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domingo, 14 de abril de 2019

Como teria sido?


Acordei cedo e fui andar, claro que sonhei muito, este é o meu momento de sonhar, o sonho, entretanto, e quase sempre o mesmo, arrumar dinheiro para colocar todos da minha família bem, inclusive a mim, e mais algumas pessoas ao meu derredor. Gosto de sonhar isto, fico rica porque tiro na loteria, divido o dinheiro, enfim faço planos. Há dias que o sonho é mais modesto e fico pensando quando o TRT vai pagar as minhas diferenças e o que vai dar para fazer com ela.  Gosto mesmo destes momentos, mas tenho de voltar para casa e aí os sonhos acabam e eu vejo a minha realidade.
Estou lavando os banheiros da casa, porque, para variar, estavam aqui ontem algumas pessoas que usaram os dois banheiros e eu os tenho de lavar, caso contrário o xixi de cachaça impregna e aí é duro para tirar este odor horrível de xixi. Neste exato momento recordo-me dos meus quatorze quinze anos, cheios de revolta, mas também cheios de esperanças. Morava em uma baixada no Engenho Velho da Federação, não gostava daquele lugar, realmente não gostava, principalmente em dias de chuva e nos finais de semana. Nos dias de chuva porque era terrível descer a escadaria com a enxurrada, nos finais de semana porque tinha de ficar dentro de casa, não se tinha dinheiro para nada.  Ficávamos em casa procurando passar o tempo com nada, aguardando meu pai chegar bêbado junto com os seus amigos mais bêbados de que ele, quando não já estavam lá em casa desde muito cedo.
Porra! Por que diabos vou lembrar disto.  Não seria melhor lembrar de alguma coisa boa?  Namorados foi o que veio à mente.  Aí me perguntei: O que teria sido a minha vida se eu tivesse me casado com o meu primeiro namorado? Kkkkkkkkkkk. Meu Deus, o que seria minha vida? Certamente estaria lavando o banheiro único da casa mínima, com certeza no Engenho velho da federação ou adjacências. Será que teria me formado? Penso que sim, porque eu nunca gostei daquela vida. Todavia seria um horror mesmo. Graças a Deus a coisa acabou como começou, nem senti, nem vou falar em desgaste de relacionamento, nem deu tempo. Quando percebi, aos quatorze ou quinze, já nem me lembro, o quão obtuso era o rapaz, lento de raciocínio e outros defeitos imperdoáveis, acabou-se. Lembrar que o rapaz era bem bonitinho, um corpo sarado devido ao football, mas além do raciocínio lento, tinha um outro defeito, este mais aparente, tinha dente de ouro: kkkkkkkkkkkk, gente namorei um rapaz que tinha dente de ouro!  Tá doida mulher! Como teve coragem?  Fiquei pensando nisto, e ai lembrei que não era só ele que tinha um dente de ouro, a família dele inteira tinha, pai, mãe e irmã.  Seria isso um sinal de riqueza e eu não percebi?  Jejus é mais!. Sim, e ainda estaria ligada à contravenção. Vixe Maria!
Continuei limpando coisas: lavando panelas, pratos, copos, arrumando coisas, colocando outras nos seus devidos lugares, enfim, (domesticando) ou para que fique claro, fazendo os serviços domésticos. Limpando o fogão lembrei de um grande e, efetivamente, ´primeiro amor. Lindo, alto, bonito, disputado. Eu o conheci em uma festa de Sto. Antônio, nessas novenas que se rezam nas casas. Era a noite dos jovens e lá fui eu e minha irmã, Minha mãe nos deixou ir, porque todos do grupo jovem iam e era na casa de um pai de santokkkkkk, viu que sempre estive ligada.  Sim, lá conheci este belo exemplar de macho.Que sensações meu Deus, como é bom se saber poderosa, como é bom despertar o desejo do outro. Apesar de não termos feito sexo, afinal  havia respeito à algumas  normas àquela época, foi quem me despertou, literalmente para ele. Os amassos, os beijos calorosos, as pegadas dali e daqui. A excitação sentida em todos os poros e além deles! Ah como foi bom! Todavia, o safado além de lindo era muito descarado e mulherengo. Namoramos um bom tempo, aliás hoje diria eu que ficamos durante uns três ou quatro anos. Era o titular da área, como viajava muito e sem termos maiores compromissos, ele fazia a parte dele e eu a minha, mas quando ele chegava em salvador acabavam-se todos os namoros, afastados todos os pretendentes.  Sim, mas isto agora não vem ao caso e eu pergunto: Como teria sido a minha vida caso tivesse casado com este homem?  Resposta imediata: estaríamos separados, com certeza em um par de anos, eu não ia aguentar a safadeza do sem vergonha, ia ficar muito desengonçada com os chifres que iam nascer. Se se tivesse ficado, entretanto, hoje estaria viúva e recebendo uma pensão como esposa de um policial rodoviário. Puta merda, que lembrança.
Continuo na minha lida. Apesar da chuva tenho de molhar algumas plantas que ficam na área coberta. Vou adiante na minha volta ao passado e lembro de um cidadão que tinha 36,37 anos, enquanto eu só tinha 16 ou 17.  O homem ensandeceu por minha pessoa, eu não tinha grande afinidade, mas ia levando este namoro adiante, acho que por muita comodidade. Afinal este, à época, senhor, tinha carro, estudava no mesmo colégio que eu, e nos dava carona todas as noites em que ia par aula, sim porque como trabalhava de turno em Mataripe, não ia para a aula todos os dias. Ah Meu Deus! O que teria sido a minha vida com este senhor. Primeiro a diferença de idade ia ser um empecilho sempre. Eu cheia de sonhos, ele cheios de realizações já alcançadas e sem   querer muita coisa do futuro, a não ser ter uma esposa “linda”, que seria eu, filhos, uma casa (que já tinha) e vive aquela vidinha  até a aposentadoria. Olhe que este cidadão nem sequer bebia. Era um velho novo mesmo, muito responsável, muito amoroso, mas eu não ia suportar essa vidinha. Eu queria muito, queria ser doutora, trabalhar, viajar, viver. Certamente, seria mais um caso de separação rápida. Tão rápida que aconteceu antes mesmo do casamento, pois quando do  ele chamou meu pai e minha mãe para mostrar a casa que tinha comprado em um conjunto para funcionários da Petrobras em Stiep, casa com “suíte” e tudo, eu falei para mim mesmo, tá na hora de sair dessa história, e foi o que fiz. Acabei com o negócio todo.  Quem mais teria eu para lembrar?
 Ninguém, pois o que veio depois disto foi um casamento fracassado, e um outro que sempre anda na corda bamba. Realizei todos os meus sonhos, sem dúvida que os realizei todos. Os que ainda tenho   vou realiza-los, ah disto tenho certeza. Mas fico aqui lavando meus banheiros, fazendo minhas comidas (dos outros) minhas costuras, arrumando casa, escrevendo e     sonhando com muitas coisas. E aí percebo: fugi de tanta coisa, e hoje vejo que muito do que fugi está presente aqui na minha vida hoje.  Livrei-me dos bêbados de meu pai, hoje tenho os bêbados de Carlos.  Livrei-me do velho novo, tenho agora um novo velho ao meu pé.  Afastei os serviços domésticos durante muito tempo, agora é o que faço e o que me levou a escrever este texto kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Destino é destino filha, não se muda não, podemos até transformá-lo, mas, no fim dá no mesmo. Pois é, uma advogada, juíza aposentada, mestre e doutora em história, passa os seus dias entre as costuras, as atividades domésticas, e a cozinha.  Nadei, nadei e morri na praia.  








