Tenho observado mais quem está ao
meu lado, acho que os trinta e tantos anos não foram suficientes para
conhece-lo bem. Fui, voltei; fui outra
vez, retornei, e estamos juntos novamente, e eu me surpreendo com as
descobertas, algumas não muito boas, outras boas, e algumas excelentes.
Contar estórias e histórias; ficção e realidade se misturando para fazer rir, chorar, viver.
quarta-feira, 15 de março de 2017
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
A não se repetir
Está tentando fazer um balanço de
2016, entretanto, não consegue colocar no papel as emoções tantas, sofridas e
vividas nesse ano que passou.
Está sozinha, o que não é uma
grande novidade, mas o fato é que está e fica sozinha, parece que estar mesmo condenada
a viver só no meio de tantos, tantos que passaram pela sua vida no ano findo,
inúmeros, nunca tantos estiveram tão
próximo de si, mas nada aliviou a sua solidão, que não é sequer percebida. Todos pensam que ela
está bem, que ela gosta da vida que
leva: Que engano! Eles não sabem de suas angústias, de suas dores, de suas
aflições.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
O que dizer?
O dia vai terminando! Estou aqui
na minha varanda; acabei de ouvir uma faixa do CD de Seu Jorge onde ele fala de
uma moça, suponho, que vai ao salão, vai às compras, ginástica, etc. para
concluir que ela é uma burguesinha.
Acho engraçado: todos nós lutamos
muito para conseguir melhorar a vida, e aí vamos incluir a nossa cultura, o
nosso modus vivendi e tantas outras coisas, como por exemplo, cuidar da estética,
seja porque se é feio mesmo, seja porque se é vaidoso, seja porque se quer
melhorar algum detalhe do corpo, do rosto, enfim, todas as pessoas têm sonhos e
alguns dependem de dinheiro para que se materializem.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
Qualquer coincidência não será apenas uma semelhança
Zafira acordara tensa, não sabia
bem o motivo, mas estava ansiosa. Não
tinha passado bem a noite, não que estivesse sentindo alguma coisa, mas sonhara muito, sonhos estranhos envolvendo
muita gente de um passado, que se não queria esquecer, também não queria
lembrar. Sonhou com o ex sogro e, em consequência, com a velha casa da Fazenda
Jaboatão, onde fora recebida, ou melhor, onde teve a sua presença imposta por
motivos imperiosos.
O que estaria acontecendo? Perguntava-se ao levantar da cama. Ao seu lado a presença de sempre, que apesar
da ausência do ser, se fazia presente no
estar.
Levantou-se e foi vestir a roupa
da caminhada: se deu conta de que sempre vestia a mesma roupa, deu risada e imaginou o pensamento daqueles que sempre a
cumprimentavam pela manhã nas suas
andanças pela orla. “Será que esta mulher só tem esta roupa?” Sorriu, era assim mesmo, agora ela também se perguntava: `Porra
você só tem esta roupa? Era capaz de lavar a blusa e usar exatamente a mesma no
outro dia.
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
A caminhonete 403 - Cascais - Sintra
O numero é 403. Não esqueçam este
número de maneira alguma.
Estava eu em casa da minha amiga
Vera e queria saber como, de Cascais chegaria a
Sintra e vice-versa, tudo isto porque algumas pessoas iriam chegar do
Brasil e eu tinha que, no domingo, levá-los à Sintra e depois retornar à Oeiras
onde almoçaríamos na casa da minha amiga.
Já fui por diversas vezes à
Sintra, de ônibus, de comboio, de carro, mas sempre sai de Lisboa, ou de
Carnaxide, mas agora a Vera mora em Oeiras e eu não queria sair de Oeiras para
ir pegar trem em Lisboa para ir à Sintra. Comecei a pensar como é que Cascais,
tão pertinho de Sintra, não tinha algum transporte público ligando os dois
sítios. Fui pesquisar na internet e encontrei duas opções, ambas saindo do
terminal rodoviário de Cascais, as camionetes de números 403 e 417.
