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segunda-feira, 9 de junho de 2014

Para quem gosta de carne - Malassada


Desde muito pequena gosto de carne, e, principalmente, da malassada, ou malassado, que era feita por minha avó Antonieta e por minha mãe.
Todos nós lá em casa somos carnívoros, de pai a neto, ou melhor, de fio a pavio, só deixamos de comer carne quando o dinheiro não dava nem para o ovo de galinha, quiçá para alcatra, filé especial ou filet mignon, carnes recomendadas para a malassada, que, como o nome sugere é uma carne muito mal passada, mas que fica saborosa. Por gostar tanto e achar que todos devem degustá-la, digo a maneira como eu faço e que todos, sem exceção, que já a provaram, adoram
Detalhe: é uma comida rápida e combina bem com arroz, batatas ou macarrão, mas um caldo desta maravilha por cima do feijão nosso de cada dia é imperdível. Ah! Também é excelente para os preguiçosos que não gostam de ficar na cozinha.
Carne - Filé mignon, filé especial (contra filé) ou alcatra (prefiro os dois primeiros)
Molho – Tomate, pimentão, cebola e alho.
Tempero – pimenta do reino, sal e extrato de tomate.
Limpe a carne tirando todas as nervuras. O tamanho é você quem decide. Se for contra filé e estiver muito largo, corte no meio no sentido vertical.  Passe na carne o sal e a pimenta, depois que tiver passado os dois, lambuze a carne com o extrato de tomate (pouco, pois é somente para ajudar a carne a ficar dourada). Se estiver sem pressa deixe um pouco no tempero, caso contrário pode passar à segunda fase de imediato.
Coloque uma panela, ou se preferir, uma frigideira no fogo (eu faço na caçarola para não sujar o fogão), deixe esquentar bem, muito mesmo, coloque um fio de azeite de oliva, eu boto bem pouquinho, deixe esquentar bem o azeite, quando estiver bem quente coloque a carne, deixe dourar de todos os lados. Para ela ficar bem dourada, enquanto estiver dourando, levante a carne e deixe a panela secar e fazer aquela crosta marrom no fundo, recoloque a carne esfregando-a no fundo da panela, para que ela pegue toda aquela cor, vá fazendo isto até que todos os lados estejam da mesma tonalidade.
O levantar a carne e deixar a panela ficar com o fundo marrom é fundamental, porque a carne fica dourada e evita que ela passe do ponto, pois a malassada é mal assada mesmo, tem de ficar dourada por fora e vermelha por dentro.
Pronta a carne coloque-a em algum recipiente e passe a fazer o molho: bote na panela o pimentão, a cebola o alho e o tomate cortados em rodelas (com o vc preferir). Coloque um pouco, mas muito pouco mesmo, de água para ajudar no cozimento dos temperos, uma colher de extrato de tomate, se quiser e perceber que o resíduo que ficou na panela não é suficiente para dar gosto ao caldo, coloque um caldo de carne, mais um pouco de sal e pimenta, deixe amolecer bem, o caldo fica com uma cor de ferrugem.
Na hora de servir,coloque a carne em um recipiente que dê para ela ser cortada em fatias, que devem ser finas, a fim que o sabor da carne seja realmente percebido, jogue o molho por cima juntamente com o caldo que saiu da carne enquanto ela estava esperando o molho ficar pronto. 

Acompanhe com macarrão a alho e óleo e manjericão (se não souber fazer me pergunte que eu digo como é; com arroz, purê de batatas, enfim, o acompanhamento é você quem decide. Mas se preferir o macarrão, faça este, porque outro molho vai mascarar o sabor da malassada que é a vedete da festa.

Bom apetite.

