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terça-feira, 21 de janeiro de 2025

UMA MULHER CHAMADA LISBOA


Outro dia, no Facebook,  vi um Homem dizer a uma mulher que, se ela  fosse uma cidade, ela seria Lisboa .

Confesso que fiquei muito enciumada, porque queria que este elogio fosse a mim  dirigido: logo me imaginei  no lugar dessa abençoada  mulher que é a Lisboa  da vida daquele homem, e fui me deixando levar pelos pensamentos e me colocando, ao mesmo tempo, no  lugar dele e dela.


Imaginei alguém,( ele  no caso) percorrendo vagarosamente os meus becos, as minhas colinas, afazer um estudo demográfico detalhado, a buscar  e identificar todos os meus pontos de referência,  que a  um leve toque de suas mãos e dedos, se colocam à sua disposição e se amostram  exuberantemente para que ele, localizando-os bem, não se perca na cidade a procurar caminhos que não o levarão a lugar nenhum. Imagino-o à percorrer esses caminhos: ora aflito, ora  calmo, hora extasiado, ora voluptuoso, ora sensível, mas sempre a procurar o máximo de prazer em cada canto, em cada curva, em cada bequinho escondidinho e mais úmido a  lhe proporcionar horas de prazer, indecifrável e indisível, nessa busca recheada  de descobertas e constatações de completo domínio do conhecimento de uma cidade vibrante, colorida e molhada  pelas águas do Tejo amado, que comporia, junto com a sua bela esposa, este labirinto de delícias descoberto por todos os sentidos: tato, olfato, paladar, visão e audição.


Deixá-lo-ia  tocar nas minhas colinas, nos meus montes, permitiria que ele sentisse as minhas cascatas despertadas pelos seus toques nos lugares certos que ele já conheceria. 

Ouviria na voz do vento os seus gemidos de amor, as suas juras, os seus desejos e o seu amor traduzindo em palavras ao estilo Camões, Fernando Pessoa, Florbela Spanca, 

Sentiria o sabor da sua boca ávida procurando a minha, permitiria o encontro das nossas línguas querendo guerrear dentro do nosso próprio céu, deixaria que os líquidos desta cidade fantástica se encontrassem formando até, quem sabe, uma nova vida.

Olharia inebriado/a os nossos reflexos nas calçadas dos passeios famosos e formosos da cidade, veríamos os nossos corpos refletidos no Tejo em suas águas que correm, vagarosamente ou não, no caminho que esse rio percorre até o seu destino final, quando não saberíamos mais distinguir as nossas águas  misturadas que estariam  por este mundão. 


Sim, queria ser essa mulher amada por aquele homem que ama a sua cidade e, por amá-la tanto, fez esta grande e interessante analogia com o amor de sua vida. 

Se fora  para mim tanto amor,  já o teria recebido de portas abertas exatamente como Lisboa  faz com o seu amado Tejo e com tantos quantos a visitem; retribuiria sim, em beleza, amor, sensualidade, bondade, cumplicidade a todo esse imensurável amor desse homem.

Parabéns a quem  fez a analogia e parabéns para quem a inspirou. Um conselho: Seja a LISBOA de alguém. 



segunda-feira, 1 de abril de 2024

ASÍ FUE XVIII

 


 Amanheci com isto:

“ Foi uma surpresa no sentido de não estar à espera de poder ver te ...mas a surpresa foi tão tão boa, que só me apetecia meter me pelo telemóvel dentro e sair nos teus braços... sou um homem de afectos , e tu fazes parte de mim, como a vida te provará. Se não tivesse ontem saído, tinha te ligado..., saudades loucas de ti toda”

Puta que pariu! É mole ou quer mais? Como poderia uma mulher ficar recebendo uma mensagem desta? Certamente como fiquei eu, entre atônita, a surpresa, a extasiada. Sim fiquei extasiada com esta mensagem, primeiro porque realmente adoro a maneira que este gajo escreve, daria qualquer coisa para senti-lo bem junto a mim a falar neste português que acho encantador quando bem aplicado, segundo porque seria mesmo adorável ter o contato físico com alguém que se diz de “afectos”. Sentir-me acariciada, beijada, e mais outras cositas mais seria maravilhoso, entendendo eu como homem de ‘afectos’ um homem extremamente carinhoso. Fiquei entusiasmada e logo passei uma mensagem agradecendo  e, logicamente, tentando passar com palavras todo o meu querer  estar com, aliás isto estava me preocupando bastante, este querer estar com a todo momento já estava mesma a me incomodar, pois até então não conseguia entender estes relacionamentos  através da net, achava quase impossível isso acontecer, e agora me vem todo esta loucura, todo este desejo de estar sem estar efetivamente, como  era possível isto, eu estava sem estar com alguém que já estava fazendo parte de minha vida, minha estória.

Mandei a mensagem, é fato, mas o dia se passou sem que tivesse qualquer resposta, que só veio no dia seguinte, quando  abri o mensseger e encontrei:

‘O que temos entre nos é um desejo profundo, sincero... e isso e maravilhoso,,,,, E passo a passo  se faz o caminho”

Realmente eu estava em um encantamento, só podia ser, essa resposta veio do comentário que fiz da mensagem anterior enviada e alguma complementação  a respeito da rapidez que tudo estava acontecendo e da minha incredulidade misturada com o temor de me envolver mais ainda com esse homem maravilhoso que se apresentou sem pedir qualquer licença e que, dia a dia ia tomando minha alma e, acreditem se quiserem, meu próprio corpo, que já dava os sinais da necessidade  de ser tocado pelas mãos  de Luís, de ser beijado pelos lábios que sabia quente daquele macho que, à distância,  conseguiu despertar tantas sensações e desejos que me pareciam esquecidos ou já inexistentes.

Com este pensamento, lembre-me da minha amiga, que, não exatamente com essas palavras me disse a mesma coisa com relação ao Francisco. Isto me fez ficar irritada, acreditem, eu ficava irritadíssima só em pensar que o Luís podia ser o mesmo Francisco que estava sacaneando a nós as duas.

Bom, mas o fato é que eu não tinha coragem de parar de falar com o Luís, se uma hora pensava assim, bastava uma nova mensagem e esses pensamentos iam todo se esvaindo, e eu so queria mesmo era que chegasse o dia em que eu estaria pelas ruas de Lisboa, andando de mãos dadas com o homem que agora me fazia sonhar em novamente ser feliz ao lado de alguém.

Eu estava há muito tempo sem conversar com a minha amiga, deliberadamente estava evitando, até porque aquela estória de Luís ser o mesmo Francisco já estava virando quase uma obsessão, mas o diabinho atenta e eu começo:

Oi você está aí? |Agora eu já não sabia quando ela estava no lene, parece que ela não queria que ninguém soubesse quando ela estava ou não “on line”, e eu bem percebia o motivo, qualquer hora desta faria o mesmo, não ia querer o meu Luís sendo visto por ninguém, vá que aparecia uma terceira na área.

