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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

SERÁ QUE PEQUEI?

Acordou no meio da noite, ou melhor, no meio da madrugada. Já acorda irritada, porque sabe que, nos próximos cinco dias, irá acordar neste horário até que o organismo volte a se acostumar a acordar em outro horário, é sempre assim.
Mas aí ela se pergunta: “por que diabos acordei 1.30 da manhã?" Está preocupada com o que? Não teve nenhum pesadelo; não está com vontade de fazer xixi; não se lembra de ter feito nada errado durante o dia; não machucou ninguém, então por que isto? Liga a televisão e vê uma reportagem sobre o Rio Tietê e a sua nascente. Acreditem se quiserem: o Tiete nasce limpo, como é óbvio. Onde ele nasce, num interior de São Paulo, a água pode ser bebida sem qualquer problema, aliás, é o que faz o repórter, que continuou fazendo a reportagem sem ter qualquer reação.  Há uma comparação entre o Rio Tietê e o Rio Reno que nasce na Suíça, que segue limpo por todo o seu curso, e que, de acordo com a reportagem, é que abastece o país, e os suíços bebem cozinham, enfim utilizam a água do Reno sem qualquer problema.   Ela imagina se alguém cai no Rio Tietê, e bebe, sem querer, um pouco daquela água, bem ali naquele lugar onde os guindastes estavam tirando sujeira. Ela pensa: “Eu morreria só de pavor de cair ali”, odeia águas sujas.
Muda de canal, o guindaste tirando sujeira do Tietê não lhe agrada nem um pouco; para no Jô Soares e vê um ator falando da sua vida, informando que ele foi interno num colégio em Minas. Só pode ser isto!  Internato, religião, Deus, mandamentos.  A associação só pode ser esta, todavia a ficha cai e ela lembra que, pela tarde, ao chegar ao Aeroporto de Guarulhos para uma conexão para sua terra, passou uma mulher com um homem do lado e ela se viu cobiçando o cidadão.
Sim, o homem era lindo, um dos espécimes que jamais será esquecido. Aquilo era uma visão extraordinária, mas além deste sentido, muitas outras coisas foram despertadas.  O sexo era uma delas, e ela ficou imaginando como seria aquele cara na cama. Será que ele era delicado? Será que ele era safado? Será que ele era bom de cama mesmo? Será que ele fazia sexo oral? De que será que ele gostava em relação a sexo? Pense aí, alguém acorda no meio da madrugada e fica se questionando se foi certo ou errado pensar no homem do próximo na sua mais íntima “intimidade”. Deve tá louca. Não, não tá louca nada, o homem era lindo, gostosão, como diriam todas as mulheres que o olhassem, aliás, que o olharam naquele momento, e em todos os outros momentos em que ele aparecia e podia ser apreciado tanto por homens quanto por mulheres. Aquele belo espécime era de tirar fôlego, causar invejas, cobiça, desejos, pensamentos libidinosos.
Sim cobiça, e aí ela faz a ligação com a entrevista do ator. Não tem certeza que o colégio interno do rapaz era um colégio religioso, comandado por padres, possivelmente era, e aí é que ela se lembra dos mandamentos da lei de Deus, hoje quase em completo desuso, porque logo o primeiro deles já vem sendo desrespeitado há muito tempo: AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS.  Muitos poucos amam Deus sobre todas as coisas, hoje, o que vemos é a prioridade do material, muito poucos estão preocupados em amar a Deus, pode ser que o papa Francisco consiga reavivar este mandamento, mas não acredita, Já não lembra qual o segundo, nem terceiro, enfim, não sabe nem todos e nem a ordem deles, mas sabe que existe um que diz: NÃO COBIÇAR AS COISAS ALHEIAS e nem a mulher do próximo. Cai na risada. Por que não cobiçar só a mulher do próximo?  Então se pode cobiçar o homem do próximo ou da próxima? "Kkkkkkkkkkkk discriminação da zorra." Não consegue parar de rir, pois nunca tinha pensado nisto até o momento.  Então ela não pecou, porque estava cobiçando o homem da próxima, quer dizer, em principio homem, porque aquele Deus do Olímpio poderia ser gay, e aí, a sua cobiça não teria qualquer motivo, porque pensa que cobiça tem que ter um mínimo de possibilidade de ser possível, ou seja, o alvo dela deve ser alcançado. Então você vai querer uma coisa que jamais alcançará: o seu pensamento, início de qualquer ação, mesmo aquelas que a gente diz que fez sem pensar (esta é uma das maiores mentiras do mundo), porque você pensa; você não pondera este pensamento, mas você pensa e age, sem qualquer intervalo entre pensamento e ação, mas pensar, pensa sim: é o primeiro ato de tudo.  