sábado, 9 de junho de 2012

O domingo e as sacolas da esperança



Talvez estar ouvindo Anísio Silva me tenha trazido esta nostalgia. Acho que não, entretanto, ajudou muito.
Estava andado pela manhã e pensando: Hoje é sábado, véspera do domingo e me vi ao tempo em que, para nós, eu e a minha família de cinco irmãos, em que o sábado era prenúncio de um domingo com comida. Isto mesmo: comida, coisas diferentes e dia de suco ou então de refrigerante, que era o guaraná Fratelli Vita. Alguns podem até achar que isto é brincadeira, que até mesmo estou inventando o nome da marca de refrigerante, mas não é não; esta fábrica de refrigerantes existiu durante muito tempo em Salvador- Bahia, na cidade baixa, ali pelo Caminho de Areia, acho que é este o nome da rua: sei que ficava perto do largo de Roma, na ligação entre este largo e o da Boa Viagem, eu adorava o guaraná e minha mãe gostava muito era do de limão.
Quando morávamos em Camaçari, já lhes disse isto, o sábado ainda era mais importante para nós porque era o dia em que meu pai voltava do trabalho. É que ele trabalhava, dizia ele, numa padaria em Madre de Deus e só aparecia nos finais de semana, embora não todos.  Quando ele vinha o negócio era mesmo bom, apesar de tomar porrada, eu e Tininho, em função das queixas de minha mãe, que não se contentava em nos lapear todos de cipó caboclo, ainda queria que meu pai aproveitasse os dois pedaços de carne tenra e tirasse a sua lasquinha, apanhávamos, mas tínhamos a certeza que íamos comer melhor, embora o feijão e o arroz estivessem no cardápio igualmente  a todos os outros dias da semana, isto é: quando ambos se encontravam, teríamos uma galinha, um bife, um bacalhau desfiado, daqueles bem fininhos, mas teríamos. Além disto, também, podia aparecer aqueles pães doces com formatos variados, “jacaré”, “peixe”, “trança” etc. Era uma verdadeira festa.
No domingo, tínhamos também direito a ouvir música no velho “aparelho de som de meu pai”, um “pick up” que era colocado em cima do antigo rádio, que pegava ondas médias e curtas, inclusive estações de radio estrangeiras.  Meu pai fazia umas ligações atrás do rádio conectando o “pick up” ao alto falante dele, e o som fanhoso dos discos de vinil (Bolachão) começava a sair.  Meu pai era o único que colocava os discos para tocar, ai de nós de pegássemos nesta porra, se a agulha arranhasse algum dos seus discos, o pau comia. Minha mãe não deixava mesmo, quando meu pai saia para retornar ao trabalho, ela cobria o “pick up” com um pano e ele jazia ali, inerte, até a volta do seu “bolinador”. Meu pai tratava o bicho num carinho da porra, tínhamos sempre uma agulha reserva, porque a música não podia faltar mesmo, com toda a miséria ela nos alegrava.
Se meu pai estivesse de bom humor e não ficasse bêbado de vinho de garrafão de cinco litros, que ele tomava feito água, e nós tomávamos como suco de uva, depois de devidamente misturado com água e açúcar, ele dançava com nós duas, minha irmã mais velha e eu. Ele nos colocava em cima dos seus pés e ia nos levando sala afora, na hora da virada era que era uma merda, a gente sempre se desequilibrava e caia e ele se retava, mas foi assim que aprendemos a dançar o passo doble de que ele tanto gostava.
Foi com este som fanhoso  que aprendi a gostar da Orquestra “Casino de Sevila”, uma orquestra espanhola, que  tocava  muitos passos dobles. Havia uma linda e triste música que sempre me dava uma grande tristeza, embora eu não entendesse perfeitamente o motivo, só entendi tanta dor que sentia no peito, à época, quando, mais velha, percebi o que era mesmo a vida de um emigrante, que deixou a sua terra sem ter qualquer perspectiva de a ela retornar, como aconteceu com o meu pai, seu irmãos e a família (tia Palmyra e tio Augusto – meus padrinhos) que trouxeram-no da Espanha aos treze anos de idade. A música é linda e chama-se “El Imigrante”, quando o cantor diz “Adios me España querida dentro de mi alma te llevo metia, aunque soy un emigrante, jamás em La vida yo podré olvidarte.... Yo soy un emigrante y traigo a esta tierra extraña em mi pecho un estandarte, con la alegria de España, con mi pátria y com mi novia, y mi virgin de “Sani”, y mi rosário de cuentas yo me quisiera morir”. Ouvi esta música muitas vezes, continuo me emocionando todas as vezes que a ouço, pois comprei o CD.  
Bom, o fato é que o domingo, quando meu pai estava trabalhando, porque ele passou algum tempo completamente desempregado, época em que comíamos o que estivesse pela frente: de abacate verde a papa de farinha de mandioca com água e sal, e ainda assim tínhamos de agradecer, nós ficávamos mesmo felizes. A felicidade, à época, era exatamente isto: termos comida. Quando víamos meu pai aparecendo na esquina da rua onde morávamos carregando sacolas, a alegria estava estampada nos nossos rostos, nos nossos os de seus filhos, quanto no dia de minha mãe, que, mesmo passando tanta necessidade, sempre esperava ansiosa a chegada de meu pai, ao menos ela tinha mais um alento além da comida, nesta noite, se ele não chegasse já “comendo água”, ela podia ter uma esperançazinha que faria um pouco de sexo, que ela sempre gostou, nunca escondeu isto. Eu a ouvia diversas vezes  conversando com as amigas lá de Camaçari a respeito das suas caminhadas sexuais noturnas com o “Espanha”, que era safado mesmo, Ele é ibérico e não nega a raça, vide Julio Iglesias que também é da Galícia, o pai dele, e muitos outros ibéricos que conheci durante a minha vida. Acho que esta região da Europa se vinga das dificuldades que passaram e passam com muito sexo, em surdina, quase escondido, porque como eles também são muito religiosos, tudo tem de ser feito mesmo é dentro das quatro paredes, isto nas pequenas aldeias, onde ainda hoje as mulheres vestem preto e falam de sexo somente entre si, quando estão reunidas.
O fato é que aquelas sacolas que faziam meu pai chegar torto do peso e da cachaça, eram as nossas fadas, lembro perfeitamente delas, de nylon com listras de diversas cores, elas transformavam os nossos domingos em dias de festas.
Pois é, pensei que nunca mais teria uma sensação destas, ficar feliz por ter comida, mas o incrível é que tive, não em relação a mim mesmo, mas vi uma mãe de família que conheço, estar radiante porque ela tinha chegado do supermercado onde tinha comprado a carne para todo o mês, não se importava ela de não ter conseguido comprar mais nada, mas a carne estava garantida, e ela estava mesmo muito feliz e agradecida a Deus, era mais um mês que eles não teriam qualquer necessidade em termos de comida, o resto eles resolveriam, mas a comida ali estava.
Sorri diante daquela felicidade, sorri, mais ainda, quando ela com o brilho no olhar abriu a geladeira e me mostrou toda a compra feita e realmente me reportei ao tempo em que a nossa felicidade, a minha e da minha família, era ver as nossas “fadas” dobrarem a esquina nos trazendo a certeza de dois dias, ao menos, de fartura, e nos dando a certeza de que sempre existiria um arco íris igual ao das suas listras para que nós tivéssemos forças para aguentar os dias que pensávamos que nossas barrigas não suportariam o roncar das tripas, que já não aguentavam mais água e farinha e manga verde de sobremesa.    