“Daqui a pouco te chamo”

Ok e fiquei esperando, fazendo uma coisa e outra, escrevendo algum texto e atenta ao Messenger, até porque o próprio Luís poderia aparecer.

“Oi queria, estava aqui conversando com o Francisco, estamos fazendo os nossos roteiros, acertando as datas e coisas deste tipo, eu estou realmente louca de paixão por esse homem maravilhoso que me apareceu na vida, não sei como agradecer ao universo tamanha dádiva.

Ai meu Deus! Pensei comigo mesma: a mulher está mesmo perdida, mas entendi desta vez perfeitamente, o que aconteceu com ela estava acontecendo comigo, eu sabia que ia me apaixonar por Luís e ia querer fazer a mesma coisa que ela, planos, sonhos, etc., etc.

- Nem preciso perguntar mesmo se estas decidida, não é?

-Claro que não, você está vendo, não vou deixar passar esta chance de maneira alguma. Ontem ele me mandou fotos da casa e disse-me “ Olhas onde vais ficar? Olhe direito e veja se queres que modifique algo por aqui.? Fiquei boba com esta pergunta e evidentemente que disse que não queria nada, nenhuma modificação,

-Ainda bem que respondestes assim, não iria cair nada bem você querer modificar a casa do homem. Que mais notícias tens? Gosto de saber-te feliz e cheia de planos.

Está tudo a correr bem, o Francisco cada dia me diz coisas mais e mais agradáveis, coisas que, nós mulheres gostamos de ouvir, mesmo tendo a dúvida de que essas palavras são sinceras e só dirigidas a nos,

-E isto mesmo amiga, as vezes achamos que estes sacanas dizem as mesmas coisas a todas as mulheres que passam por eles, mas é melhor não pensar assim, porque aí corre o risco de quebrar todo o encantamento.

É por aí, vou dormir, tchau.

Dei o tchau a minha amiga, que já não sei se era tanto, porque eu sempre ficava com a pulga atrás da orelha, este Francisco é o mesmo Meu Luís, e foi com este pensamento que fui dormir, não antes de deixar um boa noite para o meu “encantador cavalheiro”.

 

domingo, 25 de fevereiro de 2024

O que teria sido?

 


Acordei cedo e fui andar, claro que sonhei muito, este é o meu momento de sonhar, o sonho, entretanto, e quase sempre o mesmo, arrumar dinheiro para colocar todos da minha família bem, inclusive a mim, e mais algumas pessoas ao meu derredor. Gosto de sonhar isto, fico rica porque tiro na loteria, divido o dinheiro, enfim faço planos. Há dias que o sonho é mais modesto e fico pensando quando o TRT vai pagar as minhas diferenças e o que vai dar para fazer com ela.  Gosto mesmo destes momentos, mas tenho de voltar para casa e aí os sonhos acabam e eu vejo a minha realidade.

Estou lavando os banheiros da casa, porque, para variar, estavam aqui ontem algumas pessoas que usaram os dois banheiros e eu os tenho de lavar, caso contrário o xixi de cachaça impregna e aí é duro para tirar este odor horrível de xixi. Neste exato momento recordo-me dos meus quatorze quinze anos, cheios de revolta, mas também cheios de esperanças. Morava em uma baixada no Engenho Velho da Federação, não gostava daquele lugar, realmente não gostava, principalmente em dias de chuva e nos finais de semana. Nos dias de chuva porque era terrível descer a escadaria com a enxurrada, nos finais de semana porque tinha de ficar dentro de casa, não se tinha dinheiro para nada.  Ficávamos em casa procurando passar o tempo com nada, aguardando meu pai chegar bêbado junto com os seus amigos mais bêbados de que ele, quando não já estavam lá em casa desde muito cedo.

Porra! Por que diabos vou lembrar disto.  Não seria melhor lembrar de alguma coisa boa?  Namorados foi o que veio à mente.  Aí me perguntei: O que teria sido a minha vida se eu tivesse me casado com o meu primeiro namorado? Kkkkkkkkkkk. Meu Deus, o que seria minha vida, certamente estaria lavando o banheiro único da casa mínima, certamente no engenho velho da federação. Será que teria me formado? Penso que sim, porque eu nunca gostei daquela vida. Todavia seria um horror mesmo. Graças a Deus a coisa acabou como começou, nem senti, nem vou falar em desgaste de relacionamento, nem deu tempo. Quando percebi, aos quatorze ou quinze, já nem me lembro, o quão burro era o rapaz, lento de raciocínio e outros defeitos imperdoáveis, acabou-se. Lembrar que o rapaz era bem bonitinho, um corpo sarado devido ao football, mas além do raciocínio lento, tinha um outro defeito, este mais aparente, tinha dente de ourokkkkkkkkkkkk, gente namorei um rapaz que tinha dente de ouro.  Tá doida mulher! Como teve coragem?  Fiquei pensando nisto, e ai lembrei que não era só ele que tinha um dente de ouro, a família dele inteira tinha, pai, mãe e irmã.  Seria isso um sinal de riqueza e eu não percebi?  Jejus é mais!. Sim, e ainda estaria ligada à contravenção. Vije Maria!


Continuei limpando coisas: lavando panelas, pratos, copos, arrumando coisas, colocando outras nos seus devidos lugares, enfim, (domesticando) ou para que fique claro, fazendo os serviços domésticos. Limpando o fogão lembrei de um grande e, efetivamente, ´primeiro amor. Lindo, alto, bonito, disputado. Eu o conheci em uma festa de Sto. Antônio, nessas novenas que se rezam nas casas. Era a noite dos jovens e lá fui eu e minha irmã, Minha mãe nos deixou ir, porque todos do grupo jovem iam e era na casa de um pai de santokkkkkk, viu que sempre estive ligada.  Sim, lá conheci este belo exemplar de macho. O safado além de lindo era muito descarado e mulherengo. Namoramos um bom tempo, aliás hoje diria eu que ficamos durante uns três ou quatro anos. Era o titular da área, como viajava muito e sem termos maiores compromissos, ele fazia a parte dele e eu a minha, mas quando ele chegava em salvador acabavam-se todos os namoros, afastados todos os pretendentes.  Sim, mas isto agora não vem ao caso e eu pergunto: Como teria sido a minha vida caso tivesse casado com este homem?  Resposta imediata, estaríamos separados, com certeza em um par de anos, eu não ia aguentar a safadeza do sem vergonha, se tivesse ficado, entretanto, hoje estaria viúva e recebendo uma pensão como esposa de um policial rodoviário. Puta merda, que lembrança.