Então você começa uma idealização que nunca passará disto? Ou seja, se o homem não fosse homem, de que adiantaria a sua cobiça? Ele jamais olharia para ela, aliás, como não o fez. Bom mais ela poderia provocar que ela fosse notada por ele: podia jogar sua mala discretamente na hora que ele estivesse passando; podia levantar e se esbarrar nele e pedir desculpa cretinamente; podia seguir o casal e ver qual a possibilidade de ser vista por aquele cidadão, enfim, podia forçar uma situação; mas se fosse ele gay, no máximo receberia um olhar de reprovação e de desprezo que só “gay” sabe dar para uma mulher, ou para qualquer outro ser humano digno da sua reprovação.     
Bom, mas se ela não estava pecando porque não estava cobiçando a mulher do próximo, o que não tinha nenhuma intenção ou tendência sexual para tanto, por que estava preocupada em ter cobiçado o homem da próxima? Isto não estava na lei de Deus, que certamente não enquadrou o ser humano no “NÃO COBIÇAR AS COISAS ALHEIAS, afinal o ser humano não pode ser tomado como coisa, a não ser que aquele rapaz seja um escravo, pois os escravos eram considerados coisas, faziam mesmo parte do patrimônio do seu dono, eram vendidos em praça publica, eram leiloados, mudavam de dono, enfim, eram mercadorias. Bom, aparentemente aquele cidadão maravilhoso não era nenhum escravo, mas vá lá saber. E se ele fosse uma espécie de escravo por ser um aproveitador, um gigolô, vivendo à custa da mulher que não era nenhuma menina, era uma loura bem interessante, muito bem vestida, muito perua, mas nada que merecesse aquele Deus do Olímpio como companheiro.
Pensa consigo mesma: “puta merda, olhe quantas vezes você, em pensamento, já infringiu a lei de Deus e agora você está julgando o próximo, ou a próxima, sem saber quem é a pessoa. Não sabe dos seus costumes, dos seus problemas. E se aquela mulher fosse a mãe daquele rapaz? Se ela fosse a irmã? Se ela fosse apenas a sua agente?” Sim, porque aquele belo espécime poderia ser um modelo.
Nesse momento lembra que o mandamento correto é   “NÃO DESEJAR A MULHER DO PRÓXIMO”; ri outra vez e diz: “Realmente não pequei, pois eu não desejei porcaria de mulher do próximo nenhuma, aliás, não tem qualquer vocação ou tendência para isto, o que desejei e ainda desejo, é o HOMEM da próxima”.  Ri muito, e pensa “Pois não é que eu sigo, ainda que sem querer, os mandamentos da lei de Deus”.
Lembra, então de mais um mandamento: "AMAR O PRÓXIMO COMO A TI MESMO", e traduz: “Bom, continuo a não infringir qualquer mandamento, pois Deus, ou melhor, quem elaborou a Tábua dos Dez Mandamentos, só colocou tudo no masculino, e se é assim, ela entende que ela devia amar aquele próximo, o rapaz, como se ela fosse”. Não gosta desta interpretação, pois o amor por si devia ser maior do que o amor por qualquer outro, pois sempre achou que se não se amasse muito não poderia amar ninguém, então, em primeiro lugar ela, depois “o próximo” poderia ser muito amado, mas não tanto assim; kkkkkkkkkkk se pega gargalhando, pois vê o ridículo da sua situação:” Então porra, alguém acorda no meio da madrugada para ficar fazendo elucubrações a respeito das leis de Deus, tá mesmo maluca. Isto não pode ser coisa de alguém normal; talvez, até seja mesmo uma coisa para gente normal, para gente que pensa, que deseja, que aprecia o belo e que tem a coragem de admiti-lo”. Será que existe mesmo este mandamento?
E então não há como não voltar aos Mandamentos, que ela vai lembrando aos poucos, afinal estudou em colégio interno e tem formação, ao menos por este particular, católica, embora sem o seguimento peculiar; pois não é nem apostólica e nem romana, NÃO MENTIR. Sim, ao admitir todas estas cobiças, todas estas invejas, todos estes desejos, todos estes pensamentos ela não mente nem para si e nem para o próximo, portanto ela é uma pessoa transparente, real, com todos os defeitos e virtudes inerentes ao ser humano que sabe apreciar o belo e, por isso mesmo, querê-lo para si, aliás, as 03h27min, no friozinho que está fazendo, o que ela queria mesmo era o homem da próxima. Assim, com certeza, estas horas que passou acordada e escrevendo podiam ter sido muito bem aproveitadas, e quem sabe ela pecaria, mais uma vez, ao chamar o santo nome de Deus, não em vão, embora para alguns isto seja mesmo um grande pecado, mas, para ela, seria sim o auge do agradecimento ao dizer, num grande momento de emoção e prazer: AH MEU DEUS!  