domingo, 9 de dezembro de 2018

Nao desistam dos sonhos


Não desistam nunca. As metas só se alcançam pela persistência. Não estou dizendo para você insistir no que você sente que vai dar errado, ou em algo que é errado mesmo desde o seu começo, e sim que, se você quer conseguir algo, tem de persistir.
Por que resolvi escrever este texto? Por que sou o exemplo vivo de que tudo o que se quer se consegue, quando  este tudo depende somente de nós mesmos, Quando, para realizarmos algo, necessita-se de outrem, as coisas ficam mais complicadas, mas, mesmo assim, não devemos desistir.
Alcançar metas, realizar sonhos significa encontrar a felicidade, ou vermos os nossos desejos realizados, tudo em nossas mãos. Não importa a idade em que realizemos os nossos sonhos,porque o que importa e alcançarmos  as nossas metas e encontrar a felicidade, porque a felicidade é exatamente isto, o bem estar que sentimos quando realizamos os nossos sonho
Eu queria conhecer Veneza e a Grécia, só consegui aos 60 e na companhia de quem projetei para ir comigo.
Eu realizei muitos sonhos, e sempre digo que os realizei, porque sempre sonhei o que era possível. Não adianta fixar metas impossíveis de serem alcançadas: por exemplo: “quero ter uma casa na Vieira Souto”, sabe quando isto vai acontecer?  Nunca, porque, a não ser com a loteria (mega sena acumulada), isto jamais seria alcançado através dos meus ganhos pessoais. Assim, o melhor de tudo é sonhar o possível, o realizável.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Sonhem muito; os sonhos se realizam

Sempre tive um sonho: queria morar em frente ao mar, em uma casa  cheia de  vidros, em que eu pudesse, de todos os espaços dela, ver o mar, ver árvores, plantas, ver a chuva caindo, enfim, ver o tempo e tudo o que  a natureza pode nos proporcionar através da transparência do vidro.
Não consegui, até o momento, realizar o sonho de ter uma casa  frente ao mar, ou em que eu possa vê-lo, entretanto, oitenta por cento  do meu sonho  foi realizado por outrem. 
Estou vivendo em uma casa, que a tenho como minha, embora não o seja materialmente, mas no campo afetivo e espiritual e emocional o é. É um momento de felicidade, sem dúvida alguma. Tenho por merecimento acho eu, pois quando um seu sonho é realizado por outrem, mas você participando dele e para ele, é realmente fantástico.
Pois bem, por força do sonho, como já disse, queria ver a chuva cair e purificar tudo ao seu redor, lavando até mesmo o espírito, vez  que é bem assim que sinto quando,  corajosamente, volto ao tempo de criança e vou para a chuva, deixando que a água de Deus  limpe  pensamentos e o corpo.

Hoje, sentada  vendo a baboseira  da Comissão  Especial do Senado para a análise da denúncia do impeachment, começou a chover e eu fui fechar  as portas da casa. Extraordinário! De todos os cômodos da casa posso ver a água caindo lá fora. Da sala, do meu quarto e da minha própria cama, dos quartos outros da casa, do escritório e da cozinha. Sensacional!