Continuo na minha lida. Apesar da chuva tenho de molhar algumas plantas que ficam na área coberta. Vou adiante na minha volta ao passado e lembro de um cidadão que tinha 36,37 anos, enquanto eu só tinha 16 ou 17.  O homem ensandeceu por minha pessoa, eu não tinha grande afinidade, mas ia levando este namoro adiante, acho que por muita comodidade. Afinal este, à época, senhor, tinha carro, estudava no mesmo colégio que eu, e nos dava carona todas as noites em que ia par aula, sim porque como trabalhava de turno em Mataripe, não ia para a aula todos os dias. Ah Meu Deus! O que teria sido a minha vida com este senhor. Primeiro a diferença de idade ia ser um empecilho sempre. Eu cheia de sonhos, ele cheios de realizações já alcançadas e sem   querer muita coisa do futuro, a não ser ter uma esposa “linda”, que seria eu, filhos, uma casa (que já tinha) e vive aquela vidinha  até a aposentadoria. Olhe que este cidadão nem sequer bebia. Era um velho novo mesmo, muito responsável, muito amoroso, mas eu não ia suportar essa vidinha. Eu queria muito, queria ser doutora, trabalhar, viajar, viver. Certamente, seria mais um caso de separação rápida. Tão rápida que aconteceu antes mesmo do casamento, pois quando do  ele chamou meu pai e minha mãe para mostrar a casa que tinha comprado em um conjunto para funcionários da Petrobras em Stiep, casa com “suíte” e tudo, eu falei para mim mesmo, tá na hora de eu sair dessa história, e foi o que fiz. Acabei com o negócio todo.  Quem mais teria eu para lembrar. Ninguém, pois o que veio depois disto foi um casamento fracassado, e um outro que sempre anda na corda bamba. Realizei todos os meus sonhos, sem dúvida que os realizei todos. Os que ainda tenho   vou realiza-los, ah disto tenho certeza. Mas fico aqui lavando meus banheiros, fazendo minhas comidas (dos outros) minhas costuras, arrumando casa, escrevendo e     sonhando com muitas coisas. E aí percebo: fugi de tanta coisa, e hoje vejo que muito do que fugi está presente aqui na minha vida hoje.  Livrei-me dos bêbados de meu pai, hoje tenho os bêbados de Carlos.  Livrei-me do velho novo, tenho agora um novo velho ao meu pé.  Afastei os serviços domésticos durante muito tempo, agora é o que faço e o que me levou a escrever este texto kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

 
Destino é destino filha, não se muda não, podemos até transformá-lo, mas, no fim dá no mesmo. Pois é, uma advogada, juíza aposentada, mestre e doutora em história, passa os seus dias entre as costuras, as atividades domésticas, e a cozinha.  Nadei, nadei e morri na praia.  

 

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

Uma saudade imensa, uma lembrança boa.


Tenho me lembrando bastante de vc, aliás, você será sempre inesquecível. Ê mesmo uma lástima nos ter deixado tão cedo, a mim e
ntão , foi mesmo demasiado cedo. Tínhamos apenas um ano e meio de convivência quando te fostes de maneira tão repentina,deixando está imensa lacuna que dificilmente vai ser preenchida; lógico que não posso parar, tenho de continuar a vida, mas como gostaria que tu aqui estivesses

Como era bom me arrumar para sair com você; como era bom receber o seu olhar, até hoje inigualável. Ah o teu olhar! Ficava  ruborizada todas as vezes que os seus olhos negros se fixavam em mim e nos meus a transmitir toda a aprovação: me olhavam em todos os detalhes., eu sabia o que querias dizer-me com os teus olhos: ah como sabia! então tu sabias que estava prontinha para ti. Nua, embora vestida, eu já me percebia sendo amada por ti, amada  no sentido carnal, que se mostrava intenso, quando juntos tínhamos os nossos gozos sincronizados nas notas do amor. Tão bom meu querido, tão bom.

Tu me fizestes renascer, quando eu achava que nada mais despertaria a minha vontade de amar, de ter um companheiro, um Homem, tu me aparecestes com a tua tez morena, com O seu bigodão e com seus negros olhos, a mim me parecia que tihas saído da música cantada pela Amália e se materializado diante de mim. Realmente o homem dos meus encantos que me mentia, mas que eu amava tanto; não posso garantir que mentiste-me, mas, desde já,estás perdoado, pois não posso  deixar de perdoar o homem que me fez resgatar o meu melhor como mulher, um Homem que,  sem falar, me dizia do amor que tinha em gestos, em olhares em Toques, e que toques! Os melhores que tive até aquele momento em que te conheci. Como gostava de ouvir o som do motor do Mercedes, eu o identificava de longe e dizia para minha amiga : olhe ele chegou. Ela, duvidando ,ia até a varanda e lá estava o Mercedes bege.

 Descia toda feliz, saltitante, parecia uma adolescente apaixonada, era maravilhoso abrir a porta do carro e encontrar o teu sorriso, sorriso encoberto pelo bigodão, mas descoberto nos olhos. Era bom demais, e os beijos! ah os teus beijos que pareciam querer sugar minha alma pela boca! E o seu tesão tão demonstrado, nunca fizestes questão de esconde-lo, as vezes ele te traia em Lugares públicos, nada que aquele caso preto de couro não pudesse esconder, se não esconder ao menos disfarçar, o que se tornava muito difícil quando dançávamos: aí sim era uma zorra, tínhamos sempre de sair  do salão agarrados, você atrás de mim, bem junto ao meu corpo, com as mãos enlaçadas no meu pescoço, acho que todos notavam o que nós tentávamos esconder kkkkkk

Ficavas assim até  que pudesses afastar-te e andar ao meu lado de mãos dadas como sempre andávamos nesta amada Lisboa.

Sim!  e os nossos recantos de amor? tínhamos vários lembras? Setúbal, Sesimbra, Caparica, fonte da telha. Areeiro enfim, como Nos amávamos, um Amor tão puro, tão vivido, tão forte. Como era duro para ti quando eu tinha de vim ao Brasi! Ficavas arrasado, mas nunca pediste-me que não o fizesse, sabias que   tinha de fazê-lo.

E pronto:  foi numa destas minhas vindas que vi-te pela última vez, no aeroporto da Portela, onde com um breve aceno entrei na sala de embarque. Eu chorava, tu não sei, talvez de uma maneira qualquer, eu tinha a intuição de que aquela seria a última vez que via os teus olhos negros me mirarem, e com a tua maneira peculiar, a me dizerem:  amo-te, volta: estou à tua espera.

Entretanto, quem ficou à tua espera foi eu, porque partistes sem   dizer-me adeus, sem que eu pudesse, ao menos, usufruir mais uma vez de nossos momentos e de ver, nos teus olhos, a intensidade do teu amor.

Só me resta lembrar-te e agradecer-te por me ter feito muito feliz.,


segunda-feira, 4 de setembro de 2023

EM MIM

 




Começaste a devorar-me com os olhos. ]

Sentia o desejo, o tesão a cada olhada tua. 

Depois continuaste a devorar-me com a tua boca, quando beijava-me e a sua língua parecia querer descobrir cada recanto de mim. 

Após, as tuas mãos tocaram o meu corpo, mãos quentes, experientes, tocando cada parte dele numa maestria singular, tirando dele uma melodia inédita a cada vez que estávamos juntos. 