04:11, Arembepe 08.08.2014. 

quinta-feira, 3 de março de 2011

A propósito de um comentário: "brasileiros não gostam de trabalhar"

Quando escrevi o primeiro texto sobre Lisboa, aquele que saiu publicado no Patifúndio, recebi varias críticas de portugueses, que se reportaram a mim, como se fosse eu a preconceituosa. Alguns, apesar de apreciarem o texto, disseram não poder gostar dele, porque tratava os portugueses, que nos acolhiam, (referência aos brasileiros que lá estão) de braços abertos, com muito desprezo. Outros, que também gostaram do texto, faziam criticas grosseiras a quem o escreveu, inclusive dizendo que pensavam que aquele tipo de idéia sobre os portugueses partia de pessoas não esclarecidas, aquelas coitadas que vão a Portugal a procura de trabalho, de melhorar os seus horizontes, de ilusoriamente enriquecer (isto sou eu quem diz), de fazer um pé de meia e voltar para a sua terra natal, comprar uma casa, enfim, melhorar mesmo a sua condição, mas, eles verificavam agora que não, era uma idéia disseminada entre todos, inclusive pessoas esclarecidas como eu.

Os brasileiros que leram o texto, ao contrário dos portugueses, acharam-no maravilhoso, e agradeceram-me por fazer um roteiro de Lisboa e por reafirmarem neles o desejo de conhecer aquela maravilhosa terra. Muitos amigos me disseram que fizeram cópias do texto e seguiram aquelas indicações quase à risca quando lá estiveram e adoraram tudo, embora não poupassem críticas ao tratamento recebido de portugueses em alguns momentos, principalmente daqueles que lhe dão com o turista, com o público. Um dos brasileiros chegou ao ponto de me dizer que teve que falar francês para ver se conseguia um melhor tratamento.

Pois é, o texto foi escrito há mais de um ano, já fiz muitos outros textos sobre Lisboa e Portugal como um todo. Gosto daquele país, gosto da sua história, gosto de ver a coragem dos homens portugueses nos descobrimentos, gosto de ver como um país mínimo, pode fazer tanto em tantos continentes diversos, Portugal, em África, em Ásia, na America, sozinho, afastado do resto da Europa, sim porque Portugal está de frente ao Atlântico, o que ele tem frente a si é a imensidão do Oceano, que os marinheiros portugueses souberam muito bem aproveitar, e aqueles que não eram marinheiros não souberam defender, permitindo que aqueles que não eram do mar, acabassem com os grandes tesouros encontrados através dele, enfim, a história das descobertas portuguesas é extraordinária e, realmente, tem de ser valorizada por todos, portugueses ou não.

O reconhecimento do poderio português, entretanto, não pode ser estudado apenas no aspecto do ufanismo, há que se dar atenção a forma, à maneira que os portugueses exerceram o seu domínio, há que se valorizar os acertos, verificar os erros, a contribuição ou o prejuízo causado aos povos por ele colonizados, enfim, colocar os pontos nos devidos “is”, com consciência cientifica.

