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quinta-feira, 9 de maio de 2024

E a verdade aparece

 

Estou aqui ouvindo os comentários sobre a lastimável enchente do Rio Grande do Sul, e sou surpreendida com uma notícia de que os caminhões que estão carregando de “doações” para os vitimados, estão sendo multados pela exigência da fiscalização não só de notas fiscais do “que está sendo doado”, como também pelo excesso de peso.

Por Deus que não acreditei no que estava vendo e ouvindo. Um motorista indignado reclamava do fiscal, que não abriu mão da multa. Eu já fiquei puta com a estória, pois diante de uma calamidade desta, enquanto as pessoas se unem para ajudar, vem o Estado (Governo federal) com exigências mesquinhas, que não podem, diante da excepcionalidade da situação ser exigidas.

Dito isto, deparo-me com outra notícia, esta de parte da Globo, através de uma loura sem graça que se acha a maior jornalista do mundo, uma que tem o nome estranho que não vou citar, a dizer que   a notícia que estavam exigindo notas fiscais das doações era “Face News”, que as pessoas estavam usando mentiras para atender a interesses próprios, acusando, inclusive uma jornalista, uma das que denunciou o fato, de produzir face News, em bom e claro português – DIVULGANDO UMA MENTIRA.

Rapaz, não nego não: a vontade era de bater naquela sacana. Com que propósito aquela senhora de nome estranho, que se acha de uma importância tamanha que se dá ao luxo de criticar e ofender uma colega de profissão, para simplesmente agradar àqueles que lhe “sustentam”., sim porque se a Globo continua existindo é porque recebe verba  do Governo, para que promova exatamente isto: tentar resguardar a imagem (desminagem) do Governo Federal e do próprio presidente da República, que, diga-se de passagem, deve estar em processo avançado de senilidade, pois mais nada justifica tanta fala sem sentido, ofensivas, rancorosas, mentirosas, debochadas.

Sim, como em outras oportunidades fiquei indignada, mas desta vez as coisas passaram do limite da compreensão mesmo.  Há vídeos, há depoimentos, há uma reportagem de uma concorrente, e esta senhora vem a público dizer que nada disto existiu, que isto decorre de ação de pessoas que aproveitam de uma calamidade desta para querer se promover, fazer política?  Que porra é esta? Esta senhora é louca? Está passando por algum problema de saúde mental?

Bom, o fato é que, infelizmente a notícia não era uma “face News”, eles adorariam que fosse, acharam que poderiam manipular a população brasileira que ainda assiste   à esta rede, que, ela sim, traz muitas desinformações, ela que recebe dinheiro (aliás dinheiro nosso, dos pagadores de impostos) para se sustentar e pagar os salários e mordomias dos jornalistas (deuses) que se especializaram em defender governo corruptos, passar pano em merda, tudo para defender os seus provedores.

Como se não bastasse a jornalista, um outro doente mental, um deputado que se motorizou pelas falas aberrantes, pelos gritos e ofensas aos políticos e brasileiros da direita, e por isso mesmo foi contemplado com um Ministério, pasmem o da comunicação. Pois bem este senhor vai a público e também diz que as notícias são fake News e os responsáveis pela divulgação delas devem ser punidos por este crime, mandando inclusive pedido de providências para outro Ministro, o da Justiça, que infelizmente, se é que algum dia teve conhecimento do que é a Justiça, se obrou bem no judiciário, nesse Ministério só faz merda:  relembrem-se de ter ele dito que a fuga dos presos do presidio de segurança máximo aconteceu por culpa do carnaval. (Puta merda, faça-me um favor), não podemos esquecer que, também foi ele, enquanto Ministro do Supremo, conseguiu o inédito e “fora da lei”, acordo com os senadores, que apesar do impeachment da Dilma Rousseff, teve os seus direitos políticos preservados. Faça-me uma garapa!  

As pérolas do Ministro da Justiça aqui não vem ao caso no momento, um dia me darei ao luxo de nomeá-las todas, mesmo correndo o risco de ser incluída no inquérito do ministro careca, o outro Deus do Olimpo Supremo o ZEUS de lá. (Coitado do Zeus, que certamente estaria reprovando esta minha comparação). Mas não é que o Ministro Polaco aceitou a comunicação do “ardido” contra os deputados Eduardo Bolsonaro, o Sr. Pablo Marçal e outros.   

