terça-feira, 16 de outubro de 2012

Ouçam a voz da experiência


"Quem tudo quer tudo perde"
“Em terra de cego quem tem um olho é rei”;
“Quem tem telhado de vidro não joga pedra no do vizinho”;
“Macaco não olha para o rabo”;
“Pé que não anda não dá topada”;
“Casa de ferreiro, espeto de pau”;
“Por fora bela viola, por dentro pão bolorento”;
“Quem boa romaria faz em sua casa tá em paz”;
“Boca falou cú pagou”.
Estes ditos eram muitos comuns na minha casa; cresci ouvindo isto em muitas situações. Minha mãe tinha, e ainda tem, mania de provérbios, não só ela, minha avó Nieta também se expressava muito com os provérbios. Com o uso deles elas  tentavam educar, a mim e aos meus tios e irmãos; tentavam  mostrar determinadas coisas que à época não entendia direito, porque  sempre achava que quando elas estavam  aplicando algum provérbio em alguma situação  eu estava errada, alguma coisa eu fizera mal feito, ou tencionava fazer malfeito e lá vinha o desgraçado do provérbio a me fazer voltar  à situação anterior,  à realidade, enfim,  desfazia-me as ilusões e colocava-me, outra vez, na minha própria vida, na minha realidade, no caminho, para  as “proverbistas”, certo.
Lembro-me que quando pedia a minha mãe para ir brincar na casa de alguma amiga, ela dizia “quem boa romaria faz em sua casa esta em paz.  Não negava, nem deixava, apenas lançava isto no ar como uma sentença e pronto; desfazia-me todas as ilusões de que poderia  fazer o que eu queria, que era, efetivamente, brincar com a minha amiga na casa dela.  Ouvi  isto por toda, mas toda a minha vida mesmo, inclusive  depois de adulta.
Em outros momentos, quando alguém lá de casa fazia alguma coisa malfeita, tipo traquinagens, ou praticava alguma falta de educação, como por exemplo: ir a aniversário e comer os doces, ela dizia boca falou cú pagou” numa alusão às criticas que fazia quando, em aniversários, os filhos das conhecidas dela avançavam nos pratos de doce. Se vocês não lembram, há algum tempo atrás, a gente saia para o aniversário de barriga cheia,  para não parecer que estávamos mortos à fome  e avançassemos  nos doces que estavam ali, exatamente, para serem comidos. Pensem aí!
Um outro dito que tinha muita aplicação na minha  casa era: “quem tem telhado de vidro não atira pedra no do vizinho”.  Isto eu ouvi muito mesmo, todas as vezes que criticávamos alguma coisa de alguém, minha mãe ou a minha avó dizia isto. A gente se calava mesmo,  pois se bem pensássemos fazíamos ou fizemos algum dia, exatamente aquilo que estávamos criticando.  Outro ditado com o mesmo significado era mais ouvido ainda: “macaco não olha para o rabo”. Este último é divino. Aliás, devíamos lembrar sempre destes dois ditos, porque se lembrarmos deles paramos de criticar o próximo.
“Em boca fechada não entra mosquito”! Este aqui era um grande aliado meu, que gostava de falar demais. Eu falava de tudo e muito, me metia onde não devia, dava palpites, falava coisas com as pessoas erradas, e, muitas vezes, fui salva da “porrada” certa que vinha se eu continuasse falando, com este provérbio, que minha mãe muito seriamente e com a voz meio empostada dizia olhando fixamente para a minha pessoa. A senha estava dada, e eu calava a boca na hora, justo em tempo de evitar a besteira que iria fazer.  Ainda hoje guardo isto na mente, guardo tanto que por vezes fico até calada demais, com certeza, de boca fechada, mas “comendo moscas”. Aqui também pode ser aplicado um outro provérbio que  ouvi muito: quem fala demais dá bom dia a cavalo”. Fui falar isto para o meu neto, ela quase morreu de rir, não deve ter entendido o sentido da coisa, com certeza.
 Tudo enfim, lá na minha casa, podia ser ou solucionado, ou evitado, ou até mesmo perdoado com um provérbio.   
 Quando eu o Tininho apanhávamos muito e minha mãe recebia alguma repreensão de vizinhos, de irmãos ou amigos, ela sempre dizia: pé de galinha não mata pinto”. Porra, isto funcionou bem lá em casa, esta estória do pé da galinha não matar pinto justificou mesmo muitas, mas muitas surras, seja de palmatória, de cinto de couro, de cipó caboclo; pode não ter matado, mas machucou e doeu para cacete.
“Por fora bela viola, por dentro pão bolorento” uma alusão a quem gostava de demonstrar o que não era. Este aqui era uma característica do meu avô Regis, ouvi algumas vezes ele dizer isto, não me lembro em que circunstância, mas ele dizia isto com certeza. Eu achava isto engraçadíssimo; quando ouvi as primeiras vezes não entendia perfeitamente o que isto queria dizer, mas, com os anos, e em muitos momentos conhecendo as pessoas a quem o meu avô, ou qualquer pessoa que o empregasse, referia-se, passei a entender perfeitamente o significado. Continuo achando que este provérbio tem grande aplicação e muitos deviam ouvir isto todos os dias.
“Filho de puta tira a mãe da culpa. Este é dos bons! Quantas vezes ele tem aplicação. Os pais que não querem assumir os seus filhos que o digam ( sem qualquer alusão). Tenho de dizer que o meu filho é a cara do pai e que conheço muitos pais que “tem a cara dos filhos”!!!!
Todavia, apesar de tantos e tantos provérbios, que sempre trazem uma lição de vida, trabalham a moral, os bons costumes, a educação, pois com eles podemos aprender e ensinar de uma maneira mais simples e direta  regras de conduta que, se seguidas, impediriam muitas e muitas ações erradas, muitos contratempos, muitos conflitos; há um que eu tenho em mente e que sigo ao longo de toda a minha vida, que é:  “PÉ QUE NÃO ANDA NÃO DÁ TOPADA”. Com isto na cabeça cresci sempre entendendo que não se pode parar, não se pode desistir, que a caminhada pode ter muitos obstáculos, mas não devemos recuar, que para alcançarmos  as nossas metas é necessário  procurar os meios para isto, enfim, não podemos ficar parados esperando a morte chegar, temos de arriscar sem sermos irresponsáveis, mas  há que se correr riscos em busca do sonho, do objetivo, as topadas fazem parte do próprio caminho, lembrando, também, que “coloca-se o chapéu  onde o braço alcança” .
Então, que tal dar mais atenção aos provérbios, aos ditos que seus pais, avós, parentes e pessoas mais velhas aplicam para nos alertar de tantas e tantas coisas, que podiam ser evitadas, apenas, se lembrássemos do que eles, com a sua sabedoria e na sua simplicidade falam?  E nunca esqueçam:  "PIMENTA NO DOS OUTROS  É REFRESCO"!!!!!