É interessante como, quando se redescobre e se reconta a história portuguesa no que respeita ás suas colônias, consegue-se incomodar aos que só vêem acertos, heróis, superioridade.

Bom, mas não comecei este texto para falar sobre descobrimentos, nem sobre ufanismo dos portugueses, mas para comentar uma afirmação que ouvi em um programa de televisão, em que portugueses falavam o que achavam de brasileiros e o que brasileiros achavam dos portugueses. Não vi o programa todo, bem verdade, nem me lembro, sequer, do canal que era, mas, ouvi de uma pessoa do povo, uma mulher, parece-me que entrevistada no centro de Lisboa, ali pelas bandas do Rossio, que disse: “os brasileiros gostam de samba, de música, de praia, de diversão, e de não trabalhar”. 

Não consigo perceber como alguém que mora em Portugal, que possivelmente nunca saiu de lá, que não conhece o Brasil, que só conhece o Brasil de ouvir falar, ou melhor, de saber que o Brasil foi colônia de Portugal e tentar gozar os brasileiros por isso, abre a boca, para fazer um comentário deste tipo.

Com certeza, aliás, seria esperar muito, esta pessoa não deve saber que o Brasil é a oitava economia do mundo, e, certamente, não conseguiu esta façanha, sem que o povo brasileiro dela participasse com trabalho.

Também não deve saber que na America do Sul, por acaso o continente em que os brasileiros vivem, que alguns nem sabem existir, o Brasil ocupa uma posição de liderança, invejada por muitos.

Outrossim, esta pessoa não deve saber das nossas exportações, do que temos em termos de tecnologia, da nossa indústria, (exportamos automóveis, peças de automotores, motores) fabricamos e exportamos aviões, produzimos petróleo, exportamos grãos, frutas, carnes, e muitas outras coisas.

Também ela não deve saber que nós, os brasileiros, na sua grande maioria, acordamos às cinco da manhã para que possamos estar nos nossos postos de trabalho as 08h00min, que é o horário normal de começar expediente em muitas das nossas indústrias, e no nosso comércio. Será que esta pessoa sabe que as indústrias não param, que temos de trabalhar, evidentemente que em turnos, durante vinte e quatro horas? Será que esta pessoa não sabe por que nós somos produtores de petróleo, porque detemos uma tecnologia avançada em perfuração de poços, em refinamento de petróleo, etc. etc. etc.

Será que aquela senhora que, possivelmente, acorda às nove horas da manhã, para pegar trabalho, se é que trabalha, pois uma grande maioria dos portugueses da idade dela, ao menos a que ela aparentava ter, está “de baixa” (vivendo à custa da segurança social) pelos mais diversos motivos, sustentados por outros portugueses, que velhos e alquebrados, ainda trabalham como “porteiros”, “porteiras”, cozinheiros, garçons, para sustentar a segurança social que patrocina estas “baixas”, hoje pelo maior motivo que é a “não vontade de trabalhar” de muitos portugueses, que a escondem com “depressão” “estafa” “stress”.

Já vi muitos portugueses, de idade entre 36 a 50 dizer que vão pedir “baixa” por estarem cansados, o engraçado é que, estas mesmas pessoas, que estão de baixa, não estão cansados ou deprimidos, para viajar, para freqüentar a noite, para beber, para fazer academia.

Será que aquela senhora não percebe quem são as pessoas que trabalham, muitas vezes, clandestinamente, nas obras que estão acontecendo em todo o Portugal? Será que ela não percebe que uma grande maioria daqueles homens que começam o trabalho as sete da manhã, ou menos ainda, são brasileiros, africanos e outras nacionalidades, menos os portugueses? Sabe ela por que isto acontece? Certamente ela dirá que isto acontece porque o Governo português permite que os estrangeiros tirem os postos de trabalho dos portugueses, e até acho que eles têm razão, deveria haver uma política mais rígida em relação a este trabalho, não porque retire dos portugueses os lugares de trabalho, pois muitos destes serviços eles não querem, porque significam uma humilhação para pessoas tão civilizadas como os “europeus”, mas para que os trabalhadores não sejam explorados como são, bem verdade que existem inúmeros programas, são até anunciados na televisão, para amenizar tanto preconceito, tanta exploração, mas isto não é necessariamente uma questão humanitária, isto acontece porque  a União Europeia obriga a que os países da comunidade tenham estes programas, aliás, patrocina-os, uma maneira de afastar a xenofobia que caracteriza a grande maioria dos europeus, vide o recente caso da expulsão dos ciganos da França.  