A seguir, percorreste meu corpo com a tua língua, tornando-me uma cachoeira e, finalmente, encheste-me de ti,

Eu estava completa de ti, cada parte de mim estava preenchida por ti, o corpo amoldado ao teu sempre trêmulo a cada toque, nos fundíamos a cada encontro, parecíamos ser o outro quando juntos estávamos, sim porque nós nos fazíamos do outro para sermos um ser único.

Depois de possuir-me, tomaste de assalto a minha alma, passei a amar-te deliciosamente e, ainda que quisesse que este amor fosse silencioso, ele, indiscretamente, falava através de olhos, gestos, corpo inteiro. 

Quando estavas em mim, e sentia-me pulsar, tinhas a noção de todo ele.

 Em ti só desejo de mim, do meu corpo do que ele nos proporcionava, mas, um dia qualquer, estavas todo em mim, e senti as batidas do teu coração e percebi que, também ele, tinha o mesmo compasso do meu, está simbiose de nós foi mesmo infinita enquanto durou.

domingo, 30 de julho de 2023

ASÍ FUE XIII

Caldas da Rainha


 Dormi toda felizinha com o meu esplendoroso, deslumbrante, etc.  Acordei as três da manhã, costumo acordar este horário, as vezes pego no sono outra vez, outras vezes não, enfim, mas não sei porque cargas d’água já acordei olhando o celular, queria ver se via a minha amiga lá com o tal Francisco (Luiz Paulo).

Bom, a luzinha dela estava lá acesa e, para surpresa minha, estava lá também o perfil do Luís, o carrinho vermelho.

Não acredito disse eu, o que faço agora? Vou dar Bom dia, não dou bom dia. O que faço ? Não precisei fazer nada,

-Bom dia maravilhosa!

-Bom dia.

-Es também madrugadora?

-Sim acordo muito cedo

-Eu já estou a sair, como disse ontem vou para a inspeção para Carnaxide.

-Bom trabalho

-Assim que chegar a casa chamo-te

Está bom.

Falei isto idiotamente, então quem era aquele homem que, sem eu conhecer estava a me dar bom dia e a dizer-me que ia chamar-me á noite? Verdade é que fiquei ansiosa para chegar a noite, o que não demorou muito, poiso a noite em Portugal acontece muito antes (três a quatro horas de diferença para mais

Lá pelas 16:50 vejo a luzinha do Luís verde. Não nego não, meu coração disparou e eu ficava a me questionar qual o motivo disto, um perfil, apenas um perfil, era o que eu tinha, um deslumbrante e um maravilhoso, meu acho que estava a ficar doida.

- Mulher linda, estas aí?

Olá, Boa tarde, estou sim.

-O seu dia, como foi?

Normal, disse eu atabalhoadamente. Como foi a sua inspeção em Carneie?

- Muitos erros, as minhas colegas daquele balcão são trombudas.

Ri interiormente, acho que ele estava chamando as colegas de burras, mas não falei nada.

-Então a menina esteve por cá muitos anos?

-Sim  já te falei.

-Continuo achando uma maldade não te ter encontrado por estas ruas de Lisboa.

_ Difícil não, afinal tu trabalhas muito e não ia te encontrar aos finais de semana, quando você devia estar ocupado com as coisas que tem de fazer, enquanto eu estava pelas feiras 

-Feiras? Gostas de feiras?

-Sim, sempre ia aos sábados e algumas terças na feira da ladra, aos domingos na feira do Relógio e na galinheira.

-Não posso crer, normalmente vou à Ladra, semana passada estive lá na Feira do Relógio, é onde compro sempre frutas e verduras.

Cacete, esta me pegou mesmo de surpresa e  me deixou, acreditem se quiserem; muito puta da vida. Então eu andava ao pé desse homem e nunca nos cruzamos, que merda de destino  sacana é este.  12 anos em Lisboa e nunca me bati com este cidadão.

-Ei estas aí?

-Desculpe, estou sim, é que fiquei aqui pensando  por qual motivo não nos encontramos em Lisboa,  frequentando  com assiduidade os mesmos lugares.

- Tudo tem seu tempo, há o tempo de semear, há o tempo de colher, não estava na hora.

Eu estava atônita, já notava que aquele homem não era uma pessoa qualquer, e agora eu queria ver a cara dele, de alguma maneira eu queria vê-lo. No perfil não consegui, pois ele postava coisas ligadas ao motorhome, musicas, inclusive muitas brasileiras, nada de fotos. Eu tinha de arriscar a pedir uma foto, mas como fazê-lo, não queria espantar o homem. Bom vou usar uma estratégia, pensei eu. Mando uma foto minha e vamos ver o comportamento, e assim fiz, mandei uma foto em que estava com um belo vestido, que mostrava um pouco o que ainda tenho de formas kkkkkkkkkkkk, enquanto anto fazia isto, procurava ver quem estava on line, mas a luzinha verde da minha amiga não aparecia e isto não me cheirava bem.

_ Uiiiiii, olha só como o teu corpo quer fugir do vestido. Uiii EXACTAMENTE... viste com tudo fica realçado? A respirar sensualidade por todos os poros??? QUERO SAIR ASSIM.

Rapaz, não nego não  fiquei deslumbrada com o comentário. Esse homem sabe tratar uma mulher, pensei comigo.

-Meu tesão lindo... tenho de dar-te boa noite. Aqui já estamos as 23;00  tenho de descansar, amanhã outro dia  cheio, mais inspeções em dois balcões.

Eu ia fazer o que, a não ser da boa noite e esperar pelo dia seguinte? E foi o que fiz.

 

quinta-feira, 1 de junho de 2023

ASÍ FUE VI


 Depois do EAU SAVAGE eu tomei uma resolução, ia procurar o homem no face, Instagram, etc. etc. Entrei no meu face, minha amiga estava lá, entrei no perfil dela, e não vi nenhum Francisco, fiquei lá catando as coisas, mas não vi nada que me desse alguma pista.

Merda, ia ter que esperar mesmo viver o amor da outra, fiquei aguardando a noite chegar, precisava de notícias outras para ver se conseguia localizar este sacana.

Passe o dia todo tentando descobrir alguma coisa, mas nada acontecia

Lá pelas dez da noite quase, consegui falar com minha amiga, desde as oito da noite olhando aquela porra daquela bolinha verde indicando que ela estava on line.

-Oi, quais as novidades?

-Nada de muito novo. O Francisco hoje esteve bem ocupado, não conseguimos falar muito, só entrei em contato com ele agora, e lá já eram onze da noite quando nos falamos, me pareceu muito cansado, me disse que amanhã, sábado, não terá tempo de falar comigo, porque um dos seus filhos, o que mora fora de Portugal e é piloto, ia chegar e aí eles teriam muitas coisas a fazer: almoçar fora, ir em alguns lugares que o rapaz precisava, etc. etc. Claro que não fiquei nada satisfeita, mas fazer o que? Filho é filho.

- Rapaz, será que este homem não vai ter um tempinho para lhe dar um alô, somente porque um filho chegou?