Tudo isto seria regular, não fora o fato de que o Prefeito de Santa Catarina também mandou caminhões com doações para o Rio Grande do Sul, vem a público e diz que é realmente verdade, que   os caminhões foram barrados e multados. Aliás, duas vezes multados, porque indignados com a multa, arrancaram o caminhão e os agentes federais apressaram-se em aplicar mais uma multa por - EVASAO-. Puta que pariu! É verdade gente, isto aqui não é nenhuma brincadeira.  Também o diretor da AA não sei mais das quantas, vem confirmar a aplicação das multas também em defender o governo federal, dizer que foi um caso pontual, mas que as multas seriam anuladas.

Pois bem, tudo isto ocorreu, todas as verdades dos fatos foram confirmadas, mas até o presente momento, 10:53 da manhã do dia 09.05.2024, não vi qualquer retratação, seja de quem for: nem da rede globo, nem da jornalista de nome esquisito, nem do tal do “ardido”, nem do “russo”. Ninguém pedindo qualquer desculpa.

Agora pergunta-se:  QUEM PRODUZIU A FAKE NEWS”?. Respondam vocês que estão lendo este texto. Respondam com honestidade, sem ter em mente qualquer direcionamento ou ideologia política que tenham.

Precisamos nos unir gente, precisamos acabar com isto, esta empresa de comunicação acabou não tem mais qualquer compromisso com a sociedade, perdeu a sua função social, perdeu tudo, agora é formada de animadores de jogos governamentais, estão de um só lado, só veem coisas de um lado, porque de um outro (do qual faço eu parte) só existem mentirosos, gado, conservadores. Aliás, esta palavra na boca destes imbecis que se dizem jornalistas, que esqueceram de que eles trabalham exclusivamente com as notícias, com os fatos, que o seu maior papel é informar a população, trazer informações que alertem à sociedade para os erros, como também para os seus acerto, embora este ultimo seja bem difícil..

Estou mesmo muito triste, chego  a pensar que o meu país, que tanto defendi, não tem mais solução, mas enquanto não encontro uma solução para mim mesma, peço  a todos que, se puderem, ajudem o Rio Grande do Sul, mesmo correndo o risco da sua ajuda não chegar ao destino, pois também presenciei um grupo de voluntários  levando quentinhas  para  um estádio, onde estavam  recolhidos(porque aquilo não era ser abrigado) um amontado de adultos, crianças, e até mesmo bichos, amontados dentro de uma estádio) mas foram impedidos de distribui-las por dois funcionários da prefeitura, que do alto da sua autoridade (certamente sem estar passado fome), sob o argumento de que qualquer  comida para aquele povo teria de passar pelo crivo de uma nutricionista.  Acreditem, vi o vídeo no momento em que as pessoas estavam tentando distribuir as quentinhas. Isto não é fake News, é verdade, verdadeira, e como doe na nossa alma como pessoas tão despreparadas, tão doentes da cabeça, tem autoridade para impedir a distribuição de comida para quem tem fome, para alguns que passaram três quatro dias sem comer nos telhados das suas casas esperando por um braço amigo, por um gesto de solidariedade.

Não se sabe quantas pessoas sucumbiram. Espero que nenhum parente destas autoridades que negaram ao povo um mínimo momento de conforto diante de tantas tragédias, esteja no rol dos desaparecidos, dos mortos que ainda não foram computados, que serão muitos  quando as aguas baixarem, pois só ai e que se vai ter a noção exata dos desparecidos, dos feridos, dos desabrigados e de todos os estragos causados  por este fenômeno natural, para mim quase  injustificável, raciocinando-se  como uma coisa natural e que poderia ser impedida por Deus), mas que efetivamente aconteceu e trouxe todo esta tragédia e amargura para o povo Gaúcho e para o brasileiro na sua totalidade.

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quarta-feira, 21 de abril de 2010