A principio pensei: vou pegar
qualquer delas, se a finalidade é chegar em Sintra e retornar para Cascais,
qualquer uma das duas serve.
Não, não é assim.
Primeiro tive que procurar a paragem, dentro da próprio terminal,
da caminhonete de no 3. A indicação não
é visível. Olhe que até perguntei a algumas pessoas, que também não souberam
informar, mas, finalmente, um motorista me disse. Por incrível que pareça é a
primeira paragem da pista que fica no interior da estação, no sentido dos ônibus
que estão chegando. A de nº 417 é a primeira ou segunda do lado externo do terminal no sentindo contrário. Bom, o
certo é que esperei um pouco e a caminhonete chegou, ela sai de quarenta em
quarenta minutos, tanto de um terminal quanto de outro – Cascais ou Sintra.
É mesmo uma grande e prazerosa viagem. Você vai passar pela Guia,
Alcabideche, Belora, Rana sei lá mas o que e vai se afastando do centro, e aí
meu amigo, é como uma mágica: de repente você começa a ver, deslumbrar o mar à
sua esquerda se você estiver indo em direção à Sintra. Aí você se distrai olhando
o mar, lá embaixo, porque estamos em uma serra, e, de repente, quando este desaparece entre as casas, você retorna a estrada e pense:
agora estamos em estradinhas tão estreitas que se dois ônibus tiverem de passar em direções opostas, um tem
que parar, se encostar bem de um dos lados da estrada para que o outro possa
passar. Casinhas pequenas ladeiam a estradinha. Plantações de
couve, alface, folhas verdes em geral
aparecem aqui e ali nos terrenos mínimos mas bem aproveitados. Uma laranjeira com frutas amarelinhas, um
limão siciliano, uma limas(limões tipo Haiti no brasil). Flores, muitas
flores, um colorido imenso. A vilazinha
acaba e o mar imponente, agora bem distante, se impõe. E a caminhonete segue,
mar e mar, penhascos se descortinam e ele lá, o Atlântico poderoso e azul se
mostra. Choro, fico a imaginar o motivo de
não ter descoberto esta caminhonete antes. Se assim tivesse acontecido,
pelo menos uma vez a cada mês, chovendo ou não, faria esta viagem de Cascais a Sintra.
O ônibus sai da estradinha e
entra em mais uma vilazinha, as pequenas casinhas brancas contrastam com o azul
da imensidão do mar ao fundo. É uma paisagem de tirar o folego. |A estrada
estreita ainda mais, a impressão que temos é que o ônibus vai bater em algum
muro, alguma parede de pedra, vai entrar casa a dentro, mas ele segue
tranquilamente, tirando fino aqui e ali.
Vislumbro um forte lá ao fundo,
bem no alto. Sei que já estive aqui, mas a sensação não é a mesma. O motorista
anuncia, Cabo da Roca, após ele só o mar
imenso, nada mais. O ponto mais ocidental
da Europa, dali fica-se mais perto do Brasil. Dou risada. O mais perto que ainda é tão longe.
Neste momento lembro-me de
Alberto, espero que ele esteja bem. O Cabo da Roca fica em Colares, que
pertence à Sintra, aliás, onde também fica a Azenhas do Mar, a praia da maça, e
muitos outros lugares dignos de serem visitados. O ônibus faz a volta e a
viagem continua, o mar agora está atrás de mim, mas ele voltará a ficar ao meu lado.
Começo a ver, do meu lado
direito, o Castelo de Sintra lá no alto, o ônibus faz zig zag na estrada, as
curvas são inúmeras, e o castelo se desloca para meu lado esquerdo, é
interessante esta sensação, mais algumas vilazinhas vão passando, o mundo, em alguns pedaços da estrada, parece
ter parado.
Sintra se aproxima, ao lado da
estrada uma linha férrea, que passa por
passeios, ruas, etc. acho interessante e lembro-me que há um trenzinho que circula
no verão, que leva às praias, penso que este será o caminho que percorre.
Chego à Sintra, o ônibus atravessa um bom pedaço da cidade e para na
estação de comboios, é o terminal do 403, onde também peguei de volta o 417,
que faz um caminho bem diferente, mais rápido inclusive, mas sem a beleza do
403.