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Dr.Cinquentinha

A primeira vez que fui para aquelas plagas, o fiz por dever profissional, até porque ir para aquela cidade do interior, no extremo sul da Bahia, por prazer era impossível: primeiro a distância, segundo a rima não muito rica do nome já deixa antever o que ela é mesmo, uma cidade feia, limitada com outras tantas cidades feias e violentas: Eunapólis, Teixeira de Freitas, e ainda muito próxima aos Estados de Espírito Santo e Minas Gerais, que despejam milhares de pessoas por este interior da Bahia, umas boas, outras muito más.
Bom, mas não comecei isto para falar da cidade e nem das suas fronteiras, nem mesmo, do povo. Estou fazendo o texto para falar de uma grande figura que conheci neste lugar tão esquisito, que faz a gente duvidar que abrigue uma pessoa como esta de quem estou a falar. Ela vive ali, curtindo e sendo feliz. Somente por isto já se vê que estou a falar de uma pessoa para lá de especial.

Inconfundível, diria eu, especialmente diferente, singular e plural ao mesmo tempo, singular pela sua própria inconfundibilidade, plural pela sua grande alma, que aceita a todos e tudo com uma naturalidade invejável.  

Não vê ele defeitos nas pessoas, esses são virtudes mal encaradas, motivo de muitas gozações, de muitos risos, mas de nenhuma crítica. As pessoas são aceitas como elas são, e elas chegam e saem da sua vida dessa maneira, embora todos os que conheci, e que não saíram da sua vida, apenas se afastaram, tenham por esta figura um grande e imenso carinho.

Mas, deixem-me dizer-lhes como conheci este “ser” especial: fui convocada para trabalhar na cidade da rima rica.  Estava acabando de assumir um cargo importante na minha terra, muito importante para muitos; para mim, uma profissão com um pouco mais de responsabilidade de que as demais, porque você trabalhava a vida dos outros, não como o faz o médico, mas de uma outra forma que pode deixar muitas marcas, pois você pode acabar com a vida de uma das partes envolvidas na relação, que também podem acabar com a sua.

Mas isto também não interessa! O fato é que fui trabalhar naquela cidade de muitas ladeiras e de hotéis com portas curtas, isto é; portas que não chegam até o chão, resultando que fica um vão entre a porta e o chão,  e às vezes, também, na parte de cima, o que dá para perceber o movimento do quarto e ouvir tudo o que se passa, seja no corredor, seja nos demais quartos, seja na recepção; enfim, participa-se de tudo, uma hospedaria mesmo, em que os hóspedes terminam ficando tão íntimos que, mesmo sem conhecer um ao outro, podem contar toda a vida de cada um a outrem. Imaginem que beleza!

A viagem de Salvador para a cidade da rima rica dura 12 horas, num belo ônibus leito, do qual um dia tive saudade quando, em 1990, fui pela primeira vez a Europa num avião mínimo, com espaços mínimos, que as minhas pernas chegaram praticamente dobradas, sem condição de esticar, afinal foram 12 horas de vôo. Ainda não tínhamos avião direito para Lisboa saindo daqui de Salvador, para irmos para o exterior tínhamos de pegar a conexão em Rio de Janeiro ou São Paulo, por isso tantas horas de vôo e esperas em aeroportos.

Cheguei cansada, como é obvio, às 07h00min da manhã e o trabalho começava as 08h30min, portanto, só foi o tempo de me instalar no meu quarto conjugado com os demais hóspedes e ir para o trabalho. Estava ansiosa por um motivo, eu ia fazer uma série de audiências de impedimento, porque o advogado era filho da Juíza titular, ou seja; eu ia passar um dia quase todo fazendo audiências com um só advogado de um dos lados da mesa, prenúncio de um dia chato, com muitos aborrecimentos. Deixem-me dizer que não só o rapaz era parente da Juíza, como, também, a diretora de secretaria o era. Uma família que trabalhava unida... Pois é eu peguei, de cara, este abacaxi. Para rimar com a cidade deveria dizer “abacaxu”. 

Dentre as inúmeras audiências da pauta havia algumas contra a Prefeitura local e contra o Banco do Estado da Bahia, que ainda existia. Não gostava de fazer audiências de bancos, nunca gostei, os advogados só faltam se matar, um para tirar do banco e o outro para não permitir que se tire: horas extras intrabalhadas em muitas ocasiões, muitas vezes comprovadas por inúmeras testemunhas sem qualquer ética, moralidade, dignidade, cidadania, pois mentiam escancaradamente sem que a pobre julgadora pudesse, ao menos, declarar esta falta de verdade.

Em Salvador, quando disse a alguns colegas que ia para aquela cidade, todos, sem exceção, me falaram do “Cinquentinha”, era este o seu apelido dentro da comunidade forense, isto porque qualquer proposta de acordo, fosse o processo de grande, ou de pequeno valor, a proposta era a mesma, “pago cinquentinha”. Achei engraçado, embora considerando uma falta de respeito para com o próprio magistrado, porque entendia a proposta, se o valor da causa fosse grande, um deboche, aliás, continuo achando. Ninguém me disse como ele era, quem era, só me deram esta dica.