-Bom, o que ele disse foi isto, e eu não vou poder fazer nada, infelizmente é assim.

-Bom, é bom mesmo que você veja logo o que está a tua espera: Por enquanto, entre você e o filho, o filho ganha. Disse isto com uma pontinha de sacanagem kkkkkkk

-Você me conhece bem e sabe que jamais eu faria uma bobagem desta, nem agora e nem nunca, jamais me oporia a qualquer coisa que envolvesse os filhos dele, aliás, fiquei mesmo foi feliz, afinal o homem demonstra mais uma qualidade, o cuidado e a preocupação com os filhos.

Cacete, não vejo mesmo como fazê-la desistir, quiçá dizer algo que soe desfavorável ao homem. Mas na verdade eu comecei a fazer conjecturas. Este fdp vai ter com a família e fica difícil falar com minha amiga no final de semana com todos em casa, no barato, se fosse verdade mesmo que um dos filhos estava em Andorra, o outro ficava em casa, e seriam duas pessoas na casa. E qual seria o empecilho para ele falar. Sinceramente eu não entendia aquela desculpa furada, mas vá lá, vou fazer o que? Se ela quer acreditar que assim faça.

Poxa, mas hoje vocês não falam nada de especial, um pouquinho mais dele para lhe dar mais chances de conhece-lo melhor?

-Claro que hoje o conheci melhor, pois não é que conheci esta parte de ser pai. Sabe o que ele me falou | que ele é um pai galinha llllll

Pensei comigo mesma. Pai Galinha... claro que é assim, pai galinha..., homem galinha, tudo galinha mesmo, o galinhar já devia ser parte do sacana.

-Ah diga-me uma coisa:  Ele é seu amigo na face:  não vejo ninguém parecido com o que você descreveu na sua lista de amigos

-Claro que não vais ver, eu não lhe disse que ele usa o perfil com uma foto do irmão.

-Já me tinha esquecido disto.  Mas qual o nome que ele usa por lá.

Luís Paulo.

Gelei! Luís Paulo? Lembrei-me automaticamente do sonho.  Pablo, que é Paulo em espanhol. Oh Diabos! O que o universo me está aprontando.  Recuperei-me´, e comigo mesma: Bom agora vou procurar este Luís Paulo por ali.

-Ele disse-lhe o nome dos seus filhos?

-Não.

-Você nem perguntou.

-Sinceramente, não, nem lembrei disto, tampouco falei que tinha filhos.

-Estas a esperar o que?

-Nem sei, mas teremos muito tempo para falar de filhos.

-Parece-me que ele não pensa assim.

Diga logo, inclusive que tem netos?

-Por que eu falaria agora que tenho netos?

-Tu não estás apaixonada e pensando em ir para Lisboa, então as coisas tem de ficar bem claras não achas?

- Não entendo esta sua preocupação, deixa lá eu fazer as coisas como acho que devo.

-Poxa me desculpe, tens toda razão.

E o cãozinho atentando ...  Você já disse a tua idade para o Francisco?

- Não. Não disse, ele não perguntou.

-Não achas que já devias ter dito, ele tem de saber que es oito anos mais velha de que ele.

- Você está me sacaneando, para que dizer isto agora, deixe as coisas correrem, tudo tem o seu tempo, tempo de plantar e tempo de colher. 

-Não entendi, mas aceito a sua argumentação.  Você quer que a coisa fique mais sólida para fazer algumas revelações. Você não tem receio que ele se ache enganado?

- Estou achando que você quer acabar este meu relacionamento, parece que você está com inveja.

-Eu! Inveja? Estás doida!

Ela tinha toda a razão, eu estava mortinha de inveja, queria tanto uma estória desta comigo, como eu ia ficar feliz também.

Oh amiga (isto me soou tão falso!), o problema que eu fico muito preocupada com você, nesta nossa idade não podemos nos dar ao luxo de enganos, erros que podem nos deixar acabadas, decepcionadas, fodidas. Não quero isto para você. Quando argumento é para que você pense, reflita sobre as coisas, afinal quem está de fora, as vezes vê melhor de quem está dentro da relação.

- Agradeço à sua preocupação, peço desculpas, mas é que é tão bom, estou tão feliz, sonhando acordada com tudo o que estamos projetando fazer quando estivermos juntos em Lisboa.

- Já sabes quando vais a Lisboa.

-Estamos a pensar em setembro?

-Setembro já? Daqui há três meses?

-Sim, daqui a três meses.

-Sabes que também pretendo ir a Lisboa em setembro, queria muito estar lá no meu niver. Se tiver dinheiro vou passar uns bons dias em Lisboa.

- Oxalá tudo dê certo e nós nos encontraremos lá. O Francisco disse-me que fico com ele.

- Ficar com ele como?

-Na casa dele lógico.

- E tu vais aceitar. Não achas que é muito cedo para sair daqui e ir para a casa de um cara que você nunca viu. Não é melhor você ir para um hotel, ao menos nos primeiros dias   para tomar mesmo pé da situação.

- Não eu vou mesmo é para a casa dele. Inclusive ele vai me pegar no aeroporto.

Puta merda, a coisa estava andando mais rápida do que eu pensava. Eu não sei agora se eu estava retada ou preocupada. Imagine se este cara não pode receber a minha amiga na casa dele, pense se ele está a achar que é uma possibilidade remota ela ir?  Se este homem estivesse enganando a pobre e ela saísse daqui achando que as coisas eram de uma maneira e elas se apresentassem de outra.

-Eu continuo achando que você deveria ir para um hotel, não devias nem mesmo avisar, chegavas ia para o hotel e, já estando lá, comunicavas que já tinha chegado, etc. Etc. etc.

- Não minha amiga, desta vez você não vai me convencer de nada. Eu vou em setembro, vou para a casa dele mesmo, ele vai me pegar no aeroporto, etc. etc. etc. Não vejo a hora disto acontecer. Boa noite.

Senti um pouco de irritação na resposta, e só me restou dar

BOA NOITE.   

sábado, 18 de fevereiro de 2023

"Ilegal, Imoral e engorda"


 

Louca! A única palavra para definir o que estava se passando com ela no momento, estava louca de desejo, de paixão, por sexo, O seu corpo já não obedecia mais aos comandos do cérebro, que insistia em alertar, erroneamente claro, que ela estava passando dos limites, que aquilo não era permitido, mas o corpo, ah o corpo! Vibrando, vibrando, mostrando todo o tesão acumulado, que ela precisava gastar.

Não entendia como pudera ficar tanto tempo da vida esperando este momento, aliás, não esperava o momento é verdade, mas hoje entendeu a dificuldade que teve para colocar tantos limites na sua sexualidade. Hoje sabe perfeitamente que terá de, pelo resto da sua vida, enquanto os músculos estiverem ainda obedecendo aos instintos, vai procurar desgastar tanto desejo, tanta sexualidade, tanta sensualidade,

Por que só agora?