Quando for em Portugal e quiser passear em Cascais e Sintra, não
esqueça. 403. Delicie-se, prepare o seu coração.
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Fabricando, artificialmente, uma identidade
Em 1875 através
do Decreto datado de 29 de abril
declara-se, em Portugal, a extinção da condição servil
e, em consequência livres, um ano após a publicação dessa lei, nas
províncias ultramarinas portuguesas,[1]
todos aqueles que detinham esta condição, que fora estabelecida
pela lei de 25 de Fevereiro de 1869, a qual aboliu a escravidão em
Portugal. No entanto, os indivíduos alcançados pela lei não adquiriam, de logo, a
condição de livres, uma vez que, esta mesma lei, declarava a obrigação dos
libertos de trabalharem para os seus patrões até o ano de 1878.
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
E que Deus nos ajude!
Atônita ouço a noticia de que o
Guido Mantega, o Ministro da Fazenda de Lula e Dilma foi preso na 34ª fase da
operação Lava Jato! Estarrecida tomo
conhecimento dos motivos da prisão temporária decretada.
Segundo o noticiário, o dito Ministro, enquanto tal, era o mediador
entre o partido e os empresários que prestavam algum tipo de serviço ao
governo, no sentido de angariar fundos para
o pagamento das campanhas e das dívidas de campanhas do PT e o fazia,
exatamente, na condição de Ministro, usando o poder que tinha como tal,
constrangendo os empresários a fim de que estes fizessem as doações, para que tivessem
liberadas as suas faturas.
sábado, 17 de setembro de 2016
DELICIOSA E SUCULENTA
É manhã, ainda por volta das 06h15min-06h20min,
vou andando pela orla, não tanto para fazer exercício, muito mais pela confusão
mental que tantos e tantos problemas, com soluções cada vez mais distantes,
causam.
Venho absorta, penso nas
soluções, chego a visualiza-las, mas elas não dependem de mim, dependem de
terceiros, quanto pior, do Governo (Executivo e Legislativo e ainda o Judiciário).
sexta-feira, 5 de agosto de 2016
Um passeio noturno pelo centro de Lisboa
Lisboa está deserta, Praça do
Comércio, Rua Augusta, Rossio, Restauradores, Avenida da Liberdade. Era
madrugada. Gatos pingados procuravam suas portas para adentrarem as suas casas,
mas eu estava ali, andando sozinha pelas calçadas molhadas e vendo as fachadas
iluminadas dos velhos prédios. Ah como era boa esta sensação! Lisboa era só
minha, as portas fechadas me davam a segurança de que estava só, que àquela
hora dificilmente alguém sairia delas para me amedrontar ou respirar o ar
que, naquele momento, eu me apossara, era todo meu.
Não sentia outro cheiro que não a
da rua molhada, das pedras brilhantes encharcadas da chuva. Tudo sombrio, mas
se consegue, senão todos, eu vejo, ver beleza nestas noites frias, molhadas e
com uma iluminação meio opaca, mas que embelezavam, mais ainda, as grandes
fachadas.
A estação do Rossio, já com as
suas portas fechadas mostrava todo o seu esplendor, como é linda! Tudo meu
agora, tinha um sentimento de posse, naquele momento eu era a dona de tudo, não
tinha de dividir nada com ninguém.
segunda-feira, 25 de julho de 2016
Simples assim
Do outro lado da linha: Mera,
você já sabe que Diorgénes se separou de Marineide.
- Não, e qual o problema?
-Pôxa Mera! Aquela mulher era um anjo para aquele
homem.
- Sim, mas eram casados, apenas
isto, e podiam se separar a qualquer momento.
- Porra Mera! Que frieza, parece
que você não tem sentimento ou que não
gosta da Marineide.
- Nada disto, eu até gosto bem
dos dois, mas para que esta comoção a partir de uma coisa tão normal.
-Ela tá lenhada, diz que não sabe
o que houve.