A Lagoa transbordou








A Lagoa transbordou
Arembepe amanheceu triste. Do Corre Nu, do outro lado da pista, até o Piruí, tudo alagado. A Lagoa resolveu tomar o seu lugar e a Caraúna encheu. Na Rua da Glória casas alagadas, gente tirando coisas às pressas. Á água subindo a cada hora e fazendo muitos estragos.
O campo, agora, só se poderia jogar pólo aquático, ainda assim, se os peixes e as cobras d água deixassem.
Na Rua da Glória e na Caraúna, quem não tirou o carro da garagem teve ele submerso até mais da metade. Colocaram, tanto no começo, quanto no fim da Rua da Glória, barreiras para que carros não tentassem, sequer, atravessar, pois a cada onda feita com a passagem mais água entrava nas casas.
No meio da rua, pior ainda, a água entrava e não tinha saída e os moradores tentavam salvar o que podiam. A casa de Duinha estava cheia, ela teve de sair deixando as suas coisas e as suas histórias. Do outro lado, em frente à casa dela, na antiga casa de Marione, a água entrava pela garagem e pelo portão e lá mesmo ficava. A pousada agora já poderia oferecer aos hóspedes uma nova atração, pescar sem sair da cama, talvez.
Na porta da minha casa a água cobria o pé, ela nunca tinha alcançado este trecho da rua. Peixes, cardumes deles, circulavam como se aquele fosse o seu habitat natural. Cobras atravessavam, literalmente, a rua. Sapos, não sei se rãs, não importa, mas batráquios(anfíbios) com certeza, pulavam e faziam barulho na água. Muitos sustos e o medo da água subir mais: Na dúvida, tirei o carro da garagem e coloquei na praça, lugar mais alto.
Alguém disse que não podia dar descarga no sanitário, a água não descia. Evidentemente, com o aumento do nível da água tudo transbordou, as fossas estavam cheias. Estávamos proibidos, pela natureza e pelo poder público, de atender as necessidades do corpo.
Com todo este caos me lembrei que ha um projeto de revitalização de Arembepe, o que abrange uma passarela na praia, aquela, da qual já falei: a que liga o nada a lugar nenhum e que serve para retirar de Arembepe o que ela tem de mais bonito, a visão da vida se mostrando em todas as suas cores.
Pois é, lembrando disto comecei a me perguntar: Por que será que, ao invés de se gastar dinheiro com uma passarela inútil, não se faz um serviço de esgoto dentro de Arembepe? Por que não se estuda um meio de algum sistema de drenagem na lagoa para que ela não transborde e cause tantos danos nas épocas das chuvas? Muitas outras perguntas poderiam ser feitas, mas estas já são suficientes, para, mais uma vez, mostrar que não precisamos de passarelas, precisamos de muito mais coisas importantes: Rede de esgoto, sistema de escoamento de águas, escolas, trabalho para os jovens de Arembepe.
Alguns me dirão que Arembepe não foi um caso isolado, que as enchentes aconteceram em todos os lugares, que a chuva provocou estragos em quase todo Brasil, a exemplo de Niterói no Rio de Janeiro, em Lauro de Freitas aqui na Bahia, em muitos outros Estados da Federação: Pernambuco, Aracaju, São Paulo. No Rio, até o Cristo teve de se equilibrar para não cai, certamente ficou tonto, atordoado com o descaso do poder público com os seus filhos. Não agüentou ver tanta morte, não por força da própria natureza, imprevisível, ou previsível nas causas, não nas consequências, e se abalou mesmo, quase cai, tremeu, mas não foi respeitado.
Em Arembepe, com outra dessa, só sobreviveremos se Noé nos recolher com a sua arca, infelizmente, levando apenas dois de cada espécie. Quem serão os escolhidos? Alguém da Caraúna, do Corre Nu, da Rua da Gloria, do Piruí? Enquanto não temos resposta, aliás, posso até imaginar qual seria, pois afinal de contas o poder, num momento deste, mostrar-se-ia com toda a sua força para que a escolha fosse feita nas pessoas certas, aquelas com um maior poder aquisitivo, aquelas com influência que podem mudar o jogo das coisas, mas que, infelizmente trabalham em seu beneficio, embora a natureza sábia, não faça esta distinção, porque ela não escolhe branco ou preto, rico ou pobre, feio ou bonito, homem ou mulher, para mostrar a sua força, o seu poder, que advém de se própria, que não é fabricado por homens que detém o poder, mas não sabem usá-lo em beneficio do povo, único dono deste mesmo poder que eles representam.
Talvez a natureza tenha tentado mostrar o que o povo às vezes esquece: que os seus representantes esqueceram-se do seu dever, que é o de representá-los bem, gerir o dinheiro público com projetos que funcionem e que sejam necessários; obras de infra-estrutura que permitam uma melhor qualidade de vida para o povo brasileiro independente do seu “sotaque”. Obras que não apareçam no exterior, mas que deixem o “interior” de cada cidadão brasileiro tranqüilo, para que ele possa dormir em paz, sem pensar se amanhã vai acordar com a sua casa alagada, com o seu barraco desabando, com a sua família perecendo.
Pois é; No caso específico de Arembepe, esqueçamos as passarelas inúteis e vamos lembrar-nos do povo da vila, deste que agora sofre as conseqüências da natureza inconsequente e da inconsequência do poder público.
Abril de 2010