Comecei as audiências e, logo de início, havia uma em que a reclamada era a Prefeitura local. Respondendo ao pregão entram as partes acompanhadas dos seus respectivos patronos; e aí me vem a figura: cabelos encaracolados de um castanho bem claro, uma cara sorridente, um rosto peculiar, um corpo pequeno e com um desvio para um dos lados, que embora de direita, seguia, relativamente, uma esquerda, acredito que um pouco festiva, pois, muito burguesa, ligada a muitos luxos e sabores, que não posso acreditar que esta tendência pudesse ou possa, um dia, vir a ser radical. Viajar para Cuba ou para a Rússia não faz de ninguém um grande  socialista, ou comunista, ou ainda,  um seguidor do marxismo, enfim, mas isto não vem ao caso.

A audiência começa e eu pergunto: Há alguma possibilidade de acordo? Há sim doutora, responde aquela figura com uma voz “colossal”, nada condizente com a sua aparência, quero dizer, a gente espera uma voz menos postada, menos grossa: “cinquentinha”.  Apesar de achar mesmo a proposta debochada, não pude deixar de rir, porque naquele momento fui oficialmente apresentada ao Dr. “Cinquentinha”, o amigo de todos, um homem feliz, com muitas estórias e muito carinho e atenção pelos nossos pares, de quem se fez amigo de tantos quantos por lá passaram.

Fiz audiência até tarde, muitas mesmo, e, por isso mesmo, não tive condição de sair para almoçar, ou seja; quando sai da sala da audiência, lá pelas quatro horas da tarde, não havia mais lugar para comer, resultado, comi frutas e pão com queijo e pronto.

Estava cansada e fui para o hotel fazer as decisões, muitos processos de banco conclusos, uma “merda” colossal, mas que jeito! Quem tá na chuva tem de se molhar, e eu me molhei muito, pela grande responsabilidade que tive em todo o tempo em que exerci a profissão que “escolhi”; escolha feita por necessidade, ou não, mas escolha.

No dia seguinte, já familiarizada com o “Cinquentinha”, já não estranhei as propostas de acordo, embora tivesse lhe dito que aquilo era uma brincadeira, e ele me convidou para almoçar na casa dele. Em principio disse não, até porque achava mesmo um inconveniente fazer isto, por todos os motivos possíveis, inclusive o de ir para a casa de um advogado militante, aquilo não ia soar bem, embora uma boa parte dos colegas que por ali passaram me dissesse que o melhor mesmo era ser amigo do doutor e comer na casa dele, porque a “Mariquinha” era uma cozinheira de mão cheia, e eu não ia encontrar um lugar melhor para almoçar; depois eu nunca sabia o horário que a audiência terminaria, portanto, não poderia acertar almoço na casa de pessoa alguma. Quanto ao segundo motivo isto foi resolvido pelo próprio “Cinquentinha, que me disse que a hora que eu saísse da audiência poderia ir  almoçar, porque a Mariquinha estava a me esperar, sem qualquer problema.

Não tive muita saída e fui almoçar na casa do “Dr. Cinquentinha”, agradeço imenso a gentileza repetida em muitas oportunidades. Mariquinha realmente era uma grande cozinheira, aliada a isto estava a grande qualidade de ser uma espécie de gerente da casa do doutor; ela cuidava de tudo acompanhada dos seus ajudantes de ordens; os dois filhos dela. Quando a conheci  era apenas uma, que tinha o apelido de deputada, o outro, que era homem e nasceu bem depois, certamente, era o deputado, quiçá senador; vereador é que não seria: o cargo não tem élan para que o seu portador freqüente a casa.

Quando conheci o “Dr. Cinquentinha” ele estava descasado, acho eu, tinha a recém separado da mãe de sua filha; ele estava sozinho, mas nem tanto assim, porque tinha “as mineirinhas boas demais” que sempre estavam dispostas a lhe fazer companhia, além disto tinha ali a sua família, todos bem posicionados. Eram de lá e lá se estabeleceram, embora a família tenha esticado os braços alcançando o Rio de Janeiro, onde o próprio Dr. estudou e Minas Gerais, onde uma de suas irmãs morava lou ainda mora. Todos pareciam muito felizes e grandes “viventes”, andavam de bem com a vida, gozadores naturais dela e dos outros. Muitos sobrinhos triplicaram o clã, um deles, que bem me lembro, trabalhou comigo; um outro, conhecido por “nariz de cera”, era muito ligado ao tio, e eu morria de rir ao conferir porque era assim chamado, é que o nariz era bem grande.

Foi na casa do “Cinquentinha” que comi, pela primeira vez, “javali”,  acho eu que foi esteo bicho, preparado a duas mãos; a dele e a da Mariquinha; ele, claro, o “gourmet” fazia o tempero com vinho, etc., e ela é que ficava responsável pelo “assar” o bicho, que tinha de ir para o forno com a” vinha d´alho” e pelo tempo proporcional à quantidade de quilos da carne. Já não me lembro a proporção, mas sei que assim era.

Comi muitas e diferentes comidas na casa do "Cinquentinha", temperadas ou não por ele, mas sempre com a participação providencial da Mariquinhas. Lembro-me de uma lagosta à “não sei quem”, parece-me que a "fidel castro",  que, diziam ser uma maravilha, eu não comia porque nao gosto da bicha. Degustei queijos, bebi bons vinhos, com a musica ambiente escolhida pelo Dr. que, diga-se de passagem, tem excelente bom gosto. Não admira as tantas namoradas que conheci, seja grande, seja pequena, mineirinha ou não, todas pareciam apaixonadas pelo galã, que sabia realmente agradar uma mulher.