-Sabe sim, ela viveu por vinte e
oito anos com ele e sabe bem, perfeitamente o que aconteceu.
- Mera, como você pode ser assim!
-Rapaz, é simplesmente você ter o
pé no chão, observar, entender, perceber. Parece que vocês vivem num mundo a
parte, onde uma coisa normal desta, que
é a separação de um casal, parece ser um bicho de sete cabeças
quinta-feira, 23 de junho de 2016
Feliz Aniversário Mãe
-Não sei mãe, vamos ver?
-Mas este vai ser o último.
-Porra minha mãe, todo ano esta
história de último, e eu acredito e no ano seguinte, oi de novo a mesma estória.”
Era assim durante muitos anos, o
mês de junho começava e lá vinha a ladainha. O aniversário, festa, muita bebida,
muita comida, muita música, tudo porque aquele era o último.
Sabe que eu até, de um
determinado tempo em diante, fazia o aniversário mesmo porque achava que era o
último e nesta brincadeira, passei uns doze ou mais anos fazendo aniversário de
minha mãe.
Sempre uma feijoada, uma feijoada
imensa. Ela já não podendo ajudar em nada, de sua cadeira de roda observava
tudo e esperava a hora dos amigos chegarem, esses que sempre lhe foram fiéis.
A casa enchia, havia música
mesmo. As últimas festas foram em Arembepe, mas a casa ficava cheia do mesmo
jeito.
segunda-feira, 13 de junho de 2016
Um Corregedor "ficha suja" - Brasil Colônia
Manuel falava-me
de muitas coisas, umas eu gostava, outras, nem por isso. Pois eu não tinha
qualquer interesse nelas, ouvia-o a lutar contra o sono, a tentar ficar com os olhos
abertos, pois não queria de nenhuma maneira, aborrecê-lo ou deixar que ele
pensasse que eu estava a fazer pouco caso da sua cultura.
Pois, de que me
valia saber que, no ano de 1549, quando o primeiro governador geral do Brasil
cá chegou, trouxe, entre os homens que o acompanharam, um senhor de nome Pero
Borges, que viria a ocupar o cargo de Ouvidor Geral.
Ouvidor
Geral! O que seria isto? O que este
homem faria?
quarta-feira, 11 de maio de 2016
Entre idas e vindas; o processo continua
Venho acompanhando, desde a
Câmara, o processo de instauração do impeachment da Presidente Dilma Rousseff.
Já tive ocasião de falar sobre o a vergonha do que vem acontecendo em todas as
fases, quanto pior, quando se trata da defesa da Senhora Presidente da
República, que como já disse, não é o Estado, mas, mesmo assim, vem sendo
defendida pela Advocacia Geral da União, o que, mais uma vez depõe contra ela
própria, por estar, mais uma vez utilizando a máquina estatal para defesa de
interesse pessoal, como é o caso.
E muito duro ver as tentativas da
defesa de afastar a conduta ilegal da Senhora Presidente, que não se concentram
em analisar a adequação, ou não, da conduta da Senhora Presidente com a
hipótese prevista na lei, seja genericamente ou não. Estamos diante de um
ilícito administrativo-fiscal, de crimes orçamentários, mas o que a defesa sempre
tenta fazer é afastar os fatos tipificadores, associar a recepção da denúncia a
uma querela pessoal existente entre o Sr. Eduardo Cunha e a Presidente, que por
vingança fez prosseguir o processo, e isto configuraria um golpe da oposição
contra o governo instalado através do voto. É verdadeiramente uma sequência de impropérios,
inverdades, ofensas, até mesmo demagogia.
segunda-feira, 2 de maio de 2016
Sonhem muito; os sonhos se realizam
Sempre tive um sonho: queria
morar em frente ao mar, em uma casa
cheia de vidros, em que eu
pudesse, de todos os espaços dela, ver o mar, ver árvores, plantas, ver a chuva
caindo, enfim, ver o tempo e tudo o que
a natureza pode nos proporcionar através da transparência do vidro.
Não consegui, até o momento, realizar o sonho de ter uma casa frente
ao mar, ou em que eu possa vê-lo, entretanto, oitenta por cento do meu sonho
foi realizado por outrem.