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

SONHOS! Eles se realizam

Era uma vez uma menina de olhos cor de mel, cabelos castanhos claros que também terminavam na cor mel, nariz fino, com profundas olheiras, que chamavam atenção. Suas olheiras fundas contrastavam com a doce pureza do seu olhar, um olhar penetrante, que sempre soube expressar o que lhe vinha na alma.
Teve uma infância, até os sete anos, normal. Bonita que era, sempre foi paparicada, reverenciada até, protegida por muitos que lhe admiravam a beleza, a vivacidade, a pureza misturada com uma rebeldia, que em si, realmente, era nata.
A menina bonita cresceu, passou algumas dificuldades, nada que não fosse transpassado, seja por força da própria vida, seja pela intervenção de outrem, seja pelo seu próprio destino, o fato é que a menina ultrapassou as adversidades, aliás, continua a ultrapassá-las, bem ou mal,  e segue adiante.
Mas a menina não poupou os seus sonhos, nos seus piores momentos, nunca, mas nunca mesmo deixou de sonhar.
Numa determinada época da vida  sonhou em ser aeromoça, mas, quando foi candidatar-se ao cargo, não
  pode inscrever-se, porque era menor, e  a companhia à época, a VARIG, não permitiu; somente o faria se os pais autorizassem. Ela tinha a consciência plena de que os pais não o fariam, e, portanto, nem  cogitou esta possibilidade: a de pedir aos pais esta autorização, embora lha deram para casar. Coisas  da vida que o ser humano faz e que não condiz com atos outros. Todavia, esta primeira derrota não a desanimou, ela queria conhecer o mundo, queria viajar. Sempre gostou de história e achava que se fosse em lugares que apareciam nos seus livros, centros  d poder do passado, ela viveria  a história de uma maneira diferente. Seguiu sempre com este pensamento, fez direito, mas o sonho das viagens continuou, embora interrompido pelas responsabilidades que assumiu com a maternidade.
Viajou pelo Brasil em algumas oportunidades, mas ela queria sempre mais. Os seus sonhos foram crescendo à medida que o seu poder aquisitivo melhorava. Nunca sonhou com o impossível, talvez por isso mesmo, um a um, os sonhos foram se tornando realidade.
Entretanto, um dos seus grandes sonhos estava se afastando dela. Sonhou com ele aos trinta, aos quarenta, aos cinquenta, e, acreditem vocês, somente o realizou aos sessenta, mas nunca é tarde, e por isso mesmo, ele foi realizando de uma maneira intensa.
Pois é, a menina  esteve em Veneza e na Grécia,  dois destinos, dois sonhos acalentados durante muito tempo, e o que parecia quase impossível, na companhia de quem queria estar. Realizaria o sonho de qualquer maneira, sozinha ou não, mas tinha a certeza que o faria, e fez, em grande estilo, ao menos para ela.
Viajou de navio, embora não aconselhe a ninguém tal meio, mas foi assim que foi. Chegou a Veneza sozinha puxando a sua mala pelos becos e pontes, alcançou o hotel e, de imediato, voltou para viver a sua primeira história. Sim, ela chorou a, meio sem direção, alcançar a Praça  São Marcos e ver o seus livros de história ali reproduzidos  ao vivo e a cores. Chorou, as lágrimas escorriam  sem que ela pudesse controlá-las. As páginas dos livros pareciam  passar pela sua frente, as letrinhas  pareciam setas a lhe mostrar os caminhos que devia seguir. Sim Veneza estava à sua frente, de imediato pos-se a andar  diretamente para o grande canal, queria olhar aquilo tudo  da direção contrária, e foi o que fez. Extasiada viu as gôndolas  nos seus devidos estacionamentos, tudo lhe parecia realmente um sonho. Queria molhar o pé naquela água, queria sentir aquilo tudo de perto, não teve coragem, o cheiro da água lhe impediu de molhar qualquer parte do corpo, mas nem este cheiro lhe tirou o encantamento.
A Praça estava completamente cheia de gente, o que impedia que tudo ali fosse visto como deveria ser, não conseguia, sequer, tirar boas foto, as cabeças e a quantidade de máquinas   competindo  não lhe faziam bem. Resolveu entrar no Palácio.  Parava diante de tudo, das pinturas, das esculturas, dos tapetes, dos mármores. Em momentos ficava imaginando como seria a vida dentro daquele local.

A Ponte dos Suspiros ali  e ela passando, e junto com ela toda uma história de dor e sofrimento, porque os presos ali sofreram muito, mas ela seguiu em frente e conseguiu tirar bela fotos através das frestas.
Saiu dali, andou a não mais poder por Veneza, um sonho, caro, mas um sonho realizado, e com a perspectiva de mais um, este aconteceria nos próximos dias.
Sim, ela teve um belo aniversário. Os seus sessenta anos, afinal, foram comemorados na Grécia.

Depois de tantas tentativas frustradas, aos trinta, aos quarenta e aos cinquenta, agora, como sexagenária, ele deixou de ser sonho, para ser uma realidade; portanto, não deixem de sonhar, pode ser que demore um pouco, mas se o seu sonho for possível, com certeza, ele será realizado.



