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terça-feira, 12 de junho de 2018

O Senhor da Torre XIV - A morte de Isabel



Casa em Arembepe 
Estava inquieta, era uma sensação esquisita, parecia que algo não muito bom estava prestes a acontecer.  Brusky, o meu hottweiler, também parecia inquieto e olhava-me de uma maneira bem estranha, talvez tentando saber qual o motivo da minha aflição, da minha angustia.
O mundo lá fora, parecia também angustiado, não chovia, mas pesadas nuvens escuras cobriam o azul do meu pedaço de céu, sim porque sempre tive um pedação de céu, aquele que nas noites estreladas eu conseguia ver uma concentração imensa de estrelas, apenas olhando para um determinado ponto estando na lateral da minha casa. Aquele era o meu céu, não o dividia com ninguém, eu e eu olhando o que para mim era quase todo o universo, ali concentrado só para mim.
Será que o universo está confirmando o que estou a sentir neste momento? Estava feio o tempo, escuro, diferente. Não, aquele dia não seria um dia como os outros, algo ia acontecer mesmo ou já estava até acontecendo, eu só não sabia o que era.
Tentei ler, escrever, fazer alguma coisa que afastasse aquela sensação, mas estava difícil, o cachorro entrava e saia, também ele não conseguia ficar parado em lugar nenhum.  De repente olho para ele e vejo o pelos do seu dorso arrepiarem, fico nervosa, ele só fazia isto quando via algo de que não gostava. Se ele fizesse isto em relação à alguma pessoa eu tinha de correr para pegá-lo e colocá-lo no canil, pois aquele era um sinal de que ele ia atacar e eu não queria correr qualquer risco. Ele era enorme e um descuido seria uma fatalidade.
O bicho continuava com os pelos eriçados e olhando fixamente para o portão de entrada da casa.
Fui ter com ele, olhei para o mesmo ponto em que ele olhava e não vi nada. Brusky! Chamei-o, mas ele não saiu do lugar, parecia realmente estar vendo algo. Insisti, venha cá, fique aqui ao pé de mim, mas ele não se moveu, começou a rosnar bem forte, sem sair do lugar olhando fixamente para o portão.