Porque só agora conhecera alguém que está a lhe ajudar na sua libertação, que vai tirar-lhe do caos que vivia até então, preocupada com os medos, os preconceitos, a sociedade e o que esperavam dela.

Não, não queria mais ser exemplo de nada, nunca fora a pessoa mais virtuosa e moralista do mundo, mas os pré-conceitos e preconceitos   não deixavam que a sua libido se pronunciasse como deveria, com era satisfatório, como era normal.

Amor virtual. Sim, diz-se virtual porque, apesar de real, não é palpável, ao menos por enquanto. Uma distância imensa os separam, mas a internet faz milagres, e ambos se fazem presentes como se juntos estivessem; há horas que ela chega a sentir no corpo as mãos, a boca, fica de tal forma excitada que é visível. Algumas vezes precisa disfarçar o que está se passando, levantar discretamente, ir até ao banheiro livrar-se da sua própria tesão quase lhe afogando

Menino: a mulher está doida! Com a idade que tem nunca tinha imaginado que algo assim pudesse ocorrer.

Até pouco tempo, sempre achou que a vida sexual acabava logo ao cinquenta; que engano desgraçado! Como tiveram a coragem de fazer isto com ela e com quase todos da sua geração. Fizeram-na acreditar que o sexo depois de uma idade era tão pecador quanto aos 14 a 18, que merda! Como viveu tanto tempo assim? Ainda bem que apareceram pessoas certas na sua vida para despertar em si o desejo de ser querida, amada, penetrada, e para lhe fazer mesmo mulher, desprovida de qualquer preconceito rem relação ao sexo. Não vai virar uma marquesa de Sade, certamente que não, mas uma Dolores... ah isto de certeza!

 Haverá o dia que encontrar-se-ão; Oxalá em breve e que tudo dê certo, porque no virtual é uma coisa, a realidade pode ser bem diferente, mas nada mais vai impedi-la de ser feliz, de gastar esta fera que estava contida por causa dos seus próprios medos.

Um dia uma mulher lhe disse que se aparecesse alguém para fazer despertar a fera que estava dento dela, ela ia endoidar de vez! Sem dúvida alguma a mulher tinha razão.  Chegou o momento e agora está bem vendo o vaticínio acontecer. Precisou usar a tecnologia para isto, mas foi bom que assim fosse, jamais teria a coragem de, ao vivo e a cores, ouvir e dizer o que vem dizendo, fazendo o que vem fazendo; jamais mesmo, assim, quando o encontro se der, quando finalmente se encontrarem, já se sabe do que se gosta, do que se aceita, até onde se pode ir, se bem que daqui para frente ela quer mesmo é o infinito, infinito dentro de si e fora de si, e de agora em diante a vida só terá delicias e prazeres, é o que espera.

Será condenada por muitos? Sim, será. Todavia vai ligar o “foda-se” e vai viver com muita intensidade o que agora se lhe apresenta. Talvez, talvez não, com certeza, mais uma vez cause inveja em muita gente que insiste em satisfazer o outro, em dar satisfação a uma sociedade mentirosa, ao invés de procurar satisfazer a si próprio, esquecer dos medos, viver a vida ainda.

É bom que se diga que não se está fazendo nada de errado, nada mesmo, quando se satisfaz os anseios do corpo, apenas se está atendendo a ordem natural, ao organismo, que precisa de movimento, de trabalho muscular para se manter vivo. Não há nada de errado nisto. Errado é você reprimir o que é natural e sadio.

Tomar cuidado! Sim, tomar cuidado, é preciso ter cautelas em relação a quem está do outro lado, mas é preciso correr o risco para ser feliz.

Vamos lá gente! Acordem e vamos gozar a vida em todos os sentidos. Não tenham vergonha, e esqueçam que tudo que você gosta “ é ilegal, imoral e engorda”.  

quinta-feira, 14 de julho de 2022

Estratégias do amor - kkkkkkkkkk

  A falta de sexo a incomodava muito, sempre tivera um bom entrosamento com o seu ex neste particular, e não tinha encontrado ninguém durante este tempo para cobrir esta falha, andava sem coragem e com medo de ter um relacionamento com qualquer pessoa. Não que fosse nenhuma santa, mas doenças transmissíveis, violência, lhe tiravam a tesão, e lá ia a ela abdicando de uma coisa que além de gostar, era vital para a sua própria saúde.

Os anos passando, e nada acontecia, até que um dia foi visitar o filho em outro país, onde este residia com o pai. A visita era rotineira, seu filho e o pai dele moravam juntos em um bom apartamento de três quarto, em frente ao belo mar de Bayona – Galícia - Espanha.

Tinha um bom relacionamento com o ex, e como a casa também era do filho, era lá que se hospedava quando fazia a visita ao filho e demais familiares, isto porque trabalhava no Porto, cidade bem próxima à Espanha, o que facilitava essas visitas periódicas, aliás, ela não pretendia sair desta cidade, onde tinha uma profissão, onde ganhava o seu dinheiro, enfim, onde vivia. Por outro lado, essas viagens lhe faziam muito bem mesmo.

O fato é que apesar da separação   o ex casal tinha uma boa relação e numa dessas visitas, apesar de já ter acontecido antes, mesmo quando o cidadão morava com a nova família que constituíra, uma coisa lhe chamara a atenção; já estava ela há uns cinco anos sem sexo, e isto já estava desesperador, foi o olhar do seu ex para as suas pernas. Tinha muito cuidado quando estava na casa do filho, até porque o diabo do ex tinha uma namorada que frequentava  a residência sempre. Ela não podia fazer nada, aliás, como sempre diz: isto pouco a incomodava, ela ficava lá no seu quarto e não incomodava ninguém, quem sempre estava querendo estar onde ela estava era o ex, pois se saia com o filho para tomar umas e outras, olhe quem aparecia; quando já não saiam de casa juntos, os quatro kkkkkk: ela, o filho, o ex marido e a namorada dele.  Aquele olhar para as suas pernas, confessa, lhe deixou bem excitada, e, visivelmente, o descarado também, ele, dificilmente, poderia esconder a sua excitação, o volume que apareceu no short não tinha como disfarçar.

A partir daí ela decidiu: foda-se, não vou mais me policiar, e agora vou dar é mole para este sacana, que sabe fazer uma mulher feliz no sexo, além do mais, é conhecido, não tem doenças, não vou ter grandes constrangimentos.

E assim foi, saíram todos para uns “birinights” e voltaram um pouco altos, todos, menos ela e a namorada do ex, todos foram para os seus quartos, mas ela, ficou na varanda tomando mais uma, porque, astutamente, sabia que algo iria acontecer naquela noite, como: ainda não sabia, mas que ia fazer sexo, ah isto ia.

Não deu outra, o sacana esperou a namorada dormir e pé ante pé, foi para a varanda onde, estrategicamente,  ela estava já bem preparada, pois fora no quarto, tomou banho, vestiu uma camisola decente, mas esqueceukkkkkkkk de colocar a calcinha: esqueceu? Kkkkkkkk, estratégia. 