domingo, 17 de março de 2013

Nuvens carregadas


É um sábado, o dia começou nublado, o homem da limpeza não veio, ela olha o pano que está seco e confirma que ele  realmente não esteve no local. Pelo segundo dia consecutivo ele não vem e ela tem de limpar tudo, na verdade não se importa muito, mas o que não gosta é exatamente de ficar na expectativa   Como tem de limpar mesmo, o faz.  Molha as plantas porque a chuva está muito fina e não vai dar vencimento, cata as folhas que caíram à noite, varre todo a varanda e o pátio, joga o lixo fora, faz tudo automaticamente, parece um robô.
O dia cresce sem muito entusiasmo. Ela limpa tudo, o quarto de cima, abre as portas, limpa escada, desce limpa a sala. Toma banho no chuveirão do lado de fora da casa, sabe que está sendo olhada, mas não se preocupa, está na sua casa, portanto quem está olhando é que é o intruso.
Muda a roupa, vai na feira, nada lhe agrada, a chuva começa a ficar mais forte, ela retorna.
Faz um mousse de limão, tudo muito automático, parece que não quer estar ali naquele lugar, fica procurando fazer coisas para não pensar muito no que está sendo a sua vida agora. O que adiantou fazer tanta coisa? O que adiantou se afastar tanto tempo, se isto não resolveu nada, muito pelo contrário, isto só fez aumentar as suas incertezas, inseguranças, até mesmo a raiva. Não se controla, chora, xinga, blasfema.  Deus não tá vendo esta merda?
Quer ir embora, não suporta esta coisa que não sabe o que é, que não é definida. Ninguém vive de promessas e de ausências. Ela quer viver, ser feliz, mas parece que outros não querem, ou melhor, nunca quiseram isto.
Tenta se recuperar, está entrando num parafuso e sabe aonde isto vai ar, então pega um disco de Kitaro e coloca, por incrível que pareça o nome do disco é “Dream”, bem sugestivo para o momento que está passando, então ela começa a pensar. “Vou vender tudo, vou pagar o que devo e vou embora, para onde não sei, mas vou passar um bom período fora daqui; quem sabe quando voltar, se voltar, as pessoas tenham se resolvido, ou quiçá, desaparecido”.
Pensa em ficar na rede, afinal é uma coisa que ela realmente gosta, ficar ali meio deitada estudando, lendo alguma coisa. Ai dela se não fossem os livros? Com certeza ela já não suportaria tanta solidão, tanta ausência, tantas incertezas, tantas dúvidas. Sabe que já não tem mais idade para tê-las, mas ela as tem.
A Chuva agora cai forte, mas muito forte mesmo, e ela fica a olhar da varanda todo o esplendor que tem um dia de chuva providencial, porque o calor estava mesmo insuportável. Ela pega o computador e pensa em escrever um texto, não é a hora adequada e ela bem sabe disto, mas ela tem de botar para fora alguma coisa, caso contrário ela não vai suportar.
A natureza, entretanto, se lhe mostra feliz, e ela tem de desviar pensamentos tão cruéis, e tenta entrar em contato com ela, passar a fazer parte dela, do verde, da chuva, do cinza do céu. É difícil, mas ela tenta. Procura se lembrar do sonho que teve hoje, sabe que foi alguma coisa a ver com cabelos brancos, com sobrancelhas, com o contraste que agora existe entre os seus cabelos, as suas sobrancelhas e a vida.  Seus cabelos mostram a sua realidade hoje, mas ela não quer se convencer dela, acha que ainda não está na hora de se sentir assim, mais velha, no entanto decidiu que não vai mais pintar os cabelos, vai deixar que eles se mostrem como realmente estão, brancos.
Não sabe dos acertos das suas decisões, mas vai ter de tomar algumas, desde a casa, até a sua ida, de uma vez, para fora do país.  Tudo é melhor fora daqui, ela bem o sabe, a distância é uma grande sua aliada. A liberdade, o não ter de dar satisfação a ninguém dos seus atos, a impresença de todos e dela, em relação a eles, lhe faz bem. Se um dia chora, no outro está bem, ao contrário daqui que só chora, nada lhe agrada, nem mesmo as migalhas que lhe dão e que dizem que é amor.
Vai mesmo pensar muito, hoje é um dia adequado para isto, vai se inspirar na natureza, que se modifica a cada momento, nada é igual ao ontem e nem ao amanhã em relação a ela.  Mais galhas na pitangueira, que amanhã pode estar com mais ou com menos folhas. Os frutos hoje verdes, amanhã estarão vermelhos.  Os cocos hoje verdes, amanhã poderão não estar mais no cacho, a chuva e o vento podem derrubá-los. Os pequenos embriões, que começam a se mostrar, podem morrer antes mesmo de demostrarem as suas características.
O jasmim pode ter as suas digressões interrompidas por uma quebra dos seus galhos. Enfim; a natureza mestra mostra-lhe que tudo pode mudar de um dia para o outro, e é isto que ela espera: que as coisas mudem mesmo, mas para melhor, porque para pior ela já não suporta mais, está, a cada dia, mais sozinha, mas velha, mais triste. O refúgio está em seus livros, mas até eles começam a não gostar do seu toque, não querem ser abertos, manuseados, lidos. Ela está dispersa, e quando isto acontece eles não podem lhe oferecer os seus conhecimentos, os seus conselhos.
E o notebook, também não satisfeito,  não gosta quando ela  lhe usa para  descarregar tristezas, ele, que também é o seu companheiro de solidão,  quer que ela viva, que ela seja feliz, quer ver alegria no seu olhar refletido através do seu visor para ela mesma, que tem de se convencer que ela bela, que é capaz, que tem obrigação de ser feliz.
O disco continua tocando e a chuva parou, o sol quer aparecer, mas as nuvens não permitem, hoje é o dia delas, hoje elas é que vão brilhar, que vão permitir que outra chuva caia  e que as gotas sirvam para que ela possa, em cada uma delas,  desinfetar a alma e  possa reagir e ter esperança de que,  amanhã, tudo será bem diferente, que as suas dúvidas  já não existem, e que ela vai viver tudo o quanto ela  sonhou. 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Será premonição?