Estou vivendo em uma casa, que a
tenho como minha, embora não o seja materialmente, mas no campo afetivo e
espiritual e emocional o é. É um momento de felicidade, sem dúvida alguma.
Tenho por merecimento acho eu, pois quando um seu sonho é realizado por outrem,
mas você participando dele e para ele, é realmente fantástico.
Pois bem, por força do sonho,
como já disse, queria ver a chuva cair e purificar tudo ao seu redor, lavando
até mesmo o espírito, vez que é bem
assim que sinto quando, corajosamente,
volto ao tempo de criança e vou para a chuva, deixando que a água de Deus limpe
pensamentos e o corpo.
Hoje, sentada vendo a baboseira da Comissão
Especial do Senado para a análise da denúncia do impeachment, começou a
chover e eu fui fechar as portas da
casa. Extraordinário! De todos os cômodos da casa posso ver a água caindo lá
fora. Da sala, do meu quarto e da minha própria cama, dos quartos outros da
casa, do escritório e da cozinha. Sensacional!
sexta-feira, 15 de abril de 2016
Pela Pátria Amada
Não há como ficar neutro,
principalmente aqueles que, como eu, tem o mínimo de conhecimento do direito e
com algum bom senso, mesmo correndo o risco das criticas negativas.
Fui estudante na Universidade
Federal da Bahia, ´´a época de grandes nomes
da nata jurídica do país. Evidentemente
a Escola de Direito da UFBA, como a grande maioria de todas do país, seguia a corrente
positivista.. Ali aprendemos que o primado da lei, do direito positivado
por ela, era palavra de ordem não se admitindo o afastamento da letra da lei e,
consequentemente, do principio da legalidade.
Formei continuando, por muito
tempo, com o positivismo guiando, em
tudo, a minha vida profissional..
Logicamente, como fonte de
direito, também fiz uso da doutrina, da jurisprudência, atenta ainda aos costumes, estes últimos capazes de
influir positivamente, ou negativamente,
na interpretação da própria lei.
Todavia, o costume, por mais
enraizado que ele esteja em nós, na
sociedade, ~jamais ultrapassará a lei,
ele pode ajudar na sua aplicação, na sua própria interpretação, pode até ser
aplicado em lugar dela, quando não
exista uma norma que regularize uma determinado conduta, mas
em ela existindo, nunca, será maior que ela, aliás, dentro do código civil está
a graduação para a aplicação do direito.
Primeiro a lei, depois todo o resto.
domingo, 10 de abril de 2016
A Pestanejada do Pestana
Iaiá já estava
casada há muito tempo; os filhos todos criados, uns casados, outros ainda não
casados, mas homens feitos, enfim, tinha cumprido a sua obrigação para com
eles. Agora, dizia para si, é hora de
curtir mais a vida com o meu Pestana, com quem estava casada há anos.
Conhecera o
Pestana há muito, ainda era enfermeira. Era uma mulata bonita de fazer inveja a
qualquer mulher e deixar homens boquiabertos. Sempre se arrumara bem, e não era
a farda branca de enfermeira que lhe tirava a elegância, o charme, a graça, ao
contrário: isto anunciava a sua beleza, pois a sua silhueta, por baixo do jaleco
branco, atiçava o desejo dos homens, e por que não dizer: das mulheres também,
que invejavam aquela colossal mulher desejada por todos.
Todavia o
Pestana fora o vencedor daquela pescaria, e fisgou a Iaiá, com quem se casou e construíram
uma bela família.
O tempo foi
passando, e ambos, Pestana e Iaiá, envelhecendo; ela, entretanto, continuava
uma bela mulher, mas Pestana começou a pestanejar, e Iaiá começou a perceber o
desinteresse do marido, que cumpria com suas obrigações, mas não havia maior
calor ou amor no relacionamento, embora continuassem juntos.
segunda-feira, 14 de março de 2016
O que espero do dia 13-03-2016
Estava assistindo aos comentários sobre a repercussão das
manifestações de ontem, dia 13 de março e, decididamente, fiquei com uma
vergonha enorme.
