que acho.
Esqueço, por algum tempo, da vontade de ficar comigo e dentro de mim, divirto-me um pouco e quando tudo acaba, volto para casa e lembro que hoje é a sabatina do Alexandre de Moraes.
Já peguei a sabatina mais de que na sua metade, mas tempo suficiente para ver a mediocridade dos componentes da Comissão de Constituição e Justiça. Imagine que um senador de Pernambuco, em tom para lá de jocoso, pergunta ao sabatinado  se ele continuaria a “aparecer”  como o faz  enquanto Ministro do Governo, uma vez que ele vai substituir um Ministro do Supremo que tinha um estilo exatamente contrário. Realmente, eu jamais submeter-me-ia a uma sabatina desta, porque se o fizesse, naturalmente  não teria tanta paciência e tanta postura como o está fazendo o  sabatinado.
Como resposta a esta medíocre pergunta, o sabatinado  elegantemente respondeu, aliás como seria normal, que cada um tem o seu próprio estilo, mas que  há uma grande diferença entre ser Ministro do Estado e Ministro do Supremo.
Perfeita a resposta. Um Ministro de Estado, gostando ele de luzes da ribalta ou não, tem de falar ao público em todos os momentos em que for convocado para tal, seja para esclarecimentos pela imprensa, seja  aos seus próprios pares, seja  em  plenário  do Congresso Nacional, enfim, o homem tem obrigação de esclarecer todos os pontos do seu Ministério. Ao contrário, enquanto Ministro do Supremo, portanto  na condição de magistrado, há que se impor um silêncio, porque, ao contrário do que ocorre com alguns dos membros do Judiciário, principalmente dois dos ministros do Supremo, que adoram opinar e falar, até mesmo das decisões proferidas pela Corte, ou pelos seus pares, não pode pronunciar-se sob os casos que estão sob sua responsabilidade.
Vejo a insistência dos senadores  para  que o sabatinado dê sua opinião sobre a lava jato, ou seja  todos com o “u” no ponto querendo, de logo saber qual a opinião dele, colocando cascas de bananas para ele escorregar e, quando lá estiver, porque sem dúvida ele vai ser aprovado,  para depois  criticar o homem  na sua atuação  enquanto Ministro.
Não satisfeito o Senador das bandas da Amazônia, insiste  na estória do plagio, em que acusam o sabatinado de ter feito uma citação inteira em um de seus livros, que não está aspiada, e que reproduz texto de um autor espanhol. O homem tem uma obra imensa em Direito Constitucional, Penal, e um trecho de uma obra, que é um passagem de um acordão do tribunal espanhol, ou seja, uma decisão que é de domínio público, não há como ser discutido o plagio, pois se assim o fosse, certamente o plagiado já teria acionado o Sr. Alexandre de Morais. O argumento para a insistência é que, isto pode não ser um caso penal, mas é uma falha acadêmica, e o fato de não ser observada  as normas da ABNT. Tenha santa paciência, então o homem que é um acadêmico, que teve a sua tese aprovada, etc. etc., pode mais ser questionado por um senador, que, salvo engano, não seria o mais indicado para corrigir um trabalho acadêmico.
Uma outra senadora, do nordeste, gaguejava tanto, que não sei como o sabatinado conseguiu acompanhar o raciocínio dela, eu não consegui, sinceramente.
A plastificado do Norte, sempre querendo tingir a pessoa, o cidadão na sua honra, insistia que o sabatinado tinha recebido alguns milhões quando ele era advogado.
Aécio Neves   faz uma crítica aos seus pares, pois ele diz exatamente que  as perguntas não estão direcionadas ao que interessa, que é saber  do conhecimento do sabatinado, uma vez que o que se deve ter em mente é se o sabatinado tem “notável saber jurídico” pois é isto que determina a Constituição da República.
Tenho que concordar com o Aécio, os partidos de esquerda estão todos pouco preocupados com o saber jurídico do sabatinado, e sim em tentar “avacalhar” o cidadão que ali está, desconstituir toda uma carreira, enfim, tirar todo o mérito do indicado.
A pergunta feita por Aécio, e esta completamente pertinente, sobre a independência dos poderes e a as funções de cada um isto em relação ao ativismo. A resposta do sabatinado nos traz a síndrome de efetividade das normas constitucionais, que trata exatamente de alguns direitos fundamentais que precisam de uma lei para que se tornem efetivos para que eles sejam exercidos, e esta lei, pela inercia de quem tem o dever de fazê-lo, há que, em sendo  acionado o Judiciário, ter este de sede pronunciar sobre tais pedidos, sobre estas lacunas.
Continuo assistindo a entrevista, e já não sei como este homem está aguentando, isto já dura há umas seis ou sete horas.
Todavia, pior de que tudo que está acontecendo, estamos vendo uma sessão que está sendo presidida pelo Senador Lobão. Um parêntesis: Coitados dos lobos, certamente não gostariam de parecer-se, ou quiçá, ser comparados, com a figura do presidente dessa Comissão, que, se vergonha tivesse, não presidiria nem a sessão, tampouco a própria Comissão. Uma vergonha completa para o país.
Ainda não vi o Jucá, fico pensando se ele fizer parte da Comissão qual será pergunta que ele vai fazer. Sim, porque quem diz que decisões de juízes e do Ministério Público é um “surubão seletivo”, tenha santa paciência. Bem verdade que para um “surubão”, sem dúvida algum, há de escolher e bem os parceiros, ou seja: tem-se que selecionar, mas, aplicar tal substantivo  a coisas tão sérias depõe contra o Senador, que está somente preocupado em livrar a sua cara e dos seus parceiros das consequências penais dos atos ilegais praticados.
Depois de seis horas há que se fazer um intervalo; pois não é que a senadora Glacy Hoffman diz que não abre mão pois a vez é dela! Sinceramente, ela pode se levantar a qualquer hora, mas quem está sendo sabatinando não, ai a questão é humana, pois todos nós temos necessidades físicas e com sabatinado não seria diferente.   O fato é que a sessão prossegue com mais idiotices. E lá vem o impeachment  e todos os questionamentos relativos  a ele, incluindo  se dar, de logo, o ministro como “suspeito” para  julgar no supremo o recurso do impeachment  e todos os casos da lava jato.  Ou seja; mais uma vez o carro está adiante dos bois, o homem ainda nem chegou lá e já vai, se for o caso de aprovação, entrar como suspeito ou impedido de funcionar em tais processos.
Cansei, vou continuar a ver a transmissão e depois, certamente, a Globo ou qualquer outra rede, fará as elucubrações todas que cabeças ”pensantes” dos jornalistas queiram fazer, principalmente sobre a parcialidade do sabatinado, pois para eles, na sua grande maioria, o Ministro está entrando no Supremo para ajudar nas causas em que o PMDB e o governo, no geral, sejam partes. Acho muito perigosas estas ilações:  se eu sabatinado fosse, entraria com uma ação de indenização por danos morais, sinceramente.
Detalhe, até aqui o candidato a Ministro tem se colocado muito bem nas questões jurídicas que alguns lhe colocaram, nas que ele realmente demonstra o “seu notável saber jurídico”, e não só, dando as respostas adequadas `àqueles que tentam denegrir a sua imagem e lhe colocar em “saia justa”.