Estes pobres diabos trabalham mais de 10 horas por dia, ganham por hora muito menos que qualquer português, que acaso exerça a mesma função, o que é muito difícil, trabalham com os tais “recibos verdes” não tem direito a assistência médica, a qualquer subsídio, enfim, são tratados como “parias”, que realmente são afinal não pertencem ao mundo dos civilizados europeus.

Morar! Será que esta senhora sabe onde moram os pobres coitados dos brasileiros, africanos, ucranianos, etc., que trabalham nestas obras e em outros empregos onde são explorados? Não ela não deve saber, e se sabe, jamais o dirá, a não ser que seja para criticar se houver algum que consiga sair do inferno e passar a residir no “purgatório”, lugar mais adequado a quem pode pagar mais de 500 euros por um apartamento, onde morará mais de duas ou três famílias, cada um confinado em seu quarto, muitos com dois três filhos, dividindo intimidades, fome, miséria, com um único pensamento, juntar algum dinheiro para voltar a tão sonhada terra com uma casa decente para morar, um futuro para os filhos.

Será que essa senhora tem conhecimento de que aquela estátua que fica em frente, ironicamente, ao Café “A Brasileira” no Chiado, é a de Fernando Pessoa? Nós brasileiros sabemos. Será que ela sabe quem foi Camilo Castelo Branco? Eça de Queiroz? Saramago? Alexandre Herculano? E tantos outros? Nós brasileiros sabemos, porque reconhecemos os grandes valores destes portugueses, porque não somos mesquinhos, miseráveis, porque sabemos dar o crédito correspondente ao que é bom, valorizamos o estes homens representaram e representam para a cultura, entretanto, a par destes homens, temos os nossos, que, com certeza, ela nunca ouviu falar, evidentemente, cultura do submundo, de preguiçosos, de homens que mostram a saga dos brasileiros, pobres, nordestinos, que vão à procura de trabalho em outras terras: Graciliano Ramos, Jorge Amado, Erico Veríssimo, José de Alencar, Machado de Assis e tantos outros. Não, essa senhora não deve saber que temos estes expoentes, não lhe interessa, o que interessa é dizer que nós, brasileiros, somos “preguiçosos”.

Fiquei realmente triste e assustada com a afirmação da senhora, mas vou relevar, porque se nós brasileiros somos preguiçosos, se não gostamos de trabalhar, se vivemos sambando, se nada fazemos, e, ainda assim, somos a 8ª economia do mundo, prestes a sermos declarados como 7ª, é porque somos mesmo abençoados, coisa que não deve acontecer em outros lugares do mundo, deve ser porque “Deus é brasileiro” e permite que, apesar de tudo, demonstremos que somos felizes e que temos esperança, não vivemos de passado, estamos construindo o nosso futuro sem ufanismos exagerados, sem esconder os nossos problemas, sem culpar ninguém pelos nossos dissabores, pela nossa incompetência e inapetência.

 Somos grandes em tudo: em terra, 8.514.876 km, em número de gente, 190.732.694, em número de analfabetos, em numero de pobres, mas somos grandes em generosidade, em amor, em esperança. Se adoramos “futebol” é porque ele nos dá felicidade, se gostamos de samba, é porque ele mostra a nossa energia, sem precisar de qualquer tecnologia, é o nosso corpo que demonstra do que somos capazes; se gostamos de ir à praia; é porque o mar nos retira os olhados que pessoas infelizes nos colocam; se bebemos é para comemorar e não para nos deprimir e esconder tristezas. Trabalhamos, e muito, fazemos com que o nosso Brasil, continue crescendo, e seja motivo de orgulho nosso, e da inveja daqueles que não sabem o que é “SER BRASILEIRO”.