segunda-feira, 16 de abril de 2012

COM DRUMOND

Sonhei que estava fazendo uma prova e que a primeira questão a ser respondida continha, apenas: “CEM – Drumond” e  Aidê ou Aída  ligado a outro nome, por acaso, de uma mulher.
Relia aquela questão muitas vezes sem entender nada. Dado que a prova era de história, respondia as demais perguntas, mas encucada com aquela primeira, que eu não sabia para onde iria,nem como começar. Aí, no meio daquela confusão mental, uma luz apareceu, e eu quase gritei: “matei a charada: Cem não significa cem, e sim “sem”,  a forma  que Drumond encontrou de negar tudo naquele poema”. A pessoa que estava tomando conta da prova, apesar de mandar que eu me calasse, sorria diante da minha “descoberta”, acho que porque ninguém tinha coseguido chegar lá, mas eu dizia que aquilo seria um caso de  anulação da questão,  que era mal elaborada, confusa, induzindo  as pessoas a erro, etc.
Acordei, e a primeira coisa que fiz foi procurar na net  se havia alguma ligação entre Carlos Drumond de Andrade e o “CEM”; para minha surpresa, e olhe que surpresa! Há sim.  Drumond escreveu máximas, uma delas diz exatamente o que possivelmente era o pensamento real do autor: “Cem máximas que resumissem a sabedoria universal, tornariam dispensáveis os livros”. Dei muito boas risadas, porque, logo de ínicio, ao que parece no site em que  vi isto, as máximas de Drumond estão ordenadas alfabeticamente,  há uma que diz: “Adão, o primeiro  espoliado - e no próprio corpo”.
Achei  interessantissímo esta estória, a do sonho e  a sua correspondência  real, não sabia destas máximas e  continuei  lendo:
“As academias coroam com igual zelo o talento e a ausência dele”.  Olhe que associei  esta aqui há alguns “talentos” premiados pelas academais, que a gente não consegue entender como  eles alcançaram este  “pedestal”, porque efetivamente há muita coisa medíocre neste universo acadêmico; posso dizer isto com muita tranquilidade, porque tive acesso  a muitas teses de doutoramento que, não nego não, até mesmo eu, que  também posso ser considerada por outrem como “medíocre”, não aprovaria de nenhuma maneira, pelos mais variados motivos, muito principalmente pela própria falta de fundamentação e conteúdo.
Com estas maravilhosas máximas, lembrei-me do tempo da adolescência em que fazíamos cadernos de pensamentos, hábito deveras salutar; lembro-me perfeitamente no Salette, onde fui interna, que estes cadernos eram  um hábito; quase todas as “grandes” tinham. Eu não pertencia a esta categoria “grande”, pois sequer tinha doze anos, mas como era mesmo metida resolvi fazer um, e olhe que colocaram ali pensamentos  filosóficos  importantíssimos: imaginem que aos 11/12 anos, na sexta série,(segunda do ginásio) eu já ouvia falar de Schopenhauer:   “A solidão é a sorte de todos os espíritos excepcionais” ; “A glória é tanto mais tardia quanto mais duradoura há de ser, porque todo fruto delicioso amadurece lentamente.”; “Nas pessoas de capacidade limitada, a modéstia não passa de mera honestidade, mas em quem possui grande talento, é hipocrisia”. Victor Hugo:  “Ser bom é fácil. O difícil é ser justo”;“Há pensamentos que são orações. Há momentos nos quais, seja qual for a posição do corpo, a alma está de joelhos”;”Fazes-me falta, estou ausente de mim própria”;”Comer é uma necessidade do estômago; beber é uma necessidade da alma.”;(este é divino) “Ser contestado é ser constatado”;O sábio sabe que ignora”;”Mais facilmente se julgaria um homem segundo os seus sonhos do que segundo os seus pensamentos.”;”Chega sempre a hora em que não basta apenas protestar: após a filosofia, a ação é indispensável”;  Baudelaire:  “A admiração começa onde acaba a compreensão."; “O homem que só bebe água tem algum segredo que pretende ocultar dos seus semelhantes." (ótima) “Não podendo suportar o amor, a Igreja quis ao menos desinfetá-lo, e então fez o casamento.","Apenas é igual a outro quem prova sê-lo e apenas é digno da liberdade quem a sabe conquistar.", e tantos outros. Evidentemente que não conhecia a obra de nenhum deles, mas algumas de suas máximas filosóficas estavam no meu caderno, que não deixou de ter  Saint Exupery, que era a moda da época“O essencial é invisível aos olhos”; “Você é responsável pelo que cativa”, e por aí vai. Estas máximas, com certeza, são melhores que livros de autoajuda (acordo ortográfico).Olhem bem o que diz Drumond: “A dor é inevitável, o sofrimento é opcional.” O que o autor de um livro de autoajuda levaria cinquenta páginas para dizer, é dito em apenas uma frase, e, com certeza, você vai fazer tudo para evitar o sofrimento, sem qualquer leitura  que lhe deixa mais culpado ainda, sem qualquer resignação com esta dor, sem explicações espirituais que lhe fazem piorar, ao invés de melhorar, porque ninguém melhora quando aceita sofrimento pela simples lógica de que você tem de passar por isto ou aquilo para encontrar a paz e purgar a sua falta, falta esta que,segundo alguns, pode ter sido praticada mesmo em outras encarnações; a questão é apenas de livre  arbítrio,  como bem diz Drumond. Se você quer escolher o sofrimento, o problema é seu,se quer passar a vida toda sofrendo, faça isto, mas se escolher ser feliz, afaste a dor, ainda que seja dando-lhe de beber, pois “dar de beber a dor é o melhor, já dizia a Mariquinhas”.      
Estou muito feliz com o sonho que tive, pois ele me fez redescobrir Drumond, que, mais uma vez, me surpreende com tantos poemas que não conhecia e que falam de amor,  como este que transcrevo  abaixo, que tem direção certa, para tantos quanto amem como ele mesmo sugere:

