Zafira acordara tensa, não sabia
bem o motivo, mas estava ansiosa. Não
tinha passado bem a noite, não que estivesse sentindo alguma coisa, mas sonhara muito, sonhos estranhos envolvendo
muita gente de um passado, que se não queria esquecer, também não queria
lembrar. Sonhou com o ex sogro e, em consequência, com a velha casa da Fazenda
Jaboatão, onde fora recebida, ou melhor, onde teve a sua presença imposta por
motivos imperiosos.
O que estaria acontecendo? Perguntava-se ao levantar da cama. Ao seu lado a presença de sempre, que apesar
da ausência do ser, se fazia presente no
estar.
Levantou-se e foi vestir a roupa
da caminhada: se deu conta de que sempre vestia a mesma roupa, deu risada e imaginou o pensamento daqueles que sempre a
cumprimentavam pela manhã nas suas
andanças pela orla. “Será que esta mulher só tem esta roupa?” Sorriu, era assim mesmo, agora ela também se perguntava: `Porra
você só tem esta roupa? Era capaz de lavar a blusa e usar exatamente a mesma no
outro dia.