Tudo escuro, inclusive a varanda, ela sente que alguém se aproxima, fica ali imóvel sem dar muita importância, sabia perfeitamente quem estava vindo, de repente sente os braços lhe abraçando por trás, as mãos hábeis diretamente nos mamilos que já estavam entumecidos.  Dali para frente o cuidado era não fazer ruído, o gozo tinha de ser silencioso. Passaram ali uns bons 60 minutos somente, como ela sempre diz, brincando. Ele até queria ir para o quarto dela, mas ela disse não e tudo ficou ali mesmo. Ah se aquela varanda falasse!

Daí em diante, todas as visitas foram brindadas com essa maneira que encontraram de fazer amor, melhor, se fazerem, delicias

Ambos entenderam que não podiam perder nenhuma oportunidade, quando estivessem juntos, de fazer sexo, porque é bom para ambos, é saudável e pronto.

Da última vez que se encontraram aramaram outro esquema que também deu certo: a namorada do cidadão estava em casa, mas tinha compromissos, ele, por sua vez, já havia comunicado que teria de ir ao lar, onde sua mãe estava: para quem não sabe, na Europa (Portugal Espanha) os idosos são colocados em lares para serem cuidados. Bom, ele já avisara, aliás tudo já armado, como realmente ela sempre teve um excelente relacionamento com os parentes do ex, foi com ele ver a ex sogra. Claro e evidente que as segundas intenções dessa visita é que eram as melhores. E foi o que aconteceu, lá se foram os dois ver a dita sogra: fotos, bolinhos, passeio pela quinta (local onde ficava o lar) que era muito bem cuidada e linda, e, na volta, uma providencial parada em um   motel de beira de estrada.  Uma hora, duas, ela não lembra, perdera a noção, mas saiu dali revigorada e om um belo sorriso nos lábios.

E assim ela segue a vida, arrumando estratégias para que as coisas aconteçam, sem que o filho saiba e sem prejudicar ninguém, nem mesmo a “corna”.

Kkkkkkkkkkk. Parabéns senhora!

Depois conto mais “causos e estratégias” desses dois.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

JE SUIS MALADE

 Não queria acabar o mês de janeiro sem escrever algo, mas as coisas ficaram difíceis, passei 15 dias com uma gripe, até agora não identificada, porque estou ainda na dúvida se foi mesmo gripe ou a danada da covid. Se foi covid, o que não vou mesmo procurar saber, tenho que afirmar com todas as letras -  A PORRA DA VACINA NÃO FUNCIONA! Acreditem, no ano passado, acho que em março,  confirmaram que eu tive covid através de um exame de sangue, não tive absolutamente nada, não senti nada, e pronto, passou: me obrigaram a tomar  a vacina, tomei duas doses, depois me fizeram tomar mais uma, tomei; pra que mesmo? Se a zorra não imuniza ninguém! Bom, mas não quero falar dito, queria mesmo falar de coisas doces, bonitas, afinal é o primeiro texto do ano.

Vejamos se consigo algo:  algum de vocês que está lendo este texto conhece uma música francesa chamada   JE SUIS MALADE. Que não conhece procure ouvi-la. Não é uma música nova, é de 1999 e é cantada por   Lara Fabien, ouçam com ela, é uma interprete fantástica, sente a música e passa a mensagem que a canção traz como ninguém, acho que nem mesmo o autor conseguiria interpretá-la dessa maneira.  A música é de Serge Lama e Alice Dona  

Confesso que me arrepiei, fiquei emocionadíssima. O meu parco francês revigorou-se de imediato, ouvi atentamente tentando lembrar-me de todas as palavras, mas é difícil, embora a música seja tão forte que você não vai precisar  saber francês para se emocionar, bom o fato é que o que não entendi foi decodificado   numa busca ao youtub onde há o vídeo da Lara cantando e a letra logo abaixo.

Rapaz, como o ser humano é frágil quando se apaixona, isto não deveria acontecer. Um momento em que todos deveriam ficar felizes e alegres, saltitantes até, vira um momento tão triste quanto o que a música passa.  Como podemos nos entregar tanto a outro para sofrer dessa maneira. E olhe que eu queria falar de coisas boas, mas o amor é uma coisa boa, entretanto, não podemos é permitir que ele faça o que fez com o personagem da letra dessa música.

Olhem só o que a letra nos diz:

Je ne revê plus, je ne fume plus

Je nài meme plus d`histoire

Je  suis sale snas toi, je suis laid sans toi

Je suis comme um orphein dans um dortoir

Je nài plus envie de vivre m vie

M avie cesse quanbd tu pars

Je nài plus de vie et mem mon lit

Se transforme em quai de gare

Quand tu tèn vas

 

Je suis malade completment malade

Comme quando ma mèresortait le soir

Et quélle me laissait seul avec mon desespoir

Je suis parfaitment malade

Tàrrives on ne sait jamais  quando

Tu reparz on ne sait jamais ou.ôt

Et ça va faire bientto deux ans

Que tu tén fous

Comme à um rocher comme à un péché

Je suis accroché à toi.........

 

Achei perfeitas as comparações para demonstrar o que se está sentindo:

Observem quando a letra diz:

Que o personagem, quando está sem o seu amor, se sente como um órfão em um dormitório.  Puta que pariu! Um órfão em um dormitório é muito triste mesmo, é o vazio, a desesperança, o abandono, uma dor imensa mesmo, e a música passa isso

Que anulação de si próprio quando diz que não quer mais viver a vida(je n’ai pas plus envie de vivre ma vie)  Então você necessita para viver da vida de outrem alguém, que, pelo que parece, está pouco se importando com você, aliás a música tem essa passagem “ Que tu t’en fous”   

 Que tipo de amor é este, que deixa para trás o seu eu para viver do outro, implorando o reconhecimento do outro?.

Meu Deus, a música é efetivamente linda, gosto de ouvi-la, mas não gosto do sofrimento que ela transmite e no descrédito no amor que, depois de analisá-la você percebe.

Na verdade, acho que esta canção deveria ser uma ópera, porque ela realmente uma estória trágica de um amor, que começa e não termina nunca, vai num crescente de dor que termina pelo desejo de morte do desamado.

Olhe que tristeza infinita quando o autor revela toda a sua angústia

Je bois toutes les nuits mais touts les whiskies pour moir ont le meme gout et tous les bateaux portent ton drapeau je ne sais plus ou aller tu es partout

Bebe todas as noites, mas o whisky tem o mesmo gosto, e todos os barcos levam a tua bandeira, não sei mais para onde ir, porque estais em todos os lugares.

Meu Deus que aflição, que angustia, que coisa mais doída. Não adianta beber pois acho que até potencializa a angustia, pois aí  aumenta a procura percebendo-se que, apesar de não estar fisicamente presente, a pessoa está em todos os lugares, que coisa angustiante mesmo, não há como fugir.