O governo e o partido dos
trabalhadores subestimando esta
concentração, esta força, esta energia dos cidadãos brasileiros, que só estão querendo o respeito às suas instituições, à moralidade, uma volta da ética e, junto com
tudo isto, uma politica econômica clara, que tire o país da crise em que o governo nos colocou, por inabilidade, por
falta de competência, por apenas estar preocupado em se manter, a qualquer
custo, no poder.
Tive vergonha de ouvir todos os
comentários. Os petistas de carteirinha,
tentando o impossível, vincular esta enorme cobrança popular, a um golpe
articulado pela oposição, que por um acaso qualquer, embora isto não tenha sido
uma tônica nas manifestações, foi vaiada, vide Aécio Neves e o Alkimim em São
Paulo.
Golpe! Golpe é o que o PT está
querendo nos dá. Então um homem que desrespeita o cidadão brasileiro, a
justiça, procura deboche, gozação, ironia, subterfúgios, mentiras, sendo
processado pela Justiça por força das tramoias que aprontou, que praticou
enquanto no governo, vai, de novo, participar dele? Que Vergonha! Estou completamente atônita e não consigo
acreditar no que vejo e ouço.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
Um passeio em Cascais
Acordei com uma imensa saudade de
Portugal, por este motivo, resolvi levar todos para um passeio que adorava
fazer, sem me importar com o tempo que estivesse fazendo, ou melhor: fosse
verão ou inverno. Era apenas não estar chovendo e lá ia eu e, convido vocês a passearem
comigo.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
O que aconteceu Maria Rosa?
Maria Rosa era a quinta filha de
seu Alencar e Dona Virgínia. Os seus primeiros quatro irmãos eram homens, ela
era a caçula e mulher, poderíamos dizer, o dengo da família. Enquanto
pequenina, era ótimo estar cercada do amor e dos cuidados dos pais e de seus
quatro irmãos, mas, quando fez doze anos, toda esta proteção começou a
incomodá-la, e muito.
Maria Rosa nunca saiu sozinha.
Não tinha amigas, não ia á casa de ninguém. Festa na escola só se acompanhada
de mãe e irmãos, se todos não podiam ir, um, com certeza, acharia tempo para
acompanhá-la aonde quer que fosse.
Maria Rosa cresceu protegida. Sem opções, todos decidiam por ela, de pais a irmãos. Nunca teve direito de dizer o
que efetivamente queria, tudo já lhe dado como certo e pronto. Roupas escolhidas
pela mãe, escola escolhida pelos pais, festas só a que os irmãos frequentavam e
quando se dispunham a levá-la.
Os irmãos não levavam os amigos
em casa, foram proibidos pelos pais, pois Maria Rosa era linda e nada podia lhe
acontecer, era melhor evitar: “o que os olhos não veem coração não sente”, era
o que sempre dizia a sua mãe.
O único momento de mínima
liberdade que a Maria Rosa tinha era a escola, e assim mesmo, quando não havia
qualquer olheiro a espreita, o que sempre acontecia, pois a recomendação às
freiras era para que ela nunca estivesse sozinha, o que era seguido à risca
pelas irmãs, que não queriam, de maneira alguma, desagradar ao Sr. Alencar, em
especial Dona Virginia, mantenedora da Igreja, membro da congregação, enfim
sábado, 2 de janeiro de 2016
Nas Águas do MARUJO
ressaca, muita comida, arrumação da
bagunça do dia anterior; entretanto, o primeiro dia do ano de 2016 me reservou
uma baita surpresa, e esta surpresa merece divulgação.
Meu companheiro há uma semana me
disse que fora convidado para um passeio de escuna no dia primeiro: gosto do
mar, mas confesso que não fiquei radiante com a comunicação, cheguei mesmo a
sugerir que ele fosse sozinho, mas não gostei da expressão que ele fez. Decidi
que iria, muito mais pelo fato de que ele me disse qual era a finalidade do
passeio de escuna: um oferecimento de um presente ao “MARUJO”.
terça-feira, 10 de novembro de 2015
Voce me cativa?