Para variar, sonhei com você. Estávamos em uma rua de pedrinhas portuguesas, uma mera coincidência claro; a rua tinha um declive e as pedras faziam desenhos diversos, flores, copas, setas.  Não chovia, mas o tempo estava frio, mas nós estávamos bem e de mãos dadas, felizes descíamos, descalços, a rua, por onde corria uma espécie de córrego, com uma água muito límpida.
Sorríamos como crianças que adoram andar na água contrariando os pais que sempre dizem que vão ficar constipadas. O engraçado é que estávamos vestidos como se fossemos a uma festa. Você, como sempre, estava muito bem vestido; eu levava um vestido de caça branca, que me pareceu já o ter vestido há muito tempo atrás, quando ainda muito jovem. O vestido tinha três fitinhas fazendo uma alça: uma rosa, outra amarela e outra azul, tudo muito discreto, clores bem clarinhas, harmônicas. O vestido era todo branco e a única coloração era exatamente o detalhe nas alças. Levava alguma coisa no cabelo, parecia uma tiara de flores.  Você tinha uma roupa toda branca e um blazer azul celeste. As calças estavam arregaçadas até o joelho, exatamente para que não molhassem. De mãos dadas descíamos a rua estreita e de pedrinhas chutando a água que salpicava em nós mesmos e nas pessoas que passavam.
Engraçado que não falávamos nada, apenas ríamos muito, muito mesmo, era como se estivéssemos celebrando alguma coisa muito boa, as mãos entrelaçadas e o riso nos uniam, aliás, este sonho realmente não precisava de legenda, estava muito claro.
Acordei e fiquei pensando que mensagem é que este sonho trazia. O que ele queria mostrar? Procurei na internet o significado de sonhar com água transparente, com caminhos, com mãos entrelaçadas.
O sonhar com água límpida e corrente é muito bom, significa coisas boas, novidades boas, vida sem problemas. Vou ter esperanças que isto seja mesmo verdade, porque a minha vida, como você bem sabe, não está nada bem e nem tranquila, mas não quero falar disto, quero falar da simbologia deste sonho.
Será que de pensar tanto em você fico idealizando um caminho juntos que chego a sonhar com ele? Será que isto é uma premonição? Será mesmo que vamos seguir esta estrada que nos falta percorrer juntos e felizes?
Ah meu amor! Como queria isto.  Como queria que o sonho fosse verdade, como queria estar andando com as mão entrelaçada na sua, percorrendo o caminho da felicidade que merecemos. Já sofremos tanto, já fizemos tantas coisas erradas, já dividimos este tão imenso amor com tantos que não o mereceram e só fizeram adiar o nosso grande momento. Talvez precisássemos de tudo isto para saber bem o que somos um para o outro e entendermos que não adianta querermos ou quererem nos separar, nós não conseguimos estar sem o outro, não adianta. Se não estamos presentes em “presença”, estamos em pensamento. Se não nos vemos, não significa que não estejamos juntos, que não nos preocupemos um com o outro, que caminhemos sós. Não meu amor, não caminhamos sós e você bem sabe disto, aliás, não precisamos nem verbalizar isto: é visível! Todos notam; até mesmo aqueles que não devem e não poderiam notar. Os seus grandes gestos, as suas preocupações comigo e com os meus demonstram isto. Quem nos rodeia percebe, até torce, mas sempre há alguma coisa para atrapalhar. Uma nova aventura, uma nova viagem, uma nova experiência, um novo desejo de conhecer e saber e aí abdicamos do que é mais importante, que somos nós.
Olhe, não vou mais dizer nada, não quero desfazer a imagem do sonho, vou continuar trilhando este caminho, vou permitir que a água purifique-nos e nos mostre mesmo que a vida, a nossa claro, somente será plena quando entendermos perfeitamente que só vale a pena se estivermos unidos, juntos e felizes.
Todavia, os sonhos que temos dormindo podem mesmo ser um grande sinal e não custa nada atentarmos para os detalhes:
Água límpida e corrente – significa prosperidade, momento bom na área sentimental, financeira e profissional, boas novas; 
cor azul claro - fortuna;
branco – pureza, inocência;
cores claras – acontecimentos felizes;
mãos entrelaçadas – se com alguém que conhece, esta pessoa é importante para você.  
Sonhem, pois!


terça-feira, 9 de agosto de 2011

" O trem va vai mãe"

