domingo, 27 de maio de 2012

Uma certa tarde de sábado

Com todos os problemas acontecendo e ela estava sorrindo, sorrindo não: rindo, dando verdadeiras gargalhadas. Os olhos também sorriam, era uma bela cena. Via a felicidade daquela mãe  sentada ouvindo os seus filhos falarem das suas experiências sexuais. Logicamente os dois devem ter floreado um pouco, mas que foi muito interessante ver e ouvir aquelas estórias dos dois, isto lá foi..
O mais novo, que tem uns olhos lindos, é mais safado, pelo menos é o que transparece. Tem dezoito anos. O Outro, parece ser  mais sério, no entanto, naquele dia mostrava-se completamente à vontade e falava muito, tem uns vinte anos  e um rosto lindo..
A mãe ria muito, algumas vezes olhava para a amiga  sem saber muito bem como ela receberia  aqueles comentários, que surgiu exatamente pelo fato de que a amiga  disse que teria feito, a algum tempo atrás, um livro de “sacanagem”,  com muito sexo e uma grande história de amor, todos se interessaram pelo livro, queriam ler, mas a autora disse que não,porque pretende publicá-lo e não gostaria de que as pessoas soubessem o seu pseudônimo antes do livro estar no mercado, afinal, o que ela quer é ganhar dinheiro sem se prejudicar, porque sabe perfeitamente que o povo é mesquinho, principalmente as pessoas que já passaram, profissionalmente, pela sua vida.  Assim, prefere manter o sigilo absoluto em relação ao livro e ao pseudônimo.
Bom o fato é que da conversa do livro, quando foi explicado que as coisas que ali foram ditas e o enredo, bem como os personagens eram fictícios, porque os dois jovens estavam achando que a pessoa, ela, tinha passado mesmo pela situação; o rumo mudou,  e eles começaram a falar de si próprios como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Talvez a amiga da mãe deixe eles tão a vontade que eles não tem qualquer acanhamento de falar de tudo, de “gozo”, “coito anal”, “quantidades de relações em um só dia”, “ejaculação precoce”, “coito oral” “falta de erecção”, “exigências das diversas mulheres”, “efeitos do alcool na hora da transa”, enfim, falou-se abertamente  da relação sexual, sem traumas, sem problemas, sem vergonhas. Um deles  disse que  transar com coroa é mesmo de lenhar, a bicha parece que nunca teve sexo, vai  numa vontade enorme que ele tem medo, em alguns momentos, de ser decepado, tal a volúpia das “coroas”. Até disse que vai  trabalhar num navio para comer as velhas todas que  estiverem no cruzeiro, é muito engraçado ver ele falar isto, porque ele tem uma voz engraçada, com um sotaque do interior misturado com a maneira jovem( rapazes) de se falar hoje,  parece que estão muito cansados, falam arrastando as letras e os sons delas como se não quizessem acabar as palavras e as frases, perenizando a expressão, é mesmo muito interessante.
O mais velho, mais sério, mas nem menos pouco safado por causa disto, tem uma voz mais forte, não canta tanto falando, é mais nordestino, mais macho, falava muito alto sobre as coisas, as suas aventuras. É bom que se diga que nenhum nome foi citado, os dois rapazes tem moral e dignidade e não sairiam comentando  a vida sexual das suas parceiras nominando-as, Estavem falando das suas experiências, apenas.  Algumas vezes a amiga da mãe pediu que ele falasse mais baixo, exatamente por causa dos vizinhos, afinal ela mora sozinha numa pequena aldeia, onde todo mundo fala de todo mundo, e não  soaria bem aos ouvidos desta população uma conversa desta  com dois rapazes dentro da sua casa. Como não se ouvia a voz da mãe, que orgulhosamente, ouvia as aventuras dos filhos, demonstrando todo o prazer de ter dois filhos “machos”, “comedores”, que honram  o gênero a que pertencem,- ainda se pensa assim-  a impressão para quem estava de fora é que ela estava sozinha com dois rapazes.
Foi muito interessante: primeiro por força da naturalidade em que a conversa estava sendo feita; segundo pela confiança deles numa pessoa que não era da família, bem mais velha que eles que ouvia e participava da conversava de igual para igual com os dois; terceiro pelas boas risadas que deram os quatro, Mãe, filhos, ela, que  ficava pensando como reagiria a sua mãe, seu pai, seus tios, até os amigos, se ela, com a idade deles, contasse alguma das suas aventuras, abrisse a boca até para dizer que deu um “beijo de língua”. O caos seria completo,  certamente tomaria castigos, não iria para nenhum lugar se não estivesse acompanhada de alguém, ou tomaria logo um “tapão” do pai ou da mãe.No seu tempo era bem assim.
Ela agradece a tarde que passou com os três, espera repetir a dose, porque quando do próximo livro de “sacanagem” que escrever, algumas das experiências  serão contadas, as suas personagens vão se inspirar nestas estórias. Os leitores viajarão, se indentificarão, porque realmente, com exagero ou não, a realidade de hoje é assim.