[...] eu não posso brincar
contigo – disse a raposa. – Não me cativaram ainda.
-Ah! Desculpe – disse o
principezinho.
Mas, após refletir,
acrescentou:
- Que quer dizer
“cativar”? [...]
[...]-É algo quase sempre
esquecido – disse a raposa – Significa “criar laços”...
-Criar laços?
-Exatamente – disse a raposa,
- Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros
garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de
mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas,
se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Será para mim único no
mundo. E eu serei para ti única no mundo[...]
[...] Mas, se tu me
cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos
que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da
terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fossem música. E depois,
olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não
vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas
tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O
trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do
vento no trigo....
[...]-A gente só conhece
bem as coisas que cativou – disse a raposa. – Os homens não tem tempo de
conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem
lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo,
cativa-me!
-Que é preciso fazer? – Perguntou
o pequeno príncipe.
-É preciso ser paciente –
respondeu a raposa[...] (SAINT-EXUPÉRY 2009)
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Transforme-se; mas não se esqueça
Talvez pela proximidade de mais
uma grande transformação na minha vida eu esteja lembrando tanto de uma outra passagem,
a do tempo em que vivia no Engenho Velho da Federação.
Comecei a morar ali logo após a
saída do internato, ou seja, aos quatorze anos. Morei bastante tempo ali, tanto
tempo que tive tempo de mudar de casa três vezes, sendo que a última foi a
definitiva, pois meus pais, não sei bem como, conseguiram comprar um imóvel na
Rua Apolinário Santana 51-E da 1ª. Travessa, depois denominada Travessa
Fernanda, homenagem a uma moradora daquela descida terrível.
terça-feira, 25 de agosto de 2015
O futucador de orifícios
Aquilo estava
incomodando muito, tinha que tomar uma atitude, procurar um médico
especializado para dar um jeito na estória, por fim aquele incomodo que há anos
lhe tirava o humor.
Não havia mais
como adiar e o jeito foi perguntar aos amigos se conheciam algum proctologista.
Uma amiga conhecia um, afirmava que ele era o bom, talvez o melhor e tinha o
nome de Sebastião.
Bom com este
nome eu já pensei que ele deveria ser muito bom, tratar as pessoas com muito
cuidado e paciência, afinal o santo que morreu todo espetado tinha este nome e
não deixaria que um seu xará maltratasse ninguém.
domingo, 21 de junho de 2015
Clorofilando
É domingo, mais
um deles, iguais na nomenclatura, diferente por todos os outros motivos.
Cheguei da caminhada bem a tempo de não pegar uma chuva, que, sem qualquer aviso, cai forte. Resisto por um momento, mas a chuva cai tão forte ganhando mais força
nos beirais por força da água que escorre do telhado, que eu venho deitar na
rede. Gosto de ver a chuva cair, sempre tive um sonho de ter uma casa toda de
vidro exatamente para ver a chuva cair. Em Portugal achava o máximo olhar o
teto do Vasco da Gama e ver a água escorrendo por ele.
terça-feira, 9 de junho de 2015
Uma feiticeira na Inquisição da Bahia -" Arde-lhe-o-Rabo"
Mais uma vez
estou andando por Salvador, estou em frente à Catedral Basílica do Salvador, a
Igreja está fechada, sento nas suas escadarias e fico olhando o movimento da
Praça do Terreiro, olho as baianas sofisticadas, com roupas lindas e muitas
contas, pintura exagerada, olho-as com os olhos de ver, e vejo o que virou a
nossa baianidade, uma forma de exploração, de ganhar dinheiro. Ao mesmo tempo
em que vejo isto, também me transporto e vejo as negras de ganho mercando os
seus produtos ainda no tempo colonial e da escravidão. Tiro o olhar destas baianas, que quase atacam
os turistas que passam por minha frente. Eles sem me vir e sem qualquer olhar
igual ao meu, são quase que atropelados pelas baianas: sorriem, tiram fotos,
pagam até para isto, são guiados para as casas de “gemas”. Eu, diferentemente
deles, fico realmente vendo, entendendo, procurando identificar os traços da
nossa Salvador colonial, ali naquele lugar de tamanha importância para a nossa
história. Mais uma vez sinto uma angustia imensa, apesar de ter alguma
conservação, o Terreiro de Jesus e o Pelourinho precisam de obras de
conservação. O casario precisa ser preservado, a história precisa apresentar-se
aos soteropolitanos, e assim poder ser visualizada, exatamente, através de
nosso patrimônio, que o Estado tem obrigação de conservar.