“Conselho de um velho apaixonado.

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer
seu coração parar de funcionar por alguns segundos,
preste atenção: pode ser a pessoa
mais importante da sua vida.

Se os olhares se cruzarem e, neste momento,
houver o mesmo brilho intenso entre eles,
fique alerta: pode ser a pessoa que você está
esperando desde o dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo
for apaixonante, e os olhos se encherem
d'água neste momento, perceba:
existe algo mágico entre vocês.

Se o 1º e o último pensamento do seu dia
for essa pessoa, se a vontade de ficar
juntos chegar a apertar o coração, agradeça:
Algo do céu te mandou
um presente divino : O AMOR.

Se um dia tiverem que pedir perdão um
ao outro por algum motivo e, em troca,
receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos
e os gestos valerem mais que mil palavras,
entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.

Se por algum motivo você estiver triste,
se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa
sofrer o seu sofrimento, chorar as suas
lágrimas e enxugá-las com ternura, que
coisa maravilhosa: você poderá contar
com ela em qualquer momento de sua vida.

Se você conseguir, em pensamento, sentir
o cheiro da pessoa como
se ela estivesse ali do seu lado...

Se você achar a pessoa maravilhosamente linda,
mesmo ela estando de pijamas velhos,
chinelos de dedo e cabelos emaranhados...

Se você não consegue trabalhar direito o dia todo,
ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...

Se você não consegue imaginar, de maneira
nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...

Se você tiver a certeza que vai ver a outra
envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção
que vai continuar sendo louco por ela...

Se você preferir fechar os olhos, antes de ver
a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes
na vida poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.

Às vezes encontram e, por não prestarem atenção
nesses sinais, deixam o amor passar,
sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.

É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais.
Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem
cego para a melhor coisa da vida: o AMOR !!!

Aproveitem, pois,leiam estas máximas, faz bem  à alma.