Era assim que o meu irmão Luciano, com dois ou três anos, ao ouvir o apito do trem, dizia para minha mãe: “o trem va vai mãe”, isto em todos os dias, pela manhã, ao meio dia e no final da tarde.
Eu, por minha vez, quando pequena, gostava muito de andar de trem e de morar próximo a linha do trem, isto porque para mim era uma alegria ver o trem passando trazendo e levando pessoas. Gostava também de andar de trem, aliás, para mim, à época, um meio de transporte fantástico, porque com ele e através dele, eu conseguia deixar o colégio interno e ir para a minha casa que ficava no interior. Por ele também chegávamos, eu e a minha família, até Alagoinhas, outro interior da Bahia, onde moravam familiares da minha mãe e do meu avô materno, para passar alguns dias de férias na casa de tia Margarida.
Outra tia, que na verdade era casada com um primo do meu pai, mas a distância da idade era tamanha que a gente chamava a todos de tio, tinha uma casa em Dias D´Avila, aliás, era muito “chic” ter casa em Dias D´Avila, onde um rio do qual não me lembro o nome, acho que Imbassaí, era um grande balneário para famílias abastadas de Salvador, por incrível que pareça, alguns espanhóis parentes do meu pai tinham casa nesta região, e para onde íamos como parentes que éramos.
Tia Dalva e tio Celestino tinham uma casa próxima ao rio das pedrinhas e as terras da propriedade deles terminavam, exatamente, na linha do trem.  Eu achava o máximo ver o trem passar, seja se estivesse em casa, seja se estivesse no rio. Se estivéssemos no rio, tínhamos de sair de dentro da água enquanto o trem passava pela frágil ponte, nunca soube o motivo deste cuidado, se de medo da ponte cair ou se tinha algum reflexo mesmo na água em que nos banhávamos; sei lá, o certo é que quando ouvíamos o apito era uma correria da zorra, todos saindo da água correndo.
Lembro-me que já com uns dez ou onze anos, talvez menos, viajando para Alagoinhas com todos da família, minha mãe distribuiu comida para todos que estavam próximos aos nossos assentos, inclusive para um rapaz que os amigos chamavam de “La Barca”. Acho, hoje, que o apelido era por causa da música, “La Barca”. Adorava comprar milho assado, pamonha de milho, frutas, tudo pela janela do trem, onde os vendedores arriscavam-se a não receber o dinheiro pelo produto, porque o trem podia partir antes do pagamento
Já adulta, na faculdade e com uns dezoito anos, pegava o trem suburbano para chegar à casa de minha avó que morava em Praia Grande, adorava a viagem, embora o trem fosse por demais desconfortável: bancos de madeira que faziam doer a “bunda”, porque as tiras machucavam a carne, mas era fantástico ir margeando o mar. Ficava com um friozinho danado quando o trem passava pela ponte de ferro que fica em Plataforma, ficava olhando, nos espaços entre os dormentes, a água funda e suja pela janela, não nego que tinha um receio danado de cair naquela água, porque odeio água suja, pois ela não nos deixa ver a profundidade.
Agora, com 57 anos, mais uma vez, o trem me faz viajar, sonhar, me transportar para um mundo diferente. Quando tomo o comboio, como é chamado o trem em Portugal, no Cais Sodré, ou em Santa Apolônia, ou ainda, na Estação Oriente, parece que estou entrando num sonho, não que o comboio tenha nada a ver com o trem que tomava na minha infância e adolescência, mas pela sensação que ele me proporciona, parece que me transporto para um mundo outro, diferente, de sonhos mesmo, fico me imaginando a morar naquela via, pois uma grande parte dela fica, literalmente, defronte do mar, que passa pela janela do trem.
Estoril-Cascais
O comboio que sai do Cais Sodré para Cascais segue, na grande maioria do caminho, margeando o mar.  Quando sai do Cais do Sodré, a gente vê o Rio Tejo e vai passando por diversos lugares; Santos; Alcântara; Belém; Algés; Cruz Quebrada; Caxias, Paço d`Arcos, o Tejo vai encontrando o mar: Santo Amaro de Oeiras;  Oeiras; Carcavelos; Paredes; São João do Estoril;  São Pedro do Estoril;  Estoril; Monte Estoril  e Cascais, tudo isto passando e a gente vendo o mar à nossa esquerda. Uma maravilha, uma viagem que recomendo a tantos quantos visitarem Portugal. Não deixem de fazer este passeio, mesmo que só tenha tempo de ir e voltar, mas não deixem de ir.
Cascais
Se tiver um tempo, vá até o final da linha: Cascais. Desça e siga até a vila, veja o mar, olhe como é linda a Baía de Cascais. Desça a rua calçada à sua direta e coma um pastel de bacalhau.  Continue andando, passe pela frente do Hotel Baía, suba a ladeira até o forte, siga até o jardim, atravesse-o todo e saia pelo castelo. Veja que maravilha de paisagem que esta à sua frente. Agradeça a Deus por lhe permitir ver tanta beleza e agradeça ao homem por ter lhe dado este meio de transporte que lhe faz viver sonhos como este que agora esta vivendo. Não esqueça esta visão, não precisa, sequer, tirar fotos, tanta beleza fica na nossa memória e um só pedaço de mar azul, límpido, um horizonte é suficiente para reavivar a sua memória e fazer você, sem o trem, se transportar para esta beleza que a natureza criou para nosso deleite.
Boa viagem de volta, de trem, e de muito sonho.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Sonhos muito loucos!

Engraçado, hoje não sonhei, quero dizer, não lembro de ter sonhado, o que é raro, porque tenho sonhos quase todos os dias. Lembro de alguns, esqueço passagens de outros, mas o certo é que lembro e, logo que acordo, quando tenho tempo, escrevo para não os esquecer.

Minha capacidade de sonhar é imensa, penso que tenho uma maneira de criar enredos de sonhos propria. Misturo vidas, personagens. Dou qualidade a quem não tem, retiro de quem as tem, bagunço tudo e, de vez em quando, tenho passasgens hilariantes:

Uma vez sonhei com minha mãe, o que não é uma grande novidade, porque como sempre estou preocupada com ela, acho que isto faz com que ela apareça nos sonhos, alguns, quase pesadelos.

Minha mãe gosta de falar difícil, não sei porque motivo aprendeu isto, e gostava de se exibir mostrando estes “dotes” : por exemplo, lá em casa quando alguém falava alguma coisa mais complexa ela dizia – “Parem com estas frases perisfaticas” Até hoje não consegui saber o que esta palavra significa, não acho em dicionário, se algum de vocês souber, por favor, não se acanhem.