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sexta-feira, 29 de maio de 2015
Tem rima!
Estava eu na Junta de Conciliação
e Julgamento de Santo Amaro da Purificação. Sim, esta mesma, a cidade do clã
Veloso, do Lira, e tantos outros, e onde, segundo a história que eles fazem
questão de lembrar, o Imperador fez xixi e, logo por aí, se vê a importância que
esta cidade teve em períodos idos, pois o Imperador lá esteve efetivamente.
Santo Amaro é uma cidade com um
belo passado colonial, muito cheia de engenhos naquele período, fontes
históricas indicam a existência de 120 engenhos(1878), sendo um dos mais importantes
o Acupe, ratificando assim a sua participação efetiva na economia da Bahia.
sexta-feira, 22 de maio de 2015
Vaticinando
Já faz muito
tempo, mas pelo pitoresco da história, não consigo esquecer. Passei por muitas
cidades do interior enquanto exercia a magistratura, cada uma com o seu
folclore, com as suas figuras e personagens. Gente boa, gente ruim, educados, mal-educadas,
prepotentes, enfim, consegui, na minha caminhada, ter contato com todo o tipo
de pessoa. Certamente, para eles, também, fui prepotente, orgulhosa, pedante,
enfim, tudo que se podia dizer de uma pessoa sozinha, que ocoupava um cargo importante, uma autoridade que tinha de se impor e com muitas responsabilidades. Minha aparência, segundo alguns, já era um grande problema, pois sempre usei "jeans" e meu cabelo era encaracolado, muito pouco recomendável para uma Excelência.
quinta-feira, 21 de maio de 2015
"Amores Nefandos" - Confissões e Delações na Primeira Visitação do Santo Oficio da Inquisição na Bahia - 1591
Continuo andando
em Salvador com os olhos de ver, olhos que jamais pretendo que deixem de ver,
já falei antes, que os meus olhos agora não só enxergam e olham, eles vêm,
sentem, recriam, estão a serviço da memória, do conhecimento, da reconstrução.
Quanto tempo perdi sem usar os meus olhos de ver, e com eles é que estou na
Cidade Alta ali pelas bandas da Paço Municipal; à minha frente está a Câmara,
do lado esquerdo, estando eu de costas para o prédio da Câmara, está o Palácio
do governo do outro lado a Rua da Misericórdia que vai dar na Sé, e após no
Terreiro de Jesus. Estou, efetivamente
no centro da cidade. Descendo a rua vou
parar um pouco antes da porta de Santa Luzia, (São Bento) que limita a cidade
pelo Norte, se sigo pela direita, alcanço o Terreiro de Jesus, Pelourinho e a porta
Sul da cidade, a porta de Santa Catarina (Carmo).
quarta-feira, 13 de maio de 2015
O olhar de ver - recriando o tempo e o espaço
sábado, 9 de maio de 2015
Vendo
Os meus olhos de
ver hoje estão imensamente tristes. Estão vendo coisas que eles não gostariam. Não é apenas um olhar, é o ver, que faz com que todos os nossos sentidos fiquem
aguçados, e com eles toda a nossa história de vida e da daqueles que a nós estão
ligados. Queria apenas olhar, não ver como estou a ver agora. Ver a vida de
entes que conviveram conosco por uma boa parte de nossas vidas, indo embora,
assim, como se nada fosse Não gosto efetivamente do que vejo, mas nem mesmo o
olhar posso desviar, seria talvez uma grande irresponsabilidade de minha parte
apenas olhar sem ver.
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