Foi com ele, e por ele, que conheci muitos lugares no extremo sul da Bahia: Prado, Canavieirasou Caravelas, já não lembro, Cumuruxatiba, carinhosamente chamada pelo clã de “cumuru”, Carnaíva. Estive inúmeras vezes em Porto Seguro, imagine que até conheci Teixeira de Freitas, não sei bem para que e nem o motivo, mas sei que lá estive em companhia do Dr., com  o qual o pior lugar ficava bonito, contagiado com a sua alegria, a sua risada, a sua vontade de viver e de ser feliz. Com ele a gente vê a beleza onde ela, em princípio, não existe.

Cumuru, entretanto, de todos os lugares que estive, foi o especial, estive lá várias vezes: fui com filhos, com amigos, com o companheiro, com irmãos, aquele é um lugar abençoado, até porque, tem o Dr. Cinquentinho como filho natural. A família domina o pedaço e é muito bom ver todos eles reunidos, mesmo quando isto contrariava uma rainha com a qual ele conviveu por certo tempo e com quem, também, teve um filho.

Tive grandes momentos na companhaia do “Cinquentinha”, estive em uma das mais belas comemorações do seu aniversário, que é um evento seja em Cumuru, seja onde ele resolve festejar. Tenho muitas saudades, e vou fazer força para, este ano, no dia 06 de setembro, estar onde ele estiver para comemorar e agradecer os bons e grandes momentos que compartilhamos, nós e as nossas famílias.

Continuo tendo noticias do “Cinquentinha”, que agora toca piano, comprou um para a sua casa, e tem um tocador particular para um “happy hour”. Podre de chic! Agora tive o prazer de descobrir que ele é um seguidor do blog, pelo que agradeço, registrando, entretanto, que o começo deste texto já estava no prelo quando descobri mais um seguidor, e que para minha surpresa era ele.

Obrigada amigo, agradeço cada minuto de prazer que proporcionou a mim e aos meus, bem como a sua admiração, o seu respeito para comigo. Continue feliz distribuindo simpatia e conquistando amigos, com o seu riso franco, aberto; com o seu riso contínuo que parece não querer parar, certamente para contagiar quem esteja do seu lado e que, por mais triste que venha a estar, possa sorrir também. Um grande abraço e obrigada por me permitir conhecê-lo.  

sábado, 11 de dezembro de 2010

EMPANADA GALEGA


MASSA

1 Kg de farinha do reino

300gr de banha de porco

1colher de sopa de fermento biológico (Flechman ou Itaquara)

1 copo d´água com sal



RECHEIO

1 kg de tomate

6 pimentões maduros

1/2gk de cebola

1 1/2kg (camarão, peixe, galinha, bacalhau)



MODO DE FAZER

Misture os ingredientes da massa em uma bacia ou tigela bem grande até que tudo se transforme numa massa uniforme e lisa. Bata bem a massa, não tenha pena, para que ela fique macia. Deixe descansar por, mais ou menos, 1 hora.

Enquanto a massa descansa, faça o recheio. Corte todos os temperos em cubinhos e misture com o camarão, ou com a galinha, ou com o bacalhau, enfim, com o que tiver escolhido para o recheio. Refogue com azeite, sal a gosto, (cuidado se for bacalhau) se for galinha lembre-se que deve cozinhá-la e desfiá-la antes, para depois fazer o refogado com os temperos. O mesmo se aplica se o recheio for de outro peixe que não seja bacalhau (este não precisa ser cozido antes. Coloque algumas folhas de louro, pimenta e, se gostar, coloque um pouco de açafrão. Deixe refogar até que os temperos amoleçam um pouco; não deixe despedaçar. Retire do fogo e deixe esfriar, é importantíssimo que o recheio fique frio, do contrário, quando você colocá-lo sobre a massa, ela vai encruar.

Enquanto espera que o refogado esfrie, vá começando a abrir a massa. Divida em duas porções, e estire a primeira metade muito bem estirada, use o rolo de macarrão para isto, aquele velho rolo de madeira.

Unte uma assadeira, das grandes, ou pirex, como queira, com banha, polvilhe farinha, e cubra todo ele com a massa que acabou de esticar, tendo o cuidado de cobrir muito bem todo o recipiente, deixando que as sobras passem das beiras.

Estire a outra metade e reserve.

Coloque o refogado, que já deve estar frio sobre a massa que já esta na assadeira. Feito isto, venha com a outra parte da massa e coloque por cima, fazendo um tampão. Com as bordas da parte de baixo da massa feche ela toda, de modo que não fique qualquer espaço para o recheio sair. Com a parte que sobrar da massa, faça rolinhos e faça o enfeite que quiser sobre a massa. Faça uns furos na massa, delicadamente, com a ponta do garfo, regue com azeite, não tenha pena, e coloque para assar em forno a 180º. Regue com mais azeite por umas duas vezes enquanto estiver assando. Quando as paletas da massa começarem a ficar morenas e estaladiças, pode tirar do forno que a empanada está pronta, o processo deve demorar por volta de 1 hora, uma hora e vinte, vai depender do forno.