Mas vamos ao sonho: Estava eu em Portugal, especificamente em Setubal, que é um lugar onde o pescado é abundante, recomendo quem lá um dia estiver a comer, em qualquer dos restaurantes, “aneis de lulas à milaneza”, divino, ou, ainda, peixe grelhado, escolhido na hora na montra. Bom, mas vamos lá. Minha mãe esta lá, isto é; no sonho, e estava muito compenetrada, ela era uma daquelas senhoras que ficam emproadas, muito bem vestidas e mandando em todos, monopolizando as atenções. Eu não sei porque cargas d`agua, eu estava abrindo a geladeira para pegar algo, e de repente, um peixe enorme, vermelhão, lindo, cai no chão, e ela, muito chateada e com a voz postada me diz: Tenha cuidado com este peixe, pois ele é das águas profundas do Atlântico”. Acordei rindo, porque realmente a cena era hilária. Minha mãe sentada à minha frente e com a voz colocada a me dizer isto.

Outro vez sonhei que estava em uma casa com Gloria e José Marcos, meus tios amados. Uma casa grande com vários cômodos, que diga-se de passagem, não reconheci como qualquer das muitas que eles tiveram. Estávamos todos lá. Marcos dormia em quarto separado na parte baixa da casa, lá no fundo, um quarto que quase ninguém percebia que existia. Parecia que era um tipo de pensão em que se alugava quartos para muitos. Havia um chinês, que trabalhava, ele e outros, como carregador. O homem era chinês, magro, musculado, tinha uma boa estatuta, e a cara não era de chinês, embora todo mundo que o olhasse soubesse da sua decendência. Falava só ingles e chinês(mandarim) e era difícil a comunicação, mas nós nos olhavamos muito e eu o achava interessante, o que é pior, tava numa tesão danada pelo homem. Ele também demonstrava uma atração incrível por mim. Não podiamos nunca estar sozinhos. A nossa aproximação era mesmo uma coisa estranha, tanto eu quanto o homem tinhamos de nos controlar na frente das pessoas para não nos agarramos mesmo, embora isto não tivesse acontecido nunca quando estavamos sozinhos, parecia que nos queríamos cultivar aquilo tudo para um só momento. Um dia vi o chinês tomando banho, me aproximei dele e já vi a sua reação, que não podia ser escondida, trocamos uns dois beijos prolongados, ficamos doidos, mas estávamos no meio da rua quase, e tivemos de nos controlar, mas a partir daí as coisas começaram a andar, embora só ficassemos nos beijos e abraços furtivos, nao sei bem porque. Um dia de domingo o chinês entrou no quarto onde estávamos eu e Gloria, vinha acompanhado de um outro homem, alto, forte, grande mesmo, e o homem pediu licença, mas queria falar com Gloria. E então o chinês vira para ele e diz alguma coisa, que ele traduz, informando a Gloria o que o cara quer, era ele uma espécie de intérprete, parecia que o chinês não queria errar nas palavras e arrumou quem fizesse a intermediação. Ele convidava Gloria para ir a um culto com ele, uma coisa da sua religião. Gloria diz que não. O chinês fica chateado e fala  novamente com o homem; eu olho para Gloria e pergunto com os olhos se deveria ir eu,  ela balança a cabeça que não; o chinês insiste, e eu digo que vou com ele. Ele gosta da idéia, mas não se conforma que Gloria não vá. Depois de muito tempo eu percebo que não era eu que deveria ir, pois quem tinha de fazer isto era a pessoa com quem ele deveria falar a meu respeito, a pessoa, que ele sabia, que poderia ser responsável por mim. Certamente o chinês queria dizer a Gloria que queria estar comigo, me levar, mas nós não entendemos. Bom o certo é que fui ao templo com ele, e o templo era mesmo um daqueles que a gente vê em filmes,com aquela casa que tem os telhados em curva, com coisas penduradas nas laterais, com escadaria na entrada, com aquelas portas enormes e lindas, enfim, um espaço lindo.(um pagode).

Este sonho teve muitas passagens, em uma delas eu tinha de tomar banho em um banheiro feio e cheio de limo, que me fez lembrar os banheiros do internato do São Raimundo. Num deses banhos eu encontro o chinês em um corredor, onde eu andava nua, o homem para e me olha com um olhar que ja vi antes nos homens  que me amaram em algum momento da minha vida.

O chines me dava carinho, muito mesmo, mas apesar da tesão não avançava mesmo o sinal.

Já estou outra vez no quarto de Glória, que era enorme mas estava sujo, eu tentava organizar as coisas, como sempre. Tinha uma uma coisinha lá que eu achei muito interessante: era uma rodinha em forma de flor, que tinha um pino, em que você colocava bolachas de chocolate. A bolacha tinha um furo que era encaixado no pino, eu pensava que aquilo nao era real, mas tinha mesmo bolachas de chocolates.

O que acharam deste sonho? Tô ou não ficando doida, será que é falta do que vocês estão pensando mesmo. Tesão por chinês, eu hein!