Outra dor insuportável que o autor compara com a que sente naquele momento é a dor de ficar sozinho quando sua mãe saia à noite e o deixava sozinho. Gente, a comparação é realmente perfeita, é muito ruim, uma mistura de raiva, medo, desespero, dor.

Quanto pior, quando se percebe que a coisa é realmente vivida, não passou, pois isso é o que nos reporta a canção quando fala que “ não sabe quando a pessoa chega, não sabe quando a pessoa vai, e que tem de fingir para os outros, de aparentar felicidade.

E mais, o desgaste é tamanho que a pessoa fica sem motivação qualquer, seja para criar as canções, poemas, para viver, sonhar, até mesmo fumar

O final é por demais doloroso:

“Esse amor me mata, se continuar assim vou morrer sozinha comigo, perto do meu radio, como um garoto idiota, ouvindo a minha própria voz que cantará:  MALADE, JE SUIS MALADE”

Olhe gente, quero amar, mas esse amor doente que nos faz ficar doente, cantado nesta canção tão maravilhosa, eu não quero não.  Não queria nem mesmo para poder fazer esta bela canção, porque é mesmo bela, fantasticamente bela quando interpretada pela cantora que citei antes.

Talvez tenha feito este texto para alertar os corações que vivem um amor desse tipo, que não é amor na verdade,  que,como diz a canção: é DOENÇA.

        

     

domingo, 23 de agosto de 2020

As cinzas de Dona Yvone




Ontem, dia 22.08, eu e meus irmãos e mais alguns da família, fomos espalhar as cinzas da nossa mãe.  Ela estava aqui em casa comigo desde o mês de fevereiro ou março, acho eu. Coloquei a urna no espaço onde costuro, talvez para receber os fluidos de Dona Yvone, porque ela sabia costurar. Minha mãe foi sempre um faz tudo, mas faz tudo mesmo: era uma super mulher. Educadora, parteira, cozinheira, doceira, catequista, costureira. Ela metia as caras e ia fazendo as coisas. Não sei como se tornou parteira, mas penso que foi quando morávamos em Camaçari, pois ela acompanhava a velha parteira da cidade em diversos partos. Aprendeu a manha mesmo, porque fez muitos. Eu não teria coragem, sinceramente, mas dou Graças a Deus por ela ser tirada e meter as caras, porque com esta coragem ela ajudou muitos a virem ao mundo.
Bom, o certo é que minha mãe ficou aqui em casa dentro da urna, na verdade não era para demorar tanto, mas a pandemia chegou e a gente não podia se reunir para fazer esta distribuição das cinzas.
Acontece que tive que tomar uma atitude, com pandemia ou não, porque ela me deu pressa para fazê-lo. Pois não é que a danada me apareceu em sonho e me disse que queria mudar de casa, que não estava gostando daquela casa onde estava. Logicamente no sonho tratava-se mesmo de uma casa, ela morava em uma casa que ela dizia ser feia e queria sair dali, e, como sempre, eu tinha de me virar para fazer as vontades dela.  Acordei sabendo o que devia ser feito, tinha mesmo é de jogar as suas cinzas em algum lugar onde ela se sentisse, como sempre foi e quis, livre.
Falei com os irmãos que tínhamos de organizar isto. Em princípio pensei em colocar as cinzas no mar, entretanto, meu irmão Luciano me alertou: “Dona Yvone gostava era de matas, rios, plantas, portanto deveríamos colocar suas cinzas num lugar de muitas arvores.”. Concordei de imediato: Minha mãe era uma pessoa bem espiritualizada; Ela recebia entidades, dentre elas caboclos a exemplo de “boiadeiro”. Também tinha muita ligação com São Lazaro, Nana, Cosme e Damião.
Era de distribuir “flores” como ela chamava as pipocas do velho. Se bem me lembro, na segunda feira era o dia de fazer isto. Acompanhei muitas vezes minha mãe para as sessões da umbanda que ela frequentava. Presenciei muitas e muitas vezes as manifestações das entidades. Ficava preocupada e meio descrente, mas deixava que ela passasse pipoca em todo o meu corpo, que era o que sempre fazia quando o “velho”, (São Lázaro) chegava. A preocupação era por conta do corpo de Mainha, é que ela tinha problema nas articulações e as entidades velhas se contorcem muito quando se manifestam. Felizmente ela não tinha nenhum caboclo que bebesse: se tivesse aí a merda estava feita, porque minha mãe não bebia álcool no dia a dia, aliás ela não bebia nem no dia a dia, nem noite a noite, talvez a noite, quando meu pai era vivo, ela se embriagasse por osmose, porque o velho bebia para cacete, por ele e por ela.
Bom, Luciano sugeriu a reserva Sapiranga. É um belo lugar, com riachos, vegetação densa, trilhas, enfim, uma pequena floresta. Um lugar ideal para a finalidade que tínhamos em mente. E lá fomos nós. A urna foi comigo, no meu colo. Mentalmente eu ia falando com minha mãe, e tenho certeza de que ela estava me ouvindo. Não deixei de sacanear com ela, pois achei que ela não queria ficar comigo, mas eu bem sabia da vontade dela sempre. Ela nunca quis ser enterrada em gavetas, sempre me pedia isto: que era para enterrá-la em cova cavada na terra, Não consegui atendê-la num primeiro momento, mas agora não teria  desculpa, eu tinha de fazer o que ela queria que era voltar a natureza, ser uma parte dela, então  fomos lá na Sapiranga e cada um lançou um punhado das cinzas(cremamos os ossos).
Eu fiquei com a maior parte. Distribui as cinzas em todas as direções, inclusive na água. Foi um momento muito bonito. Um dos meus irmãos conseguiu captar alguns flashes. As cinzas formaram nuvens e se espalharam por entre as árvores, parecia uma coisa de contos de fadas, uma claridade imensa, por entre as copas das árvores o sol adentrava e as        cinzas ali flutuando entre aqueles espaços, a luz do sol fazendo o mais fantástico efeito.
Cumprimos o desejo de Dona Yvone, ela agora está no seu meio, com os seus caboclos, com os seus meninos, com os seus adorados e respeitados espíritos. Com certeza está muito feliz e nós também estamos.
De lá da reserva voltamos para a casa de Tininho, onde comemoramos juntos o momento, aliás comemoramos duas coisas, a volta de minha mãe à natureza e a formatura de Mariana. Falamos muito dela e de tantas coisas que aconteceram na nossa família. Vimos as fotos que foram tiradas dos momentos em que lançávamos as cinzas no ar. Lindas fotos, grandes flashes. Em casa, analisando as fotos, pude ver em uma delas, paralisando um dos vídeos, o rosto de minha mãe, acreditem, identifiquei o rosto dela em paz, muito tranquila, com a expressão de felicidade. Não me importa se ninguém conseguir ver, ou que não acreditem que consigo ver. Sei é que ela se fez presente fisicamente para nos agradecer. Agora ela é ar, terra, água e estará sempre conosco, mais uma vez se dividindo para dar um pouco a tantos quantos dela precisem.
Beijos mãe.