Não quero fazer um livro de receita, e nem estou me propondo a nada que se assemelhe a ensinar ninguém a cozinhar, até porque não sei, mas resolvi partilhar com vocês esta receita de empanada galega, porque é mesmo uma comida dos deuses, certamente que ibéricos.

Quem fazia esta empanada era a minha mãe, uma brasileira, baiana de Cachoeira-Bahia, portanto, muito mais chegada às comidas de influência africana de que ibéricas. Ela fazia as comidas de santo, como se chama na Bahia, os carurús em homenagem aos santos (orixás) carurú de Santa Barbara, carurú de São Cosme, avisando, para quem não tem intimidade, que o caruru não é só a comida feita com o quiabo, ele envolve, também o vatapá, a galinha, a farofia, o feijão preto, o feijão frade, arroz (que tem de ser grudado), milho branco. No de São Cosme ainda se coloca: banana da terra frita, acarajé, abará, cana de açúcar, rapadura, inhame, coco cortado, pipoca, abóbora, ovo cozido. Uma miscelânea da porra, que se não conseguir agradar aos santos, agrada aos comensais. Ela também era expert em feijoada; dobradinha, galinha de todas as maneiras, carneiro, cabra, bode, mal assado, cozido, enfim, ela cozinhava muito bem, quando os ingredientes apareciam. Imagine que ela conseguia dar gosto ao chuchu, porque fazia uma torta de chuchu com molho de tomate que era mesmo uma maravilha (tia Mary que o diga).

Pois é, minha mãe casou-se com um espanhol e aprendeu a fazer comidas espanholas, mas no que ela ficou expert mesmo foi na “empanada”. Ficou tão retada nisto que, a espanholada, parentes do meu pai, quando tinham festa em casa, festas que eram tipicamente “galegas”, pediam para que ela fizesse as empanadas, que nunca eram menos de 5, e a pobre coitada tinha que amassar uma enorme quantidade de massa, não sei como agüentava, pois aquilo dá uma canseira nos braços da zorra. A gente fica mole depois que faz uma só, imagine de cinco em diante.

Bom, comi muitas vezes empanadas feitas por minha mãe, mas ele ficou velha e não tem mais forças nos braços, por isso, um belo dia resolvi fazer uma seguindo a receita que tenho em um caderno que ela mandou fazer. As folhas estão amareladas, mas as receitas ainda estão nítidas. Fiz a zorra com recheio de bacalhau. Rapaz! Não nego não: o negócio ficou bom mesmo. Meu amigo Pedro era só elogios, comeu que só. Depois fiz mais algumas vezes, mas como é um processo muito cansativo, só repito a dose em ocasiões muito especiais. Talvez, quem sabe no Natal,  vamos ver.

Se tiverem coragem de seguir a receita, experimentem, e saibam bem porque minha mãe virou, para a galegada, a “Rainha da Empanada galega”. É que ela conseguiu misturar sangue e amores, o seu de baiana nata, com o adquirido pelo amor, o espanhol.

E viva a Balicia (Bahia e Galicia)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Agradando o Estômago e o Espírito em Lisboa

Não pense que só tem bacalhau nesta terra. Aqui há uma variedade de pratos típicos que vocês nem vão acreditar, para quem gosta de peixe e frutos do mar então, realmente é de babar e satisfazer o mais requintado paladar.

Se você vier a Lisboa, tenho algumas recomendações, nada de sofisticado e nem de coisas caras, também posso indicar-lhe isto, mas acho que, quem vem aqui deve comer mesmo os pratos típicos portugueses, os pratos do dia a dia que eles comem, tanto em casa, quanto em restaurantes (tascas).

Primeiramente, uma advertência: não estranhe quando entrar em um restaurante e vir uma sala mínima, com mesas coladas umas às outras. Isto aqui é normal, há restaurantes, como o do Sr. Davi, que para a última pessoa da fila sair, aquele que estiver sentado junto à parede, tem de incomodar todos os outros clientes que estão sentados nas mesas anteriores. Não se acanhe se isto acontecer com você, aqui isto é normalíssimo e não há qualquer stress. Todos levantam na boa e ainda lhe cumprimentam, alguns até pedem desculpas, não sei bem por quê.

Há muitos pratos que são servidos em quase todos os restaurantes em dias específicos da semana; por exemplo: na segunda feira é costume servirem em muitos deles – Bacalhau com grãos- que é o bacalhau cozido com grão de bico, cebola, alho e claro, muito azeite, que neste prato, é colocado na hora que se come e em temperatura ambiente.

Aqui tem uma estória de pratos de verão e pratos de inverno: a exemplo de mocotó, que aqui chama - se mão de vaca. Sem dúvida que é feito de uma maneira completamente diferente do nosso, pois só se coloca mesmo a mão de vaca e chouriço cortado em rodelas, mas este prato só é servido durante o inverno, no verão ele desaparece por completo, você só come mão de vaca, no verão, se fizer em casa, ou então, comprar, como eu faço, a que vem enlatada, que quebra um galho retado. Normalmente é servida nos restaurantes dia de quarta feira, disputando o cozido à portuguesa, em algumas tascas servido neste dia.

O dia efetivo do cozido, em muitos, mas muitos restaurantes mesmo, é a quinta feira. Engraçado, se bem me lembro, na Bahia também é assim: pelo menos no “Mini Cacique” eu comia cozido na quinta-feira. Na minha casa, normalmente, era nesse dia, mas nada que obstasse que ele também fosse servido no domingo.