Outro sonho para lá de esquisito. Este foi em 8.7.2010. Não sei onde começou, mas sei que estávamos todos indo para uma festa. Só que esta festa era em algum lugar que não conhecia e era longe, também não sei qual o motivo desta festa. Era longe e por isso tinha um ônibus para nos levar. Todos vestidos de festa. O ônibus era imenso e tinha bancos de três lugares. Eu entrava no ônibus e ficava preocupada porque minha mãe não entrava, todo mundo se acomodando e ela não chegava, tinha muitas pessoas de cor, algumas conhecidas e outras não. Sissi estava lá toda de roupa rosa, estava bonita, tinha muitas crianças que brincavam com balões brancos amarrados em três. Quando o ônibus já estava completamente cheio e só havia um lugar para sentar, chega minha mãe correndo e senta-se junto de uma amiga dela, que não conheço: uma senhora grande e escura, com uma peruca, toda de azul forte brilhoso, parecia a Cesária Évora e começam a falar muito. O ônibus prossegue e nós vamos a um lugar que não sei mesmo onde era e nem se chegamos. Sei é que depois já me encontro na casa de Glória, que ficava perto do lugar onde acontecera uma cerimônia, que penso ter sido em uma igreja. Todo mundo queria fazer xixi e Elisa, minha irmã, vai e bate na porta da casa. Volta puta da vida dizendo que Marcos disse a Glória para não abrir a porta, nem mesmo quando ela disse quem era.

Eu disse que não acreditava e que ia ver o que estava acontecendo. Quando chego a casa, que ficava em um pátio grande e toda ela com os cômodos para este pátio, ou seja: a casa tinha os vãos independentes, você não passava por nenhum deles por dentro para se dirigir ao outro, como sempre as coisas de Maria da Gloria, um moquifo! No pátio, que era mesmo grande, havia uma lavanderia de pedra, daquelas antigas e uma outra pia. Logo quando eu chegava encontrava Ticiano, que estava para lá de magro, logo atrás dele uma moça muito queimada do sol, mas muito menina e muito da feia, ele se apressa em me dizer que aquela não era a namorada. Me dá muitos abraços. Logo vi Maria da Glória junto à lavanderia conversando com minha outra tia, e eu vou ao encontro delas e pergunto o que está havendo, Gloria me diz que são as cosias de Marcos, que ele disse que estava descansando e não queria ninguém lá, pois queria ficar na cama até mais tarde, e que ela estava morrendo de vergonha. Bom eu tento ir ao banheiro. A esta altura já tem uma porrada de gente na casa, inclusive uma outra tia minha que estava vestida de anjo e também queria fazer xixi, se vocês conhecessem a minha tia, saberiam o quão de hilário, era vê-la vestida de anjo. Para ela entrar no banheiro foi preciso quebrar a porta, e ela entrou com as asas de anjo e eu disse a Natércia, que quando ela saísse era melhor voltar ao normal, tirando as asas e colocando os chifres vermelhos, fazendo o gesto com as mãos para demonstrar. Minha tia fica retada com o meu comentário, mas não me diz nada. Depois todos se acomodam como podem no espaço e eu, sacanamente, resolvo fazer um teatro que era para sacanear Marcos e proponho uma apresentação da casa para venda. Todos me olham e eu começo: A casa é composta de três quartos. O primeiro, este que os senhores vêem fechado com uma cortina, só da para uma cama de solteiro e mais nada. O segundo, e este era onde o Marcos estava, ele não deixava abrir a porta  aos berros dizendo impropérios, tem uma cama de casal, um guarda roupa: pêra aí que eu mostro. Ao ouvir isto Marcos sai do quarto visivelmente bêbado. Cabelos desgrenhados, um short azul e ele colocou o pinto para fora pela extremidade do short e ficava mostrando-o a toda a gente. Tico, meu primo, quase chorava e dizia que não entendia porque ele estava fazendo isto. Marcos volta para o quarto e pega um prato de feijão, o grão do feijão era marron e enorme e o caldo caia do prato para cima da cama, ele pegava as carnes com o garfo e dizia que quem tinha feito a feijoada, que fora um amigo dele, não sabia usar as panelas, porque deixou a lingüiça queimar. Tico tentava acalmá-lo sem muito êxito.

Todos estavam constrangidos e queriam ir embora. Maria da Gloria estava lívida, mas nada fazia.

Saímos e andamos pela rua, tinha havido uma grande festa, pois a rua estava suja e ainda decorada, a esta altura eu já estava com a Vera e eu dizia a ela: tem um som ali, vamos atrás dele, porque se não arranjamos nada, e eu estava falando de homem, hoje, nunca mais teremos chances.

Alguém que sonha um negócio desse pode estar no seu estado normal? Claro que não!

Mas estes são só uma amostra dos muitos loucos sonhos que já tive. Outro dia conto mais.





domingo, 18 de abril de 2010

Serviço de alto falante

Ficava ansiosa; quando a tarde ia chegando já se preparava. Tomava banho, vestia um a roupinha fresca e ficava aguardando.
De repente um barulho! sim porque aquilo era um barulho, não era um som. Uma voz fanhosa começava, entre ruídos estranhos a falar: “bõa tarde senhoras e senhores ~~ desta bela cidade de Camaçari, estamos começ~~ando mais uma edição”. Ruídos estranhos, parecia que alguém estava arranhando algum metal em outro, descargas, sons imprecisos, zoadas diversas. De repente o som fanhoso começava a ser identificado. Era abertura oficial: “Qual Cisne branco que em noite de lua, vai navegando sobre o lago azul, o meu navio também flutua, nos verdes mares de Norte a Sul, linda galera[...]”.Não entendo até hoje porque um serviço de auto falante de uma pequena cidade do interior tinha de abrir os serviços com o hino da Marinha, talvez o locutor tivesse servido na marinha, ou, frustado, tivesse sonhado em ser marinheiro, enfim, não interessa, o que interessa é que, decorou o hino da Marinha do Brasil, pois todos os dias, às 4:00 horas da tarde, a vida lhe dava alguma esperança de melhora exatamente por ouvir este hino. Acho que viajava junto com a Marinha do Brasil nos versos daquele ufanismo