Iaiá já estava
casada há muito tempo; os filhos todos criados, uns casados, outros ainda não
casados, mas homens feitos, enfim, tinha cumprido a sua obrigação para com
eles. Agora, dizia para si, é hora de
curtir mais a vida com o meu Pestana, com quem estava casada há anos.
Conhecera o
Pestana há muito, ainda era enfermeira. Era uma mulata bonita de fazer inveja a
qualquer mulher e deixar homens boquiabertos. Sempre se arrumara bem, e não era
a farda branca de enfermeira que lhe tirava a elegância, o charme, a graça, ao
contrário: isto anunciava a sua beleza, pois a sua silhueta, por baixo do jaleco
branco, atiçava o desejo dos homens, e por que não dizer: das mulheres também,
que invejavam aquela colossal mulher desejada por todos.
Todavia o
Pestana fora o vencedor daquela pescaria, e fisgou a Iaiá, com quem se casou e construíram
uma bela família.
O tempo foi
passando, e ambos, Pestana e Iaiá, envelhecendo; ela, entretanto, continuava
uma bela mulher, mas Pestana começou a pestanejar, e Iaiá começou a perceber o
desinteresse do marido, que cumpria com suas obrigações, mas não havia maior
calor ou amor no relacionamento, embora continuassem juntos.