Quanto ao cozido, tenho de lhe dar uma indicação: se você realmente quer comer um belo cozido à portuguesa, primeiro prepare-se psicologicamente, porque ele é muito diferente do nosso, mas tão gostoso quanto, depois vá ao Sr. Davi. O nome do restaurante é "A Merendinha do Arco" e fica exatamente depois que você atravessa o Arco que fica no Rossio, não há como errar. A tasca fica em frente ao ANIMATOGRAFO - no qual não recomendo você entrar depois de comer o cozido, mas se quiser ver um pouco de sexo explícito de péssima qualidade, e com uma grande maioria de pessoas não muito privilegiadas pela natureza, tanto quem é expectador, quanto quem se apresenta, vá em frente, é só atravessar a rua.

Tasca do Sr. Davi-Petiscos
Bom, voltemos ao cozido. Não fique chateado se tiver de esperar um pouco. Aguarde mesmo, aproveite e dirija-se até ao balcão e diga ao Sr. Davi, ou ao filho dele de nome Felipe, que você é meu amigo, mas fale assim: “sou amigo da Esmeralda”. Tenho certeza que você será hiper bem tratado, não que seja necessário ser meu amigo para que isto aconteça, mas terá uma atenção especial. O Sr. Davi pode lhe oferecer uns petiscos: torresmo, peixinho frito, peixe de escabeche, queijo e muitas outras coisas:, coma tudo! Tenho certeza que vai gostar.

Para acompanhar o cozido peça o vinho da casa, é bom e barato, não gaste dinheiro com os mais finos, deixe para outra ocasião. Se você não gosta de cozido, o que eu duvido, pode pedir qualquer coisa lá no seu Davi, tudo ali é bom, quem faz a comida é a esposa dele, que você pode ver em plena atividade na parte de cima do restaurante- um mezanino, onde funciona a cozinha.

Peça a Seu Davi uma patanisca para experimentar - uma espécie de fritada de bacalhau - que é mesmo uma maravilha.

Quando acabar de comer peça um”Gardhu” da casa, não espere whisky, o que vai tomar é uma bagaceira. É mesmo este o nome: “bagaceira”, uma cachaça típica de Portugal, forte para cacete, mas quem é do Brasil não precisa se preocupar com isto, pois temos mais fortes.

Se você gostar de marisco, não deixe de ir numa marisqueira, tem várias em Lisboa. Os mariscos, na sua grande maioria, são vendidos a quilo. Você pode comer sapateira – um caragueijão imenso, lagostins – eu não como porque não gosto, mas é uma lagosta pequena, o intermediário entre o nosso pitu e a nossa lagosta. As lagostas são imensas e você pode escolher no viveiro a que vai querer, isto também acontece com peixes, você pode escolher o que quiser na montra (vitrine). Mexilhões, navalheiras, canivetes, ameijoas, berbigão. Várias espécies de búzios. Tem nome de marisco que não acaba mais.

Eu não como mariscos, a não ser as navajas, que aqui se chama canivete, e as ameijoas, estas últimas aprendi a comer aqui em Lisboa, as primeiras comi em Espanha. É como se fosse lambretas pequeninas cozidas com muito alho, coentros, azeite e manteiga. Rapaz! Não nego não, é mesmo de arrombar. Mas tem um detalhe em relação a essas ameijoas: o nome do prato que você vai pedir é “ameijoas à bulhão pato”, e eu recomendo que você atravesse o Tejo e vá comer lá em Cacilhas, no restaurante que fica exatamente na saída do cais dos barcos, onde você desembarca mesmo, não dá para errar- "O Farol" é o nome dele, ainda aí você pode comer uma outra coisa que, também, aprendi a gostar aqui, até porque nunca vi isto em Salvador- Chocos, é este mesmo o nome, é um molusco, parente próximo da lula. Peça ele grelhado, tenho certeza que você nunca vai esquecer do bendito, mas você pode optar pelo polvo à lagareiro, neste mesmo restaurante. Nem vou dizer como é para não estragar a surpresa.

Bom, mas eu ainda não falei no bacalhau. Você pode comer bacalhau em qualquer tasca em Lisboa, vai ser bom: Pode ir ao “Baleal” que fica na Rua da Madalena, pode pedir em seu Davi, pode ir a Belém nos restaurantes que ficam em frente ao jardim, enfim, você pode comer bacalhau sem susto em Lisboa, em qualquer lugar, mas meu amigo não deixe de ir ao “Zé da Mouraria”, na sexta feira, e pedir o bacalhau á lagareiro, olhe que você vai ficar extasiado, primeiro pelo tamanho do prato, segundo pela qualidade dele. O bacalhau é assado na brasa, fica se desfazendo, quero dizer, você vai tirando ele do prato em lascas. Vem acompanhado de batas assadas e grão de bico cozido e nadando no azeite. É qualquer coisa de extraordinário. O Restaurante “Zé da Mouraria” fica na Mouraria, lógico, você entra na Rua do Capelão, uma rua que fica atrás do Centro Comercial da Mouraria, que fica na Praça Martim Moniz, mesma praça onde está o Hotel Mundial. Na entrada da rua tem uma estátua com um violão em homenagem ao Fado, dobre a primeira à direita, pronto, você chegou, o restaurante fica no lado direito em frente a um banco de madeira, colocado do lado de fora, para que as pessoas esperem a sua vez. Detalhe: tem de ir á pé, na rua não trafega carros. Recomendo que faça reserva, o negócio é bom e concorrido mesmo. Delicie-se.

Se, depois disto, ainda quiser comer bacalhau, se não se fartou, em outro dia vá até o Parque das Nações no restaurante que fica na alameda dos restaurantes e que se chama Sabores do Atlântico. Lá peça “Couvada de bacalhau”. Surpresa, não vou dizer como é de maneira alguma, sou vou lhe garantir que é bom a mais não poder. Acompanhe o bicho com um vinho do Alentejo, qualquer deles, mas se a grana tiver curta, tome o “Monte Velho” sem susto, ele também é de lá da região.

Para quem gosta de doces, o português não passa sem uma sobremesa, há bolos de bolacha, mousse de chocolate, que é melhor ser misturado com o cheirinho (cachaça) e, não estranhem, eles comem arroz doce como desert. Não sei como alguém pode comer arroz doce como sobremesa, principalmente depois de ter comido cozido, mas aqui é assim. Tem uma zorra que se chama “Molotov”, acho mesmo que é um. Não gosto da aparência e, com certeza não deverei gostar do sabor, nunca me arvorei a provar, mas o povo gosta muito e come bem, aliás, eles são realmente fanáticos por doces.

Eu poderia ficar aqui muito tempo falando de comidas e restaurantes, mas estas indicações são suficientes para que você possa saborear um pouco da grande culinária de Portugal, onde você ainda pode comer: Galinha de cabidela (molho pardo, mas com arroz já dentro); feijoada de chocos; caldeirada de peixe: açorda de camarão ou de marisco; mariscada; arroz de marisco (paella menos seca); arroz de pato; arroz de polvo; carne de porco alentejana (uma mistura de carne de porco com mariscos) Chanfana (acho que é assim que escreve – borrego no vinho); carne de porco preto; Leitão de Bairrada; leitão de Negrais; entremeadas grelhadas. Têm muito, mais muito mais coisas mesmo, mas fico por aqui esperando que você se delicie e me diga se gostou das recomendações.

Se quiserem, entretanto, petiscar apenas, sente em qualquer tasca da Rua das Portas de Santo Antão e peça: salada de orelha de porco, salada de ovas, salada de polvo, panados de porco no pão, pastel de bacalhau, chamuça, moelas estufadas. Se quiser comer um sanduiche típico de Lisboa, vá até a Estação do Rossio e veja um restaurante que se chama Gare aloguma coisa e, sem susto, peça uma bifana ou um prego.

Se, entretanto, você for ficar aqui por muito tempo e tiver saudades da comida do Brasil, vá comer uma feijoada e tomar a melhor caipirinha do mundo no “Uai”, veja o nome do restaurante que não é nenhuma coincidência. A feijoada é preta, o dono do restaurante branco e português, mas um profundo conhecedor de cachaça, principalmente do interior de Minas Gerais, a exemplo de Divinópolis. Fica no Cais, na Rua da Ponte Pedonal, é este o nome, não posso fazer nada. Se você estiver a pé em Lisboa, pegue o comboio e solte na estação de Santos, quando sair da estação já vai dar de cara com a rua do restaurante que fica lá no cantinho à sua esquerda, não dá para errar por causa da tal da ponte pedonal, que é assim chamada porque é só para pedestres, gostou ou quer mais? Você também pode ir comer um churrasco, não igual aos do Brasil, evidentemente, mas para quem tá longe daí é a melhor coisa que pode acontecer em termos de comer carne, “picanha”, é ir até lá. Fica no Parque das Nações e chama-se Búfalo Grill.

Mojito
Se você comer este churrasco no domingo, e depois tiver pachorra de andar e continuar ali pelo parque das Nações, e ainda tiver um lugarzinho para uma bebida, vá até o “Cuba Libre”. Lá você pede um Mojito, mas peça para ele ser feito pelo Zé, o caboverdiano que ali trabalha, que é inconfundível, porque esta sempre de boné, não há outro. Você pode pedir muitas outras bebidas, caipirinha, caipiroska, cerveja, etc. Veja a brasileirada se distraindo como pode em Lisboa. Morra de rir com tudo que você vai ver e presenciar e ouça as músicas que vão te fazer lembrar de nossa terra, algumas, coitadas completamente assassinadas pelos cantores, mas isto pouca importa, o bom é estar lá. Olhe o Tejo, fique inebriado com tanta beleza e agradeça a Deus a oportunidade.
O Zé do Cuba Libre

O Tejo visto do Cubra Libre
           
      BOM

 APETITE









quinta-feira, 1 de julho de 2010

EISBEIN MIT SAUERKRAUT


Em dezembro de 2008 foi a Berlim, Alemanha. Estava eufórica, afinal, depois de mais de 25 anos ia comer, outra vez, um autêntico e saboroso EISBEIN. Não sabem o que é isso? Digo-vos: É uma típica comida alemã feita com joelho de porco cozido acompanhado com o legitimo chucrute, aqueles repolho cortado bem fininho e bem avinagrado, delicioso e com um condimento chamado “zimbro”.
No avião já ia imaginando como seria aquele encontro com o prato que comeu pela primeira vez em um restaurante típico alemão, mas no Brasil, em uma estrada que liga Santa Catarina ao Rio Grande do Sul. Achou uma maravilha, mas nunca mais encontrou tal prato em lugar nenhum por onde passou, também, morando na Bahia, se encontrasse qualquer coisa parecida, certamente, estaria temperado com azeite de dendê, àquela época.